

LUA NOVA
 (New Moon)

STEPHENIE MEYER

Segundo livro da srie 'Crepsculo'.
PREFCIO
Eu me sentia como se estivesse presa em um daqueles terrveis pesadelos, um onde voc precisa correr, correr at seus pulmes estourarem, mas voc no pode fazer
seu corpo se mover rpido o suficiente. Minhas pernas se moviam devagar e mais devagar enquanto eu me esforava para abrir caminho pela indiferente multido, mas
os ponteiros na enorme torre do relgio no reduziram a velocidade. Com implacvel, insensvel fora, eles decididamente iam em direo ao fim - o fim de tudo.

Mas isso no era sonho, e, ao contrrio do pesadelo, eu no estava correndo pela minha vida; Eu estava correndo para salvar algo infinitamente mais precioso. Minha
prpria vida j no importava tanto.

Alice tinha dito que havia uma boa chance de morrermos aqui. Talvez o resultado fosse diferente se ela no fosse apanhada pela ofuscante luz do sol, s eu podia
correr por essa iluminada, aglomerada praa.

E eu no podia correr rpido o suficiente.

Ento no me importava que ns estivssemos cercados de nossos inimigos extraordinariamente poderosos. Assim que o relgio comeou a soar a hora, vibrando abaixo
das solas de meus lentos ps, eu soube que estava muito atrasada - e eu me alegrei que alguma coisa sanguinria estivesse me esperando pelos arredores. Se isto desse
errado, eu perderia qualquer vontade de viver.

O relgio soou de novo, e o sol se ps bem no meio do cu.

CAPTULO 1 - FESTA
Eu estava 99% certa de que estava sonhando.

As razes para eu estar to certa disso eram que, em primeiro lugar, eu estava em p em um brilhante raio de luz solar - o tipo de sol intenso e ofuscante que nunca
brilhava em minha atual chuvosa cidade natal em Forks, Washington - e segundo, eu estava olhando para minha av Marie. Vov tinha morrido seis anos atrs, ento
essa foi minha evidncia concreta que comprovou a teoria do sonho.

Vov no tinha mudado muito, seu rosto parecia o mesmo que eu lembrava. A pele era macia e tinha um aspecto murcho, se dobrava em mil rugas finas debaixo das quais
se agarrava suavemente o osso. Como um pssego seco, mas aureolada por um espesso bolo de cabelos brancos de fisionomia similar a uma nuvem.

Nossos lbios - os dela franzidos em uma grande quantidade de rugas - estendidos num mesmo meio sorriso de surpresa ao mesmo tempo. Aparentemente, ela no esperava
me ver tambm.

Eu estava a ponto de fazer uma pergunta; Eu tinha tantas - O que ela estava fazendo aqui em meu sonho? Aonde ela esteve nos ltimos seis anos? Vov estava bem? Eles
haviam se encontrado onde quer que eles estivessem? - mas ela abriu a boca no mesmo tempo que eu, ento eu parei para deix-la falar primeiro. Ela parou tambm,
e ento ambas sorrimos um pouco sem jeito.

- Bella?

No foi ela quem havia dito meu nome, por isso ns duas nos viramos para ver quem havia se juntado a nossa pequena reunio. Na verdade, eu no precisava olhar para
saber. Era uma voz que eu teria reconhecido em qualquer lugar, e  qual eu tambm havia respondido, para saber se estava dormindo ou acordada...ou at mesmo morta,
eu tinha quase certeza. A voz que atravessava o fogo - ou, com menos dramatismo, andava na lama diariamente pelo frio e a incessante chuva.

Edward.

Embora eu sempre fosse louca para v-lo - consciente ou no - e estava quase certa de que se tratava de um sonho, entrei em pnico  medida que Edward se aproximava
de ns, caminhando abaixo da deslumbrante luz do sol.

Me apavorei porque vov no sabia que eu estava apaixonada por um vampiro - ningum sabia - e de que forma eu iria explicar os brilhantes raios de sol quebrando-se
sobre sua pele em milhares de pedacinhos de arco-ris, como se ele fosse feito de cristal ou diamante?

Bem, vov, s para o caso de voc ter notado que meu namorado brilha.  s algo que ele faz quando est no sol. Mas no se preocupe com isso...

O que ele estava fazendo? A nica razo para que viva em Forks,  que  o lugar mais chuvoso do mundo, ele podia sair  luz do dia sem expor o segredo de sua famlia.
Mesmo assim, ele estava vindo na minha direo com seu andar bem gracioso e despreocupado - com o mais bonito sorriso em seu rosto angelical - como se eu estivesse
sozinha.

Nesse momento, desejei no ser a exceo de seu misterioso dom. Em geral, agradeceria ser a nica cujos pensamentos ele no podia ouvir com a mesma clareza como
se eles fossem falados em voz alta. Mas agora eu desejei que ele pudesse me ouvir tambm, ento assim ele poderia escutar o aviso que eu estava gritando em minha
cabea.

Lancei um olhar apavorado para vov, e percebi que j era muito tarde.
Nesse instante, ela apenas se virou para me olhar de volta e seus olhos to alarmados quanto os meus.

Edward - ainda sorrindo daquela forma to arrebatadora que fazia com que meu corao acelerasse e parecesse a ponto de estourar no meu peito - passou seu brao em
volta de meu ombro e virou seu rosto para minha av.

A expresso de vov me surpreendeu. Em vez de horrorizada, ela me olhava timidamente, como se esperando por uma repreenso. E ela estava parada numa posio bem
estranha - um brao se separou desajeitadamente do corpo, ela o esticou e o enrolou em volta do ar. Como se estivesse abraando algum que eu no podia ver, algum
invisvel...

S ento, quando olhei com mais ateno, notei a enorme armao dourada que rodeava a figura da minha av. Sem entender nada, ergui a mo que no estava em volta
da cintura de Edward e a aproximei para tocar minha av. Ela repetiu exatamente o mesmo movimento, como em um espelho. Mas onde nossos dedos deveriam ter se encontrado,
no existia nada alm do vidro frio...

Com uma vertiginosa sacudida, o sonho abruptamente se transformou em um pesadelo.

No havia nenhuma av.

Aquela era eu. Era minha imagem refletida em um espelho. Era eu, velha, enrugada e acabada.

Edward continuava ao meu lado sem se refletir no espelho, insuportavelmente encantador em seus eternos dezessete anos.

Ele apertou seus lbios frios e perfeitos contra minha decrpita bochecha.

- Feliz aniversrio. - ele sussurrou.

Acordei assustada - meus olhos a ponto de ficarem fora de rbita - e ofegante. Uma escura luz cinza, a familiar luz de uma manh nublada, tomou o lugar do ofuscante
sol de meu sonho.

S um sonho, eu disse a mim mesma. Foi s um sonho. Tomei ar e saltei da cama assim que me recuperei do susto. O pequeno calendrio no canto do relgio me informou
que hoje era treze de Setembro.

S um sonho, mas proftico, sem dvida, ao menos em um sentido. Era o dia de meu aniversrio. Acabava de fazer dezoito anos oficialmente.

Eu temi esse dia durante meses.

Durante o perfeito vero - o vero mas feliz que j tive, o mais feliz que ningum em lugar nenhum poderia ter, e o vero mais chuvoso da histria da Pennsula Olympic
- este infeliz dia se espreitava de tocaia, preparado para pular.

E agora que por fim havia chegado era at pior do que eu temia que seria. Eu podia sentir: estava mais velha. Cada dia eu envelhecia um pouco mais, porm isso era
diferente e notavelmente pior. Eu tinha dezoito anos.

E Edward nunca teria.

Quando fui escovar os dentes, quase me surpreendeu que o rosto do espelho no tivesse mudado. Olhei para mim mesma  procura de algum sinal iminente de rugas na
minha pele. Contudo, no havia outras rugas alm das em minha testa, e soube que seu relaxasse, elas desapareceriam. Eu no podia. Minhas sobrancelhas haviam se
franzido formando uma linha de preocupao acima dos meus ansiosos olhos castanhos.

Foi s um sonho, lembrei a mim mais uma vez. S um sonho, e tambm o meu pior pesadelo.

Eu dispensei o caf da manh, querendo sair de casa o mais rpido possvel. No me encontrava com nimo de enfrentar meu pai e ter que passar uns minutos fingindo
estar feliz. Eu honestamente tentava ficar entusiasmada com os presentes que pedi para ele no me dar, mas sentia que estava a ponto de chorar a cada vez que deveria
sorrir.

Fiz um esforo para me distrair enquanto dirigia para a escola. A viso de vov - eu no deveria pensar nela como se fosse eu -era difcil de tirar da cabea. Eu
no podia sentir nada alm de desespero quando entrei no familiar estacionamento que se estendia por detrs do colgio secundrio de Forks e encontrei Edward imvel,
recostado em seu lustrado Volvo prateado como um monumento de mrmore dedicado a algum esquecido deus pago da beleza. O sonho no fazia sentido. E ele estava esperando
por mim, igual a qualquer outro dia.

O desespero desapareceu momentaneamente e a maravilha tomou seu lugar. Mesmo depois de ter passado quase a metade do ano com ele, no podia crer que merecia tanta
sorte.

Sua irm Alice estava ao seu lado, me esperando tambm.

 claro que Edward e Alice no eram parentes de verdade (Em Forks, a histria que ocorria era que todos os irmos Cullen haviam sido adotados pelo doutor Carlisle
e sua esposa Esme, j que ambos tinham uma aparncia claramente bem jovem para terem filhos adolescentes), mas suas peles tinham o mesmo tom de palidez, seus olhos
na mesma estranha tonalidade de dourado, com as mesmas olheiras arroxeadas, ressaltadas abaixo deles. O rosto de Alice, igual ao de Edward, era surpreendentemente
bonito. Aos olhos de algum - algum como eu - estas semelhanas revelavam o que eles eram.

A viso de Alice me esperando ali - seus olhos de cor amarelo escuro brilhavam de excitao, e uma pequena caixa quadrada embrulhada em papel prateado em suas mos
- me fez franzir as sobrancelhas. Eu havia lhe dito que no queria nada, nada, nem presentes e nem nenhum outro tipo de ateno para o meu aniversrio. Evidentemente,
meus pedidos foram ignorados.

Bati a porta de minha caminhonete Chevrolet 53 - uma chuva de respingos de ferrugem voaram at a parte externa do pneu preto. Depois caminhei lentamente para onde
eles me aguardavam. Alice veio ao meu encontro; seu rosto travesso resplandecia abaixo do pontiagudo cabelo negro.

- Feliz aniversrio, Bella!

- Shhh! - eu sibilei enquanto olhava ao redor para ter certeza de que ningum tivesse ouvido. A ltima coisa que eu queria era qualquer tipo de comemorao do triste
evento.

Ela me ignorou.

- Quando quer abrir seu presente? Agora ou mais tarde? - ela me perguntou entusiasmada enquanto caminhvamos para onde Edward nos esperava.

- Sem presentes. - protestei em um murmrio.

Ela finalmente pareceu ser dar contar de qual era meu estado de nimo.

- Certo...mais tarde, ento. Gostou do lbum de fotografias que sua me lhe mandou? E a cmera fotogrfica de Charlie?

Eu suspirei.  claro que ela saberia quais seriam os meus presentes. Edward no era o nico membro da sua famlia com habilidades fora do comum. Alice "veria" o
que meus pais tivessem planejado assim que eles tivessem decidido.
". Eles so timos".
"Eu acho que essa  uma boa idia. S se vive o ltimo ano escolar uma vez. Seria bom documentar a experincia".
"Quantas vezes voc cursou o ltimo ano?"
"Isso  diferente".
Ns nos aproximamos de Edward nessa hora, e ele levantou sua mo pra mim. Eu a segurei ansiosamente, esquecendo, por um momento, meu mal-humor. A pele dele estava,
como sempre, macia, dura, e muito fria. Ele apertou meus dedos gentilmente. Eu olhei nos seus olhos de topzio liquido, e meu corao se apertou de forma no to
gentil. Escutando as batidas do meu corao, ele sorriu de novo.
Ele levantou sua mo livre e traou a ponta de um dedo gelado nos meus lbios enquanto falava. "Ento, como foi discutido, eu no estou autorizado a te desejar feliz
aniversrio, est correto?"
"Sim. Est correto." Eu no podia imitar a fluncia da sua articulao perfeita e formal.
Era uma coisa que s podia ter sado do incio do sculo.
"S checando". Ele passou a mo pelo seu cabelo bagunado cor de bronze. "Voc podia ter mudado de idia. A maioria das pessoas costuma gostar de coisas como aniversrios
e presentes".
Alice sorriu, o som era todo prateado, como um carrilho passando no vento.
" claro que voc vai gostar. Todo mundo deve ser legal com voc e fazer tudo do seu jeito, Bella. O que poderia dar to errado?"
A pergunta era retrica.
"Ficar mais velha". Eu respondi do mesmo jeito, e minha voz no era to uniforme quanto eu havia planejado.
Ao meu lado, o sorriso de Edward se transformou numa linha dura.
"Dezoito no  muito velha." Alice disse. "As mulheres no costumam esperar at os trinta e nove at ficarem tristes com os aniversrios?"
" mais que Edward".
Ele suspirou.
"Tecnicamente", ela disse, mantendo o tom suave. "Porm,  s um aninho".
E eu acho... que se eu tivesse certeza do futuro que eu queria, certeza que eu passaria a eternidade com Edward, e Alice, e com o resto dos Cullen (preferivelmente
no sendo uma velhinha enrugada)... Ento um ano ou dois no faria muita diferena pra mim. Mas Edward era mortalmente contra qualquer futuro em que eu fosse transformada.
Qualquer futuro que me fizesse como ele - que me deixasse imortal tambm.
Um impasse, era assim que ele chamava.
Pra ser honesta, eu no entendia o ponto de vista de Edward.
O que  to maravilhoso na mortalidade? Ser vampira no parecia uma coisa to horrvel - no do jeito como os Cullen diziam, de qualquer forma.
"A que hora voc vai estar l em casa?", Alice continuou, mudando de assunto. Pela expresso dela, ela estava planejando fazer exatamente o tipo de coisa que eu
estava tentando evitar.
"Eu no sabia que tinha planos para ir l".
"Oh, seja boazinha, Bella", ela reclamou. "Voc no vai estragar toda a nossa diverso desse jeito, vai?"
"Eu achei que o meu aniversrio era sobre o que eu quisesse".
"Eu pegar ela com Charlie logo depois da escola", Edward disse me ignorando completamente.
"Eu tenho que trabalhar", eu protestei.
"Na verdade, no", Alice me disse presumidamente. "Eu j falei com a Sra. Newton sobre isso, ela vai trocar o seu horrio. Ela me pediu pra dizer 'Feliz aniversrio'".
"Eu- eu no posso aparecer", eu gaguejei, me atrapalhando pra encontrar uma desculpa. "Eu, bem, eu ainda no assisti Romeu e Julieta para a aula de Ingls".
Alice bufou. "Voc tem Romeu e Julieta decorado".
"Mas o Sr. Berty disse que temos que ver a atuao pra realmente apreciarmos - foi assim que Shakespeare tencionava apresent-lo".
Edward rolou os olhos.
"Voc j assistiu o filme", Alice acusou.
"Mas no na versa dos anos sessenta. O Sr. Berty disse que  a melhor".
Finalmente Alice perdeu o sorriso presumido e me encarou.
"Isso pode ser fcil, ou pode ser difcil, Bella, mas de um jeito ou de outro - "
Edward interrompeu a ameaa dela. "Relaxe, Alice. Se Bella quer assistir o filme, ento ela pode.  o aniversrio dela".
"Isso a", eu acrescentei.
"Eu vou levar ela por volta de sete", ele continuou. "Isso vai dar mais tempo pra voc arrumar tudo".
A risada de Alice reapareceu. "Parece bom. Te vejo de noite, Bella. Vai ser divertido, voc vai ver". Ela sorriu largamente - o grande sorriso exibiu todos os dentes
brilhantes, perfeitos - ento ela me deu um beijinho na bochecha e foi danando at a sua primeira aula antes que eu pudesse responder alguma coisa.
"Edward, por favor -", eu comecei a implorar, mas ele pressionou um dedo frio nos meus lbios.
"Vamos discutir isso mais tarde. Ns vamos nos atrasar para a aula".
Ningum se incomodou em olhar pra ns enquanto sentvamos nos nossos lugares de sempre no fundo da sala (ns tnhamos quase todas as aulas juntos agora -  incrvel
os favores que Edward pode conseguir com a administrao feminina da escola). Edward e eu j estamos juntos a bastante tempo pra no sermos mais motivo de fofoca.
Nem Mike Newton se incomoda em continuar me dando aqueles olhares mal-humorados que me faziam sentir um pouco culpada. Ele sorria agora, e eu estava feliz por ele
finalmente parecer estar percebendo que ns s poderamos ser amigos.
Mike havia mudado durante o vero - o rosto dele estava menos arredondado, fazendo as mas do seu rosto mais proeminentes, e ele estava usando o seu cabelo loiro
de outro jeito; ao invs de arrepiado, ele estava mais longo e com gel pra causar um efeito casualmente bagunado. Era fcil ver de onde a inspirao tinha sado
- mas o estilo de Edward no era uma coisa que podia alcanada atravs de uma imitao.
Enquanto o dia progredia, eu considerei as possibilidades de escapar do que quer que os Cullen estivessem planejando na casa deles hoje  noite. J era ruim o suficiente
ter que celebrar com um humor to ruim.
Mas, o pior, isso com certeza ia envolver ateno e presentes.
Ateno nunca  uma coisa boa, qualquer outra pessoa propensa a acidentes concordaria comigo. Ningum quer um canho de luz na sua direo quando voc est prestes
a cair de cara.
Eu muito sugestivamente ped - bem, na verdade eu ordenei - que ningum me desse presentes esse ano. Parece que Rene e Charlie no foram os nicos que decidiram
ignorar isso.
Eu nunca tive muito dinheiro, e isso nunca me incomodou. Rene me criou com o salrio de uma professora de jardim de infncia. Charlie tambm no estava ficando
rico com o seu trabalho - ele era o chefe de policia dessa pequenina cidade de Forks. O meu prprio fundo pessoal vinha dos trs dias por semana que eu trabalhava
numa
lojinha de suplementos esportivos da cidade. Numa cidade to pequena, eu tinha sorte por ainda ter um emprego. Cada centavo que eu ganhava ia direto para os meus
microscpicos fundos pra faculdade. (A faculdade era s o plano B. Eu ainda tinha esperanas no plano A, mas Edward ainda era muito teimoso em relao a me deixar
humana).
Edward tinha muito dinheiro - eu nem queria pensar no quanto.
Dinheiro significava quase nada para Edward e o restante dos Cullen.
Era s uma coisa que acabava se acumulando quando voc tem tempo ilimitado nas mos e uma irm que tem uma misteriosa forma de prever as mudanas da bolsa de valores.
Edward no parecia entender a minha objeo para que ele no gastasse tanto dinheiro comigo - porque eu no me sentia confortvel quando ele me levava pra um restaurente
caro em Seattle, ou porque ele no podia me comprar um carro que alcanasse uma velocidade acima de cinqueta e cinco milhas por hora, ou porque ele no podia pagar
a minha faculdade (ele estava riculamente entusiasmado com o plano B). Edward achava que eu estava sendo desnecessriamente difcil.
Mas como eu podia deixar que ele me desse tantas coisas quando eu no tinha nada em troca?
Ele, por alguma razo insondvel, queria estar comigo.
Qualquer coisa que ele me desse alm disso, s nos deixaria ainda menos balanceados.
Enquanto o dia passava, nem Edward nem Alice falou sobre o meu aniversrio de novo, e eu comecei a relaxar um pouco.
Ns sentamos na nossa mesa de almoo de costume.
Um estranho tipo de trgua existia naquela mesa. Ns trs - Edward, Alice e eu - nos sentavamos no cantinho no sul da mesa. Agora que os mais velhos e "assustadores"
(no caso de Emmett certamente) irmos Cullen terem se formado, Alice e Edward no pareciam to intimidantes, e no nos sentvamos mais sozinhos.
Meus outros amigos, Mike e Jssica (que estavam passando pela estranha fase ps-trmino de namoro na amizade), Angela e Ben (cujo relacionamento sobreviveu ao vero),
Eric, Conner, Tyler e Lauren
(apesar dessa ltima no contar na categoria da amizade) todos nos sentvamos na mesma mesa, no outro lado da linha invisvel.
Essa linha se dissolvia nos dias de sol, quando Edward e Alice sempre faltavam a escola, e a a conversa se estendia sem muito esforo pra me incluir tambm.
Edward e Alice no achavam esse pequeno ostracismo estranho ou ferino, como eu teria achado. Eles praticamente nem reparavam.
As pessoas sempre se sentiam estranhamente doentes de to  vontade que ficavam perto dos Cullen, quase com medo por alguma razo que ele no podiam explicar.
Eu era rara excesso a essa regra. s vezes Edward se incomodava por eu me sentir to confortvel ao lado dele. Ele achava que era um risco  minha sade - uma opinio
que eu rejeitava veementemente toda vez que ele tocava nela.
A tarde passou rapidamente. A aula acabou e Edward me acompanhou at a minha caminhonete como sempre fazia. Mas dessa vez, ele segurou a porta do passageiro aberta
pra mim. Alice deve ter levado o carro dele pra casa pra que eles pudessem me impedir de fugir.
Eu cruzei meus braos e no me movi pra sair da chuva. " meu aniversrio, eu no posso dirigir?"
"Eu estou fingindo que no  seu aniversrio, assim como voc deseja".
"Se no  meu aniversrio, ento eu no preciso ir  sua casa hoje  noite..."
"Tudo bem". Ele fechou a porta do passageiro e passou por mim para ir para o lado do motorista. "Feliz aniversrio".
"Shh", eu calei ele sem muita vontade. Eu entrei pela porta aberta, esperando que ele tivesse aceitado o outro pedido.
Edward mexia no rdio enquanto eu dirigia, balanando a cabea em desaprovao.
"Seu rdio tem uma recepo horrvel".
Eu fiz uma careta. Eu odiava quando ele mexia com a minha caminhonete.
A caminhonete era tima- tinha personalidade.
"Voc quer um som legal? Dirija o seu prrpio carro". Eu j estava nervosa com os planos de Alice, com o meu humor negro ainda por cima, que as palavras saram mais
afiadas do que eu planejei. Eu mal conseguia ter um mal temperamento perto de Edward, e as minhas palavras fizeram ele apertar os lbios pra no sorrir.
Quando eu parei na frente da casa de Charlie, ele se inclinou pra pegar meu rosto com as duas mos. Ele me segurou muito cuidadosamente, pressionando s a ponta
dos dedos levemente nas minhas tmporas, nas mas do meu rosto, minha mandbula. Como se eu estivesse especialmente quebrvel. Que era exatamente o caso - comparado
com ele, pelo menos.
"Voc deveria estar de vom humor, hoje entre todos os outros dias", ele sussurrou. O doce hlito dele varreu o meu rosto.
"E se eu no quiser estar de bom humor?", eu perguntei, minha respirao desigual.
Seus olhos dourados queimaram. "Que pena".
Minha cabea j estava girando quando ele chegou mais pra perto e pressionou seus lbios gelados nos meus.
Como ele pretendia, sem dvida, eu esquec das minhas preocupaes, e me concentrei em lembrar de inalar e exalar.
A boca dele permaneceu na minha, fria e suave e gentil, at que eu joguei meus braos no pescoo dele e me joguei no beijo com um pouco de entusiasmo demais. Eu
podia sentir os seus lbios se curvando pra cima enquanto ele soltava meu rosto e se inclinava pra trs pra se livrar do meu abrao.
Edward havia desenhado muitas linhas cuidadosas para o nosso relacionamento fsico, com a inteno de me manter viva.
Apesar de eu respeitar a necessidade de manter uma distncia segura entre minha pele e seus dentes afiados como navalha e cheios de veneno, eu sempre me esquecia
de coisas sem importncia como essas quando ele me beijava.
"Seja boazinha, por favor", ele respirou na minha bochecha.
Ele pressionou seus lbios gentilmente nos meus mais uma vez e ento se afastou, cruzando meus braos no meu estmago.
Meu pulso estava estrondando nos meus ouvidos. Eu coloquei uma mo no meu corao. Ele batia hiperativamente na minha palma.
"Voc acha que um dia eu vou melhorar nisso?", eu imaginei, mais pra mim mesma. "Ser que um dia meu corao vai parar de querer sair do meu peito toda vez que voc
me toca?"
"Eu realmente espero que no", ele disse, um pouco presumido.
Eu rolei meus olhos. "Vamos assistir os Capuleto e os Montague acabando uns com os outros, certo?"
"Seu pedido, minha ordem".
Edward se espalhou no sof enquanto eu comeava o filme, avanando nos crditos iniciais.
Quando eu me sentei no canto do sof na frente dele, ele passou os braos pela minha cintura e me puxou pro peito dele. No era exatamente confortvel como um sof,
j que o peito dele era frio e duro - e perfeito - como uma escultura de gelo, mas era definitivamente prefervel. Ele puxou a velha manta do encosto do sof e jogou
por cima de mim pra que eu no congelasse ao lado do corpo dele.
"Sabe, eu nunca tive muita pacincia com Romeu", ele comentou enquanto o filme comeava.
"Qual  o problema com Romeu?", eu perguntei, um pouco ofendida. Romeu era um dos meus personagens de fico favoritos. Antes de conhecer Edward eu meio que tinha
uma quedinha por ele.
"Bem, pra comear, ele est apaixonado por essa tal de Rosaline- voc no acha que isso o torna um pouco inconstante? E depois, alguns minutos depois do casamento,
ele mata o primo de Julieta. Isso no  muito inteligente. Erro depois de erro.
Ser que ele poderia ter acabado com a sua felicidade mais completamente?"
Eu suspirei. "Voc quer que eu assista isso sozinha?"
"No, na maior parte do tempo eu vou estar olhando voc, de qualquer jeito". Os dedos dele traaram linhas no meus brao, me deixando arrepiada. "Voc vai chorar?"
"Provavelmente", eu admit. "Se eu estiver prestando ateno".
"Ento eu no vou te distrair". Mas eu sent os lbios dele no meu cabelo, muito distrativo.
O filme finalmente capturou meu interesse, em grande parte isso se deveu ao fato de Edward estar citando as falas de Romeu no meu ouvido - a sua voz irresistvel
e aveludada fez a voz do ator parecer fraca e rouca em comparao. E eu chorei, pra diverso dele, quando Julieta acordou e viu seu novo marido morto.
"Eu admito, eu meio que invejo ele nessa parte". Edward disse, enxugando as minhas lgrimas com uma mecha de cabelo.
"Ela  muito bonita".
Ele fez um som de nojo. "No  garota dele que eu invejo -  s a facilidade do suicdio", ele esclareceu num tom de zombaria.
"Vocs humanos morrem to fcil! Tudo o que vocs tm que fazer  s engolir um extrato de planta..."
"Como ?", eu ofeguei.
"Foi uma coisa na qual eu tive que pensar uma vez, e eu sabia pela experincia de Carlisle que no seria fcil. Eu nem tenho certeza de quantas vezes Carlisle tentou
se matar no incio... depois que ele viu no que tinha se transformado...". A voz dele que havia ficado sria, ficou suave de novo. "E ele claramente ainda est em
perfeita sade".
Eu me virei pra poder ler o rosto dele. "Do que  que voc pensa que est falando?", eu quis saber. "O que  que voc quer dizer com, isso  uma coisa na qual eu
tive que pensar uma vez?"
"Primavera passada, quando voc foi... quase morta..." Ele parou pra respirar fundo, lutando pra voltar ao seu tom de zombaria. " claro que eu estava focado em
te encontrar viva, mas parte da minha mente estava fazendo planos contingentes. Como eu disse, no  to fcil pra mim quanto  pra um humano".
Por um segundo, a memria da minha viagem  Phoenix passou pela minha cabea e me deixou tonta. Eu podia ver tudo to claramente - o sol que me deixava cega, as
ondas de calor que saiam do concreto enquanto eu corria enlouquecidamente pra encontra o vampiro sdico que queria me torturar at a morte. James na sala dos espelhos
com a minha me como refem - ou pelo menos eu pensava. Eu no sabia que era tudo uma armao. Assim como James no sabia que Edward estava correndo pra me salvar;
Edward chegou a tempo, mas foi por bem pouco. Sem pensar, eu passei o dedo na grande cicatriz na minha mo que estava sempre um pouco mais fria que o resto da minha
pele.
Eu balancei minha cabea- como se isso pudesse levar pra longe todas as memrias ruins - e tentei entender o que Edward estava dizendo. Meu estmago revirou desconfortvelmente.
"Planos contingentes?", eu repet.
"Bem, eu no ia continuar vivendo sem voc". Ele rolou os olhos como se o fato fosse infantilmente bvio. "Mas eu no tinha certeza de como poderia fazer isso -
eu sabia que Emmett e Jasper nunca iam me ajudar... ento eu pensei que poderia ir para a Itlia e fazer alguma coisa pra provocar os Volturi".
Eu no queria acreditar que ele estava falando srio, mas seus olhos dourados estavam distantes, focados em algum lugar longnguo como se ele estivesse contemplando
o fim da sua vida. De repente eu estava furiosa.
"O que  Volturi?", eu quis saber.
"Os Volturi so uma famlia", ele explicou, seus olhos ainda distantes. "Uma famlia muito velha e muito poderosa, da nossa espcie. Eles so a coisa mais prxima
no nosso mundo da famlia real, eu acho. Carlisle viveu brevemente com eles nos seus anos mais jovens, na Itlia, antes de se ascentar na Amrica- voc lembra da
histria?"
" claro que eu lembro".
Eu jamais esqueceria a primeira vez que fui a casa dele, a enorme manso branca no meio da floresta ao lado do rio, ou da sala onde Carlisle - Pai de Edward em muitas
formas reais - mantinha uma parede com pinturas que ilustravam a sua histria pessoal. A tela mais vvida, com as cores mais vivas de l, a maior, era dos tempos
de Carlisle na Itlia.  claro que eu me lembreva do calmo quarteto de homens, cada um com seu estranho rosto de serafim, pintados no balco mais alto tirando a
ateno do restante das cores.
Apesar da pintura ser antiga, Carlisle - o anjo loiro - permanecia igual. E eu me lembreva dos outros, as antigas companhias de Carlisle. Edward nunca usou o nome
Volturi para o lindo trio, dois de cabelos pretos e um branco-neve. Ele os havia chamado de Aro, Caius e Marcus, os patronos noturnos das artes.
"De qualquer forma, voc no deve irritar os Volturi", Edward continuou, interrompendo meu revival. "No a no ser que voc queira morrer - ou o que quer que seja
o que ns fazemos". A voz dele estava to calma, que ele quase parecia entediado com o pensamento.
Minha raiva se transformou em horror. Eu peguei seu rosto de mrmore entre minhas mos e segurei com muita fora.
"Voc no deve mais pensar nisso nunca, nunca, nunca mais!" eu disse. "No importa o que possa acontecer comigo, voc no tem permisso pra se machucar!"
"Eu nunca vou te colocar em risco de novo, ento isso  intil"
"Me colocar em risco! Eu pensei que j tnhamos estabelecido que a m sorte  minha culpa!", eu estava ficando com mais raiva.
"Como  que voc ousa pensar em uma coisa dessas?" a idia de Edward deixando de existir, mesmo eu estando morta, era impossivelmente dolorosa.
"O que voc faria se a situao fosse contrria?", ele perguntou.
"No  a mesma coisa".
Ele no pareceu ver a diferena. Ele gargalhou.
"E se alguma coisa acontecesse com voc?" eu embranquec com o pensamento. "Voc ia querer que eu me matasse?"
Um trao de dor tocou seu rosto perfeito.
"Eu acho que entendo seu ponto de vista... um pouco", ele admitiu.
"Mas o que  que eu faria sem voc?"
"O que quer que voc fazia antes de eu aparecer e complicar a sua existncia".
Ele suspirou. "Voc faz parecer to fcil".
"Devia ser. Eu no sou assim to interessante".
Ele estava quase discutindo, mas ento eu soltei o rosto dele. "Isso  intil", ele me lembrou. De repente ele se sentou ficando numa postura mais formal, me colocando
de lado at que no estvamos mais nos tocando.
"Charlie?", eu adivinhei.
Edward sorriu. Depois de um momento, eu ouv o som da viatura policial entrando na garagem. Eu me inclinei e segurei a mo dele firmemente. Meu pai podia aguentar
isso.
Charlie entrou com uma caixa de pizza nas mos.
"Oi, crianas", ele sorriu pra mim. "Eu achei que voc gostaria de uma folga da cozinha e dos pratos e pelo seu aniversrio. Com fome?"
"Claro. Obrigada, Pai".
Charlie no comentou a aparente falta de apetite de Edward. Ele j estava acostumado em ver Edward pulando o jantar.
"Voc se incomoda se eu pegar Bella emprestada hoje  noite?", Edward perguntou quando Charlie e eu havamos terminado.
Eu olhei pra Charlie esperanosamente. Talvez ele tivesse algum conceito sobre aniversrios em casa, coisas de famlia- esse era o meu primeiro aniversrio com ele,
meu primeiro aniversrio desde que minha me, Rene, casou de novo e foi pra Flrida, por isso eu no sabia o que esperar.
"Tudo bem - os Mariners vo jogar com os Sox hoje". Charlie explicou e minha esperana desapareceu. "Ento eu no vou ser uma boa companhia... Aqui". Ele levantou
a cmera que me deu por sugesto de Rene (porque eu precisaria de fotos pra encher meu livro de recordaes), e jogou pra mim.
Ele j devia saber- eu sempre tive problemas de coordenao. A cmera escorregou da ponta dos meus dedos, e foi caindo no cho.
Edward a agarrou antes que ela se espatifasse na madeira.
"Bela pegada", Charlie reparou. "Se eles vo fazer alguma coisa divertida essa noite na casa dos Cullen, Bella, voc devia fotografar.
Voc sabe como sua me fica - ela vai querer ver as fotos antes que voc possa tir-las".
"Boa idia, Charlie", Edward disse, me passando a cmera.
Eu virei a cmera pra Edward, e tirei a primeira foto. "Funciona".
"Que bom. Ei, diga ol pra Alice por mim. J faz algum tempo que ela no vem aqui" A boca de Charlie caiu de um dos lados.
"So s trs dias, pai", eu lembrei ele. Charlie estava louco por Alice. Ele se apegou na primavera passada quando ela me ajudou na minha estranha convalescncia;
Charlie seria sempre grato a ela por salv-lo do horror de uma filha quase adulta precisando tomar banho.
"Eu digo a ela".
"OK. Divirtam-se crianas". Obviamente estvamos sendo dispensados.
Charlie j estava indo em direo  sala e  TV.
Edward sorriu, triumfante, e pegou minha mo, me puxando pra fora da cozinha.
Quando chegamos na caminhonete, ele abriu a porta do passageiro pra mim de novo, e dessa vez eu no discut. Ainda era difcil encontrar o estranho retorno para
a casa dele no escuro.
Edward dirigiu por Forks indo para o Norte, visivelmente vigiando o limite de velocidade imposto pela minha Chevrolet pr-histrica.
O motor roncou ainda mais alto quando ele tentou andar a mais de cinquenta milhas.
"Vai com calma", eu avisei ele.
"Sabe o que voc adoraria? Um pequeno Audi coup. Bem quieto, muita fora..."
"No h nada de errado com a minha caminhonete. E falando de coisas caras e sem importncia, se voc sabe o que  bom pra voc, voc no gastou dinheiro com presentes
de aniversrio".
"Nem um centavo", ele disse virtuosamente.
"Bom".
"Voc pode me fazer um favor?"
"Depende do que ".
Ele suspirou. Seu adorvel rosto estava srio. "Bella, o ltimo aniversrio de verdade que um de ns teve foi Emmett em 1935. Poupe-nos um pouco, e no seja to
difcil essa noite. Eles esto todos muito excitados".
Sempre me surpreendia quando ele falava dessas coisas. "T certo, eu vou me comportar".
"Eu provavelmente devo te avisar..."
"Por favor avise".
"Quando eu digo que esto todos excitados... eu quero dizer todos eles".
"Todo mundo?", eu asfixiei. "Eu pensei que Emmett e Rosalie estivessem na Africa". O resto de Forks achava que os Cullen mais velhos haviam ido para a faculdade,
em Dartmouth, mas eu sabia a verdade.
"Emmett queria estar aqui".
"Mas... Rosalie?"
"Eu sei, Bella. Mas no se preocupe, ela vai se comportar bem".
Eu no respondi. Como se eu no fosse me preocupar, assim to fcil. Diferente de Alice, a outra irm "adotiva" de Edward, a loira e notvel Rosalie, no gostava
muito de mim. Na verdade, o sentimento era um pouco mais forte que isso. Quando se tratava de Rosalie, eu era uma intrusa que sabia o segredo da famlia.
Eu me sentia horrivelmente culpada pela presente situao, achando que a ausncia de Emmet e Rosalie fosse por minha culpa, mesmo no gostando muito de ver ela,
de Emmett, o irmo urso de Edward, eu sentia falta. Ele era de muitas formas, o irmo mais velho que eu sempre quis ter... s que era muito, muito mais aterrorizante.
Edward decidiu mudar de assunto. "Ento, se voc no quer me deixar te comprar um Audi, tem alguma coisa que voc queira de aniversrio?"
As palavras saram num sopro. "Eu sei o que eu quero".
Uma profunda carranca fez linhas na testa dele. Ele obviamente preferia ter ficado no assunto de Rosalie.
Eu sentia que havamos tido muito essa discusso hoje.
"Hoje no, Bella, por favor".
"Bem, talvez Alice me d o que eu quero".
Edward rosnou - um som profundo de ameaa. "Esse no vai ser o seu ltimo aniversrio, Bella", ele prometeu.
"Isso no  justo!"
Eu achei ter ouvido seus dentes se cerrando.
Ns estvamos parando na frente da casa dele agora. Luzes claras brilhavam de todas as janelas nos dois primeiros andares. Uma longa fila de lanternas Japonesas
estava pendurada nos arcos do portal da entrada, refletindo um leve brilho que vinha das enormes rvores que cercavam a casa. Grandes vasos de flores - rosas cor
de rosa - enchiam a larga escadaria que levava at a porta.
Eu gem.
Edward respirou fundo algumas vezes pra se acalmar tambm.
"Isso  uma festa", ele me lembrou. "Tente se divertir".
"Claro", eu murmurei.
Ele deu a volta para abrir minha porta, e me ofereceu sua mo.
"Eu tenho uma pergunta".
Ele esperou cautelosamente.
"Se eu revelar esse filme", eu disse, brincando com a cmera nas mos, "Voc vai aparecer nas fotos?"
Edward comeou a rir. Ele me ajudou a sair do carro, me levou pelas escadas, e ainda estava rindo quando abriu a porta pra mim.
Eles estavam todos esperando na enorme sala de estar branca; quando eu entrei pela porta eles me receberam com um enorme coro de "Feliz aniversrio, Bella!", enquanto
eu corava e olhava pra baixo. Alice, eu acho, tinha cobrido todas as superfcies planas com velas cor de rosa e dezenas de vasos de cristal com centenas de rosas.
Havia uma mesa coberta com uma toalha branca ao lado do grande piano de Edward, haviam um grande bolo cor de rosa sobre ela, mais rosas, uma pilha de pratos de vidro,
e uma pequena pilha de presentes cobertos com papel prateado.
Era cem vezes pior do que eu havia imaginado.
Edward, sentindo meu estresse, passou uma brao encorajador pela minha cintura e deu um beijo no topo da minha cabea.
Os pais de Edward, Carlisle e Esme - impossvelmente jovens e amveis como sempre - eram os mais prximos da porta. Esme me abraou cuidadosamente, seu cabelo macio,
cor de caramelo alisando minha bochecha quando ela deu um beijo na minha testa, e ento Carlisle colocou seu brao ao redor dos meus ombros.
"Desculpe por isso, Bella", ele meio que sussurrou. "Ns no pudemos deter Alice".
Rosalie e Emmett estavam atrs deles. Rosalie no sorriu, mas pelo menos no me encarou. O rosto de Emmett estava envolvido num enorme sorriso. J faziam meses que
eu no os via; eu tinha esquecido do quanto Rosalie era bonita - quase doa olhar pra ela. E Emmett sempre foi to... grande?
"Voc no mudou nada" Emmett disse com falso desapontamento.
"Eu esperava ver uma diferena notvel, mas aqui est voc, com o rosto vermelho como sempre".
"Muito obrigada, Emmett", eu disse, ficando mais vermelha ainda.
Ele sorriu. "Eu tenho que sair rapidinho" - ele piscou eminentemente pra Alice- "No faa nada engraado at eu voltar".
"Eu vou tentar".
Alice soltou a mo de Jasper e se aproximou.. todos os seus dentes brilhando na luz clara. Jasper sorria tambm, mas continuou distante. Ele se encostou, alto e
loiro, no pilar no incio da escadas.
Durante os dias que havamos passado juntos em Phoenix, eu achava que ele havia lidado com a sua averso  mim. Mas ele voltou a ser como sempre - me evitando o
mximo possvel - no exato momento que se livrou da obrigao temporria de me proteger.
Eu sabia que no era pessoal, s precauo, e eu tentei no ser sensvel demais em relao  isso. Jasper que tinha mais problemas na convivncia com os Cullen por
causa da dieta do que do que os outros; o cheiro do sangue humano era muito mais difcil pra ele resistir do que pros outros - ele no estava tentando a tanto tempo.
"Hora de abrir os presentes", Alice declarou. Ela colocou sua mo gelada no meu cotovelo e me guiou at a mesa com o bolo e os pacotes brilhantes.
Eu fiz minha melhor cara de mrtir. "Alice, eu sei que te disse que no queria nada-"
"Mas eu no te ouv", ela me interrompeu, presumida. "Abra". Ela pegou a cmera das minhas mos e a trocou por uma caixa enorme e prateada.
A caixa estava to leve que parecia vazia. A etiqueta em cima dizia que era de Emmett, Rosalie e Jasper. Envergonhada, eu rasguei o papel e olhei pra ver o que a
caixa escondia.
Era algo eltrico, com um monte de nmeros no nome. Eu abr a caixa, esperando por uma iluminao maior. Mas a caixa estava vazia.
"Um... Obrigada".
Rosalie realmente sorriu. Jasper gargalhou. " um som para a sua caminhonete", ele explicou. "Emmett est instalando agora mesmo pra que voc no possa devolver".
Alice como sempre estava um passo  minha frente.
"Obrigada, Jasper, Rosalie", eu disse sorrindo, enquanto lembrava das reclamaes de Edward sobre o meu rdio esta tarde - tudo armao, aparentemente. "Obrigada,
Emmett!", eu disse mais alto.
Eu ouv a risada expansva dele na minha caminhonete, e no pude evitar de rir tambm.
"Agora abra o meu e o de Edward", Alice disse, ela estava to excitada que sua voz era s um rudo alto de alegria. Ela segurou um quadrado achatado nas mos.
Eu me virei pra encarar Edward. "Voc prometeu".
Antes que ele pudesse responder, Emmett entrou por adentro. "Bem na hora!" ele disse alegremente. Ele se empurrou atrs de Jasper, que tambm tinha chegado mais
perto que de costume pra dar uma boa olhada.
"Eu no gastei um centavo", Edward me assegurou. Ele tirou uma mecha de cabelo do meu rosto, deixando minha pele com ccegas pelo seu toque.
Eu inalei profundamente e olhei pra Alice. "D pra mim". Eu suspirei.
Emmett gargalhou deliciado.
Eu peguei o pequeno pacote, rolando meus olhos pra Edward enquanto colocava meu dedo na boda do papel e o puxava por baixo da fita.
"Droga", eu murmurei quando o papel cortou meu dedo; eu o puxei pra examinar o estrago. Uma pequena gota de sangue saia do pequeno corte.
Depois disso tudo aconteceu muito rpido.
"No!", Edward rugiu.
Ele se jogou por cima de mim, me jogando por cima da mesa. Ela caiu, assim como eu, derrubando o bolo, os presentes, as flores e os pratos. Tudo caiu numa baguna
de cristais quebrados.
Jasper se chocou contra Edward, e o som pareceu com o de um deslizamento de pedras.
Houve outro barulho, um terrvel rosnado que parecia ter sado de dentro do peito de Jasper.
Jasper tentou passar por Edward, mostrando seus dentes a apenas alguns centmetros do rosto de Edward.
Emmett pegou Jasper por trs no outro segundo, prendendo ele no seu volumoso aperto de ao, mas Jasper lutou com ele, seus olhos, selvagens, vazios, s se focavam
em mim.
Depois do choque s ficou a dor. Eu ca no cho ao lado do piano, com meus braos jogados pra trs instintivamente pra aparar a minha queda, jogando-os nos cacos
de vidro quebrado.
S agora eu sentia a dor queimando, pulsante, que corria desde o meu pulso at a dobra do meu cotovelo.
Confusa e desorientada, eu olhei pra cima por causa do sangue pulsante que saa do meu brao - e olhei para os olhos de seis vampiros repentinamente vorazes.
2. Pontos
Celisle foi o nico que permaneceu calmo. Sculos de experincia nas salas de emrgncia ficavam evidentes na sua voz calma, autoritria.
"Emmett, Rose, tirem Jasper daqui".
Sem sorrir pela primeira vez, Emmett balanou a cabea. "Vamos l, Jasper".
Jasper lutou contra o aperto inquebrvel de Emmett, se remexendo, avanando na direo do irmo com os dentes  amostra, os olhos ainda estavam sem razo.
O rosto de Edward estava mais branco que papel quando ele se arrastou pra se curvar sobre mim, numa postura claramente defensiva.
Um rugido baixo de aviso escapou por entre seus dentes trincados.
Eu podia perceber que ele no estava respirando.
Rosalie, se divino rosto estranhamente presumido, ficou na frente de Jasper- mantendo uma cuidadosa distncia dos seus dentes - e ajudou Emmett a levar ele pra fora
pela porta de vidro que Esme segurou aberta, com uma mo tapando a boca e o nariz.
O rosto com formato de corao de Esme estava envergonhado. "Eu sinto muito, Bella", ela lamentou enquanto seguia os outros at o jardim.
"Me deixe passar, Edward", Carlisle murmurou.
Um segundo se passou, e ento Edward balanou a cabea lentamente e relaxou de sua posio.
Carlisle se ajoelhou  meu lado, se inclinando mais pra perto pra examinar meu brao. Eu podia sentir o choque congelado no meu rosto e tentei me recompor.
"Aqui, Carlisle", Alice disse o entregando uma toalha.
Ele balanou a cabea. "Tem muito vidro na ferida". Ele se aproximou e arrancou uma tira longa e fina da toalha que cobria a mesa. Ele torceu a tira no meu brao
logo acima do cotovelo como um torniquete. O cheiro do sangue estava me deixando tonta. Meus ouvidos zumbiam.
"Bella", Carlisle disse levemente. "Voc quer que eu te leve at o hospital, ou voc prefere que eu cuide disso aqui".
"Aqui, por favor", eu sussurrei. Se ele me levasse pra o hospital, no ia ter jeito de esconder de Charlie.
"Eu vou pegar sua maleta", Alice disse.
"Vamos lev-la para a mesa da cozinha", Carlisle disse pra Edward.
Edward me levantou sem esforo enquanto, Carlisle mantinha a presso firme no meu brao.
"Como voc est, Bella?", Carlisle me perguntou.
"Eu estou bem", minha voz estava razoavelmente firme, o que me deixou contente.
O rosto de Edward parecia pedra.
Alice estava l. A maleta de Carlisle j estava sobre a mesa, uma mesa pequena mas brilhante com uma luz plugada na parede. Edward me sentou gentilmente na cadeira,
e Carlisle puxou outra. Ele comeou a trabalhar imediatamente.
Edward ficou ao meu lado, ainda me protegendo, ainda sem respirar.
"Vai, Edward", eu suspirei.
"Eu aguento", ele insistiu. Mas a mandbula dele estava rgida; seus olhos queimavam com a intencidade da sede que ele sentia que ele lutava, que era muito pior
pra ele que para os outros.
"Voc no precisa ser um heri", eu disse. "Carlisle pode cuidar de mim sem sua ajuda. V tomar um ar fresco".
Eu gem quando Carlisle fez alguma coisa no meu brao que doeu como uma picada.
"Eu fico", ele disse.
"Porque voc  to masoquista?" eu murmurei.
Carlisle decidiu interceder. "Edward, voc deve encontrar Jasper antes que ele v longe demais, e eu duvido que ele v ouvir algum que no seja voc agora".
"Sim", eu disse ansiosamente. "V encontrar Jasper".
"Voc deve fazer alguma coisa til", Alice acrescentou.
Os olhos de Edward se estreitaram enquanto ns o atacvamos em grupo, mas, finalmente, ele balanou a cabea uma vez e saiu suavemente pela porta de trs da cozinha.
Eu tinha certeza de que ele no havia respirado desde o momento que eu cortei o dedo.
Uma sensao entorpecida, morta, estava se espalhando pelo meu brao.
Apesar disso acabar com a dor, me lembrou do corte, e eu observei cuidadosamente o rosto de Carlisle pra me distrair do que ele estava fazendo no meu brao. O seu
cabelo irradiava dourado na luz brilhante enquanto ele se inclinava sobre o meu brao. Eu podia sentir as leves sensaes de incomodo, mas eu estava determinada
a no deixar as minhas fraquezas tomarem conte de mim.
No havia dor agora, s uns puxezinhos, que eu estava tentando ignorar. No era motivo pra ficar enjoada como um beb.
Se ela no estivesse na minha linha de viso, eu nem teria visto Alice desistir e sair da cozinha. Com um pequeno sorriso que pedia desculpas nos lbios, ela desapareceu
pela porta da cozinha.
"Bom, j foram todos", eu suspirei. "Eu posso limpar uma sala, pelo menos".
"No  culpa sua" Carlisle me confortou com uma risada. "Poderia acontecer com qualquer um".
"Poderia", eu repet. "Mas geralmente s acontece comigo".
Ele riu de novo.
Sua calma relaxada era ainda mais incrvel em contraste com a reao dos outros. Eu no consegu achar nem um trao de ansiedade nos olhos dele. Ele trabalhava com
movimentos rpidos, certeiros.
O nico som alm das nossas respiraes calmas era o som do plink, plink enquanto os pequenos fragmentos de vidro caam um a um na mesa.
"Como  que voc consegue fazer isso?", eu quis saber. "At Alice e Esme..." eu parei, balanando minha cabea em dvida. Apesar do resto da famlia tambm ter desistido
da tradicional dieta dos vampiros to absolutamente quanto Carlisle, ele era o nico que podia sentir o cheiro de sangue sem sofrer com a intensa tentao.
Claramente, isso era muito mais difcil do que ele queria fazer parecer.
"Anos e anos de prtica", ele me disse. "Eu quase no sinto mais o cheiro".
"Voc acha que seria mais difcil se voc tirasse umas longas frias do hospital, e no houvesse nenhum sangue por perto?"
"Talvez", ele levantou os ombros, mas suas mos continuaram firmes.
"Eu nunca sent necessidade de longas frias". Ele mostrou um grande sorriso brilhante na minha direo. "Eu gosto muito do meu trabalho".
Plink, plink, plink.. Eu estava surpresa de ver quanto vidro parecia ter no meu brao. Eu estava tentada em olhar para a pilha crescendo, s pra checar o tamanho,
mas eu sabia que a idia no seria de grande ajuda para a minha estratgia de no vomitar.
"Do que  que voc gosta?" eu imaginei.
Pra mim no fazia sentido - os anos de luta e negao que ele deve ter passado at alcansar o ponto que ele conseguria lidar com isso to facilmente. Alm do mais,
eu queria manter ele falando; a conversa mantinha minha cabea longe da sensao de enjo do meu estmago.
Seus olhos escuros estavam calmos e pensativos enquanto ele falava.
"Hmm. O que eu gosto mais  quando minhas... habilidades adquiridas me deixam salvar uma pessoa que poderia estar perdida.  bom saber que, graas ao que eu fao,
a vida de algumas pessoas  melhoer porque eu existo. At o cheiro do sangue  uma ferramenta que me ajuda as vezes". Um dos lados da boca dele se levantou num meio
sorriso.
Eu pensei nisso enquanto ele me cutucava, pra ter certeza que todos os cacos do meu brao haviam sado. Ento ele procurou na sua maleta por outras ferramentas,
e eu tentei no reparar na agulha e na linha.
"Voc d muito duro pra tentar se redimir de uma coisa que nunca foi culpa sua", eu suger enquanto outro tipo de picada comeou a puxar os cantos da minha pele.
"O que eu quero dizer , voc no pediu por isso. Voc no escolheu esse tipo de vida, e mesmo assim voc tem que trabalhar to duro pra ser bom".
"Eu no acho que esteja me redimindo por nada", ele discordou suavemente. "Como tudo na vida, eu s tive que escolher o que fazer com o que me foi dado".
"Isso faz tudo parecer fcil".
Ele examinou meu brao de novo. "A", ele disse, cortando a linha.
"Tudo pronto". Ele pegou uma gaze grande, molhando-a com uma espcie de xarope colorido, e a colocou ao redor da saturao.
O cheiro era estranho; fez minha cabea rodar. O xarope queimou minha pele.
"No comeo, porm" eu pressionei enquanto ele amarrava outro pedao de gaze seguramente no lugar, lacrando ela no meu brao. "Porque  que voc sequer pensou em
viver de outra maneira que npo da maneira mais bvia?"
Seus lbios se ergueram num sorriso privado. "Edward j no te contou essa histria?"
"Sim. Mas eu estou tentando entender o que voc estava pensando..."
Seu rosto estava repentinamente srio de novo, e eu me perguntei se os pensamentos dele teriam ido para o mesmo lugar que os meus. Imaginando em que eu estaria pensando
quando - eu me recusava a pensar em um se - fosse eu.
"Voc sabe que meu api era um clrigo". ele meditou enquanto limpava cuidadosamente a mesa, esfregando tudo com uma gaze molhada, e depois fazendo tudo de novo.
O cheiro de alcool queimou no meu nariz. "Ele tinha uma viso muito dura do mundo, que eu j estava comeando a questionar quando eu fui mudado". Carlisle ps a
gaze suja e os pedaos de vidro dentro de um vaso de cristal vazio.
Eu no entend o que ele estava fazendo, mesmo quando ele acendou o fsforo. Ento ele o jogou nas fibras encharcadas de lcool, e a exploso me fez pular.
"Desculpe", ele se desculpou. "Isso vai dar conta... Ento eu no concordava com o ponto de visto do meu pai sobre f particularmente. Mas nunca, nesses quase quatrocentos
anos desde que eu nasc , eu v alguma coisa que me fizesse duvidar da existncia de Deus, de uma forma ou de outra. Nem mesmo a reflexo do espelho".
Eu fing examinar o curativo no meu brao pra esconder a minha surpresa com o curso que a nossa conversa havia tomado. Religio era a nica coisa que eu no esperava,
de todas as coisas que eu considerei. Minha prpria vida era muito destituda de crenas.
Charlie se considerava um Luterano, porque os seus pais haviam sido, mas durante os Domingos ele s rezava se fosse na beira do rio com uma vara de pesca na mo.
Rene havia tentad a igreja de ver em quando, mas, assim como os seus casos com o Tnis, as aulas de cermica, Ioga e de Francs, ela resolvia desistir quando ficava
sabendo de outra novidade.
"Eu sei que tudo isso parece bizarro, especialmente vindo de um vampiro". Ele sorria, sabendo que o uso da palavra sempre acabava me chocando. "Mas eu espero que
haja um sentido nessa vida, mesmo pra ns.  um longo perodo, eu admito," ele continuou num tom desinteressado. "De todas as formas, estamos decididamente amaldioados.
Mas eu espero, talvez inutilmente, que ns ganhemos alguma espcie de crdito por tentar".
"Eu no acho que isso  intil", eu murmurei. Eu no conseguia imaginar, todo mundo includo, algum que no ficasse impressionado com Carlisle. Alm do mais, o
nico tipo de paraso que eu iria apreciar tinha que incluir Edward. "Eu no acho que as outras pessoas achariam tambm".
"Na verdade, voc  a primeira a concordar comigo".
"Os outros no acham o mesmo?", eu perguntei, surpresa, pensando em uma pessoa em particular.
Carlisle adivinhou a direo dos meus pensamentos de novo.
"Edward concorda comigo me um ponto. Deus e o paraso existem... e o inferno tambm. Mas ele no acredita em uma outra vida pra o nosso tipo". Carlisle falava com
uma voz muito suave; ele olhava pela grande janela em cima da pia, olhando para a escurido. "Entenda, ele acha que somos almas perdidas".
Imediatamente eu pensei nas palavras de Edward nessa tarde: a no ser que voc queira morrer - ou o que quer que seja que ns fazemos. Uma pequena lmpada estalou
na minha cabea.
"Esse  o problema real, no ?" eu adivinhei. " por isso que ele est sendo to difcil em relao a mim".
Carlisle falou vagarosamente. "Eu olho para o meu... filho.
Sua fora, sua bondade, seu brilho que esplandece por fora dele - e isso s enche aquela esperana, aquela f, mais do que nunca. Como poderia no haver algo mais
para algum como Edward?"
Eu afirmei com a cabea, concordando fervorosamente.
"Mas se eu acreditasse no que ele acredita...", ele olhou pra baixo pra mim com olhos insondveis. "Se voc acreditasse no que ele acredita. Voc poderia tirar a
alma dele?"
O jeito como ele colocou a frase obstruu minha resposta.
Se ele tivesse me perguntado se eu arriscaria minha alma por Edward, a resposta seria bvia. Mas ser que eu poderia arriscar a alma de Edward? Eu torc meus lbios
infeliz. Isso no era muito justo.
"Voc v o problema".
Eu balancei minha cabea, consciente da posio teimosa do meu queixo.
Carlisle suspirou.
" minha escolha", eu insist.
"E dele tambm". Ele levantou a mo quando viu que eu estava disposta a discutir. "Ele ser responsvel por fazer isso com voc".
"Ele no  o nico que pode fazer isso", eu olhei pra Carlisle sugestivamente.
Ele riu, abruptamente suavizando o humor. "Oh, no! Voc vai ter que acertar isso com ele" Mas ento ele suspirou. " dessa parte que eu nunca tenho certeza. Eu
acho, na maioria das maneiras, que eu fiz o melhor com o que eu tinha. Mas ser que foi certo impor os outros a esse tipo de vida? Eu no consigo decidir".
Eu na respond. Eu iamginei como minha vida seria se Carlisle tivesse resistido a tentao de viver um vida menos solitria... e trem.
"Foi a me de Edward que fez minha cabea".
A voz de Carlisle era quase um suspiro. Ele olhou pelas janelas escuras sem ver nada.
"A me dele?" Toda vez que eu tentava falar com Edward sobre os seus pais, ele s dizia que eles haviam morrido h muito tempo e que as lembranas dele eram vagas.
Eu me dei conta de que as memrias de Carlisle, apesar da brevidade do contato deles, seriam perfeitamente claras.
"Sim. O nome dela era Elizabeth. Elizabeth Masen. O pai dele, Edward pai, nunca recobrou a conscincia no hospital. Ele morreu no primeiro ataque da Gripe. Mas Elizabeth
estava alerta at quase o final. Edward se parece muito com ela - o mesmo estranho tom de bronze do cabelo, e os olhos eram exatamente do mesmo tom de verde".
"Os olhos dele eram verdes?", eu murmurei, tentando imaginar.
"Sim..." Os olhos escuros de Carlisle estavam a cem anos de distncia agora. "Elizabeth estava obscessivamente preocupada com o filho. Ela acabou com as prprias
chances que tinha de viver por ter ficado como enfermeira dele no leito. Eu esperava que ele morresse primeiro, ele estava muito pior do que ela. Quando o fim chegou
pra ela, foi muito rpido. Foi logo depois do pr do sol, e eu cheguei pra aliviar os mdicos que haviam trabalhado o dia inteiro.
Essa era uma pssima hora pra fingir- havia tanto trabalho pra ser feito, e eu no precisava de mais nada. Como eu odiava voltar pra minha casa, me esconder no escuro
e fingir que estava dormindo quando haviam tantas pessoas pessoas morrendo.
"Eu fui checar Elizabeth e seu filho primeiro. Eu acabei me apegando- sempre uma coisa perigosa a se fazer levando em conta a natureza frgil dos humanos. Eu podia
ver que ela havia piorado. A febre estava fora de controle, e o seu corpo estava fraco demais pra continuar lutando.
"Porm, ela no parecia fraca quando olhou pra mim na sua maca.
"'Salve ele!' ela me comandou com uma voz rouca que era tudo o que a garganta dela conseguia.
"'Eu farei tudo em meu poder', eu promet, pegando a mo dela. A febre dela estava to alta que eu acho que ela nem podia sentir o quanto a minha era sobrenaturalmente
fria. Tudo era muito frio para a pele dela.
"Voc precisa", ela insistiu, apertando minha mo com tanta fora que eu at cheguei a imaginar se ela no superaria a crise no final. Os olhos dela estavam duros,
como pedras, como esmeraldas. 'Voc deve fazer qualquer coisa sobre o seupoder. O que os outros no podem fazer,  isso que voc deve fazer pelo meu Edward".
"Isso me assustou. Ela me olhou com aqueles olhos penetrantes, e, por um instante, eu tive certeza de que ela sabia o meu segredo. E ento a febre tomou conta dela,
e ela nunca mais recobrou a conscincia. Ela morreu uma hora depois de fazer o seu pedido.
"Eu havia passado dcadas consciderando a idia de criar alguma companhia pra mim. S uma outra criatura que me conhecesse de verdade, pra que eu no precisasse
fingir ser o que no era. Mas eu no podia justificar isso pra mim mesmo- fazer com algum o que havia sido feito comigo.
"L estava Edward, morrendo. Era claro que ele s tinha mais algumas horas. Ao lado dele, a mo dele, seu rosto de certa forma ainda no estava em paz, nem na morte".
Carlisle via tudo de novo, sua memria enterrada no sculo que intervia.
Eu podia ver claramente tambm, enquanto ele falava- o desespero no hospital, a atmosfera dominante de morte. Edward queimando de febre, sua vida se esvando a cada
tique do relgio... eu trem de novo, e forcei a idia a sair da minha mente.
"As palavras de Elizabeth ecoavam na minha mente. Como ela podia ter adivinhado o que eu fazia? Ser que algum realmente poderia querer isso pra um filho?
"Eu olhei pra Edward. Doente como estava, ele ainda era lindo. Havia algo puro e bom em seu rosto. O tipo de rosto que eu queria que meu filho tivesse.
"Depois de todos aqueles anos de indeciso, eu simplesmente ag num impulso. Eu levei a sua me para o necrotrio antes, e depois voltei para peg-lo. Ningum percebeu
que ele ainda estava respirando. No haviam mos suficientes, olhos suficientes, pra dar conta de metade do que os pacintes precisavam. O necrotrio estava vazio-
de vivos, pelo menos. Eu robei ele pela porta traseira, e o carreguei pelos telhados at a minha casa.
"Eu no tinha certeza do que precisava ser feito. Eu me preparei pra recriar as mesmas feridas que eu mesmo havia recebido, tantos sculos atrs em Londres. Eu me
sent mal por isso depois. Foi mas doloroso e mais demorado do que precisava ter sido.
"Eu no estava arrependido, todavia. Eu nunca lementei ter salvado Edward". Ele balanou a cabea, voltando ao presente. Ele sorriu pra mim. "Eu acho que devia te
levar pra casa agora".
"Eu fao isso", Edward disse. Ele veio pela sla de jantar escura, caminhando muito devagar pra ele. O rosto dele estava suave, ilegvel, mas havia algo errado com
os olhos dele- algo que ele estava dando muito duro pra esconder. Eu sent um espasmo de incmodo no estmago.
"Carlisle pode me levar", eu disse. Eu olhei pra baixo pra minha camiseta; o algodo azul estava encharcado e manchada com meu sangue. Meu ombro direito estava coberto
com uma cor rosada que estava grudada.
"Eu estou bem", a voz de Edward no passava emoo. "Voc vai precisar se trocar, de qualquer jeito.
Voc vai fazer Charlie ter um ataque do corao desse jeito. Eu vou pedir pra Alice te dar alguma coisa". Ele saiu pela porta da cozinha de novo.
Ei olhei pra Carlisle ansiosamente. "Ele est muito chateado".
"Sim", Carlisle concordou. "Essa noite era exatamente o tipo de coisa que ele mais temia. Voc ser colocada em risco, por causa do que ".
"Isso no  culpa dele".
"E nem sua".
Eu olhei pra longe de seus olhos lindos, sbios. Eu no podia concordar com isso.
Carlisle me ofereceu a mo e me ajudou a descer da mesa. Eu o acompanhei at a sala principal. Esme havia voltado; Ela estava limpando o cho onde eu havia cado-
com desinfetante puro, pelo cheiro.
"Esme, me deixe fazer isso". Eu podia sentir que meu rosto estava de um vermelho brilhante de novo.
"Eu j terminei". Ela sorriu pra mim. "Como voc se sente?"
"Eu estou bem", eu assegurei. "Carlisle costura mais rpido do que qualquer outro mdico que eu j conhec".
Os dois gargalharam.
Alice e Edward entraram pela porta traseira. Alice correu para o meu lado, mas Edward ficou pra trs, seu rosto indecifrvel.
"Vamos", Alice disse. "Eu vou arranjar algo menos macabro pra voc usar".
Ela encontrou uma blusa de Esme que era de uma cor parecida com a minha. Charlie no ia reparar, eu tinha certeza. O grande curativo no meu brao j no parecia
mais ser to srio agora que no estava mais coberto de sangue. Charlie nunca ficava surpreso ao me ver com um curativo.
"Alice", eu sussurrei enquanto ela voltava para a porta.
"Sim?", ela manteve a voz baixa tambm, e olhou pra mim curiosamente, com a cabea cada para o lado.
" muito ruim?", eu no sabia se os meus sussurros eram um sacrifcio intil. Mesmo estando aqui em cima, com a porta fechada, talvez ele pudesse me ouvir.
O rosto dela ficou tenso. "Eu ainda no tenho certeza".
"Como est Jasper?"
Ela suspirou. "Ele est muito descontente consigo mesmo. Ainda  um grande desafio pra ele, e ele odeia se sentir fraco".
"No  culpa dele. Voc vai dizer que eu no estou com raiva dele, nem um pouco, no vai?"
" claro".
Edward estava me esperando na porta da frente. Quando eu cheguei no p das escadas ele a segurou aberta sem nenhuma palavra.
"Pegue as suas coisas!", Alice pediu enquanto eu andava cautelosamente na direo de Edward. Ela segurou os dois pacotes, um meio aberto, e minha cmera que estava
em baixo do piano, e colocou tudo no meu brao bom. "Voc me agradece depois quando os tiver aberto".
Esme e Carlisle deram um boa noite baixinho. Eu podia v-los dando olhadas furtivas para o seu filho impassvel, assim como eu.
Eu fiquei aliviada em estar do lado de fora; eu me apressei pra passar pelas lanternas e pelas rosas, elas no eram boas memrias.
Edward acompanhou meu passo silenciosamente. Ele abriu a porta do passageiro pra mim, e eu entrei sem reclamar.
No painl havia um grande lao de fita, preso ao som novo. Eu o arranquei, jogando no cho. Enquanto Edward entrava pelo outro lado, eu chutei o lao pra debaixo
do banco.
Ele no olhou pra mim ou para o som. Nenhum de ns o ligou, e de alguma forma o silncio se intensificou com o estrondo do motor. Ele dirigiu rpido demais pela
escura estrada em formato de serpente.
O silncio estava me deixando louca.
"Diga alguma coisa", eu finalmente implorei enquanto ele entrava na auto estrada.
"O que voc quer que eu diga?", ele me perguntou com uma voz desinteressada.
Eu bajulei a imparcialidade dele. "Diga que me perdoa".
Isso trouxe uma pontada de vida para o rosto dele- uma pontada de raiva. "Perdoar voc? Pelo que?"
"Se eu tivesse sido mais cuidadosa, nada disso teria acontecido".
"Bella, voc se cortou com papel- eu duvido que isso merea uma pena de morte".
"Ainda assim  minha culpa".
Minhas palavras abriram a comporta.
"Sua culpa? Se voc tivesse se cortado na casa de Mike Newton, com Jssica e Angela e os seus outros amigos normais, o que poderia ter acontecido de to horrvel?
Talvez eles no tivessem encontrado um curativo? Se voc tivesse tropeado e esbarrado numa pilha de pratos de vidro - sem que algum tivesse te jogado em cima deles
- mesmo assim, o que seria to ruim? Voc derramar sangue no banco do carro enquanto eles te levavam pra o pronto socorro? Mike Newton poderia ter segurado a sua
mo enquanto eles te davam os pontos- e ele no precisaria lutar contra a nsia de te matar enquanto estivesse l dentro. No tente jogar isso pra cima de voc,
Bella. Isso s vai me deixar ainda mais enojado comigo mesmo".
"Como diabos Mike Newton veio parar nessa conversa?", eu quis saber.
"Mike Newton veio parar nessa conversa porque seria muito mais saudvel pra voc estar com Mike Newton", ele rosnou.
"Eu prefiria morrer do que ficar com Mike Newton", eu protestei.
"Eu prefiro morrer do que ficar com uma pessoa que no seja voc".
"No seja melodramtica, por favor".
"Tudo bem ento, no seja ridculo".
Ele no respondeu. Seus olhos olhavam pelo para brisa, sua expresso estava obscura.
Eu fucei no meu crebro pra encontrar uma forma de salvar a noite. Quando ele parou na frente da minha casa, eu ainda no tinha pensado em nada.
Ele desligou o motor, mas suas mos continuaram fechadas no volante.
"Voc vai ficar essa noite?", eu perguntei.
"Eu devia ir pra casa".
A ltima coisa que eu queria era que ele fosse embora sentindo remorso.
"Pelo meu aniversrio", eu pressionei.
"Voc no pode ter as duas coisas - ou voc quer que as pessoas ignorem seu aniversrio ou no. Um ou outro".
A voz dele estava dura, mas no to sria quanto antes. Eu dei um leve suspiro de alvio.
"Tudo bem, eu decid que no quero que voc ignore meu aniversrio. Te vejo l em cima".
Eu sa, e me inclinei pra dentro de novo pra pegar meus presentes. Ele fez uma careta.
"Voc no tem que pegar isso".
"Eu quero eles", eu respond automaticamente, e depois imaginei se ele estaria usando psicologia reversa.
"No quer no. Carlisle e Esme gastaram dinheiro com voc."
"Eu vou sobreviver". Eu enfiei os presentes de forma estranha embaixo do meu brao bom e bat a porta atrs de mim. Ele estava fora da caminhonete e atrs de mim
em menos de um segundo.
"Me deixe carreg-los, pelo menos", ele disse enquanto os tirava de mim. "Eu estarei no seu quarto".
Eu sorr. "Obrigada".
"Feliz aniversrio", ele disse, e se inclinou pra tocar seus lbios nos meus.
Eu me inclinei na pontas dos ps pra fazer o beijo durar mais quando ele se afastou. Ele deu meu sorriso torto favorito, e ento desapareceu na escurido.
O jogo ainda estava sendo transmitido; assim que eu entrei eu pude ouvir os anncios das jogadas em meio aos gritos da torcida.
"Bell?", Charlie chamou.
"Oi, pai", eu disse enquanto aparecia no corredor. Eu segurei meu brao bem do meu lado. A leve presso queimou e eu torc meu nariz. Aparentemente o anestsico
estava perdendo o efeito.
"Como foi?" Charlie se espreguiou no sof com seus ps descalsos num dos braos. O que ainda sobrava do seu cabelo marrom cacheado estava grudado em um dos lados.
"Alice enlouqueceu. Flores, bolo, velas, presentes - A coisa toda".
"O que eles te deram?"
"Um som para o meu carro". E vrios no conhecidos.
"Uau".
"", eu concordei. "Bem, por hoje chega".
"Te vejo amanh de manh".
Eu acenei. "A gente se v".
"O que aconteceu com seu brao?"
Eu corei e xinguei baixinho. "Eu ca. No  nada".
"Bella", ele suspirou, balanando a cabea.
"Boa noite, pai".
Eu sub correndo pra o banheiro, onde eu mantinha o meu pijama para noites como essa. Eu entrei na camiseta combinando com a cala de algodo que eu comprei pra
repor as antigas que eu usava na cama, gemendo com o movimento que puxou os pontos.
Eu lavei meu rosto com uma mo, escovei os dentes, e esto me mandei pro meu quarto.
Ele estava sentado no centro da minha cama, brincando  toa com uma das caixas prateadas.
"Oi", ele disse. Ele disse. Sua voz estava triste. Ele estava se remexendo.
Eu fui para a cama, puxei os presentes das mos dele, e me arrastei para o colo dele.
"Oi", eu ronronei no seu peito de pedra. "Posso abrir meus presentes agora?"
"De onde foi que veio todo esse entusiasmo?", ele se perguntou.
"Voc me deixou curiosa".
Eu peguei o grande retngulo achatado que devia ser o presente de Carlisle e Esme.
"Me permita", ele sugeriu. Ele pegou o pacote da minha mo e arrancou o papel prateado com um nico movimento fluido. Ele devolveu a cxaixa retangular branca pra
mim.
"Voc tem certeza que eu vou conseguir levantar a tampa?", eu murmurei, mas ele me ignorou.
Dentro da cixa havia um longo papel grosso com um monte de palavras impressas. Me levou um minuto pra entender as informaes que elas passavam.
"Ns vamos pra Jacksonville?", e eu estava excitada, a despeito de mim mesma. Era um comprovante de passagens de avio, pra mim e pra Edward.
"Essa  a idia".
"Eu no posso acreditar. Rene vai enlouquecer! Contudo, voc no se importa, no ? L faz sol, voc ter que ficar em casa o dia inteiro".
"Eu acho que posso aguentar", ele disse, e ento fez uma careta.
"Se eu soubesse que voc responderia to apropriadamente ao presente, eu teria feito voc abrir na frente de Esme e Carlisle. Eu pensei que voc fosse reclamar".
"Bem,  claro que isso  demais. Mas eu vou levar voc comigo!"
Ele gargalhou. "Agora eu queria ter gasto mais dinheiro no seu presente. Eu no sabia que voc era capaz de ser razovel".
Eu coloquei as passagens de lado e me inclinei pra pegar o presente dele, minha curiosidade redobrou. Ele o tomou de mim e arrancou o papel que nem o primeiro.
Ele me devolveu uma caixa de Cd transparente, com s um Cd prateado dentro.
"O que ?", eu perguntei, perplexa.
Ele no disse nada; ele pegou o CD e se curvou por trs de mim pra coloc-lo no Cd player na mesa do lado da minha cama. Ele apertou Play, e ns esperamos em silncio.
E ento a msica comeou.
Eu escutei, sem palavras, com os olhos esbugalhados. Eu sabia que ele estava esperando pela minha reao, mas eu no consegu falar nada.
As lgrimas comearam a aparecer, e eu tentei limp-las antes que elas comeassem a rolar.
"Seu brao est doendo?", ele perguntou ansiosamente.
"No, no  o meu brao.  lindo, Edward. Voc no poderia ter me dado uma coisa que eu amasse mais. Eu no consigo acreditar". Eu calei a boca pra poder ouvir.
Era a msica dele, suas composies. A primeira faixa do Cd era a minha cano de ninar.
"Eu no achei que voc me deixaria comprar um piano pra tocar pra voc aqui", ele explicou.
"Voc est certo".
"Como est o seu brao".
"Est timo". Na verdade, ele estava comeando a queimar em baixo do curativo. Eu queria gelo. Eu teria colocado a mo dele, mas isso teria me entregado.
"Eu vou pegar um Tylenol pra voc".
"Eu no preciso de nada", eu protestei, mas ele me tirou do colo dele e comeou a andar na direo da porta.
"Charlie", eu assobiei. Charlie no estava necessariamente consciente de que Edward ficava aqui com certa frequencia. Na verdade, ele teria um enfarto se isso chegasse
aos ouvidos dele. Mas eu no me sentia muito culpada por estar enganado ele. No era como se eu estivesse fazendo algo que ele no gostaria que eu fizesse. Edward
e suas regras...
"Ele no vai me pegar", Edward prometeu enquanto desaparecia silenciosamente pela porta... e voltava, segurando a porta antes que ela se fechasse. Ele estava segurando
um copo e a caixa de remdio em uma das mos.
Eu peguei os remdios que ele me ofereceu sem reclamar- eu sabia que sairia perdendo da discusso, e meu brao realmente estava comeando a me incomodar.
Minha cano de ninar continuou, num adorvel fundo musical.
"Est tarde", Edward notou. Ele me levantou da cama com um brao, e colocou o lenol de volta com a outra. Ele me colocou com a cabea no travesseiro e jogou a colcha
por cima de mim. Ele se deitou perto de mim- em cima das cobertas pra que eu no ficasse com frio- e colocou o brao por cima de mim.
Eu encostei minha cabea no ombro dele e suspirei alegremente.
"Obrigada de novo", eu sussurrei.
"De nada".
Eu fiquei quieta por algum tempo enquanto esperava minha cano de ninar acabar. Outra msica comeou. Eu reconhec a favorita de Esme.
"No que voc est pensando?", eu imaginei num sussurro.
Ele hesitou por um longo segundo antes de me dizer. "Na verdade, eu estava pensando no certo e errado".
Eu sent um arrepio percorrer minha espinha.
"Lembra de quando eu decidi que queria que voc no ignorasse meu aniversrio?", eu perguntei rapidamente, esperando que no ficasse claro demais que eu que eu estava
tentando distra-lo.
"Sim", ele concordou, cautelosamente.
"Bem, eu estava pensando, que j que  meu aniversrio, voc poderia me beijar de novo".
"Voc est muito gananciosa hoje".
"Sim, eu estou- mas por favor, no faa nada que voc no quiser fazer".
Ele sorriu e ento suspirou. "Que os cus no permitam que eu tenha que fazer algo que no quero fazer", ele disse num tom estranhamente desesperado enquanto colocava
a mo dele embaixo do meu queixo e puxava o meu rosto pra o dele.
O beijo comeou como sempre- Edward estava to cuisadoso como sempre, e meu corao comeou e responder como sempre. E ento alguma coisa pareceu mudar. De repente
seu lbios ficaram muito mais urgentes, as mos dele foram para o meu cabelo e ele segou meu rosto seguramente no seu.
E, apesar de minhas mos estarem no cabelo dele tambm, e apesar de eu estar claramente comeando a cruzar as linhas de segurana, pela primeira vez ele no me parou.
O corpo dele stava frio atravs da colcha, mas eu me apaertei contra ele ansiosamente.
Quando ele parou foi abrupto; ele me afastou com mos gents, firmes.
Eu ca no meu travesseiro, ofegando, minha cabea rodando. Alguma coisa estalou na minha memria, evasivamente, s nas beiradas.
"Desculpe", ele disse, sem flego tambm. "Isso passou dos limites".
"Eu no me importo", eu garant.
Ele fez uma careta pra mim no escuro. "Tente dormir, Bella".
"No, eu quero que voc me beije de novo".
"Voc est superestimando meu auto-controle".
"O que  mais tentador pra voc, meu sangue ou meu corpo?", eu desafiei.
" apertado" Ele deu um breve sorriso, a despeito de s mesmo. "Agora, porque  que voc no para de testar sua sorte e vai dormir?"
"T", eu concordei, chegando mais pra perto dele. Eu realmente me sentia exausta. Foi um dia longo de vrias maneiras, e mesmo assim eu no me sentia aliviada por
ele estar acabando. Eu quase sentia que algo pior estava vindo amanh. Era uma premonio boba- o que podia ser pior do que hoje? S o choque tomando conta de mim,
sem dvida.
Tentando ser singela, eu enconstei meu brao ferido no ombro dele, para que o seu bralo gelado o fizesse parar de queimar. Eu me sent melhor na hora.
Eu j estava meio caminho do sono, talvez mais, quando eu me dei conta do que aquele beijo me lembrava: primavera passada, quando ele teve que se separar de mim
pra tirar James da minha cola, Edward me deu um beijo de despedida, sem saber quando- ou se- ns nos veramos de novo. Esse beijo tinha quase a mesma pontada de
dor por alguma razo que eu no conseguia imaginar. Eu trem j inconsciente, como se estivesse tendo um pesadelo.

3. O Fim
Eu me sentia absolutamente pssima de manh. Eu no tinha dormido bem, meu brao queimava, e minha cabea doa. No ajudou muito ver que o rosto de Edward estava
suave e remoto enquanto ele beijava a minha testa rapidamente e saa pela minha janela. Eu estava com medo do tempo que fiquei inconsciente, com medo de que ele
estivesse pensando sobre o certo e o errado de novo enquanto me via dormindo. A ansiosidade pareceu aumentar ainda mais a intensidade da dor na minha cabea.
Edward estava esperando por mim na escola, como sempre, mas ainda havia algo errado no seu rosto. Ainda havia alguma coisa enterrado nos seus olhos da qual eu no
tinha certeza - e isso me assustava.
Eu no quis falar no assunto na noite passada, mas eu no tinha certeza se evitar falar no assunto seria pior.
Ele abriu minha porta pra mim.
"Como voc se sente?"
"Perfeita", eu ment, sentindo dor quando o som da porta batendo ecoou na minha cabea.
Ns andamos em silncio, ele diminuiu seu passo pra alcanar a velocidade do meu.
Haviam tantes perguntas que eu queria fazer, mas maioria das perguntas teria que esperar, porque elas eram pra Alice: Como estava Jasper essa manh? O que eles disseram
quando eu fui embora?
O que Rosalie disse?
E o mais importante, O que ela podia ver acontecendo nas suas estranhas e imperfeitas vises do futuro? Ela poderia adivinhar o que Edward estava pensando, porque
ele estava to estranho?
Qual era a razo dessa sensao tenaz, instintiva de medo que eu sentia, e que aparentemente no conseguia esquecer?
A manh se passou devagar. Eu estava impaciente pra ver Alice, apesar de no poder realmente falar com ela se Edward estivesse l.
Edward permaneceu indiferente.
Ocasionalmente ele me perguntava sobre o meu brao, e eu mentia.
Alice geralmente nos encontrava no almoo; ela no andava feito um bicho-preguia como eu. Mas ela no estava na mesa, esperando com uma bandeja de comida que ela
no ia comer.
Edward no disse nada sobre a ausncia dela.
Eu perguntei a mim mesma se a aula dela teria acabado mais tarde- at que eu v Conner e Ben, que tinham aula de Francs no quarto horrio com ela.
"Onde est Alice?", eu perguntei ansiosamente pra Edward.
Ele olhou para a barra de granola que estava lentamente pulverizando entre os dedos enquanto respondia. "Ela est com Jasper".
"Ele est bem?"
"Ele vai ficar fora por algum tempo".
"O que? Onde?"
Edward levantou os ombros. "Nenhum lugar em particular".
"E Alice tambm". Eu disse baixinho, desesperada.  claro que, se Jasper precisava, ela iria com ele.
"Sim. Ela vai ficar fora por algum tempo. Ela est convencendo ele a ir  Denali".
Denali era onde o outro bando de vampiros nicos - bons como os Cullen - vivia. Tanya e sua famlia. Eu ouvia falar neles de vez em quando. Edward foi ficar com
eles no inverno passado quando a minha chegada deixou Forks difcil pra ele. Laurent, o membro mais civilizado do bando de James, preferiu ficar l do que ajudar
James a lutar contra os Cullen. Tinha sentido Alice encorajar Jasper a ir pra l.
Eu engoli, tentando fazer o sbito n na minha garganta desaparecer.
A culpa fez minha cabea se curvar e meus ombros carem. Eu fiz eles fugirem de casa, assim como Rosalie e Emmett. Eu era uma praga.
"Seu brao est te incomodando?", ele perguntou solicitamente.
"Quem liga pro meu brao estpido?", meu murmurei em desgosto.
Ele no respondeu e eu coloquei a minha cabea na mesa.
No fim do dia, o silncio j estava ficando ridculo. Eu no queria ser a pessoa a quebr-lo, mas aparentemente essa era a minha nica escolha se eu queria que ele
falasse comigo de novo.
"Voc vai aparecer hoje  noite?" Eu perguntei enquanto ele me acompanhava- silenciosamente- at a minha caminhonete. Ele sempre aparecia  noite.
"Mais tarde?"
Me agradou que ele tenha parecido surpreso. "Eu tenho que trabalhar. Eu troquei meu horrio com a Sra Newton por ter faltado ontem".
"Oh", ele murmurou.
"Mas voc vai vir mais tarde quando eu estiver em casa, certo?"
Eu odiava de repente no ter mais tanta certeza disso.
"Se voc quer que eu v".
"Eu sempre quero", eu lembrei ele, com talvez um pouco mais de intensidade do que a conversa requeria.
Eu esperei que ele fosse rir, ou sorrir, ou reagir de alguma forma s minhas palavras.
"Tudo bem, ento", ele disse indiferente.
Ele beijou minha testa de novo antes de fechar a porta pra mim. Ento ele me deu as costas e foi andando graciosamente at o seu carro.
Eu consegu sair do estacionamento antes do pnico realmente bater, mas eu j estava hiperventilando quando cheguei nos Newton.
Ele s precisava de tempo, eu disse pra mim mesma. Ele ia lidar com isso. Mas talvez ele estivesse to triste porque a famlia dele estava desaparecendo. Mas Alice
e Jasper voltariam logo, e Rosalie e Emmett tambm. Se isso ajudasse, eu ficaria longe da grande casa branca perto do rio - eu nunca pisaria l de novo. No me importava.
Eu ainda iria ver Alice na escola. E ela ia pra minha casa o tempo todo de novo. Ela no ia querer machucar os sentimentos de Charlie ficando longe.
Sem dvida eu sempre iria esbarrar com Carlisle tambm - no pronto socorro.
Afinal, o que aconteceu ontem no foi nada.
Nada aconteceu. Ento eu me sent mal - era a histria da minha vida. Comparado com o que aconteceu primavera passada, isso parecia especialmente sem importncia.
James me deixou quebrada e praticamente morta por perda de sangue - e ainda assim, Edward aguentou comigo as interminaveis semanas de hospital muito melhor que isso.
Ser que era porque dessa vez no era de um inimigo que ele precisava me proteger? Porque era o irmo dele?
Talvez fosse melhor se ele me levasse embora, ao invs da famlia dele se separar. Eu fui ficando um pouco menos deprimida enquanto considerava tudo isso sem interrupes
durante algum tempo.
Se ele fosse capaz de esperar at o trmino do ano escolar, Charlie no seria capaz de se opor. Ns iriamos embora para a faculdade, ou fingir que era isso que estvamos
fazendo, como Rosalie e Emmett.
Edward certamente podia esperar um ano. O que era um ano para um imortal? Isso no parecia muito nem pra mim.
Eu consegui me compor o suficiente pra sair da caminhonete e andar at a loja.
Eu ia substituir Mike Newton hoje, ele sorriu e acenou pra mim quando eu entrei. Eu peguei meu uniforme, balanando a cabea vagamente na direo dele. Eu ainda
estava imaginando os cenrios prazerosos que consistiam em fugir com Edward para localidades exticas.
Mike interrompeu minha fantasia. "Como foi seu aniversrio?"
"Ugh", eu rosnei. "Eu estou feliz que acabou".
Mike olhou pra mim pelo canto dos olhos como se eu estivesse louca.
O trabalho foi uma droga. Eu queria ver Edward de novo, rezando pra que ele tivesse superado o pior, o que quer que isso fosse, at a hora que eu o encontraase.
No  nada, eu disse pra mim mesma de novo e de novo. Tudo vai voltar ao normal.
O alivio que eu sent quando virei na minha rua e v o carro prateado de Edward enconstado na frente da minha casa, foi uma coisa dominante, precipitada. E me encomodou
muito que eu tivesse que me sentir dessa forma.
Eu corri pra dentro, gritando antes que estivesse completamente dentro de casa.
"Pai? Edward?"
Enquanto eu falava, eu podia ouvir o distinto tema musical do ESPN
SportCenter vindo da sala de estar.
"Aqui", Charlie chamou.
Eu pendurei meu casaco no prendedor e corr pelo corredor.
Edward estava na cadeira, meu pai no sof. Ambos estavam com os olhos grudados na televiso. O foco era normal para o meu pai. No muito pra Edward.
"Oi", eu disse fracamente.
"Oi, Bella", meu pai respondeu, seus olhos nem se mexeram. "Ns acabamos de comer pizza fria. Eu acho que ainda est na mesa".
"Ok".
Eu esperei na porta. Finalmente, Edward olhou pra mim com um sorriso educado. "Eu vou logo depois de voc", ele prometeu. Seus olhos voltaram para a televiso.
Eu esperei por outro minuto, chocada. Nenhum dos dois pareceu reparar. Eu podia sentir alguma coisa, pnico talvez, crescendo no meu peito.
Eu escapei para a cozinha.
A pizza no me deixou nem um pouco interessada. Eu sentei na minha cadeira, levantei meus joelhos, e passei meus braos ao redor deles.
Alguma coisa estava muito errada, talvez mais do que eu pensava.
As vozes de papo e de brincadeira de homens continuavam vindo da televiso.
Eu tentei me controlar, ser razovel.
Qual  a pior coisa que pode acontecer?. Eu vacilei. Essa era definitivamente a pergunta errada pra fazer. Eu estava tendo dificuldade pra respirar direito.
Ok eu pensei de novo, Qual  pior coisa que eu posso viver? Eu tambm no gostei muito dessa pergunta.
Mas eu pensei nas possibilidades que havia considerado hoje.
Ficar longe da famlia de Edward.  claro, ele no esperaria que Alice se envolvesse nisso. Mas  claro, se Jasper estava fora dos limites, isso iria diminuir o
tempo que eu teria com ela. Eu afirmei com a cabea pra mim mesma- eu podia viver com isso.
Ou ir embora. Talvez ele no quisesse esperar at eu acabar o ano escolar, talvez tivesse que ser agora.
Na minha frente, os presentes que eu tinha ganhado de Charlie e Rene estavam onde eu os havia deixado, A camera que eu no tive a oportunidade de usar na casa dos
Cullen estava ao lado do album.
Eu toquei na capa bonita do livro de recordaes que minha me tinha me dado, e suspirei, pensando em Rene. De alguma forma, morar longe dela durante tanto tempo
quanto eu morei, ainda no fazia a idia de separao permanente ser mais fcil. E Charlie ficaria sozinho aqui, abandonado.
Ambos ficariam to magoados.
Mas ns iriamos voltar, certo? Ns iriamos visit-los,  claro, no iriamos?
Eu no podia ter certeza dessa resposta.
Eu encostei minha bochecha no meu joelho, olhando para as provas fsicas do amor dos meus pais. Eu sabia que esse caminho que eu escolh seria difcil. E, afinal,
eu estava pensando na cena do pior que poderia acontecer- a pior coisa que eu poderia viver.
Eu toquei o livro de recordaes de novo, abrindo a capa.
Pequenas placas de metal j estavam no lugar pra segurar a primeira foto. No era uma idia completamente ruim, colocar algumas recordaes da minha vida aqui. De
repente eu sent uma estranha necessidade de comear. Talvez eu no tivesse mais muito tempo em Forks.
Eu brinquei com a correia de segurana da cmera, pensando na primeira foto que havia no filme. Seria possvel que ela ficasse um pouco parecida com o original?
Eu duvidava. Mas ele no pareceu ficar preocupado com a foto ficar manchada. Eu sorri comigo mesma, pensando na cargalhada livre que ele deu na noite passada. Meu
sorriso morreu. Tantas coisas haviam mudado, e to rapidamente.
Isso me deixou um pouco tonta, Como se eu estivesse numa corda bamba, em algum precipcio alto demais.
Eu no queria mais pensar nisso. Eu peguei minha cmera e sub as escadas.
Meu quarto no havia mudado muito desde os dezessete anos em que minha me esteve aqui. As paredes ainda eram azul claras, as mesmas cortinas amarelas com lacinhos
balanavam na janela. Havia uma cama no lugar de um bero, mas ela reconheceria a colcha amassada em cima dela - ela tinha sido um presente da minha av.
Sem prestar ateno, eu bat uma foto do meu quarto. No havia muito mais que eu pudesse fazer essa noite - estava escuro demais l fora - e o sentimento estava
ficando mais forte, era quase uma compulso agora. Eu documentaria tudo em Forks antes de ter que ir embora.
A mudana estava se aproximando. Eu podia sent-la. E no era uma coisa muito boa, no quando a vida estava perfeita do jeito como estava.
Eu usei algum tempo descendo as escadas, a cmera na mo, tentando ignorar as borboletas no meu estmago como se elas fossem a estranha distncia que eu no queria
ver nos olhos de Edward. Ele ia superar isso. Provavelmente ele estava com medo de que eu ficasse chateada quando ele me pedisse pra ir embora. Eu deixaria ele pensar
nisso sem atrapalh-lo. E eu estaria preparada quando ele me pedisse.
Eu j estava com a cmera preparada quando virei quando virei no canto da parede, tentando pregar um susto. Eu tinha certeza de que no tinha chance de pegar Edward
de surpresa, mas ele no olhou pra cima. Eu senti um breve arrepio frio como gelo fazer meu estmago revirar; eu ignorei isso e tirei a foto.
Os dois olharam pra mim nessa hora. Charlie fez uma careta. O rosto de Edward estava vazio, sem expresso.
"O que voc est fazendo, Bella?", Charlie reclamou.
"Oh, vamos l", eu fing sorrir enquanto me sentava no cho na frente do sof onde Charlie estava. "Voc sabe que a mame vai ligar em breve pra saber se eu estou
usando os presentes. Eu tenho que comear a trabalhar antes que ela fique magoada comigo".
"Mas porque voc est tirando fotos de mim?", ele reclamou.
"Porque voc  muito lindo", eu respond, continuando calma. "E porque, j que voc me comprou a cmera, voc tem a obrigao de estar no filme".
Ele murmurou alguma coisa que eu no entend.
"Ei, Edward", eu disse com uma indiferena admirvel. "Tire uma de mim e do meu pai juntos".
Eu joguei a cmera na direo dele, cautelosamente evitando seus olhos, e me ajoelhei ao lado do brao do sof, onde a cabea de Charlie estava. Charlie suspirou.
"Voc precisa sorri, Bella", Edward murmurou.
Eu fiz o meu melhor, e o flash disparou.
"Me deixe tirar uma de vocs crianas", Charlie sugeriu. Eu sabia que ele s estava tentando sair da mira da cmera.
Edward se levantou e suavemente o passou a cmera.
Eu fui ficar ao lado de Edward, e a posio pareceu formal e estranho pra mim. Ele colocou uma mo levemente no meu ombro, e eu coloquei meu brao seguramente ao
redor da cintura dele. Eu queria olhar para o rosto dele, mas estava com medo.
"Sorria, Bella", Charlie me lembrou de novo.
Eu respirei fundo e sorri. O flash me cegou.
"Chega de fotos por hoje", Charlie declarou, jogando a cmera embaixo de uma das almofadas do sof e se deitando sobre ela. "Voc no tem que usar o filme inteiro
agora".
A mo de Edward caiu do meu ombro e passou casualmente pelo meu brao. Ele se sentou de novo na cadeira.
Eu hesitei, e ento fui me sentar na frente do sof de novo. De repente eu estava to assustada que minhas mos estavam tremendo. Eu as pressionei no meu estmago
pra escond-las, coloquei meu queixo nos joelhos e olhei para a tela de TV na minha frente, sem ver nada.
Quando o programa acabou, eu ainda no tinha me movido nem um centmetro. Pelo canto dos meus olhos, eu v Edward se levantar.
" melhor eu ir pra casa", ele disse.
Charlie nem desgrudou os olhos do comercial. "A gente se v".
Eu me levantei de um jeito estranho - eu estava rgida por ter me sentado ereta - e segu Edward at a porta da frente. Ele foi direto pra o carro.
"Voc vai ficar?", eu perguntei, sem esperana na voz.
Eu esperei sua resposta, assim no doeu tanto.
"No essa noite".
Eu no perguntei a razo.
Ele entrou no seu carro e foi embora enquanto eu ficava l em p, sem me mexer. Eu mal reparei que estava chovendo. Eu esperei, sem saber o que estava esperando,
at que a porta se abriu atrs de mim.
"Bella, o que voc est fazendo?", Charlie perguntou, surpreso por me ver l sozinha e pingando.
"Nada", eu me virei e caminhei pra dentro de casa.
Foi uma longa noite, sem muitas esperanas de descanso.
Eu me levantei assim que v uma luzinha fraca pela minha janela. Eu me vest para a escola mecanicamente, esperando as nuvens se clarearem. Quando eu terminei de
comer uma tigela de cereal, eu decid que j havia luz suficiente pra tirar umas fotos. Eu tirei uma da minha caminhonete, e ento uma da frente da casa. Eu fiz
a volta e tirei algumas da floresta perto da casa de Charlie. Engraado que ela no era mais to sinistra quanto costumava ser.
Eu me dei conta de que realmente sentiria falta de tudo isso- o verde, o tempo que parecia estar parado, o mistrio dos bosques. Tudo.
Eu coloquei a cmera na minha mochila da escola antes de ir embora.
Eu tentei me concetrar mais no meu novo projeto do que no fato de que Edward parecia ainda no ter superado os seus problemas durante a noite.
Alm do medo, eu comecei a sentir impacicia. Quanto tempo isso ia durar?
S durou a manh. Ele caminhou silenciosamente ao meu lado, nunca parecendo realmente olhar pra mim. Eu tentei me concentrar nas minhas aulas, mas nem mesmo a aula
de Ingls conseguiu captar minha ateno. O Sr. Berty teve que repetir sua pergunta sobre a Sra. Capuleto duas vezes antes que eu me desse conta de que ele estava
falando comigo. Edward sussurrou a resposta certa pra mim por baixo do flego, e ento voltou a ignorar minha presena.
No almoo, o silncio continuou. Eu sentia que ia comear a gritar a qualquer momento, ento, pra me destrair, eu me inclinei por cima da linha invisvel da mesa
e falei com Jssica.
"Ei, Jess?"
"Que foi, Bella?"
"Voc pode me fazer um favor?", eu perguntei, pegando minha mochila.
"Minha me quer que eu tire umas fotos dos meus amigos pra o meu livro de recordaes. Ento, tire algumas fotos de todo mundo, t certo?"
Eu passei a cmera pra ela.
"Claro", ela disse dando um sorriso largo, e se virou pra tirar uma foto de Mike no flagra com a boca cheia.
Uma foto previsvel j havia sido tirada. Eu observei eles passando a cmera pela mesa, sorrindo e paquerando, e reclamando por estarem no filme. Isso me pareceu
estranhamente infantil. Talvez eu no estivesse com o humor de uma humana normal hoje.
"Uh-oh", Jessica disse como se estivesse se desculpando enquanto me devolvia a cmera. "Eu acho que usamos o filme inteiro".
"Tudo bem. Eu acho que j tirei fotos de tudo que precisava".
Depois das aulas, Edward andou comigo at o estacionamento em silncio. Eu tinha que trabalhar de novo, e pela primeira vez, eu estava feliz.
Passar o tempo comigo obviamente no estava ajudando as coisas. Talvez passar algum tempo sozinho fosse melhor.
Eu deixei o filme na Thriftway  caminho dos Newton, e ento peguei as fotos j reveladas depois do trabalho.
Em casa, eu dei um breve oi pra Charlie, peguei uma barra de granola na cozinha, e sub correndo pro meu quarto com o envelope de fotos embaixo do brao.
Eu sentei no meio da minha cama e abri o envelope com cautelosa curiosidade. Ridiculamente, eu ainda esperava que as fotos sassem manchadas.
Quando eu puxei a foto, eu suspirei alto. Edward estava to lindo quanto era na vida real, olhando pra mim na foto com os olhos clidos dos quais eu sent tanta
falta nos dias que se passaram. Era quase um mistrio que ele fosse tao... to... acima de qualquer discrio.
Nem um milho de palavras poderia se igualar a aquela foto.
Eu fui passando a pilhas de fotos rapidamente uma vez, e ento separei trs delas em cima da minha cama lado a lado.
A primeira era a foto de Edward na cozinha, seus olhos clidos tocados por um breve ar divertido. A segunda era Edward e Charlie assistindo ESPN. A diferena na
expresso de Edward era severa.
Aqui seus olhos estavam cautelosos, reservados. Ainda lindo de tirar o flego, mas seu rosto estava mais frio, mais como uma escultura, menos vivo.
A ltima foto era a de Edward e eu estranhamente lado a lado. O rosto de Edward estava como na ltima, frio e como o de uma esttua.
Mas essa no era a parte mais perturbadora dessa fotografia.
O contraste entre ns dois era quase doloroso. Ele parecia um deus. Eu parecia muito comum, mesmo para uma humana, quase embaraosamente normal. Eu coloquei a foto
virada pra baixo, sentindo desgosto.
Ao invs de fazer meu dever de casa, eu fiquei colocando minhas fotos no meu album. Com uma caneta eu fiz legendas embaixo das fotos, os nomes e as datas. E peguei
a foto de Edward e eu, e, sem olhar muito pra ela, eu a dobrei no meio e a enfiei no aparador de metal, com o lado de Edward pra cima.
Quando eu tinha terminado, eu peguei o restante das fotos, coloquei num envelope novo e as mandei para Rene com uma grande carta de agradecimento.
Edward ainda no tinha aparecido. Eu no queria admitir que ele era minha razo pra ir dormir to tarde, mas  claro que era.
Eu tentei me lembrar da ltima vez que ficamos longe assim, sem uma desculpa, um telefonema... Ele nunca havia feito isso.
De novo, eu no dorm bem.
Na escola se seguiu o mesmo padro silencioso, frustrante e aterrorizante dos outros dois dias. Eu me sentia aliviada quando via Edward esperando por mim no estacionamento,
mas o alvio ia embora rapidamente. Ele no estava diferente, A no ser talvez, um pouco mais remoto.
Era difcil at lembrar o motivo de toda essa baguna. Meu aniversrio j parecia um passado to distante. Se ao menos Alice voltasse. Logo. Antes que isso sasse
ainda mais de controle.
Mas eu no podia contar com isso. Eu decid que se eu no pudesse falar com ele hoje, falar de verdade, ento eu ia ver Carlisle amanh. Eu tinha que fazer alguma
coisa.
Depois da escola, eu ia falar sobre isso, eu promet pra mim mesma.
Eu no ia eceitar desculpas.
Ele me acompanhou at a caminhonete e eu me virei pra fazer minhas perguntas.
"Voc se importa se eu aparecer hoje  noite?", ele perguntou antes de chagarmos na caminhonete, me deixando sem flego.
" claro que no".
"Agora?", ele perguntou de novo, abrindo a porta pra mim.
"Claro", eu mantive minha voz uniforme, apesar de no gostar do tom de urgncia na voz dele. "Eu s ia deixar uma carta no correio pra Rene no caminho. Eu te encontro
l".
Ele olhou para o envelope gordo no meu banco do passageiro. De repente, ele se inclinou por cima de mim pra peg-lo.
"Eu vou fazer isso", ele disse baixinho. "E ainda vou chegar l mais rpido que voc". Ele sorriu o meu sorriso favorito, mas ele estava errado. Ele no tocou seus
olhos.
"Ok", eu concordei, incapaz de sorrir. Ele fechou a porta, e caminhou at seu carro.
Ele chegou em casa antes de mim. Ele estava estacionado na vaga de Charlie quando eu parei na frente de casa. Isso era um mal sinal.
Ele no pretendia ficar, ento.
Eu balancei minha cabea e respirei fundo, tentando acumular um pouco de coragem.
Ele saiu do carro quando eu sa da caminhonete, e veio me encontrar.
Ele se inclinou pra pegar meu livro e minha mochila de mim. Isso era normal. Mas ele jogou tudo de volta no banco. Isso no era normal.
"Venha caminhar comigo", ele sugeriu numa voz sem emoo, pegando minha mo.
Eu no respond. Eu no pude pensar em uma forma de protestar, mas eu instantaneamente sabia que era isso que eu queria. Eu no gostava disso.
Isso  ruim, isso  muito ruim, a voz na minha cabea repetia de novo e de novo.
Mas ele no esperou uma resposta. Ele me levou pelo lado oeste do quintal, onde a floresta comeava. Eu segu sem querer, tentando apensar apesar do pnico. Era
isso que eu queria, eu lembrei pra mim mesma. A chance de falar sobre isso. Ento porque o pnico estava tomando conta de mim?
Ns havamos apenas entrado alguns passos dentro das rvores quando ele parou. Ns mal haviamos chegado na trilha- eu ainda conseguia ver a casa.
Que caminhada.
Edward se inclinou em uma das rvores, olhando pra mim, sua expresso estava ilegvel.
"Tudo bem, vamos conversar", eu disse. Isso soou mais corajoso do que eu me sentia.
Ele respirou fundo.
"Bella, ns estamos indo embora".
Eu respirei fundo tambm. Essa era uma opo aceitvel. Eu pensei que estivesse preparada. Mas eu ainda tinha que perguntar.
"Porque agora? Outro ano-"
"Bella, est na hora. Quanto tempo mais poderamos ficar em Forks, afinal? Carlisle mal pode fingir que tem trinta anos, a agora ele j est dizendo que tem trinta
e trs. Ns vamos ter que recomear tudo de novo em breve de qualquer jeito".
A resposta dele me confundiu. Eu pensei que o ponto de ir embora era deixar a famlia dele em paz. Porque ns tnhamos que ir se eles estavam indo embora? Eu encarei
ele, tentando entender o que ele estava dizendo.
Ele encarou de volta friamente.
Com uma onde de nusea, eu perceb que no havia compreendido.
"Quando voc diz ns-", eu sussurrei.
"Eu estou falando de minha famlia e de mim mesmo" Cada palavra era seperada e distinta.
Eu balancei minha cabea pra frente e pra trs mecanicamente, tentando clare-la. Ele esperou sem nenhum sinal de impacicia.
Levaram alguns minutos at que eu conseguisse responder.
"Tudo bem", eu disse. "Eu vou com vocs".
"Voc no pode, Bella. O lugar pra onde estamos indo... no  o lugar certo pra voc".
"Onde voc estiver  o lugar certo pra mim".
"Eu no sou bom pra voc, Bella".
"No seja ridculo", eu queria parecer com raiva, mas s pareceu que eu estava implorando. "Voc  a melhor parte da minha vida".
"Meu mundo no  pra voc", ele disse severamente.
"O que aconteceu com Jasper - aquilo no foi nada, Edward! Nada!"
"Voc est certa", ele concordou. "Foi exatamente como o esperado".
"Voc prometeu! Em Phoenix, voc prometeu que ia ficar-"
"Enquanto isso fosse o melhor pra voc", ele interrompeu pra me corrigir.
"No! Isso  por causa da minha alma, no ?", eu gritei, furiosa, as palavras explodindo em mim - de alguma forma, isso pareceu uma splica. "Carlisle me falou
sobre isso, e eu no ligo, Edward. Eu no ligo! Voc pode ficar com minha alma. Eu no quero ela sem voc - ela j  sua!"
Ele respirou fundo e encarou, sem ver nada, o cho por um momento. A boca dele se contorceu s um pouquinho. Quando ele finalmente olhou pra cima, seus olhos estavam
diferentes, mais duros - como se o ouro lquido tivesse virado slido.
"Bella, eu no quero que voc venha comigo". Ele falou as palavras lentamente e precisamente, seus olhos frios no meu rosto, observando enquanto eu absorvia o que
ele realmente queria dizer.
Houve uma pausa enquanto eu repetia as palavras na minha cabea algumas vezes, analisando elas pra saber seu verdadeiro significado.
"Voc... no... me quer?" Eu tentei as palavras, confusa pela forma como elas soavam, colocadas em ordem.
"No".
Eu olhei, sem compreender, dentro dos olhos dele. Ele encarou de volta sem se arrepender.
Seus olhos eram como topzio - duros e claros e muito profundos. Eu sent como se pudesse ver por dentro deles por milhas e milhas, e mesmo assim, ainda no conseguia
alcanar o lugar onde encontraria a contradio de suas palavras.
"Bem, as coisas mudam". Eu fiquei surpresa por como a minha voz soava calma e razovel. Devia ser porque eu estava to entorpecida.
Eu no conseguia me dar conta do que ele estava me dizendo. Ainda no fazia nenhum sentido.
Ele olhou para longe para as rvores enquanto falou de novo.
" claro que eu sempre amarei voc... de certa forma. Mas o que aconteceu na noite passada me fez perceber que estava na hora de uma mudana. Porque eu estou...
cansado de fingir ser uma pessoa que eu no sou, Bella. Eu no sou humano". Ele olhou de volta, e as formas geladas do seu rosto perfeito eram muito no humanas.
"Eu deixei isso ir longe demais, eu lamento por isso".
"No lamente", minha voz era s um sussurro agora; a consciencia estava comeando a correr com cido pelas minhas veias. "No faa isso".
Ele s olhou pra mim, e pude ver pelos seus olhos que minhas palavras estavam atrasadas demais. Ele j tinha feito.
"Voc no  boa pra mim, Bella", ele contornou sua palavras anteriores, ento eu no tinha como argumentar. Eu sabia muito bem que no era boa pra ele.
Eu abri minha boca pra dizer alguma coisa, e ento a fechei de novo.
Ele esperou pacientemente, seu rosto totalmente limpo de emoo. Eu tentei de novo.
"Se... isso  o que voc quer".
Ele acenou com a cabea uma vez.
Meu corpo inteiro ficou entorpecido. Eu no conseguia sentir nada abaixo do pescoo.
"Eu gostaria de te pedir um favor, porm, se no for pedir demais", ele disse.
Eu imagino o que ele viu no meu rosto, porque alguma coisa passou pelo rosto dele em resposta. Mas antes que eu conseguisse identificar o que era, ele recomps o
rosto na mesma mscara serena de antes.
"Qualquer coisa", eu promet, minha voz estava levemente mais forte.
Enquanto eu observava, seus olhos congelados se derreteram.
O dourado ficou lquido de novo, derretido, queimando os meus com uma intensidade dominante.
"No faa nada perigoso ou estpido", ele ordenou, no mais imparcial. "Voc entendeu o que eu disse?"
Eu balancei a cabea sem sada.
Seus olhos se esfriaram, a distncia retornou. "Eu estou pensando em Charlie,  claro. Ele precisa de voc. Tome conta de s mesma - por ele".
Eu afirmei com a cabea de novo. "Eu vou", eu sussurrei.
Ele pareceu relaxar s um pouco.
"E eu te farei uma promessa em retorno", ele disse. "Eu prometo que essa ser a ltima vez que voc vai me ver. Eu no vou voltar. Eu no vou te envolver em nada
assim novamente. Voc pode seguir a sua vida sem mais nenhuma interferncia da minha parte. Ser como se eu nem existisse".
Meus joelhos devem ter comeado a tremer, porque de repente as rvores estavam crescendo. Eu podia ouvir o sangue pulsando mais rpido que o normal atrs das minhas
orelhas. A voz dele soou muito distante.
Ele sorriu gentilmente. "No se preocupe. Voc  humana - sua memria  como uma peneira. O tempo curas as feridas para as pessoas da sua espcie".
"E as suas memrias?", eu perguntei. Parecia que havia algo enfiado na minha garganta, como se eu estivesse sufocando.
"Bem" - ele hesitou por um breve segundo - "Eu no vou esquecer. Mas a minha espcie... ns nos distramos muito facilmente".
Ele sorriu; o sorriso era tranquilo e no tocou seus olhos.
Ele deu um passo se distanciando de mim. "Isso  tudo, eu suponho. Ns no vamos te incomodar de novo".
O plural me chamou a ateno. Isso me surpreendeu; eu pensei que era incapaz de me dar conta de alguma coisa.
"Alice no vai voltar", eu me dei conta. Eu no sei como ele me ouvir - as palavras no fizeram nenhum som - mas ele pareceu entender.
Ele balanou a cabea lentamente, sempre olhando pro meu rosto.
"No. Eles j foram todos embora. Eu fiquei pra trs pra te dizer adeus".
"Alice foi embora?" Minha voz estava vazia de descrena.
"Ela queria dizer adeus, mas eu convenc ela de que uma despedida limpa seria o melhor pra voc".
Eu estava tonta; era difcil me concentrar. As palavras dele giravam na minha cabea, e eu podia opuvir o mdico que me atendeu em Phoenix, na primavera passada,
enquanto ele me mostrava os exames de Raio-X Voc pode ver aqui que  uma fratura clara os dedos deles percorriam a figura do meu osso fraturado.
Isso  bom. Significa que vai sarar mais facilmente, mais rapidamente.
Eu tentei respirar normalmente. Eu tentei me concentrar, pra encontrar uma forma de sair desse pesadelo.
"Adeus, Bella", ele disse na mesma voz calma, pacfica.
"Espere", eu sufoquei depois das palavras, me inclinando pra ele, esperando que minhas pernas mortas pudessem me levar em frente.
Eu pensei que ele estava se inclinando pra mim tambm. Mas as mos geladas dele agarraram minha cintura e se colaram nos meus lados. Ele se abaixou, e colou seus
lbios muito rapidamente na minha testa pelo mais breve segundo.
Meus olhos se fecharam.
"Cuide-se", ele respirou, frio contra a minha pele.
Houve uma leve brisa sobrenatural. Meus olhos se abriram. As folhas das rvores menores tremiam com o vento gentil da sua passagem.
Ele havia ido embora.
Com as pernas tremendo, ignorando o fato de que minhas aes era inteis, eu o segu pela floresta. As evidncias dos seus passos desapareceram instantaneamente.
No haviam pegadas, as folhas estavam paradas de novo, mas eu segu em frente sem pensar. Eu no conseguia pensar em mais nada. Se eu parasse de procurar por ele,
estaria acabado.
Amor, vida, sentido... acabados.
Eu caminhei e caminhei. O tempo no fazia sentido enquanto eu me empurrava pelo solo grosso. Eram horas passando, mas tambm s segundos. Talvez parecesse que o
tempo havia parado porque no importava o quanto eu continuasse seguindo em frente a floresta sempre parecia igual. Eu comecei a me preocupar em estar viajando em
crculos, um crculo bem pequeno na verdade,mas eu continuava em frente.
Eu tropeava muito, e, enquanto ia ficando mais e mais escuro, eu comecei a cair frequentemente tambm.
Finalmente, eu tropecei me alguma coisa - estava escuro agora, eu no tinha idia do que segurou meu p - e eu fiquei no cho. Eu rolei de lado, pra poder respirar,
e me curvei no solo molhado.
Enquanto eu ficava l, eu tinha aimpresso de que havia se passado mais tempo do que eu podia imaginar. Eu nem podia lembrar a quanto tempo a noite havia cado.
Era sempre assim to escuro aqui durante a noite? Certamente, como era a regra, alguns raios de lua atravessavam as nuvens, atravs das rachaduras nas copas das
rvores, e vinha encontrar o cho.
Essa noite no. O cu estava completamente escuro. Talvez no houvesse luz da lau hoje - um eclipse lunar, uma lua nova.
Uma lua nova. Eu trem, apesar de no estar frio.
Estava escuro durante muito tempo antes de eu os ouvir me chamando.
Algum estava gritando meu nome. Eu estava muda, afundada no cho molhado ao meu redor, mas era definitivamente o meu nome. Eu no reconhecia a voz. Eu pensei em
responder, mas eu estava confusa, e eu levei um longo tempo at chegar a concluso de que eu devia responder. At a, os gritos j haviam parado.
Algum tempo depois, a chuva me acordou. Eu no acho que realmente tenha cado no sono; eu s estava perdida num torpor sem pensar, me agarrando com todas as minhas
foras na minha torpncia que me mantinha sem ver aquilo que eu no queria saber.
A chuva me incomodou um pouco. Estava frio. Eu soltei meus braos das minhas pernas e os coloquei na frente do meu rosto.
Foi a que eu ouv os chamados de novo. Estava mais longe dessa vez, e as vezes parecia que vrias vozes estavam me chamando de uma s vez. Eu tentei respirar fundo.
Eu me lembrei que tinha que responder, mas eu no achava que eles seriam capazes de me ouvir.
Ser que eu seria capaz de gritar alto o suficiente?
De repente houve outro som, surpreendentemente perto. Um tipo de rosnado, um som animal. Parecia grande. Eu me perguntei se deveria estar com medo.
Eu no estava com medo - s entorpecida. Eu no me importava. O rosnado foi embora.
A chuva continuou, e eu podia sentir a gua se acumulando contra a minha bochecha. Eu estava tentando reunir as minhas foras pra mover a minha cabea, quando v
a luz.
Primeiro era s um brilho fraco se refletindo nos arbustos  distncia. Foi ficando mais e mais brilhante, iluminando um grande espao, diferente de uma lanterna
normal ou de um ponto de luz. A luz apareceu pelos arbustos mais prximos, e eu pude ver que era uma lanterna propana, mas isso foi tudo que eu consegu ver- a claridade
me cegou por um momento.
"Bella"
A voz era profunda e no era familiar, mas cheia de reconhecimento.
Ele no estava me perguntando se era eu, ele estava testando o fato de que havia me encontrado.
Eu olhei pra cima - me pareceu impossivelmente alto - para o rosto escuro que agora eu podia ver em cima de mim. Eu estava vagamente cosciente de que o estranho
s parecia ser to alto porque minha cabea ainda estava no cho.
"Voc est ferida?"
Eu sabia que as palavras queriam dizer alguma coisa, mas eu s encarei, desnorteada. Como  que um significado poderia ter alguma importncia agora?
"Bella, meu nome  Sam Uley".
O nome no me parecia familiar.
"Charlie me mandou pra procurar por voc".
Charlie? Uma corda se partiu, e eu tentei prestar mais ateno ao que ele estava dizendo. Charlie me importava, j que nada mais importava.
Ele me estendeu uma mo. Eu olhei pra ela, sem ter muita certeza do que deveria fazer.
Seus olhos pretos me analisaram por um segundo, e ento ele levantou os ombros. Num movimento rpido e flexvel, ele me levantou do cho e me colocou nos braos.
Eu fiquei l, flcida, enquanto ele se movia rapidamente pela floresta molhada. Alguma parte de mim sabia que isso devia me aborrecer - ser carregada por um estranho.
Mas no havia mais um motivo pra eu me aborrecer.
No pareceu que muito tempo havia passado antes das luzes e da profundidade das vozes masculinas me chamando.
Sam Uley foi parando enquanto se aproximava da comoo.
"Eu estou com ela!", ele falou numa voz estrondosa.
Os rudos pararam, e ento recomearam com ainda mais intensidade. Um confuso redemoinho de rostos se movia sobre mim. A voz de Sam era a nica que fazia sentido
no meio do caos, talvez porque meu ouvido estava no peito dele.
"No, eu no acho que ela esteja machucada", ele disse pra algum.
"Ela fica repetindo 'Ele foi embora'".
Eu estava dizendo isso alto? Eu mord meu lbio.
"Bella, querida, voc est bem?"
Essa era um voz que eu reconheceria em qualquer lugar - mesmo desnorteada, como eu estava agora, de preocupao.
"Charlie?", minha voz soou estranha e pequena.
"Eu estou aqui, meu bem".
Houve uma pequena passagem em baixo de mim, seguida pelo cheiro da jaqueta de couro de policial do meu pai. Charlie cambaleou com meu peso.
"Talvez eu devesse segurar ela", Sam Uley sugeriu.
"Eu aguento ela", Charlie disse, um pouco sem flego.
Ele caminhou devagar, lutando. Eu queria poder diz-lo pra me colocar no cho e me deixar caminhar,mas eu no conseguia encontrar minha voz.
Haviam lanternas em todos os lugares, seguradas pela multido ao nosso redor. Parecia que eu estava num desfile. Ou uma processo de funeral. Eu fechei meus olhos.
"J estamos quase em casa agora, querida", Charlie murmurava de vez em quando.
Eu abr meus olhos de novo quando ouv a porta sendo destrancada. Ns estvamos na varanda da casa, e o homem alto e escuro chamado Sam estava segurando a porta
pra Charlie, um dos braos estendido em nossa direo, como se ele estivesse preparado pra me pegar quando os braos de Charlie falhassem.
Mas Charlie conseguiu me passar pela porta e me colocar no sof da sala de estar.
"Pai, eu t toda molhada", eu reclamei febriamente.
"Isso no importa" a voz dele estava spera. E ento ele comeou a falar com outra pessoa. "Os lenis esto no armrio no topo das escadas".
"Bella?", uma nova voz chamou.
Eu olhei para o homem de cabelo cinza, e o reconhecimento s veio depois de alguns segundos.
"Dr. Gerandy?", eu murmurei.
" isso mesmo, querida", ele disse. "Voc est machucada, Bella?"
Eu levei algum tempo pra pensar nisso. Eu estava confusa pela memria da pergunta parecida que Sam Uley havia me feito na floresta. S que Sam Uley perguntou outra
coisa: Voc foi ferida? ele havia dito. A diferena parecia mais significante agora.
O Dr. Gerandy estava esperando. Uma sobrancelha grisalha erguida, e as pregas da testa dele ficaram mais profundas.
"Eu no estou machucada", eu ment. As palavras eram verdadeiras o suficiente para o que ele havia perguntado.
A mo quentinha dele tocou minha testa, e os dedos dele pressionaram a parte de dentro do meu pulso. Eu observei os lbios dele enquanto ele contava pra s mesmo,
os olhos no relgio.
"O que aconteceu com voc?", ele perguntou casualmente.
Eu congelei embaixo da mo dele, sentindo o gosto do pnico no fundo da minha garganta.
"Voc se perdeu na floresta?", ele tentou. Eu estava consciente de que vrias pessoas estavam ouvindo. Trs homens altos com rostos escuros - de La Push, da reserva
indgena de Quileute que fica na costa, eu imaginei - Sam Uley entre eles, estavam muito prximos uns dos outros e olhando pra mim. O Sr. Newton estava l com Mike
e o Sr. Weber, o pai de Angela; eles estavam todos me olhando com mais suspeitas do que os estranhos. Outras estranhas vozes profundas vinham da cozinha e do lado
de fora da porta. A metade da cidade devia estar l olhando pra mim.
Charlie era o que estava mais prximo. Ele se inclinou pra ouvir minha resposta.
"Sim", eu sussurrei. "Eu me perd".
O mdico afirmou com a cabea, pensativo, seus dedos apertando gentilmente as glndulas embaixo da minha mandbula. O rosto de Charlie endureceu.
"Voc se sente cansada?" Dr. Gerandy perguntou.
Eu afirmei com a cabea e fechei meus olhos obedientemente.
"Eu no acho que haja nada errado com ela", eu ouv o doutor dizer pra Charlie depois de um momento.
"S exausto. Deixe ela dormir, e eu vou vir checar ela amanh". ele pausou. Ele deve ter olhado para o relgio, porque depois ele acrescentou, "Bem, mais tarde,
hoje, na verdade".
Houve um som de que alguma coisa estava se quebrando enquanto os dois se levantavam do lado do sof e ficavam de p.
" verdade?", Charlie murmurou. As vozes deles estavam longe agora. Eu me esforcei para ouvir. "Eles foram embora?"
"O Dr. Cullen nos pediu pra no dizer nada", Dr. Gerandy respondeu.
"A oferta foi muito repentina; eles tiveram que escolher imediatamente. Carlisle no queria que sua partida se transformasse numa grande produo".
"Um pequeno aviso teria sido bom", Charlie grunhiu.
O Dr. Gerandy pareceu desconfortvel quando respondeu. "Sim, bem , nessa situao algum aviso podia ter sido de serventia".
Eu no queria mais ouvir. Eu agarrei a borda de uma colcha que algum havia jogado por cima de mim e a coloquei por cima do meu ouvido.
Eu me joguei na correnteza e sa de alerta. Eu ouv Charlie sussurrar um obrigado para os volutrios enquanto, um por um, eles iam embora.
Eu sent os dedos dele na minha testa, e ento, o peso de outro lenol. O telefone tocou algumas vezes, e ele corria pra atend-lo antes que ele me acordasse. Ele
murmurava palavras tranquilizadoras numa voz baixa pra os que ligavam.
", ns a encontramos. Ela est bem. Ela se perdeu. Ela est bem agora", ele dizia de novo e de novo.
Eu ouvia o barulho da cadeira quando ele se sentava nela pra passar a noite.
Alguns minutos depois, o telefone tocou de novo.
Charlie gemeu enquanto lutava pra ficar de p, e ento correu, tropeando, at a cozinha. Eu coloquei minha cabea ainda mais fundo nas cobertas, sem querer ouvir
a mesma conversa de novo.
"Sim", Charlie disse e bocejou.
A voz dele mudou, ela estava muito mais alerta quando ele falou de novo. "Onde?" Houve uma pausa. "Voc tem certeza que foi fora da reserva?" Outra breve pausa.
"Mas o que poderia estar queimando l?" Ele parecia tanto preocupado quanto confuso.
"Olha, eu vou ligar pra l e vou checar isso".
Eu ouv com mais interesse enquanto ele discava o nmero.
"Ei, Billy,  Charlie - me desculpe por estar ligando to cedo... no, ela est bem. Ela est dormindo... obrigado, mas no foi por isso que eu liguei. Eu acabei
de receber uma ligao da Sra. Stanley, e ela disse que da janela do segundo andar ela v fogo perto dos penhascos na praia, mas eu no... Oh" De repente havia uma
ponta na sua voz- irritao... ou raiva. "E porque eles esto fazendo isso? Uh huh. Mesmo?" Ele disse sarcasticamente.
"Bem, no se desculpe comigo. , . S se certifique de que as chamas no se espalhem... Eu sei, eu sei, eu estou surpreso que eles tenham conseguido acend-las
com esse clima".
Charlie hesitou, e ento acrescentou rancoroso.
"Obrigado por ter mandado Sam e os outros rapazes. Voc estava certo - eles conheciam a floresta melhor que ns. Foi Sam que a encontrou, ento eu te devo uma...
, eu vou falar com voc depois", ele concordou, ainda azedo, antes de desligar.
Charlie murmurou alguma coisa incompreensvel enquanto voltava para a sala.
"O que h de errado?", eu perguntei.
Ele correu pro meu lado.
"Me desculpe se eu te acordei, querida".
"Tem alguma coisa queimando?"
"No  nada", ele me assegurou. "S algumas fogueiras nos penhascos".
"Fogueiras?" eu perguntei. Minha voz no soou curiosa. Ela parecia morta.
Charlie fez uma careta. "Algumas crianas da reserva fazendo desordem", ele explicou.
"Porque?"
Dava pra notar que ele no queria responder. Ele olhou pra o cho embaixo dos joelhos dele. "Eles esto celebrando as novidades". O tom dele estava amargo.
S havia uma novidade na qual eu podia pensar, mesmo tentando no o fazer. E as peas se encaixaram. "Porque os Cullen foram embora", eu sussurrei. "Eles no gostam
dos Cullen em La Push - eu tinha esquecido disso".
Os Quileute tinham suas supersties sobre "Os frios", os bebedores de sangue que eram inimigos da tribo deles, assim como eles tinham as lendas do grande dilvio
e a dos homens-lobos.
A maioria delas eram s histrias, folclore. E ento haviam os poucos que acreditavam. O bom amigo de Charlie, Billy Black acreditava nelas, apesar de at Jacob,
seu nico filho, achar que ele era cheio de supersties bobas. Billy havia me avisado pra ficar longe dos Cullen...
O nome causava alguma coisa dentro de mim, alguma coisa que comeou a cavar seu caminho de volta para a superfcie, alguma coisa que eu sabia que no queria encarar.
"Isso  ridculo", Charlie falou.
Ns sentamos em silncio por algum tempo. O cu j no estava mais escuro l fora. Em algum lugar por trs da chuva, o sol estava comeando a nascer.
"Bella?", Charlie perguntou.
Eu olhei pra ele intranquila.
"Ele te deixou sozinha na floresta?" Charlie adivinhou.
Eu ignorei a pergunta dele. "Como voc sabia onde me encontrar?" minha mente criou um escudo contra a inevitvel conscincia que j estava se aproximando, vindo
rpida agora.
"O seu bilhete", Charlie respondeu, surpreso. Ele procurou no bolso de trs de sua cala e puxou um papel muito amassado. Ele estava sujo e mido, com mltiplas
dobras por ter sido aberto e redobrado muitas vezes. Ele o desdobrou de novo, e o segurou como prova. A escrita bagunada era incrivelmente parecida com a minha.

Sando numa caminhada com Edward, l na trilha,ele dizia.
Volto logo, B.

"Quando voc no voltou, eu liguei para os Cullen, e ningum atendeu", Charlie disse numa voz baixa. "Ento eu liguei para o hospital, e o Dr. Gerandy me disse que
Carlisle havia ido embora".
"Pra onde eles foram?", eu murmurei.
Ele me encarou. "Edward no te disse?"
Eu balancei minha cabea, recuando. O som do nome dele libertou a coisa que estava me rasgando por dentro - uma dor que me deixou sem flego, me deixando aturdida
com a sua fora.
Charlie me olhou duvidosamente enquanto respondia.
"Carlisle aceitou um emprego num grande hospital em Los Angeles. Eu acho que eles o ofereceram um monte de dinheiro".
A ensolarada Los Angeles. O ltimo lugar pra onde eles realmente iriam.
Eu me lembrei do pesadelo com o espelho... o brilho do sol cintilando na pele dele -
A agonia se apertou a mim junto s memrias do rosto dele.
"Eu quero saber se Edward te deixou l sozinha no meio da floresta".
Charlie insistiu.
O nome dele mandou outra onda de tortura pelo meu corpo. Eu balancei minha cabea, freneticamente, desesperada pra escapar da dor. "Foi culpa minha. Ele me deixou
bem aqui na trilha, na frente de casa... mas eu tentei seguir ele".
Charlie comeou a dizer alguma coisa; infantilmente, eu cobri meus ouvidos. "Eu no quero mais falar nisso, pai. Eu quero ir pro meu quarto."
Antes que ele pudesse responder, eu me levantei desajeitadamente do sof e me lancei escada acima.
Algum havia estado em casa pra deixar o bilhete pra Charlie, um bilhete que o ajudaria a me encontrar. No momento que eu me dei conta disso, uma terrvel suspeita
comeou a crescer na minha cabea. Eu corr para o meu quarto, batendo e trancando a porta atrs de mim antes de correr para o Cd Player ao lado da minha cama.
Tudo parecia exatamente igual ao que eu havia deixado. Eu pressionei o topo do Cd Player. O trinco se desprendeu, e a tampa foi se abrindo lentamente.
Estava vazio.
O album que Rene havia me dado estava no cho ao lado da cama, exatamente onde eu o havia colocado da ltima vez. Eu levantei a capa com uma mo tremendo.
Eu no tive que ir alm da primeira pgina. O pequeno gancho de metal ja no prendia mais nenhuma foto. A pgina estava vazia, a no ser pela minha prpria escrita
rabiscada embaixo:Edward Cullen, Cozinha de Charlie, 13 de Setembro.

Eu parei a. Eu tinha certeza de que ele havia sido bastante competente.
Ser como se eu nunca tivesse existido.
Eu sent o cho de madeira suave embaixo dos meus joelhos, e ento as palmas das minhas mos, e ento ele estava pressionado na pele da minha bochecha. Eu esperava
estar desmaiando, mas, pro meu desapontamento, eu no perd a conscincia.
As ondas de dor que at agora s haviam tocado em mim agora ficavam mais altas e passavam pela minha cabea, me afogando.

Eu no emerg.


Outubro

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Novembro

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Dezembro

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Janeiro

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4. Acordando
O tempo passa. Mesmo quando isso parece impossvel. Mesmo quando cada tique do relgio faz sua cabea doer como se fosse um fluxo de sangue passando por uma ferida.
Ele passa desigual, em estranhos solavancos e levando a calmaria embora, mas ele passa. Mesmo pra mim.
O pulso de Charlie bateu na mesa.
" isso, Bella! Eu vou te mandar pra casa".
Eu olhei pra cima desviando meus olhos do cereal, que eu estava mais cutucando do que comendo, e olhei pra Charlie chocada.
Eu no estava acompanhando a conversa - na verdade eu nem tinha reparado que eestvamos tendo uma conversa - e eu no tinha certeza do que ele queria dizer.
"Eu estou em casa", eu murmurei, confusa.
"Eu vou te mandar pra Rene, pra Jacksonville", ele esclareceu.
Charlie observou exasperado enquanto eu lentamente me dava conta do sentido das suas palavras.
"O que foi que eu fiz?", eu sent meu rosto se amassar. Isso era to injusto. Meu comportamento esteve acima de qualquer reprimenda nesses ltimos quatro meses.
Depois daquela primeira semana, que nenhum de ns mencionou, eu no perd nem um dia de aula ou de trabalho. Minhas notas estavam perfeitas. Eu nunca desrespeitei
o toque de recolher - eu nunca ia pra lugar nenhum pra quebrar o toque de recolher em primeiro lugar. Eu muito raramente servia sobras.
Charlie fez uma carranca.
"Voc no fez nada. Esse  o problema. Voc nunca faz nada".
"Voc quer que eu me envolva em problemas?" Eu me perguntei, minhas sobrancelhas ficando juntas de mistificao. Eu fiz um esforo pra prestar ateno. No era fcil.
Eu estava to acostumada a desligar as coisas, meus ouvidos estavam desacostumados.
"Problema seria melhor do que isso... essa amorfinao o tempo inteiro!"
Isso me deixou com um pouco de remorso. Eu fui to cuidadosa pra evitar de todas as formas parecer sombria, morfinao includo.
"Eu no estou amorfinada".
"Palavra errada", ele concedeu mal humorado. "Amorfinao seria melhor - isso seria fazer alguma coisa. Voc s est... sem vida, Bella".
"Eu acho que essa  a palavra que eu quero".
Essa acusao fez a ficha cair. Eu suspirei e tentei colocar alguma animao na minha resposta.
"Me desculpe, pai" Minhas desculpas pareceram um pouco vazias, at pra mim. Eu pensei que estivesse enganando ele. Manter Charlie longe do sofrimento era o nico
motivo pra todo esse esforo. Que deprimente pensar que todo o esforo foi em vo.
"Eu no quero que voc se desculpe".
Eu suspirei. "Ento me diga o que voc quer que eu faa".
"Bella", ele hesitou, observando a minha reao s suas prximas palavras. "Querida, voc no  a primeira pessoa que passa por esse tipo de coisa, sabe".
"Eu sei disso" A careta que se seguiu as minhas palavras foi flcida e sem impresso.
"Escute, querida. Eu acho que - talvez voc precise de ajuda"
"Ajuda?"
Ele pausou, procurando pelas palavras de novo. "Quando sua me foi embora", ele comeou, fazendo uma careta, "e levou voc com ela". Ele inalou profundamente, "Bem,
foi um momento muito ruim pra mim".
"Eu sei, pai", eu murmurei.
"Mas eu lidei com isso", ele apontou. "Querida, voc no est lidando com isso. Eu esperei, eu tinha esperanas de que voc fosse melhorar". Ele olhou pra mim e
eu olhei pra baixo rapidamente. "Eu acho que ns dois sabemos que isso no est melhorando".
"Eu estou bem".
Ele me ignorou. "Talvez, bem, se voc falasse com algum sobre isso. Um profissional".
"Voc quer que eu veja um terapeuta?" Minha voz ficou mais afiada enquanto eu me dava conta de onde ele estava querendo chegar.
"Talvez isso ajudasse".
"E talvez isso no ajudasse nem um pouquinho."
Eu no sabia muito sobre psicoanlises, mas eu sabia que no iria funcionar a menos que o assunto fosse relativamente honesto. Claro, eu podia contar a verdade-
se quisesse passar o resto da minha vida numa cela acolchoada.
Ele examinou minha expresso obstinada, e mudou para outra linha de ataque.
"Isso est alm de mim, Bella. Talvez sua me -"
"Olha", eu disse com uma voz plana. "Eu vou sair essa noite, se voc quer. Eu ligo pra Jess ou pra Angela".
"No  isso que eu quero", ele discutiu, frustrado. "Eu no acho que conseguirei vendo voc tentar ainda mais. Doi s de olhar".
Eu fing ser densa, olhando pra baixo pra mesa.
"Eu no entendo, pai. Primeiro voc fica bravo porque eu no estou fazendo nada, e ento voc diz que no quer que eu saia".
"Eu s quero que voc seja feliz - no, nem isso tudo. Eu s no quero que voc esteja triste. Eu acho que voc ter uma chance melhor se sair de Forks".
Meus olhos se lanaram pra cima com uma pequena centelha de sentimento que eu no teria muito tempo pra pensar.
"Eu no vou embora", eu disse.
"Porque no?", ele quis saber.
"Eu estou no ltimo semestre da escola - isso ia estragar tudo".
"Voc  uma boa aluna - voc d um jeito".
"Eu no quero aglomerar mame e Phil"
"Sua me est morrendo pra voc voltar".
"A Flrida  quente demais".
O punho dele bateu na mesa de novo. "Ns dois sabemos o que est acontecendo aqui, Bella, e isso no  bom pra voc". Ele respirou fundo. "J se passaram meses.
Nada de ligaes, nada de cartas, nenhum contato. Voc no pode continuar esperando por ele".
Eu olhei pra ele. O calor quase, mas no completamente, alcanou meu rosto. J fazia muito tempo que eu no corava com nenhuma emoo.
Esse assunto todo era completamente proibido, e ele sabia muito bem.
"Eu no estou esperando nada. Eu no espero nada". Eu disse num tom baixo e uniforme.
"Bella -", Charlie comeou, com a voz grossa.
"Eu tenho que ir para a escola", eu interromp, me levantando e puxando o meu caf da manh intocado da mesa. Eu joguei minha tigela na pia sem parar pra lav-la.
Eu no podia mais lidar com essa conversa.
"Eu farei planos com Jssica", eu falei por cima do ombro enquanto pegava minha mochila da escola, sem olhar pros olhos dele. "Talvez eu no volte pra casa pra o
jantar. Ns iremos pra Port Angeles e assistiremos um filme".
Eu j tinha sado pela porta da frente antes que ele pudesse reagir.
Na minha pressa de fugir de Charlie, eu acabei sendo uma das primeirar a chegar na escola. O lado bom disso  que eu encontrei uma vaga muito boa no estacionamento.
O lado ruim era que eu tinha muito tempo livre nas mos, e eu tentava evitar ter tempo livre a qualquer custo.
Rapidamente, antes que eu pudesse pensar nas acusaes de Charlie, eu puxei meu livro de Calculo. Eu o abr na seo que deveramos estar comeando hoje, e tentei
entender alguma coisa. Ler matemtica era ainda pior do que ouvir, mas eu estava ficando melhor nisso. Ns ltimos meses, eu gastei dez vezes mais tempo com Clculo
do que eu j havia gastado com Matemtica em toda a minha vida. Como resultado, eu estava conseguindo manter um alto 10. Eu sabia que o Sr. Varner sentia que a minha
melhora provinha dos seus mtodos superiores de ensino. E se isso fazia ele se sentir feliz, eu no ia estourar a bola dele.
Eu continuei entretida nisso at que o estacionamento j estava lotado, e eu acabei tendo que me apressar para a aula de Ingls. Ns estvamos trabalhando com Animais
de fazenda, um assunto muito fcil. Eu no me importava com o comunismo; e foi uma mudana bem vinda de todos aqueles romances exautivos que ficavam bem no currculo.
Eu sentei no meu lugar, feliz pela distrao do Sr. Berty em sua dissertao.
O tempo se movia facilmente quando eu estava na escola. O sino sempre tocava cedo demais. Eu comecei a arrumar minha bolsa.
"Bella?", eu reconhec a voz de Mike, e j sabia quais seriam as suas palavras antes que ele as disesse.
"Voc vai trabalhar amanh?"
Eu olhei pra cima. Ele estava se inclinando na fila de cadeiras com uma expresso ansiosa. Toda sexta feira ele me fazia a mesma pergunta. No importava que eu nunca
tivesse tirado um dia de folga. Bem, com uma excesso, h meses atrs. Mas ele no tinha nenhum motivo pra olhar pra mim com tanta preocupao. Eu era uma empregada
modelo.
"Amanh  Sbado, no ?", eu disse.
Tendo acabado de ser apontada por Charlie por causa disso, eu me dei conta do quanto a minha voz realmente parecia sem vida.
",  sim", ele concordou. "Te vejo na aula de Espanhol". Ele acenou uma vez antes de virar as costas. Ele no se incomodava mais em me acompanhar s aulas.
Eu agarrei o livro de Clculo com uma expresso severa. Essa era a aula em que eu me sentava perto de Jssica.
J faziam semanas, talvez meses, desde que Jssica seguer me cumprimentou no corredor. Eu sabia que havia a ofendido com o meu comportamento antisocial, e ela estava
amuada. No ia ser fcil falar com ela agora - especialmente pedir pra ela me fazer um favor.
Eu pesei minhas opes cuidadosamente enquanto eu vadiava saindo da sala, me demorando.
Eu no ia enfrentar Charlie de novo sem algum tipo de relatrio interativo da minha vida social. Eu sabia que no podia mentir, apesar do pensamento de ir e voltar
de Port Angeles dirigindo sozinha - s pra ter certeza que o hodmetro refletia a minha milhagem no caso de ele checar - era muito tentador. A me de Jssica era
a maior fofoqueira da cidade, e Charlie era capaz de correr at a Sra. Stanley mais cedo ou mais tarde. Mentir no era uma opo.
Com um suspiro, eu abr a porta.
O Sr. Varner me deu um olhar negro - ele j havia comeado a aula. Eu corr pro meu lugar. Jssica no olhou pra cima quando eu sentei ao lado dela. Eu estava feliz
por ter cinquenta minutos pra me preparar mentalmente.
Essa aula voou ainda mais rpido que Ingls. Uma pequena parte dessa velocidade se devia a minha tima preparao essa manh na caminhonete - mas a maior parte se
devia ao fato de que o tempo sempre corria mais rpido pra mim quando ia acontecer alguma coisa ruim.
Eu fiz uma careta quando o Sr. Varner dispensou a classe cinco minutos antes. Ele sorriu como se estivesse sendo bonzinho.
"Jess?", meu nariz se torceu enquanto eu bajulava, esperando que ela se virasse pra mim.
Ela se virou na cadeira pra me encarar, me olhando incrdulamente.
"Voc est falando comigo, Bella?"
" claro", eu abri meus olhos pra sugerir inocncia.
"O que? Voc precisa de ajuda com Clculo?" O tom dela era um pouco cido.
"No", eu balancei minha cabea. "Na verdade, eu queria saber se voc... poderia vir ao cinema comigo hoje  noite? Eu preciso muito de uma noite s pra garotas".
As palavras pareceram rgidas, como frases mal feitas, ela pareceu suspeitar.
"Porque voc est pedindo pra mim?" Ela perguntou, ainda no amigvel.
"Voc  a primeira pessoa em quem eu penso quando eu quero um momento de garotas". Eu sorr. Eu esperava que o sorriso parecesse genuno. Isso provavelmente era
verdade. Pelo menos ela foi a primeira pessoa em quem eu pensei quando quis evitar Charlie. Isso era a mesma coisa.
Ela pareceu amolecer. "Bem, eu no sei".
"Voc tem planos?"
"No... eu acho que posso ir com voc. O que voc quer assistir?"
"Eu no tenho certeza do que est passando", eu cerquei. Essa era a pegadinha. Eu procurei no meu crebro por uma idia - eu no tinha ouvido algum falar de um
filme recentemente? Visto um cartaz? "Que tal aquele da presidenta?"
Ela me olhou estranha. "Bella, esse j saiu do cinema h um tempo"
"Oh", eu fiz uma carranca. "Tem alguma coisa que voc gostaria de ver?"
A tagarelice natural de Jssica comeou a vazar a despeito de s mesma enquanto ela falava em voz alta.
"Bem, tem essa nova comdia romntica que est recebendo timas crticas. Eu quero ver esse. E o meu pai viu Dead End e gostou muito".
Eu fiquei sem flego pelo ttulo promissor. "Sobre o que esse fala?"
"Zumbs ou alguma coisa assim". Eu prefera lidar com zumbs de verdade a ter que assistir um romance.
"Ok", ela pareceu surpresa pela minha resposta. Eu tentei me lembrar se gostava de filmes de terror, mas eu no tinha certeza. "Voc quer que eu v te pegar depois
da escola?", ela se ofereceu.
"Claro".
Jssica sorriu pra mim tentadoramente amigvel antes de ir embora.
Meu sorriso de resposta foi um pouco atrasado, mas eu acho que ela viu.
O resto do dia passou rapidamente, meus pensamentos estavam focados nos planos pra hoje  noite. Eu sabia por experincia que assim que eu conseguisse fazer Jssica
comear a falar, eu seria capaz de escapar com umas respostas murmuradas nos momentos apropriados. Somente a mnima reao seria requerida.
A grossa neblina que tomava conta dos meus dias agora me deixava confusa s vezes. Eu me surpreend ao me ver em meu quarto, sem me lembrar claramente da viagem
pra casa da escola ou de abrir a porta da frente. Mas isso no importava. Perder a noo do tempo era o mximo que eu podia pedir da vida.
Eu no lutei contra a neblina quando me virei pra o meu armrio. O entorpecimento era mais ecenssial em uns lugares do que em outros. Eu mal registrava o que estava
procurando enquanto eu deslizei a porta para o lado para revelar a pilha de lixo do outro lado do meu armrio, embaixo das roupas que eu nunca usava.
Meus olhos no se aproximaram do saco de lixo preto onde eu guardava os meus presentes do ltimo aniversrio, no viram o formato do som onde ele ficava ao lado
da sacola preta; eu no quis pensar na baguna que minhas unhas haviam ficado quando eu terminei de arranc-lo do painl do carro.
Eu arranquei a bolsa que eu raramente usava do cabide onde ela ficava pendurada, e fechei a porta.
Nessa hora eu ouv a buzina. Eu rapidamente troquei a carteira da bolsa da escola para a bolsa. Eu estava com pressa, como se a pressa fosse de alguma forma fazer
a noite passar mais rpido.
Eu olhei pra mim mesma no espelho do corredor antes de abrir a porta, arranjando meu rosto cuidadosamente com um sorriso e tentando segurar ele l.
"Obrigada por vir comigo essa noite", eu disse  Jees quando escorreguei no banco do passageiro, tentando infundir meu tom de gratido. J fazia algum tempo que
eu no pensava no que dizer a alguem que no fosse Charlie. Jess era mais difcil. Eu no tinha certeza de quais emoes fingir.
"Claro. Ento, o que causou isso?", Jess quis saber enquanto dirigia na minha rua.
"Causou o que?"
"O que de repente fez voc decidir... sair?" Parecia que ela tinha mudado a pergunta bem no meio.
Eu levantei os ombros. "Eu s precisava de uma mudana".
Eu reconhec a msica no rdio, e rpidamente alcancei o boto pra mud-la. "Voc se importa?", eu perguntei.
"No, v em frente".
Eu procurei pelas estaes at encontrar uma que no oferecia perigo. Eu dei uma espiada na expresso de Jess enquanto a msica enchia o carro.
Os olhos dela se esbugalharam. "Desde quando voc escuta rap?"
"Eu no sei", eu disse. "Tem um tempo".
"Voc gosta disso?", ela perguntou duvidosamente.
"Claro".
Ia ser muito mais difcil interagir com Jssica se eu tivesse que trabalhar com os tons das msicas tambm. Eu balancei a cabea, esperando que estivesse de acordo
com o ritmo da msica.
"Ok...", ela olhou pelo parabrisa com olhos esbugalhados.
"Ento o que  que t acontecendo entre voc e Mike esses dias?" eu perguntei rapidamente.
"Voc v ele mais do que eu".
Essa pergunta no a fez comear a falar como eu esperava.
" difcil conversar no trabalho" eu murmurei, e ento tentei de novo. "Voc tem sado com algum ultimamente?"
"Na verdade no. Eu saio com Conner de vez em quando. Eu sa com Eric a duas semanas atrs", ela revirou os olhos, e eu pressent uma longa histria. Eu me agarrei
 oportunidade.
"Eric Yorkie?"
"Quem convidou quem?"
Ela gemeu, ficando mais animada. "Foi ele,  claro! Eu no pensei numa maneira gentil de dizer no".
"Onde ele te levou?" eu quis saber, sabendo que ela ia interpretar a minha ansiosidade como interesse. "Me conte tudo"
Ela se lanou na histria, e eu me arrumei no meu banco, mais confortvel agora. Eu prestei muita ateno, murmurando com simpatia e ofegando de horror quando a
situao pedia. Quando ela acabou com a histria de Eric, ela continuou fazendo uma comparao de com Conner sem nenhum pudor.
O filme havia comeado mais cedo, ento Jess achou que sairamos perto do crepsculo e podamos comer depois.
Eu estava feliz de me juntar a qualquer coisa que ela quisesse; afinal, eu estava conseguindo tudo o que eu queria - tirar Charlie da minha cola.
Eu mantive Jess falando nos trailers, assim eu pude ignorar eles mais facilmente. Mas eu fiquei nervosa quando o filme comeou. Um jovem casal estava andando na
praia, balanando as mos e discutindo sua afeo mutual numa falsidade boba. Eu resist a vontade de cobrir meus ouvidos e comear a cantarolar. Eu no tinha pedido
romance.
"Eu achei que tnhamos ecolhido o filme de zumb", eu assobiei pra Jssica.
"Esse  o filme de zumb".
"Ento porque  que ningum est sendo comido?", eu perguntei desesperadamente.
Ela olhou pra mim com olhos arregalados que eram quase alarmados.
"Eu tenho certeza de que essa parte vai chegar", ela sussurrou.
"Eu vou comprar pi8poca. Voc quer?"
"No, obrigada".
Algum pediu silncio atrs de ns.
Eu usei meu tempo esperando no balco, observando o relgio e debatendo qual a porcentagem dos noventa minutos do filme podia ser de partes romnticas. Eu decid
que dez minutos era mais que o suficiente, mas eu parei bem na porta da entrada, s pra ter certeza.
Eu podia ouvir gritos horrorizados ressoando dos autofalantes, ento eu soube que tinha esperado tempo suficiente.
"Voc perdeu tudo", Jess murmurou quando eu escorreguei de volta no meu lugar. "Quase todo mundo j  zumb agora".
"Fila grande". Eu oferec a pipoca pra ela. Ela pegou uma mo cheia
O resto do filme inclua horriveis ataques zumbs, e gritos ianacabaveis das pessoa que eram deixadas vivas, o nmero delas diminuia rapidamente. Eu teria pensado
que no havia nada pra me incomodar. Mas eu me sent incomodada, e a princpio no sabia porque.
No foi at quase o final, enquanto eu observava o zumb camabaleando atrs do ltimo sobrevivente, que eu me dei conta de qual era o problema. A cena ficava sendo
cortada entre o rosto horrorizado da herona, e o do rosto morto, sem expresso do perseguidor dela, e pra frente e pra trs enquanto a distncia diminuia.
E a eu me dei conta de qual dos dois me assemelhava mais.
Eu fiquei de p.
"Onde voc t indo? Ainda faltam, tipo, dois minutos", Jess assobiou.
"Eu preciso de uma bebida", eu murmurei enquanto corria para a sada.
Eu me sentei no banco no lado de fora do cinema e tentei muito no pensar na ironia. Mas era irnico, considerando tudo, que, no final, eu tinha me tornado um zumb.
Eu no tinha pensado nisso.
No que eu j no tenha sonhado em me tornar uma criatura mstica - s nunca uma grotesca, um cadver animado. Eu balancei minha cabea pra tirar minha cabea daquela
trilha de pensamento, me sentindo um pouco em pnico. Eu no podia me dar ao luxo de pensar no que eu havia sonhado um dia.
Era deprimente pensar que eu no era mais a herona, que minha histria havia acabado.
Jssica saiu pela porta do cinema e hesitou, provavelmente se perguntando onde seria o melhor lugar pra procurar por mim. Quando ela me viu, ela pareceu aliviada,
mas s por um momento. Depois ela pareceu irritada.
"O filme era assustador demais pra voc?" Ela se perguntou.
"", eu concordei. "Eu acho que sou s uma covarde".
"Isso  engraado", ela fez uma carranca. "Eu no pensei que voc estivesse assustada - eu estava gritando o tempo inteiro, mas no ouv voc gritar nenhuma vez.
Ento eu no sei porque voc saiu".
Eu levantei os ombros. "S medo".
Ela relaxou um pouco. "Eu acho que esse foi o filme mais assustador que eu j assist. Eu aposto que ns teremos pesadelos hoje  noite".
"Sem dvidas quanto a isso" eu disse, tentando manter minha voz normal. Era inevitvel que eu tivesse pesadelos, mas eles no seriam sobre zumbs. Os olhos dela
olharam pro meu rosto e se desviaram. Talvez eu no tivesse tido sucesso com a minha voz normal.
"Onde voc quer comer?", Jess perguntou.
"Eu no ligo".
"Ok".
Jess comeou a falar sobre o ator principal do filme enquanto andvamos. Eu acenava com a cabea enquanto ela tagarelava sobre a gostosura dele, incapaz de me lembrar
de algum homem que no fosse zumb.
Eu no v pra onde Jssica estava me levando. Eu apenas estava vagamente consciente de que estava mais escuro e mais quieto agora. Eu demorei mais do que devia pra
perceber porque estava quieto. Jssica tinha parado de tagarelar. Eu olhei pra ela lamentosamente, esperando no ter magoado seus sentimentos. Jssica no estava
olhando pra mim. O rosto dela estava tenso; ela olhava diretamente pra frente e andava mais rpido. Enquanto eu observava, os olhos dela se dirigiram rapidamente
pra direita, atravs da rua, e voltaram de novo.
Eu mesma olhei ao redor pela primeira vez.
Ns estvamos numa curta extenso da calada sem iluminao. As pequenas lojas alinhadas na rua estavam todas fechadas para a noite, as janelas estavam negras. Meio
quarteiro  frente, as luzes da rua comeavam de novo, e eu podia ver, mais  frente, os brilhantes arcos dourados do McDonald's pra onde ela estava seguindo.
Do outro lado da rua havia um lugar aberto. As janelas estavam cobertas pelo lado de dentro e haviam letreiros de non, propagandas para diferentes tipos de cerveja,
brilhando na frente deles. O maior letreiro, num verde brilhante, era o nome do bar - Pete de Um Olho. Eu me perguntei se havia alguma espcie de tema pirata que
no era visvel pelo lado de fora. As portas de metal estavam abertas; estava fracamente iluminado l dentro, e o baixo murmrio de muitas vozes e o som de gelo
batendo em copos de vidro flutuava atravs da rua. Se inclinando na parede do lado da porta haviam quatro homens.
Eu olhei de volta pra Jssica. Os olhos dela estavam fixos no caminho em frente e ela se movia bruscamente. Ela no parecia assustada - s cautelosa, tentando no
atrair a ateno pra s mesma.
Eu parei sem pensar, olhando de volta pra os quatro homens com um forte senso de dj vu. Essa era uma rua diferente, uma noite diferente, mas a cena era muito parecida.
Um deles era at baixinho e meio escuro. Enquanto eu parava e me virava na direo deles, esse ai olhou pra mim interessado.
"Bella?" Jess sussurrou.
"O que  que voc t fazendo?"
Eu balancei a cabea, sem ter certeza. "Eu acho que eu conheo eles...", eu murmurei.
O que era que eu estava fazendo? Eu devia estar correndo dessa memria o mais rpido que podia, bloqueando a imagens daqueles quatro homens na minha mente, me protegendo
com a entorpecncia sem a qual eu no podia mais viver. Porque eu estava pisando, confusa, na rua?
Me pareceu conhecidncia demais que eu estivesse em Port Angeles com Jssica, e at mesmo numa rua escura. Meus olhos estavam focados no baixinho, tentando juntar
as imagens com as minhas memrias do homem que havia me ameaado naquela noite a quase um ano atrs. Eu imaginei se havia algum jeito de reconhecer aquele homem,
se aquele era realmente ele. Aquela parte em particular daquela noite em particular era s um borro. Meu corpo se lembrava daquilo melhor que minha mente; a tenso
nas minhas pernas enquanto eu decidia se era melhor correr ou ficar no lugar, a minha garganta seca enquanto eu tentava construir um grito decente, a pele repuxada
dos meus dedos quando eu fechei minhas mos nos pulsos, os arrepios no pscoo quando o homem de cabelo escuro me chamou de "docinho"...
Havia um tipo de ameaa indefinito, insinuante nesses homens que no tinha nada a ver com aquela noite. Ela crescia pelo fato deles serem estranhos, e estava escuro
aqui, e eles estavam num nmero maior que ns - nada mais especfico que isso.
Mas isso foi o suficiente para a voz de Jssica demonstrar pnico quando ela me chamou.
"Bella, vamos logo!"
Eu ignorei ela, andando vagarosamente em frente sem nem sequer tomar uma deciso consciente de mexer meus ps. Eu no entendia porque, mas a ameaa nebulosa que
aqueles homens representavam me arrastava pra eles. Era um impulso sem sentido, mas eu no havia sentido nenhum tipo de impulso por tanto tempo... que eu resolvi
segui-lo.
Alguma coisa familiar pulsou nas minhas veias.
Adranalina, eu me dei conta, que h muito estava ausente do meu sistema, fazendo o meu pulso bater mais rpido, e lutando contra a falta de sensaes. Isso era estranho
- porque a adrenalina quando no havia nenhum medo por perto? Era quase como um eco da ltima vez que eu estive assim, numa rua escura em Port Angeles com estranhos.
Eu no via motivos pra ter medo. Eu no podia imaginar mais nada no mundo de que eu pudesse ter medo, nada fsico, pelo menos. Uma das poucas vantagens de perder
tudo.
Eu j estava no meio da rua quando Jess me alcanou e agarrou meu brao.
"Bella, voc pode entrar num bar!", ela assobiou.
"Eu no vou entrar", eu disse ausentemente, tirando a mo dela de mim. "Eu s quero ver uma coisa..."
"Voc est louca?" ela sussurrou. "Voc  uma suicida?"
Essa pergunta me chamou a ateno, e meus olhos se focaram nela.
"No, eu no sou", minha voz pareceu defensiva, mas tudo era verdade. Eu no era uma suicida. Nem no comeo, quando inquestionavelmente a morte seria um alvio,
eu considerei isso. Eu devia muito  Charlie. Eu me sentia responsvel por Rene. Eu tinha que pensar neles.
E eu havia feito uma promessa de no fazer nada estpido ou sem pensar. Por todas essas razes, eu ainda estava respirando.
Me lembrando dessa promessa, eu sent uma pontada de culpa.
Mas isso que eu estava fazendo agora no contava de verdade. No era como se eu estivesse passando uma navalha nos pulsos.
Os olhos de Jess olharam em volta, a boca dela ficou escancarada. A pergunta dela sobre suicdio era retrica, eu percebi tarde demais.
"V comer", eu a encorajei, acenando na direo do fast food. Eu no gostei do jeito que ela olhou pra mim. "Eu vou atrs em um minuto".
Eu me virei de costas pra ela, de volta pra os homens que estavam olhando pra ns com olhos divertidos, curiosos.
"Bella, pare com isso agora!"
Meus musculos se travaram, me congelando onde eu estava. Porque no era a voz de Jssica que me repreendia agora.
Era uma voz furiosa, uma voz familiar, uma voz linda - macia como veludo mesmos estando irritada.
Era a voz dele - eu era exepcionalmente cuidadosa pra no pensar no nome dele - e eu estava surpresa de ver que o som dela no fez meus joelhos fraquejarem, me derrubando
no pavimento com a tortura da perda.
Mas no havia dor, nenhum pouco.
No instante que eu ouv a voz dele, tudo ficou muito claro. Como se minha cabea tivesse emergido de alguma piscina escura. Eu estava mais consciente de tudo - a
viso, os sons, a sensao do vento frio que eu no havia percebido que estava soprando no meu rosto, os cheiros vindos da porta aberta do bar.
Eu olhei ao redor chocada.
"Volte pra Jssica", a amvel voz ordenou, ainda com raiva. "Voc prometeu- nada estpido".
Eu estava sozinha. Jssica estava  alguns metros de distncia de mim me olhando com olhos assustados. Contra a parede, os estranhos observavam, confusos, imaginando
o que eu estava fazendo, ficando em p sem me mexer no meio da rua.
Eu balancei minha cabea, tentando entender. Eu sabia que ele no estava l, e mesmo assim, eu o sentia improvavelmente perto, perto pela primeira vez desde... desde
o fim. A raiva na voz dele era de preocupao, a mesma raiva que uma vez j me foi muito famliar - uma coisa que eu j no ouvia pelo que pareceu ser uma vida inteira.
"Mantenha sua promessa". A voz estava desaparecendo, como se eu estivesse baixando o volume de um rdio.
Eu comecei a suspeitar que estava tendo algum tipo de alucinao. desencadeada, sem dvida, pela memria - o deja vu, a estranha familiaridade da situao.
Eu corr as possibilidades rapidamente na minha cabea.
Opo um: eu estava louca. Esse era um termo apropriado pra pessoas que costumam ouvir vozes em sua cabeas.
Possvel.
Opo dois: minha mente subconsciente estava me dando o que ela achava que queria. Esse era o desejo de cumprimento - um alvio momentneo da dor que abraava a
idia incorreta de que ele se importava se eu estava viva ou morta.
Eu estava projetando o que ele diria se A) ele estivesse aqui, e B) se ele estivesse de alguma forma se incomodando com o que pudesse acontecer comigo.
Provvel.
Eu no podia ver uma terceira opo, ento eu esperava que fosse a segunda opo e que isso fosse s o meu subconsciente ficando furioso, do que alguam coisa que
acabasse me levando pro hospital.
A minha reao no foi muito s, contudo - eu fiquei agradecida. O som da voz dele era uma coisa que eu temia estar perdendo, ento, mais do que qualquer coisa,
eu senti uma gratido dominante porque o meu subconsciente havia guardado esse som melhor do que a minha mente consciente.
Eu no tinha permisso pra pensar nele. Isso era uma coisa com a qual eu tentava ser bem restrita.  claro que as vezes eu escorregava; eu sou s humana. Mas eu
estava melhorando, e ento agora a dor era uma coisa da qual eu podia me afastar por dias.
O custo era uma entorpecncia que no acabava nunca. Entre a dor e o nada, eu escolhi o nada.
Eu esperei pela dor agora. Eu no estava entorpecida - meus sentidos estavam estranhamente intensos depois de tanto tempo na neblina - mas a dor normal no apareceu.
A nica dor foi o desapontamento porque a voz estava desaparecendo.
Havia uma segunda escolha.
A coisa inteligente a fazer seria correr desses pensamentos potencialmente - e certamente mentalmente instveis - destrutivos. Seria burrice encorajar essas alucinaes.
Mas a voz estava desaparecendo.
Eu dei outro passo em frente, testando.
"Bella, vire-se", ele rosnou.
Eu suspirei aliviada. A raiva era o que eu queria ouvir - uma evidncia falsa, fabricada, de que ele se importava, um presente duvidoso do meu subconsciente.
Muitos poucos segundos se passaram enquanto eu resolvia tudo isso. Minha pequena platia assistia, curiosa. Talvez parecesse que eu estava me decidindo se eu ia
ou no me aproximar deles. Como  que eles podiam adivinhar que eu estava em p aproveitando um inesperado momento de insanidade?
"Oi", um dos homens chamou, seu tom era confiante e um pouco sarcstico. Ele era gordinho e cabeludo, e tinha uma postura que quem se achava realmente muito bonito.
Eu no podia dizer se ele era ou no. Eu estava lesada.
A voz na minha cabea respondeu com um rosnado notvel. Eu sorr, e o homem confiante achou que eu o estava encorajando.
"Eu posso te ajudar com alguma coisa? Voc parece perdida". Ele sorriu e piscou.
Eu pisei cuidadosamente na sarjeta, a gua corrente era preta na escurido.
"No. Eu no estou perdida".
Agora que eu estava mais prxima - e meus olhos se focaram estranhamente - eu analisei o homem baixinho, escuro. Ele no era familiar de jeito nenhum. Eu sofr uma
curiosa sensao de decepo porque aquele no era o terrvel homem que tentou me machucar quase um ano atrs.
A voz na minha cabea estava quieta agora.
O homem baixinho reparou no meu olhar. "Eu posso te comprar uma bebida?", ele ofereceu, nervoso, parecendo lisonjeado por eu ter escolhido olhar pra ele.
"Eu sou jovem demais", eu respond automaticamente.
Ele estava confuso - imaginando porque eu tinha me aproximado deles.
Eu me sent compelda a explicar.
"Do outro lado da rua, voc me pareceu algum que eu conhecia. Desculpe, erro meu".
A ameaa que havia me empurrado pela rua havia evaporado. Esses no eram os homens perigosos dos quais eu me lembrava. Eles provavelmente eram caras legais. Salva.
Eu perd o interesse.
"Tudo bem", o loiro confiante disse. "Fique e se divirta conosco".
"Obrigada, mas eu no posso" Jssica estava hesitando no meio da rua, seus olhos estavam arregalados de ultraje e traio.
"Oh, s alguns minutos".
Eu balancei minha cabea, e me virei pra me juntar  Jssica.
"Vamos comer", eu suger, mal olhando pra ela.
Apesar de eu parecer estar, no momento, livre da abstrao zumb, eu ainda estava distante. Minha mente estava preocupada. A entorpecncia segura, morta, no voltou,
e eu fui ficando mais ansiosa a cada minuto que se passava sem que ela voltasse.
"O que era que voc estava pensando?" Jssica disparou. "Voc no conhecia eles - eles podiam ser psicoptas!"
Eu levantei os ombros, esperando que ela deixasse pra l. "Eu s pensei que conhecia um dos caras".
"Voc  to estranha, Bella Swan. Eu sinto como se no soubesse quem voc ".
"Desculpa", eu no pensei em mais nada pra dizer.
Ns caminhamos para o McDonald's em silncio. Eu aposto que ela estava pensando que seria melhor termos vindo de carro do que andando na pequena distncia do o cinema,
assim ela poderia ter usado o drive-thru. Agora ela estava to ansiosa pra essa noite acabar quanto eu tinha estado desde o incio.
Eu tentei comear uma conversa algumas vezes enquanto comamos, mas Jssica no estava cooperando. Eu realmente devo ter ofendido ela.
Quando ns voltamos para o carro, ela colocou o rdio na estao favorita dela de novo e aumentou o volume demais pra ser possvel conversar.
Eu no tive que lutar como sempre pra ignorar a msica. Mesmo a minha mente no estando, pela primeira vez, cuidadosamente entorpecida e vazia, eu tinha coisas demais
pra pensar pra ouvir as letras.
Eu esperei a entorpecncia voltar, ou a dor. Porque a dor devia estar vindo. Eu quebrei minhas prprias regras. Ao invs de me esconder das memrias, eu andei em
frente e as cumprimentei. Eu tinha ouvido a voz dele, to claramente, na minha cabea. Isso ia me custar caro, eu tinha certeza. Especialmente se eu no podia convocar
a neblina pra me proteger. Eu me sent muito alerta, e isso me assustou.
Mas o alvio ainda era a sensao mais forte no meu corpo - alvio que aquilo tenha vindo do ntimo do meu ser.
Mesmo eu lutando pra no pensar nele, eu no lutava pra esquec-lo. Eu tive medo que - tarde da noite, quando a exauto pela falta de sono quebrasse minhas defesas
- que eu acabasse me dando por vencida. Eu tive medo que minha mente fosse como uma peneira, e que algum dia eu no lembrasse mais a cor exata dos seus olhos, a
sensao do toque da pele fria dele, ou da textura da voz dele.
Eu podia no pensar nisso, mas eu precisava me lembrar disso.
Porque s havia uma coisa na qual eu precisava acreditar pra ser capaz de viver - eu precisava saber que ele existia. Isso era tudo.
Tudo mais podia ser suportado. Contanto que ele existisse.
Era por isso que eu estava mais amarrada  Forks do que nunca, por isso eu lutei com Charlie quando ele sugeriu uma mudana. Honestamente, isso no devia importar;
nenhum deles ia voltar pra c.
Mas se eu fosse pra Jacksonville, ou qualquer outro lugar claro e familiar, como  que eu podia ter certeza de que ele era real? Num lugar onde eu jamais poderia
imagin-lo, a convico ia acabar desaparecendo... e isso eu no poderia suportar.
Proibida de pensar, morrendo de medo de esquecer; era uma linha difcil de seguir.
Eu fiquei surpresa quando Jssica parou o carro na frente da minha casa. A viagem no foi longa, mas, mesmo curta do jeito que pareceu, eu no pensei que Jssica
pudesse ficar tanto tempo sem falar nada.
"Obrigada por ter sado comigo, Jess", eu disse enquanto abria a porta. "Foi... divertido". Eu esperava que divertido fosse uma palavra apropriada.
"Claro", ela murmurou.
"Eu lamento por... depois do filme".
"Tanto faz, Bella" Ela olhou pelo parabrisa ao invs de olhar pra mim. Ela parecia mais estar ficando com raiva do que esquecendo.
"Te vejo Segunda?"
". Tchau".
Eu desist e fechei a porta. Ela foi embora, ainda sem falar comigo.
Eu esquec ela assim que cheguei em casa.
Charlie estava esperando por mim no meio do corredor, os braos cruzados com fora no peito com as mos apertadas nos punhos.
"Oi, pai", eu disse ausentemente me desviando de Charlie, pra chegar nas escadas. Eu estive pensando nele por tempo demais e eu queria estar l em cima antes que
a ficha casse.
"Onde voc esteve?" Charlie quis saber.
Eu olhei pro meu pai, surpresa. "Eu fui no cinema em Port Angeles com Jssica. Como eu te disse essa manh".
"Humph", ele grunhiu.
"Est tudo bem?"
Ele estudou meu rosto, os olhos se arregalados como se ele tivesse visto alguma coisa inesperada. ", t tudo bem. Voc se divertiu?"
"Claro", eu disse. "Ns assistimos um filme de zumbs que comiam pessoas. Foi timo".
Seus olhos se estreitaram.
"Boa noite, pai"
Ele me deixou passar. Eu corr pro meu quarto.
Eu me deitei na minha cama alguns minutos depois, resignada como se a dor finalmente tivesse aparecido.
Era uma coisa assustadora, essa sensao de que um buraco havia sido construdo no meu peito, fazendo meus rgos vitais pararem de funcionar e deixando- os em trapos,
com cortes no curados nas beiradas que continuavam doendo e sangrando mesmo com a passagem do tempo. Racionalmente, eu sabia que meus pulmes deviam estar intactos,
mas mesmo assim eu lutava por ar e minha cabea rodava como se os meus esforos no me levassem a nada. Meu corao devia estar batendo tambm, mas eu no conseguia
ouvir o barulho da pulsao nos meus ouvidos; minhas mos pareciam azuis de frio. Eu me curvei, abraando minhas costelas pra me manter junta. Eu procurei pela minha
torpncia, minha negao, mas elas tinham me abandonado.
E mesmo assim, eu achava que podia sobreviver. Eu estava alerta, eu sentia a dor - a dor da perda que irradiava do meu peito, mandando ondas de dor pelos meus rgos
e minha cabea - mas era suportvel.
Eu podia sobreviver. Eu no sent que a dor tinha diminudo com o tempo, mas eu tinha ficado forte o suficiente pra suport-la.
O que quer que tenha acontecido essa noite - fossem os zumbs, a adrenalina, ou as alunaes os responsveis - isso me acordou.
Pela primeira vez em muito tempo, eu no sabia o que esperar pela manh.

5. Traidor
"Bella, porque voc no tira uma folga", Mike sugeriu, seus olhos focados pra o lado, sem olhar pra mim de verdade. Eu me perguntei a quanto tempo isso estava acontecendo
sem que eu me desse conta.
O movimento estava lento na Newton's. No momento s haviam dois clientes na loja, pelo tom da conversa eles eram mochileiros dedicados. Mike passou a ltima hora
falando sobre os prs e os contras das mochilas mais leves com eles. Eles haviam tirado uma folga da sua sria conversa sobre preos pra tentar trocarem conversas
sobre os ltimos contos das trilhas. A distrao deles deu a Mike uma chance de escapar.
"Eu no me importo de ficar", eu disse. Eu ainda no tinha conseguido voltar pra a minha concha protetora de entorpecncia, e tudo parecia estranhamente perto e
alto hoje, como se eu tivesse tirado algodo dos meus ouvidos. Eu tentei desligar a risada alta dos mochileiros sem sucesso.
"Eu estou te dizendo", disse o homem atarracado com a barba alaranjada que no combinava com o seu cabelo marrom. "Eu j v ursos pardos bem de perto em Yellowstone,
e eles no tinham nada a ver com essa criatura". O cabelo dele estava emaranhado, e as roupas dele pareciam estar sendo usadas h alguns dias. Fresca como as montanhas.
"Sem chance. Ursos pretos no ficam to grandes. Os pardos que voc viu devem ter sido filhotes". O segundo homem era alto e esguio, o rosto dele era bronzeado e
ele tinha um impressionante chicote de couro.
"Srio, Bella, assim que esses dois desistirem, eu vou fechar o lugar", Mike murmurou.
"Se voc quer que eu v...", eu levantei os ombros.
"Um dos quatro era maior que voc", o barbudo insistiu enquanto eu juntava as minhas coisas. "Grande como uma casa e preto como piche. Eu vou denunciar ao guarda
florestal daqui. As pessoas tm que ser informadas- isso no era no alto da montanha, sabe - isso foi apenas h alguns metros de onde a trilha comeava".
O outro cara riu e revirou os olhos.
"Me deixe adivinhar - voc estava entrando? No comeu comida que preste e dormiu no cho por mais de uma semana, certo?"
"Ei, uh, Mike, certo?", o barbudo chamou, olhando na nossa direo.
"Te vejo segunda", eu murmurei.
"Sim, senhor", Mike respondeu, se virando.
"Diga, houveram avisos recentes por aqui - sobre ursos negros?"
"No, senhor. Mas  sempre melhor manter a distncia e guardar a sua comida apropriadamente. Voc j viu as novas latas  prova de ursos? Elas s pesam dois quilos..."
As portas se abriram pra me deixar sair na chuva. Eu estava espremida por dentro do meu casaco enquanto corria pra o meu carro.
A chuva batendo no meu capuz parecia estranhamente alta tambm, mas o som do ronco do motor era mais alto que qualquer coisa.
Eu no queria voltar para a casa vazia de Charlie. A noite passada havia sido particularmente brutal, e eu no tinha nenhuma inteno de revistar a cena do sofrimento.
Mesmo quando a dor diminuiu o suficiente pra me deixar dormir, ela no foi embora. Como eu disse a Jssica depois do filme, eu no tinha dvidas de que teria pesadelos.
Eu sempre tinha pesadelos agora, toda noite. No pesadelos, na verdade, no no plural, porque era sempre o mesmo pesadelo.
Voc acharia que eu tinha ficado entediado depois de todos esses meses, que havia ficado imune a isso. Mas meus sonhos nunca falhavam em me deixar assustada, e eles
s acabavam quando eu me acordava gritando. Charlie j no vinha mais pra ver o que havia de errado, pra ter certeza de que no havia nenhum estranho me estrangulando
ou algo assim - agora ele j estava acostumado.
Meu pesadelo provavelmente nem assustaria outra pessoa. Nada pulava e gritava "Boo!". No haviam zumbs, ou fantasmas, ou psicopatas. No havia nada, na verdade.
S o nada. S o labirinto sem fim de rvores cobertas de musgos, to quietas que o silncio batia quase insuportavelmente nos meus ouvidos. Estava escuro, como neblina
ou um dia nublado, com luz suficiente apenas pra que eu visse que no havia mais nada l pra ver.
Eu me apressava na escurido sem um caminho, sempre procurando, procurando, procurando, ficando mais frentica enquanto o tempo passava, tentando me mover mais rpido,
apesar da velocidade me deixar mais desajeitada... Ento chegava aquele ponto no sonho - e eu podia sent-lo chegando agora, mas eu no parecia ser capaz de me acordar
antes dele chegar - quando eu no conseguia me lembrar o que eu estava procurando.
Ento eu me dava conta de que no havia nada pra procurar, e nada pra encontrar. Eu me dava conta de que nunca houve nada alm dessa floresta vazia, melanclica,
e nunca houve nada alm disso pra mim... nada alm de nada...
Essa era geralmente a hora que eu me acordava gritando.
Eu no estava prestando ateno de pra onde estava dirigindo - s vagando pelas estradas vazias, molhadas enquanto evitava o caminho que me levaria pra casa - porque
eu no tinha mais pra onde ir.
Eu desejei poder estar entorpecida de novo, mas eu no conseguia me lembrar de como fazia isso antes.
O pesadelo estava cavalgando na minha cabea e me fazendo pensar nas coisas que me causavam dor. Eu no queria me lembrar da floresta. Mesmo quando eu me afastava
das imagens, eu sentia meus olhos se enchendo de lgrimas, e a dor comeava a passar perto do buraco no meu peito. Eu tirei uma mo do volante e usei-a pra agarrar
meu trax e segur-lo em um s pedao.
Ser como se eu nunca tivesse existido. As palavras corriam pela minha cabea, mas faltava nelas a perfeita claridade das alucinaes que eu tive ontem  noite.
Eles eram s palavras, sem som, como uma imagem numa pgina. S palavras, mas elas abriram o buraco no meu peito, e eu pisei bruscamente no freio, sabendo que no
devia dirigir estando incapacitada desse jeito.
Eu me curvei, pressionando meu rosto no volante e tentando respirar sem os pulmes.
Eu me perguntei quanto tempo isso podia durar. Talvez algum dia, anos mais tarde - se a dor diminuisse de forma que eu pudesse aguentar - eu poderia olhar de volta
para aqueles meses que foram os melhores da minha vida. E, se fosse possvel que a dor diminusse aponto de me permitir fazer isso, eu tinha certeza que me sentiria
agradecida pelo tempo que ele me deu. Mais do que eu ped, mais do que eu merecia. Talvez algum dia eu fosse capaz de ver as coisas desse jeito.
Mas e se o buraco nunca ficasse melhor? E se as beiras em carne viva nunca sarassem? E se o dano fosse permanente e irreversvel?
Eu me segurei com fora. Como se ele nunca tivesse existido, eu pensei desesperada.
Que promessa estpida e impossvel pra se fazer! Ele podia roubar minhas fotos e pegar seus presentes de volta, mas isso no fazia as coisas voltarem a ser como
eram antes de eu conhec-lo. A evidncia fsica era a parte mais insigificante de equao. Eu estava mudada, por dentro eu estava mudada ao ponto de ser difcil
me reconhecer.
Mesmo por fora eu parecia diferente - meu rosto plido, exceto com os crculos que os pesadelos haviam deixado embaixo dos meus olhos. Meus olhos estavam escuros
o sufciente na minha pele plida que - se eu fosse linda, vista  distncia - eu podia me passar por uma vampira agora. Mas eu no era linda, e provavelmente estava
mais prxima de um zumb.
Como se ele nunca tivesse existido? Isso era loucura. Era uma promessa que ele nunca poderia manter, uma promessa que j estava quebrada quando ele a fez.
Eu bat minha cabea no volante, tentando me distrair da dor mais aguda.
Isso fez eu me sentir boba por estar lutando pra manter a minha promessa. Havia lgica em tentar manter uma acordo que j havia sido quebrado por um dos lados? Quem
se importava se eu fosse estpida e pouco cuidadosa? No haviam motivos pra evitar a falta de cuidado, no haviam motivos pra eu no ser estpida.
Eu r sem humor pra mim mesma, ainda sufocando por ar.
Sem cuidado em Forks - no havia uma proposta mais sem esperana.
O humor negro me distraiu, e a distrao aliviou a dor. Minha respirao ficou mais fcil, e eu fui capaz de me inclinar no banco.
Apesar de estar frio hoje, minha testa estava molhada de suor.
Eu me concentrei na proposta sem esperana pra evitar escorregar de volta para as memrias dolorosas. No no ser cuidadosa em Forks voc precisaria ter muita criatividade
- talvez mais do que eu tinha. Mas eu desejei poder encontrar algum jeito... Eu podia me sentir melhor se no estivesse segurando apertado, completamente sozinha,
um pacto quebrado. Se eu fosse uma quebradora de pactos tambm. Mas como eu ia trair o meu lado do acordo, aqui nessa cidade tranquila?  claro, Forks no foi sempre
assim to tranquila, mas agora era exatamente o que ela aparentava ser. Era chata, era segura.
Eu olhei pra fora pelo parabrisa por um longo momento, meus pensamentos se movendo lentamente - eu no parecia ser capaz de fazer esse pensamentos irem pra lugar
nenhum. Eu desliguei o motor, que estava roncando de um jeito piedoso depois de ficar parado por tanto tempo, e sa nos chuviscos.
A chuva fria pingava nos meus cabelos e ento fazia ccegas pelas minhas bochechas como lgrimas de gua fresca. Isso ajudou a limpar minha cabea. Eu pisquei pra
tirar a gua dos meus olhos, olhando pra o nada na estrada.
Depois de alguns minutos olhando, eu reconhec onde eu estava. Eu estacionei no meio da Avenida Russel ao norte. Eu estava de p na frente da casa dos Cheney - minha
caminhonete estava bloqueando a entrada para a garagem deles - e do outro lado da rua moravam os Markeses. Eu sabia que precisava tirar a minha caminhonete, e que
eu precisava voltar pra casa. Era errado ficar perambulando do jeito que eu estava, distrada e prejudicada, uma ameaa nas avenidas de Forks. Alm do mais, algum
ia reparar em mim em breve, e me denunciar pra Charlie.
Enquanto eu respirava fundo me preparando pra me mover, uma placa no quintal dos Markeses chamou minha ateno - era s um pedao grande de cartolina encostado na
caixa de correio deles, com letras pretas rabiscadas.
As vezes, o inesperado acontece.
Conhecidncia? Ou ser que era pra ser? Eu no sabia, mas parecia meio bobo pensar que de alguma forma isso estava escrito, que a placa  VENDA, COMO SO escrito
 mo para as delapidades motocicletas no quintal dos Markeses estava l por algum propsito maior, bem al onde eu precisava que elas estivessem.
Ento talvez isso no fosse o inesperado. Talvez houvessem outras maneiras de no ser cuidadosa, e eu apenas no tivesse aberto os olhos pra elas.
Despreocupada e estpida. Aquelas eram as palavras favoritas de Charlie ao se referir  motocicletas.
O trabalho de Charlie no oferecia muita ao considerado aos tiras de cidades maiores, mas ele era chamado em acidentes de trnsito.
Com as longas e molhadas extenses da pista virando e contornando ao redor da floresta, ponto cego depois de ponto cego, no haviam poucos tipos de ao como essa.
Mas mesmo com os enormes barrs colocados nas curvas, a maioria das pessoas saia da pista.
As excesses pra essa regra eram geralmente os motociclistas, e Charlie havia visto muitas vtimas, quase sempre crianas, jogadas na pista.
Ele me fez prometer antes que eu tivesse dez anos que eu nunca aceitaria uma carona numa moto.
Mesmo com essa idade, eu no precisei pensar duas vezes antes de prometer. Quem ia querer andar de moto aqui? Seria como uma banho a sessenta quilmetros por hora.
Tantas promessas que eu cumpri...
Tudo se juntou pra mim nessa hora. Eu queria ser estpida e irresponsvel, e eu queria quebrar promessas. Porque fazer um s?
Foi s at a que eu pensei. Eu caminhei na rua at a porta da frente dos Markeses e toquei a campainha.
Um dos garotos Marks veio abrir a porta, o mais novo, o novato. Eu no conseguia lembrar o nome dele.
O cabelo cor de areia dele s alcanava o meu ombro.
Ele no teve problemas pra lembrar meu nome: "Bella Swan?", ele perguntou surpreso.
"Quanto voc quer pela moto?" eu perguntei, apontando a palca de venda com o meu polegar por cima do ombro.
"Voc t falando srio?", ele quis saber.
" claro que estou".
"Elas no funcionam".
Eu suspirei impacientemente- isso eu j tinha deduzido pela placa.
"Quanto?"
"Se voc realmente quer uma, pode pegar. Minha me fez o meu pai coloc-las l pra que elas fossem recolhidas com o lixo".
Eu olhei para as motos de novo e v que elas estavam numa pilha de sacos no quintal junto com uma pilha de galhos. "Voc tem certeza disso?"
"Claro, voc quer perguntar pra ela?"
Provavelmente fosse melhor no envolver adultos que podiam acabar comentando isso com Charlie.
"No, eu acredito em voc".
"Voc quer que eu te ajude?", ele se ofereceu. "Elas no so leves".
"Tudo bem, obrigada. Mas eu s preciso de uma".
"Pode levar as duas", o garoto disse. "Talvez voc consiga reutilizar algumas partes".
Ele me seguiu no aguaceiro e me ajudou a carregar as duas motos pesadas e coloc-las na traseira da minha caminhonete.
Ele parecia estar ansioso pra se livra delas, ento eu no discut.
"O que voc vai fazer com elas, afinal?" ele perguntou. "Elas no funcionam a anos".
"Eu meio que adivinhei isso", eu disse, levantando os ombros. O meu momento de inspirao no tinha vindo com um plano intacto. "Talvez eu as leve ao Dowling's".
Ele bufou. "Dowling vai cobras pra concert-las mais do que elas valem".
Eu no discut com isso. Jonh Dowling havia ganhado uma reputao por seus preos; ningum ia at ele a no ser que fosse uma emergncia. A maioria das pessoas preferia
dirigir at Port Angeles, se o carro fosse capaz disso. Eu tive sorte nesse aspecto -eu me preocupei quando Charlie me deu minha caminhonete ansi que eu no tivesse
como pagar pra mant-la rodando. Mas eu nunca tive um problema sequer, a no ser o barulho do motor e o limite de cinqenta e cinco por hora.
Jacob Black a manteve em tima forma quando ela pertenceu a seu pai, Billy...
A inspirao bateu como um trovo - o que no deixava de ser razovel, levando em considerao a tempestade. "Quer saber? Est tudo bem. Eu conheo algum que constri
carros".
"Oh. Isso  bom". Ele disse aliviado.
Ele acenou enquanto ia embora, ainda sorrindo. Garoto amigvel.
Eu dirig rpido, e agora com um propsito, na pressa de chegar em casa antes que Charlie tivesse a chance de aparecer, mesmo num evento altamente improvvel de
que ele sasse mais cedo. Eu corr em casa at o telefone, as chaves ainda na mo.
"Chefe Swan, por favor", eu disse quando o encarregado atendeu. "Aqui  Bella".
"Oh, oi, Bella", o encarregado Steve disse amavelmente. "Eu vou cham-lo".
Eu esperei.
"Qual  o problema, Bella?", Charlie quis saber assim que atendeu o telefone.
"Eu no posso ligar sem que haja uma emergncia?"
Ele ficou quieto por um minuto. "Voc nunca fez isso antes. H alguma emergncia?"
"No. Eu s queria saber a direo da casa dos Black - eu no tenho certeza se lembro o caminho. Eu quero visitar Jacob. J fazem meses que eu no o vejo".
Quando Charlie falou de novo, sua voz estava muito mais feliz. "Essa  uma tima idia, Bells. Voc tem uma caneta?"
As direes que ele me deu eram bem simples. Eu o assegurei que estaria de volta para o jantar, apesar de ele me dizer pra que eu no me apressasse. Ele queria se
juntar comigo em La Push, e eu no ia cair nessa.
Ento foi com uma prazo que eu corr rapido demais pelas ruas escurecdas pela tempestade. Eu esperava encontra Jacob sozinho. Billy provavelmente ia me dedurar
se ele soubesse o que eu estava planejando.
Enquanto eu dirigia, eu me preocupei um pouco com a reao de Billy ao me ver. Ele ficaria contente demais. Na cabea de Billy, sem dvida, isso tinha funcionado
muito melhor do que ele teria ousado esperar. Seu prazer e alvio s serviriam pra me lembrar de uma das coisas que eu no suportaria ser lembrada.
Hoje de novo no, eu implorei silenciosamente. Eu j estava desgastada.
A casa dos Black era vagamente familiar, uma pequena casa de madeira com janelas apertadas, a pintura fraca desgastada a deixava parecida com um celeiro. A cabea
de Jacob apareceu na janela antes mesmo que eu pudesse sair da caminhonete. Sem dvida o barulho familiar do motor o havia avisado da minha chegada. Jacob ficou
muito agradecido por Charlie ter comprado a caminhonete de Billy, evitando que Jacob tivesse que dirig-la quando tivesse idade pra isso.
Eu gostava muito da minha caminhonete, mas Jacob parecia considerar os limites de velocidade um empenclho.
Ele me encontrou a meio caminho da casa.
"Bella!", seu sorriso grande e excitado cresceu no seu rosto, seus dentes brilhantes formavam um vvido contraste com a cor ruiva escura da sua pele. Eu nunca tinha
visto o cabelo dele fora do rabo de cavalo antes. Parecia que uma cortina de cetim estava cobrindo os dois lados do rosto largo dele.
Jacob havia alcanado um pouco do seu potencial nesses ltimos oito meses. Ele j havia passado daquela fase em que os msculos suaves da infncia ficam slidos,
naquela estrutura magra dos adolescentes; seus tendes e veias haviam ficado proeminentes embaixo da pele dos seus braos e mos. O rosto dele ainda era doce como
eu me lembrava, apesar dele ter endurecido tambm- as mas do rosto estavam mais altas, sua mandbula ficou quadrada, todos os traos de infncia desapareceram.
"Oi, Jacob!", eu sent uma urgncia de entusiasmo que no era famliar por causa do sorriso dele. Eu me dei conta de que estava feliz por v-lo. Isso me surpreendeu.
Eu sorr de volta, e alguma coisa voltou pro lugar silenciosamente, como duas peas de quebra-cabea que se correspondiam. Eu esquec do quanto gostava de Jacob.
Ele parou a alguns metros de mim, e eu encarei ele surpresa, inclinando minha cabea pra trs apesar da chuva estar molhando meu rosto.
"Voc cresceu de novo!", eu acusei assombrada.
Ele sorriu, o sorriso cresceu impossvelmente. "Um e oitenta e sete", ele anunciou satisfeito. A voz dele estava mais profunda, mas ainda tinha o tom rouco que eu
me lembrava.
"Ser que isso vai parar?" eu balancei minha cabaa sem acreditar.
"Voc est enorme".
"Mas ainda sou um varapau". Ele fez uma careta. "Entra! Voc est ficando toda molhada".
Ele guiou o caminho, enrolando o cabelo nas mos enquanto andava. Ele puxou um elstico do bolso e o colocou no coque.
"Ei, pai" ele chamou enquanto se curvava pra passar pela porta da frente. "Olha que veio parar aqui".
Billy estava na pequena sala quadrada, um livro nas mos. Ele colocou o livro no colo e se empurrou pra frente quando me viu.
"Bem, mas quem diria!  bom te ver, Bella".
Ns balanamos as mos. A minha ficou perdida na mo grande dele.
"O que te trs aqui? Est tudo bem com Charlie?"
"Sim, absolutamente. Eu s queria ver Jacob- faz uma eternidade que eu no o via".
Os olhos de Jacob brilharam com as minhas palavras. O sorriso dele era to grande que parecia estar machucando as bochechas dele.
"Voc pode ficar pro jantar?", Billy estava ansioso tambm.
"No, eu tenho que alimentar Charlie, sabe".
"Eu ligo pra ele agora", Billy sugeriu. "Ele sempre  bem vindo".
Eu r pra esconder meu desconforto. "No  como se voc nunca mais fosse me ver. Eu prometo que voltarei em breve - tanto que voc vai se cansar de mim". Afinal,
se Jacob fosse concertar as motos, algum ia ter que me ensinar a gui-las.
Billy gargalhou em resposta. "Ok, talvez da prxima vez".
"Ento, Bella, o que voc quer fazer?", Jacob perguntou.
"Qualquer coisa. O que era que voc estava fazendo antes da minha interrupo?", eu estava estranhamente confortvel aqui. Era familiar, mas s distantemente. Aqui
no haviam lembranas dolorosas de um passado recente.
Jacob hesitou. "Eu ia comear a trabalhar no meu carro, mas ns podemos fazer outra coisa..."
"No, isso  perfeito!", eu interromp. "Eu adoraria ver o seu carro".
"Ok", ele disse no convencido. "Est l atrs, na garagem".
Melhor ainda, eu pensei comigo mesma. Eu acenei pra Billy.
"A gente se v mais tarde".
Um monte de rvores grossas e moitas escondiam a sua garagem. A garagem no era mais do que dois abrigos pr-formados que foram colocados no seu interior com as
paredes viradas pra fora.
Embaixo desse abrigo, em cima de blocos, estava o que pareciam com um carro completo. Eu reconhec o smbolo na grade, pelo menos.
"Que tipo de Volkswagen  esse?", eu perguntei.
" um velho Rabbit - 1986, um classico".
"Como est indo?"
"Quase terminado", ele disse alegremente. E ento sua voz caiu num tom mais baixo. "Meu pai cumpriu sua promessa na primavera passada".
"Ah", eu disse.
Ele pareceu entender minha relutncia em falar sobre o assunto. Eu tentei no me lembrar de Maio passado, no baile. Jacob foi comprado pelo dinheiro do pai e partes
do carro pra ir l e me entregar uma mensagem. Billy queria que eu mantivesse uma distncia segura da pessoa mais importante da minha vida. Acabou que a preocupao
dele foi, no fim, desnecessria. Eu estava muito segura agora.
Mas eu ia ver o que podia fazer pra mudar isso.
"Jacob, o que voc sabe sobre motos?", eu perguntei.
Ele levantou os ombros. "Um pouco. Meu amigo Embry tem uma moto suja. Ns trabalhamos nela juntos s vezes. Porque?"
"Bem...", eu torc os lbios enquanto considerava. Eu no tinha certeza de que ele conseguiria manter a boca fechada, mas eu no tinha muitas outras opes. "Eu
recentemente adquir duas motos, e elas no esto em timas condies. Eu estava imaginando se voc podia faz-las andar".
"Legal". Ele pareceu realmente feliz com o desafio.
O rosto dele brilhou. "Eu vou tentar".
Eu levantei um dedo num aviso. "O problema ", eu expliquei. "Charlie no aprova motos. Honestamente, uma veia na testa dele provavelmente estouraria se ele soubesse
disso. Ento voc no pode contar pra Billy".
"Claro, claro". Jacob sorriu. "Eu entendo".
"Eu vou te pagar", eu continuei.
Isso o ofendeu. "No. Eu quero ajudar. Voc no pode me pagar".
"Bem... que tal um acordo ento?" eu estava pensando nisso enquanto falava, mas me pareceu razovel o suficiente. "Eu s preciso de uma moto - eu eu vou precisar
de aulas tambm. Ento, que tal isso? Eu vou te dar a outra moto, e ento voc pode me ensinar".
"Legaaaaal". Ele fez a palavra parecer maior.
"Espere um segundo- voc j est legalizado? Quando  o seu aniversrio?"
"Voc perdeu", ele zombou, estreitando os olhos com falso ressentimento. "Eu j tenho dezesseis".
"No que a sua idade tenha te impedido antes", eu murmurei. "Eu lamento pelo seu aniversrio".
"No se preocupe com isso. Eu perd o seu. Quantos voc tem, quarenta?"
Eu inalei. "Quase".
"Ns vamos fazer uma festa pra acertar as coisas".
"Parece um encontro".
Os olhos dele brilharam com a palavra.
Eu precisava controlar o entusiasmo antes de passar a idia errada-  s que j havia muito tempo que eu no me sentia to leve e animada. A raridade do sentimento
o deixava ainda mais difcil de controlar.
"Talvez quando as motos estiverem prontas - nossos presentes pra ns mesmo", eu acrescentei.
"Fechado. Quando  que voc vai traz-las?"
Eu mord meu lbio, envergonhada. "Elas esto na caminhonete agora", eu admit.
"timo", ele pareceu ser sincero.
"Billy vai ver se as troxermos pra c?"
Ele piscou pra mim. "Seremos rapidinhos".
Ns samos pelo leste, nos escondendo entre as rvores quando estavamos na vista das janelas, fingindo no estarmos fazendo nada, s na dvida.
Jacob tirou as motos rapidamente do fundo da caminhonete, levando elas pra escond-las onde eu estava entre os arbustos. Pareceu fcil demais pra ele - eu me lembrava
das motos sendo muito, muito mais pesadas que isso.
"Elas no esto muito ruins", Jacob observou enquanto ns as empurrvamos nos esconderijos entre as rvores. "Essa daqui na verdade at vai valer alguma coisa quando
estiver pronta -  uma velha Harley Sprint".
"Essa  sua ento".
"Tem certeza?"
"Absoluta".
"Porm, elas vo gastar um pouco de dinheiro", ele disse, fazendo uma carranca olhando pra o metal preto. "Ns vamos ter que juntar dinheiro para as peas antes".
"Ns nada", eu discordei. "Se voc vai fazer isso de graa, eu pago pelas peas".
"Eu no sei..." ele murmurou.
"Eu tenho algum dinheiro guardado. Fundo pra faculdade, sabe".
Faculdade, bobagem, eu pensei comigo mesma. No era como se eu tivesse economizado o suficiente pra ir pra algum lugar especial- e alm do mais, eu no tinha nenhuma
vontade de deixar Forks, do mesmo jeito. Que diferena faria se eu mexesse um pouco no dinheiro.
Jacob s balanou a cabea. Tudo isso fazia sentido perfeitamente pra ele.
Enquanto ns nos esgueirvamos de volta para a garagem, eu contemplei minha sorte. S um garoto adolescente concordaria com isso: enganar nossos pais pra concertar
veculos perigosos usando o dinheiro que vinha da minha faculdade. Ele no perecia ver nada de errado nisso.
Jacob era um presente dos deuses.

6. Amigos
As motos no precisaram ser arrastadas pra mais longe do que a garagem. A cadeira de rodas de Billy no podia passar pela terra desigual que a separava da casa.
Jacob comeou a separar a primeira moto - a vermelha, que era destinada a mim - em pedaos imediatamente. Ele abriu o porta do passageiro do Rabbit pra que eu pudesse
me sentar no banco ao invs de me sentar no cho. Enquanto ele trabalhava, Jacob conversava alegremente, precisando apenas do menor incentivo meu pra manter a conversa
rolando. Ele me falou dos seus progressos no segundo ano da escola, falando das aulas e dos seus dois melhores amigos.
"Quil e Embry?", eu interrompi. "Esses so nomes incomuns".
Jacob gargalhou. "Quil  um apelido, e eu acho que Embry ganhou o nome por causa de uma pera. Contudo, eu no posso falar nada. Eles jogam sujo se voc falar dos
nomes deles - eles comeam a apelidar voc".
"Bons amigos", eu ergu uma sobrancelha.
"No, eles so. S no mexa com os nomes deles".
Bem nessa hora um chamado ecoou na distncia. "Jacob?", algum gritou.
" Billy?" eu perguntei.
"No", Jacob abaixou a cabea, e parecia que ele estava corando em baixo da pele marrom. "Fale no diabo", ele murmurou. "Que ele aparece".
"Jake? Voc t a?" A voz que gritava estava mais prxima agora.
"!", Jacob gritou de volta, e suspirou.
Ns esperamos no silncio at que dois garotos altos, de peles escuras, viraram na esquina vindo pra garagem.
Um era mais esguio, e quase to alto quanto Jacob. O cabelo preto dele ficava na altura do queixo e era partido no meio, um lado enfiado atrs da orelha esquerda
enquanto o lado direito ficava livre.
O garoto mais baixo era mais forte. A camiseta branca ficava estirada no seu peito bem estruturado, e ele parecia consciente desse fato. O cabelo dele era to curto
que era quase careca.
Os garotos pararam na hora quando me viram. O garoto magro olhou rapidamente pra frente e pra trs entre Jacob e eu, enquanto o garoto musculoso mantinha os olhos
s em mim, um breve sorriso aparecendo no rosto dele.
"Ei, rapazes", Jacob os cumprimentou sem vontade.
"Ei, Jake", o mais baixo falou sem tirar os olhos de mim. Eu tive que sorrir em resposta, j que o sorriso dele era to travesso. "Oi, gente".
"Quil, Embry - essa  minha amiga, Bella".
Quil e Embry, eu ainda no sabia qual era qual, trocaram um olhar significante.
"A filha de Charlie, certo?", o garoto musculoso me perguntou, levantando a mo.
"Isso mesmo", eu confirmei, balanando a mo com ele. O aperto dele era firme; parecia que ele estava flexionando os bceps.
"Eu sou Quil Ateara", ele anunciou largamente antes de soltar minha mo.
"Prazer em conhec-lo, Quil".
"Oi, Bella. Eu sou Embry, Embry Call - porm, voc provavelmente j adivinhou isso". Embry deu um sorriso tmido e acenou com uma mo, que depois ele enfiou no bolso.
Eu balancei a cabea. "Prazer em te conhecer tambm".
"Ento o que vocs esto fazendo?" Quil perguntou, ainda olhando pra mim.
"Bella e eu vamos concertar essas motos", Jacob explicou impacientemente. Mas motos pareciam ser uma palavra mgica. Os garotos foram examinar o projeto de Jacob,
enchendo ele com perguntas educadas. Muitas das palavras no eram familiares pra mim, e eu entendi que precisaria ter um cromossomo Y pra realmente entender a excitao.
Eles ainda estavam envolvidos na conversa sobre as peas e partes quando eu decidi que estava na hora de ir pra casa antes que Charlie resolvesse aparecer por aqui.
Com um suspiro, eu escorreguei pra fora do Rabbit.
Jacob olhou pra cima, se lamentando. "Ns estamos te aborrecendo, no estamos?"
"No", e no era mentira. Eu estava me divertindo - que estranho. " s que eu tenho que cozinhar o jantar pra Charlie".
"Oh... bem, eu vou terminar de mont-las hoje  noite e ver do que mais precisamos pra comear a reconstru-las. Quando  que voc quer trabalhar nelas de novo?"
"Eu posso voltar amanh?" Domingos eram a runa da minha existncia. Nunca havia dever de casa suficiente pra me manter ocupada.
Quil cutucou o brao de Embry e eles trocaram sorrisos.
Jacob sorriu deliciado. "Isso seria timo!"
"Se voc fizer uma lista, ns podemos ir comprar as partes", eu sugeri.
O rosto de Jacob caiu um pouco. "Eu ainda no tenho certeza se devo deixar voc pagar por tudo sozinha".
Eu balancei a cabea. "Sem essa. Eu vou bancar essa festa. Voc s tem que entrar com o trabalho e com a habilidade".
Embry revirou os olhos pra Quil.
"Isso no parece certo", Jacob balanou a cabea.
"Jake, se eu levasse elas a um mecnico, quanto ele me cobraria?", eu apontei.
Ele sorriu. "Ok, voc tem um trato".
"Sem mencionar as aulas de direo", eu acrescentei.
O sorriso de cresceu quando Embry falou alguma coisa que eu no consegui entender. A mo de Jacob voou pra bater na parte de trs da cabea de Quil. " isso, se
mandem", ele murmurou.
"No, srio, eu tenho que ir", eu protestei indo pra porta. "A gente se v amanh, Jacob".
Assim que eu estava fora de vista, eu ouvi Quil e Embry em coro. "Wooooo!"
O som de uma breve briga se seguiu, interceptadas por um "ouch" e um "Ei!".
"Se algum de vocs pisar um dedo na minha terra amanh...", eu ouvi Jacob ameaar. A voz dele se perdeu quando eu entrei nas rvores.
Eu gargalhei baixinho. O som fez os meus olhos se esbugalharem de dvida. Eu estava sorrindo, sorrindo mesmo, e no havia ningum olhando.
Eu me senti to leve que quase ri de novo, s pra fazer a sensao se prolongar.
Eu cheguei em casa antes de Charlie. Quando ele chegou eu estava acabando de tirar o frango frito da frigideira e colocando-o em uma pilha de papel-toalha.
"Oi, pai", eu sorri pra ele.
O choque flutuou pelo rosto dele antes que ele pudesse recompor sua expresso. "Oi, querida", ele disse com a voz incerta. "Voc se divertiu com Jacob?"
Eu comecei a levar a comida para a mesa. "Sim , me diverti".
"Bem, isso  bom". Ele ainda estava cuidadoso. "O que vocs dois fizeram?"
Agora era a minha vez de ser cuidadosa. "Eu fiquei na garagem dele e olhei ele trabalhar. Voc sabia que ele est reconstruindo um Volkswagen?"
", eu acho que Billy mencionou isso".
O interrogatrio teve que parar quando Charlie comeou a mastigar, mas ele continuou estudando meu rosto enquanto comia.
Depois do jantas, eu fiquei vadiando, limpando a cozinha duas vezes, e ento fiz meu dever de casa na sala da frente enquanto Charlie assistia um jogo de hquei.
Eu esperei o mximo que pude, mas finalmente Charlie mencionou que estava tarde. Quando eu no respondi, ele se levantou, se espreguiou, e depois foi embora, desligando
a luz atrs dele. Relutantemente, eu o segui.
Enquanto eu subia as escadas, eu senti o ltimo senso anormal de bem estar da tarde saindo do meu sistema, sendo substitudo pelo medo bobo do pensamento do que
eu teria que viver a partir de agora.
Eu no estava mais entorpecida. Hoje seria, sem dvida, to horrvel quanto na noite passada. Eu deitei na cama e me curvei numa bola me preparando para a dor. Eu
apertei meus olhos e... a prxima coisa que eu sabia, j era de manh.
Eu olhei para a plida luz prateada entrando pela minha janela, atordoada.
Pela primeira vez em mais de quatro meses, eu tinha dormido sem sonhar. Sonhar ou gritar. Eu no sabia dizer que emoo era mais forte - o alvio ou o choque.
Eu fiquei parada na minha cama por alguns minutos, esperando que as coisas voltassem. Porque alguma coisa devia estar vindo. Se no a dor, ento a entorpecncia.
Eu esperei, mas nada aconteceu. Eu me sentia mais descansada do que j havia estado em muito tempo.
Eu no acreditava que isso fosse durar. Era s uma borda escorregadia, precria, na qual eu me equilibrava. S olhar pra o meu quarto com esse olhos repentinamente
claros - percebendo o quanto ele parecia estranho, arrumado demais, como se eu nem vivesse aqui - j era perigoso.
Eu empurrei esses pensamentos da minha mente, e me concentrei, enquanto me vestia, no fato de que ia ver Jacob de novo hoje. Esse pensamento fez eu me sentir quase...
esperanosa. Talvez fosse como ontem. Talvez eu no tivesse que me lembrar de parecer interessada e de balanar a cabea ou sorrir nos intervalos apropriados, do
jeito que eu fazia com as outras pessoas. Talvez... mas eu no podia confiar que isso fosse durar, tambm. Eu no confiaria que seria o mesmo - to fcil - quanto
ontem. Eu no ia me dispor  decepo desse jeito.
No caf da manh, Charlie estava sendo cuidadoso tambm. Ele tentou esconder sua curiosidade, mantendo seus olhos nos ovos at quando ele achava que eu no estava
olhando.
"O que voc vai fazer hoje?" ele perguntou, olhando para um fio solto no punho da camisa dele, como se ele no estivesse prestando ateno na minha resposta.
"Eu vou ficar com Jacob de novo".
Ele balanou a cabea sem olhar pra cima. "Oh", ele disse.
"Voc se importa?", eu fingi me importar. "Eu posso ficar..."
Ele olhou pra cima rapidamente, uma pontada de pnico nos olhos dele.
"No, no! V em frente. Harry estava vindo pra assistir o jogo comigo mesmo".
"Talvez Harry pudesse dar a Billy uma carona pra c", eu sugeri. Quanto menos testemunhas, melhor.
"Essa  uma tima idia".
Eu no tinha certeza se o jogo era s uma desculpa pra expulsar, mas agora ele parecia ansioso o suficiente.
Ele foi at o telefone enquanto eu abotoava o meu casaco de chuva. Eu me senti intimidada com o talo de cheques enfiado no bolso da jaqueta. Era uma coisa que eu
nunca usava.
Do lado de fora, a chuva corria como se fosse gua jogada de um balde. Eu tive que dirigir mais devagar do que queria; eu mal podia ver o formato de um carro na
frente da caminhonete. Mas eu finalmente consegui chegar nas terras lamacentas da casa de Jacob.
Antes que eu desligasse o motor, a porta da frete se abriu e Jacob saiu correndo com um enorme guarda chuva preto.
Ele o segurou em cima da minha porta enquanto eu a abria.
"Charlie ligou - ele disse que voc j estava vindo", Jacob explicou com um sorriso.
Sem esforo, sem uma ordem consciente para os msculos dos meus lbios, o meu sorriso de resposta apareceu no meu rosto. Um estranho sentimento de calor borbulhou
na minha garganta, apesar da chuva gelada que pingava nas minhas bochechas.
"Oi, Jacob".
"Boa idia de convidar Billy", ele levantou a mo para nos cumprimentarmos.
Eu tive que me contorcer to alto pra bater na mo dele que ele sorriu.
Harry apareceu pra pegar Billy alguns minutos depois. Jacob me levou num breve tour at seu pequeno quarto enquanto espervamos pra no sermos supervisados.
"Ento pra onde vamos, Sr. Bom mecnico?" eu perguntei assim que ele fechou a porta atrs de Billy.
Jacob puxou um papel dobrado que estava no bolso dele e o alisou. "Ns vamos comear num ferro velho primeiro, pra ver se temos sorte. Isso pode ficar uma pouco
caro", ele me avisou. "Aquelas motos vo precisar de muita ajuda antes de poderem andar de novo". Meu rosto no pareceu preocupado o suficiente, ento ele continuou.
"Eu estou falando talvez de mais de cem dlares aqui".
Eu puxei meu talo de cheques, me abanei com ele, e revirei meus olhos pelas preocupaes dele. "Ns estamos cobertos".
Aquele foi um dia estranho. Eu me diverti. Mesmo no ferro velho, com a lama da chuva me prendendo at os calcanhares. Eu me perguntei se isso era s uma espcie
de fase ps-entorpecncia, mas eu no achava que essa era uma explicao boa o suficiente.
Eu estava comeando a achar que era Jacob. No era s porque ele sempre parecia to feliz em me ver, ou que ele no ficava me vigiando pelo canto dos olhos, esperando
que eu fizesse alguma coisa que me provasse louca ou deprimida. No era absolutamente nada que me envolvia.
Era o prprio Jacob. Jacob era simplesmente uma pessoa perpetuamente feliz, e ele carregava aquela felicidade dele como uma aura, dividindo ela com quem quer que
estivesse com ele.
Como o sol que abraava a terra, quando quer que uma pessoa estava perto de sua rbita gravitacional, Jacob os acalentava.
Era natural, uma parte de quem ele era. No era de estranhar que eu estava to ansiosa pra v-lo.
Mesmo quando ele comentou sobre o buraco vazio no meu painl, isso no pareceu me enviar a onda de pnico que devia.
"O som quebrou?", ele perguntou.
"", eu menti.
Ele apalpou ao redor da cavidade. "Quem foi que o arrancou? Aqui tem um monte de estragos...".
"Fui eu", eu admiti.
Ele riu. "Talvez voc no devesse mexer muito nas motos".
"Sem problema".
De acordo com Jacob, ns tivemos sorte no ferro velho.
Ele ficou muito excitado com algumas peas pretas com graxa feitas de metal retorcido que ele encontrou; eu s estava impressionada que ele sabia pra que elas serviam.
De l, ns fomos para a Checker Auto Partes em Hoquiam. Na minha caminhonete, levamos mais de duas horas na estrada da sul, mas o tempo passava facilmente com Jacob.
Ele tagarelava sobre seus amigos e sua escola, e eu me peguei fazendo perguntas, sem precisar fingir, realmente curiosa pra ouvir o que ele tinha a dizer.
"Eu estou falando sozinho", ele reclamou depois de contar uma longa histria sobre os problemas que Quil teve chamando uma garota mais velha pra sair. "Porque no
mudamos isso? O que t havendo em Forks? Tem que ser mais excitante do que em La Push".
"Errado", eu suspirei. "No tem nada de verdade. Os seus amigos so muito mais interessantes que os meus. Eu gosto dos seus amigos. Quil  engraado".
Ele fez uma carranca. "Eu acho que ele gosta de voc tambm"
Eu sorri. "Ele  um pouco novo demais pra mim".
A carranca de Jacob se aprofundou mais ainda. "Ele no  assim to mais novo do que voc.  s um ano e alguns meses."
Eu tinha uma sensao de que no estvamos mais falando de Quil. Eu mantive minha voz leve, zombeteira. "Claro, mas considerando a diferena de maturidade entre
rapazes e garotas, n~so temos que contar como a idade dos cachorros? O que isso me torna, uns doze anos mais velha?"
Ele sorriu, revirando os olhos. ""Ok, mas se vamos comear a ser seletivos assim, voc tem que contar o seu tamanho tambm. Voc  to pequena que teria que descontar
uns dez anos do seu total".
"Um metro e sessenta  perfeitamente normal", eu funguei. "No  culpa minha que voc  anormal".
Ns discutimos assim at chegarmos em Hoquiam, ainda falando sobre a frmula perfeita pra determinar a idade - eu perd mais dois anos porque no sabia trocar um
pneu, mas ganhei um de volta porque eu era a encarregada de organizar os livros da minha casa - at que chegamos em Checker, e Jacob teve que se concentrar de novo.
Ns encontramos tudo o que faltava na lista dele, e Jacob saiu muito confiante se que havamos feito um grande progresso na nossa aventura.
Quando ns chegamos em La Push, eu estava com vinte e dois anos e ele estava com trinta - ele definitivamente estava colocando a balana a favor das habilidades
dele.
Eu no havia esquecido a razo para o que eu estava fazendo. E mesmo assim, eu estava me divertindo mais do que havia julgado possvel, no houve diminuio no meu
real desejo.
Eu ainda queria trair o acordo. Era sem sentido, e eu no me importava.
Eu queria ser to pouco cuidadosa quanto fosse possvel ser em Forks. Eu no seria a nica a manter um contrato vazio. Passar o tempo com Jacob me ajudou na recuperao
muito mais do que imaginava.
Billy ainda no havia voltado, ento no tivemos de ser cuidadosos quando descarregamos nossas compras do dia. Assim que ns depositamos tudo no cho de plstico
perto da caixa de ferramentas de Jacob, ele foi direto ao trabalho, ainda falando e sorrindo enquanto seus dedos passavam sabiamente entre as peas de metal na frente
dele.
A habilidade de Jacob com as mos era impressionante. Elas pareciam grandes demais para tarefas delicadas nas quais trabalhavam com facilidade e preciso. Enquanto
trabalhava, ele quase parecia gracioso. Diferente de quando ele estava de p; al, o peso e as mos dele o faziam to perigoso quanto eu era.
Quil e Embry no apareceram, ento talvez a ameaa de ontem tenha sido levada a srio.
O dia passou rpido demais. Ficou escuro do lado de fora da garagem mais rpido do que eu esperava, e ento eu ouvi Billy chamando por ns.
Eu me levantei pra ajudar Jacob a guardar as coisas dele, hesitando porque eu no sabia o que devia tocar.
"Deixa a", ele disse. "Eu trabalhar nisso mais tarde".
"No esquea os seus trabalhos da escola ou alguma coisa assim", eu disse, me sentindo um pouco culpada. Eu no queria que ele tivesse problemas. Esse plano era
s pra mim.
"Bella?"
Nossas duas cabeas se levantaram quando a voz familiar de Charlie soou por entre as rvores, parecendo mais prxima do que a casa.
"Droga", eu murmurei. "J vou!", eu gritei na direo da casa.
"Vamos l", Jacob sorriu, gostando de estar entre a cruz e a espada. Ele desligou a luz, e por um momento eu fiquei cega. Jacob agarrou minha mo e me guiou pra
fora da garagem e entre as rvores, seus ps encontrando o caminho familiar na trilha facilmente.
A mo dele era dura, e muito quente.
Apesar da trilha, ns dois estvamos tropeando nos nossos ps na escurido. Ento ns dois estvamos rindo quando comeamos a ver a casa. As risadas no eram muito
profundas; eram leves e superficiais, mas ainda era legal. Eu no estava acostumada a sorrir, e isso pareceu certo e tambm muito errado ao mesmo tempo.
Charlie estava de p na varanda de trs, e Billy estava sentado na entrada da porta atrs deles.
"Oi, pai", ns dois dissemos ao mesmo tempo, e isso fez ns dois comearmos a rir de novo.
Os olhos de Charlie se arregalaram e voaram pra ver a mo de Jacob segurando a minha.
"Billy nos convidou pra o jantar", ele disse com uma voz de quem estava com a mente ausente.
"Minha receita super secreta de spaghetti. Passada por geraes". Billy disse com uma voz grave.
Jacob bufou. "Eu no acho que Ragu esteve por aqui por tanto tempo".
A casa estava lotada. Harry Clearwater estava l tambm, com sua famlia - sua esposa, Sue, da qual eu me lembrava vagamente da minha infncia nos veres em Forks,
e os dois filhos dele. Leah estava no ltimo ano como eu, mas era um ano mais velha. Ela era linda de um jeito extico - pele perfeita cor de cobre, cabelo preto
brilhante, clios que pareciam plumas - e preocupada.
Ela estava no telefone de Billy quando ns entramos, e ela nunca o soltou. Seth tinha quatorze; ele captava cada palavra de Jacob olhando pra ele como se fosse um
dolo.
Ns estvamos num nmero grande demais pra mesa da cozinha, ento Charlie e Harry trouxeram cadeiras para o quintal, e ns comemos spaghetti em pratos que colocamos
no colo, com a luz fraca que vinha da porta aberta da casa de Billy.
Os homens falavam sobre o jogo, e Harry e Charlie faziam planos pra ir pescar. Sue zombou com o marido sobre o colesterol dele e tentou, sem sucesso, faz-lo se
envergonhar e comer folhas verdes. Jacob falou em grande maioria comigo e Seth, que nos interrompia ansiosamente quando Jacob demonstrava algum sinal de que estava
prestes a esquec-lo. Charlie me espionava, tentando ser sutil, com olhos agradados, mas cautelosos.
ficava alto e as vezes conguso quando todo mundo tentava falar ao mesmo tempo com todo mundo, e as risadas de uma piada interrompiam outra. Eu no tinha que falar
com frequncia, mas eu sorr muito, e s porque eu queria.
Eu no queria ir embora.
Porm, isso era Washington, e a inevitvel chuva acabou encerrando nossa festa; a sala de estar de Billy era pequena demais pra ser uma opo para a nossa reunio.
Harry tinha trazido Charlie, ento ns dois voltamos pra casa juntos na minha caminhonete. Ele me perguntou sobre o meu dia, e eu contei a verdade em grande parte
- que eu havia ido comprar partes com Jacob e que havia ficado olhando ele trabalhar na sua garagem.
"Voc acha que vai visit-los em breve?", ele perguntou, tentando parecer casual.
"Amanh depois da escola", eu admit. "Eu vou levar o dever de casa, no se preocupe".
"Faa isso", ele ordenou, tentando esconder sua satisfao.
Eu estava nervosa quando ns chegamos em casa. Eu no queria ir l pra cima. A presena clida de Jacob estava desaparecendo, e em sua ausncia, a ansiedade ficava
mais forte.
Eu no tinha certeza de que conseguiria ter duas noites de sono tranquilo seguidas.
Pra atrasar a hora de dormir, eu chequei meus E-mail; havia uma nova mensagem de Rene.
Ela escrevia sobre o dia dela, um novo clube dos livros que abusava nas horas de meditao e ela largou, a sua semana substituindo uma professora da segunda srie
e sentindo falta do jardim de infncia.
Ela escreveu que Phil estava gostando do seu novo trabalho de tcnico, e que eles estavam planejando uma segunda lua de mel pra o Disney World.
E eu perceb que a coisa toda parecia mais um dirio do que uma carta pra outra pessoa. O remorso passou por mim, me deixando uma pontada de desconforto. Que filha
que eu era.
Eu escrev de volta pra ela rapidamente, comentando cada parte da carta dela, e volunatariando informaes sobre mim mesma- o spaghetti na casa de Billy e como eu
me sentia observando Jacob construir coisas teis s usando pequenos pedaos de metal - impressionada e invejosa. Eu no fiz nenhuma referencia que mudassse essa
carta das outras que eu havia mandado antes nos ltimos meses.
Eu mal podia me lembrar o que havia escrito pra ela, mesmo nas semanas mais recentes como a da semana passada, mas eu tinha certeza de que elas no eram muito compreensvas.
Quanto mais eu pensava nisso, mais culpada eu me sentia; eu realmente devo t-la deixado muito preocupada.
Eu fiquei acordada at muito mais tarde depois disso, terminando mais deveres de casa do que eram estritamente necessrios. Mas nem com a falta de sono ou as horas
que passava com Jacob - sendo quase feliz num jeito superfcial - eu conseguia sonhar em dormir bem duas noites seguidas.
Eu acordei tremendo, meus gritos abafados pelo travesseiro.
Enquanto a fraca luz se filtrava pela fraca nvoa do lada de fora da minha janela, eu ainda fiquei deitada na minha cama tentando esquecer o sonho. Houve uma pequena
diferena na noite passada, e eu me concentrei nisso.
Na noite passada eu no estava sozinha na floresta. Sam Uley - o homem que me tirou da floresta naquela noite na qual eu no conseguia pensar quando estava consciente
- estava l. Foi uma alterao estranha, inesperada.
Os olhos escuros do homem foram estranhamente no amigveis, cheios com algum segredo que ele no parecia a fim de compartilhar.
Eu observei ele com a frequencia que a minha busca frentica me permitiu olhar; me deixou desconfortvel, mesmo com o pnico de praxe, ter ele l.
Talvez fosse por isso que, quando eu no olhava diretamente pra ele, a figura dele parecia tremer e mudar na minha viso perifrica. Mesmo assim, ele no fazia nada
a no ser ficar l e observar. Diferente da vez em que nos encontramos de verdade, dessa vez ele no me ofereceu ajuda.
Charlie ficou me incarando durante o caf da manh, eu tentei ignor-lo. Eu acho que eu merecia isso. Eu no podia esperar que ele no se preocupasse. Provavelmente
se passaram semanas at que ele parasse de esperar que o zumb voltasse, e eu simplesmente ia ter que tentar no me aborrecer. Dois dias no seriam o suficiente
pra me declarar curada.
Na escola foi o oposto. Agora que eu estava prestando ateno, era claro que ningum estava prestando ateno em mim.
Eu me lembrei do primeiro dia em que cheguei  Forks High School - como eu esperei desesperadamente que eu pudesse ficar cinza, me esconder entre o concreto da calada,
como um camaleo tamanho familia. Parecia que eu estava conseguindo o que eu queria, um ano depois.
Era como se eu nem estivesse aqui. Mesmo os olhos dos meus professores passavam pela minha cadeira como se ela estivesse vazia.
Eu escutei a manh inteira, ouvindo novamente as vozes das pessoas ao meu redor. Eu tentei entender o que estava acontecendo, mas as conversas eram to bagunadas
que eu desist.
Jssica no olhou pra cima quando eu me sentei ao lado dela na aula de Clculo.
"Ei, Jess", eu disse num tom educado. "Como foi o resto do seu fim de semana?"
Ela olhou pra mim com olhos suspeitos. Ser possivel que ela ainda estivesse com raiva? Ou ela estva s impaciente por ter que lidar com uma pessoa louca?
"Super", ela disse, se virando de volta pro seu livro.
"Isso  bom", eu murmurei.
A figura de expresso ombro frio parecia ter um sentido literal. Eu podia sentir o ar quente vindo das tubulaes, mas eu ainda estava com muito frio. Eu tirei o
meu casaco de cima da cadeira e vest de novo.
Minha quarta aula acabou atrasada, e a mesa do almoo onde eu sempre me sentava estava cheia na hora que eu cheguei.
Mike estava l, Jssica e Angela, Conner, Tyler, Eric e Lauren.
Katie Marshall, a ruiva novata que morava na esquina da minha casa, estava sentada com Eric, e Austin Marks - o irmo mais velho do garoto das motos - estava do
lado dela. Eu me perguntei por quanto tempo eles estariam sentando l, incapaz de me lembrar se essa era a primeira vez ou uma espcie de hbito regular.
Eu estava comeando a ficar brava comigo mesma. Eu devo ter sido empacotada com os amendoins para exportao no semestre passado.
Ningum olhou pra cima quando eu me sentei ao lado de Mike, mesmo a cadeira tendo rangido de forma estranha no cho quando eu a puxei.
Eu tentei me informar na conversa.
Mike e Conner estavam falando de esportes, ento eu desist deles na hora.
"Onde est Ben hoje?", Lauren estava perguntando a Angela. Eu comecei a ouvir, interessada. Eu me perguntei se isso significava que Angela e Ben ainda estavam juntos.
Eu mal reconhec Lauren. Ela cortou todo o seu cabelo louro cor de milho - agora ela usava o cabelo to curto que o seu cabelo estava raspado atrs como o de um
garoto. Que coisa estranha pra ela fazer.
Eu queria poder saber a razo por trs disso. Ser que as pessoas com as quais ela era desagradvel pegaram ela atrs do ginsio e a escalpelaram? Eu decid que
no era justo julg-la agora pela minha opinio antiga. Pelo que eu sabia, ela podia ter se tornado uma pessoa legal.
"Ben est doente" Angela disse com a sua voz baixa, quieta. "Espera-se que seja s uma coisa que vinte e quatro horas. Ele estava muito mal ontem  noite".
Angela tinha mudado o cabelo tambm. Ela o estirou em camadas.
"O que vocs dois fizeram esse fim de semana?" Jssica perguntou,mas no parecia que ela se importava com a resposta. Eu apostava que aquilo era s uma brecha pra
que ela pudesse contar as suas prprias histrias. Eu me perguntei se ela ia contar sobre ns em Port Angeles comigo sentada a duas cadeiras de distncia. Eu era
to invisvel, que as pessoas falavam sobre mim mesmo eu estando aqui?
"Na verdade, ns amos fazer um piquenique no Sbado, mas... mudamos de idia", Angela disse. Havia um tom estranho na voz dela que me chamou a atenao.
Mas no muito a de Jess. "Que pena", ela disse, prestes a comear a sua histria. Mas eu no era a nica prestando ateno.
"O que aconteceu?", Lauren perguntou curiosamente.
"Bem", Angela disse, parecendo mais hesitante que de costume, apesar dela ser sempre reservada. "Ns fomos dirigindo pro norte - h um lugar legal l s a um quilmetro
da trilha. Mas quando estvamos a meio caminho de l... ns vimos uma coisa."
"Viram alguma coisa? O que?" As sobrancelhas plidas de Lauren estavam grudadas. At Jess parecia estar prestando ateno agora.
"Eu no sei", Angela disse. "Ns achamos que era um urso.
De qualquer jeito, ele era preto, mas pareceu... grande demais".
Lauren bufou. "Oh, no voc tambm!" Os olhos dela ficaram zombeteiros, e eu decid que no precisava dar a ela o benefcio da dvida. Obviamente a personalidade
dela no mudou tanto quanto o seu cabelo. "Tyler tentou me vender essa na semana passada".
"Voc no vai ver ursos assim to perto da reserva". Jssica disse, apoiando Lauren.
"Srio", Angela disse com uma voz baixa, olhando para a mesa. "Ns vimos mesmo".
Lauren viu. Mike ainda estava conversando com Conner, sem prestar ateno s garotas.
"No, ela est certa", eu disse impaciente. "Ns vimos um mochileiro nesse Sbado que tambm viu um urso, Angela. Ele disse que era enorme e preto e que foi fora
da cidade, no disse, Mike?"
Houve um momento de silncio. Todos os pares de olhos da mesa olharam pra mim chocados. A garota nova, Katie, ficou com a boca aberta como se ela tivesse acabado
de presenciar uma exploso. Ningum se mexeu.
"Mike?", eu murmurei, mortificada. "Lembra do cara com a histria do urso?"
"C- claro", Mike gaguejou depois de um segundo. Eu no sabia porque ele estava olhando pra mim de um jeito to estranho. Eu falava com ele no trabalho, no falava?
Falava? Eu achava que sim...
Mike se recuperou. ", houve um cara que disse que viu um enorme urso preto bem perto da trilha - maior que um pardo". Ele confirmou.
"Hmph" Lauren se virou pra Jssica, com os ombros rgidos, e mudou de assunto.
"Voc teve resposta da USC?", ela perguntou.
Todos os outros desviaram os olhos tambm, exceto Mike e Angela. Angela sorriu pra mim tentadoramente, e eu me apressei pra devolver o sorriso.
"Ento, o que voc fez nesse fim de semana, Bella?" Mike perguntou, curioso, mas estranhamente cauteloso.
Todo mundo com excesso de Luren olhou de volta pra mim, esperando minha resposta.
"Sexta  noite eu e Jssica fomos ao cinema em Port Angeles. E eu passei o sbado  tarde e grande parte do domingo em La Push".
Os olhos piscavam voando de Jssica pra mim. Jess pareceu irritada.
Eu me perguntei se ela no queria que as pessoas soubessem que ela tinha sado comigo, ou se foi s porque ela mesma queria contar a histria.
"Que filme voc assistiram?" Mike perguntou, comeando a sorrir.
"Dead End- aquele que tem os zumbs." Eu sorr encorajando.
Talvez um pouco dos estrago que eu causei durante os meus meses como zumb estivesse reparado.
"Eu ouv que era assustador. Voc achou?" Mike estava ansioso pra continuar a conversa.
"Bella teve que sair no final, de to assutada." Jssica interferiu com um sorriso falso.
Eu balancei a cabea, tentando parecer envergonhada. "Era muito assustador".
Mike no parou de me fazer perguntas at que o almoo tinha acabado. Gradualmente, os outros na mesa foram capazes de recomear suas prrpias conversas de novo,
apesar de que eles ainda olhavam muito pra mim.
Angela falou em maioria com Mike e comigo, e, quando eu me levantei pra jogar fora a minha bandeja, ela me seguiu.
"Obrigada", ela disse num voz baixinha quando estvamos longe da mesa.
"Pelo que?"
"Por falar, por me defender".
"Sem problema".
Ela olhou pra mim preocupada, mas no ofensiva, com aquele olhar de talvez ela esteja perdida. "Voc est bem?"
Foi por isso que eu escolh Jssica ao inves de Angela - apesar de gostar mais de Angela - para aquela noite de garotas. Angela era perceptiva demais.
"No completamente", eu admit. "Mas eu estou um pouco melhor".
"Eu fico feliz", ela disse. "Eu sent sua falta".
Lauren e Jssica se aproximaram de ns nessa hora, e eu ouv Lauren sussurrar alto. "Oh, alegria Bella est de volta".
Angela rolou os olhos pra elas, e sorriu pra mim me encorajando.
Eu suspirei. Era como se eu estivesse comeando tudo de novo.
"Que data  hoje?", eu imaginei de repente.
" dezenove de Janeiro".
"Hmm".
"O que ?" Angela perguntou.
"Faz um ano que eu cheguei aqui pela primeira vez", eu meditei.
"Nada mudou muito", Angela murmurou, olhando pra Lauren e Jssica.
"Eu sei, eu concordo pois estava pensando exatamente na mesma coisa".

7. Repetio
Eu no tinha certeza do que diabos eu estava fazendo aqui. Ser que eu estava tentando me jogar de volta naquele torpor de zumb? Eu virei masoquista - desenvolv
um gosto pela tortura? Eu divia ter ido direto pra La Push onde eu me sentia muito, muito mais saudvel perto de Jacob. Essa no era uma coisa saudvel a fazer.
Mas eu continuei a dirigir lentamente pela rua coberta de vegetao, virando entre as rvores que se contorciam por cima de mim como um tnel verde, vivo. Minhas
mos estavam tremendo, ento eu apertei elas no volante.
Eu sabia que parte pra eu estar fazendo isso era o pesadelo, agora que eu estava realmente acordada, o nada do sonho roa meus nervos, como um co roendo um osso.
Havia uma coisa pra procurar. Inacessvel e impossvel, sem se importar e distrado... mas ele estava l, em algum lugar. Eu tinha que acreditar nisso.
A outra parte era a estranha sensao de repetio que eu sent no meu dia na escola hoje, a conhecidncia da data. O sentimento de que eu estava recomeando - talvez
do jeito como o meu dia primeiro teria sido se eu realmente fosse a pessoa mais incomum na cafeteria naquela tarde.
As palavras corriam na minha cabea, sem som, como se eu estivesse lendo elas ao invs de ouv-las.
Ser como se eu nunca tivesse existido.
Eu estava mentindo pra mim mesma quando divid o meu motivo pra vir aqui em duas partes. Eu no queria admitir a minha motivao mais forte. Porque eu estava mentalmente
deteriorada.
A verdade  que eu queria ouvir a voz dele de novo, como ouv na minha estranha iluso na Sexta. Por um breve momento, quando a voz dele veio de outra parte consciente
da minha memria, quando a voz dele era perfeita e suave como o mel e no plida como as outras memrias que eu costumava reproduzir, eu fui capaz de lembrar sem
sentir dor.
No durou muito; a dor me encontrou, assim como eu tinha certeza que faria com esse meu passeio bobo. Mas aqueles momentos preciosos quando eu pude ouvir a voz dele
de novo eram um chamariz irresistvel.
Eu tinha que encontrar um meio de repetir a expericia... ou talvez a melhor palavra fosse episdio.
Eu estava esperando que deja vu fosse a chave. Ento eu estava indo para a casa dele, um lugar onde eu no tinha ido desde a festa catastrfica do meu aniversrio,
h tantos meses atrs.
A grossa quase floresta crescia e passava pelas minhas janelas. A viagem continuou e continuou. Eu comecei a ir mais rpido, ficando nervosa. Por quanto tempo eu
estive dirigindo? Eu j no devia ter chegado na casa? A rua estava to coberta de vegetao que quase no me parecia familiar.
E se eu no conseguisse achar? Eu trem. E se no houvessem provas tangveis?
Ento, l estava a entrada entre as rvores que eu estava procurando, s que ela j no se pronunciava tanto como antes.
A flora aqui no demorava muito pra reclamar qualquer terreno que estivesse sem cuidados. As altas samambaias haviam infestado a clareira que cercava a casa, se
aglomerando nas rvores, mesmo na grande varanda.
Era como se a grama estivesse flundo - na altura da cintura - com ondas verdas, flutuantes.
E havia uma casa l, mas ela no era a mesma.
Apesar de nada ter mudado do lado de fora, o vazio gritava pelas janelas brancas. Era arrepiante. Pela primeira vez desde que eu v a linda casa, ela me pareceu
um local apropriado para vampiros.
Eu pisei no freio, desviando o olhar. Eu estava com medo de ir mais em frente.
Mas nada aconteceu. Nenhuma voz na minha cabea.
Ento eu deixei o motor ligado e pulei pra fora no mar de grama. Talvez, como na Sexta, se eu caminhasse em frente...
Eu me aproximei da entrada estril, vaga, lentamente, minha caminhonete tremendo num barulho reconfortante atrs de mim. Eu parei quando cheguei nas escadas da entrada,
porque no havia nada aqui. Nenhum senso demorado de presena... da presena dele.
A casa estava solidamente al, mas isso significava pouco. Essa concreta realidade no ia afastar o vazio dos meus sonhos.
Eu no cheguei mais perto. Eu no queria olhar pela janela.
Eu no tinha certeza do que seria mais difcil de ver. Se os quartos estivessem vazios, ecoando o vazio do cho at o teto, isso certamente ia doer. Como no enterro
da minha av, quando minha me insistiu que eu ficasse do lado de fora durante a cerimnia. Ela disse que eu no precisava ver vov daquele jeito, me lembrar dela
daquele jeito, era melhor quando ela estava viva.
Mas ser que no seria pior se no houvessem mudanas? Se os sofs estivessem l como da ltima vez que eu os havia visto, as pinturas nas paredes - pior ainda,
o piano na baixa plataforma? Era melhor ver a casa desaparecendo por inteiro, do que ver que no havia nenhuma posesso fsica que os ligava de qualquer forma. Que
tudo havia permanecido, intocado e esquecido, pra trs deles.
Assim como eu.
Eu virei as costas para a brecha vazi, e me apressei para a minha caminhonete. Eu quase corri. Eu estava ansiosa pra ir embora, pra voltar para o meu mundo humano.
Eu me sentia terrivelmente vazia, e eu queria ver Jacob. Talvez eu estivesse desenvolvendo uma outra espcie de doena, outro vcio, como a entorpecncia de antes.
Eu no me importava. Eu forcei minha caminhonete a ir o mais rpido que ela podia enquanto eu ia procurar a minha cura.
Jacob estava esperando por mim. Meu peito pareceu relaxar assim que eu v ele, tornando mais fcil respirar.
"Ei, Bella", ele chamou.
Eu sorr aliviada. "Oi, Jacob". Eu acenei pra Billy, que estava olhando pela janela.
"Vamos trabalhar", Jacob disse numa voz baixa mas ansiosa.
De alguma forma consegui sorrir. "Voc realmente no enjoou de mim ainda?" eu me perguntei. Ele deve ter comeado a se perguntar o quanto eu estava desesperada por
companhia.
Jacob guiou o caminho da sua casa at a garagem.
"No. Ainda no".
"Por favor, me avise quando eu comear a enlouquecer os seus nervos. Eu no quero ser um incmodo".
"Ok", ele sorriu, um som gutural. "Mas eu no seguraria o flego pra isso".
Quando ns entramos na garagem, eu fiquei chocada de ver a moto vermelha de p, parecendo mais um moto do que um monte de metal retorcido.
"Jake, voc  incrivel", eu asfixiei.
Ele sorriu de novo. "Eu fico obcecado quando tenho um projeto". Ele levantou os ombros. "Se eu tivesse crebro, porm, eu ia arasar as coisas um pouco".
"Porque?"
Ele olhou pra baixo, pausando por tanto tempo que eu me perguntei se ele havia ouvido a minha pergunta. Finalmente, ele me perguntou.
"Bella, se eu te disesse que no sabia concertar essas motos, o que voc diria?"
Eu tambm no respond na hora, e ele olhou pra cima pra olhar a minha expresso.
"Eu diria... que pena, mas ns vamos arranjar alguma outra coisa pra fazer. Se ns estivessemos realmente desesperados, ns podamos fazer o dever de casa".
Jacob sorriu e os ombros dele relaxaram. Ele sentou perto da moto e pegou um trapo. "Ento voc acha que ainda vai vir quando eu tiver acabado?"
"Foi isso que voc quis dizer?" eu balancei minha cabea. "Eu acho que eu estou me aproveitando das suas habialidades de mecnico gratuitas. Mas enquanto voc quiser
que eu venha, eu venho".
"Esperando ver Quil de novo?" ele zombou.
"Voc me pegou".
Ele gargalhou. "Voc realmente gosta de passar tempo comigo?" ele perguntou maravilhado.
"Muito, muito mesmo. E eu vou provar. Eu tenho que trabalhar amanh, mas Quarta ns vamos fazer alguma coisa que no envolva mecnica".
"Tipo o que?"
"Eu no tenho idia. Ns podemos ir pra minha casa pra que voc no fique tentado pela sua obcesso. Voc pode trazer o seu dever da escola - voc deve estar ficando
pra trs, porque eu sei que estou".
"Dever de casa pode ser uma boa idia", ele fez uma cara, e eu me perguntei quanta coisa ele estava deixando de fazer pra ficar comigo.
"Sim", eu concordei. "Ns vamos ter que comear a sermos responsveis ocasionalmente, se no Billy e Charlie no vo facilitar pra ns". Eu fiz um gesto indicando
ns dois como uma s entidade.
Ele gostou disso - ele se iluminou.
"Dever de casa uma vez por semana?", ele props
"Talvez seja melhor duas", eu suger, pensando na pilha que eu tinha que fazer pra hoje.
Ele suspirou um suspiro pesado. Ento ele se inclinou para a caixa de ferramentas pra pegar uma sacola de papel de supermercado. Ele puxou duas latas de refrigerante,
abrindo uma e passando ela pra mim. Ele abriu a outra, e a segurou cerimonialmente.
" responsabilidade", ele brindou. "Duas vezes por semana".
"E a negligncia nos dias restantes", eu enfatizei.
Ele sorriu e tocou a lata dele na minha.
Eu cheguei em casa mais tarde do que esperava e descobri que Charlie preferiu pedir uma pizza do que me esperar. Ele no permitiu que eu me desculpasse.
"Eu no me importo", ele me garantiu. "De qualquer forma, voc merecia uma folga da cozinha".
Eu sabia que ele s estava aliviado porque eu estava agindo como uma pessoa normal, e ele no queria afundar meu barco.
Eu chequei meu E-mail antes de comear a fazer o dever de casa, e havia um bem longo de Rene.
Ele tagarelava sobre cada detalhe do que eu tinha escrevido pra ela, ento eu escrev de volta outra exaustiva descrio do meu dia.
Tudo menos as motos. Mesmo a cabea de vento de Rene ficaria preocupada com isso.
A escola na tera teve seus altos e baixos. Angela e Mike realmente pareceram me receber de volta com os braos abertos - pra gentilmente esquecer sobre os meus
meses de comportamento aberrante.
Jess estava mais resistente. Eu me perguntei se ela ia precisar de uma carta formal pedindo desculpas pelo episdio de Port Angeles.
Mike estava animado e falante no trabalho. Parecia que ele havia gruardado um semestre inteiro de conversas, e de repente estava soltando tudo. Eu descobri que era
capaz de rir e sorrir com ele, apesar de que no era to sem esforo quanto com Jacob. Mas me pareceu inofensivo o suficiente, at a hora de ir embora.
Mike colocou a placa de fechado na janela enquanto eu dobrava meu uniforme e o colocava embaixo do balco.
"Hoje foi divertido" Mike disse feliz.
"", eu concordei, apesar de que eu ia preferir ter passado essa tarde na garagem.
" uma pena que voc tenha que ter sado do filme mais cedo na semana passada".
Eu fiquei um pouco confusa com essa direo dos pensamentos. Eu levantei os ombros. "Eu s uma chorona, eu acho".
"O que eu quero dizer , voc devia ir assistir um filme melhor, algum que voc gostasse", ele explicou.
"Oh", eu murmurei, ainda confusa.
"Tipo talvez essa Sexta. Comigo. Ns podemos ir assistir uma coisa que no seja assustadora".
Eu mord meu lbio.
Eu no queria estragar as coisas com Mike, no quando ele era uma das nicas pessoas a me perdoar por ter sido louca. Mas isso, de novo, parecia familiar demais.
Como se o ano passado nunca tivesse acontecido. Eu queria ter Jess como desculpa dessa vez.
"Tipo um encontro?" eu perguntei. Honestidade era provavelmente o melhor caminho nessa hora. Lidar com isso.
Ele processou o som da minha voz. "Se voc quiser. Mas no tem que ser desse jeito".
"Eu no tenho encontros", eu disse lentamente, me dando conta do quanto isso era verdade. Esse mundo todo agora parecia impossivelmente distante.
"S como amigos?", ele sugeriu. Seus claros olhos azuis no estavam mais ansiosos. De qualquer forma, eu realmente esperava que ele estivesse falando srio quando
disse que podamos ser amigos.
"Isso seria divertido. Mas na verdade eu j tenho planos pra essa Sexta, ento talvez semana que vem?"
"O que voc vai fazer?" ele perguntou, menos casualmente do que eu achava que ele queria fazer parecer.
"Dever de casa. Eu tenho uma... sesso de estudos planejada com um amigo".
"Oh. Ok. Talvez semana que vem".
Ele me acompanhou at o meu carro, menos exuberante que antes. Isso me lembrava to claramente os meus primeiros meses em Forks. O crculo havia se fechado, e agora
tudo parecia um eco - um eco vazio, destitudo do interesse que ele costumava ter.
Na noite seguinte, Charlie no pareceu nem um pouco surpreso de ver Jacob e eu espalhados na sala de estar com nossos livros espalhados ao nosso redor, ento eu
acho que ele e Billy estiveram fofocando pelas nossas costas.
"Ei, crianas", ele disse, seus olhos se esticando para a cozinha.
O cheiro da lasanha que eu passei a tarde fazendo- enquanto Jacob oservava e ocasionalmente experimenteva - se espalhava pela sala; eu estava sendo boazinha, tentando
me redimir de toda a pizza.
Jacob ficou para o jantar, e levou um prato pra casa pra Billy. Ele invejosamente adicionou um ano na minha idade negocivel por eu ser boa cozinheira.
Sexta foi a garagem, e Sbado, depois do meu turno na Newton's, foi o dever de casa de novo. Charlie se sentia seguro o suficiente da minha sanidade pra ir pescar
com Harry. Quando ele voltou, ns j havamos terminado - e nos sentindo muito sensveis e maduros por isso tambm - e estvamos assistindo Monster Garage no Discovery
Channel.
"Eu provavelmente devia ir", Jacob suspirou. "Est mais tarde do que eu esperava".
"Ok", t legal" eu rosnei. "Eu vou te levar pra casa".
Ele sorriu com a minha expresso de m vontade - isso pareceu agrad-lo.
"Amanh, de volta ao trabalho", eu disse assim que estavamos seguros na minha caminhonete. "A que horas voc quer que eu aparea?"
Havia uma excitao inexplicada no sorriso de resposta dele. "Eu vou te ligar antes, t legal?"
"Claro", eu fiz uma careta pra mim mesma, imaginando o que estava acontecendo. O sorriso dele cresceu.
Eu limpei a casa na manh seguinte - esperando Jacob ligar e tentando esquecer o pesadelo. O cenrio havia mudado. Na ltima noite eu vaguei num mar de grama que
se intercalava com enormes rvores de cicuta. No havia nada mais l, e eu estava perdida, e eu vagava  toa e sozinha, procurando por nada. Eu queria poder me chutar
por aquela estpida viagem na semana passada. Eu expulsei o sonho da minha mente consciente, esperando que ele ficasse preso em algum lugar e no escapasse de novo.
Charlie estava do lado de fora lavando a viatura, ento quando o telefone tocou, eu larguei a escova do banheiro e corr l pra baixo pra atender.
"Al?", eu perguntei sem flego.
"Bella", Jacob disse com um estranho tom formal na voz.
"Oi, Jake"
"Eu acredito que... ns temos um encontro", ele disse, seu tom estava cheio de implicaes.
Eu levei um segundo pra entender. "Elas esto prontas? Eu no acredito!" Que timing perfeito. Eu precisava de alguma coisa pra me distrair dos pesadelos e do vazio.
", elas esto correndo e tudo mais".
"Jacob, voc , sem dvida, a pessoa mais talentosa e maravilhosa que eu conheo. Voc ganhou dez anos por isso".
"Legal! Eu j sou de meia idade agora".
Eu sorr. "Eu estou chegando l".
Eu joguei os suplementos de limpeza embaixo da pia do banheiro e peguei meu casaco.
"Vai ver Jake", Charlie disse quando eu passei correndo por ele. No era realmente uma pergunta.
"", eu respond enquanto pulava dentro da minha caminhonete.
"Eu vou estar na delegacia mais tarde" Charlie disse atrs de mim.
"T legal", eu gritei de volta, ligando a chave.
Charlie disse mais alguma coisa, mas eu no consegu ouv-lo claramente por causa do ronco do motor. Pareceu com alguma coisa tipo. "Onde  o incndio?"
Eu estacionei minha caminhonete do lado da casa dos Black, perto das rvores, pra facilitar quando tivessemos que escapar com as motos. Quando eu sa, um flash de
cor apareceu na frente dos meus olhos - duas motos brilhantes, uma vermelha, uma preta, estavam escondidam embaixo de uma rvore, invisvel da casa. Jacob estava
preparado.
Havia um pedao de fita azul amarrado como um lao ao redor do guido. Eu estava rindo disso quando Jacob saiu correndo da casa.
"Pronta?", ele perguntou numa voz baixa, os olhos dele estavam brilhantes.
Eu olhei por cima do ombro dele, e no havia sinal de Billy.
"", eu disse, mas eu no me sentia mais to excitada quanto antes; eu estava tentando me imaginar realmente em uma moto.
Jacob colocou as motos na traseira da caminhonete com facilidade, colocando-as cuidadosamente de lado pra que elas no aparecessem.
"Vamos l", ele disse, a voz dele mais alta que o normal com a excitao. "Eu conheo o lugar pefeito - ningum vai nos pegar l".
Ns dirigimos para o sul da cidade. A estrada de terra passava por dentro e por fora da floresta - as vezes no havia nada alm de rvores, e ento haviam vistas
de tirar o flego do oceano pacfico, alcanando o horizonte, cinza escuro por baixo da nuvens.
Ns estvamos acima da costa, no topo dos penhascos que cercavam a praia aqui, e a vista parecia durar pra sempre.
Eu estava dirigindo devegar, pra que assim eu pudesse olhar com segurana de vez em quando para o oceano, enquanto a estrada se aproximava dos penhascos do mar.
Jacob estava falando em terminar as motos, mas as descries dele estavam ficando tcnicas, ento eu no estava prestando um pingo de ateno.
Foi a que eu v quatro figuras na encosta de pedra, muito perto de precipcio. Eu no podia dizer pela distncia a idade deles, mas eu presumia que fossem todos
homens. Apesar do frio que estava fazendo hoje, eles pareciam estar usando apenas shorts.
Enquanto eu observava a pessoa mais alta se aproximou do abismo. Eu diminui automaticamente, meu p hesitante no pedal do freio.
E ento ele se atirou do precipcio.
"No!", eu gritei, pisando com tudo no freio.
"Qual  o problema?", Jacob gritou de volta, alarmado.
"O cara - ele pulou do penhasco! Porque eles no o pararam? Ns temos que chamar uma ambulncia!" Eu abri minha porta e comecei a sair do carro, e isso no fazia
o mnimo sentido.
O jeito mais rpido de encontrar um telefone seria voltar dirigindo para a casa de Billy. Mas eu no conseguia acreditar no que eu havia acabado de ver. Talvez,
subconscientemente, eu esperava que eu visse alguma coisa diferente sem o parabrisa no meu caminho.
Jacob sorriu, e eu me virei pra ele selvagem. Como era que ele podia ser to cruel, to sangue frio?
"Eles s esto praticando mergulho no penhasco, Bella. Recreao. La Push no tem um shopping, sabe". Ele estava zombando, mas havia uma estranha nota de irritao
na voz dele.
"Mergulhando no penhasco?" eu repet, confusa. Eu olhei sem acreditar enquanto uma segunda figura se aproximou da beira, pausou, e ento muito graciosamente se atirou
no espao. Ele ficou caindo pelo que pareceu uma eternidade pra mim, finalmente caindo vagarosamente nas ondas cinza escuras abaixo.
"Uau.  to alto." Eu voltei pra meu banco, ainda olhando com os olhos esbugalhados para os outros dois restantes. "Devem ser mais de cem metros".
"Bem, , a maioria de ns pula do mais baixo, aquela outra pedra al junto no meio", ele apontou pela sua janela. O lugar que ele apontou parecia ser muito mais
razovel. "Aqueles caras so insanos. Eles provavelmente querem mostrar o quanto so dures. Quer dizer, fala srio, hoje est congelando. Aquela gua no pode estar
boa" Ele fez uma cara enfadada, como se aquela demonstrao o ofendesse pessoalmente. Eu tinha pensado que Jacob era quase impossvel de aborrecer.
"Voc pula do penhasco?" eu prestei ateno no "ns".
"Claro, claro" Ele levantou os ombros e riu. " divertido. Um pouco assutador, por causa da adrenalina".
Eu olhei de volta para os penhascos, onde a terceira figura estava se aproximando da beira. Eu nunca tinha presenciado uma coisa to discuidada em toda a minha vida.
Meus olhos se arregalaram e eu sorr. "Jake, voc tem que me levar pra mergulhar do penhasco".
Ele fez uma careta pra mim, seu rosto desaprovando. "Bella, voc queria que eu chamasse uma ambulncia pra Sam", ele me lembrou. Eu fiquei surpresa que ele soubesse
dizer quem era dessa distncia.
"Eu posso tentar." eu insist, comeando a sair do carro de novo.
Jacob agarrou meu pulso. "Hoje no, t legal? Ser que podemos pelo menos esperar um dia mais quente?"
"Ok, t certo", eu concordei. Com a porta aberta, a brisa glacial estava fazendo o meu brao se arrepiar. "Mas eu quero ir logo".
"Logo", Ele rolou os olhos. "As vezes voc  um pouco estranha, Bella. Voc sabia disso?"
Eu suspirei. "Sim"
"E ns no vamos pular do topo".
Eu observei, fascinada, enquanto o terceiro garoto fazia uma corrida de preparao e se atirava no ar num espao ainda mais vazio que os outros dois. Ele se torcia
e rodopiava no espao enquanto caia, como se ele estivesse pulando para quedas.
Ele estava absolutamente livre - sem pensar e incrivelmente irresponsvel.
"T legal", eu concordei. "Pelo menos, no da primeira vez".
Agora Jacob suspirou.
"Ns vamos testar as motos ou no?", ele quis saber.
"T bom, t bom", eu disse, tirando meus olhos da ltima pessoa que se preparava pra pular no penhasco. Eu recoloquei meu cinto de segurana e fechei a porta. O
motor ainda estava ligado, roncando enquanto estava inativo. Ns continuamos na estrada de novo.
"Quem eram aqueles caras - os loucos?" eu imaginei.
Ele fez um som de novo no fundo da garganta. "A gangue de La Push".
"Vocs tm uma gangue?" eu perguntei. Eu me dei conta de que parecia impressionada.
Ele riu uma vez com a minha reao. "No desse jeito. Eu juro, eles so como monitores de corredor que ficaram maus. Eles no comeam brigas, eles mantm a paz".
Ele bufou. "Tem esse cara que vem de algum lugar em Makah rez, um cara grande tambm, com uma cara assustadora. Bem, as pessoas dizem que ele estava vendendo metanol
para as crianas, e Sam Uley e seus discpulos o expulsaram daqui. Eles so cheios de nossa terra e orgulho da tribo... est ficando ridculo. A pior parte  que
o concelho os leva a srio. Embry disse que na verdade, o concelho at se encontra com Sam", Ele balanou a cabea, o rosto cheio de ressentimento. "Embry tambm
ouviu de Leah Clearwater que eles se chamam de 'protetores' ou alguma coisa assim".
As mos de Jacob estavam curvados nos punhos, como se ele estivesse pronto pra bater em alguma coisa. Eu nunca tinha visto esse outro lado dele.
Eu fiquei surpresa ao ouvir o nome de Sam Uley.
Eu no queria que isso trouxesse de volta as imagens do meu pesadelo, ento eu fiz uma rpida observao pra me distrair.
"Voc no gosta muito deles".
"D pra notar?", ele perguntou sarcasticamente.
"Bom... no parece que eles esto fazendo nada de errado". Eu tentei amaci-lo, pra deix-lo alegre de novo. "S um bando de chatos bonzinhos demais pra ser uma
gangue".
". Chatos  uma boa palavra. Eles sempre esto se mostrando - como a coisa do penhasco. Eles agem como... como, eu no sei. Como caras dures. Eu estava numa loja
com Embry e Quil uma vez, semestre passado e Sam veio at ns com os seus seguidores, Jared e Paul. Quil disse alguma coisa, voc sabe que ele tem a boca grande,
e isso tirou Paul do srio. Os olhos dele ficaram escuros, e ele meio que sorriu - no, ele mostrou os dentes, mas no sorriu - e era como se ele estivesse com tanta
raiva que ele comeou a tremer ou alguma coisa assim. Mas Sam colocou a mo no peito de Paul e balanou a cabea. Paul olhou pra ele por um minuto e se acalmou.
Honestamente, era como se Sam estivesse controlando ele - como se Paul fosse esquertejar a gente se Sam no o tivesse parado". Ele rugiu. "Como um faroeste ruim.
Sabe, Sam  um cara bem grande, ele tem vinte. Mas Paul s tem dezesseis tambm,  mais baixo que eu e mais magro que Quil. Eu acho que qualquer um de ns podia
ter lidado com ele".
"Caras dures" eu concordei. Eu podia ver na minha cabea como ele descrevia, e isso me lembrou de uma coisa... um trio de homens altos, escuros emp muito rgidos
e muito prximos uns dos outros na sala de estar do meu pai. A imagem estava de lado, porque a minha cabea estava deitada no sof enquanto o Dr. Gerandy e Charlie
se inclinavam sobre mim... Aquela seria a gangue de Sam?
Eu falei rapidamente de novo pra me distrair das memrias. "Sam no  um pouco velho demais pra esse tipo de coisa?"
". Ele tinha que ter ido para a faculdade, mas ele ficou. E ningum implicou com ele tambm. O concelho inteiro criticou quando a minha irm largou uma bolsa de
parcial e se casou. Mas, oh no, Sam Uley no faz nada de errado".
O rosto dele possuia linhas no familiares de ultraje - ultraje eu outra coisa que eu no reconhec no comeo.
"Isso parece realmente incmodo e... estranho. Mas eu no entendo porque voc est levando isso pro lado pessoal". Eu dei uma olhada pro rosto dele, esperando no
o ter ofendido. De repente ele estava calmo, olhando pra fora pela janela.
"Voc perdeu a curva", ele disse numa voz uniforme.
Eu fiz uma curva U apertada, quase batendo numa rvore quando o crculo meio que tirou a minha caminhonete da estrada.
"Obrigada pela direo", eu murmurei enquanto comecei a subir na estrada.
"Desculpe, eu no estava prestando ateno".
Ficou silencioso por um breve minuto.
"Voc pode parar em qualquer lugar por aqui", ele disse suavemente.
Eu encostei e desliguei o motor. Meu ouvidos tinlitaram com o silncio que se seguiu. Ns dois samos, e Jacob foi pra trs para pegar as motos. Eu tentei ler a
expresso dele. Algo o estava incomodando. Eu toquei um nervo.
Ele sorriu meio sem vontade enquanto empurrava a moto vermelha para o meu lado. "Feliz aniversrio atrasado. Voc est pronta pra isso?"
"Eu acho que sim". A moto de repente parecia intimidante, assustadora, enquanto eu me dava conta que em breve estaria guiando ela.
"Ns vamos devagar", ele prometeu. Eu cuidadosamente encostei a moto na lateral da caminhonete enquanto ele ia buscar a dele.
"Jake?", eu perguntei hesitante enquanto ele dava a volta pela caminhonete.
"Sim?"
"O que  que t te incomodando? Sobre o negcio de Sam, eu quero dizer? H algo mais?" Eu observei o rosto dele. Ele fez uma careta, mas ele no parecia com raiva.
Ele olhava para a poeira e chutava o pneu da frente da sua moto de novo e de novo, como se ele estivesse poupando tempo.
Ele suspirou. " s que... o jeito que eles me tratam. Isso me assusta".
As palavras comearam a sair apressadas agora.
"Sabe, o concelho deve ser feito por iguais, mas se houvesse um lder, ele seria meu pai. Eu nunca fui capaz de entender o jeito como as pessoas o tratam. Porque
a opinio dele  a que mais conta. Tem alguma coisa a ver com o pai dele e com o pai do pai dele. Meu bisav, Ephraim Black, foi meio que o ltimo chefe que tivemos,
e eles ainda escutam o Billy, talvez por causa disso.
"Mas eu sou como qualquer outra pessoa. Ningum me tratava de um jeito especial... at agora".
Isso me pegou fora de guarda. "Sam te trata de um jeito especial?"
"", ele concordou, olhando pra mim com olhos confusos. "Ele olha pra mim como se estivesse esperando alguma coisa... como se algum dia eu fosse me juntar  estpida
gangue dele algum dia. Ele presta mais ateno em mim do que nos outros caras. Eu odeio isso".
"Voc no tem que se juntar a nada", minha voz estava enraivada. Isso realmente estava aborrecendo Jacob, e isso me enfurecia. Quem esses "protetores" pensavam que
eram?
"", o p dele mantinha o ritmo contra o pneu.
"O que?", eu podia notar que tinha algo mais.
Ele fez uma carranca, as sobrancelhas dele se juntando de um jeito que parecia mais triste e preocupado do que com raiva. " Embry. Ele tem me evitado ultimamente".
Os pensamentos no pareciam estar conectados, mas eu me perguntava se a culpa era minha por ele estar tendo problemas com os amigos.
"Voc est andando demais comigo", eu o lembrei, me sentindo egosta. Eu estava monopolizando ele.
"No, no  isso. No sou s eu -  Quil tambm, e todo mundo. Embry perdeu uma semana de aula, mas ele nunca estava em casa quando ns tentvamos v-lo. E quando
ele voltou, ele parecia... ele parecia maluco. Aterrorizado. Tanto Quil quanto eu tentamos faz-lo contar o que estava acontecendo, mas ele no fala com nenhum de
ns".
Eu olhei pra Jacob, mordendo meu lbio ansiosamente - ele estava realmente assustado. Mas ele no olhou pra mim.
Ele observava seu prrpio p chutando a borracha como se ele pertencesse a outra pessoa. O ritmo ficou mais rpido.
"Ento essa semana, do nada, Embry comeou a sair com Sam e o resto deles. Ele estava nos penhascos hoje". A voz dele estava baixa e tensa.
Ele finalmente olhou pra mim. "Bella, eles o chateavam muito mais do que a mim. Ele no queria nada com eles. E agora Embry est com eles como se tivesse se juntado
a um culto.
"E era assim com Paul. Exatamente igual. Ele no era nem um pouco amigo de Sam. Ento ele parou de ir para a escola por algumas semanas, e, quando voltou, Sam de
repente era dono dele. Eu no sei o que isso significa. Eu no consigo entender, mas eu sinto que devo, porque Embry  meu amigo e... Sam est me olhando estranho...
e..." Ele parou.
"Voc j falou com Billy sobre isso?", eu perguntei. O horror dele estava passando pra mim. Eu sentia os arrepios passando na minha nuca.
Agora havia raiva no rosto dele. "Sim", ele bufou. "Isso foi de grande ajuda".
"O que foi que ele disse?"
A expresso de Jacob era sarcstica, e quando ele falou, a voz dele imitava o tom profundo da voz do pai. "No  nada com o que voc precise se preocupar agora,
Jacob. Em alguns anos, se voc no... bem, eu vou explicar depois". E ento a voz dele voltou ao normal.
"O que  que eu devia entender com isso? Ele est tentando dizer que isso  coisa da estpida puberdade, da idade? Isso  outra coisa. Algo errado".
Ele estava mordendo o lbio de baixo e apertando as mos. Parecia que ele estava prestes a chorar.
Eu joguei meus braos ao redor dele instintivamente, os envolvendo na cintura dele e colocando meu rosto no seu peito. Ele era to grande, que eu me sent como uma
criana abraando um adulto.
"Oh, Jake, vai ficar tudo bem!", eu promet. "Se isso piorar voc pode ir morar com Charlie e comigo. No fique assustado, ns vamos pensar em alguma coisa!"
Ele ficou congelado por um segundo, e ento ele envolveu seus longos braos hesitantemente ao meu redor. "Obrigado, Bella".
A voz dele estava mais rouca do que o normal.
Ns ficamos daquele jeito por um momento, e isso no me incomodou; na verdade, eu me sentia confortvel com o contato. Isso no parecia nem um pouco com a ltima
vez que eu havia sido abraada por algum. Isso era amizade. E Jacob era quentinho.
Era estranho pra mim, ficar perto assim - mais emocionalmente que fisicamente, apesar de o fsico ser estranho pra mim tambm - de outro ser humano. No era o meu
estilo normal. Eu geralmente no me relacionava com as pessoas to facilmente, num nvel to bsico.
No com seres humanos.
"Se  assim que voc vai reagir, eu vou enlouquecer mais vezes". A voz de Jacob estava leve, normal de novo, e o sorriso dele estrondou nos meus ouvidos. Os dedos
dele tocaram meus cabelos, leves e tentadores.
Bem, era amizade pra mim.
Eu me separei rapidamente, rindo com ele, mas determinada a colocar as coisas de volta em perspectiva rapidinho.
" difcil de acreditar que eu sou dois anos mais velha que voc", eu disse enfatizando as palavras mais velha. "Voc faz eu me sentir uma an", ficando perto dele
eu realmente tinha que inclinar a cabea pra olhar para o seu rosto.
"Voc est esquecendo que eu estou na casa dos querenta,  claro".
"Oh,  mesmo".
Ele deu um tapinha na minha cabea. "Voc  como uma bonequinha", ele zombou. "Uma boneca de porcelana".
Eu revirei os olhos, dando outro passo pra trs. "No vamos colear com as piadas de Albinos".
"Srio, Bella, voc tem certeza que no  uma?" Ele esticou seu brao cor de cobre perto do meu. A diferena no me favorecia.
"Eu nunca v ningum mais plido que voc... bem, exceto por -" Ele parou, eu desviei o rosto, tentando no entender o que ele esteve prestes a dizer.
"Ento vamos andar ou no?"
"Vamos l", eu concordei, mais entusiasmada do que estava a meio minuto atrs. A frase inacabada dele me lembrou porque eu estava aqui.

8. Adrenalina
"Ok, onde  a sua embreagem?"
Eu apontei para a alavanca no lado esquerdo do guido. Soltar o apoio foi um erro. A moto pesada cambaleou embaixo de mim, ameaando me jogar de lado. Eu agarrei
o guido de novo, tentando segurar direito.
"Jacob, eu no vou ficar de p", eu reclamei.
"Voc vai quando estiver se movendo", ele prometeu. "Agora, onde est seu freio?"
"Atrs do meu p direito".
"Errado".
Ele agarrou minha mo direita e curvou meus dedos na alavanca em cima do regulador.
"Mas voc disse-"
"Esse  o freio que voc quer. No use o freio de trs agora, isso  pra depois, quando voc souber o que est fazendo".
"Isso no parece certo", eu disse suspeitosamente. "Os dois freios no so importantes?"
"Esquea o freio de trs, t legal? Aqui-" Ele agarrou sua mo na minha e me fez puxar a alavanca pra baixo. "Esse  o seu freio. No esquea". Ele apertou minha
mo mais uma vez.
"T bom". Eu concordei.
"Regulador?"
Eu virei punho direito.
"Trocador de marcha?"
Eu bat com o meu calcanhar esquerdo.
"Muito bom. Eu acho que voc aprendeu todas as partes. Agora voc s tem que comear a se mover".
"Uh-huh", eu murmurei, com medo de dizer mais. Meu estmago estava se contorcendo de uma maneira estranha e eu achei que minha voz podia sair esganiada. Eu estava
morta de medo. Eu tentei pensar comigo mesma que o meu medo era sem motivos. Eu j havia sobrevivido  pior coisa possvel. Em comparao com aquilo, porque alguma
coisa devia me assustar agora? Eu devia ser capaz de olhar na cara da morte e sorrir.
Meu estmago no tava acreditando.
Eu olhei para a longa extenso da estrada de terra, incomodada pela grossa nvoa verde que havia dos dois lados. A pista era arenosa e suja. Melhor que lama.
"Eu quero que voc segure a embreagem", Jacob instruiu.
Eu agarrei meus dedos na embreagem.
"Agora isso  crucial, Bella", Jacob se estressou. "No solte isso, Ok? Eu quero que voc finja que est segurando uma granada armada. O pino saiu e voc est segurando
o trinco".
Eu apertei com mais fora.
"Bom. Voc acha que consegue dar a partida?"
"Se eu mover o meu p, eu vou cair", eu disse pra ele atravs de dentes trincados, meus dedos segurando a granada armada com fora.
"Ok, eu fao isso. No solte a embreagem".
Ele deu um passo pra trs, e de repente bateu seu p no pedal. Houve um breve som de alguma coisa rasgando, e a fora do seu empurro fez a moto balanar. Eu comecei
a cair de lado, mas Jake agarrou a moto antes que ela me derrubasse.
"Firme a", ele encorajou. "Voc ainda est segurando a embreagem?"
"Sim", eu disse sem flego.
"Segure seus ps - eu vou tentar de novo". Mas ele colocou a mo na parte de trs do banco tambm, s pra ter certeza.
Foram mais quatro tentativas at que a ignio se ligasse. Eu podia sentir a roncando embaixo de mim como um animal raivoso. Eu agarrei a embreagem at que meus
dedos doeram.
"Tente a alavanca", ele sugeriu. "Bem de leve. E no solte a embreagem".
Hesitantemente, eu girei a alavanca direita. Apesar de o movimento ter sido pequeno, a moto rosnou embaixo de mim. Ela parecia com raiva e faminta agora. Jacob sorriu
com profunda satisfao.
"Voc lembra de como colocar na primeira marcha?", ele perguntou.
"Sim"
"Bem, v em frente e faa isso".
"Ok"
Ele esperou por alguns segundos.
"P esquerdo", ele lembrou.
"Eu sei", eu disse, respirando fundo.
"Voc tem certeza de que quer fazer isso?", Jacob perguntou. "Voc parece assustada"
"Eu estou bem", eu atirei. Eu chutei o trocador de marcha pra baixo.
"Muito bom", ele me parabenizou. "Agora, bem gentilmente, solte um pouco a embreagem".
Ele deu um passo pra trs se distanciando da moto.
"Voc quer que eu solte a granada?" eu perguntei incrdula. No era de estranhar que ele estivesse se afastando.
" assim que voc se move, Bella. S faa isso pouco a pouco".
Enquanto eu comeava a soltar o meu aperto, eu fiquei chocada por ser interrompida por uma voz que no era a do garoto ao meu lado.
"Isso  descuidado e infantil e idiota, Bella", a voz aveludada fumaou.
"Oh!", eu fiquei sem flego e minha mo soltou a embreagem.
A moto pulou embaixo de mim, me jogando pra frente e depois caindo no cho meio em cima de mim. O motor rosnou e depois parou de funcionar.
"Bella?", Jacob tirou a moto de cima de mim com facilidade. "Voc est ferida?"
Mas eu no estava escutando.
"Eu te avisei", a voz perfeita murmurou, clara feito cristal.
"Bella?", Jacob chacoalhou meu ombro.
"Eu estou bem", eu murmurei, confusa.
Mais que bem. A voz na minha cabea estava de volta. Ela ainda estava ecoando nos meus ouvidos - ecos macios, de veludo.
Minha mente correu rapidamente pelas possibilidades. No havia nenhuma familiaridade al - numa estrada que nunca havia visto, fazendo uma coisa que eu nunca havia
feito - no era deja vu.
Ento as alucinaes devem ser desencadeadas por outra coisa... eu sentia a adrenalina passando pelas minhas veias de novo, e a eu pensei que tinha minha resposta.
Uma combinao de perigo e adrenalina, ou talvez s a estupidez.
Jacob estava me colocando de p.
"Voc bateu a cabea?", ele perguntou.
"Eu acho que no", eu a balancei pra frente e pra trs, checando.
"Eu no estraguei a moto, estraguei?" Esse pensamento me preocupou.
Eu estava ansiosa pra tentar de novo, imediatamente.
Ser descuidada estava funcionando melhor do que eu esperava. Esquea a quebra de acordo. Talvez eu tivesse encontrado uma forma de gerar as alucinaes - e isso
era muito mais importante.
"No. Voc s protelou o motor". Jacob disse, interrompendo minhas rpidas especulaes. "Voc soltou a embreagem rpido demais".
Eu balancei a cabea. "Vamos tentar de novo".
"Voc tem certeza?", Jacob perguntou.
"Absoluta".
Dessa vez eu mesma tentei dar a partida. Foi complicado; eu tive que pular um pouco pra bater no pedal com fora suficiente, e toda vez que eu fazia isso, a moto
tentava me derrubar. As mos de Jacob ficaram no guido, prontas pra me segurar se eu casse.
Foram vrias tentativas boas, e muitas ruins, antes que o motor roncasse vindo  vida embaixo de mim.
Me lembrando de segurar a granada, eu virei a alavanca, experimentando.
Ela roncou com o menor toque. O meu sorriso imitou o de Jacob agora.
"V com calma na embreagem", ele me lembrou.
"Voc querse matar ento?  esse o problema?" A outra voz falou de novo, com um tom severo.
Eu sorri com fora - estava funcionando - e eu ignorei as perguntas.
Jacob no ia deixar nada srio acontecer comigo.
"Volte pra casa pra Charlie", a voz ordenou. A beleza transparente me deslumbrou. Eu no podia deixar minha memria deix-la ir, no importava o preo.
"Solte devagarzinho", Jacob me encorajou.
"Eu vou", eu disse. Me incomodou um pouco quando eu perceb que estava respondendo pra eles dois.
A voz na minha cabea rosnou contra o ronco da moto.
Tentando me concentrar desse vez, sem deixar a voz me ofuscar de novo, eu relaxei minha mo aos poucos.
De repente, a marcha funcionou e me impulsionou pra frente.
Eu estava voando.
Havia um vento que no estava l antes, soprando a pele do meu crnio e fazendo o meu cabelo voar pra trs com fora suficinte pra fazer parecer que algum o estava
puxando.
Eu deixei o meu estmago l no lugar de onde eu havia sado; a adrenalina passou pelo meu corpo, fazendo ccegas nas minhas veias.
As rvores passavam correndo por mim, parecendo uma parede borrada de verde.
Essa era s a primeira marcha, meu p se aproximou do trocador de marcha enquanto eu procurava por mais fora.
"No, Bella" a voz raivosa, doce como mel ordenou no meu ouvido. "Veja o que voc est fazendo!"
Isso me distraiu o suficiente da velocidade pra que eu percebesse que a estrada estava comeando numa leve curva para a esquerda, e eu ainda estava indo em frente.
Jacob no havia me ensinado a virar.
"Freios, freios", eu murmurei pra mim mesma, e eu instintivamente bat o meu p direito, como eu faria na minha caminhonete.
A moto ficou instavel de repente embaixo de mim, tremendo primeiro pra um lado e depois pro outro. Eu estava sendo arrastada para a parede verde, e eu estava indo
rpida demais. Eu tentei virar o guido para a outra direo, e a mudana repentina de peso empurrou a moto pro cho, ainda virando na direo das rvores.
A moto caiu por cima de mim, roncando alto, me jogando no cho molhado at que eu bat em alguma coisa que me fez parar. Eu no conseguia enxergar. Meu rosto estava
misturado com os musgos. Eu tentei levantar minha cabea, mas havia algo me atrapalhando.
Eu estava ofuscada e confusa. Parecia que haviam trs coisas rosnando - a moto em cima de mim, a voz na minha cabea, e alguma outra coisa...
"Bella", Jacob gritou, e eu ouv o motor da outra moto ser desligado.
A moto j no estava mais me prendendo no cho, e eu me virei pra respirar. Todos os rosnados ficaram silenciosos.
"Uau", eu murmurei. Eu estava vibrando de emoo. Tinha que ser isso, a receita para a alucinao - a dose extra de adrenalina mais estupidez. Ou algo mais ou menos
assim, de qualquer forma.
"Bella", Jacob estava se abaixando perto de mim ansiosamente. "Bella, voc est viva?"
"Eu estou tima!", eu me entusiasmei. Eu flexionei meus braos e pernas. Tudo parecia estar funcionando corretamente. "Vamos fazer de novo".
"Eu acho que no", Jacob ainda parecia preocupado. "Eu acho melhor te levar  um hospital antes".
"Eu estou bem".
"Um, Bella? Voc est com um corte enorme na sua testa, e ele est sangrando", ele me informou.
Eu coloquei minha mo na testa. Com certeza, ela estava molhada e grudenta. Eu no conseguia sentir o cheiro de nada alm dos musgos molhados no meu rosto, e isso
impediu a nusea.
"Oh, me desculpe, Jacob". Eu segurei com fora no meu ferimento, como se eu pudesse empurrar o sangue de volta para a minha testa.
"Porque voc est se desculpando por sangrar?" ele se perguntou enquanto colocava um brao pela minha cintura e me ajudava a ficar de p. "Vamos. Eu dirijo".
Ele levantou a mo pedindo as chaves.
"E as motos?", eu perguntei, passando elas pra ele.
Ele pensou por um segundo. "Espere aqui. E tome isso". Ele tirou sua camisa, que j estava suja de sangue, e jogou ela pra mim. Eu a agarrei e apertei ela com fora
na minha testa. Eu estava comeando a sentir o cheiro do sangue; eu respirei fundo pela minha boca e tentei me concentrar em pensar em outra coisa.
Jacob pulou na moto preta, fez ela comear a funcionar na primeira tentativa, e comeou a correr pela estrada, jogando areia e pedrinhas pra trs dele. Ele parecia
atltico e profissional enquanto ele se inclinava no guido, com a cabea baixa, o rosto pra frente, seu cabelo preto brilhante voando nas suas costas cor de cobre.
Meus olhos se estreitaram com inveja. Eu tinha certeza que no ficava daquele jeito na moto.
Eu fiquei supresa de ver o quanto tinha ido longe. Eu mal podia ver Jacob  distancia quando ele finalmente parou perto da caminhonete.
Ele jogou a moto na traseira e se enfiou no lado do motorista.
Eu realmente no me sent nem um pouco mal quando ele forou a minha caminhonete com um ronco desafiador na sua pressa de voltar at mim. A minha cabea pulsava
um pouco, e meu estmago estava inquieto, mas o corte no era srio. Os cortes na cabea sangram mais do que os outros. A urgncia dele no era necessria.
Jacob deixou a caminhonete funcionando enquanto corria de volta pra mim, passando o brao pela minha cintura de novo.
"Ok, vamos te colocar na caminhonete."
"Honestamente eu t bem" eu assegurei ele enquanto ele me ajudava a entrar. "No fique agitado.  s um pouco de sangue".
"S um monte de sangue", eu ouv ele murmurar enquanto voltava pra pegar a minha moto.
"Agora, vamos pensar nisso por um segundo", eu comecei quando ele voltou. "Se voc me levar pra um pronto socorro assim, Charlie com certeza vai descobrir". Eu olhei
para a areia e para a sujeira grudadas na minha cala.
"Bella, eu acho que voc precisa de pontos. Eu no vou deixar voc sangrar at morrer".
"Eu no vou morrer", eu promet. "Vamos s deixar as motos de volta antes, e depois vamos pra miha casa pra que eu possa me livrar das provas antes de irmos pra
o hospital".
"E quanto  Charlie?"
"Ele disse que tinha que ir trabalhar hoje".
"Voc tem certeza mesmo?"
"Confie em mim. Eu sangro fcil. No  to ruim quanto parece".
Jacob no estava feliz - a boca dele se curvou pra baixo numa careta pouco caracterstica - mas ele no queria me envolver em problemas. Eu olhei pra fora pela janela,
segurando a camisa arruinada dele na minha cabea, enquanto ele me dirigia pra Forks.
Amoto estava melhor do que eu havia sonhado. Ela serviu ao meu propsito original. Eu havia trado - quebrado minha promessa. Eu fui desnecessriamente descuidada.
Eu me sentia um pouco menos pattica agora que as promessas haviam sido feitas e quebradas de ambos os lados.
E eu ainda tinha descoberto a chave para as alucinaes! Pelo menos, eu esperava que sim. Eu ia testar essa teoria o mais rpido possvel. Talvez eles terminassem
rpido comigo no pronto socorro, e eu pudesse tentar de novo essa noite.
Descer a estrada correndo daquele jeito tinha sido incrivel. A sensao do vento no meu rosto, a velocidade e a liberdade... isso me lembrou de uma vida passada,
voando pela grossa floresta sem uma estrada, nas costas dele enquanto ele corria - eu parei de pensar a, deixando as memrias me atingirem com uma sbita agonia.
Eu vacilei.
"Voc ainda est bem?" Jacob checou.
"", eu tentei parecer to convincente quanto antes.
"Alis", ele acrescentou. "Eu vou desconectar o seu freio de p hoje  noite".
Em casa, a primeira coisa que eu fiz foi me olhar num espelho; eu estava grotesca.
O sangue estava secando e deixando trilhas grossas nas minhas bochechas e no meu pescoo, se colando com o meu cabelo cheio de lama.
Eu me examinei clinicamente, fingindo que o sangue era tinta pra que ele no incomodasse meu estmago. Eu respirei pela minha boca e fiquei bem. Eu me lavei to
bem quanto pude. Ento eu escond minhas roupas sujas, ensanguentadas, no fundo do cesto de roupa suja, colocando outra cala jeans e uma camisa de abotoar (que
eu no precisava passar pela minha cabea) to cuidadosamente quanto pude.
Eu consegui fazer isso tudo com uma s mo, e manter tudo livre de sangue.
"Se apresse", Jacob chamou.
"T bom, t bom" eu gritei de volta. Depois de ter certeza de que nada mais me encriminava, eu desc as escadas.
"Como  que eu estou?", eu perguntei pra ele.
"Melhor", ele admitiu.
"Mas parece que eu tropecei na sua garagem e bat a cabea num martelo?"
"Claro, eu acho que sim"
"Ento vamos l".
Jacob me apressou pela porta, e insistiu em dirigir de novo. Ns j estvamos a meio caminho do hospital quando eu me dei conta de que ele ainda estava sem camisa.
Eu fiz uma carranca me sentindo culpada. "Ns devamos ter pego uma casaco pra voc".
"Isso teria nos denunciado", ele zombou. "Alm do mais, no est frio".
"Voc est brincando?" eu tremi e me inclinei pra aumentar o aquecedor.
Eu observei Jacob pra ver se ele estava s brincando pra que eu no me preocupasse com ele, mas ele parecia confortvel o suficiente.
Ele estava com um brao em cima do encosto do meu banco, apesar de eu estar me abraando pra me aquecer.
Jacob realmente parecia ter mais de dezesseis anos - no exatamente quarenta, mas talvez mais velho que eu. Quil no tinha muito mais que ele no departamento dos
msculos, mas por isso Jacob dizia que era um esqueleto. Os musculos eram longos e poucos, mas eles definitivamente existiam embaixo da pele macia. A pele dele tinha
uma cor to bonita, que me deixou com inveja.
Jacob notou minha anlise.
"O que foi?", ele perguntou de repente, envergonhado.
"Nada.  s que eu nunca tinha reparado antes. Voc sabia, que  meio bonito?"
Assim que as palavras saram, eu me preocupei que ele desse s palavras o significado errado.
Mas Jacob s rolou os olhos. "Voc bateu a cabea com bastante fora, no foi?"
"Eu estou falando srio".
"Bem, ento, obrigado. Mais ou menos."
Eu sorr. "Mais ou menos de nada".
Eu precisei de sete pontos pra fechar o corte na minha testa. Depois de um pouco de anestesia local, no houve nem uma ponta de dor no procedimento. Jacob segurou
minha mo enquanto o Dr. Snow estava costurando, e eu tentei no pensar no quanto isso era irnico.
Ns ficamos uma eternidade no hospital. Quando eu acabei, eu tive que deixar Jacob em casa, e voltar correndo pra cozinhar o jantar de Charlie. Charlie pareceu acreditar
na minha histria de ter cado na garagem de Jacob. Afinal, no era como se eu fosse capaz de ir para no pronto socorro com ajuda nenhuma alm da dos meus prprios
ps.
Aquela noite no foi to ruim quanto a primeira noite que eu ouv aquela voz em Port Angeles. O buraco havia voltado, do jeito como sempre voltava quando eu estava
longe de Jacob, mas ele no parecia to em carne viva nas beiradas. Eu j estava planejando o futuro, ansiosa pelas prximas alucinaes, e isso era uma distrao.
Tambm, eu sabia que me sentiria melhor amanh quando estivesse com Jacob de novo. Isso fez o buraco vazio e a dor familiar um pouco mais fceis de suportar; o alvio
estava  vista.
O pesadelo tambm havia perdido a sua potncia. Eu estava aterrorizada pelo vazio, como sempre, mas eu tambm me sentia estranhamente impaciente enquanto esperava
pelo momento de gritaria que me traria de volta  conscincia. Eu sabia que o pesadelo tinha que acabar.
Na Quarta seguinte, antes que eu pudesse chegar em casa do pronto socorro, o Dr. Gerandy ligou pra avisar o meu pai de que eu podia ter concusses e pra avis-lo
pra me acordar a cada duas horas durante a noite pra ter certeza de que no era nada srio. Os olhos de Charlie se estreitaram suspeitosamente com a minha explicao
fraca de ter cado de novo.
"Talvez voc devesse ficar fora da garagem por um tempo, Bella", ele me sugeriu  noite durante o jantar.
Eu entrei em pnico, com medo de que Charlie de que Charlie pudesse editar alguma proibio  La Push, e consequentemente  minha moto.
E eu no a desistir - eu tive a alucinao mais incrvel hoje.
A alucinao da minha voz aveludada gritou comigo por quase cinco minutos antes que eu pisasse abruptamente no freio e me lanasse naquela rvore. Eu ia aguentar
qualquer dor que fosse hoje e sem reclamar.
"Isso no aconteceu na garagem", eu protestei rapidamente. "Ns estvamos fazendo uma caminhada e eu tropecei numa pedra".
"Desde quando voc fez caminhadas?" Charlie perguntou sticamente.
"Trabalhar nos Newton vale a pena de vez em quando", eu apontei. "Passar os dias trancada vendendo as coisas que se usa ao ar livre, eventualmente te deixa curioso".
Charlie me encarou, no convencido.
"Eu serei mais cuidadosa", eu prometi, surrupiamente cruzando meus dedos por debaixo da mesa.
"Eu no me importo que voc faa caminhadas enquanto estiver em La Push, mas fique perto da cidade,est bem?"
"Porque?"
"Bem, ns temos recebido muitas denuncias de incndios ultimamente. O departamento florestal est checando, mas enquanto isso..."
"Oh, o urso gigante", eu disse compreendendo subitamente. ", alguns dos mochileiros que vo  Newton's tambm o viram. Voc acha que ele  algum urso pardo que
sofreu mutao ou alguma coisa assim?"
A testa dele se enrrugou. "Tem alguma coisa. Fique perto da cidade, est bem?"
"Claro, claro", eu disse rapidamente. Ele no pareceu completamente convencido.
"Charlie est ficando desconfiado", eu reclamei pra Jacob quando o apanhei na escola na Sexta.
"Talvez devessemos tirar uma folga nas motos" Ele viu minha expresso de objeo e adicionou "Pelo menos por um semana ou algo assim. Voc pode ficar fora do hospital
por uma semana, certo?"
"O que ns vamos fazer?", eu pressionei.
Ele sorriu alegremente. "O que voc quiser".
Eu pensei nisso por um minuto- o que eu queria.
Eu odiei perder os poucos minutos de memria mais prximas que no me machucavam- aquelas que vinham por s prprias, sem que eu pensasse nelas conscientemente.
Se eu no podia ter a moto, eu teria que encontrar outra forma de encontrar perigo e adrenalina, e isso requeria muito pensamento e criatividade. No fazer nada
no meio tempo no era apelativo. E se eu ficasse deprimida de novo, mesmo com Jake? Eu tinha que me manter ocupada.
Talvez houvesse outro jeito, outra receita... algum outro lugar.
A casa havia sido um erro, certamente. Mas a presena dele tinha que estar estampada em algum lugar, outro lugar alm de dentro de mim. Tinham que haver lugares
onde ele tinha que ser mais real entre os lugares familiares que estavam cheios de memrias humanas.
Eu podia pensar em um lugar que podia ser real. Um lugar que sempre pertenceu a ele e a mais ningum. Um lugar mgico, cheio de luz. A linda clareira onde eu o havia
visto apenas uma vez na vida, faiscando com o brilho do sol e o brilho da sua pele.
Essa idia tinha um grande potencial para a contra partida - isso podia ser perigosamente doloroso.
O meu peito com o vazio s de pensar nisso. Era difcil de me segurar inteira, pra no me denunciar. Mas certamente, de todos os lugares, era l que eu podia ouvir
a voz dele. E eu j havia dito pra Charlie que estava caminhando...
"No que  que voc est pensando tanto?", Jacob perguntou.
"Bem..." eu comecei lentamente. "Eu encontrei esse lugar na floresta uma vez - eu o encontrei quando estava, umm, caminhando. Uma pequena clareira, o lugar mais
lindo. Eu no sei se conseguiria encontr-lo sozinha de novo. E definitivamente ia requerer algumas tentativas..."
"Ns podiamos usar um compasso e um padro de cruzamento", Jacob disse esperanoso pra ajudar. "Voc sabe por onde comear?"
"Sim, bem abaixo do trilha no fim da um-dez. Eu fui mais na direo do sul, eu acho".
"Legal. Ns achamos". Como sempre, Jacob estava fazendo qualquer coisa que eu quisesse. No importava o quanto fosse estranho.
Ento, Sbado  tarde, eu coloquei as minhas novas botas de caminhada - adquiridas com o meu desconto de vinte porcento do funcionrio pela primeira vez - peguei
meu novo mapa topogrfico da Pennsula Olimpica, e dirig pra La Push.
Ns no comeamos imediatamente; primeiro, Jacob se inclinou na mesa da sala de estar- que tomava a sala inteira - e, por uns bons vinte minutos, ele desenhou uma
complicada teia numa seo do mapa enquanto eu me sentava numa cadeira da cozinha e conversava com Billy. Billy no parecia nem um pouco preocupado com a nossa caminhada.
Eu fiquei surpresa por Jacob ter dito pra onde estvamos indo, j que as pessoas andavam to preocupadas com os ataques dos ursos. Eu queria pedir a Billy pra no
contar nada pra Charlie, mas eu tem que o meu pedido causasse o efeito oposto.
"Talvez a gente veja o super urso", Jacob brincou, com os olhos no seu desenho.
Eu olhei pra Billy rapidamente, temendo que ele reagisse  moda de Charlie.
Mas Billy s sorriu pra filho. "Talvez vocs devessem levar um pote de mel, s na dvida".
Jake gargalhou. "Eu espero que suas botas sejam rpidas, Bella. Um pequeno pote no vai manter o urso ocupado por muito tempo".
"Eu s tenho que ser mais rpida que voc".
"Boa sorte com isso!" Jacob disse, revirando os olhos enquanto redobrava o mapa. "Vamos l".
"Divirtam-se" Billy rosnou, se levando na cadeira de rodas at a geladeira.
Charlie no era uma pessoa difcil de se conviver, mas parecia que pra Jacob era ainda mais fcil.
Eu dirig at o fim da estrada de poeira, parando perto da placa que indicava o incio da trilha. Fazia muito tempo que eu no vinha aqui, e o meu estmago reagiu
nervosamente. Isso devia ser uma coisa muito ruim. Mas tudo valeria a pena, se eu pudesse ouvir ele.
Eu sa e olhei para a densa parede verde.
"Eu fui por aqui" eu murmurei, apontando diretamente pra frente.
"Hmm", Jake murmurou.
"O que foi?"
Ele olhou para a direo que eu havia apontado, ento para a trilha demarcada, e depois de volta.
"Eu devia ter te imaginado voc como uma garota de trilhas"
"Eu no" eu sorri vazia. "Eu sou uma rebelde".
Ele sorriu, e ento ele tirou o nosso mapa do bolso.
"Me d um segundo". Ele segurou o compasso de uma forma habilidosa, girando o mapa at que ficasse no ngulo que ele queria.
"Ok - primeira linha no cruzamento. Vamos l".
Eu podia reparar que estava atrapalhando Jacob, mas ele no reclamou. Eu tentei no pensar na minha ltima viagem por essa parte da floresta que eu fiz, com uma
companhia muito diferente.
Memrias normais ainda eram perigosas. Se eu me deixasse deslizar nelas, eu acabaria com os braos abraando meu peito pra me segurar junta, lutando por ar, e como
era que eu ia explicar isso pra Jacob?
No foi to difcil me manter focada no presente quanto eu pensei.
A floresta se parecia muito com qualquer outra parte da floresta de pennsula, e Jacob a enchia com outro humor.
Ele assobiava alegremente, num tom desconhecido, balanando os braos e se movendo com facilidade no cho duro. As sombras no pareciam to escuras como sempre.
No com o meu sol particular do meu lado.
Jacob conferia a cada minuto, nos mantendo numa linha reta com uma das linhas que radiavam no cruzamento. Ele parecia saber o que estava fazendo. Eu ia cumpriment-lo,
mas me segurei. Sem dvida ele ia querer adicionar mais alguns anos  sua j inflada.
Minha mente vagava enquanto eu andava, e eu fiquei curiosa.
Eu no tinha esquecido a conversa que tnhamos tido nos penhascos -
eu estive esperando que ele falasse nisso de novo, mas no parecia que isso ia acontecer.
"Ei... Jake?", eu perguntei hesitante.
"Sim?"
"Como esto as coisas... com Embry? Ele j voltou ao normal?"
Jacob ficou em silncio por um instante, ainda seguindo em frente com longos passos. Quando ele j estava uns dez passos  frente, ele parou pra esperar por mim.
"No. Ele no est de volta ao normal". Jacob disse quando eu me aproximei dele, a boca dele esta com os cantos inclinados pra baixo.
Ele no comeou a andar de novo.
Eu imediatamente me arrepend por ter tocado no assunto.
"Ele ainda est com Sam".
"".
Ele colocou o brao ao redor do meu ombro, e parecia to preocupado que eu no tirei o brao de brincadeira, como teria feito em outra situao.
"Eles ainda esto te olhando engraado?", eu meio suspirei.
Jacob olhou para as rvores. "s vezes".
"E Billy?"
"Ajudando tanto quanto sempre", ele disse com uma voz azeda, raivosa, que me perturbou.
"Nosso sof est sempre vago", eu oferec.
Ele sorriu, quebrando a neblina incomum. "Mas pense em que lado Charlie vai ficar, quando Billy ligar para a polcia pra denunciar o meu sequestro".
Eu sorr tambm, feliz por Jacob ter voltado ao normal.
Ns paramos quando Jacob disse que havamos andado seis milhas, andando para o oeste por um curto tempo, ento ns seguimos por outro lado do seu cruzamento.
Tudo parecia ser exatamente igual, e eu comecei a sentir que o meu pedido havia sido muito bobo. Eu comecei a admitir isso quando comeou a escurecer, e o dia pouco
ensolarado comeou a se transformar numa noite pouco estrelada, mas Jacob estava mais confiante.
"Contanto que voc tenha certeza de que estamos indo para o lugar certo...", ele olhou pra baixo pra mim.
"Sim, eu tenho certeza".
"Ento ns vamos encontrar", ele prometeu, agarrando minha mo e me puxando entre as grossas samambaias. Do outro lado estava a caminhonete. Ele fez um gesto na
direo dela. "Confie em mim".
"Voc  bom", eu admit. "Mas da prxima vez ns vamos trazer lanternas".
"A partir de agora ns vamos deixar as caminhadas para os Domingos. Eu no sabia que voc era to lenta".
Eu puxei minha mo de volta e me empurrei para o lado do motorista enquanto ele gargalhava com a minha reao.
"Ento voc est disposta a dar outra tentativa amanha" ele perguntou escorregando para o banco do passageiro.
"Claro. A no ser que voc queira vir sozinho pra que eu no te atrapalhe com a minha lentido".
"Eu vou sobreviver", ele me assegurou. "Se ns vamos caminhar de novo,  melhor voc vir com outros sapatos. Eu aposto que voc est sentindo essas botas agora".
"Um pouco", eu confessei. Eu sentia que tinha mais dedos do que espao pra comport-los.
"E espero que possamos ver o urso amanh. Eu t meio desapontado com isso".
, eu tambm", eu concordei sarcasticamente
 "Talvez a gente tenha sorte amanh e alguma coisa coma a gente".
"Ursos no querem comer gente. O nosso gosto no  to bom". Ele riu pra mim na cabine escura. " claro que voc pode ser uma exceo. Eu aposto que o seu gosto
 bom".
"Muito obrigada", eu disse, desviando o olhar. Ele no era a primeira pessoa a me dizer isso".

9. Terceira Roda
O tempo estava passando muito mais rpido do que antes. Escola, trabalho e Jacob - no necessariamente nessa ordem - criaram um padro que eu seguia ser esforo.
E Charlie realizou seu desejo: eu no estava mais infeliz.  claro, eu no conseguia me enganar completamente. Quando eu parava de agir, o que eu tentava no fazer
com muita frequencia, eu no conseguia ignorar minhas razes pra me comportar daquele jeito.
Eu era como uma lua perdida - meu planeta havia sido destrudo em algum desastre cataclstico, um cenrio de filme desolador - que continuava, ainda assim, girando
ao redor da rbita apertada do buraco vazio deixado pra trs, ignorando as leis da gravidade.
Eu estava melhorando com a minha moto, isso significava menos curativos pra preocupar Charlie. Mas isso tambm significou que a voz na minha cabea comeou a desaparecer,
at que eu no a ouvia mais. Silenciosamente, eu entrei em pnico. Eu me joguei na procura da clareira com uma intensidade levemente frentica. Eu torturei meu crebro
 procura de outras atividades producentes de adrenalina.
Eu no tinha noo dos dias que se passavam - no havia motivo, j que eu tentava viver no presente o mximo de tempo possvel, sem que o passado desaparecesse,
sem que o futuro impedisse.
Ento eu me surpreend com a data quando Jacob a comentou num dos nossos dias de dever de casa. Ele j estava me esperando quando eu parei na frente da casa dele.
"Feliz dia dos namorados", Jacob disse, sorrindo, mas baixando a cabea enquanto me cumprimentava.
Ele segurou uma caixa pequena, cor de rosa, segurando ela na palma.
Ela tinha formato de corao.
"Bem, eu me sinto uma idiota", eu murmurei. "Hoje  dia dos namorados?"
Jacob balanou a cabea com falsa tristeza. "Voc viaja as vezes. Sim,  catorze de fevereiro. Ento voc vai ser minha namorada? J que voc no me comprou uma
caixa de cinquenta centavos de doces pra mim, isso  o mnimo que voc pode fazer".
Eu comecei a me sentir desconfortvel.
As palavras eram de brincadeira, mas s na superfcie.
"O que exatamente isso envolve?"
"O de sempre - escrava pra toda a vida, esse tipo de coisa"
"Oh, bem, se isso  tudo...", eu peguei os doces. Mas eu estava pensando num jeito de limpar as coisas. De novo. Elas pareciam ficar turvas com frequencia com Jacob.
"Ento, o que vomos fazer amanh? Caminhada ou pronto socorro?"
"Caminhada", eu decidi. "Voc no  o nico que pode ser obcessivo. Eu estou comeando a pensar que imaginei aquele lugar". Eu fiz uma carranca pra o espao.
"No vamos encontrar", ele me assegurou. "Motos na Sexta?", ele ofereceu.
Eu v a chance e a agarrei antes de ter tempo pra pensar.
"Eu vou pro cinema na Sexta. Faz uma eternidade que eu estou prometendo pra os meus amigos da escola que ns vamos sair". Mike ia ficar feliz.
Mas o rosto de Jacob caiu. Eu captei a expresso dos olhos dele antes que ele os baixasse para olhar pro cho.
"Voc vai vir tambm, n?", eu acrescentei rapidamente. "Eu ser que vai ser chato demais ficar com um monte de veteranos enfadonhos?" Minha chance de colocar uma
distncia entre ns j era.
Eu no podia aguentar machucar Jacob; ns parecamos estar conectados de uma forma estranha, e a dor dele dava pontadas na minha prpria. Alm do mais, ter a companhia
de Jacob na minha provao - eu tinha prometido  Mike, mas realmente no me sentia muito entusiasmada a cumprir - era tentador demais.
"Voc quer que eu v, com os seus amigos l?"
"Sim" eu admit honestamente, sabendo que enquanto eu dizia aquelas palavras eu estaria atirando no meu prprio p. "Eu vou me divertir muito mais com voc l. Traga
Quil, ns vamos fazer uma festa".
"Quil vai enlouquecer. Garotas veteranas". Ele gargalhou e fechou os olhos. Eu no mencionei Embry, e ele tambm no. Eu r tambm.
"Eu vou tentar fazer uma boa seleo pra ele".
Eu falei sobre o assunto com Mike na aula de Ingls.
"Ei, Mike", eu disse quando a aula acabou. "Voc est livre na Sexta  noite?"
Ele olhou pra cima, seus olhos azuis instantneamente esperanosos.
", eu estou. Voc quer sair?"
Eu dei minha resposta tomando cuidado com as palavras. "Eu estava pensando em formar um grupo" - eu enfatizei a palavra - "pra irmos ver Crosshairs", dessa vez eu
fiz meu dever de casa - eu at l as sinipses de alguns filmes pra ter certeza de que no seria pega fora de guarda. Esse filme era pra ser um banho de sangue do
incio at o fim. Eu no estava recuperada o suficiente pra encarar um romance. "Parece divertido?"
"Claro", ele disse, visivelmente menos ansioso.
"Legal".
Depois de um segundo, ele voltou ao seu nvel normal de excitao.
"Que tal chamrmos Angela e Ben? Ou Eric e Katie?"
Ele estava determinado a transformar isso numa espcie de duplo encontro, aparentemente.
"Que tal todos?", eu suger. "E Jssica, tambm,  claro. E Tyler e Conner, e talvez Lauren", eu disse com malevolncia. Eu tinha prometido variedade pra Quil.
"Ok", Mike murmurou, derrotado.
"E", eu continuei. "Eu tenho dois amigos de La Push que eu estou convidando. Ento parece que vamos precisar do seu carro se todos vierem".
Os olhos de Mike se estreitaram de suspeita.
" com esses amigos que voc passa todo o seu tempo estudando agora?"
", eles mesmos", eu respond alegremente. "Apesar de voc poder dizer que eu estou mais tutorando - eles so do segundo ano".
"Oh", Mike disse surpreso. Depois de um segundo pensando, ele sorriu.
No fim, porm, o carro de Mike no foi necessrio.
Jssica e Lauren disseram que estavam ocupadas assim que Mike disse que eu estava envolvida no plano. Eric e Katie j tinham planos - era o aniversrio de trs semanas
deles, ou alguma coisa assim.
Lauren falou com Tyler e Conner antes de Mike, ento aqueles dois tambm estavam ocupados. At Quil estava de fora - ele estava de castigo por ter brigado na escola.
No fim, s Angela e Ben, e Jacob,  claro, foram capazes de ir.
O nmero diminuido no conseguiu apagar a animao de Mike, porm.
Isso era tudo sobre o que ele falava na sexta.
"Voc tem certeza que no vai querer assistir Tomorrow and Forever?", ele perguntou no almoo, falando da nova comdia romntica que estava no auge. "Ele teve uma
crtica melhor".
"Eu quero ver Crosshairs", eu insist. "Eu estou a fim de ao. Podem trazer o sangue e os intestnos!"
"Ok", Mike se virou, mas no antes que eu pudesse ver a expresso dele de Talvez-ela-seja-louca-mesmo.
Quando eu cheguei em casa da escola, um carro muito familiar estava estacionado na porta da frente da minha casa. Jacob estava encostado no cap, com um sorriso
enorme iluminando seu rosto.
"Sem essa!" Eu gritei enquanto pulava pra fora da caminhonete. "Voc acabou! Eu no acredito! Voc terminou o Rabbit!"
Ele brilhou. "Na noite passada. Essa  a viagem de inaugurao".
"Incrvel". Eu levantei a mo pra ele bater.
Ele bateu sua mo na minha, mas a deixou l, cruzando seus dedos com os meus. "Ento eu vou poder dirigir hoje?"
"Definitivamente", eu disse, e depois suspirei.
"Qual  o problema?"
"Eu desisto - eu no consigo superar isso. Ento voc vence. Voc  o mais velho".
Ele levantou os ombros, sem se surpreender com a minha desistncia.
" claro que eu sou".
O Suburban de Mike virou na esquina. Eu tirei minha mo da de Jacob, e ele fez uma cara que no era pra eu ver.
"Eu me lembro desse cara", ele disse baxinho enquanto Mike estacionava do outro lado rua. "O que pensava que voc era namorada dele. Ele ainda est confuso?"
Eu ergu uma sobrancelha. "Algumas pessoas so defceis de desencorajar".
"Ainda assim", Jacob disse pensativo. "As vezes a persistncia trs lucros".
"No entanto, s vezes  s muito irritante".
Mike saiu do seu carro e atravessou a rua.
"Oi, Bella", ele me cumprimentou, e ento seus olhos se tornaram cautelosos quando ele olhou pra Jacob. Eu olhei brevemente pra Jacob tambm, tentando ser objetiva.
Ele realmente no parecia nem um pouco estar no segundo ano.
Ele era to grande - a cabea de Mike mal alcanava os ombros dele; eu nem queria pensar em como eu ficava ao lado dele - e ento at o rosto dele parecia mais envelhecido
do que estava h um ms atrs.
"Oi, Mike! Voc se lembra de Jacob Black?"
"Na verdade no", Mike estendeu sua mo.
"Velho amigo da famlia", ele se apresentou, com um aperto de mos.
Eles apertaram as mos com mais fora que o necessrio. Quando o aperto acabou, Mike flexionou os dedos.
Eu ouv o telefone tocando na cozinha.
" melhor eu ir atender - pode ser Charlie", eu disse pra eles, e corr pra dentro.
Era Ben. Angela estava doente com um problema no estmago, ele no estava a fim de ir sem ela. Ele se desculpou por furar com a gente.
Eu caminhei de volta lentamente para os garotos esperando. Eu realmente esperava que Angela melhorasse logo, mas eu tinha que admitir que estava egoistamente aborrecida
por isso. S ns trs, Mike e Jacob e eu, juntos durante a noite - isso ia ser brilhante, eu pensei com um sorriso de sarcasmo.
Nao parecia que Jacob e Mike havia feito grandes progressos na amizade durante a minha ausncia. Eles estavam alguns metros distntes, olhando pra longe um do outro
enquanto esperavam; a expresso de Mike estava solene, mas a de Jacob estava to alegre como sempre.
"Ang est doente", eu disse a eles mal humorada. "Ela e Ben no esto vindo".
"Eu acho que essa doena est se espalhando. Austin e Conner tambm esto de cama hoje. Talvez a gente devesse fazer isso outra hora", Mike sugeriu.
Antes que eu pudesse concordar, Jacob falou.
"Eu ainda estou a fim. Mas se voc preferir ficar, Mike -"
"No, eu vou", Mike interrompeu. "E s estava pensando em Angela e Ben. Vamos l", ele comeou a se dirigir para o Suburban dele.
"Ei, voc se importa se Jacob dirigir?", eu perguntei. "Eu disse que ele podia - ele acabou de terminar seu carro. Ele o construiu inteiro, sozinho", eu alardiei
como uma me orgulhosa cujo filho  o primeiro da sala.
"T bom", Mike atirou.
"Ta bom ento", Jacob disse, como se isso acertasse tudo. Ele parecia mais confortvel que todo mundo.
Mike se sentou no banco de trs do Rabbit com uma expresso de nojo.
Jacob estava brilhante como sempre, tagarelando sem parar at que eu me esquec de Mike amuado no banco de trs.
E ento Mike mudou sua estratgia. Ele se inclinou pra frente, descansando o queixo no encosto de ombros do meu banco; a bochecha dele quase tocava a minha. Eu me
afastei, ficando de costas para a janela.
"O som dessa coisa no funciona?" Mike perguntou com uma pontada de petulncia, interrompendo Jacob no meio de uma frase.
"Sim", Jacob respondeu. "Mas Bella no gosta de msica".
Eu encarei Jacob, surpresa. Eu nunca tinha dito isso pra ele.
"Bella?", Mike perguntou, aborrecido.
"Ele est certo", eu respond, ainda olhando para o perfil sereno de Jacob.
"Como  que voc pode no gostar de msica?", Mike quis saber.
Eu levantei os ombros. "Eu no sei. S me irrita".
"Hmph", Mike se afastou.
Quando ns chegamos no cinema, Jacob me deu uma nota de dez dlares.
"O que  isso?", eu perguntei.
"Eu no sou velho o suficiente pra ver esse", ele me lembrou.
Eu r alto. "J era com as idades relativas. Billy vai me matar se eu te arrastar l pra dentro?"
"No. Eu vou dizer que voc estava tentando corromper minha inocncia juvenil".
Eu r silenciosamente, e Mike forou o passo pra se aproximar de ns.
Eu quase desejei que Mike tivesse desistdo de vir. Ele ainda estava solene- no era uma grande contribuio para a festa. Mas eu tambm no queria acabar sozinha
num encontro com Jake. Isso no ia ajudar em nada.
O filme era exatamente o que eu esperava que fosse. S nos crditos iniciais, quatro pessoas explodiram e uma foi decapitada. A garota na minha frente tapou os olhos
com as mos e escondeu o rosto no peito do namorado. Ele deu uns tapinhas no ombro dela, e ocasionalmente estremecia tambm. Mike no parecia estar assistindo.
O rosto dele estava rgido enquanto ele olhava para a cortina franzida em cima da tela.
Eu me fiz confortvel pra aguentar as duas horas, preferindo ver as cores e os movimentos da tela do que ver as pessoas e os carros e as casas.
Mas ento Jacob comeou a rir silenciosamente.
"Que foi?", eu perguntei.
"Oh, fala srio!", ele sussurrou de volta. "O sangue daquele cara voou metros. Quo falso voc pode ser?"
Ele gargalhou de novo, enquanto um mastro de uma bandeira espatifava outro homem numa parede de concreto.
Depois disse, eu realmente comecei a assistir o show, rindo com ele enquanto o desfecho se tornava mais e mais ridculo. Como era que eu ia lutar com as linhas distorcidas
do nosso relacionamento quando eu gostava tanto de ficar com ele?
Tanto Jacob quanto Mike usaram os meus descansos de brao dos dois lados. As mos dos dois descansava levemente, com a palma virada pra cima, numa posio que no
parecia muito natural. Como armadilhas de metal pra ursos, abertas e prontas. Jacob tinha o hbito de agarrar a minha mo sempre que tinha a oportunidade, mas al
no escuro do cinema, com Mike olhando, isso teria um significado diferente - e eu tinha certeza que ele sabia disso. Eu no conseguia acreditar que Mike estava pensando
a mesma coisa que Jacob, mas ele colocou a mo exatamente do mesmo jeito.
Eu cruzei meus braos com fora no peito e esperei que as mos deles ficassem dormentes.
Mike desistiu primeiro. L pro meio do filme, ele puxou seu brao, e se inclinou pra frente pra colocar a cabea nas mos. No comeo eu pensei que ele estava reagindo
 alguma coisa que tinha visto na tela, mas depois ele gemeu.
"Mike, voc est bem?", eu sussurrei.
O casal na nossa frente se virou pra olhar pra ele quando ele gemeu de novo.
Eu podia ver um brilho de suor no rosto dele com a luz fraca da tela.
Mike gemeu de novo, e saiu correndo pela porta. Eu me levantei pra segu-lo, e Jacob me copiou imediatamente.
"No, fique", eu sussurrei. "Eu vou ver se ele est bem".
Jacob veio comigo do mesmo jeito.
"Voc no tem que vir. Faa os seus oito dlares valerem a pena".
Eu insist enquanto caminhava pelo corredor.
"Tudo bem. Voc pode ficar com eles, Bella. Esse filme no presta". A voz dele passou de um sussurro pra o seu tom normal enquanto saamos da sala.
No havia sinal de Mike no corredor, e eu fiquei feliz que Jacob tivesse vindo comigo - ele se enfiou no banheiro masculino pra procur-lo por mim.
Jacob voltou depois de alguns segundos.
"Oh, ele est l, com certeza", ele disse, revirando os olhos.
"Que molenga. Voc devia ter chamado por algum com um estmago mais forte. Algum que r daquilo que faz homens mais fracos vomitarem".
"Eu vou manter os olhos abertos pra algum assim".
Ns estvamos sozinhos no corredor. As duas salas estavam com os filmes na metade, e ele estava deserto - quieto o suficiente pra ns ouvirmos a pipoca estourando
no balco de venda no saguo.
Jacob foi se sentar no banco coberto de veludo, dando uns tapinhas no espao vazio ao lado dele.
"Parecia que ele ainda ia ficar l dentro por algum tempo", ele disse, esticando as pernas na frente dele enquanto se preparava pra esperar.
Eu me juntei a ele com um suspiro. Ele parecia estar pensando em cruzar mais algumas linhas. Assim, assim que eu me sentei, ele se inclinou pra colocar o brao sobre
os meus ombros.
"Jake", eu protestei, saindo de perto. Ele tioru o brao sem parecer nem um pouco aborrecido com a pequena rejeio. Ele avanou e pegou minha mo com firmeza, passando
o outro brao na minha cintura quando eu tentei me afastar de novo. De onde foi que ele tirou essa confiana?
"Agora, s espere um momento, Bella", ele disse com uma voz calma. "Me diga uma coisa".
Eu fiz uma careta. Eu no queria fazer isso. No s agora, mas nunca. No havia mais nada nesse ponto da minha vida que fosse mais importante que Jacob Black. Mas
ele parecia determinado a arruinar tudo.
"O que?", eu perguntei acidamente.
"Voc gosta de mim, certo?"
"Voc sabe que eu gosto".
"Mas do que daquele palhao botando as tripas pra fora l dentro?"
Ele fez um gesto para a porta do banheiro.
"Sim", eu suspirei.
"Mais que os outros caras que voc conhece?" Ele estava calmo, sereno - como se minha resposta no importasse, ou como se ele j soubesse qual ela seria.
"Mais do que as garotas tambm", eu apontei.
"Mas isso  tudo", ele disse, e isso no era uma pergunta.
Era difcil responder, dizer a palavra. Ser que ele ficaria magoado e me evitaria? Como eu aguentaria isso?
"Sim", eu sussurrei.
Ele sorriu pra mim. "Est tudo bem, sabe. Contanto que voc goste mais de mim. E voc me ache bonito - mais ou menos. Eu estou preparado pra ser irritadoramente
persistente".
"Eu no vou mudar", eu disse, a apesar de tentar fazer minha voz parecer normal, eu podia ouvir a tristeza nela.
O rosto dele estava pensativo, no estava mais zombeteiro. "Ainda  o outro, no ?"
Eu enrolei. Engraado como ele parecia saber que no devia dizer o nome dele - exatamente como no carro em relao  musica.
Ele havia entendido tanta coisa sem que eu precisasse dizer.
"Voc no tem que falar sobre isso", ele disse.
Eu balancei a cabea, agradecida.
"No fique brava comigo por estar por perto, t legal?", Jacob deu uns tapinhos nas costas da minha mo. "Porque eu no vou desistir. Eu tenho bastante tempo".
Eu suspirei. "Voc no devia perd-lo", eu disse, apesar de querer que ele perdesse. Especialmente se ele estava disposto a me aceitar do jeito que eu era - bem
danificada, desse jeito.
" isso que eu quero fazer, enquanto voc ainda gostar de ficar comigo".
"Eu no consigo imaginar como eu poderia no gostar de estar com voc", eu disse honestamente.
Jacob brilhou. "Eu posso viver com isso".
"S no espere mais", eu avisei, tentando puxar minha mo. Ele a segurou obstinadamente.
"Isso no te incomoda de verdade, incomoda?", ele quis saber, apertando os meus dedos.
"No", eu suspirei. Realmente, era bom. A mo dele era muito mais quente do que a minha; eu estava sempre com frio demais ultimamente.
"E voc no se importa com o que ele pensa", Jacob apontou o polegar para a porta do banheiro.
"Eu acho que no".
"Ento qual  o problema?"
"O problema", eu disse " que isso , pra mim, significa uma coisa diferente do que significa pra voc".
"Bem", ele apertou sua mo na minha. "Isso  problema meu no ?"
"Tudo bem", eu rosnei "Contudo, no se esquea disso".
"Eu no vou. Agora o pino da minha granada saiu, no foi?" Ele cutucou minhas costelas.
Eu revirei os olhos. Se ele estava com vontade de fazer piada com isso, ele podia fazer.
Ele gargalhou silenciosamente por um minuto enquanto seus dedos rosados traavam desenhos no lado da minha mo.
" uma cicatriz engraada que voc tem aqui" ele disse de repente, virando minha mo para examin-la. "Como isso aconteceu?"
O dedo indicador da mo livre dele seguia a linha prateada que mal era visvel na minha pele plida.
Eu dei um olhar zangado. "Voc realmente espera que eu me lembre de onde todas as minhas cicatrizes vieram?"
Eu esperei por um momento para que a memria o abrisse - o grande buraco vazio. Mas, como acontecia frequentemente, a presena de Jacob me manteve inteira.
" fria" ele murmurou, pressionando levemente o lugar onde James havia me cortado com seus dentes.
E ento Mike cambaleou do banheiro, seu rosto estava cinzento e coberto de suor. Ele parecia horrvel.
"Oh, Mike", eu asfixiei.
"Voc se importa se formos mais cedo?", ele sussurrou.
"No,  claro que no". Eu livrei minha mo e fui ajudar Mike a caminhar. Ele parecia prestes a cair.
"O filme foi demais pra voc?" Jacob perguntou sem se importar.
O olhar de Mike foi malevolente. "Na verdade eu nem o v", ele murmurou. "Eu j estava enjoado antes das luzes apagarem?"
"Porque voc no disse nada?" eu repreend enquanto ns amos para a sada.
"Eu estava esperando que passasse", ele disse.
"S um segundo", Jacob disse enquanto ns nos aproximamos da porta. Ele caminhou rapidamente para o balco de vendas.
"Ser que eu posso pegar um balde de pipocas vazio?", ele pediu para a vendedora. Ela olhou pra Mike uma vez, e ento jogou um balde pra Jacob.
"Leve ele pra fora, por favor", ela implorou. Obviamente era ela que ia limpar o cho.
Eu guiei Mike para o ar frio, molhado. Ele inalou profundamente. Jacob estava bem atrs de ns. Ele me ajudou a colocar Mike no banco de trs do carro, e o passou
o balde com uma cara sria.
"Por favor", foi tudo o que Jacob disse.
Ele abriu as janelas, deixando o ar gelado da noite entrar no carro, esperando que isso ajudasse Mike. Eu enrolei meus braos nas minhas pernas pra me manter aquecida.
"Com frio de novo?", Jacob perguntou colocando o brao ao redor do meu ombro antes que eu pudesse responder.
"Voc no?"
Ele balanou a cabea.
"Voc deve estar com febre ou alguma coisa assim", eu rosnei. Estava congelando. Eu toquei meus dedos na testa dele e a cabea dele estava quente.
"Nossa, Jake - voc est fervendo!"
"Eu me sinto bem". Ele levantou os ombros. "Absolutamente normal".
Eu fiz uma careta e toquei a testa dele de novo. A pele dele queimou embaixo dos meus dedos.
"Suas mos so como gelo", ele reclamou.
"Talvez seja eu", eu admit.
Mike gemeu no banco de trs, e vomitou no balde. Eu fiz uma careta, esperando que o meu estmago conseguisse aguentar o som e o cheiro. Jacob olhou ansiosamente
por cima do ombro pra ter certeza de que o seu carro estava intacto.
A estrada pareceu mais longa no caminho de volta.
Jacob estava quieto, pensativo. Ele deixou seu brao ao meu redor, e ele era to quente que o ar frio parecia agradvel.
Eu olhei pelo parabrisa, consumida de culpa.
Era muito errado encorajar Jacob. Puro egosmo. No importava que eu tivesse tentado me livrar da responsabilidade. Se ele achava que isso podia ser alguma coisa
alm de amizade, ento eu no tinha sido clara o suficiente.
Como era que eu ia explicar de uma forma que ele entendesse? Eu era uma concha vazia.
Como uma casa abandonada - condenada - por meses eu estive completamente inabitvel. Agora eu estava um pouco melhorada. A sala da frente havia sido um pouco concertada.
Mas isso era tudo - s um pequeno pedao.
Ele merecia mais do que isso - mais que um pedao, mal concertado.
Nenhum investimento da parte dele podia me colocar em bom estado mais uma vez.
Mesmo assim, eu sabia que no poderia mand-lo embora sem arrependimentos. Eu precisava muito dele, e eu era egosta. Talvez eu pudesse deixar o meu lado mais claro,
assim ele saberia que devia me deixar. O pensamento me fez tremer, e Jacob apertou o brao ao meu redor.
Eu dirig Mike com o carro dele, enquanto Jacob nos seguia atrs pra me levar pra casa. Jacob estava quieto no caminho de volta pra minha casa, e eu me perguntei
se ele estava pensando nas mesmas coisas que eu estava. Talvez ele estivesse mudando de idia.
"Eu me convidaria pra entrar, j que voltamos cedo", ele disse enquanto estacionava ao lado da minha caminhonete. "Mas eu acho que voc pode estar certa sobre a
febre. Eu estou comeando a me sentir um pouco... estranho".
"Ah no, no voc tambm! Voc quer que eu te leve at em casa?"
"No", ele balanou a cabea, as sobrancelhas se juntando. "Eu ainda no estou me sentindo mal. S... errado. Se eu precisar, eu paro".
"Voc me liga assim que chegar?", eu perguntei ansiosamente.
"Claro, claro", ele fez uma careta, olhando em frente para a escurido e mordendo o lbio.
Eu abri minha porta pra sair, mas ele segurou meu punho levemente e me segurou l. Eu reparei de novo como a pele quente dele ficava na minha.
"O que , Jake?", eu perguntei.
"H algo que eu quero te dizer, Bella... mas eu acho que vai parecer meio meloso".
Eu suspirei. Isso ia ser que nem no cinema. "V em frente".
" s que, eu sei que voc provavelmente est muito infeliz. Eu, talvez isso no ajude em nada, mas eu quero que voc saiba que eu vou estar sempre aqui. Eu nunca
vou te decepcionar - eu prometo que voc pode sempre contar comigo. Uau, isso parece meloso. Mas voc sabe disso, no sabe? Que eu nunca, jamais machucaria voc?"
", Jake, eu sei disso. E eu j estou contando com voc, provavelmente mais do que vocsabe".
Um sorriso se abriu no rosto dele do jeito como um nascer do sol nasce entre as nuvens, e eu queria cortar minha lngua. Nenhuma das palavras que eu disse era mentira,
mas eu devia ter mentido. A verdade era errada, ia machucar ele. Eu ia decepcion-lo.
Um olhar estranho apareceu no rosto dele. "Eu realmente acho melhor eu ir pra casa agora", ele disse.
Eu sa rapidamente.
"Me liga!" eu gritei enquanto ele ia embora.
Eu olhei ele ir, e ele pelo menos parecia ter o controle do carro. Eu olhei para a rua vazia depois que ele j tinha ido embora, me sentindo um pouco doente tambm,
mas no era nada fsico.
Como eu queria que Jacob tivesse nascido meu irmo, meu irmo de carne e sangue, pra que assim eu tivesse direitos sobre ele sem que tivesse que tivesse que me sentir
culpada. Os cus sabem que eu nunca quis usar Jacob, mas eu no podia deixar de interpretar a culpa que eu sentia agora como um sinal de que eu havia feito isso.
Mais ainda, eu no queria am-lo. Uma coisa eu realmente sabia - sabia com a pontada do meu estmago, no centro dos meus ossos, sabia isso do topo da minha cabea
at as solas dos ps, sabia isso no meu peito vazio - o amor por uma pessoa pode ter o poder de te destruir.
Eu estava destruda e sem reparo.
Mas eu precisava de Jacob agora, precisava dele como uma droga. Eu o havia usado como bengala por tempo demais, e eu estava mais apegada do que havia planejado fazer
com uma pessoa de novo. Agora eu no podia suportar que ele se ferisse, e eu no podia fazer nada pra poup-lo, tambm.
Ele pensava que tempo e paciencia iam me mudar, e, apesar de saber que ele estava completamente errado, eu tambm havia o deixado tentar.
Ele era meu melhor amigo. Eu sempre ia am-lo, e isso nunca, jamais seria suficiente.
Eu fui l pra dentro me sentar perto do telefone e roer as unhas.
"O filme j acabou?" Charlie perguntou surpreso quando me viu entrar. Ele estava no cho, bem perto da TV. Provavelmente estava esperando um jogo.
"Mike ficou doente", eu expliquei. "O mesmo problema no estmago".
"Voc est bem?"
"Eu me sinto bem agora", eu disse duvidosamente. Claramente, eu estive exposta.
Eu me inclinei no balco da cozinha, minha mo a centmetros do telefone, e tentei esperar pacientemente. Eu pensei no jeito estranho do rosto de Jacob antes de
ele ter ido embora, e meus dedos comearam a batucar na balco da cozinha. Eu devia ter insistido pra lev-lo pra casa.
Eu olhei para o relgio enquanto os minutos se passagem rapidamente. Dez. Quinze. Mesmo quando era eu quem estava dirigindo, s levavam quinze minutos, e Jacob dirigia
mais rpido que eu. Dezoito minutos. Eu peguei o telefone e disquei.
Tocou e tocou. Talvez Billy tivesse dormido. Talvez eu tivesse ligado errado. Eu tentei de novo.
No oitavo toque, bem quando eu estava prestes a desligar, Billy atendeu.
"Alo?", ele perguntou. A voz dele estava cautelosa, como se ele estivesse esperando notcias ruins.
"Billy, sou eu, Bella - Jacob j chegou em casa? Ele saiu daqui a mais ou menos uns vinte minutos".
"Ele est aqui", Billy disse sem tom.
"Era pra ele me ligar", eu estava um pouco irritada. "Ele estava ficando doente quando foi embora, e eu fiquei preocupada".
"Ele estava... doente demais pra ligar. Ele no est se sentindo muito bem agora". Billy parecia distante. Eu me dei conta de que ele podia querer ir ficar com Jacob.
"Me avise se eu puder ajudar em alguma coisa", eu ofereci, "Eu posso ir at a". Eu pensei em Billy preso em sua cadeira, e Jake tendo que se virar sozinho...
"No, no", Billy disse rapidamente. "Ns estamos bem. Fique em sua casa".
O jeito que ele disse foi quase rude.
"Tudo bem", eu concordei
"Tchau, Bella".
A linha caiu.
"Tchau", eu murmurei.
Bem, pelo menos ele chegou em casa. Estranhamente, eu no me sentia menos preocupada. Eu sub as escadas, temendo. Talvez eu fosse at l amanh antes do trabalho
pra ver como ele estava. Eu podia levar uma sopa - ns deviamos ter uma lata de sopa em algum lugar.
Eu me dei conta de que todos os meus planos foram cancelados quando eu me acordei mais cedo - meu relgio dizia quatro e meia - e cambaleei at o banheiro. Charlie
me achou l meia hora depois, deitada no cho, com minha bochecha encostada na beira fria da banheira.
Ele olhou pra mim por um longo momento.
"Doente do estmago", ele disse finalmente.
"Sim", eu gem.
"Voc precisa de alguma coisa?" ele perguntou.
"Ligue pra o Newton's pra mim, por favor", eu instru com a voz rouca. "Diga pra eles que eu tenho o que Mike tem, e que eu no posso ir hoje. Diga a eles que eu
lamento".
"Claro, sem problemas", Charlie me assegurou.
Eu passei o resto do dia no cho do banheiro, dormindo por algumas horas com a cabea em cima de uma toalha. Charlie disse que ele tinha que ir trabalhar, mas eu
suspeitei que ele s queria poder ter acesso a um banheiro. Ele deixou um copo de gua ao meu lado no cho pra eu me manter hidratada.
Eu s acordei quando ele voltou pra casa. Eu podia ver que estava escuro no meu quarto - depois do cair da noite. Ele subiu as escadas pra vir me ver.
"Ainda viva?"
"Mais ou menos", eu disse.
"Voc quer alguma coisa?"
"No, obrigada".
Ele hesitou, claramente sem saber o que fazer. "Tudo bem, ento", ele disse e ento voltou para a cozinha.
Eu ouv o telefone tocar alguns minutos depois. Charlie falou com uma voz baixa por alguns instantes e depois desligou.
"Mike se sente melhor", ele me informou.
Bem, isso era encorajador. Ele s tinha ficado doente oito horas antes de mim. Mais oito horas.
o pensamento fez meu estmago revirar, e eu me levantei pra me inclinar na privada.
Eu peguei no sono na toalha de novo, mas quando eu me acordei eu estava na minha cama e j estava claro no lado de fora da minha janela; Charlie deve ter me carregado
pro meu quarto - ele tambm havia colocado um copo de gua na minha mesinha de cabaceira pra mim. Eu me sentia ressecada. Eu o beb, apesar de ele estar com um gosto
engraado por ter permanecido intocado a noite inteira.
Eu me levantei lentamente, tentando no desencadear a nusea de novo. Eu estava fraca, e minha boca estava com um gosto horrvel, mas o meu estmago estava bem.
Eu olhei para o meu relgio.
As vinte e quatro horas haviam passado.
Eu no forcei, e no com nada alm de biscoitos salgados no caf da manh. Charlie pareceu aliviado por me ver recuperada.
Assim que eu tive a certeza de que no precisaria passar o dia inteiro no cho do banheiro de novo, eu liguei pra Jacob.
Foi Jacob que atendeu, mas quando eu ouv a saudao dele, eu sabia que ele ainda no estava bem.
"Alo?", a voz dele estava quebrada, rachada.
"Oh, Jake", eu disse simpatizada. "Voc parece horrvel".
"Eu me sinto horrvel", ele sussurrou.
"Eu lamento por ter feito voc sair comigo. Isso  pssimo".
"Eu estou feliz por ter ido", a voz dele ainda era s um sussurro.
"No se culpe. Isso no  culpa sua".
"Voc vai melhorar logo", eu promet. "Eu j estava bem quando acordei essa manh".
"Voc estava doente?", ele perguntou abobalhado.
"Sim, eu peguei tambm. Mas agora eu j estou bem".
"Isso  bom", a voz dele estava morta.
"Ento voc provavelmente vai ficar melhor em algumas horas", eu encorajei.
Eu mal pude ouvir a resposta dele. "Eu no acho que estou com a mesma coisa que voc teve".
"Voc no est com a doena no estmago?" eu perguntei, confusa.
"No,  outra coisa".
"O que h de errado com voc?"
"Tudo", ele sussurrou. "Todas as partes de mim doem".
A dor na voz dele era quase tocvel.
"O que eu posso fazer, Jake? O que eu posso levar pra voc?"
"Nada. Voc no pode vir aqui". Ele foi abrupto. Isso me fez lembrar de Billy na noite passada.
"Eu j fui exposta a o que quer que voc tenha", eu apontei.
Ele me ignorou. "Eu te ligo quando puder. Eu te aviso quando voc puder vir aqui".
"Jacob-"
"Eu tenho que ir", ele disse com uma urgencia repentina.
"Me ligue quando estiver se sentindo melhor".
"Certo", ele concordou, e a voz dele tinha uma pontada estranha, cida.
Ele ficou em silncio por um minuto. Eu estava esperando que ele disesse tchau, mas ele estava esperando tambm.
"Eu te vejo depois", eu finalmente disse.
"Espere que eu ligue", ele disse de novo.
"Ok... Tchau, Jacob".
"Bella", ele sussurrou meu nome, e ento desligou o telefone.

10. A Clareira
Jacob no ligou.
Da primeira vez que eu liguei, Billy atendeu e disse que Jacob ainda estava na cama. Eu fiquei curiosa, checando pra ter certeza de que Billy havia levado ele ao
mdico. Billy disse que tinha, mas, por alguma razo eu no comprei isso, eu no acreditei nele. Eu liguei de novo, vrias vezes por dia, pelos dois dias seguintes,
mas nem tinha ningum l.
No sbado, eu decidi ir visit-lo, que se danasse o convite. Mas a pequena casa vermelha estava vazia. Isso me assustou - ser que Jacob estava to doente que teve
que ser internado no hospital? Eu parei no hospital no caminho de volta pra casa, mas a enfermeira na mesa da frente me disse que nenhum Jacob ou Billy esteve l.
Eu fiz Charlie ligar pra Harry Clearwater assim que ele chegou em casa do trabalho. Eu esperei, ansiosa, enquanto Charlie tagarelava com o seu velho amigo; a conversa
pareceu durar uma eternidade sem que Jacob fosse mencionado. Parecia que Harry havia estado no hospital... foi fazer algum tipo de teste no corao. A testa de Charlie
ficou toda enrugada, mas Harry fez piada com ele, mudando de assunto, at que Charlie estava sorrindo de novo. S a Charlie perguntou sobre Jacob, e agora o lado
dele da conversa no me dava muito a entender, s um monte de Hmmms e . Eu batuquei meus dedos no balco ao lado dele at que ele colocou a mo dele em cima
da minha pra me fazer parar.
Finalmente, Charlie desligou o telefone e se virou pra mim.
"Harry disse que houveram problemas com as linhas telefnicas, e que foi por isso que voc no conseguiu falar com eles. Billy levou Jacob para o mdico de l, e
parece que ele est com Mononucleose. Ele est muito cansado, e Billy est proibindo as visitas", ele informou.
"Nada de visitas?", eu perguntei sem acreditar.
Charlie ergueu uma sobrancelha. "Agora no comece a ser incmoda, Bells. Billy sabe o que  melhor pra Jake. Ele vai estar de p em breve. Seja paciente".
Eu no quis forar a barra. Charlie estava muito preocupado com Harry. Esse claramente era um problema mais srio - no era certo incomod-lo com os meus probleminhas.
Ao invs disso, eu fui l pra cima e liguei o meu computador. Eu encontrei um site mdico on line e digitei "mononucleose" na caixinha de buscas.
A nica coisa que eu sabia sobre Mononucleose era que voc podia pegar beijando, que claramente no era o caso de Jake. Eu li os sintomas rapidamente - a febre ele
definitivamente tinha, mas e quanto ao resto?
Nenhum horrvel inchao na garganta, sem exausto, sem dores de cabea, pelo menos no at antes de ele chegar em casa depois do cinema; ele disse que se sentia
"absolutamente normal". Ser que isso tudo apareceu to rpido? O artigo fazia parecer que os inchaos apareciam primeiro.
Eu olhei para a tela do computador e me perguntei porque, exatamente, eu estava fazendo isso. Porque eu me sentia to... to suspeita, como se eu no acreditasse
na histria de Billy? Porque Billy iria mentir pra Harry?
Eu estava sendo boba, provavelmente. Eu s estava preocupada, e, pra ser honesta, eu estava com medo por no estar sendo permitida de visitar Jacob - isso me deixou
nervosa.
Eu deslizei pelo resto do artigo, procurando por mais informaes. Eu parei quando cheguei na parte que dizia que a mono podia durar mais de um ms.
Um ms? Minha boca se abriu.
Billy no podia proibir as visitas por tanto tempo.  claro que no. Jake ficaria louco se ficasse numa cama esse tempo todo sem falar com ningum.
Do que  que Billy estava com medo, afinal? O artigo dizia que a pessoa como Mono devia evitar atividades fsicas, mas no dizia nada sobre visitas. A doena no
era to contagiosa.
Eu daria a Billy uma semana, eu decid, antes de forar a barra. Uma semana era uma generosidade.
Uma semana era muito tempo. Na quarta, eu j no tinha certeza se sobreviveria at o sbado.
Quando eu decidi que deixaria Billy e Jacob a ss por uma semana, eu no acreditava realmente que Jacob fosse seguir as regras de Billy. Todos os dias quando eu
voltava pra casa da escola, eu corria pra o telefone pra checar as mensagens. Nunca havia nenhuma.
Eu tra trs vezes tentando ligar pra ele, mas as linhas telefnicas ainda no estavam funcionando.
Eu ficava em casa por tempo demais, e sozinha demais. Sem Jacob, minha adrenalina e minhas distraes, e tudo mais que eu havia reprimido comearam a me deixar impaciente.
Os sonhos ficaram piores de novo. Eu no conseguia mais ver o fim se aproximando. O horrvel vazio - metade do tempo na floresta, metade no tempo no mar de grama
onde a casa branca no existia mais. As vezes Sam Uley estava l na floresta, me olhando de novo. Eu no prestava ateno nele - no havia nenhum conforto na presena
dele; ela no fazia eu me sentir menos sozinha. Ela no me fez parar de gritar at acordar, noite aps noite.
O buraco no meu peito estava pior que nunca. Eu achava que estava comeando a control-lo, mas eu me pegava me curvando, dia aps dia, agarrando os meus dois lados,
e sufocando por ar.
Eu no estava lidando bem com isso sozinha.
Eu fiquei aliviada alm das medidas, quando me acordei de manh - gritando,  claro - e me lembrei de que era sbado. Hoje eu podia ligar pra Jacob.
E se as linhas telefnicas ainda no estivessem funcionando, ento eu iria  La Push. De um jeito ou de outro, hoje seria melhor do que a minha ltima semana de
solido.
Eu disquei, e ento esperei sem elevar as minhas expectativas.
Eu fui pega fora de guarda quando Billy atendeu no segundo toque.
"Al?"
"Oh, ei, o telefone est funcionando de novo! Oi, Billy.  Bella. Eu s estou ligando pra saber como Jacob est. Ele j pode receber visitas? Eu estava pensando
em passar por a-"
"Eu lamento, Bella", Billy interrompeu, e eu me perguntei se ele estava assistindo TV; ele parecia distrado. "Ele no est aqui".
"Oh", isso me levou um segundo. "Ele st se sentindo melhor, ento?"
"", Billy hesitou por um instante longo demais. "Acontece que no fim ele no estava com Mononucleose. Era s algum outro vrus".
"Oh. Ento... onde ele est?"
"Ele est dando a alguns amigos uma carona at Port Angeles - eu acho que eles vo pegar uma sesso dupla ou alguma coisa assim. Ele vai ficar fora o dia inteiro".
"Bem, isso  um alvio. Eu estava to preocupada. Eu me alegro que ele tenha se sentido bem o suficiente pra sair". A minha voz parecia horrivelmente falsa enquanto
eu tagarelava.
Jacob estava melhor,mas no bem o suficiente pra me ligar. Ele havia sado com os amigos. Eu estava sozinha em casa, sentindo mais falta dele a cada hora. Eu estava
sozinha, preocupada, enfadada... perfurada - e agora tambm estava desolada ao descobrir que uma semana de distncia no teve o mesmo efeito nele.
"Tem algo em particular que voc queira?" Billy perguntou educadamente.
"No, na verdade no".
"Bem, eu digo pra ele que voc ligou", Billy prometeu. "Tchau, Bella".
Eu fiquei parada um momento com o telefone ainda na minha mo.
Jacob deve ter mudado de idia, assim como eu temia. Ele ia seguir o meu conselho e ia parar de perder tempo com uma pessoa que no podia retornar os seus sentimentos.
Eu senti o sangue fugindo do meu rosto.
"H algo errado?" Charlie me perguntou enquanto descia as escadas.
"No", eu menti desligando o telefone. "Billy disse que Jacob est se sentindo melhor. No era mono. Isso  bom".
"Ele est vindo aqui, ou voc est indo pra l?" Charlie perguntou ausentemente enquanto comeava a vasculhar na geladeira.
"Nenhum dos dois", eu admiti. "Ele saiu com uns amigos".
O tom da minha voz finalmente chamou a ateno de Charlie. Ele olhou pra mim com olhos alarmados de repente, as mos dele congelaram num pacote de queijo fatiado.
"No  um pouco cedo demais pra almoar?", eu perguntei to levemente quanto pude, tentando distra-lo.
"No, eu s vou empacotar alguma coisa pra levar para o rio..."
"Oh, vai pescar hoje?"
"Bem, Harry ligou... e no est chovendo" Ele estava criando uma pilha de comida no balco enquanto falava. De repente ele olhou pra cima de novo, como se tivesse
acabado de se dar conta de alguma coisa. "Diga, voc quer que eu fique aqui com voc, j que Jake saiu?"
"Est tudo bem, pai", eu disse trabalhando pra soar diferente. "Os peixes so melhor fisgados quando o tempo est bom".
Ele olhou pra mim, a indeciso estava clara no rosto dele. Eu sabia que ele estava se preocupando, com medo de me deixar sozinha, no caso de eu ficar um "palerma"
de novo.
"Srio, pai. Eu acho que vou ligar pra Jssica", eu lorotei rapidamente. Eu preferia ficar sozinha do que com ele me vigiando o dia inteiro. "Ns temos um teste
de Clculo pra estudar. Eu podia usar a ajuda dela". Essa parte era verdade. Mas eu teria que conseguir me virar sozinha.
"Essa  uma boa idia. Voc tem passado tanto tempo com Jacob, seus outros amigos devem estar pensando que voc os esqueceu".
Eu sorri e balancei a cabea como se me importasse com o que os meus outros amigos pensavam.
Charlie comeou a se virar, mas se virou de volta com uma expresso preocupada. "Ei, voc vai estudar aqui ou na casa de Jess, certo?"
"Claro, onde mais?"
"Bem,  s que eu quero que voc tome o cuidado de ficar fora da floresta, como eu j te disse antes".
Eu levei um minuto pra entender, de to distrada que estava. "Mais problemas com o urso?"
Charlie balanou a cabea, fazendo uma careta. "Ns temos um mochileiro desaparecido - os patrulheiros encontraram o acampamento dele essa manh, mas no havia sinal
dele. Haviam algumas pegadas muito grandes de animal...  claro que eles apareceram mais cedo, sentindo o cheiro da comida... De qualquer forma, eles esto colocando
armadilhas pra eles agora".
"Oh", eu disse vagamente. Eu no estava realmente ouvindo os avisos dele; eu estava muito mais aborrecida com a situao com Jacob do que com a possibilidade de
ser comida por um urso.
Eu estava feliz que Charlie estava com pressa. Ele no esperou at que eu ligasse pra Jssica, assim eu no tive que cumprir essa promessa.
Eu passei pelas aes de pegar meus livros e coloc-los na mochila; isso provavelmente foi demais, e se ele no estivesse com pressa de se mandar, isso poderia ter
feito ele suspeitar.
Eu estava to ocupada parecendo ocupada que o meu dia ferozmente vazio no realmente bateu em mim at que eu o vi indo embora. Eu s precisei olhar durante uns dois
minutos para o telefone silencioso da cozinha pra decidir que no ia passar o dia em casa. Eu considerei minhas opes.
Eu no ia ligar pra Jssica. At onde eu podia dizer, Jssica havia passado para o lado negro.
Eu podia dirigir at La Push e pegar a minha moto - uma opo muito tentadora, se no fosse por um pequeno problema: quem era que ia me levar para o pronto socorro
se eu precisasse ir pra l depois?
Ou... Eu j estava com o nosso mapa e com o compasso na minha caminhonete. Eu tinha certeza que havia entendido o processo o suficiente at agora pra no me perder.
Talvez eu pudesse eliminar duas linhas hoje, nos colocando  frente na nossa agenda pra quando quer que Jacob resolvesse me honrar com a sua presena de novo. Eu
me recusei a pensar em quanto tempo isso poderia durar. Ou se no duraria pra sempre.
Eu senti uma leve pontada de culpa enquanto me dava conta de como Charlie se sentiria em relao a isso, mas eu a ignorei. Eu simplesmente no podia ficar em casa
hoje de novo.
Alguns minutos depois eu estava na familiar estrada de poeira que no levava a nenhum lugar em particular. Eu deixei as janelas abertas e dirigi o mais rpido que
pude para a sade da minha caminhonete, tentando aproveitar o vento no meu rosto. Estava nublado, mas quase seco - um dia muito bom, pra Forks.
Comear me levou mais tempo do que levaria pra Jacob. Depois que eu estacionei no lugar de sempre, eu tive que passar uns bons quinze minutos estudando cuidadosamente
a pequena agulha do compasso e as marcas do mapa agora bastante usado. Quando eu estava razoavelmente certa de que estava seguindo a linha certa na teia, eu me embrenhei
na mata.
A floresta estava cheia de vida hoje, todas as pequenas criaturas estavam aproveitando a secura momentnea.
De alguma forma, porm, mesmo com os pssaros cantando e fazendo barulho, os insetos zumbindo alto na minha cabea, e at a ocasional corrida de um rato do mato
entre os arbustos, a floresta parecia mais assustadora hoje; me lembrava do meu pesadelo mais recente. Eu sabia que era s porque eu estava sozinha, sentindo falta
do assobio livre de Jacob e do som de outro par de ps pisando no cho molhado.
A sensao de inquietude foi crescendo ficava mais forte quanto mais fundo eu me enfiava na floresta. Respirar comeou a ficar mais difcil - no por causa da exausto,
mas sim porque eu estava tendo problemas com o estpido buraco no meu peito de novo. Eu apertei meus braos com fora ao redor do trax e tentei banir a dor dos
meus pensamentos. Eu quase dei a volta, mas eu odiava ter que jogar fora todo o esforo que j havia feito.
O ritmo dos meus passos comeou a entorpecer a minha mente e a minha dor. A minha respirao ficava uniforme eventualmente, e eu estava feliz por no ter desistido.
Eu estava ficando melhor nesse negcio de caminhar pelas matas; eu podia notar que estava mais rpida.
Eu no me dei conta de o quanto eu estava sendo eficiente. Eu achava que j havia andado milhas e ainda nem havia comeado a cont-las. E ento, com um rapidez que
me desorientou, eu entrei por um arco que era feito com o tronco de duas rvores - passando pelas samambaias que chegavam  altura do peito - passando para a clareira.
Era o mesmo lugar, instantaneamente eu tinha certeza. Eu nunca havia visto outra clareira to simtrica. Ela era perfeitamente redonda como se algum tivesse intencionalmente
criado o crculo sem falhas, arrancando as rvores mas sem deixar evidncias dessa violncia nas ondas de grama.  leste, eu podia ouvir o rio borbulhando silenciosamente.
O lugar no era nem um pouco to fascinante sem a luz do sol, mas ainda era muito bonito e sereno. No era a poca certa para as flores selvagens; o cho estava
grosso com a grama alta que balanava com a brisa leve como se fossem ondas num lago.
Era o mesmo lugar... mas no parecia que eu encontraria l o que eu estava procurando.
A decepo foi quase to instantnea quanto o reconhecimento.
Eu afundei onde estava, me ajoelhando l na beira da clareira, comeando a asfixiar.
De que adiantava seguir em frente? No havia nada l. Nada alm de memrias que eu queria ter trazido  tona quando eu quisesse, se um dia eu fosse capaz de lidar
com a por que elas trariam - a dor que me pegou agora, me deixou fria. No havia nada de especial nesse lugar sobre ele. Eu no tinha certeza absoluta do que esperava
sentir aqui, mas a clareira estava vazia de atmosfera, vazia de tudo, exatamente como todas as coisas. Assim como os meus pesadelos. Minha cabea rodopiou confusa.
Pelo menos eu tinha vindo sozinha. Eu senti uma onda de agradecimento quando me dei conta disso. Se eu tivesse descoberto a clareira com Jacob... bem, no ia ter
jeito de disfarar o abismo no qual eu estava enclausurada agora. Como era que eu ia explicar o fato de estar me fazendo em pedacinhos, o jeito como eu me curvava
numa bola pra evitar que o buraco vazio me partisse em duas? Era muito melhor que eu no tivesse uma platia.
E eu tambm no teria que explicar pra ningum porque estava com tanta pressa de ir embora. Jacob teria presumido, depois de tanto trabalho pra encontrar esse lugar
estpido, que eu ia querer passar mais alguns segundos l. Mas eu j estava tentando encontrar foras pra ficar de p de novo, me forando a sair daquela bola pra
poder escapar. Havia muita dor nesse lugar vazio pra eu suportar - eu ia me arrastando se precisasse.
Que sorte que eu estava sozinha!
Sozinha. Eu repeti a palavra com grande satisfao enquanto me esforava pra ficar de p apesar da dor. Precisamente nesse momento, uma figura saiu de dentro das
rvores ao norte,  uns trinta passos de distncia.
Uma fascinante desordem de emoes passou por mim em um segundo. A primeira foi surpresa; eu estava distante de qualquer trilha aqui, e no esperava companhia. Ento,
enquanto meus olhos se focavam na figura imvel, vendo a incrvel rigidez, a pele plida, uma onda de esperana penetrante passou por mim. Eu a suprimi viciosamente,
lutando contra a agonia igualmente afiada enquanto meus olhos continuavam pra olhar o rosto embaixo do cabelo preto, que no era o que eu estava esperando.
A prxima foi medo; esse no era o rosto pela qual eu vivia aflita, mas ele estava suficientemente perto de mim pra que eu soubesse que aquele homem no era nenhum
mochileiro.
E finalmente, no fim, reconhecimento.
"Laurent!", eu falei com um surpreso prazer.
Era uma resposta irracional. Eu provavelmente devia ter parado no medo.
Laurent fazia parte do grupo de James quando eu o conheci. Ele no esteva envolvido na caada que se seguiu - a caada na qual eu era a presa - mas isso foi s porque
ele estava com medo; eu era protegida por um grupo maior do que o dele. Teria sido diferente se esse no fosse o caso - ele no tinha nada contra, naquela poca,
a idia de me fazer de refeio.  claro, ele devia ter mudado, porque ele foi para o Alaska pra viver com outro grupo civilizado l, outra famlia que se recusava
a beber sangue de humanos por razes ticas. Outra famlia como os... eu no conseguia me fazer pensar no nome.
Sim, sentir medo faria mais sentido, mas o que eu sentia era uma dominante satisfao. A clareira era um lugar mgico de novo. Uma magia mais negra do que a que
eu estava esperando, com certeza, mas mgica do mesmo jeito. Aqui estava a conexo que eu buscava. A prova, mesmo que remota, de que - em algum lugar no mesmo mundo
que eu - ele existia.
Era impossvel o quanto Laurent parecia exatamente o mesmo. Eu acho que era muito bobo e humano esperar que as coisas mudassem tanto em um ano. Mas havia uma coisa...
eu no conseguia identificar o que era direito.
"Bella?", ele perguntou, parecendo mais pasmo do que eu me sentia.
"Voc lembra", eu sorr. Era ridculo que eu estivesse to feliz porque um vampiro lembrava meu nome.
Ele sorriu. "Eu no esperava te ver por aqui". Ele andou na minha direo, com a expresso divertida.
"Isso no  o contrrio? Eu vivo aqui. Eu pensei que voc tinha ido para o Alaska".
Ele parou a uns dez passos de distncia, inclinando a cabea para o lado.
O rosto dele era o rosto mais bonito que eu via pelo que pareceu ser uma eternidade. Eu estudei o rosto dele com um ganancioso senso estranho de alvio. Ele era
uma pessoa para a qual eu no precisava fingir - uma pessoa que j sabia de tudo que eu podia dizer.
"Voc est certa", ele concordou. "Eu fui para o Alaska. Ainda assim, eu no esperava... Quando eu encontrei a casa dos Cullen vazia, eu pensei que eles haviam se
mudado".
"Oh". Eu mordi meu lbio quando o nome fez as beiras em carne viva da minha ferida doerem. Eu levei um segundo pra me recompor. Laurent esperou com olhos curiosos.
"Eles se mudaram", eu finalmente consegui diz-lo.
"Hmm", ele murmurou. "Eu estou surpreso que eles tenham te deixado pra trs. Voc no era uma espcie de animal de estimao deles?" os olhos dele estavam inocentes
como se no tivessem a inteno de ofender.
Eu dei um sorriso torto. "Alguma coisa assim".
"Hmm",ele disse, pensativo de novo.
Nesse exato momento, eu percebi o porque que ele parecia igual - igual demais. Depois que Carlisle nos disse que Laurent havia ficado com a famlia de Tnia, eu
comecei a imagin-lo, nas raras ocasies em que pensava nele, com os mesmos olhos dourados que os... Cullen - eu forcei o nome a sair, estremecendo - tinham. Que
os vampiros bons tinham.
Eu dei um passou involuntrio pra trs, e os seus curiosos, olhos vermelho escuros seguiram o meu movimento.
"Eles te visitam frequentemente?", ele perguntou, ainda casual, mas o peso dele se inclinou na minha direo.
"Minta", a linda voz aveludada sussurrou ansiosamente na minha memria.
Eu me assustei com o som da voz dele, mas isso no devia ter me surpreendido. Eu no estava me submetendo ao maior perigo imaginvel? A moto parecia um bando de
gatos bonzinhos comparada a isso.
Eu fiz o que a voz me disse pra fazer.
"De vez em quando" eu tentei fazer minha voz ficar leve, relaxada. "O tempo parece mais longo pra mim, eu imagino. Voc sabe como eles podem ser distrados..." eu
estava comeando a tagarelar. Eu tive que me esforar pra calar a boca.
"Hmm", ele disse de novo. "A casa cheirava como se estivesse vazia j ha algum tempo..."
"Voc precisa mentir melhor do que isso, Bella", a voz disse com urgncia.
Eu tentei. "Eu vou ter que dizer a Carlisle que voc esteve aqui. Ele vai ficar triste por ter perdido a sua visita". Eu fingi estar pensando por um segundo. "Mas
eu provavelmente no devia mencionar isso pra... Edward, eu acho -" eu mal consegui dizer o nome dele, e isso fez a minha expresso se contorcer, arruinando o meu
blefe. "- Ele tem um temperamento forte... bem, eu tenho certeza de que voc lembra. Ele ainda est nervoso com aquela coisa de James". Eu revirei os olhos e abanei
displicentemente com uma mo, como se isso fosse uma histria antiga, mas havia uma pontada de histeria na minha voz. Eu me perguntei se ele poderia reconhecer o
que isso era.
"Ele est mesmo?" Laurent perguntou prazerosamente... e ceticamente.
Eu mantive minha resposta curta, pra que assim minha voz no deletasse o meu pnico. "Mm-hmm".
Laurent deu um passo casual para o lado, olhando ao seu redor na pequena clareira. Eu no deixei de reparar que o seu passou o trouxe pra mais perto de mim. Na minha
cabea, a voz respondeu com um rosnado baixo.
"Ento como esto as coisas em Denali? Carlisle disse que voc tinha ido ficar com Tnia?" minha voz estava alta demais.
A questo fez ele parar. "Eu gosto muito de Tnia", ele meditou. "E da sua irm Irina ainda mais... eu nunca havia ficado tanto tempo em um s lugar, e eu aproveitei
as vantagens, as novidades de tudo. Mas as restries eram difceis... Eu estou surpreso que eles tenham conseguido agentar por tanto tempo", ele sorriu pra mim
conspiradoramente. "As vezes eu trapaceio".
Eu no consegui engolir. Os meus ps comearam a ir pra trs, mas eu fiquei congelada quando seus olhos vermelhos olharam pra baixo pra captar o movimento.
"Oh", eu disse com uma voz fraca. "Jasper tem problemas com isso tambm".
"No se mova", a voz sussurrou. Eu tentei fazer o que ele instrua. Era muito difcil; o instinto de me mandar era quase incontrolvel.
"Mesmo?" Laurent pareceu interessado. "Foi por isso que eles foram embora?"
"No" eu respondi honestamente. "Jasper  mais cuidadoso em casa".
"Sim", Laurent concordou. "Eu sou tambm".
O passo  frente que ele deu agora foi de propsito.
"Victria encontrou voc?" eu perguntei, sem flego, desesperada pra distra-lo. Essa foi a primeira pergunta que me veio  mente, e eu me arrependi de ter dito
as palavras assim que ela saram. Victria - que havia me caado com James, e depois desaparecido - no era algum em quem eu queria pensar nesse momento em particular.
Mas a pergunta parou ele.
"Sim", ele disse, hesitando no passo. "Na verdade eu vim aqui como um favor pra ela". Ele fez uma cara. "Ela no vai ficar feliz com isso".
"Com o que?", eu disse ansiosamente, o convidando a continuar. Ele estava olhando para as rvores, pra longe de mim. Eu tomei vantagem na distrao dele, dando um
passo furtivo pra trs.
Ele olhou de volta pra mim e sorriu - a expresso fez ele parecer um anjo de cabelos pretos.
"Eu matar voc", ele respondeu com um ronronar sedutor.
Eu vacilei em outro passo pra trs. O rosnado frentico na minha cabea tornava difcil escutar.
"Ela queria salvar essa parte pra si prpria", ele continuou, alegremente.
"Ela est meio... aborrecida com voc, Bella?"
"Comigo?", eu esguichei.
Ele balanou a cabea e gargalhou. "Eu sei, aprece um pouco atrasado pra mim tambm. Mas James era o parceiro dela, e o seu Edward o matou".
Mesmo a,  beira da morte, o nome dele rasgou as paredes no cicatrizadas da minha ferida como se a estivesse serrando.
Laurent no estava consciente da minha reao. "Ela achou mais apropriado matar voc do que Edward - um troco justo, parceiro por parceiro. Ela me pediu pra ficar
de olho na terra deles, por assim dizer. Eu no podia imaginar que seria to fcil te pegar. Ento talvez o plano dela falhe - aparentemente no era a vingana que
ela havia imaginado, j que voc no deve ser to importante pra ele j que ele te deixou aqui desprotegida".
Outro golpe, outra lgrima no meu peito.
O peso de Laurent se moveu levemente, e eu dei outro passo pra trs.
Ele fez uma careta. "Eu acho que ela vai ficar zangada, do mesmo jeito".
"Ento porque no esperar por ela?", eu gaguejei.
Um sorriso maquiavlico transformou o rosto dele. "Bem, voc me pegou num mal momento, Bella. Eu no vim pra esse lugar por causa da misso de Victria - eu estava
caando. Eu estou com muita sede, e o seu cheiro ... simplesmente de dar gua na boca".
Laurent olhou para mim com aprovao, como se ele estivesse falando srio quando me cumprimentou.
"Ameace ele", a linda voz da iluso ordenou, a voz dele estava desorientada de medo.
"Ele vai saber que foi voc", eu sussurrei obedientemente. "Voc no vai se safar dessa".
"E porque no?" o sorriso de Laurent cresceu. Ele olhou ao redor para a pequena abertura das rvores. "O cheiro vai ser lavado na prxima chuva. Ningum vai encontrar
seu corpo - voc simplesmente ter desaparecido, como tantos, tantos outros humanos. No vo haver motivos pra Edward pensar em mim, se ele se importar o suficiente
pra investigar. No  nada pessoal, Bella, eu te asseguro. S sede".
"Implore", minha alucinao me implorou.
"Por favor", eu asfixiei.
Laurent balanou a cabea, seu rosto estava gentil. "Veja dessa forma, Bella. Voc tem muita sorte que fui eu quem te encontrou".
"Eu tenho?", eu murmurei, arriscando outro passo pra trs.
Laurent seguiu, leve e gracioso.
"Sim", ele me assegurou. "Eu serei bem rpido. Voc no vai sentir nada, eu prometo. Oh, eu vou mentir pra Victria sobre isso mais tarde, naturalmente, s pra aplacar
ela. Mas se voc soubesse o que ela tinha planejado pra voc, Bella..." ele balanou a cabea com um movimento lento, quase com desgosto. "Eu juro que voc estaria
me agradecendo".
Eu olhei pra ele horrorizada.
Ele fungou a brisa que soprava o meu cabelo na direo dele. "De dar gua na boca", ele repetiu, inalando profundamente.
Eu fiquei tensa pra sair dali, meus olhos piscando enquanto eu tentava me afastar, e o som do rosnado enfurecido de Edward ecoava no fundo da minha cabea. O nome
dele escapou pelas paredes que eu havia construdo pra par-lo. Edward, Edward, Edward. Eu ia morrer. No devia importar se eu pensasse nele agora. Edward, eu te
amo.
Pelos meus olhos apertados, eu v Laurent parar no meio do ato de inalar e virar a cabea rapidamente para a esquerda. Eu estava com medo de tirar os olhos dele,
de seguir a direo do seu olhar, apesar de que ele j no precisava mais de nenhum truque ou nenhum distrao pra me pegar.
Eu estava muito surpresa pra me sentir aliviada quando ele comeou a se afastar de mim.
"Eu no acredito nisso", ele disse, a voz dele estava to baixa que eu quase no a ouvia.
Ento eu tive que olhar. Meus olhos vasculharam a clareira, procurando pela distrao que havia estendido a minha vida em mais alguns segundos.
No incio eu no v nada, e o meu olhar voltou pra Laurent. Ele estava se afastando com mais velocidade agora, os olhos dele fixos na floresta.
Ento eu vi; uma enorme figura preta saiu das rvores, quieta como uma sombra, e perseguiu de propsito na direo do vampiro. Era enorme - alto como uma casa, s
que mais grosso, muito mais musculoso. O longo focinho fez uma careta, revelando uma longa fileira de dentes afiados como adagas. Um horrvel rosnado saiu pelos
seus dentes, rompendo pela clareira como o barulho de um trovo prolongado.
O urso. S que aquilo no era um urso de jeito nenhum. Mesmo assim, aquele enorme monstro preta tinha que ser a criatura que andava causando o alarme. De longe,
qualquer um presumiria se tratar de um urso. O que mais poderia ter uma estrutura to vasta, to poderosa?
Eu desejei ter sido sortuda o suficiente pra v-lo de longe. Ao invs disso, ele caminhava silenciosamente na grama a menos de dez ps de onde eu estava.
"No se mexa nenhum centmetro", a voz de Edward sussurrou.
Eu olhei para a criatura monstruosa, minha mente borbulhando enquanto eu pensava num nome pra dar pra ela. Havia uma aparncia canina bastante distinta no formato
dele, no jeito como se mexia. Eu s podia pensar numa possibilidade, travada de horror como estava. Eu nunca tinha imaginado que um lobo podia ficar to grande.
Outro rosnado saiu da sua garganta, e eu me encolhi com o som.
Laurent estava tentando voltar para a beira onde ficavam as rvores, e, por baixo do terror que me congelava, a confuso passou por mim.
Porque Laurent estava fugindo? Com certeza,o lobo era de um tamanho monstruoso, mas era s um animal. Por que razo um vampiro teria medo de um animal? E Laurent
estava com medo. Os olhos dele estavam esbugalhados de horror, como os meus.
Como se isso respondesse a minha pergunta, de repente o lobo do tamanho de um elefante no estava mais sozinho. Saindo dos dois lados da clareira, outras duas bestas
gigantes se arrastaram pra dentro da clareira. Uma era de um cinza escuro, o outro marrom, mas nenhum era to grande quanto o primeiro. O lobo cinza saiu das rvores
a apenas alguns centmetros de mim, com os olhos grudados em Laurent.
Antes mesmo que eu pudesse reagir, mais dois outros lobos os seguiram, alinhados como um V, como gansos voando para o sul. Isso significava que o ultimo monstro
marrom que entrou na clareira estava perto o suficiente pra eu toc-lo.
Eu dei um suspiro involuntrio e pulei pra trs - que foi a coisa mais estpida que eu podia ter feito. Eu congelei de novo, esperando que os lobos se virassem pra
mim, a presa muito mais fraca e vulnervel. Eu desejei brevemente que Laurent comeasse a destruir o grupo de lobos - isso devia ser fcil pra ele. Eu achei que,
entre as duas escolhas  minha frente, ser comida por lobos era certamente a pior opo.
O lobo mais prximo de mim, o marrom avermelhado, virou a cabea levemente com o som do meu suspiro.
Os olhos do lobo eram escuros, quase pretos. Ele olhou pra mim uma frao de segundo, seus olhos profundos pareceram inteligentes demais pra um animal selvagem.
Ele me encarou, eu pensei em Jacob de repente- de novo, com gratido. Pelo menos eu tinha vindo aqui sozinha, pra essa clareira encantada cheia de monstros negros.
Pelo menos Jacob no ia morrem tambm. Pelo menos eu no carregaria a morte dele nas costas.
Ento outro rosnado baixo do lder fez a cabea do lobo se virar, na direo de Laurent.
Laurent estava olhando pra o monstruoso bando de lobos monstruosos com um inexplicvel olhar de choque e medo. Primeiro eu no consegui entender. Mas eu fiquei atordoada
quando, sem nenhum aviso, ele se virou e desapareceu entre as rvores.
Ele fugiu.
Os lobos foram atrs dele em um segundo, se espalhando pela grama com passadas poderosas, rosnando e fazer estalos to altos que eu levantei minhas mos instintivamente
pra cobrir meus ouvidos. O som desapareceu com surpreendente velocidade assim que eles desapareceram na mata.
E ento eu estava sozinha de novo.
Meus joelhos tremerem embaixo de mim, e eu ca em cima das minhas mos, soluos se construindo na minha garganta.
Eu sabia que tinha que ir embora, e tinha que ir agora. Por quanto tempo os lobos iam caar Laurent antes de voltarem por mim? Ou Laurent ia se virar contra eles?
Seria ele quem voltaria me procurando?
Porm, primeiramente eu no conseguia me mexer; meus braos e pernas estavam tremendo, e eu no sabia como voltar a ficar de p.
Minha mente no conseguia superar o medo, o horror ou a confuso. Eu no entendia o que havia acabado de testemunhar.
Um vampiro no devia fugir de cachorros crescidos daquele jeito. Que mal os dentes dele poderiam fazer  sua pele de granito?
E os lobos devem ter dado  Laurent um longo espao. Mesmo que o tamanho extraordinrio deles os tenha ensinado a no temer nada, ainda no faziam nenhum sentido
que eles o perseguissem. Eu duvidava que a pele de mrmore gelado dele cheirasse como comida. Porque eles iam passar alguma coisa com sangue morno e fraca como eu
pra perseguir Laurent?
Eu no conseguia entender o sentido disso.
Uma brisa fria passou pela clareira, balanando a grama como se alguma coisa estivesse em cima dela.
Eu fiquei de p, me afastando mesmo que o vento estivesse passando por mim sem me causar danos. Tremendo de pnico, eu me virei e corri em linha reta entre as rvores.
As horas seguintes foram de agonia. Me levou um tempo trs vezes maior pra escapar das rvores do que eu tinha levado pra chegar at a clareira.
No incio eu no prestei ateno em pra onde estava indo, j que eu estava s focada na minha fuga. Na hora que eu recompus o suficiente pra me lembrar do compasso,
eu j estava no meio da floresta no familiar e ameaadora.
Minhas mos estavam tremendo to violentamente que eu tive que o colocar no cho lamacento pra poder us-lo direito. A cada minuto eu parava pra colocar o compasso
no cho e checar se eu ainda estava indo para o Nordeste, escutando - quando os sons no estavam sendo escondidos pelos meus passos frenticos - os baixos sons de
coisas que eu no via se movendo entre as folhas.
O chamado de uns pssaros me fizeram pular pra trs e cair num monte de jovens madeiras derrubadas, arranhando meus braos e sujando meu cabelo com seiva. A pressa
repentina de um esquilo me fez to alto que meus ouvidos chegaram a doer.
Finalmente eu encontrei uma abertura nas rvores  frente. Eu entrei na estrada e caminhei uma milha ou algo assim pra chegar onde eu havia deixado a minha caminhonete.
Mesmo exausta como eu estava, eu ainda corr at encontr-la. At a hora que eu me joguei dentro do carro, eu j estava soluando de novo.
Eu rapidamente joguei as duas coisas que estava segurando no cho antes que cavar no meu bolso pra encontrar minhas chaves. O ronco do motor foi reconfortante e
so. Ele me ajudou a afastar as lgrimas enquanto eu corria o mais rpido que a minha caminhonete permitia na estrada principal.
Eu estava mais calma, mas ainda estava um desastre quando cheguei em casa. A viatura de Charlie estava na garagem - eu no tinha me dado conta do quanto era tarde.
O cu j estava cinzento.
"Bella?" Charlie perguntou quando eu bat a porta atrs de mim e rapidamente tranquei com a chave.
", sou eu". Minha voz no estava uniforme.
"Onde voc estava?", ele trovejou, aparecendo pela porta da cozinha com uma cara suspeita.
Eu hesitei. Ele provavelmente havia ligado para os Stanley. Era melhor eu contar a verdade.
"Eu fiz uma caminhada", eu admiti.
Os olhos dele se apertaram. "O que aconteceu com a casa de Jssica?"
"Eu no estava a fim de estudar Clculo hoje"
Charlie cruzou os braos no peito. "Eu pensei que havia te pedido pra ficar fora da floresta".
", eu sei. No se preocupe, eu no vou fazer de novo", eu tremi.
Charlie pareceu realmente olhar pra mim pelo primeira vez.
Eu me lembrei que havia passado algum tempo no cho da floresta hoje; eu devia estar uma baguna.
"O que aconteceu?", Charlie quis saber.
De novo, eu decidi que a verdade, ou pelo menos parte dela, era a melhor opo. Eu estava nervosa demais pra fingir que havia passado um dia comum com a fauna e
a flora.
"eu vi o urso". Eu tentei dizer isso calmamente, mas minha voz estava alta e tremendo. "No entanto, no  um urso -  alguma espcie de lobo. E haviam cinco deles.
Um grande e preto, e um cinza, um marrom avermelhado..."
Os olhos de Charlie cresceram de horror. Ele veio rapidamente pra cima de mim e segurou a parte de cima dos meus braos.
"Voc est bem?"
Minha cabea balanou com um fraco aceno.
"Me conte o que aconteceu".
"Eles no prestaram muita ateno em mim. Mas depois que eles foram embora, eu fug e ca muito no cho".
Ele soltou os meus ombros e passou os braos ao meu redor. Por um longo momento ele no disse nada.
"Lobos", ele murmurou.
"O que?"
"Os patrulheiros disseram que eram pegadas diferentes das de ursos - mas lobos no ficam to grandes..."
"Esses eram enormes".
"Quantos voc disse que viu?"
"Cinco".
Charlie balanou a cabea, fazendo uma careta de ansiedade. Ele finalmente falou num tom que no permitia nenhuma discusso.
"Chega de caminhadas".
"Sem problemas", eu promet ferventemente.
Charlie ligou para a delegacia pra contar o que eu havia visto. Eu menti um pouco sobre o local exato onde tinha visto os lobos - dizendo que havia estado na trilha
que levava ao norte. Eu no queria que o meu pai soubesse o quanto eu havia entrado na floresta sem que ele quisesse, e, mais importante, eu no queria ningum mais
andando por onde Laurent ainda podia estar procurando por mim. Esse pensamento me deixou enjoada.
"Voc est com fome?", ele perguntou quando desligou o telefone.
Eu balancei a cabea, apesar de que eu devia estar faminta. Eu no tinha comido nada o dia inteiro.
"S cansada", eu disse pra ele. Eu me virei para as escadas.
"Ei", Charlie disse numa voz repentinamente suspeita de novo. "Voc no disse que Jacob tinha sado durante o dia inteiro?"
"Foi o que Billy disse", eu falei, confusa pela pergunta dele.
Ele estudou a minha expresso por um minuto e pareceu satisfeito com o que encontrou l.
"Huh"
"Porque?", eu quis saber. Parecia que ele estava querendo dizer que eu estive mentindo pra ele essa manh. Sobre algo mais do que estar estudando com Jssica.
"Bem,  s que quando eu fiz buscar Harry, eu v Jacob na frente de uma loja de l com uns amigos. Eu acenei pra ele, mas ele... bem, acho que ele no me viu. Eu
acho que ele estava discutindo com os amigos. Ele parecia estranho, como se alguma coisa estivesse aborrecendo ele. E... diferente.  como se voc pudesse ver o
garoto enquanto ele cresce! Ele est maior a cada vez que eu o vejo".
"Billy disse que Jake e os amigos tinham ido ao cinema em Port Angeles. Eles provavelmente estavam esperando algum encontr-los l".
"Oh", Charlie balanou a cabea e voltou para a cozinha.
Eu fiquei no corredor, pensando em Jacob discutindo com os amigos. Eu me perguntei se ele havia confrontado Embry sobre o assunto com Sam. Talvez esse fosse o motivo
pelo qual ele me ignorou hoje - se isso significava que ele teria a oportunidade de acertar as coisas com Embry, eu ficava feliz.
Eu parei pra ver se a casa estava trancada de novo antes de subir. Era uma coisa idiota de se fazer. Que diferena uma porta ia fazer para os monstros que eu vi
hoje? Eu imaginei que a maaneta s ia atrasar os lobos, j que eles no tinham polegares.
E se Laurent viesse...
Ou... Victoria.
Eu deitei na minha cama, mas eu estava tremendo demais pra pensar em dormir. Eu me curvei e virei uma bola embaixo da minha colcha, e encarei os horrveis fatos.
no havia nada que eu pudesse fazer. No haviam precaues que eu pudesse tomar. No havia lugar onde eu pudesse me esconder. No havia ningum que pudesse me ajudar.
Eu me dei conta, com uma sensao de nusea no meu estmago, que a situao ainda era pior que isso. Porque todos esses fatos se aplicavam a Charlie tambm. Meu
pai, dormindo a um quarto de distncia de mim, era s o centro do corao do alvo que estava centrado em mim. O meu cheiro os levariam at l, eu estando l ou no.
Os tremores me balanaram at que os meus dentes estavam se batendo.
Pra me acalmar, eu fantasiei o impossvel: eu imaginei os grandes lobos pegando Laurent nas matas e massacrando o indestrutvel imortal do jeito como eles fariam
a uma pessoa normal. Apesar do absurdo da viso, a idia me confortou.
Se os lobos pegassem ele, ento ele no poderiam contar a Victoria que eu estava sozinha. Se ele no voltasse, talvez ela pensasse que os Cullen ainda estavam me
protegendo. Se apenas os lobos pudessem derrot-lo...
Meus vampiros bons no voltariam nunca mais; como era bom pensar que o outro tipo tambm poderia desaparecer.
Eu fechei meus olhos com fora e esperei pra ficar inconsciente - quase ansiosa que o meu pesadelo comeasse. Era melhor do que aquele lindo rosto plido que sorria
pra mim por ts das minhas plpebras.
Na minha imaginao, os olhos de Victria eram pretos por causa da sede, brilhantes com a antecipao, e os lbios dela se curvavam pra trs mostrando os dentes
dela com prazer. O cabelo vermelho dela era brilhante como fogo; ele se espalhava caticamente ao redor do seu rosto selvagem.
As palavras de Laurent se repetiram na minha cabea. Se voc soubesse o que ela planejou pra voc...
Eu pressionei meu punho na boca pra no gritar.

11. Culto
Toda vez que eu abria os olhos para a luz da manh e me dava conta de que havia sobrevivido  outra noite eu me surpreendia. Depois que o efeito da surpresa passava,
meu corao comeava a correr e as minhas palmas ficavam suadas; eu no conseguia realmente respirar at que me levantava e me certificava de que Charlie havia sobrevivido
tambm.
Eu podia dizer que ele estava preocupado - me vendo pular com qualquer som mais alto, ou observando o meu rosto ficar branco por algum motivo que ele no podia ver.
Pelas perguntas que ele fazia de vez em quando, ele parecia culpar a longa ausncia de Jake pela minha mudana.
O terror que geralmente nublava os meus pensamentos geralmente me distraa do fato de que outra semana havia passado, e Jacob ainda no havia me ligado.
Mas quando eu era capaz de me concentrar na minha vida normal - se  que minha vida era normal - isso me aborrecia.
Eu sentia falta dele horrivelmente.
Eu j estava mal o suficiente por estar sozinha antes de estar loucamente assustada.
Agora, mais do que nunca, eu sentia falta do seu sorriso livre e das suas risadas afetuoso. Eu precisava sentia a sanidade da sua garagem e das mos quentes dele
nos meus dedos frios.
Eu meio que esperei que ele me ligasse na segunda. Se tivesse havido algum progresso com Embry, ele no ia querer falar sobre isso comigo? Eu queria acreditar que
era preocupao com o amigo que estava ocupando o seu tempo, e no que ele simplesmente havia desistido de mim.
Eu liguei pra ele na tera, mas ninguem atendeu. As linhas telefnicas estavam com problemas? Ou ser que Billy havia instalado um identificador de chamadas?
Na quarta eu ligava a cada meia hora at as onze da noite, desesperada pra ouvir a voz clida de Jacob.
Na quinta eu sentei na minha caminhonete na frente de casa - com as portas travadas - chaves na mo, por uma slida hora. Eu estava discutindo comigo mesma, tentando
justificar uma rpida viagem  La Push, mas eu no consegui fazer isso.
Eu sabia que Laurent j devia ter voltado pra Victoria agora.
Se eu fosse  La Push, eu estaria correndo o risco de lev-los at l. E se eles me pegassem quando Jake estivesse por perto? Mesmo que isso me machucasse muito,
eu sabia que era melhor pra Jacob que ele estivesse me evitando. Mais seguro pra ele.
Ja era ruim o suficiente que eu no conseguisse pensar numa forma de salvar Charlie. A noite era a hora mais provvel pra que eles viessem procurar por mim, e o
que era que eu diria pra manter Charlie fora de casa? Se eu contasse a verdade pra ele, ele ia me trancar numa sala pra loucos em algum lugar. Eu teria suportado
isso - at dado as boas vindas - se isso pudesse mant-lo a salvo.
Mas Victria ainda viria  sua casa primeiro, procurando por mim. Talvez, se ela me encontrasse aqui, isso seria suficiente pra ela.
Talvez ela simplesmente fosse embora quando tivesse acabado comigo.
Ento eu no podia fugir. E mesmo se eu pudesse, pra onde eu iria?
Para a casa de Rene? Eu trem com a idia de jogar minhas sombras letais sobre a segurana da casa da minha me, seu mundo ensolarado.
Eu nunca a colocaria num risco como esse.
A preocupao estava cavando um buraco no meu estmago. Em breve eu teria buracos que se combinavam.
Naquela noite, Charlie me fez outro favor e ligou pra Harry pra saber se os Black estavam fora da cidade.
Harry falou que Billy estava comparecendo s reunies do concelho nas quartas a noite, e que nunca havia mencionado nada sobre sair da cidade.
Charlie me avisou pra no ficar pensando em loucuras - Jacob me ligaria quando tivesse a oportunidade.
Sexta de tarde, enquanto eu dirigia pra casa da escola, uma coisa me bateu do nada.
Eu no estava prestando ateno na estrada familiar, deixando o som do motor paralisar meus medos e silenciar meus medos, quando o meu subcosciente me deu o veredito
no qual ele j devia estar trabalhando a algum tempo sem o meu conhecimento.
Assim que eu pensei nisso, eu me sent muito estpida por no ter visto isso mais cedo.
Claro. Eu tinha muitas coisas na cabea - vampiros obsecados por vingana, lobos mutantes gigantes, um buraco crescente no meu peito - mas quando eu conferi as evidncias,
era embaraosamente bvio.
Jacob me evitando. Charlie dizendo que ele parecia estranho, chateado... As respostas vagas, que no ofereciam ajuda de Billy.
Santa me, eu sabia exatamente o que havia de errado com Jacob.
Era Sam Uley. At os meus pesadelos estiveram tentando me dizer isso. Sam havia pego Jacob.
O que quer que estivesse acontecendo com os garotos da reserva havia sado e capturado o meu amigo. Ele foi puxado para o culto de Sam.
Ele no havia desistido de mim, eu me dei conta com uma onde de sentimentos.
Eu deixei minha caminhonete parada na frente da minha casa. O que eu devia fazer? Eu pesei os perigos um contra o outro.
Se eu fosse procurar por Jacob, eu arriscava a chance de que Victria ou Laurent me encontrassem com ele.
Se eu no fosse at ele, Sam o puxaria ainda mais pra dentro daquela luta, para aquela gangue compulsva. Talvez fosse tarde demais se eu no agisse logo.
J havia se passado uma semana, e nenhum vampiro havia vindo procurar por mim ainda. Uma semana era tempo mais que suficiente pra eles terem voltado, ento talvez
eu no fosse uma prioridade.
Era mais provvel, como eu j havia decidido antes, que eles viessem procurar por mim  noite. As chances de eles me seguirem at La Push eram muito mais baixas
do que as minhas chances de perder Jacob pra Sam.
Valia a pena o perigo de me embranhar naquelas pistas cercadas de floresta. Essa no seria uma visita qualquer pra ver como estavam as coisas. Essa era uma misso
de resgate. Eu ia falar com Jacob- sequestrar ele se fosse preciso.
Uma vez eu j v um programa no canal PBS sobre como desprogramar as lavagens cerebrais. Tinha que haver algum tipo de cura.
Eu decid que era melhor ligar pra Charlie antes. Talvez o que quer que estivesse acontecendo em La Push fosse uma coisa na qual a polcil devia estar envolvida.
Eu corr pra dentro, na minha pressa de seguir o meu caminho.
Charlie mesmo atendeu o telefone da delegacia.
"Chefe Swan"
"Pai,  Bella"
"O que h de errado?"
Eu no pude discutir com a suposio dele dessa vez. Minha voz estava tremendo.
"Eu estou preocupada com Jacob".
"Porque?", ele perguntou surpreso com o inesperado assunto.
"Eu acho... eu acho que tem alguma coisa errada acontecendo na reserva. Jacob me contou sobre uma coisa estranha que anda acontecendo com os garotos da idade dele.
Agora ele est agindo da mesma forma, e eu estou preocupada".
"Que tipo de coisa?" Ele usou o seu tom profissional, policial. Isso era bom; ele estava me levando a srio.
"Primeiro ele estava assustado, e depois ele estava me evitando, e agora... eu estou com medo que ele esteja fazendo parte de uma gangue bizarra que h por l, a
gangue de Sam. A gangue de Sam Uley".
"Sam Uley?" Charlie repetiu, surpreso de novo.
"Sim".
A voz de Charlie estava mais relaxada quando ele respondeu. "Eu acho que voc entendeu errado, Bells. Sam Uley  um timo garoto. Bem, ele  um timo homem agora.
Um bom filho. Voc devia ouvir Billy falando sobre ele. Ele realmente est fazendo maravilhas com a juventude de l da reserva. Foi ele quem -" Charlie parou na
metade da frase, e eu tive a sensao de que ele ia se referir  aquela noite que eu me perd na floresta. Eu mudei de assunto rapidamente.
"Pai, no  bem assim. Jacob estava com medo dele".
"Voc falou com Billy sobre isso?" Ele estava tentando me amaciar agora. Eu havia perdido ele no momento que mencionei Sam.
"Billy no est preocupado".
"Bem, Bella, ento eu tenho certeza de que est tudo bem. Jacob  um garoto; provavelmente ele s est se divertindo. Eu tenho certeza de que ele est bem. Afinal
de contas, ele no pode passar todos os minutos do dia conversando com voc".
"Isso no  sobre mim", eu insist, mas a batalha j estava perdida.
"Eu no acho que voc precise se preocupar com isso. Deixe Billy tomar conta de Jacob".
"Charlie...", minha voz estava comeando a soar pattica.
"Bella, eu tenho muitas coisas pra fazer agora. Dois turistas desapareceram na trilha perto do lago", havia uma pontada de ansiosidade crescente. "O problema com
esse lobo j est saindo do controle".
Eu fiquei momentneamente distrada - abismada, na verdade - com a notcia dele. Havia jeito de aqueles lobos terem sado ganhando de uma batalha com Laurent...
"Voc tem certeza de que foi isso que aconteceu com eles?", eu perguntei.
"Eu temo que sim, querida. Haviam -" Ele hesitou. "Haviam algumas marcas de novo, e... um pouco de sangue dessa vez".
"Oh!" Ento no deve ter havido um confronto. Laurent deve ter simplesmente despistado os lobos, mas porque? O que eu havia visto na clareira s ficava mais e mais
estranho - mais impossvel de entender.
"Olha, eu realmente tenha que ir. No se preocupe com Jake, Bella. Eu tenho certeza de que no  nada".
"T", eu disse curtamente, frustrada pelas palavras dele que me lembraram da crise mais urgente no momento. "Tchau", eu desliguei.
Eu olhei para o telefone por um momento. Que diabos, eu decid.
Billy atendeu depois de dois toques.
"Alo?"
"Oi, Billy", eu quase rosnei. Eu tentei falar mais amigavelmente quando continuei. "Ser que eu podsso falar com Jacob, por favor?"
"Jake no est aqui".
Que surpresa. "Voc sabe onde ele est?"
"Ele saiu com os amigos", a voz de Billy era cuidadosa.
"Ah, ? Algum que eu conhea? Quil?" eu podia dizer que as palavras no estavam saindo to casualmente quanto eu havia planejado.
"No", Billy disse devagar. "Eu no acho que ele esteja com Quil hoje".
Eu sabia que no devia mencionar o nome de Sam.
"Embry?" eu perguntei
Billy pareceu mais feliz ao responder essa. ", ele est com Embry".
Isso era o suficiente pra mim. Embry era um deles.
"Bem, pea pra ele me ligar assim que ele chegar, est bem?"
"Claro, claro. Sem problema". Click
"A gente se v em breve, Billy", eu murmurei para o telefone mudo.
Eu dirigi pra La Push determinada a esperar. Eu ia ficar sentada na frente da casa dele a noite inteira se precisasse. Eu faltaria a escola.
O garoto ia ter que voltar alguma hora, e quando ele voltasse, ele ia ter que falar comigo.
Minha mente estava to preocupada que a viagem que eu estava com tanto medo de fazer s durou alguns segundos.
Antes do que eu esperava, a floresta comeou a diminuir, e eu sabia que em breve eu seria capaz de ver as primeiras pequenas casas da reserva.
Caminhando, no lado esquerdo da estrada, havia um garoto alto com um bon de baseball.
Minha respirao ficou presa por um momento na minha garganta, esperanosa que a sorte estivesse comigo pela primeira vez, e que eu tivesse cruzado o caminho de
Jacob sem maiores dificuldades. Mas esse garoto era largo demais, e o cabelo era curto embaixo do bon.
Mesmo estando atrs dele, eu tinha certeza de que era Quil, apesar de ele estar maior do que da ltima vez que eu o vi. O que era que esses garotos Quileute tinham?
Ser que eles estavam sendo alimentados com algum tipo de hormnio expermental de crescimento?
Eu atravessei para o lado errado da estrada pra me aproximar dele.
Ele olhou pra cima quando o ronco da minha caminhonete se aproximou.
A expresso de Quil me assustou mais do que me surpreendeu. O rosto dele estava aptico, pensativo, a testa dele estava enrrugada de preocupao.
"Oh, oi, Bella", ele me cumprimentou sem vontade.
"Oi, Quil... Voc est bem?"
Ele me encarou sombrio. "Bem".
"Eu posso te dar um carona pra algum lugar?", eu oferec.
"Claro, eu acho", ele murmurou. Ele se arrastou pela frente da caminhonete e abriu a porta do passageiro pra entrar.
"Pra onde?"
"Minha casa  para o lado norte, l atrs das lojas", ele me disse.
"Voc viu Jacob hoje?" A pergunta escapou quase antes que ele tivesse terminado de falar.
Eu olhei pra Quil ansiosamente, esperando pela sua resposta. Ele olhou pra fora pelo parabrisa por um instante antes de responder.
"De longe", ele disse finalmente.
"De longe?" eu repet.
"Eu tentei seguir eles - ele estava com Embry". A voz dele estava baixa, difcil de ouvir com o barulho do motor. Eu me inclinei mais pra perto. "Eu sei que eles
me viram. Mas eles se viraram e desapareceram no meio das rvores. Eu no acho que eles estavam sozinhos - eu acho que Sam e o bando dele deve ter estado com eles.
"Eu estive enfiado na floresta por mais de uma hora, gritando por eles. Eu tinha acabado de chegar na estrada quando voc apareceu".
"Ento Sam pegou ele". As palavras sairam um pouco distorcdas- meus dentes estavam trincados.
Quil me encarou. "Voc sabe sobre isso?"
Eu balancei a cabea. "Jacob contou pra mim... antes".
"Antes", Quil repetiu e suspirou.
"Jacob est to mal quando os outros agora?"
"Nunca sai de perto de Sam" Quil virou a cabea pra o lado e cuspiu pela janela aberta.
"E antes disso - ele j evitava as pessoas? Ele estava agindo estranho?"
A voz dele estava baixa e spera. "No por tanto tempo quanto os outros. Talvez um dia. E a Sam pegou ele".
"O que voc acha que ? Drogas ou alguma coisa assim?"
"Eu no consigo imaginar Jacob e Embry se envolvendo numa coisa assim... mas o que  que eu sei? O que mais pode ser? E porque as outras pessoas no esto preocupadas?"
Ele balanou a cabea, e o medo aparecia nos olhos dele agora.
"Jacob no queria fazer parte desse... culto. Eu no entendo o que poderia ter feito ele mudar". Ele me encarou, o rosto dele estava assustado. "Eu no quero ser
o prximo"
Os meus olhos imitaram o medo dos dele. Essa era a segunda vez que eu ouvia aquilo ser descrevido como um culto. Eu tremi. "Os seus pais so de alguma ajuda?"
Ele fez uma careta. "Certo. Meu av faz parte do concelho com o pai de Jacob. At onde ele est informado, Sam Uley  a melhor coisa que j aconteceu pra esse lugar".
Ns olhamos um pro outro por um momento prolongado. Ns estvamos em La Push agora, e minha caminhonete mal andava na estrada vazia. Eu podia ver a nica loja da
vila no muito distante  frente.
"Eu vou sair agora", Quil disse. "Minha casa  bem al". Ele fez um gesto para um pequeno retngulo de madeira atrs da loja. Eu parei perto da calada e ele desceu.
"Eu vou esperar por Jacob", eu disse pra ele com uma voz dura.
"Boa sorte", ele bateu a porta e caminhou em frente na estrada, a cabea cada pra frente, os ombros baixos.
O rosto de Quil me assombrou enquanto eu fazia uma curva em U e voltava para a casa dos Black. Ele estava morrendo de medo de ser o prximo. O que estava acontecendo
aqui?
Eu parei na frente da casa de Jacob, desligando o motor e abrindo as janelas. Era um dia mormacento, sem brisa. Eu coloquei os meus ps no painel e me preparei pra
esperar.
Um movimento me chamou a atenao pela minha viso perifrica e eu vi Billy olhando pra mim pela janela com uma expresso confusa.
Eu acenei uma vez e dei um sorriso duro, mas fiquei onde eu estava.
Os olhos dele se estreitaram; ele deixou a cortina cobrir o vidro.
Eu estava preparada pra esperar o tempo que fosse, mas eu desejei ter alguma coisa pra fazer. Eu peguei uma caneta no fundo da minha mochila, e um velho teste. Eu
comecei a fazer desenhos no fundo do papel.
Eu s tive tempo de desenhar uma fileira de diamantes quando houve uma batida aguda na janela da minha porta.
Eu pulei, olhando pra cima, esperando Billy.
"O que voc est fazendo aqui, Bella?", Jacob rosnou.
Eu encarei ele pasma de surpresa.
Jacob tinha mudado radicalmente nas ultimas semanas em que eu no o vi. A primeira coisa na qual eu reparei foi o seu cabelo - o lindo cabelo dele tinha ido todo
embora, foi cortado curto, cobrindo a cabea dele com um cabelo acetinado de uma cor que parecia ser tinta preta.
As mas do rosto dele pareciam ter endurecido subitamente, se apertado... envelhecido. O pescoo e os ombros dele estava diferentes tambm, de alguma forma, estavam
grossos demais.
As mos dele, onde elas estavam agarradas na janela, pareciam enormes, com os tendes e as veias ainda mais proeminentes embaixo da pele cor de cobre.
Mas diferenas fsicas eram insignificantes.
Foi a expresso do rosto dele que o tornou praticamente irreconhecvel. O sorriso aberto, amigvel, havia desaparecido como o cabelo, a calidez dos olhos dele havia
sido substitudo por um ressentimento que era instantaneamente pertubador. Havia uma obscuridade em Jacob agora.
Como se o meu Sol tivesse emplodido.
"Jacob?", eu sussurrei.
Ele me encarou, seus olhos tensos e raivosos.
Eu me dei conta de que no estvamos sozinhos. Atrs dele haviam quatro outros; todos altos e com peles cor de cobre, com cabelos pretos cortados como os de Jacob.
Eles podiam ser irmos - eu nem conseguia identificar Embry no grupo. A semelhana s se intesificava pelo mesmo olhar de hostilidade em todos os pares de olhos.
Todos os pares menos um. O mais velho por muitos anos, Sam estava bem atrs, com o rosto sereno e seguro. Eu tive que engolir o dio que me subia a garganta. Eu
queria acabar com ele. No, eu queria fazer mais que isso. Mais do que qualquer coisa, eu queria ser cruel e mortal, uam pessoa com a qual ningum ousaria se meter.
Algum que assustaria at o bobo do Sam Uley.
Eu queria ser uma vampira.
O desejo violento me pegou de surpresa e me deixou sem ar. Esse era o mais proibido de todos os desejos - mesmo quando eu s o queria pra propsitos malficos como
esse, pra ganhar vantagem sobre o inimigo - porque ele era o desejo mais doloroso. Esse era um futuro perdido pra sempre pra mim, ele nunca nem sequer esteve ao
meu alcance. Eu lutei pra ganhar controle sobre mim mesma enquanto o buraco do meu peito doa.
"O que voc quer?", Jacob quis saber, a expresso dele estava ficando mais ressentida enquanto observava as emoes passando pelo meu rosto.
"Eu quero falar com voc", eu disse com uma voz fraca. Eu tentei me focar, mas eu ainda estava lutando contra oa tabus do meu sonho.
"V em frente", ele assobiou por entre os dentes. O olhar dele era violento. Eu nunca havia visto ele olhar pra ningum daquele jeito, muito menos pra mim .
Isso me machucou com uma intensidade surpreendente - uma dor fsica, uma dor na minha cabea.
"Sozinha!", eu assobiei e minha voz saiu mais forte.
Eu olhei pra trs dele, e eu sabia pra onde os olhos dele iriam. Todos se viraram pra ver a reao de Sam.
Sam balanou a cabea uma vez, seu rosto despreocupado. Ele fez um breve comentrio numa linguagem lquida, no familiar - eu s tinha certeza de que no era Francs
nem Espanhol, mas eu imaginei que fosse a lngua dos Quileute. Ele se virou e caminhou para a casa de Jacob. Os outros - Paul, Jared e Embry, eu presum, seguiram
ele.
"Ok", Jacob disse um pouco menos furioso quando os outros tinham ido embora. O rosto dele estava um pouco mais calmo, mas tambm mais desesperanado. A boca dele
parecia permanentemente curvada pra baixo.
Eu respirei fundo. "Voc sabe o que eu quero saber".
Ele no respondeu. Ele s olhou pra mim acidamente.
Eu encarei de volta e o silncio se prolongou. A dor no rosto dele me deixou enervada. Eu sent um caroo comeando a aparecer na minha garganta.
"Ns podemos conversar?", eu perguntei enquanto ainda conseguia falar.
Ele no respondeu de nenhum jeito; o rosto dele no mudou.
Eu sa do carro, sentindo olhos que eu no podia ver nas janelas atrs de mim, e eu comecei a andar na direo das rvores ao norte. Meu p fazia barulho na grama
molhada e na lama ao lado da pista,e, como esse era o nico som, no incio eu achei que ele no estava me seguindo.Mas quando eu olhei ao meu redor, ele estava ao
meu lado, os ps dele de alguma forma faziam muito menos barulho do que os meus.
Eu me sent melhor no esconderijo das rvores, onde no era possvel que Sam estivesse nos observando. Enquanto caminhvamos, eu lutei pra encontrar a coisa certa
pra dizer, mas eu no pensei em nada. Eu s ficava cada vez mais e mais com raiva por Jacob ter sido puxado para aquilo... e por Billy ter permitido isso... e por
Sam estar passando por aquilo tudo to calmamente e seguro...
Jacob de repente aumentou o passo, ficando na minha frente com facilidade com suas pernas longas, e ento ele se virou pra me encarar, se plantando na minha frente
pra que eu tivesse que parar tambm.
Eu me distra com a graciosidade do seu movimento. Jacob era quase to desengonado quanto eu por causa do seu crescimento sem fim. Quando foi que isso mudou?
Mas Jacob no me deu tempo de pensar nisso.
"Vamos acabar logo com isso", ele disse com uma voz dura, rspida.
Eu esperei. Ele sabia o que eu queria.
"No  o que voc est pensando". A voz dele estava repentinamente cautelosa. "No era o que eu pensava - eu estava totalmente errado".
"Ento o que ?"
Ele estudou o meu rosto por um longo momento, especulando. A raiva nunca abandonou completamente os seus olhos. "Eu no posso te contar", ele disse.
Minha mandbula se comprimiu, e eu falei por entre os dentes. "Eu pensei que fssemos amigos".
"Ns ramos", houve uma pequena nfase no tempo passado.
"Mas voc no precisa mais de amigos", eu disse acidamente. "Voc tem Sam. Isso  legal - voc sempre gostou tanto dele".
"Eu no o entendia antes".
"E agora voc vui a luz. Aleluia".
"No  como eu pensava que era. Isso no  culpa de Sam. Ele est me ajudando como pode". A voz dele se tornou frgil e ele olhou por cima da minha cabea, passando
por mim, a raiva queimando nos olhos dele.
"Ele est te ajudando", eu repet duvidosamente. "Naturalmente"
Mas Jacob no parecia estar escutando. Ele estava respirando profundamente, de propsito, tentando se acalmar. Ele estava com tanta raiva que as mos dele estavam
tremendo.
"Jacob, por favor", eu sussurrei. "Voc no vai me contar o que aconteceu? Talvez eu possa ajudar".
"Ningum pode me ajudar agora". As palavras eram um gemido baixo; a voz dele se partiu.
"O que ele fez com voc?", eu quis saber, as lgrimas se aglomeraram nos meus olhos. Eu tentei toc-lo, como j tinha feito antes, me movendo para a frente com os
braos abertos.
Dessa fez ele se afastou, segurando as mos pra cima num gesto de defesa. "No me toque", ele sussurrou.
"Sam est olhando?", eu cochichei. As lgrimas estpidas haviam escapado pelos cantos dos meus olhos. Eu as afastei com as costas da minha mo, e cruzei meus braos
no peito.
"Pare de culpar Sam". As palavras sairas rpidas, como um reflexo.
As mos dele se levantaram pra mexer no cabelo que no estava mais l, e ento cairam nos seus lados.
"Ento quem  que eu devo culpar?" eu retorqui.
Ele deu um meio sorriso; era uma coisa vazia, torta.
"Voc no quer ouvir isso".
"No quero  o diabo!" eu disparei. "Eu quero saber, e eu quero saber agora".
"Voc est errada", ele disparou de volta.
"No ouse dizer que eu estou errada - no fui eu quem sofreu uma lavagem cerebral! Me diga agora de quem  a culpa, se ela no  do seu precioso Sam!"
"Voc pediu por isso", ele rosnou pra mim, seus olhos brilhavam duramente. "Se voc quer culpar algum, porque voc no aponta o dedo para aqueles bebedores de sangue
nojentos, fedorentos que voc ama tanto?"
Minha boca se abriu e minha respirao saiu com um som parecido com
whooshing. Eu fiquei congelada no lugar, esfaqueada com as palavras dele. A dor atravessou meu corpo de uma forma j conhecida, o buraco denteado se abriu me rasgando
por dentro, mas em segundo lugar, houve a msica de fundo dos meus pensamentos caticos. Eu nopodia acreditar que havia o ouvido corretamente. No havia nenhum
trao de indeciso no rosto dele. S fria.
Minha boca ainda estava escancarada.
"Eu te disse que voc no ia querer ouvir", ele disse.
"Eu no entendo o que voc quer dizer", eu cochichei.
Ele ergueu uma sobrancelha em descrena. "Eu acho que voc entende exatamente o que eu quero dizer. Voc no vai me fazer dizer, vai? Eu no gosto de te machucar".
"Eu no entendo o que voc quer dizer", eu disse mecanicamente.
"Os Cullen", ele disse lentamente, sublinhando a palavra, estudando meu rosto enquanto ele falava isso.
"Eu v isso - eu posso ver nos seus olhos o que acontece com voc quando eu digo o nome deles".
Eu balancei minha cabea pra frente e pra trs negando, tentando limp-la ao mesmo tempo. Como era que ele sabia disso? E como era que isso tinha alguma coisa a
ver com o culto de Sam? Essa era uma gangue de odiadores de vampiros? Qual era a necessidade de se formar uma sociedade como essa se j no existiam mais vampiros
em Forks? Porque Jacob comearia a acreditar nas histrias sobre os Cullen agora, justo quando as evidencias haviam ido embora, pra nunca mais voltar?
Eu levei um segundo pra pensar na resposta correta. "No me diga que voc comeou a acreditar nas histrias sem sentido de Billy agora", eu disse com uma fraca tentativa
de ser divertida.
"Ele sabe mais do que eu pensava".
"Jacob, fale srio".
Ele me encarou, os olhos crticos.
"Colocando as supersties de lado", eu disse rapidamente. "Eu ainda no vejo porque voc est acusando... os Cullen"- estremecimento - "por isso. Eles foram embora
a mais de meio ano. Como  que voc pode culpar eles pelo que Sam est fazendo agora?"
"Sam no est fazendo nada, Bella. E eu sei que eles foram embora. Mas as vezes... as coisas acontecem em cadeia, e ento  tarde demais".
"O que aconteceu em cadeia? O que  tarde demais? Do que voc os est culpando?"
Ele olhou de repente direto pra o meu rosto, a fria dele estava brilhando nos olhos. "Por existir", ele assobiou.
Eu fiquei surpresa e destrada quando as palavras de aviso na voz de Edward vieram de novo, quando eu nem estava assustada.
"Quieta agora, Bella. No force ele", Edward me precaviu no meu ouvido.
Desde que o nome de Edward havia escapado pelas paredes que eu constru cuidadosamente pra prend-lo, eu no fui mais capaz de prend-lo novamente. No me machucava
agora - no durante os preciosos segundos que eu podia ouvir a voz dele.
Jacob estava esfumaando na minha frente, tremendo de raiva.
Eu no entend porque as alucinaes de Edward haviam aparecido inesperadamente na minha cabea
No havia adrenalina, no havia perigo.
"D uma chance pra ele se acalmar", a voz de Edward insistiu.
Eu balancei a minha cabea confusa. "Voc est sendo ridculo", eu disse para os dois.
"T", Jacob respondeu, respirando profundamente de novo. "Eu no vou discutir com voc. De qualquer forma no importa, o estrago est feito".
"Que estrago?"
Ele no se mexeu enquanto eu gritava as palavras no rosto dele.
"Vamos voltar. No h mais nada a dizer".
Eu asfixiei. "H tudo mais a dizer! Voc no me disse nada ainda!"
Ele caminhou passando por mim, voltando para a direo da casa.
"Eu esbarrei em Quil hoje", eu gritei atrs dele.
Ele parou no meio de um passo, mas no se virou.
"Voc se lembra do seu amigo, Quil? Pois , ele est morto de medo".
Jacob se virou pra me encarar. A expresso dele estava dolorida.
"Quil", foi tudo o que ele disse.
"Ele est preocupado com voc tambm. Ele est ficando louco".
Jacob olhou por cima de mim com olhos desesperados.
Eu o aticei mais ainda. "Ele est com medo de ser o prximo".
Jacob se segurou numa rvore pra ter apoio, o rosto dele ficando de um estranho tom verde embaixo da superfcie marrom avermelhada.
"Ele no ser o prximo", Jacob murmurou pra s mesmo. "Ele no pode ser. Est acabado agora. Isso no devia estar acontecendo. Porque? Porque?". O punho dele se
chocou na rvore. No era uma rvore grande, mais fina e s um pouco mais alta que Jacob. Mas eu ainda fiquei surpresa quando o tronco cedeu e caiu com o golpe dele.
Jacob olhou para o ponto afiado, quebrado que havia sofrido o choque e rapidamente ficou horrorizado.
"Eu tenho que ir". Ele se virou e foi embora to rapidamente que eu tive que correr para acompanhar.
"Voltar pra Sam!"
"Essa  uma forma de ver as coisas", parecia que ele estava falando srio. Ele estava murmurando e olhando em frente.
Eu o segui at a caminhonete. "Espere!", eu chamei quando ele se virou na direo da casa.
Ele se virou pra me encarar de novo, e eu v que as mos dele estavam tremendo de novo
"V pra casa, Bella. Eu no posso mais andar com voc".
Essa dor boba, inconsequente era incrivelmente poderosa.
As lgrimas apareceram de novo. "Voc est... terminando comigo?" As palavras eram todas erradas, mas elas eram as melhores nas quais eu conseguia pensar para frasear
o que eu queria perguntar. Afinal, o que eu e Jake tnhamos era mais que um romance de escola. Era mais forte.
Ele comprimiu uma risada cida. "Dificilmente. Se esse fosse o caso eu diria 'Vamos ser amigos'. Mas eu nunca poderia dizer isso".
"Jacob... porque? Sam no te deixa ter outros amigos? Por favor, Jake. Voc prometeu. Eu preciso de voc!"
O significante vazio que havia na minha vida antes - antes de Jacob trazer um pouco de razopra dentro dela - voltou e me confrontou.
A solido apertou minha garganta.
"Eu lamento, Bella", Jacob disse cada palavra distintamente com uma voz fria que no pertencia a ele.
Eu no acreditava que era mesmo isso que Jacob queria dizer. Parecia que havia algo mais tentando ser dito atravs de seus olhos raivosos, mas eu no conseguia entender
a mensagem.
Talvez isso no tivesse nada a ver com Sam. Talvez isso no tivesse nada a ver com os Cullen. Talvez ele s estivessem tentando se salvar dessa situao sem esperana.
Talvez eu devesse dizer que ele fizesse isso, se isso era o melhor pra ele. Eu devia fazer isso. Era o certo.
Mas eu ouvi minha voz escapando num sussurro.
"Eu lamento que eu no pude... antes... Eu queria poder mudar o que eu sinto por voc, Jacob". Eu estava desesperada, tentando alcanar, esticando a verdade at
que ela quase se tornou uma mentira. "Talvez... talvez eu mudasse", eu sussurrei. "Talvez se voc me desse algum tempo... s no desista de mim agora, Jake. Eu no
vou suportar".
O rosto dele passou de raiva para agonia num segundo. Uma mo tremendo se aproximou de mim.
"No. No pense assim, Bella, por favor. No se culpe, no pense que  sua culpa. Isso  tudo minha culpa. Eu juro, no tem nada a ver com voc".
"No  voc, sou eu", eu sussurrei. " outra"
"Eu falo srio, Bella. Eu no estou..." ele relutou, sua voz ficando ainda mais rouca enquanto ele lutava pra controlar suas emoes. Seus olhos estavam torturados.
"Eu j no sou mais bom o suficiente pra ser seu amigo, ou nada mais. Eu no sou mais quem era antes. Eu no sou bom".
"O que?", eu encarei ele, confusa e aptica. "O que voc est dizendo? Voc  muito melhor do que eu, Jake. Voc  bom! Quem disse que voc no ? Sam? Ele  um
mentiroso, Jacob! No deixe que ele te diga isso!" de repente eu estava gritando de novo.
O rosto de Jacob ficou duro e vazio. "Ningum me disse nada. Eu sei o que sou".
"Voc  meu amigo,  isso que voc ! Jake - no!"
Ele estava dando as costas pra mim.
"Eu lamento, Bella", ele disse de novo; desse vez era um murmrio partido. Ele se virou e quase correu para a casa.
Eu fiquei incapacitada de me mover de onde eu estava. Eu olhei para a pequena casa; ela perecia muito pequena para os quatro garotos grandes e os dois homens ainda
maiores.
No houve reao do lado de dentro. Nenhuma flutuao nas beiras da cortina, nenhum som de vozes eu de movimento. Ela parecia vazia.
A chuva comeou em chuviscos, fazendo ccegas onde tocavam a minha pele. Eu no conseguia tirar os meus olhos da casa. Jacob voltaria. Ele tinha que voltar.
A chuva aumentou, o vento tambm. As gotas j no caiam mais de cima; elas vinham num ngulo que vinha do oeste. Eu sentia o cheiro da brisa que vinha do mar. Meu
cabelo batia no meu rosto, grudando nos lugares molhados e fazendo ccegas nos meus clios. Eu esperei.
Finalmente a porta se abrui, eu dei um passo pra frente aliviada.
Billy rodou a sua cadeira pra frente at a entrada da porta. Eu no via ningum atrs dele.
"Charlie acabou de ligar, Bella. Eu disse pra ele que voc estava voltando pra casa". Os olhos dele estavam cheios de piedade.
De alguma forma a piedade foi o fim pra mim. Eu no comentei. Eu s me virei como um rob e entrei na minha caminhonete.
Eu tinha deixado as janelas abertas e os bancos estavam escorregadios e molhados. Eu no me importei. Eu j estava ensopada.
No to ruim, no to ruim! minha mente tentou me confortar.
Era verdade. Isso no era to ruim. Esse no era o fim do mundo, no novamente. Isso era s o fim do pequeno pedao que havia sido deixado pra trs. S isso.
No  to ruim, eu concordei, e ento acrescentei Mas  ruim o suficiente.
Eu achei que Jake estava curando o buraco dentro de mim - ou pelo menos juntando as partes, evitando que isso me machucasse tanto.
Eu estava errada. Ele s estava cavando seu prprio buraco, ento agora eu estava esburacada como queijo susso. Eu me perguntei porque no me espatifava em pedaos.
Charlie estava esperando por mim na porta. Enquanto eu parava o carro, ele veio me encontrar.
"Billy ligou. Ele disse que voc estava brigando com Jake - ele disse que voc estava brava", ele explicou enquanto abria a porta pra mim.
Ento ele olhou pra mim. Uma espcie de reconhecimento horrorizado se registrou no rosto dele. Eu tentei sentir meu rosto de dentro pra fora, pra saber o que ele
estava vendo. Meu rosto parecia vazio e frio, e eu me dei conta do que isso lembrava ele.
"No foi exatamente isso que aconteceu", eu murmurei.
Charlie colocou seu brao ao meu redor e me ajudou a sair do carro. Ele no comentou as minhas roupas ensopadas.
"Ento o que aconteceu?", ele perguntou quando estavamos do lado de dentro. Ele puxou a manta que ficava atrs do sof enquanto falava e a colocou nos meus ombros.
Eu me dei conta de que ainda estava tremendo.
Minha voz estava sem vida. "Sam Uley disse que eu e Jacob no podemos mais ser amigos".
Charlie me deu uma olhada estranha. "Quem te disse isso?"
"Jacob", eu disse, apesar de ter sido exatamente isso o que ele disse. Ainda era verdade.
As sobrancelhas de Charlie se juntaram. "Voc realmente acha que tem alguma coisa errada com aquele garoto Uley?".
"Eu sei que tem. Porm, Jacob no quis me falar sobre isso".
Eu podia ouvir a gua das minhas roupas pingando no cho e fazendo barulho na madeira. "Eu vou trocar de roupa".
Charlie estava perdido em seus pensamentos. "Ok", ele disse ausentemente.
Eu resolv tomar um banho antes porque estava com frio, mas a gua quente no pareceu afetar a temperatura do meu corpo. Eu ainda estava congelando quando desist
e desliguei a gua. No silncio repentino, eu podia ouvir Charlie falando com algum l embaixo. Eu me cobr com uma toalha e sa do banheiro.
A voz de Charlie estava raivosa. "Eu no vou acreditar nisso. Isso no faz o mnimo sentido".
Tudo ficou quieto a, e eu me dei conta de que ele estava no telefone. Um minuto se passou.
"No culpe Bella por isso!" Charlie gritou de repente.
Eu pulei. Quando ele falou de novo, sua voz estava cuidadosa e mais baixa. "Bella deixou muito claro o tempo inteiro que ela e Jacob era apenas amigos... Bem, se
era isso, ento porque voc no disse isso antes? No, Billy, eu acho que ela est certa nisso... Porque eu conheo a minha filha, e se ela diz que Jacob estava
assustado antes -", ele parou no meio da frase, e quando recomeou estava quase gritando de novo.
"O que voc quer dizer com eu no conheo minha filha to bem quanto penso que conheo!" Ele escutou por um breve segundo, e a resposta dele foi quase baixa demais
pra que eu ouvisse. "Se voc pensa que eu vou fazer ela se lembrar daquilo,  melhor voc pensar de novo. Ela est apenas comeando a lidar com aquilo, e em grande
parte por causa de Jacob, eu acho. Se o que quer que Jacob estava fazendo com esse tal de Sam vai fazer ela voltar pra a aquela depresso, ento Jacob ter que responder
por isso. Voc  meu amigo, Billy, mas isso  machucar a minha famlia".
Houve outra pausa pra Billy responder.
"Voc entendeu direito - se esses garotos colocarem um dedo fora da linha eu vou saber. Ns estarmos mantendo um olho na situao, voc pode ter certeza". Ele no
era mais Charlie; ele era o Chefe Swan agora.
"T. . Tchau" O telefone bateu no receptor.
Eu andei na ponta dos ps rapidamente at o meu quarto. Charlie estava murmurando com raiva na cozinha.
Ento Billy ia me culpar. Eu estava incentivando Jacob e ele finalmente ficou de saco cheio.
Era estranho, pois eu mesma temia isso, mas depois da ltima coisa que Jacob disse essa tarde, eu no acreditava mais nisso. Havia muito mais envolvido nisso do
que uma paixonite no correspondida, e me surpreendia que Billy disesse que se tratava disso. Isso me fez pensar que qualquer que fosse o segredo que ele estava
escondendo, era muito maior do que eu imaginava. Pelo menos Charlie estava do meu lado agora.
Eu coloquei o meu pijama e me arrastei para a cama. A cama parecia to escura no momento que eu me deixei trapacear. O buraco - buracos agora - j estava doendo,
ento porque no? Eu coloquei pra fora - no a memria verdadeira que me machucaria demais, mas a memria falsa da voz de Edward na minha cabea essa tarde - e a
toquei de novo e de novo na minha cabea, at que eu peguei no sono com lgrimas descendo calmamente pelo meu rosto vazio.
Havia um sonho novo essa noite. A chuva estava caindo e Jacob estava aindando silenciosamente ao meu lado, mas embaixo dos meus ps, o cho parecia estar cheio de
gravetos de quebrando.
Mas ele no era o meu Jacob; ele era um novo, cido e gracioso. A graciosidade do seu caminhado me lembrou de outra pessoa, e, enquanto eu observava, o rosto dele
comeou a mudar. A pele cor de cobre foi embora, deixando o seu rosto plido como papel. Os olhos dele ficaram dourados, depois vermelhos, depois dourados de novo.
O cabelo dele mudava com a brisa, ficando cor de bronze quando o vento o tocava. O rosto dele ficou to lindo que fez meu corao disparar. Eu tentei me aproximar
dele, mas ele deu um passo pra trs, erguendo a mo como um escudo. E ento Edward desapareceu.
Eu no tinha certeza, quando me acordei na escurido, se eu estava comeando a chorar, ou se estive chorando durante o sonho e simplesmente continuava agora.
Eu olhei para o meu teto escuro.
Eu podia sentir que esse era o meio da noite - eu ainda estava meio adormecida, talvez fosse mais que a metade.
Eu fechei meus olhos cautelosamente e rezei por um sono sem sonhos.
Foi a que eu escutei o barulho que deve ter me acordado no comeo.
Alguma coisa afiada arranhou o vidro da minha janela com um barulho agudo e alto, como unhas na janela.

12. Intruso
Meus olhos se abriram com o medo, apesar de eu estar to exausta e confusa, que eu nem tinha certeza se estava acordada ou dormindo.
Alguma coisa arranhou a minha janela de novo com o mesmo barulho alto, fino.
Confusa e lerda com o sono, eu me arrastei pra fora da cama e fui para a janela, piscando no caminho com as lgrimas que permaneceram nos meus olhos.
Uma enorme sombra escura se moveu erraticamente do lado de fora da minha janela, se lanando na minha dirao como se fosse se jogar pra dentro. Eu me inclinei pra
trs, aterrorizada, minha garganta se preparando pra gritar.
Victria.
Ela veio pra me pegar.
Eu estava morta.
Charlie tambm no!
Eu engol o grito. Eu teria que me manter quieta ao passar por isso.
De alguma forma. Eu tinha que evitar que Charlie viesse investigar...
E a uma voz familiar, rouca chamou vinda da figura escura.
"Bella", ele assobiou. "Ouch! Droga, abra a janela! OUCH!"
Eu levei dois segundos pra me livrar do horror antes de conseguir me mexer, mas depois eu corri para a janela e abri o vidro. As nuvens deixava uma luz fraca passar
por entre elas, luz suficiente pra que eu pudesse identificar as formas.
"O que  que voc est fazendo?", eu asfixiei.
Jacob estava se pendurando cuidadosamente no topo da rvore que crescia no meio do pequeno quintal na frente da casa de Charlie.
O peso dele havia feito a rvore se curvar na direo da casa e agora ele estava se balanando - as suas pernas estavam se balanando a vinte metros do cho - a
menos de um metro de mim.
Os galhos finos no topo da rvore arranharam o lado da casa de novo fazendo um barulho agudo.
"Eu estou tentando manter" - ele bufou, inclinando seu peso enquanto o topo da rvore balanava com ele - "minha promessa".
Eu pisquei com os meus olhos molhados e turvos, e de repente eu tinha certeza de que estava sonhando.
"Quando foi que voc prometeu se matar caindo de uma rvore na frente da casa da Charlie?"
Ele bufou, sem se diverit, balanando as pernas pra manter o equilibrio.
"Saia do caminho", ele ordenou.
"Como ?"
Ele balanou as pernas de novo, pra frente e pra trs, aumentando o ritmo. Foi a que eu me dei conta do que ele estava tentando fazer.
"No, Jake!"
Mas eu me desviei para o lado, porque j era tarde demais.
Com um grunhido, ele se lanou em direo a minha janela aberta.
Outro grito se construiu na minha garganta enquanto eu esperava que ele casse para a morte - ou pelo menos que ele se machucasse quando casse. Pra meu choque,
ele se balanou agilmente pra dentro do meu quarto, aterrisando nos calcanhares com um estrondo baixo.
Ns dois olhamos para a porta automaticamente, segurando a respirao, esperando pra ver se o barulho havia acordado Charlie.
Mais um breve momento se passou em silncio, e depois ns ouvimos o som abafado do ronco de Charlie.
Um grande sorriso atravessou o rosto de Jacob; ele parecia extramamente agradado consigo mesmo. Aquele no era o sorriso que eu conhecia e amava - era um sorriso
novo, um que era mais uma piada cida da sua antiga sinceridade, no novo rosto que pertencia a Sam.
Isso era um pouco demais pra mim.
Eu chorei at dormir por causa desse garoto. A rejeio dura dele havia feito um novo buraco no que ainda restava do meu peito. Ele deixou um novo pesadelo pra trs
dele, como uma infeco num inchao - um insulto depois do ultraje. E agora ele estava aqui no meu quarto, sorrindo pra mim como se nada tivesse acontecido. Pior
que isso, mesmo a chegada dele tendo sido estranha e barulhenta, ela me lambrou do jeito como Edward costumava se enfiar pela minha janela de noite, e essa lembrana
cutucou maldosamente nas minhas feridas no curadas.
Tudo isso, acumulado ao fato de que eu estava cansada feito um co, no me deixou com um homor muito amigvel.
"Se manda!" eu assobiei, colocando tanto veneno no sussurro quanto pude.
Ele piscou, o rosto dele ficando aptico com a surpresa.
"No", ele protestou. "Eu vim pra me desculpar".
"Eu no aceito".
Eu tentei empurr-lo de volta para a janela - afinal, se aquilo era um sonho, ele no ia se machucar. Porm, foi intil. Eu no o mov nem um centmetro. Eu baixei
as mos rapidamente e me afastei dele.
Ele no estava usando uma camisa, apesar do vento que soprava pela janela ser frio o suficiente pra m fazer tremer, eu no me senti cinfortvel colocando as minhas
mos no peito nu dele. A pele dele estava queimando de to quente, como a sua cabea estava da ltima vez que eu o toquei. Como se ele ainda estivesse com febre.
Ele no parecia doente. Ele parecia enorme. Ele se inclinou pra mim, to grande que ele bloqueou a janela, com a lngua presa pela minha reao furiosa.
De repente a coisa toda era mais do que eu podia aguentar - era como se todas as noites que eu fiquei sem dormir estivessem se jogando em cima de mim juntas. Eu
estava to brutalmente cansada que eu pensei que podia cair bem al no cho. Eu balanava instvel, e lutava pra manter meus olhos abertos.
"Bella?", Jacob sussurrou ansiosamente. Ele agarrou meu cotovelo quando eu balancei de novo, e me guiou de volta para a cama. Minhas pernas desistiram quando eu
alcansei a beira, e eu me deixei cair com tudo no colcho.
"Ei, voc t bem?", Jacob perguntou, a preocupao comeou a crescer no rosto dele.
Eu olhei pra ele, as lgrimas ainda no haviam secado nas minhas bochechas. "Por que motivo eu estaria bem, Jacob?"
A angstia foi substituda por um pouco de acidez no rosto dele.
"Certo", ele concordou, e respirou fundo. "Merda. Bem... Eu- Eu lamento muito, Bella". As desculpas foram sinceras, sem dvida, apesar de ainda haverem algumas pontas
de raiva espalhadas pelo rosto dele.
"Porque voc veio aqui? Eu no quero desculpas de voc, Jake".
"Eu sei", ele cochichou. "Mas eu no podia deixar as coisas do jeito que estavam essa tarde. Aquilo foi horrvel. Me desculpe".
Eu balancei minha cabea cautelosamente. "Eu no entendo nada".
"Eu sei. Eu quero explicar -" Ele parou de repente, quase como se alguma coisa tivesse cortado o ar dele. Ento ele sugou o ar com fora. "Mas eu no posso explicar",
ele disse ainda com raiva. "Eu queria poder".
Eu deixei minha cabea cair nos meus braos. Minha pergunta saiu abafada pelo meu brao. "Porque?"
Ele ficou quieto por um momento. Eu virei minha cabea para o lado - cansada demais pra segur-la pra cima - pra ver a expresso dele.
Ela me surpreendeu. Os olhos dele estavam apertados, seus dentes trincados, a testa dele enrrugada com o esforo.
"Qual o problema?", eu perguntei.
Ele exalou pesadamente, e eu me dei conta de que ele estava segurando a respirao tambm. "Eu no posso fazer isso", ele murmurou, frustrado.
"Fazer o que?"
Ele ignorou minha pergunta. "Olha, Bella, ser que voc nunca teve um segredo que no podia contar pra ningum?"
Ele olhou pra mim com olhos sbios, e os meus pensamentos pularam imediatamente para os Cullen. Eu esperava que a minha expresso no estivesse muito culpada.
"Alguma coisa que voc sentia que tinha que esconder de Charlie, da sua me...?" ele pressionou. "Uma coisa que voc no falaria nem comigo? Nem mesmo agora?"
Eu sent meus olhos se estreitarem. Eu no respond a pergunta dele, apesar de saber que ele consideraria isso uma confirmao.
"Ser que voc pode entender que talvez eu esteja na mesma... situao?" Ele estava lutando de novo, parecendo batalhar pra encontrar as palavras certas. "As vezes
a lealdade fica no caminho das coisas que voc quer fazer. As vezes, nem  o seu segredo".
Ento, eu no podia discutir com isso. Ele estava exatamente certo -eu tinha que guardar um segredo que no era meu, e mesmo assim era um segredo que eu me sentia
inclinada a proteger. Um segredo sobre o qual, de repente, ele parecia saber tudo.
Eu ainda no via como isso se aplicava a ele, ou Sam, ou Billy. O que era isso pra eles, agora que os Cullen haviam ido embora?
"Eu no sei o que voc veio fazer aqui, Jacob, se voc s faz enigmas ao invs de me dar respostas".
"Me desculpe", ele sussurrou. "Isso  to frustrante".
Ns olhamos para os rostos um do outro na escurido por um longo momento, os dois rostos sem esperanas.
"A parte que me mata", ele disse de repente. " que voc j sabe. Eu j te contei tudo".
"Do que  que voc t falando?"
Ele sugou o ar alarmado, e ento se inclinou na minha direo, o rosto dele passou de desesperanoso para brilhante de intensidade em um segundo. Ele me olhava penetrantemente
nos olhos, e a voz dele estava mais rpida e mais ansiosa. Ele falou as palavras diretamente no meu rosto; o hlito dele era to quente quanto sua pele.
"Eu acho que vejo um jeito de ajeitar as coisas - porque voc j sabe disso, Bella! Eu no posso te dizer, mas se voc adivinhasse! Isso no estaria me envolvendo!"
"O que voc quer que eu adivinhe? Adivinhar o que?"
"O meu segredo! Voc consegue - voc sabe a resposta!"
Eu pisquei duas vezes, tentando limpar minha cabea. Eu estava to cansada. Nada do que ele dizia fazia sentido.
Ele viu minha expresso vazia, e o rosto dele ficou tenso com o esforo de novo. "Caramba, deixa eu ver se consigo te ajudar", ele disse. O que quer que fosse que
ele estivesse tentando fazer, era muito difcil quando ele estava ofegando.
"Ajuda?", eu perguntei, tentando acompanhar. Minhas plpebras queriam se fechar, mas eu forcei elas a ficarem abertas.
"", ele disse, respirando com fora. "Como pistas".
Ele pegou meu rosto entre as suas mos enormes e quentes demais e o segurou a apenas alguns centmentros do seu. Ele me olhava nos olhos enquanto cochichava, como
se estivesse me comunicando algo alm das palavras que dizia.
"Se lembra do dia em que nos conhecemos - na praia em La Push?"
" claro que lembro".
"Me fale sobre ele".
Eu respirei fundo e tentei me concentrar. "Voc me perguntou sobre a minha caminhonete..."
Ele balanou a cabea, com pressa de que eu continuasse.
"Ns falamos sobre o Rabbit..."
"Continue".
"Ns fomos andar pela beira da praia..." Minhas bochechas estavam ficando quentes embaixo das mos dele enquanto eu me lembrava, mas ele no ia reparar, de to quente
que a pele dele era. Eu tinha pedido pra ele andar comigo, fletando com ele inaptamente mas com sucesso, pra arrancar informaes dele.
Ele estava balanando a cabea, ansioso por mais.
Minha voz estava quase sem som. "Voc me contou histrias assustadoras... lendas Quileute".
Ele fechou os olhos e os abriu de novo. "Sim".
A palavra era tensa, fervente, como se ele estivesse  beira de alguma coisa vital. Ele falou lentamente, tornando cada palavra distinta. "Voc se lembra do que
eu disse?"
Mesmo no escuro, ele deve ter sido capaz de ver a mudana na cor do meu rosto. Como eu poderia esquecer aquilo? Sem se dar conta do que estava fazendo, Jacob me
contou exatamente o que eu queria saber naquele dia - que Edward era um vampiro.
Ele olhou pra mim com olhos que sabiam demais. "Pense bastante", ele me disse".
"Sim, eu me lembro", eu respirei.
Ele inalou com fora, lutando. "Voc se lembra de todas as hist-" ele no conseguiu terminar a pergunta. A boca dele se abriu como se alguma coisa houvesse agarrado
a garganta dele.
"Todas as histrias?", eu perguntei.
Ele balanou a cabea mudo.
Minha cabea se agitou. Somente uma histria me importava de verdade. Eu sabia que ele havia me contado outras, mas eu no conseguia me lembrar do preldio inconsequente,
especialmente quando minha mente estava to nublada de exausto. Eu comecei a mexer a cabea.
Jacob grunhiu e pulou da cama. Ele pressionou os punhos na testa e respirou rpido e com raiva. "Voc sabe disso, voc sabe disso", ele murmurou pra s mesmo.
"Jake? Por favor, Jake, eu estou exausta. Eu no estou muito boa pra isso agora. Talvez amanh de manh..."
Ele deu um respiro pra se acalmar e balanou a cabea. "Talvez as coisas voltem pra voc. Eu acho que posso entender porque voc s se lembra de uma histria".
Ele acrescentou num tom sarcstico, cido. Ele se sentou de volta no colcho perto de mim. "Voc se importa se eu fizer uma pergunta sobre isso?", ele perguntou,
ainda sarcstico. "Eu estive morrendo pra saber".
"Uma pergunta sobre o que?", eu perguntei cautelosamente.
"Sobre os vampiros da histria que eu te contei".
Eu encarei ele com olhos reservados, incapaz de responder. Ele fez a pergunta do mesmo jeito.
"Voc honestamente no sabia?", ele me perguntou, sua voz ficando spera. "Fui eu quem te contou o que ele era?"
Como  que ele sabe disso? Porque ele havia resolvido acreditar, porque agora? Meus dentes se apertaram. Eu o encarei de volta, sem nenhuma inteno de responder.
Ele podia ver isso.
"Est vendo o que eu disse sobre lealdade?", ele murmurou, ainda mais spero agora. " o mesmo pra mim, s que pior. Voc no pode imaginar o quanto eu estou envolvido..."
Eu no gostei disso - no gostei do jeito como os olhos dele se fecharam como se ele estivesse sentindo dor quando falava no quanto estava envolvido. Mais que no
gostar - eu ma dei conta de que odiava isso, odiava qualquer coisa que o fizesse sentir dor. Odiava ferozmente.
O rosto de Sam encheu minha mente.
Pra mim, isso tudo era essencialmente involuntrio. Eu protegia o segredo dos Cullen por amor; no correspondido, mas verdadeiro. Pra Jacob, isso no parecia ser
o mesmo.
"No h nenhum jeito de voc se libertar?", eu sussurrei, tocando a beira spera na parte de trs do seu cabelo curto.
As mos dele comearam a tremer, mas ele no abriu os olhos. "No. Eu estou nisso pra vida inteira. Uma sentena de vida". Uma risada vazia. "Mais longa, talvez".
"No, Jake", eu gem. "E se ns fugssemos? S voc e eu. E se sassemos de casa, se deixarmos Sam pra trs?"
"No  uma coisa da qual eu posso fugir, Bella", ele cochichou. "No entanto, eu fugiria com voc, se eu pudesse". Agora os ombros dele estavam tremendo tambm. Ele
respirou fundo. "Olha, eu tenho que ir".
"Porque?"
"Pra comear, parece que voc vai desmaiar a qualquer segundo. Voc precisa do seu sono - voc precisa recarregar suas pistolas. Voc vai descobrir tudo, voc precisa".
"E porque mais?"
Ele fez uma careta. "Eu vou ter que escapar - eu no tenho permisso de ver voc. Eles devem estar imaginando onde eu estou". A boca dele se contorceu. "Eu acho
que devo ir e contar pra eles".
"Voc no precisa contar nada pra eles", eu assobiei.
"Mesmo assim, eu vou".
A raiva passou por mim com fora. "Eu odeio eles"
Jacob olhou pra mim com os olhos arregalados, surpreso. "No, Bella. No odeie os caras. No  culpa de Sam e nem de nenhum dos outros. Eu j te disse antes - sou
eu. Sam  na verdade... bem, incrivelmente legal. Jared e Paul so timos tambm, apesar de Paul ser meio... e Embry sempre foi meu amigo. Nada mudou a - a nica
coisa que no mudou. Eu realmente me sinto muito mal pelas coisas que eu costumava pensar sobre Sam..."
"Sam  incrivelmente legal", eu olhei para ele sem acreditar, mas deixei passar.
"E ento porque  que voc no pode mais me ver?", eu quis saber.
"No  seguro", ele murmurou, olhando pra baixo.
As palavras mandaram um arrepio de medo pelo meu corpo.
Ele sabia disso tambm? Ningum sabia disso alm de mim. Mas ele estava certo - era o meio da noite, a hora perfeita para uma caada. Jacob no devia estar aqui
no meu quarto. Se algum viesse atrs de mim, eu tinha que estar aqui sozinha.
"Se eu achasse que era muito... muito arriscado", ele sussurrou. "Eu no teria vindo. Mas, Bella", ele olhou pra mim de novo. "Eu te fiz uma promessa. Eu no tinha
idia de que seria t~]ao difcil cumpri-la, mas isso no significa que eu no v tentar".
Ele viu a incompreenso no meu rosto. "Depois daquele filme estpido", ele me lembrou. "Eu promet que nunca te machucaria... Ento eu realmente estraguei tudo essa
tarde, no foi?"
"Eu sei que no era a sua inteno, Jake. Est tudo bem".
"Obrigado, Bella", ele segurou minha mo.
"Eu farei todo o possvel pra estar l por voc, assim como promet". Ele sorriu pra mim de repente. O sorriso no era meu, nem de Sam, mas uma estranha combinao
dos dois. "Ia ajudar muito se voc pudesse descobrir isso sozinha, Bella. Se esforce muito pra isso".
Eu fiz uma careta fraca. "Eu vou tentar".
"Eu vou tentar te ver logo" Ele suspirou. "E eles vo tentar me convencer a no vir".
"No escute eles".
"Eu vou tentar". Ele balanou a cabea como se duvidasse do seu sucesso. "Venha e me diga assim que voc descobrir". Alguma coisa ocorreu a ele nessa hora, alguma
coisa que fez as mos dele tremerem. "Isso se... isso se voc quiser".
"Porque eu no iria querer ver voc?"
O rosto dele ficou duro e cido. Aquele rosto pertencia cem porcento  Sam. "Oh, eu posso pensar numa razo", ele disse num tom spero. "Olha, eu realmente tenho
que ir. Voc pode fazer uma coisa por mim?"
Eu s acenei com a cabea, assustada pela mudana nele.
"Pelo menos me ligue - se no quiser me ver de novo. Me deixe saber se for assim".
"Isso no vai acontecer-".
Ele ergueu uma mo, me cortando. "S me deixe saber".
Ele se levantou e foi para a janela.
"No seja idiota, Jake", eu reclamei. "Voc vai quebrar a perna. Use a porta. Charlie no vai te pegar".
"Eu no vou me machucar", ele murmurou, mas se virou para a porta. Ele hesitou enquanto passou por mim, me olhando com uma expresso como se alguma coisa estivesse
incomodando ele. Ele levantou uma mo, como se fosse uma declarao.
Eu peguei a mo dele, e de repente ele me puxou - com fora demais - pra fora da cama e para o peito dele.
"S pela dvida", ele murmurou no meu cabelo, me apertando num abrao de urso que quase quebrou minhas costelas.
"No consigo - respirar", eu asfixiei.
Ele me soltou imediatamente, mantendo uma mo na minha cintura pra que eu no casse. Ele me puxou, mais gentilmente dessa vez, de volta para a cama.
"Durma um pouco, Bells. Voc precisa fazer sua cabea trabalhar. Voc precisa entender. Eu no vou te perder, Bella. No por isso".
Ele estava na porta num piscar de olhos, abrindo-a quietamente, e ento desaparecendo por ela. Eu escutei pra ouvir ele pisar no primeiro degrau da escada, mas no
houve nenhum som.
Eu fiquei na minha cama,com a cabea rodando. Eu estava cansada demais, desgastada demais. Eu fechei meus olhos, tentando entender o sentido de tudo aquilo, apenas
pra ser tragada pela inconscincia to rapidamente que fiquei desorientada.
No foi o sono em paz, sem sonhos que eu havia pedido -  claro que no. Eu estava na floresta como sempre, e eu comecei a vagar como sempre fazia.
Eu rapidamente me dei conta de que esse no era o mesmo sonho de sempre. Pra comear, eu no sentia a compulso em continuar a minha procura; eu estava siplesmente
vagando por hbito, porque isso era geralmente o que se esperava de mim aqui. Na verdade, essa no era nem a mesma floresta. O cheiro era diferente, e a luz tambm.
Cheirava, no como o cho molhado das matas, mas como a brisa que vinha do oceano. Eu no podia ver o cu; mas ainda assim, me pareceu que o sol estava brilhando
- as folhas acima eram de um verde brilhante cor de jade.
Essa era a floresta que havia em La Push - perto da praia que havia l, eu tinha certeza disso. Eu sabia que se encontrasse a praia, eu seria capaz de ver o sol,
ento eu me apressei e segui em frente, seguinte o som fraco das ondas  distncia.
E ento Jacob estava l. Ele agarrou minha mo, me puxando de volta para a parte mais escura da floresta.
"Jacob, o que h de errado?", eu perguntei. O rosto dele era o rosto assustado de uma criana, e o cabelo dele estava lindo de novo, colocado pra trs num rabo de
cavalo, bem acima da sua nuca.
Ele me puxava com toda a sua fora, mas eu resistia; eu no queria ir para o escuro.
"Corra, Bella, voc tem que correr!", ele sussurrou, aterrorizado.
A abrupta onda de deja vu foi to forte que quase me acordou.
Agora eu sabia porque reconhecia esse lugar. Era porque eu j tinha estado l antes, em outro sonho. A um milho de anos atrs, parte de uma vida inteiramente diferente.
Esse foi o sonho que eu tive na noite depois de ter passeado com Jacob na praia, na primeira noite em que eu soube que Edward era um vampiro. Reviver aquele dia
com Jacob deve ter desenterrado essas memrias.
Destacada do sonho agora, eu esperei as coisas acontecerem. Uma luz estava vindo na minha direo da praia.
Em apenas um momento, Edward sairia das rvores, a pele dele brilhando fracamente e seus olhos pretos e perigosos. Ele me chamaria e sorriria. Ele estaria to lindo
quanto um anjo, e seus dentes seriam apontados e afiados...
Mas eu estava ultrapassando a mim mesma. Alguma coisa tinha que acontecer antes.
Jacob soltou minha mo e ganiu. Tremendo e se contorcendo, ele caiu no cho  meus ps.
"Jacob!", eu gritei, mas ele havia desaparecido.
Em seu lugar, havia um enorme lobo marrom avermelhado com olhos escuros, inteligentes.
O sonho mudava de direo  claro, como um trem saindo dos trilhos.
Aquele no era o mesmo lobo com o qual eu havia sonhado na minha outra vida. Esse era o grande lobo ruivo que havia ficado a meio metro de mim na clareira, a apenas
uma semana atrs.
Esse lobo era gigante, monstruoso, maior do que um urso.
O lobo olhou atentamente pra mim, tentando me dizer algo vital com seus olhos inteligantes. Os olhos pretos amarronzados, os olhos familiares de Jacob Black.
Eu acordei gritando no limite dos meus pulmes.
Eu quase esperei que Charlie viesse me checar dessa vez. Esse no era o meu grito de sempre. Eu cobri minha cabea com o travesseiro pra tentar abafar a histeria
que meus gritos estavam criando dentro de mim. Eu apertei o algodo com fora no meu rosto, imaginando se de alguma forma eu no poderia abafar tambm a conexo
que havia acabado de fazer.
Mas Charlie no entrou, e eu eventualmente fui capaz de estrangular a estranha gritaria saindo da minha garganta.
Eu me lembrava agora - todas as palavras que Jacob havia me dito naquela tarde na praia, mesmo da parte antes de ele falar sobre "os frios". Especialmente aquela
primeira parte.
"Voc sabe de alguma das nossas antigas histrias, sobre de onde viemos - os Quileute, eu quero dizer?" ele perguntou.
"Na verdade no", eu respond.
"Bem, existem muitas lendas, algumas delas datam da poca da dilvio - supostamente, os ancies Quileute amarraram suas canoas no topo das rvores mais altas pra
sobreviver, como No e a arca."
Nessa hora ele sorriu pra demonstrar o quanto acreditava pouco nessas histrias. "Outra lenda diz que ns somos descendentes dos lobos - e que os lobos ainda so
nossos irmos.  contra a lei da tribo matar eles.
"E ento tem as histrias sobre os frios".
A voz dele ficou um pouco mais baixa.
"Os frios?"
"Sim. Existem histrias sobre os frios to velhas quanto as lendas dos lobos, e algumas muito mais recentes. De acordo com a lenda, o meu prprio bisav conheceu
alguns deles. Foi ele quem criou o acordo que os mantem fora da nossa terra". Jacob rolou os olhos.
"Seu bisav?"
"Ele era um lder tribal, como meu pai. Veja, os frios so naturalmente inimigos dos lobos - bem, no dos lobos exatamente, mas dos lobos que se transformam em homens,
como nossos ancestrais.
Vocs os chamariam de lobisomens".
"Lobisomens tm inimigos?"
"S um".
Havia alguma coisa presa na minha garganta, me sufocando. Eu tentei engolir, mas estava preso l, sem se mexer. Eu tentei cuspir.
"Lobisomem", eu asfixiei.
Sim, essa era a palavra que estava me sufocando.
O mundo inteiro sacudiu, girando do jeito errado no seu eixo.
Que espcie de lugar era esse? Ser que realmente poderia existir um mundo onde lendas ansis vagavam nas fronteiras das cidades pequenas, insignificantes, se deparando
com monstros mticos? Sera que absolutamente todos os contos de fadas impossveis eram de alguma forma presos na mais absoluta verdade?
Havia alguma coisa s e normal, ou tudo era simplesmente mgica, histrias de fantasmas?
Eu agarrei minha cabea com as minhas mos, tentando evitar que ela explodisse.
Uma voz pequena, seca atrs da minha cabea me perguntava qual era o grande problema. Eu j no tinha aceito a existncia dos vampiros a tanto tempo atrs - e sem
ficar histrica?
Exatamente, eu queria gritar para aquela voz. Ser que um mito j no era suficiente pra qualquer um? Suficiente pra uma vida?
Alm do mais, nunca houve sequer um momento em que eu no soubesse que Edward Cullen era algo acima e alm do normal. Eu no fiquei to surpresa de descobrir o que
ele era, porque obviamente ele era alguma coisa.
Mas Jacob? Jacob, que era s Jacob, e nada alm disso? Jacob, meu amigo? Jacob, o nico ser humano com o qual eu fui capaz de me relacionar...
E ele nem era humano.
Eu lutei contra a urgncia de gritar de novo.
O que isso dizia sobre mim?
Eu sabia a respodta pra essa. Isso dizia que havia alguma coisa profundamente errada comigo. Porque outro motivo minha vida estaria to cheia de personagens de filmes
de terror? E porque outro motivo eu me importaria tanto ao ponto de meu peito ficar cheio de buracos quando eles seguissem com os meus caminhos mticos?
Na minha cabea, tudo rodava e mudava, se reestruturando de um jeito que as coisas que um dia significaram alguma coisa, agora significavam algo mais.
No havia nenhum culto. Nunca houve um culto, nunca houve uma gangue. No, era muito pior que isso. Era um bando.
Um bando de cinco lobisomens incrivelmente gigantes, multicoloridos, que havia passado bem ao meu lado na clareira de Edward...
De repente, eu estava com uma pressa frentica. Eu olhei para o relgio - era cedo demais e eu no me importava. Eu tinha que ir  La Push agora. Eu tinha que ver
Jacob pra que ele me disesse que eu no havia perdido a cabea de uma vez por todas.
Eu me vest com as primeiras roupas que consegu encontrar, sem me importar em ver se elas combinavam, e desc as escadas dois degraus de cada vez. Eu quase esbarrei
com Charlie enquanto corria pelo corredor,  caminho da porta.
"Onde voc est indo?", ele me perguntou, to surpreso por me ver quanto eu estava por ver ele. "Voc sabe que horas so?"
". Eu tenho que ir ver Jacob".
"Eu pensei que a coisa com Sam-"
"Isso no importa, eu tenho que ir falar com ele agora mesmo".
" muito cedo". Ele fez uma careta quando a minha expresso no mudou. "Voc quer o caf da manh?"
"No t com fome", as palavras voaram dos meus lbios. Ele estava bloqueando meu caminho para a sada. Eu considerei a idia de me desviar dele e tentar sair correndo,
mas eu sabia que teria que explicar isso pra ele depois. "Eu vou voltar logo, Ok?"
Charlie fez uma careta. "Direto para a casa de Jacob, certo? Sem paradas no caminho?"
" claro que no, onde  que eu ia parar?" Minhas palavras estavam saindo todas juntas com a minha pressa.
"Eu no sei...", ele admitiu. " s que... bem, houve outro ataque-os lobos de novo. Dessa vez foi bem perto do resort, perto das piscinas quentes - houve uma testemunha
dessa vez. A vtima vtima s estava a doze metros da pista quando desapareceu. A esposa dele viu um enorme lobo cinza apenas alguns minutos depois, enquanto ela
estava procurando por ele, e correu pra pedir ajuda".
Meu estmago semexeu como se eu tivesse batido num corvo numa montanha russa. "Um lobo o atacou?"
"No havia sinal dele - s um pouco de sangue de novo". O rosto de Charlie demonstrava dor. "Os patrulheiros esto saindo armados, e levando voluntrios armados.
Tem um monte de caadores que esto loucos pra se envolver - tem uma recompensa sendo paga pela carcaa de lobos. Isso significa que vo haver muitos disparos na
floresta, e isso me preocupa". Ele balanou a cabea.
"Quando as pessoas ficam muito excitadas, acidentes acontecem..."
"Eles vo atirar nos lobos?"
Minha voz caiu uns trs oitavos.
"O que mais podemos fazer? O que h de errado?", ele me perguntou, seus olhos tensos examinando o meu rosto. Eu me sent fraca; eu teve ter ficado mais branca do
que o normal. "Voc no vai comear a abraar as rvores, vai?"
Eu no consegui responder. Se ele no estivesse me observando, eu teria colocado minha cabea entre os joelhos. Eu havia esquecido sobre os mochileiros desaparecidos,
e sobre as pegadas com marcas de sangue... eu no havia conectado esses fatos s minhas realizaes.
"Olha, querida, no deixe que isso te assuste. S fique na cidade ou na estrada - sem paradas - Ok?"
"Ok", eu repet com uma voz fraca.
"Eu tenho que ir".
Eu olhei pra ele de perto pela primeira vez, e v que ele estava com a arma amarrada na cintura e as suas boras de caminhada nos ps.
"Voc no vai atrs daqueles lobos, vai, pai?"
"Eu tenho que ajudar, Bells. As pessoas esto desaparecendo".
Minha voz gritou de novo, quase histrica agora. "No! No, no v.  perigoso demais!"
"Eu tenho que fazer meu trabalho, garota. No seja to pessimista - eu vou ficar bem". Ele caminhou para a porta e a segurou aberta.
"Voc no vai sair?"
Eu hesitei, meus estmago ainda dando cambalhotas desconfortveis.
O que eu podia dizer pra par-lo? Eu estava tonta demais pra pensar numa soluo.
"Bells?"
"Talvez estaja cedo demais pra ir  La Push", eu sussurrei.
"Eu concordo", ele disse, e saiu para a chuva, batendo a porta atrs dele.
Assim que ele estava fora de vista, eu ca no cho e coloquei minha cabea entre os joelhos.
Ser que eu devia ir atrs de Charlie? O que eu ia dizer?
E quanto a Jacob? Jacob era meu melhor amigo; eu precisava avis-lo.
Se ele realmente fosse um - eu trem e me forcei a pensar na palavra - lobisomem (e eu sabia que era verdade, eu podia sentir), ento as pessoas estariam atirando
nele! Eu precisava avisar ele e os seus amigos que as pessoas iam tentar mat-los se eles continuassem correndo por a como lobos gigantes. Eu precisava diz-los
pra parar.
Eles tinham que parar! Charlie estava l na floresta. Ser que eles se importariam com isso? Eu imaginei...
At agora, s estranhos haviam desaparecido. Isso significava alguma coisa, ou era s uma conhecidncia?
Eu precisava que Jacob, pelo menos, se importaria com isso.
De qualquer forma, eu tinha que avis-lo.
Jacob era meu melhor amigo, mas ele era um monstro tambm? Um de verdade? Um mal? Ser que eu devia avis-los se ele e os seus amigos fossem... fossem assassinos!
Se eles estivessem matando mochileiros inocentes a sangue frio?
Se eles realmente fossem criaturas dos filmes de terror em todos os sentidos, seria errado proteg-los.
Era inevitvel que eu comparasse Jacob e seus amigos aos Cullen. Eu passei meus braos ao redor do peito, lutando com o buraco, enquanto pensava neles.
Eu no sabia nada sobre lobisomens, claramente. Eu tinha esperado alguma coisa mais prximas dos filmes - criaturas que eram meio homens e cabeludos - se  que eu
havia esperado alguma coisa.
Ento eu no sabia o que os fazia caar, se era a fome ou a sede ou se era simplesmente o desejo de matar. Era difcil julgar, sem saber dessas coisas.
Mas isso no podia ser pior do que o que os Cullen tinham que suportar na sua tentativa de serem bons. Eu pensei em Esme - as lgrimas apareceram quando eu pensei
em seu rosto gentil, adorvel- e em como, mesmo sendo maternal e amorosa como ela era, ela teve que segurar o nariz, toda envergonhada, e correr de mim quando eu
estava sangrando. No podia ser mais difcil do que isso. Eu pensei em Carlisle, nos sculos aps sculos que ele havia lutado pra se ensinar a ignorar o sangue,
pra que assim pudesse salvar vidas como mdico. Nada poderia ser mais dificil do que isso.
Os lobisomens haviam escolhido um caminho diferente.
Agora, qual caminho eu devia escolher?

13. Assassino
Se fosse qualquer um menos Jacob, eu pensei comigo mesma, balanando a cabea enquanto dirigia pela pista cercada de floresta  caminho de La Push.
Eu no tinha certeza que q estava fazendo a coisa certa, mas eu fiz uma compromisso comigo mesma.
Eu no podia condenar o que Jacob e os seus amigos, o seu bando, estavam fazendo. Eu entendia agora o que ele havia dito na noite passada - que eu podia nunca querer
v-lo de novo - e eu podia lig-lo como ele sugeriu, mas isso parecia covarde. Eu devia a ele uma conversa cara a cara, pelo menos. Eu ia dizer na cara dele que
no faria vista grossa para o que estava acontecendo. Eu no podia ser amiga de um assassino e no dizer nada, deixar a matana continuar... Isso me faria uma monstro
tambm.
Mas eu tambm no podia no avis-lo. Eu tinha que fazer o que podia para proteg-lo.
Eu parei na frente da casa dos Black com os lbios pressionados numa linha dura. J era ruim o suficiente que meu melhor amigo era um lobisomem. Ser que ele tinha
que ser um monstro, tambm?
A casa estava escura, no haviam luzes nas janelas, mas eu no me importava de acord-los. Meu punho bateu na porta com a energia da raiva; o som ecoava nas paredes.
"Pode entrar", eu ouv Billy chamar depois de um minuto, e uma luz se acendeu.
Eu girei a maaneta; ela estava destrancada. Billy estava inclinado na abertura de uma porta bem do lado de fora da cozinha, um roupo de banho nos ombros, ainda
no estava na sua cadeira. Quando ele viu quem era, seus olhos se arregalaram brevemente, e depois seu rosto ficou estico.
"Bem, bom dia, Bella. O que  que voc est fazendo acordada to cedo?"
"Oi, Billy. Eu preciso falar com Jake - onde ele est?"
"Umm... eu realmente no sei", ele mentiu, a cara dura.
"Voc sabe o que Charlie est fazendo essa manh?", eu quis saber, doente com tanta enrrolao.
"Eu devia?"
"Ele e metade dos homens na cidade esto na floresta com armas, caando lobos gigantes".
A expresso de Billy mudou, e depois ficou vazia.
"Ento eu gostaria de falar com o Jake sobre isso, se voc no se importa", eu continuei.
Billy apertou seus lbios finos por um longo momento. "Eu aposto que ele ainda est dormindo", ele finalmente disse, acenando com a cabea em direo ao pequeno
corredor fora da sala. "Ele tem ficado fora at tarde esses dias. O garoto precisa de descanso - provavelmente voc no devia acordar ele".
" minha vez", eu murmurei por baixo do flego enquanto me mandava pelo corredor. Billy suspirou.
O pequeno armrio que era o quarto de Jacob era o nico quarto que havia no corredor. Eu no me importei de bater. Eu abri a porta; ela bateu na parede com um estrondo.
Jacob - ainda usando apenas as calas pretas que estava usando na noite passada - estava jogado na diagonal no beliche que tomava todo o espao no seus quarto deixando
apenas alguns centmetros sobrando nas paredes. Mesmo sendo grande, ela no era grande o suficiente; os ps dele ficavam de fora de um lado e a cabea ficava de
fora do outro. Ele estava dormindo pesado, roncando suavemente com a boca aberta.
O som da porta no fez nem ele se mexer.
O rosto dele estava em paz com o sono pesado, todas as linhas de raiva haviam se suavizado. Haviam crculos embaixo dos olhos dele que eu no havia notado antes.
A despeito de seu tamanho ridculo, ele parecia muito jovem agora, e muito cansado. A piedade me chocou.
Eu dei um passou pra trs, e fechei a porta silenciosamente atrs de mim.
Billy me encarou com olhos curiosos, guardados enquanto eu caminhava lentamente de volta pra sala de frente.
"Eu acho que vou deixar ele descansar".
Billy balanou a cabea, e ento ficamos olhando um para o outro por um longo momento. Eu estava morrendo pra perguntar qual era parte dele em tudo isso.
O que ele achava que o filho dele havia se tornado? Mas eu sabia como ele defendia Sam desde o incio, ento eu achava que os assassinatos no incomodavam ele. Como
ele justificava isso pra s mesmo eu no tinha idia.
Eu podia ver muitas perguntas pra mim nos seus olhos escuros, mas ele no fez nenhuma.
"Olha", eu disse, quebrando o silncio perturbador. "Eu vou ficar na praia por um tempo. Quando ele acordar, diga que eu estou esperando por ele, Ok?"
"Claro, claro", Billy concordou.
Eu me perguntei se ele realmente diria. Bom, se ele no disesse, eu tentei, no foi?
Eu dirigi at a praia e estacionei no estacionamento vazio e sujo.
Ainda estava escuro - o pr- nascer do sol de um dia nebuloso - e quando eu desliguei os faris ficou difcil de enxergar. Eu deixei meus olhos se ajustarem antes
de poder encontrar a trilha que guiava pela alta cerca de ervas. Estava frio l, com o vento vindo das ondas pretas, e eu afundei minhas mos no fundo dos bolsos
da minha jaqueta de inverno. Pelo menos a chuva havia parado.
Eu caminhei na praia no caminho da parede marinha do norte. Eu no conseguia ver St. James e nem as outras ilhas, s a vaga forma da beira da gua. Eu segui o meu
caminho cuidadosamente pelas rochas, prestando ateno em alguma onda que pudesse me durrubar.
Eu encontrei o que estava procurando antes que eu me desse conta de que estava procurando. Eu materializei por entre a neblina quando estava a apenas alguns metros
de distncia: Uma longa rvore de salgueiro branca feito osso que estava enfiada no fundo das rochas.
As razes se entrelaavam no mar, com centenas de pequenos tentculos. Eu no podia ter certeza de que essa era a mesma rvore onde Jacob e eu havamos tido a nossa
primeira conversa - uma conversa que havia iniciado tantas linhas diferentes, enroladas da minha vida - mas parecia ser o mesmo lugar. Eu sentei onde havia me sentado
antes, e olhei para o mar invisvel.
Ver Jacob daquele jeito - inocente e vulnervel quando dormia - havia roubado toda a minha repulsa, dissolvido toda a minha raiva.
Eu ainda no podia me fingir de cega para o que estava acontecendo, como Billy parecia fazer, mas eu tambm no podia condenar Jacob por isso. O amor no funciona
desse jeito, eu decidi.
Quando voc se importa com uma pessoa, voc j no podia mais pensar nela usando a lgica.
Jacob era meu amigo quer ele matasse pessoas ou no. E eu no sabia o que ia fazer em relao a isso.
Quando eu imaginei ele dormindo to em paz, eu senti uma necessidade dominante de proteger ele. Completamente ilgico.
Lgico ou no, eu pensei nas imagens dele dormindo, tentando imaginar alguma resposta, alguma forma de proteger ele, enquanto o cu lentamente ia ficando cinza.
"Oi, Bella"
A voz de Jacob vinda da escurido me fez pular. Ele estava macia, quase tmida, mas eu estava esperando alguma espcie de som nas rochas que me servisse como aviso,
e ento isso me assustou.
Eu podia ver a silhueta dele vindo na dirao contrria  do sol - ele parecia enorme.
"Jake?"
Ele ficou a vrios passos de distncia, mudando seu peso de um p para o outro ansiosamente.
"Billy me disse que voc apareceu- no te levou muito tempo, no foi? Eu sabia que voc ia descobrir".
", eu me lembro da histria certa agora", eu sussurrei.
Tudo ficou quito por um longo momento, e mesmo estava escuro demais pra ver o seu rosto direito, minha pele fez ccegas com se ele estivesse vasculhando o meu rosto.
Devia haver luz suficiente pra ele ler a minha expresso, porque quando ele falou de novo, sua voz estava repentinamente cida.
"Voc devia s ter ligado", ele disse duramente.
Eu balancei a cabea. "Eu sei".
Jacob comeou a andar pelas rochas. Se eu prestasse bastante atenao, eu podia ouvir o leve som dos ps dele se arrastando nas rochas por trs do som das ondas.
As rochas de batiam como castanholas comigo.
"Porque voc veio?", ele quis saber, sem parar a sua caminhada raivosa.
"Eu achei que um cara a cara seria melhor".
Ele bufou. "Oh, muito melhor".
"Jacob, eu tenho que te avisar -"
"Sobre os patrulheiros e os caadores? No se preocupe com isso. Ns j sabemos".
"No se preocupe com isso?", eu quis saber sem acreditar. "Jake, ele esto armados! Eles esto plantando armadilhas e oferecendo recompensas e -"
"Ns podemos cuidar de ns mesmos", ele grunhiu, ainda andando. "Eles no vo pegar nada. Eles s esto dificultando as coisas - eles vo comear a desaparecer logo
logo tambm".
"Jake!", eu gritei.
"O que?  s um fato".
Minha voz estava plida de revolta. "Como  que voc pode... se sentir assim? Voc conhece essas pessoas. Charlie est l!" Esse pensamento fez meu estmago revirar.
Ele parou abruptamente. "O que mais podemos fazer?", ele retorquiu.
O sol dexou as nuvens com uma cor rosa acinzentada acima de ns. Eu podia ver a expresso dele agora; ele era de raiva, frustrao, de traio.
"Voc podia... bem tentar no ser um lobisomem?" eu suger com um sussurro.
Ele jogou as mos para o ar. "Como se eu pudesse escolher!", ele gritou. "E como se isso ajudasse em alguma coisa, se voc est preocupada com as pessoas que esto
desaparecendo".
"Eu no te entendo".
Ele olhou pra mim, os olhos se apertando e a se contorcendo em um rugido. "Voc sabe o que me deixa com tanta raive que me d vontade de cuspir?"
Eu virei a cabea da expresso hostil dele. Ele parecia estar esperando uma resposta, ento eu balancei minha cabea.
"Voc  uma hipcrita, Bella - a est voc, aterrorizada de medo de mim! Como  que isso pode ser justo?" As mos dele tremiam de raiva.
"Hipcrita? Como  que ter medo de um monstro me transforma numa hipcrita?"
"Ugh!", Ele rugiu, pressionando os punhos nas tmporas e fechando os olhos com fora. "Ser que d pra voc se escutar?"
"O que?"
Ele deu dois passos na minha dirao, se inclinando pra mim e brilhando de fria. "Bem, eu lamento que no posso ser o tipocerto de monstro pra voc, Bella. Eu acho
que no sou to bom quanto um bebedor de sangue, sou?"
Eu pulei pra ficar de p e encarei de volta. "No, voc no !", eu gritei. "No  o que voc , seu estpido,  o que voc faz!"
"O que  que isso significa?" Ele grunhiu, todo o seu corpo tremendo de raiva.
Eu fui pega inteiramente de surpresa pela voz de aviso de Edward.
"Tome cuidado, Bella", sua voz aveludada me preveniu. "No o pressione demais. Voc precisa faz-lo se acalmar".
Nem a voz na minha cabea estava fazendo sentido hoje.
No entanto, eu ouv ele. Eu faria qualquer coisa por aquela voz.
"Jacob", eu implorei, fazendo o tom da minha voz macio e uniforme.
" realmente necessrio matar as pessoas, Jacob? No h outro jeito? Quer dizer, se at o vampiros conseguiram encontrar uma maneira de sobreviver sem matar as pessoas,
voc podia tentar, no ?"
Ele se estendeu com um impulso, como se as minhas palavras tivessem mandando uam corrente eletrica pelo corpo dele. As sobrancelhas dele pularam pra cima, e ele
me encarou com os olhos arregalados.
"Matar pessoas?", ele quis saber.
"Do que voc pensava que estvamos falando?"
Ele j no estava mais tremendo. Ele olhou pra mim com uma descrena meio esperanosa. "Eu pensei que estvamos falando sobre o seu desgosto por lobisomens".
"No, Jake, no. No  que voc  um... lobo. Com isso tudo bem" eu promet, eu eu sabia enquanto falava as palavras que eu estava falando srio. Eu no me importava
se ele havia se tornado um lobo grande - ele ainda era Jacob. "Se voc pudesse apenas encontrar um jeito de no machucar as pessoas...  isso que me aborrece. Essas
pessoas so inocentes, Jake pessoas como Charlie, e eu no posso simplesmente olhar para o outro lado enquanto voc -"
" s isso? Mesmo?", ele me interrompeu, um sorriso brotando no seu rosto. "Voc s est assustada porque eu sou um assassino? Essa  a nica razo?"
"E no  razo suficiente?"
Ele comeou a rir.
"Jacob Black, isso  muito no engraado".
"Claro, claro", ele concordou, ainda sorrindo.
Ele deu um longo passo e me agarrou em outro apertado abrao de urso.
"Voc realmente, honestamente no se umporta que eu me transforme num cachorro gigante?", ele perguntou, a sua voz estava alegre no meu ouvido.
"No", eu asfixiei. "No - consigo respirar - Jake!"
Ele me soltou,mas segurou minhas duas mos. "Eu no sou um assassino, Bella".
Eu estudei o rosto dele, e estava claro que era verdade. O alvio pulsou pelo meu corpo".
"Mesmo?", eu perguntei.
"Mesmo", ele prometeu solenemente.
Eu joguei meus braos ao redor dele. Isso me lembrou dequele primeiro dia com as motos - porm, ele estava maior, e eu me sentia mais como uma criana agora.
Como daquela outra vez, ele alisou meu cabelo.
"Me perdoe por ter te chamado de hipcrita", ele se desculpou.
"Me desculpe por ter te chamado de assassino".
Ele riu.
Nessa hora eu pensei em uma coisa, e me apartei dele pra poder ver o seu rosto. Minhas sobrabcelhas se estreitaram de ansiedade. "E quanto  Sam? E quanto aos outros?"
Ele balanou a cabea, sorrindo como se um grande peso tivesse sido tirado dos seus ombros. " claro que no. Voc lembra do que ns nos chamamos?"
A memria estava clara - eu estive pensando naquilo nesse mesmo dia.
"Protetores?"
"Exatamente".
"Mas eu no entendo. O que est acontecendo na floresta? Os mochileiros desaparecendo, o sangue?"
O rosto dele ficou srio, preocupado na hora. "Ns estamos tentando fazer o nosso trabalho, Bella. Ns estamos tentando proteg-los, mas estamos sempre um pouco
atrasados".
"Proteg-los do que? H mesmo um urso l tambm?"
"Bella, querida, ns s protegemos as pessoas de uma coisa - o nosso nico inimigo. Essa  a razo pela qual existimos - porque eles existem".
Eu o encarei com uma expresso vazia at que eu entend. Ento o sangue foi drenado do meu rosto com um choro de horror sem palavras, fino que saiu pelos meus lbios.
Ele balanou a cabea. "Eu pensei que voc, entre todas as pessoas, entenderia o que est acontecendo".
"Laurent", eu cochichei. "Ele ainda est aqui".
Jacob piscou duas vezes, e deixou sua cabea cair pro lado. "Quem  Laurent?"
Eu tentei dissolver o caos na minha cabea pra poder responder. "Voc sabe, voc o viu na clareira. Voc estava la..."
As palavras saram em um tom de imaginao enquanto as palavras comeavam a fazer sentido. "Voc estava l, e voc o impediu de me matar..."
"Oh, a sanguessuga de cabelo preto?", ele sorriu, um sorriso apertado e largo. "Esse era o nome dele?"
Eu trem. "O que voc estava pensando?", eu sussurrei. "Ele podia ter te matado! Jake, voc no entende o quanto  perigoso -"
Outra risada me interrompeu. "Bella, um vampiro s no  problema pra um bando grande como o nosso. Foi to fcil, quase nem foi divertido!"
"o que foi to fcil?"
"Matar o bebedor de sangue que queria matar voc. Agora, eu no conto isso como aquela coisa de assassino", ele adicionou rapidamente. "Vampiros no contam como
pessoas".
Eu s consegui mexer os lbios. "Voc... matou... Laurent?"
Ele balanou a cabea. "Bem, foi um esforo de equipe", ele qualificou.
"Laurent est morto?", eu cochichei.
A expresso dele mudou. "Voc no est aborrecida com isso, est?
Ele ia matar voc - ele havia sado pra matar, Bella, ns tinhamos certeza disso antes que ele atacasse. Voc sabe disso, no ?"
"Eu sei disso. No, eu no estou aborrecida - eu estou..." eu tive que me sentar. Eu dei um passo pra trs at que sent o salgueiro nos meus calcanhares, e ento
eu sentei nele. "Laurent est morto. Ele no vai voltar por mim".
"Voc no est com raiva? Ele no era um dos seus amigos ou algo assim, era?"
"Meu amigo?", eu olhei pra ele, confusa e tonta de alvio. Eu comecei a tagarelar, meus olhos ficando midos. "No Jake. Eu estou... to aliviada. Eu pensei que
ele fosse me encontrar - eu estive esperando por ele todas as noites, s rezando pra que ele me encotrasse e deixasse Charlie em paz. Eu estava to assustada, Jacob...
mas como? Ele era um vampiro! Como voc matou ele? Ele era to forte, to duro, como o mrmore..."
Ele se sentou perto de mim e colocou um brao no meu ombro me confortando. " pra isso que somos feitos, Bella. Ns somos fortes tambm. Eu queria que voc tivesse
me dito que estava com tanto medo. Voc no precisava".
"Voc no estava por perto", eu murmurei, perdida em pensamentos.
"Oh, certo".
"Espere, Jake - contudo, eu pensei que voc soubesse. Na noite passada voc disse que no era seguro voc estar no meu quarto. Eu pensei que voc soubesse que um
vampiro podia estar vindo. No era sobre isso que voc estava falando?"
Ele pareceu confuso por um minuto, e ento abaixou a cabea. "No, no era sobre isso que eu estava falando".
"Ento porque voc pensava que no seria seguro estar l?"
Ele olhou pra mim com olhos livres de culpa. "Eu no disse que no era seguro pra mim. Eu estava pensando em voc".
"O que voc quer dizer?"
Ele olhou pra baixo e chutou uma pedra. "H mais de uma razo pela qual eu no devia me aproximar de voc, Bella. Eu no podia te contar o nosso segredo, pra comear,
mas a outra parte  que no era seguro pra voc. Se eu fico bravo demais... muito aborrecido... voc pode se machucar".
Eu pensei nisso cuidadosamente. "Quando voc estava bravo antes... quando eu estava gritando com voc... e voc estava tremendo...?"
"", o rosto dele foi ainda mais pra baixo. "Aquilo foi bem estpido da minha parte. Eu tenho que aprender a me segurar melhor.
Eu jurei que no ia ficar bravo, no importava o que voc me disesse. Mas... eu comecei a ficar aborrecido demais porque ia perder voc... porque voc no conseguia
lidar com o que eu sou".
"O que aconteceria... se voc ficasse bravo demais?", eu sussurrei.
"Eu ia me transformar num lobo" ele sussurrou de volta.
"Voc no precisa de uma lua cheia".
Ele rolou os olhos. "A verso de Hollywood no  muito verdadeira".
Ento ele suspirou, srio de novo. "Voc no precisa ficar to estressada, Bells. Ns vamos cuidar disso. E vamos manter os olhos especialmente em Charlie e nos
outros - no vamos deixar nada acontecer com eles. Confie em mim".
Havia algo muito, muito bvio que eu devia ter reparado na hora - mas eu estava to destrada com a idia de Jacob e seus amigos brigando com Laurent que eu deixei
passar na hora.
Isso me ocorreu agora, quando Jacob usou o tempo presente de novo.
Nos vamos cuidar disso.
No estava acabado.
"Laurent est morto", eu asfixiei, todo o meu corpo ficou frio feito gelo.
"Bella?", Jacob perguntou ansiosamente, tocando a minha bochecha cinzenta.
"Se Laurent morreu... a uma semana atrs... ento outra pessoa est matando as pessoas agora".
Jacob acenou com a cabea, seus dentes trincados, e ele falou por entre eles. "Haviam dois deles. Ns achamos que a parceira dele ia querer lutar com a gente - nas
nossas histrias, eles geralmente ficam fora de srio quando matam os parceiros deles - mas ela s fica correndo da gente, e depois volta de novo. Se ns pudessemos
descobrir o que ela est procurando, seria muito mais fcil de rastre-la. Ela fica escapando pelas beiradas, como se estivesse testando as nossas defesas, procurando
por um jeito de entrar - mas entrar onde? Onde  que ela quer ir? Sam acha que ela est tentando nos separar, pra ter uma chance melhor..."
A voz dele foi sumindo at que ficou parecendo que ele estava falando de dentro de um tnel; eu no conseguia mais individualizar as palavras. Minha testa grudava
com o suor e o meu estmago girava como se eu estivesse com a doena do estmago de novo. Era exatamente como se eu estivesse doente.
Eu me virei pra longe dele rapidamente, e me inclinei no tronco da rvore. Meu corpo estava sofrendo convulses com suspiros inteis, meu estmago vazio se contraa
com uma nusea aterrorizante, apesar de no haver nada nele pra botar pra fora.
Victoria estava aqui. Procurando por mim. Matando estranhos na floresta. A floresta onde Charlie estava procurando...
Minha cabea revirou doentemente.
As mos de Jacob agarraram meus ombros - me impedindo de rolar nas rochas. Eu podia sentir o hlito quente dele na minha bochecha. "Bella! Qual  o problema?"
"Victria", eu asfixiei assim que consegui juntar ar suficiente entre os meus espasmos de nusea.
Na minha cabea, a voz de Edward rosnou furiosa pelo nome.
Eu sent Jacob me levantar do meu banco. Ele me jogou estranhamente no colo, colocando minha cabea sem vida no ombro dele. Ele estava lutando pra me equilibrar,
pra me impedir de escorregar, de um jeito ou de outro. Ele tirou o cabelo molhado de suor do meu rosto.
"Quem?", Jacob perguntou. "Voc consegue me ouvir, Bella? Bella?"
"Ela no era parceira de Laurent", eu gem no ombro dele. "Eles s eram velhos amigos..."
"Voc precisa de gua. De um mdico? Me diga o que fazer" ele pediu, frentico.
"Eu no estou doente - eu estou assustada", eu expliquei num sussurro. A palavra assustada no parecia explicar direito.
Jacob deu uns tapinhas nas minhas costas. "Com medo dessa Victria?"
Eu balancei a cabea, tremendo.
"Victria  a fmea de cabelos vermelhos?" Eu trem de novo e me arrepiei.
"Sim".
"Como  que voc sabe que ela no era a parceira dele?"
"Laurent me disse que James era o parceiro dela", eu automaticamente flexionei a mo com a cicatriz.
Ele segurou meu rosto, segurando firmemente na sua mo grande. Ele me olhou atentamente nos olhos. "Ele te disse mais alguma coisa, Bella? Isso  importante. Voc
sabe o que ela quer?"
" claro", eu cochichei. "Ela quer a mim". Os olhos dele se arregalaram, e depois se estreitaram.
"Porque?", ele quis saber.
"Edward matou James", eu sussurrei. Jacob estava me segurando to apertado que no havia necessidade de segurar o buraco - ele me manteve inteira.
"Ela realmente ficou... fora de srio. Mas Laurent disse que ela achava que era mais justo matar a mim do que a Edward. Parceiro por parceiro. Ela no sabia - ela
ainda no sabe, eu acho - que... que"
eu engol seco. "Que as coisas no so mais assim. Pelo menos, no pra Edward".
Jacob ficou distrado com isso, o rosto dele dividido entre vrias expresses. "Foi isso que aconteceu? Por isso os Cullen foram embora?"
"No fim das contas, eu no passo de uma humana. Nada especial." eu expliquei, tremendo fracamente.
Algo como um rosnado - no um rosnado de verdade, s um som humano que se aproximava disso - estrondou no peito de Jacob embaixo do meu ouvido. "Se aquele bebedor
de sangue idiota  honestamente estpido o suficiente -"
"Por favor" eu gem. "Por favor. No".
Jacob hesitou, e ento balanou a cabea uma vez.
"Isso  importante", ele disse de novo, seu rosto era todo negcios agora. "Isso  exatamente o que precisamos saber. Ns precisamos contar pro outros imediatamente".
Ele se levantou, me colocando de p. Ele manteve as duas mos na minha cintura at que tivesse certeza de que eu no ia cair.
"Eu estou bem", eu ment.
Ele ficou segurando a minha cintura com uma das mos. "Vamos l".
Ele me levou em direo  caminhonete.
"Pra onde estamos indo?", eu perguntei.
"Eu ainda no tenho certeza", ele admitiu. "Eu vou convocar uma reunio. Ei, espere aqui s um minuto, est bem?" ele me colocou no lado da caminhonete e soltou
minha mo.
"Onde voc t indo?"
"Eu volto logo", ele prometeu. Depois ele se virou e correu pelo estacionamento, atravessou a rua, e entrou na floresta. Ele se enfiltrou entre as rvores, rpido
e brilhante, como um veado.
"Jacob!", eu gritei atrs dele com a voz rouca, mas ele j tinha desaparecido.
No era um bom momento pra ser deixada sozinha. Segundos depois que Jacob saiu de vista, eu estava hiperventilando. Eu ma arrastei pra dentro da caminhonete, e coloquei
as travas pra baixo imediatamente.
Isso no fez eu me sentir melhor.
Victria j estava me caando. Eu apenas tinha sorte que ela ainda no havia me encontrado - sorte e cinco lobisomens adolescentes.
Eu exalei rspidamente. No me importava o que Jacob dizia, o pensamento dele chegando em algum lugar prximo de Victria era aterrorizante. Eu no me importava
com o que ele podia virar quando estava com raiva. Eu podia ver ela na minha cabea, seu rosto selvagem, seu cabelo que parecia feito de chamas, letal, indestrutvel...
Mas, de acordo com Jacob, Laurent estava morto. Isso era realmente possvel?
Edward - eu me apertei automaticamente ao meu peito - havia me dito uma vez que era muito difcil matar um vampiro. Somente outro vampiro podia fazer o trabalho.
Ainda assim Jake dizia que os lobisomens haviam sido feitos pra isso...
Ele disse que eles manteriam um olho especialmente em Charlie - que eu devia confiar nos lobisomens pra manter meu pai a salvo. Como eu podia confiar nisso? Nenhum
de ns estava a salvo! Jacob muito menos que todos, se ele ia tentar ficar no meio do caminho entre Victoria e Charlie... entre Victoria e eu.
Eu sent que estava prestes a vomitar de novo.
Um rudo agudo na janela da caminhonete me fez gritar de terror - mas era s Jacob, que j estava de volta. Eu destranquei a porta com dedos tremendo, agradecidos.
"Voc realmente est com medo, no est?", ele perguntou enquanto deslizava pra dentro.
Eu balancei a cabea.
"No fique. Ns vamos tomar conta de voc - e de Charlie tambm. Eu prometo".
"A idia de Victria encontrando voc me assusta mais do que a idia de ela me encontrar", eu sussurrei.
Ele riu. "Voc precisa confiar em ns um pouco mais do que isso.  insultante".
Eu s balancei a cabea. Eu j tinha visto muitos vampiros em ao.
"Onde  que voc foi agora?", eu perguntei.
Ele torceu os lbios e no disse nada.
"O que?  segredo?"
Ele fez uma careta. "Na verdade no. Contudo,  meio estranho. Eu no quero te assustar".
"Eu j estou meio confusa nesse ponto, sabe". Eu tentei sorrir sem muito sucesso.
Jacob sorriu de volta facilmente. "Eu acho que voc tinha que estar. Ok. Veja, quando ns somos lobos, ns podemos... ouvir um ao outro".
Minhas sobrancelhas se baixaram confusas.
"No ouvir sons", ele continuou. "Mas ns podemos ouvir...pensamentos - uns dos outros pelo menos - no importa a distncia que estamos um do outro. Ajuda muito
quando estamos caando, mas de outra forma atrapalha muito.  embaraoso - no ter segredos desse jeito. Esquisito, n?"
"Foi isso que voc quis dizer na noite passada, quando disse que teria que dizer para eles onde estava, mesmo sem querer?"
"Voc  rpida".
"Obrigada".
"Voc tambm  muito boa lidando com o estranho. Eu achei que isso ia te incomodar".
"No ... bem, voc no  primeira pessoa que eu conheo que pode fazer isso. Ento isso no me parece to estranho".
"Mesmo?... Espere - voc est falando dos bebedores de sangue?"
"Eu queria que voc parasse de cham-los assim".
Ele riu. "Que seja. Os Cullen, ento?"
"S... S Edward", eu passei o brao rapidamente ao redor do meu trax.
Jacob pareceu surpreso - e no pareceu feliz. "Eu pensei que eram s histrias. Eu j tinha ouvido lendas sobre vampiros que podiam fazer... coisas extras, mas eu
pensei que fossem s mitos".
"Ser que ainda existe alguma coisa que seja s mito?",. eu o perguntei cautelosamente.
Ele bufou. "Acho que no. Ok, ns vamos encontrar Sam e os outros nos lugar onde costumvamos andar com as nossas motos".
Eu liguei a caminhonete e comecei a voltar para a estrada.
Jacob balanou a cabea parecendo envergonhado. "Eu tentei encurtar as coisas - eu pensei no pensar em voc pra que eles no soubessem o que est acontecendo. Eu
estava com medo que Sam me disesse pra no trazer voc".
"Isso no teria me impedido". Eu no conseguia me livrar da imagem de Sam como um cara mal. Meus dentes se tricavam toda vez que eu ouvia o nome dele.
"Bem, isso teria meimpedido". Jacob disse, sombrio agora.
"Se lembra como ou simplesmente no conseguia terminar as frases ontem? De como eu simplesmente no conseguia te contar a histria toda?"
". Voc parecia estar engasgando com alguma coisa".
Ele gargalhou sombriamente. "Bem perto. Sam me disse que eu no podia te contar. Ele ... o cabea do bando, sabe. Ele  o Alpha. Quando ele nos diz pra fazer uma
coisa, ou pra no fazer alguma coisa - quando ele fala srio, bem, ns no podemos simplesmente ignor-lo".
"Esquisito", eu murmurei.
"Muito", ele concordou. " uma coisa de lobos".
"Huh", foi a melhor resposta que eu consegu dar.
", tem um monte de coisas assim - coisas de lobo. Eu ainda estou aprendendo. Eu no consigo imaginar como foi pra Sam, tentando lidar com isso sozinho. J  ruim
o suficiente ter que passar por isso com um bando inteiro te apoiando".
"Sam estava sozinho?"
"", a voz de Jacob baixou. "Quando eu me transformei foi a coisa mais... horrvel, a coisa mais aterrorizante pela qual eu j passei - pior que qualquer coisa que
eu podia ter imaginado. Mas eu no estava sozinho - haviam as vozes l, em minha cabea, me dizendo o que havia acontecido e o que eu tinha que fazer. Isso me ajudou
a no perder a cabea, eu acho. Mas Sam...", ele balanou a cabea. "Sam no teve ajuda".
Isso is precisar de alguns ajustes. Quando Jacob explicava isso assim, era difcil no sentir compaixo por Sam. Eu tive que continuar dizendo pra mim mesma que
j haviam mais motivos pra odi-lo.
"Eles vo ficar com raiva se eu estiver com voc?", eu perguntei.
Ele fez uma cara. "Provavelmente".
"Talvez eu no devesse -"
"No, est tudo bem", ele me assegurou. "Voc sabe uma tonelada de coisas que podem nos ajudar. Voc no  como uma outra humana ignorante. Voc  como uma... eu
no sei, espi, ou uma coisa assim. Voc esteve atrs das linhas inimigas".
Eu fiz uma carranca pra mim mesma. Era isso que Jacob queria de mim?
Informaes de dentro pra destruir seus inimigos? Porm, eu no era uma espi. Eu no estava colotando esse tipo de informao. De qualquer forma, as palavras dele
j me faziam sentir uma traidora.
Mas eu queria que ele parasse Victria, no queria?
No.
Eu queria que Victria fosse parada, preferivelmente antes que ela me torturasse at a morte ou esbarrasse em Charlie ou matasse outro estranho. Eu s no queria
que fosse Jacob a mat-la, ou pelo menos tentar. Eu no queria Jacob a menos de cem metros dela.
"Como aquela histria do bebedor de sangue que l mentes", ele continuou, incosciente do meu devaneio.
"Aquele  o tipo de coisas que precisamos saber. Realmente  um saco que aquelas histrias sejam verdadeiras. Isso torna tudo mais complicado. Ei, voc acha que
essa Victoria tem alguma coisa especial?"
"Eu acho que no", eu hesitei, e depois suspirei. "Ele nunca mencionou nada sobre isso".
"Ele? Oh, voc quer dizer Edward - oops, desculpa. Eu esqueci. Voc no gosta de dizer o nome dele. Ou de ouvir."
Eu apertei o meu centro, tentando ignorar a palpitao nas beiras do meu peito. "No, na verdade".
"Desculpa".
"Como  que voc me conhece to bem, Jacob? As vezes parece que voc consegue ler a minha mente".
"No. Eu s presto ateno".
Ns estvamos na pequena estrada de terra onde Jacob havia me ensinado a andar de moto.
"To bem assim?"
"Claro, claro".
Eu encostei e desliguei o motor.
"Voc ainda est bem infeliz, no ?", ele perguntou.
Eu balancei a cabea, olhando para a floresta obscura sem ver nada.
"Voc acha que um dia... que talvez... voc vai superar?"
Eu inalei lentamente, e depois deixei a respirao sair. "No".
"Porque ele no era o melhor -"
"Jacob, por favor", eu interromp, implorando com um sussurro. "Ser que podemos no falar nisso, por favor? Eu no posso aguentar".
"Ok", ele respirou fundo. "Eu lamento ter dito alguma coisa".
"No se sinta mal. Se as coisas fossem diferentes, seria bom finalmente poder falar sobre isso com algum".
Ele balanou a cabea. ", eu passei por dificuldades escondendo o meu segredo de voc por duas semanas. Deve ter sido um inferno pra voc no poder falar sobre
isso com ningum".
"Um inferno", eu concordei.
Jacob sugou o ar com um som cortante. "Eles esto aqui. Vamos l".
"Voc tem certeza?", eu perguntei enquanto ele abria a sua porta.
"Talvez eu no devesse estar aqui".
"Eles vo saber lidar com isso", ele disse, e depois deu uma risada.
"Quem  que tem medo de um lobo grande e mal?"
"Ha Ha", eu disse. Mas eu sa da caminhonete, ma apressando pela frente pra ficar perto de Jacob. Eu me lembrei rpido demais dos monstros gigantes da clareira.
As minhas mos estavam tremendo como as de Jacob haviam estado antes, mas com medo ao invs de raiva.
Jake pegou minha mo e a apertou. "Aqui vamos ns".

14 - Famlia
Eu me encolhi ao lado de Jacob, meus olhos examinando a floresta minuciosamente  procura dos outros lobisomens. Quando eles apareceram entre as rvores, eles no
eram como eu esperava. Eu tinha a imagem dos lobos gravada em minha cabea. Estes eram s quatro garotos seminus realmente grandes.
Novamente, eles me lembraram irmos quadrigmeos. Algo na forma que se moveram, quase sincronizados, para chegarem at ns, a maneira que todos tinham os mesmos
msculos grandes e redondos sob a mesma pele cor de cobre, o mesmo cabelo preto curto, e a maneira que suas expresses mudavam exatamente ao mesmo tempo.
Eles comearam com curiosidade e cautela. Quando me viram ali, meio escondida atrs de Jacob, os quatro se enfureceram no mesmo segundo. Sam continuava sendo o mais
velho, mesmo assim Jacob estava quase o alcanando. Sam no contava como um garoto de verdade. Seu rosto parecia mais velho - no porque tinha rugas ou sinais de
envelhecimento, e sim pela maturidade, a pacincia de sua expresso.
- O que voc fez, Jacob? - ele demandou.
Um dos outros, o qual eu no reconheci - Jared ou Paul - se ps na frente de Sam e falou antes que Jacob pudesse se defender.
- Por que voc no consegue simplesmente seguir as regras, Jacob? - ele gritou - agitando os braos no ar. - Em que diabos voc est pensando? Ela  mais importante
que tudo - que toda a tribo? Que as pessoas sendo mortas?
- Ela pode ajudar. - Jacob disse calmamente.
- Ajudar! - o garoto furioso gritou. Seus braos comearam a tremer. - Claro,  provvel! Tenho certeza de que adoradora de sanguessugas est doida para nos ajudar!
- No fale assim dela! - respondeu Jacob, irritado pela crtica do garoto.
Um calafrio percorreu os ombros e a coluna vertebral do outro garoto.
Paul! Se acalme! - Sam lhe ordenou.
Paul balanou a cabea de um lado para o outro, no em sinal de desafio, mas como se ele estivesse tentando se concentrar.
- Caramba, Paul - um dos outros garotos murmurou, provavelmente Jared - Controle-se.
Paul virou a cabea para Jared, seus lbios se apertando em sinal de irritao. Depois voltou seu olhar fulminante para minha direo. Jacob deu um passo  frente
para se pr na minha frente.
A aconteceu.
- Certo, proteja ela! - Paul rugiu em afronta. Outro arrepio, uma convulso, percorreu seu corpo. Paul virou sua cabea para trs, um verdadeiro rosnado surgiu dentre
seus dentes.
- Paul! - Sam e Jacob gritaram ao mesmo tempo.
Paul pareceu cair para frente, movendo-se violentamente.
A meio caminho do cho, houve um barulho de rasgado, e o garoto explodiu.
Uma pele cinza escuro apareceu no garoto, transformando-se em uma forma cinco vezes maior do que seu tamanho - uma figura peluda, abaixada, pronta para pular.
O lobo enrugou o focinho amostrando os dentes, e outro rosnado saiu de seu peito colossal. Seus olhos negros e raivosos se cravaram em mim.
A meia passada, um forte arrepio passou pela coluna vertebral de Jacob, que saltou de ponta-cabea no ar vazio.
Com outro afiado som de rasgado, Jacob explodiu tambm. Ele explodiu sua pele - pedacinhos pretos e brancos de roupa voaram pelo ares. Tudo ocorreu to rpido que
se eu tivesse piscado, eu teria perdido a transformao inteira. Um segundo antes, Jacob saltava de cabea, e um segundo depois havia se transformado em um gigantesco
lobo de cor marrom avermelhado - to enorme que eu no pude entender como aquela massa havia se ajustado de alguma maneira dentro de Jacob - que se jogava contra
a besta cinza.
Jacob chocou-se contra o ataque do outro Lobisomem de cabea. Seus furiosos rosnados ecoaram como troves entre as rvores.
Os farrapos brancos e pretos - restos da roupa de Jacob - caram no cho onde ele tinha desaparecido.
- Jacob! - eu gritei de novo, indo para frente.
- Fique onde est, Bella. - Sam me ordenou.
Era difcil ouvi-lo diante dos rugidos de ambos os lobos, que se mordiam e arranhavam buscando a garganta do rival com seus afiados dentes. Jacob parecia ganhar:
era visivelmente maior que o outro lobo, e tambm parecia muito mais forte. Ele lanou seu ombro de novo e de novo no lobo cinza, jogando-o de volta para as rvores.
- Leve-a para casa da Emily - Sam gritou para os outros garotos, que estavam distrados assistindo a briga. Jacob empurrou o lobo cinza para fora do caminho com
sucesso, e eles estavam desaparecendo na floresta, mas o som de seus grunhidos ainda eram altos. Sam foi atrs deles, tirando seus sapatos no caminho. Quando se
lanou entre as rvores, ele estava tremendo da cabea aos ps.
Os grunhidos e estalos estavam ficando distantes. De repente, o som acabou e a estrada ficou muito quieta.
Um dos garotos comeou a rir.
Virei-me para olh-lo fixamente, meus olhos arregalados e congelados, eu no podia nem mesmo piscar para eles.
O garoto parecia estar rindo da minha expresso.
- Bem, isto no  algo que se v todos os dias - ele riu silenciosamente. - Seu rosto vagamente familiar - era mais magro que os outros... Embry Call.
- Eu vejo - o outro garoto, Jared, murmurou. - Todo dia.
- Aw, Paul no perde as estribeiras todo dia. - descordou Embry, sorrindo. - Talvez dois entre trs.
Jared se agachou para pegar algo branco no cho. E o segurou no alto na direo de Embry; balanava em tiras flcidas na sua mo.
- Totalmente cortado em tiras. - disse Jared - Billy disse que era ltimo par que podia lhe comprar. Acho que Jacob ter que ir descalo a partir de agora.
- Este aqui sobreviveu - disse Embry, recolhendo um tnis branco - Jacob pode pular. - ele acrescentou com uma risada.
Jared comeou a recolher vrios pedaos de tecido da sujeira.
- Pegue os sapatos de Sam, no ? O resto vai pro lixo.
Embry pegou os sapatos e depois correu para as rvores onde Sam havia desaparecido. Ele voltou poucos segundos depois, com um par de cala Jeans pendurados no ombro.
Jared recolheu as sobras de roupas de Jacob e Paul e fez uma bola com elas. De repente, ele pareceu se lembrar de mim.
Ele me olhou cuidadosamente, avaliando.
- Ei, voc no ir desmaiar ou vomitar, ou algo assim? - Ele demandou.
- Acho que no. - eu ofeguei.
- Voc no parece bem.  melhor se sentar.
- Certo. - eu murmurei. Pela segunda vez em uma manh, ponho a cabea nos meus joelhos.
- Jake deveria ter nos avisado. - Embry reclamou.
- Ele no devia ter metido sua namorada nisso. O que ele esperava?
- Bem, o lobo foi revelado, agora. - Embry suspirou - V em frente, Jake.
Levantei a cabea e olhei para os garotos que pareciam estar levando tudo isto muito despreocupadamente.
- Vocs no esto preocupados com o que possa acontecer? - eu perguntei.
Embry piscou uma vez, surpreendido.
- Preocupados? Por qu?
- Eles podem machucar um ao outro!
Embry e Jared riram.
- Espero que Paul lhe d uma mordida - disse Jared - Isso lhe dar uma lio.
Eu empalideci.
- Ah, certo. - discordou Embry - Voc viu o Jake? Nem mesmo Sam pode entrar na fase dessa forma, em pleno salto. Ao ver que Paul perdia o controle, quanto tempo
ele levou pra atacar, meio segundo? Esse garoto tem um dom.
-Paul luta a mais tempo. Aposto dez pratas que eles deixa uma marca.
- Apostado. Jake  talentoso. Paul no pode fazer nada.
Eles apertaram as mos, sorrindo.
Tentei me acalmar ao ver que no estavam preocupados, mas no podia tirar da cabea as imagens brutais da luta dos lobisomens.
Meu estmago estava revirado, vazio e cido, e a preocupao havia me dado dor de cabea.
- Vamos ver Emily. Voc sabe que ter comida esperando. - Embry baixou seu olha para mim. - Se importa de dar um passeio?
- Sem problema. - eu asfixiei.
Jared ergueu uma sobrancelha.
- Acho melhor voc dirigir, Embry. Parece que ela vai voltar a qualquer momento.
- tima idia. Cad as chaves? - Embry perguntou?
- Na ignio.
- Voc vai aqui. - ele me disse alegremente, me levantando do cho com uma mo e me pondo na cadeira. Depois estudou o espao disponvel - Voc ter que ir atrs
- ele disse a Jared.
- Isso  bom. No tenho muito estmago. No quero estar l quando ela soprar.
- Eu aposto que ela  mais dura que isto. Ela anda com vampiros.
- Cinco pratas? - Jared props.
- Feito. Sinto-me culpado por tirar seu dinheiro assim.
Embry entrou e ligou o motor enquanto Jared pulava para a parte de trs. Quando fechou sua porta, Embry me disse baixinho:
- No vomite, certo? S tenho uma nota de dez e se Paul conseguir cravar os dentes em Jacob...
"Tudo bem", eu sussurrei.
Embry nos dirigiu de volta para a vila.
"Ei, como  que Jake passou por cima da proibio afinal?"
"A... o que?"
"Er, a ordem. Voc sabe, pra no sair falando tudo. Como foi que ele te contou sobre isso?"
"Oh, isso", eu disse, lembrando de Jacob se engasgando tentando me contar a verdade na noite passada. "Ele no me disse. Eu dei um chute certo".
Embry torceu os lbios, parecendo surpreso. "Hmm. Eu acho que isso tambm funciona".
"Pra onde estamos indo?", eu perguntei.
"Para a casa de Emily. Ela  namorada de Sam... no, noiva, agora, eu acho. Eles vo nos encontrar l depois que Sam der uma lio neles pelo que acabou de acontecer.
E depois que Paul e Jake arranjarem algumas roupas, se  que Paul ainda tem alguma sobrando".
"Emily sabe sobre...?"
". E ei, no encare ela. Isso irrita o Sam".
Eu fiz uma carranca pra ele. "E porque eu encararia ela?"
Embry pareceu desconfortvel. "Como voc acabou de ver, andar por a com lobisomens tem seus riscos". Ele mudou de assunto rapidamente. "Ei, voc t legal sobre
aquela coisa toda do bebedor de sangue de cabelo preto da clareira? Ela no parecia ser seu amigo, mas..." Embry levantou os ombros.
"No, ele no era meu amigo"
"Isso  bom. Ns no queramos comear nada, quebrar o acordo, sabe".
"Oh, , Jake me contou sobre o acordo uma vez, h muito tempo. Porque matar Laurent ia quebrar o acordo?"
"Laurent", ele repetiu, bufando, como se ele achasse engraado que um vampiro tivesse nome. "Bem, tecnicamente, ns estvamos no terrenos dos Cullen. Ns no temos
permisso pra matar nenhum deles, os Cullen, pelo menos, fora da nossa terra - a no ser que eles quebrem o acordo antes. Ns no sabamos se aquele de cabelo preto
era um parente deles ou alguma coisa assim. Parecia que voc o conhecia".
"O que  que eles teriam que fazer pra quebra o acordo?"
"Morder um humano. Jake no estava muito contente com a idia de deixar isso ir to longe".
"Oh. Umm, obrigada. Eu fico feliz que vocs no esperaram".
"O prazer foi nosso". Parecia que ele estava querendo dizer isso no sentido literal.
Embry dirigiu atravs da casa mais  oeste na estrada antes de fazer uma curva apertada numa estrada de terra.
"A sua caminhonete  lenta", ele notou.
"Desculpe".
No fim dessa rua havia uma casa pequena que um dia j havia sido cinza. Havia apenas uma janela apertada do lado de uma porta pintada de azul, mas havia uma caixa
embaixo da janela que estava cheia de margaridas laranjas e amarelas, dando ao lugar todo uma aparncia alegre.
Embry abriu a porta da caminhonete e inalou. "Mmm. Emily est cozinhando".
Jared pulou da carroceria da caminhonete e foi caminhando na direo da porta, mas Embry parou ele com uma mo no peito. Ele olhou pra mim significantemente, e limpou
a garganta.
"Eu no estou com a minha carteira aqui", Jared disse.
"Tudo bem. Eu no vou esquecer".
Eles passaram por cima do nico degrau e entraram na casa sem bater na porta. Eu segui os dois timidamente depois.
A sala da frente, como na casa de Billy, era em grande parte a cozinha. Uma mulher jovem com a pele cor de cobre e com um cabelo cor de corvo longo, liso, estava
de p no balco perto da pia, tirando muffins grandes de uma bandeja e os colocando num prato de papel. Por um segundo, eu me perguntei se o motivo de Embry pra
que eu no encarasse era porque essa garota era to linda.
E ento ela perguntou. "Vocs esto com fome?" com uma voz meldica, e ela se virou pra nos encarar de frente, um sorriso na metade do rosto.
O lado direito do rosto dela estava marcado da linha do cabelo at o queixo com trs linha finas, vermelhas, numa cor vvida apesar delas j terem sarado h muito
tempo. Uma das linhas havia puxado pra baixo um canto do seu olho com formato de amndoa, e a outra havia virado o canto direita da sua boca como numa careta permanente.
Agradecida pelo aviso de Embry, eu me virei rapidamente pra olhar para os muffins na mo dela. O cheiro deles era maravilhoso - como amoras frescas.
"Oh", Emily disse, surpresa. "Quem  essa?"
Eu olhei pra cima, tentando me concentrar em olhar para a parte esquerda do rosto dela.
"Bella Swan", Jared disse pra ela, levantando os ombros. Aparentemente eu j fui o tpico de uma conversa antes. "Quem mais?"
"Deixe que Jacob arrume um jeito pra contornar isso", Emily murmurou.
Ela me encarou, e nenhuma das duas partes do seu rosto uma vez lindo era amigvel. "Ento, voc  a garota vampira".
Eu me enrijeci. "Sim. Voc  a garota lobisomem?"
Ela sorriu, e Embry e Jared tambm. O lado esquerdo do rosto dela se amenizou.
"Eu acho que sou". Ela se virou para Jared. "Onde est Sam?"
"Bella, er, surpreendeu Paul essa manh".
Emily rolou seu olho bom. "Ah, Paul", ela suspirou.
"Voc acha que eles vo demorar? Eu ia comear a fazer os ovos".
"No se preocupe", Embry disse a ela. "Se eles se atrasarem, ns no vamos deixar nada se desperdiar".
Emily gargalhou, e ento abriu a geladeira. "Sem dvida", ela concordou. "Bella, voc est com fome? V em frente e se sirva com um muffin".
"Obrigada". Eu peguei um do prato e comecei a mordiscar pelas beiras. Estava delicioso, e caiu bem no meu estmago delicado. Embry pegou o seu terceiro e enfiou
inteiro na boca.
"Deixe algum pros seus irmos", Emily castigou ele, batendo na cabea dele com uma colher de pau. A palavra me surpreendeu, mas parecia no ser nada para os outros.
"Porco", Jared comentou.
Eu me inclinei no balco e observei eles trs brincando como uma famlia. A cozinha de Emily era um lugar amigvel, brilhante com armrios brancos e madeira plida
no cho. Na pequena mesa redonda, um vaso chins azul e branco estava lotado de flores selvagens. Embry e Jared pareciam completamente  vontade aqui.
Emily estava misturando uma quantidade enorme de ovos, vrias dzias, em uma grande tigela amarela. Ela tinha levantado as mangas da sua camisa cor de lavanda, e
eu podia ver que as cicatrizes se estendiam por todo o seu brao e sua mo direita. Andar por a com lobisomens tinha seus riscos, assim como Embry havia dito.
A porta da frente se abriu, e Sam passou por ela.
"Emily", ele disse, e tanto amor transbordava da voz dele que eu me senti envergonhada, uma intrusa, enquanto observada ele atravessar a sala com uma passada e pegar
o rosto dela entre suas mos grandes. Ele se inclinou e beijou as cicatrizes escuras na bochecha direita dela antes de beijar seus lbios.
"Ei, para com isso", Jared reclamou. "Eu estou comendo".
"Ento cala a boca e come", Sam sugeriu, beijando a boca arruinada de Emily de novo.
"Ugh", Embry gemeu.
Isso era pior do que qualquer filme romntico; isso era to real que cantava com a alegria e o amor verdadeiro. Eu abaixei meu muffin e passei meus braos ao redor
do meu peito vazio. Eu olhei para as flores, tentando ignorar a paz dominante do momento, e a dor pulsante das minhas feridas.
Eu fiquei agradecida pela distrao quando Jacob e Paul entraram pela porta, e depois fiquei chocada quando vi que eles estavam rindo. Enquanto eu olhava, Paul deu
um murro no ombro de Jacob e Jacob retribuiu com um soco nas costelas. Eles riram de novo. Os dois pareciam ainda estar inteiros.
Jacob procurou pela sala, os olhos dele pararam quando ele me encontrou inclinada, esquisita e fora do lugar, no balco perto do fim da cozinha.
"Ei, Bells", ele me cumprimentou alegremente. Ele pegou dois muffins enquanto passava pela cozinha pra vim ficar do meu lado. "Desculpa por antes", ele murmurou
por baixo do flego. "Como  que voc t?"
"No se preocupe, eu estou bem. Bons muffins". Eu peguei o meu de volta e comecei a mordiscar de novo. Meu peito se sentiu melhor assim que Jacob estava ao meu lado.
"Oh, cara!", Jared gemeu, nos interrompendo.
Eu olhei pra cima e Embry estava examinando uma linha cor de rosa que estava desaparecendo no antebrao de Paul. Embry estava sorrindo, exultante.
"Quinze dlares", ele declarou.
"Voc fez aquilo?", eu cochichei pra Jacob, me lembrando da aposta.
"Eu mal toquei nele. Ele vai estar perfeito no por do sol".
"No por do sol?" Eu olhei para a linha no brao de Paul. Estranho, mas ela parecia j estar l a semanas.
"Coisa de lobo", ele cochichou.
Eu balancei a cabea, tentando no achar estranho.
"Voc est bem?" eu perguntei pra ele por baixo do flego.
"Nenhum arranho". A expresso dele era de zombaria.
"Ei, caras", Sam disse numa voz alta, interrompendo todas as conversas que estavam acontecendo na pequena sala.
Emily estava no fogo, mexendo a mistura de ovos numa frigideira grande, mas Sam ainda estava com uma mo tocando a parte de baixo das suas costas, um gesto inconsciente.
"Jacob tem uma informao pra ns".
Paul no parecia surpreso. Jacob j devia ter explicado isso pra ele e pra Sam. Ou... eles j haviam ouvido os seus pensamentos.
"Eu sei o que a ruiva quer" Jacob dirigiu suas palavras pra Jared e Embry.
"Era isso que eu estava tentando te contar". Ele chutou a perna da cadeira onde Paul havia se sentado.
"E?", Jared perguntou.
O rosto de Jacob ficou srio. "Ela est querendo vingar o seu parceiro - s que o parceiro dela no  o sanguessuga de cabelos pretos que ns matamos. Os Cullen
mataram o parceiro dela no ano passado, e agora ela est atrs de Bella".
Isso no era novidade pra mim, mas eu trem.
Jared, Embry e Emily olharam pra mim com as bocas abertas de surpresa.
"Ela  s uma garota", Embry protestou.
"Eu no disse que fazia sentido. Mas  por isso que a sugadora de sangue est querendo passar por ns. Ela est a caminho de Forks".
Eles continuaram a olhar pra mim, ainda com as bocas abertas, por um longo momento. Eu abaixei a cabea.
"Excelente", Jared finalmente disse, um sorriso comeando a puxar os cantos da sua boca pra cima. "Ns temos um isca".
Com uma velocidade formidvel, Jacob agarrou uma lata aberta em cima do balco e a lanou na cabea de Jared. A mo de Jared se levantou mais rpido do que eu julgaria
possvel, e afastou a lata pouco antes que ela atingisse o seu rosto.
"Bella no  isca".
"Voc sabe o que eu quero dizer", Jared disse sem nenhuma vergonha.
"Ento ns vamos mudar os nossos padres", Sam disse, ignorando a discusso. "Ns vamos tentar deixar alguns buracos, e ver se ela cai nessa. Ns vamos ter que nos
separar, e eu no gosto disso. Mas se ela realmente estiver atrs de Bella, ela provavelmente no vai tentar tirar vantagem dos nossos nmeros divididos".
"Quil deve estar perto de se juntar a ns", Embry murmurou. "Ento ns seremos capazes de nos separar igualmente".
Todo mundo olhou pra baixo. Eu olhei para o rosto de Jacob, e ele estava sem esperana, como estava ontem  tarde, do lado de fora da casa dele.
No importava o quanto eles parecessem estar confortveis com os seus destinos, aqui nessa cozinha feliz, nenhum desses lobisomens queria esse mesmo destino para
o amigo.
"Bem, no vamos contar com isso", Sam disse numa voz baixa, e ento continuou no seu volume normal.
"Paul, Jared e Embry vo ficar no permetro exterior, e Jacob e eu vamos ficar com o interior. Ns vamos ns juntar quando agarrarmos ela".
Eu reparei que Emily no ficou particularmente satisfeita por Sam ter ficado no grupo menor. A preocupao dela me fez olhar pra Jacob, preocupada tambm.
Sam viu meu olhar. "Jacob acha que seria bom voc passar o mximo de tempo aqui em La Push. Ela no vai saber onde te encontrar assim to facilmente, s na duvida".
"E quanto  Charlie?", eu quis saber.
"A mar de maro ainda est a", Jacob disse. "Eu acho que Billy e Harry vo conseguir manter Charlie aqui quando ele no estiver no trabalho".
"Espere", Sam disse, segurando uma mo pra cima. O olhar dele foi pra Emily e depois voltou pra mim. "Isso  o que Jacob acha melhor, mas voc precisa decidir sozinha.
Voc devia pesar os riscos de ambas as situaes muito seriamente. Voc viu essa manh o quanto as coisas podem ficar perigosas com facilidade por aqui, com podem
sair de controle rapidamente. Se voc escolher ficar conosco, eu no posso te dar garantias sobre a sua segurana".
"Eu no vou machucar ela", Jacob murmurou, olhando pra baixo.
Sam agiu como se no tivesse ouvido ele falar. "Se houvesse outro lugar onde voc posse se sentir segura..."
Eu mordi meu lbio. Onde mais eu podia ir sem colocar mais ningum em risco? Eu recuei de novo da idia de trazer Rene pra dentro disso - colocando ela pra dentro
do alvo onde eu estava... "Eu no quero levar Victoria pra nenhum outro lugar", eu sussurrei.
Sam balanou a cabea. "Isso  verdade.  melhor deixar ela aqui, onde ns podemos acabar com isso".
Eu vacilei. Eu no queria Jacob ou nenhum dos outros tentando acabar com Victria. Eu olhei para o rosto de Jake; ele estava relaxado, quase o mesmo do qual eu me
lembrava antes dessa coisa de lobo, e extremamente despreocupado com a idia de caar vampiros.
"Voc vai ser cuidadoso, certo?" eu perguntei, com um caroo audvel na minha garganta.
Os garotos explodiram de vaias de brincadeira. Todos riram de mim - exceto Emily. Ela encontrou meus olhos, e eu de repente consegui enxergar a simetria por baixo
da sua deformidade. O rosto dela ainda era lindo, e vivo com uma preocupao ainda mais penetrante do que a minha. Eu tive que desviar o olhar, antes que o amor
por trs das suas preocupaes fizessem o meu peito doer de novo.
"A comida t pronta", ela anunciou, a conversa sobre estratgias virou histria. Os rapazes correram ao redor da mesa - que parecia pequena e prestes a cair por
causa deles - e devoraram a panela de tamanho gigante de ovos que Emily havia colocado na frente deles em tempo recorde. Emily comeu inclinada no balco como eu
- evitando a confuso da mesa - e olhou pra eles com olhos aficionados. A expresso dela deixava bem claro que essa era a sua famlia.
No fim das contas, isso no era exatamente o que eu esperava de um bando de lobisomens.
Eu passei o dia em La Push, em grande parte na casa de Billy. Ele deixou mensagens no telefone de Charlie e na delegacia, e Charlie apareceu quase na hora do jantar
com duas pizzas. Foi bom que ele tenha trazido duas grandes; Jacob comeu uma inteira sozinho.
Eu vi Charlie olhando pra ns dois com olhos suspeitos a noite inteira, especialmente para o Jacob muito mudado. Ele perguntou sobre o cabelo; Jacob levantou os
ombros e disse que isso era mais conveniente.
Eu sabia que assim que Charlie e eu fossemos pra casa, Jacob ia se mandar - ele ia sair por a como lobo, como ele havia feito em pequenos intervalos durante o dia
inteiro.
Ele e os seus irmos meio que mantinham uma ronda constante, procurando por algum sinal de que Victria havia voltado. Mas desde que eles a caaram nas piscinas
termais ontem  noite - caado ela at meio caminho do Canad, de acordo com Jacob - ela continuava desaparecida.
Eu no tinha a mnima esperana que ela fosse simplesmente desistir. Eu no tinha esse tipo de sorte.
Jacob me acompanhou at a caminhonete depois do jantar e ficou grudado na janela, esperando que Charlie fosse embora primeiro.
"No tenha medo essa noite", Jacob disse enquanto Charlie fingia estar tendo problemas com o cinto de segurana. "Ns vamos estar de olho l, observando".
"Eu no vou estar preocupada comigo mesma", eu promet.
"Voc  boba. Caar vampiros  divertido.  a melhor parte dessa baguna toda".
Eu balancei minha cabea. "Se eu sou boba, ento voc est perigosamente desequilibrado".
Ele gargalhou. "Descanse um pouco, Bella, querida. Voc parece exausta".
"Eu vou tentar".
Charlie tocou a buzina impaciente.
"Te vejo amanh", Jacob disse. "Venha assim que acordar".
"Eu vou".
Charlie me seguiu at em casa. Eu prestei pouca ateno aos faris no meu espelho retrovisor. Ao invs disso, eu imaginei onde Sam e Jared e Embry e Paul haviam
ido, na sua caada de hoje  noite. Eu imaginei se Jacob j havia se juntado a eles.
Quando ns chegamos em casa, eu corri para as escadas, mas Charlie estava bem atrs de mim.
"O que est acontecendo, Bella?", ele quis saber antes que eu conseguisse escapar. "Eu pensei que Jacob fizesse parte de uma gangue e que vocs estavam brigando".
"Fizemos as pazes".
"E a gangue?"
"Eu no sei - quem consegue entender os garotos adolescentes? Eles so um mistrio. Mas eu conheci Sam Uley e sua noiva, Emily. Pra mim eles pareceram bem legais".
Eu levantei os ombros. "Deve ter sido tudo um mal-entendido".
O rosto dele mudou. "Eu no sabia que ele e Emily haviam tornado oficial. Isso  bom. Pobre garota".
"Voc sabe o que aconteceu com ela?"
"Espancada por um urso, no norte, durante a temporada de defeso dos salmes - um acidente horrvel. Faz mais de um ano agora. Eu ouvi dizer que Sam ficou bem perturbado
com a coisa toda".
"Isso  horrvel", eu ecoei. Mais de um ano atrs. Eu aposto que isso havia acontecido quando s havia um lobisomem em La Push. Eu tremi ao pensar em como Sam deve
se sentir toda vez que olha para o rosto de Emily.
Naquela noite eu fiquei acordada por muito tempo tentando pensar no dia de hoje. Eu pensei no meu jantar com Billy, Jacob e Charlie, na longa tarde na casa dos Black,
esperando ansiosamente ter notcias de Jacob, na cozinha de Emily, o horror da briga de lobisomens, a conversa com Jacob na praia.
Eu pensei no que Jacob havia dito cedo nesse manh, sobre hipocrisia.
Eu pensei nisso por um longo momento. Eu no gostava de pensar que era uma hipcrita, s que qual era a vantagem de mentir pra mim mesma?
Eu me curvei numa bola muito apertada. No, Edward no era um assassino. Mesmo em seu passado obscuro, pelo menos ele nunca foi assassino de inocentes.
Mas e se ele tivesse sido? E se, durante o tempo que eu no o conheci, ele tivesse sido exatamente igual a qualquer outro vampiro? E se houvessem pessoas desaparecendo
nas florestas, como agora? Isso teria me mantido afastada dele?
Eu balancei minha cabea tristemente. O amor  irracional, eu lembrei pra mim mesma. Quanto mais voc ama algum, menos sentido as coisas fazer.
Eu me virei e tentei pensar em outra coisa - em pensei em Jacob e seus irmos, correndo na escurido. Eu peguei no somo imaginando os lobos, invisveis na noite,
me protegendo do perigo.
Quando eu sonhei, eu estava na floresta de novo, mas eu no estava vagando. Eu estava segurando a mo assustada de Emily enquanto ns encarvamos as sombras e espervamos
ansiosamente que os nossos lobisomens voltassem pra casa.

15. Presso
Eram as frias de primavera em Forks de novo.
Quando eu acordei na segunda de manh, eu fiquei deitada na cama por uns minutos absorvendo isso. Nas ltimas frias de primavera, eu fui caada por um vampiro tambm.
Eu esperava que essa no fosse uma espcie de tradio se formando.
Eu j estava caindo nos padres das coisas em La Push. Eu passei a maior parte do domingo na praia, enquanto Charlie ficava com Billy na casa dos Black. Era pra
eu ter ficado com Jacob, mas Jacob tinha outras coisas pra fazer, ento eu fiquei vagando sozinha, pra manter o segredo escondido de Charlie.
Quando Jacob parou pra vir me ver, ele se desculpou por mr deixar sozinha por tanto tempo. Ele me disse que a sua agenda no era sempre to louca, mas at que Victoria
fosse parada, os lobos estavam em alerta vermelho.
Quando ns andavamos pela praia agora, ele sempre segurava a minha mo.
Isso me fez meditar sobre o que Jared tinha dito, sobre Jacob estar envolvendo a sua "namorada". Eu acho que isso era exatamente o que parecia pelo lado de fora.
Enquanto Jake e eu soubessemos o que era, eu no devia me incomodar com esses tipos de suposies.
E talvez elas no me incomodassem, se eu no soubesse que Jacob teria adorado que as coisas fossem como aparentavam ser.
Mas as mos dele eram boas aquecendo as minhas, e eu no protestei.
Eu trabalhei na tera  tarde - Jacob me seguiu na sua moto pra ter certeza de que eu chegaria  salvo - e Mike reparou.
"Voc t namorando aquele garoto de La Push? O do segundo ano?" Ele escondeu, escondendo muito mal o ressentimento na sua voz.
Eu levantei os ombros. "No no sentido tcnico da palavra. Porm, eu passo a maior parte do tempo com Jacob. Ele  o meu melhor amigo".
Os olhos de Mike se apertaram maliciosamente. "No se engane, Bella. O cara t apaixonado por voc".
"Eu sei", eu suspirei. "A vida  complicada".
"E as garotas so cruis", Mike disse por baixo do flego.
Eu acho que essa era uma suposio fcil de fazer, tambm.
Naquela noite, Sam e Emily se juntaram a Charlie e eu para a sobremesa na casa de Billy. Emily levou um bolo que teria feito um homem menos duros que Charlie se
render.
Eu podia ver, enquanto a conversa saa fluentemente apesar da casual troca de assuntos, que todas as preocupaes que Charlie podia ter sobre a gangue de La Push
estavam desaparecendo.
Jake e eu escapamos cedo, pra ter um pouco de privacidade. Ns fomos para a garagem dele e nos sentamos no Rabbit.
Jacob encostou a cabea no encosto do banco, seu rosto coberto de exausto.
"Voc precisa dormir um pouco, Jake".
"Eu vou me virar".
Ele se aproximou e pegou minha mo. A pele dele estava queimando na minha.
"Isso  uma daquelas coisas de lobo?", eu perguntei. "Quer dizer, o calor".
". Ns ficamos um pouco mais quentes que as pessoas normais. Cerca de uns quarenta e quatro, quarenta e cinco graus. Eu nunca mais fico com frio. Eu podia ficar
assim" - ele fez um gesto para o seu trax n - "numa tempestade de neve e isso no ia me incomodar. Os flocos iam virar chuva onde eu estivesse".
"E voc sara mais rpido - isso  uma coisa de lobo tambm?"
", quer ver?  bem legal" Os olhos dele se abriram e ele abriu um sorriso. Ele se inclinou para o porta-luvas e cavou l por um minuto. A mo dele saiu de l de
dentro com um canivete.
"No, eu no quero ver!" eu gritei assim que me dei conta do que ele estava pretendendo fazer. "Pe isso pra l!"
Jacob gargalhou, mas jogou a faca l dentro onde ela pertencia. T bom. Contudo,  bom que a gente sare rpido. Voc no pode ir ver nenhum mdico quando est com
uma temperatura que significa que voc devia estar morto".
"No, eu acho que no". Eu pensei nisso por um minuto.
"...E ser to grande -  parte disso tambm?  por isso que voc est preocupado com Quil?"
"Isso e o fato de que o av de Quil diz que o garoto  capaz de fritar um ovo na testa", o rosto de Jacob ficou sem esperana. "No vai demorar muito. No h idade
exata... isso s se constri se constri, e ento de repente -"
Ele parou, e demorou um momento at que ele pudesse falar de novo.
"As vezes, se voc se aborrece muito com uma coisa, isso se libera mais cedo. Mas eu no estava aborrecido com nada - eu estava feliz". Ele sorriu acidamente. "Por
sua causa, em grande parte.
Por isso que no aconteceu comigo antes. Ao invs de s continuar me construindo por dentro - eu era como uma bomba relgio. Voc sabe o que me disparou? Eu voltei
pra casa do cinema naquela noite e Billy disse que eu parecia estranho. Isso foi tudo, mas eu simplesmente disparei. E ento eu - eu explod. Eu quase arranquei
o rosto dele - meu prprio pai!" Ele levantou os ombros, e seu rosto empalideceu.
" to ruim assim, Jake?", eu perguntei ansiosamente, desejando que houvesse alguma forma de eu ajud-lo. "Voc est infeliz?"
"No, eu no sou infeliz", ele me disse. "No mais. No agora que voc sabe. Isso foi difcil, antes". Ele se inclinou at que a bochecha dele estava descansando
na minha mo.
Ele ficou quieto por um momento, eu eu imaginei o que ele estava pensando. Talvez eu no quisesse saber.
"Qual  a parte mais difcil?" eu sussurrei, ainda desejando poder ajudar.
"A parte mais defcil  se sentir... fora de controle", ele disse lentamente. "Sentir que eu no posso ter certeza de mim mesmo - como se talvez voc no devesse
estar perto de mim, como talvez ningum devesse. Como se eu fosse um monstro que pode machucar as pessoas. Voc viu a Emily. Sam perdeu o controle do seu temperamente
por um segundo... e ela estava muito perto. E agora no h nada que ele possa fazer pra concertar as coisas de novo. Eu ouo os pensamentos dele - eu sei como ele
se sente...
"Quem quer ser um pesadelo, um monstro?
"Ento, o jeito como vem mais fcil pra mim, o jeito que eu sou melhor nisso do que eles - isso me torna menos humano que Embry ou Sam? As vezes eu tenho medo de
me perder".
" difcil? Se encontrar novamente?"
"No comeo", ele disse. " preciso um poucvo de prtica pra se transformar e voltar. Mas  mais fcil pra mim".
"Porque?", eu imaginei.
"Porque Ephraim Black era av do meu pai, e Quil Ateara era av da minha me".
"Quil?", eu perguntei confusa.
"O bisav dele", Jacob esclareceu. "O Quil que voc conhece  meu primo de segundo grau".
"E porque importa quem eram os seus avs?"
"Porque Ephraim e Quil estavam no ltimo bando. Levi Uley era o terceiro. Isso est no meu sangue dos dois lados. Eu nunca tive uma chance. Assim como Quil no tem
uma chance".
A expresso dele era vazia.
"Qual  a melhor parte?", eu perguntei, esperando anim-lo.
"A melhor parte", ele disse, sorrindo de novo de repente. " a velocidade".
"Melhor do que as motos?"
Ele balanou a cabea, entusiasmado. "No tem comparao".
"Quo rpido voc pode...?"
"Correr?" ele terminou minha pergunta. "Rpido o suficiente. Como  que eu posso medir isso? Ns pegamos... como era o nome dele? Laurent? Eu imagino que isso seja
mais do que pra outras pessoas".
Isso significava algo pra mim. Eu no conseguia imaginar isso - os lobos correndo mais rpido que os vampiros. Quando os Cullen correm, eles ficam nada menos que
invisveis com a velocidade.
"Ento, me diga uma coisa que eu no sei", ele disse. "Alguma coisa sobre vampiros. Como foi que voc aguentou, ficar ao redor deles? Isso no te assustou?"
"No", eu disse curtamente.
Meu tom deixou ele pensativo por um momento.
"Diga, porque o seu sugador de sangue matou aquele James, afinal?" ele perguntou de repente.
"James estava tentando me matar - era como um jogo pra ele. Ele perdeu. Voc se lembra da primavera passada quando eu estava no hospital em Phoenix?"
Jacob prendeu a respirao. "Ele chegou assim to perto?"
"Ele chegou muito, muito perto". Eu toquei minha cicatriz. Jacob percebeu, porque ele segurou a mo que eu havia mexido.
"O que  isso?" Ele trocou as mos, examinando a minha direita.
"Isso  a sua cicatriz engraada, a fria" Ele olhou mais de perto, com outros olhos, e asfixiou.
Seus olhos incharam, e o rosto dele ficou de uma cor estranha, superficial, por baixo da cor de cobre. Parecia que ele estava prestes a passar mal.
"Mas se ele te mordeu...? Voc no devia ser...?" Ele engasgou.
"Edward me salvou duas vezes", eu sussurrei. "Ele sugou o veneno pra fora - voc sabe, como uma cascavl", eu me contorc com a dor que se lanou nas beiras do buraco.
Mas eu no era a nica me contorcendo. Eu podia sentir o corpo de Jacob tremendo todo perto do meu. At o carro tremeu.
"Cuidado, Jake. Calma. Acalme-se".
"", ele arquejou. "Calma". Ele balanou a cabea pra frente e pra trs rapidamente. Depois de um momento, apenas as suas mos estavam tremendo.
"Voc t bem?"
", quase. Me fale outra coisa. Me d outra coisa pra pensar".
"O que voc quer saber?"
"Eu no sei", ele estava com os olhos fechados, se concentrando. "As coisas extras, eu acho. Agum outro dos Cullen tem... talentos extras? Como ler mentes?"
Eu hesitei por um segundo. Essa parecia o tipo de pergunta que ele faria a sua espi, no a sua amiga. Mas qual era a necessidade de esconder o que eu sabia? Isso
no importava agora, e isso ajudaria ele a se controlar.
Ento eu falei rapidamente, com a imagem do rosto arruinado de Emily na minha cabea, e o cabelo dos meus braos se levantando. Eu no tinha idia de como o lobo
ruivo caberia dentro do Rabbit - Jacob ia acabar com a garagem inteira se ele se transformasse agora.
"Jasper conseguia... meio que controlar as emoes das pessoas ao seu redor. No de um jeito ruim, s acalmar uma pessoa, esse tipo de coisa. Isso provavelmente
ajudaria muito Paul", eu adicionei, brincando fracamente. "E depois Alice pode ver coisas que vo acontecer. O futuro, sabe, mas no absolutamente. As coisas que
ela v mudam quando as pessoas mudam o caminho onde esto..."
Como quando ela me viu morrendo... e ela havia visto eu me tornando uma deles. As duas coisas no haviam acontecido. E uma delas nunca iria.
Minha cabea comeou a girar - eu no parecia conseguir tirar oxignio suficiente do ar. Sem pulmes.
Jacob estava inteiramente sobre controle agora, muito rgido ao meu lado.
"Porque voc faz isso?", ele perguntou. Ele cutucou levemente em um dos meus braos, que estava agarrado no meu peito, e depois desistiu quando viu que eu no soltaria
to facilmente. "Voc faz isso quando est chateada. Porque?"
"Di pensar neles", eu sussurrei. " como se eu no pudesse respirar... como se eu estivesse me quebrando em pedaos..." Era bizarro o quanto eu podia contar pra
Jacob agora. Ns no tnhamos mais segredos.
Ele alisou meu cabelo. "Est tudo bem, Bella, est tudo bem. Eu no vou mais falar nisso. Me desculpe".
"Eu estou bem", eu asfixiei. "Acontece o tempo todo. No culpa sua".
"Ns somos um par bem bagunado, no somos?", Jacob disse. "Nenhum de ns consegue se segurar da maneira certa".
"Pattico", eu concordei, ainda sem flego.
"Pelo menos ns temos um ao outro", ele disse, claramente confortado com o pensamento.
Eu estava confortada tambm. "Pelo menos tem isso", eu concordei.
E quando ns estvamos juntos, eu estava bem. Mas Jacob tinha um trabalho horrvel, perigoso, que ele se achava compelido a fazer, ento eu estava frequentemente
sozinha, presa em La Push para a minha segurana, sem nada pra afastar minha mente das preocupaes.
Eu me sentia estranha, sempre ocupando o espao de Billy. Eu estudei um pouco para um teste de Clculo que teria na semana que vem, mas no consegui ficar presa
na metemtica durante muito tempo.
Quando eu no tinha nada bvio pra fazer nas mos, eu me sentia obrigada a conversar com Billy - a presso das regras normais da sociedade.
Mas Billy no era muito bom pra preencher silncios longos, e ento a estranheza continuava.
Eu tentei dar uma volta na casa de Emily na quarta  tarde, pra variar um pouco. No incio foi bem legal. Emily era uma pessoa alegre que nunca ficava sentada.
Eu me arrastava atrs dela enquanto ele flutuava entre sua pequena casa e o quintal, esfregando o cho impecvel, cortando uma pequena erva daninha, concertando
uma dobradia quebrada, recolocando um fio de l num novelo velho, sempre cozinhando tambm. Ela reclamava um pouco do apetite crescente dos garotos por causa da
corrida extra, mas era fcil ver que ela no se incomodava em cuidar deles.
No era difcil estar com ela- afinal, agora ns duas eramos garotas lobo.
Mas Sam apareceu depois que eu fiquei l por algumas horas. Eu s fiquei l por tempo suficiente pra me certificar de que Jacob estava bem e de que no haviam novidades,
e depois eu tive que escapar.
A aura de amor e contentamento que cercava os dois era difcil de tomar em doses concentradas, sem ningum ao seu redor para dilu-la.
Isso me deixou a opo de ir vadiar na praia, passeando na escosta de pedras pra frente e pra trs, de novo e de novo.
O tempo sozinha no era bom pra mim. Graas  nova honestidade com Jacob, eu estive falando e pensando demais nos Cullen. No importava o quanto eu tentasse me distrair
- e eu tinha muito no que pensar: eu estava honestamente e desesperadamente preocupada com Jacob e com seus irmos-lobos, eu estava aterrorizada por Charlie e pelos
outros que achavam que estavam caando animais, eu estava me aproximando mais e mais de Jacob sem ter decidido conscientemente progredir nessa direo e no sabia
o que fazer sobre isso - nenhuma dessas preocupaes muito reais, muito merecedoras de pensamentos, muito opressoras, conseguiam tirar a minha cabea da dor do meu
peito por muito tempo. Eventualmente, eu nem conseguia mais caminhar, porque eu no conseguia mais respirar.
Eu me sentei num pedao de rochas semi-secas e me cuvei numa bola.
Jacob me encontrou assim, eu podia ver pela expresso dele que ele entendia.
"Eu lamento", ele disse imediatamente. Ele me puxou do cho e passou ambos os braos pelos meus ombros. Eu no havia percebido que estava com frio at essa hora.
O calor dele me fez tremer, mas pelo eu podia respirar com ele l.
"Eu estou arruinando as suas frias de primavera", Jacob se acusou enquanto caminhvamos de volta para a praia.
"No, no est. Eu no tinha outros planos. De qualquer jeito, eu acho que no gosto de frias de primavera".
"Amanh eu vou tirar a manh de folga. Os outros podem correr sem mim. Ns vamos fazer alguma coisa divertida".
A palavra pareceu fora de contexto pra minha vida agora, mal era compreensvel, era bizarro. "Divertida?"
"Diverso  exatamente o que voc precisa. Hmm..." ele olhou para as ondas escuras, pensando. Enquanto os olhos dele olhavam para o horizonte, ele teve um flash
de inspirao.
"J sei!", ele anunciou. "Outra promessa a cumprir".
Ele soltou a minha mo e apontou na direo da costa oeste da praia, onde estavam as rochas planas, com formato de meia lua que acabavam nos recifes de corais transparentes.
Eu olhei, sem compreender.
"Eu no promet que te levaria pra mergulhar nos penhascos?"
Eu tremi.
", vai estar bem frio - no to frio quanto est hoje. Voc consegue sentir o tempo mudando? A presso? Vai estar mais quente amanh. Voc t a fim?"
A gua escura no parecia convidativa, e, por esse ngulo, os penhascos pareciam ainda mais altos que antes.
Mas j faziam dias que eu no ouvia a voz de Edward.
Isso era provavelmente parte do problema. Eu estava viciada no som das minhas alucinaes. As coisas pioravam se eu passava muito tempo sem ouv-las. Pular de um
penhasco certamente ia remediar essa situao.
"Claro, eu estou a fim. Diverso".
" um encontro", ele disse, e passou o brao ao redor dos meus ombros.
"Ok - agora vamos fazer voc dormir um pouco". Eu no gostava do jeito como os crculos embaixo dos olhos dele pareciam estar grudados permanentemente na pele dele.
Eu acordei cedo na manh seguinte e carreguei uma muda de roupas comigo para a caminhonete. Eu tinha a sensao de que Charlie aprovaria os planos de hoje tanto
quanto ele aprovaria as motos.
A idia de distrao quase me deixou excitada. Talvez isso fosse divertido. Um encontro com Jacob, um encontro com Edward... eu sorr obscuramente pra mim mesma.
Jake podia dizer o que quisesse sobre ns sermos um par bagunado- mas era eu que era realmente bagunada. Eu fazia um lobisomem parecer absolutamente normal.
Eu esperei que Jacob esperasse por mim na frente, do jeito que ele sempre fazia quando minha caminhonete barulhenta anunciava a minha chegada. Quando ele no apareceu,
eu imaginei que talvez ele ainda estivesse dormindo. Eu ia esperar - deixar ele descansar o quanto pudesse. Ele precisava do sono, e isso ia dar tempo pro dia esquentar
mais. No entanto, Jake estava certo sobre o tempo; ele havia mudado durante a noite.
Uma grossa camada de nuvens se apertava na atmosfera agora, deixando ela quase abafada; estava quente e aconchegante em baixo do cobertor cinza. Eu deixei meu suter
na caminhonete.
Eu bat baixinho na porta.
"Entre, Bella", Billy disse.
Ele estava na mesa da cozinha, comendo cereal frio.
"Jake t dormindo?"
"Er, no", ele abaixou sua colher, e suas sobrancelhas se apertaram.
"O que aconteceu?" Eu quis saber. Eu podia dizer pela expresso dele que alguma coisa havia acontecido.
"Embry, Jared e Paul cruzaram numa trilha fresca essa manh. Sam e Jake foram ajudar. Sam estava esperanoso - ela est indo na direo das montanhas. Ele acha que
eles tm uma boa chance de acabar com isso".
"Oh, no, Billy", eu cochichei. "Oh, no".
Ele gargalhou, profundamente e baixo. "Voc realmente gosta tanto de La Push que quer permanecer presa aqui?"
"No faa piadas, Billy. Isso  assustador demais pra isso".
"Voc est certa", ele concordou, ainda complacente. Seus olhos ancies eram impossveis de ler. "Essa  difcil".
Eu mord meu lbio.
"No  to perigoso pra eles quanto voc pensa que . Sam sabe o que est fazendo.  com voc mesma que voc devia se preocupar. A vampira no quer lutar com eles.
Ela s est tentando despist-los... pra chegar at voc".
"Como  que Sam sabe o que est fazendo?" Eu quis saber, colocando de lado a sua preocupao por mim. "Eles s mataram um vampiro - aquilo pode ter sido sorte".
"Ns levamos muito a srio o que fazemos, Bella. Nada foi esquecido. Tudo o que eles sabem foi passado de pai pra filho por geraes".
Isso no me confortou do jeito que ele provavelmente intencionava.
A memria de Victria, selvagem, parecendo uma gata, letal, estava forte demais na minha cabea. Se ela no conseguisse passar pelos lobos, ele eventualmente iria
passar por cima deles.
Billy voltou para o seu caf da manh; eu me sentei no sof e fiquei passando os canais da Tv  toa. Isso no durou muito tempo. Eu comecei a me sentir fechada na
sala pequena, claustrofbica, chateada pelo fatop de que eu no conseguia enxergar atravs das cortinas da janela.
"Eu vou estar na praia", eu disse pra Billy abruptamente, e corr para a porta.
Estar do lado de fora no me ajudou tanto quanto eu esperava. As nuvens empurravam um peso invisvel que no permitia que a claustrofobia fosse embora. A floresta
parecia estranhamente vazia enquanto eu caminhava na direo da praia. Eu no va os animais - nada de pssaros, nada de esquilos. Eu tambm no ouvia os pssaros.
O silncio era melanclico; no havia nem o som do vento nas rvores.
Eu sabia que isso era s um produto do tempo, mas isso ainda me deixou nervosa. A presso pesada, quente da atmosfera era perceptvel at para os meus fracos sensos
humanos, e isso significava algo mais no departamento climtico. Uma olhada para o cu levou minhas suspeitas embora; as nuvens estavam se agitando pregiosamente
apesar do pouco vento que havia no cho. As nuvens mais prximas era de uma cor cinza de fumaa, mas entre as aberturas, eu podia ver uma outra camada que era de
uma horrvel cor roxa. Os cus tinham um horrvel plano pra hoje. Os animais deviam estar se escondendo.
Assim que eu cheguei na praia, eu desejei no ter vindo - eu j tinha aguentado esse lugar o suficiente.
Eu havia estado aqui quase todos os dias, vagando sozinha. Ser que isso era to diferente dos meus pesadelos? Mas onde mais eu poderia ir? Eu me abaixei para a
rvore de salgueiro, e me sentei no seu fim pra poder me encostar nas razes emaranhadas. Eu olhei para o cu raivoso sangrando, esperando que as primeiras gotas
de chuva quebrassem a quietude.
Eu tentei no pensar no perigo que Jacob e seus amigos estavam correndo. Porque nada podia acontecer com Jacob. O pensamento era insuportvel. Eu j havia perdido
muito - ser que o destino iria levar embora os nicos trapos de paz que foram deixados pra trs?
Isso parecia injusto, fora de equilbrio. Mas talvez eu tivesse violado alguma regra desconhecida, crusado alguma linha que havia me condenado. Talvez fosse errado
estar envolvida com tantos mitos e lendas, para a minha volta para o mundo dos humanos. Talvez...
No. Nada aconteceria com Jacob. Eu tinha que acreditar nisso ou nunca seria capaz de funcionar direito.
"Argh!", eu rosnei, e pulei pra fora do tronco. Eu no podia ficar sentada, isso era pior que ficar vagando.
Eu realmente estava contando com ouvir Edward essa manh. Parecia que essa era a nica coisa que faria esse dia suportvel de viver.
O buraco estava em chamas ultimamente, como se ele estivesse se vongando pelos momentos em que a presena de Jacob o acalmava. As ectremidades queimavam.
As ondas aumentaram enquanto eu andava, comeando a se chocarem com as rochas, mas ainda no havia nenhum vento. Eu me sent esmagada pela presso da tempestade.
Tudo estava girando ao meu redor, mas eu estava perfeitamente imvel onde estava. O ar sofreu um leve alterao eltrica - eu podia sentir a esttica nos meus cabelos.
 distncia, as ondas estavam mais raivosas do que estavam na costa.
Eu podia ver elas banhando a fila de precipcios, espalhando grandes nuvens brancas que saiam do mar em direo ao cu.
Ainda no havia nenhum movimento no ar, apesar das nuvens estarem se movendo mais rapidamente agora.
Era uma vista melanclica - como se as nuvens estivessem se movendo por vontade prpria. Eu trem, apesar de saber que isso era s um truque da presso.
Os precipcios pareciam a ponta de uma faca preta indo contra o cu lvido. Olhando pra eles, eu me lembrei do dia em que Jacob me contou sobre Sam e sua "gangue".
Eu pensei nos garotos - nos lobisomens - jogando a s mesmos no espao vazio. As imagens das figuras caindo, rodopiando, ainda estavam vvidas na minha mmemria.
Eu imaginei a liberdade infinita da queda... eu imaginei o jeito como a voz de Edward soaria na minha cabea - furiosa, aveludada, perfeita... A queimadura no meu
peito ardendo de forma agonizante.
Tinha que haver um jeito de extinguir isso. A dor estava mais intolervel a cada segundo. Eu olhei para os precipcios e para as ondas batendo.
Bem, porque no? Porque no extingu-lo agora?
Jacob havia me prometido o mergulho nos penhascos, no havia? S porque ele no estava disponvel, ser que eu devia abrir mo da distrao que eu precisava tanto
- e precisa ainda mais porque Jacob estava arriscando sua vida?
Se arriscando, em essencia, por mim. Se no fosse por mim, Victria no estaria matando pessoas aqui... s alguma outra pessoa, em um lugar distante. Se alguma coisa
acontecesse com Jacob, seria minha culpa. Essa realizao me atingiu profundamente como uma facada e eu sa correndo pela estrada na direo da casa de Billy, onde
minha caminhonete estava esperando.
Eu sabia o caminho para a rua que passava mais prxima dos penhascos, mas eu tive que fazer um pequeno desvio para o caminho que me levaria  beira deles.
Enquanto eu seguia por a, eu procurei por retornos ou encruzilhadas, sabendo que Jake havia planejado me levar para o penhasco mais baixo e no para o mais, mas
o caminho acabava numa nica linha fina na direo dos penhascos me deixando sem opo.
Eu no tinha tempo pra procurar outro caminho pra baixo - a tempestade estava se movendo mais rapidamente agora.
O vento finalmente havia comeado a me tocar, as nuvens se aproximando ainda mais do cho. Assim que eu cheguei no fim do caminho de terra que levava ao precipcio
de pedra, as primeiras gotas comearam a cair e bater no meu rosto.
No foi muito difcil me convencer de que eu no tinha tempo pra procurar outro caminho - eu queria pular do topo. Essa era a imagem que havia ficado grudada na
minha cabea. Eu queria a longa queda que faria parecer que eu estava voando.
Eu sabia que essa era a coisa mais estpida e irresponsvel que eu j havia feito. Esse pensamento me fez sorrir. A dor j estava se acalmando, como se o meu corpo
soubesse que a voz de Edward estava a apenas alguns segundos de distncia...
O oceano parecia muito distante, de alguma forma mais do que antes, quando eu estava passeando perto da rvore. Eu fiz uma careta quando pensei na provvel temperatura
da gua. Mas eu no ia deixar isso me impedir.
O vento soprava mais forte agora, soprando a chuva como um redemoinho ao meu redor.
Eu pisei na beira do precipcio, mantendo meus olhos no espao vazio  minha frente. Meus ps seguiram em frente cegamente, acariciando a margem da pedra quando
a encontraram. Eu respirei fundo e segurei a respirao... esperando.
"Bella"
Eu sorr e exalei.
Sim? Eu no respond em voz alta, com medo que o som da minha voz alta fizesse a minha linda iluso desaparecer. Ele parecia to real, to prximo. Era s quando
mentir era reprovvel como nessa hora que eu conseguia ouvir a memria real da sua voz - a textura aveludada, a entonao musical que fazia a mais perfeita das vozes.
"No faa isso", ele implorou.
Voc queria que eu fosse humana, eu lembrei ele. Bem, me observe.
"Por favor. Por mim".
Mas de outro jeito voc no vai ficar comigo.
"Por favor", era s um sussurro na chuva forte que soprava os meus cabelos e encharcava as minhas roupas - me deixando to molhada como se eu estivesse dando o segundo
mergulho do dia.
Eu rolei nos calcanhares.
"No, Bella!", ele estava com raiva agora, e a raiva era to adorvel.
Eu sorr e ergui meus braos pra fora, como se eu fosse mergulhar, levantando o meu rosto para a chuva.
Mas eu estava bem treinada demais por causa dos anos de piscinas pblicas - ps primeiro, primeira vez. Eu me inclinei para a frente, me abaixando pra conseguir
mais impulso...
E me joguei no penhasco.
Eu gritei enquanto caia no espao como um meteoro, mas era um grito de exitao, no de medo. O vento resistiu, tentando inutilmente lutar contra a invencvel gravidade,
se empurrando contra mim e me girando em espirais como um foquete caindo na terra.
Sim! A palavra ecoou na minha cabea enquanto eu entrava cortando na superfcie da gua. Ela estava mais fria, mais gelada do que eu temia, e mesmo assim o frio
s aumentou a adrenalina.
Eu estava orgulhosa de mim mesma enquanto mergulhava mais fundo na gua negra congelante. Eu no tive nenhum momento de terror - s pura adrenalina. Realmente, a
queda no foi nem um pouco assustadora. Onde estava o desafio?
Foi a que a corrente me pegou.
Eu estive to preocupada com o tamanho dos penhascos, com o bvio perigo da sua altura, das suas faces afiadas, que eu no havia me preocupado nem um pouco com a
gua negra esperando. Eu nunca sonhei que a verdadeira ameaa estivesse embaixo de mim, embaixo da mar alta.
Eu sent que as ondas estavam brigando comigo, me jogando pra frente pra trs, como se estivessem determinadas a se juntarem pra me partir ao meio.
Eu sabia o jeito certo de evitar a mar cheia: era melhor nadar paralelamente at a praia do que lutar pra chegar na praia. Mas esse conhecimento no ajudou muito
j que eu no sabia pra que lado a costa estava.
Eu nem sabia dizer pra que lado estava a superfcie.
A gua raivosa era preta em todas as direes; no havia nem um brilho pra me guiar. A gravidade era toda poderosa quando lutava com o ar, mas ela no era nada nas
ondas - eu no conseguia me sentir sendo puxada pra baixo, ser guiada em nenhuma direo.
Eu s podia sentir o banho das correntes que me jogavam pra l e pra c como se eu fosse uma boneca de pano.
Eu lutei pra manter o meu ar pra dentro, pra manter os meus lbios selados na minha ltima reserva de oxignio.
No me surpreendeu que a minha iluso de Edward estava l. Ele me devia muito, levando em considerao que eu estava morrendo. Eu estava supresa de ver o quanto
esse conhecimento era certo. Eu ia me afogar. Eu estava me afogando.
"Continue nadando!" Edward implorou urgentemente na minha cabea.
Pra onde? No havia nada alm da escurido. No havia nenhum lugar pra nadar
"Pare com isso!", ele ordenou. "No se atreva a desistir!"
A gua gelada estava deixando meus braos e pernas dormentes. Eu nem sentia mais as ondas batendo. Agora era mais como uma vertigem, como um rodopio sem esperana
na gua.
Mas eu escutei ele. Eu forcei meus braos a continuarem avanando, minhas pernas a chutarem com mais fora, apesar de estar indo para uma direo diferente a cada
segundo. Isso no estava levando a nada. Qual era o ponto?
"Lute!", ele gritou. "Droga, Bella, continue lutando".
Porque?
Eu no queria mais lutar. E no era a cabea leve, o frio, e nem os meus braos falhando quando os meus musculos desistram de exausto, que me deixaram contente
por estar aqui onde eu estava.
Eu estava quase feliz por estar tudo acabado. Essa era uma morte mais fcil do que as outras que eu enfrentei. Estranhamente tranquila.
Eu pensei brevemente nos clichs, de como voc devia ver a sua vida passando na frente dos seus olhos. Eu tinha muito mais sorte. Quem queria ver um replay, afinal?
Eu via ele, e eu no tinha vontade de lutar. Era to claro, quase mais definido do que qualquer memria. Meu subconsciente havia guardado Edward com perfeio de
detalhes, guardando ele para esse momento final.
Eu podia ver seu rosto perfeito como se ele estivesse realmente l; o tom exato da sua pele gelada, o formato dos seus lbios, a linha da sua mandbula, o brilho
nos seus furiosos olhos dourados.
Ele estava com raiva, naturalmente, por eu estar desistindo. Seus dentes estavam trincados e suas narinas estavam infladas de raiva.
"No! Bella, no!"
Meus ouvidos estavam cheios da gua gelada, mas a voz dele estava mais clara que nunca. Eu ignorei as palavras dele e tentei me concentrar no som da sua voz. Porque
eu iria lutar quando estava to feliz por estar aqui?
Mesmo com os meus pulmes queimando por mais ar e com minhas pernas congeladas pela gua fria, eu estava feliz. Eu havia me esquecido do que  a verdadeira felicidade.
Felicidade. Isso fazia toda a coisa de estar morrendo ser bem suportvel.
A corrente ganhou nesse momento, me jogando abruptamente contra alguma coisa dura, uma rocha invisvel na escurido. Ela bateu solidamente no meu peito, me atingindo
como uma barra de ferro, e ento o ar foi roubado dos meus pulmes, escapando com uma grossa nuvem de bolhas prateadas.
A gua entrou pela minha garganta, me engasgando e queimando. A barra de ao parecia estar me arrastando, me puxando pra longe de Edward, mais profundamente para
a escurido, para o fundo do oceano.
Adeus, eu te amo, foi meu ltimo pensamento.

16. Paris
Nesse momento, minha cabea atingiu a superfcie.
Que desorientador. Eu tinha certeza que estava afundando.
A corrente no puxaria pra cima. Ela estava me jogando contra as rochas; elas batiam no centro das minhas costas asperamente, ritmadamente, expulsando a gua dos
meus pulms. Eu cusp um imenso volume, haviam correntes de gua brotando da minha boca e do meu nariz.
O sal queimava e meus pulmes ardiam e minha garganta estava cheia de gua demais pra me deixar respirar, e as rochas machucavam minhas costas. De alguma forma eu
fiquei parada em um s lugar, apesar das ondas ainda estarem batendo em mim. Eu no conseguia ver nada alm da gua em todo lugar, alcanando o meu rosto.
"Respire!", a voz, selvagem de ansiedade, ordenou, e eu sent uma cruel facada de dor quando eu reconhec a voz - porque ela no era de Edward.
Eu no consegui obedecer. A cascata de gua que saa da minha boca ainda no havia diminuido o suficiente pra me deixar respirar. A gua preta, gelada enchia meu
peito, me queimando.
A rocha bateu nas minhas costas de novo, bem no meio dos meus ombros, e outra onda de gua me asfixiou quando saiu dos meus pulmes.
"Respire, Bella! Vamos!", Jacob implorou.
Pontos pretos atravessaram minha viso, ficando maiores e maiores, bloqueando a luz.
A rocha me atingiu de novo.
A rocha no era fria como a gua; ela era quente na minha pele. Eu me dei conta de que era a mo de Jacob, tentando bater a gua pra fora dos meus pulmes. A barra
de ao que havia me arrastado de dentro do mar tambm era... quente... Minha cabea rodou, os pontos pretos cobriam tudo....
Ento eu estava morrendo de novo? Eu no gostei disso - isso no foi to bom quanto da ltima vez. Agora estava apenas escuro, no havia nada que valesse a pena
olhar aqui. O som das ondas desapareceu na escurido e se tornou um whoosh silencioso, uniforme que parecia estar vindo de dentro dos meus ouvidos...
"Bella?", Jacob perguntou, a voz dele ainda estava tensa, mas no to selvagem quanto antes.
"Bells, querida, voc pode me ouvir?"
Os contedos na minha cabea se reviraram e rolaram de forma doentia, como se tivessem se misturado com a gua...
"Por quanto tempo ela esteve insconsciente?", algum mais perguntou.
A voz que no era de Jacob me chocou, me deixou mais focada na consciencia.
Eu me dei conta de que estava rgida. No havia nenhum sinal da corrente sobre mim - as ondas estavam dentro da minha cabea.
A superfcie embaixo de mim era plana e estava imvel. Ela pareceu spera nos meus braos nus.
"Eu no sei", Jacob informou, ainda frentico. A voz dele estava muito prxima. As mos dele - to quentes que tinham que ser dele - tirou o cabelo molhado do meu
rosto. "Alguns minutos? Eu no demorei muito pra seguir ela at a praia".
O quieto whoosh dentro dos meus ouvidos no era o das ondas - era o ar se movendo pra dentro e pra fora dos meus pulmes de novo.
Cada respirao queimava - os canais de passagem estavam parecendo em carne viva, como se eu os tivesse esfregado com l de ao.
Mas eu estava respirando.
E eu estava congelando. Um milho de pequenos pedaos de gelo, afiados, estavam passando pelo meus rosto e pelos meus braos, tornando o frio ainda pior.
"Ela est respirando. Ela vai acordar. No entanto, ela pode pegar um resfriado. Eu no gosto da cor que ela est ficando..." Eu reconhec a voz de Sam dessa vez.
"Voc acha que tudo bem mover ela?"
"Ela no machucou as costas ou alguma outra coisa quando caiu?"
"Eu no sei".
Eles hesitaram.
Eu tentei abrir os olhos. Me levou um minuto, mas eu consegu ver as nuvens escuras, roxas, jorrando a chuva congelante em cima de mim. "Jake?", eu resmunguei.
O rosto de Jacob bloqueou o cu. "Oh!", ele asfixiou, o alviou lavou sua expresso. Os olhos dele estavm molhados com a chuva.
"Oh, Bella! Voc est bem? Voc consegue me ouvir? Voc est machucada em algum lugar?"
"S-s a m-minha garganta", eu gaguejei, meus lbios tremendo com o frio.
"Vamos tirar voc daqui, ento", Jacob disse.
Ele passou os braos por baixo de mim e me levantou sem esforo - como se estivesse pegando uma caixa vazia. O peito dele estava nu e quente; ele curvou os ombros
pra evitar que a chuva casse em mim.
Minha cabea descansou no brao dele. Eu encarei a gua de novo com um olhar vazio, ela estava batendo na areia atrs dele.
"Voc pegou ela?", eu ouv Sam perguntar.
", eu cuido dela daqui. Volte para o hospital. Eu me junto a vocs mais tarde. Obrigado, Sam".
Minha cabea ainda estava rolando. Nenhuma das suas palavras fez sentido no comeo. Sam no respondeu. No houve nenhum som, e eu imaginei se ele j tinha ido embora.
A gua lambia e marcava a areia atrs de ns enquanto Jacob me carregava de l, como se ela estivesse zangada por eu ter escapado.
Enquanto eu olhava cautelosamente, um brilho de cor chamou a ateno dos meus olhos - um pequeno flash de fogo estava danando na gua, l perto da baa. A imagem
no fazia sentido, e eu me perguntei o quo consciente eu realmente estava.
Minha cabea rodava com as memrias da gua preta, danante - as memrias de estar to perdida que eu no conseguia encontrar o caminho pra cima ou pra baixo. To
perdida... mas de alguma forma Jacob...
"Como voc me encontrou?", eu raspei.
"Eu estava procurando voc", ele me disse. Ele estava meio que correndo no meio da chuva, pela praia e  caminho da estrada.
"Eu segui as trilhas de pneu da sua caminhonete, e ento eu te ouv gritar..." Ele tremeu. "Porque voc pulou, Bella? Voc no percebeu que havia um furaco se formando
aqui? Voc no podia ter me esperado?" A raiva encheu o tom dele quando o alvio foi desaparecendo.
"Me desculpe", eu murmurei. "Foi estpido".
", foi muito estpido", ele concordou, gotas de chuva escapando levremente pelo seu cabelo enquanto ele balanava a cabea. "Olha, voc se incomoda de deixar pra
fazer as coisas estpidas quando eu estiver por perto? Eu no vou ser capaz de me concentrar se eu pensar que voc est pulando de penhascos na minhas costas".
"Claro", eu concordei.
"Sem problema" Eu soava como uma fumante descontrolada. Eu tentei limpar minha garganta - e ento gem; limpar a garganta foi como enfiar uma faca l. "O que aconteceu
hoje? Voc... encontrou ela?" Foi minha vez de tremer, apesar de no estar to frio aqui, bem perto do corpo ridiculamente quente dele.
Jacob balanou a cabea. Ele ainda estava mais correndo do que andando enquanto ele andava na estrada a caminho da sua casa.
"No. Ela escapou pela gua - os sugadores de sangue t vantagem l.
Foi por isso que eu voltei pra casa correndo- Eu estava com medo que ela chegasse antes de mim nadando. Voc passa tanto tempo na praia..." Ele parou de falar, um
caroo na garganta.
"Sam voltou com voc... todos os outros esto em casa tambm?" Eu esperava que eles ainda no estivessem procurando por ela.
". Mais ou menos".
Eu tentei ler a expresso dele, pingando por causa da chuva torrencial.
As palavras que no faziam sentido antes, de repente fizeram. "Voc disse... hospital. Antes, pra Sam. Algum est machucado? Ela lutou com vocs?" Minha voz pulou
um oitavo, soando estranha com a rouquido.
"No, No. Quando ns voltamos, Em estava esperando com notcias.  Harry Clearwater. Harry teve um ataque do corao essa manh".
"Harry?", eu balancei minha cabea, tentando absorver o que ele estava dizendo. "Oh, no! O Charlie j sabe?"
". Ele est l tambm, com meu pai".
"Harry vai ficar bem?"
Os olhos de Jacob se apertaram de novo. "Ele no parece muito bem agora".
Abruptamente, eu me sent doente de culpa - me sent horrivel pelo mergulho sem crebro do penhasco. Ningum precisava ficar se preocupando comigo agora. Que hora
estpida pra ser irresponsvel.
"O que eu posso fazer?", eu perguntei.
Nesse momento a chuva parou. Eu no me dei conta de que j estvamos na casa de Jacob at que ele passou pela porta. A tempestade batia no telhado.
"Voc pode ficar aqui", Jacob disse enquanto me colocava no pequeno sof. "Eu falo srio - bem aqui. Eu vou pegar roupas secas pra voc".
Eu deixei meus olhos se ajustarem  escurido da sala enquanto Jacob ia caminhando para o seu quarto.
Arestrita sala da frente parecia muito vazia sem Billy, quase desolada. Era estranhamente ominoso - provavelmente porque eu sabia onde ele estava.
Jacob estava de volta em segundos. Ele jogou um pilha de algodo cinza em cima de mim. "Isso vai ficar enorme em voc, mas ainda  o melhor que arranjei. Eu, er,
vou l pra fora pra voc se trocar".
"No v pra lugar nenhum. Eu ainda estou muito cansada pra me mexer.
S fique comigo".
Jacob se sentou no cho ao meu lado, com as costas no sof. Eu me perguntei quando foi a ltima vez que ele dormiu. Ele parecia to exausto quanto eu me sentia.
Ele inclinou a cabea numa almofada prxima  minha e bocejou. "Eu acho que posso descansar por um minuto..."
Os olhos dele se fecharam. Eu deixei os meus se fecharem tambm.
Pobre Harry. Pobre Sue. Eu sabia que Charlie ficaria ao lado deles. Harry era um dos seus melhores amigos. Apesar da negatividade com que Jake encarava as coisas,
eu esperava ferventemente que Harry sasse dessa. Pra o bem de Charlie. Por Sue e Leah e Seth...
O sof de Billy era prximo do aquecedor, e eu estava aquecida agora, apesar das minhas roupas molhadas.
Meus pulmes doiam me levando mais para a inconscincia do que me mantendo acordada.
Eu me perguntei vagamente se era errado dormir... ou eu estava me afundando com a confuso das concusses...?
Jacob comeou a roncar levemente, e o som me acalmou como uma cano de ninar. Eu peguei no sono rapidamente.
Pela primeira vez em muito tempo, os meus sonhos foram s sonhos normais.
S uma vaga passagem borrada nas minha lembranas passadas - vises que me cegavam do sol brilhante de Phoenix, o rosto da minha me, uma casa da rvore ainda aos
pedaos, uma colcha velha, uma sala de espelhos, uma chama em cima da gua preta... eu esqueci cada uma delas quando a figura mudou.
A ltima figura foi a nica que ficou grudada na minha cabea. Ela era sem importncia - s um cenrio num palco.
Um balco no meio da noite, uma lua pintada no cu. Eu observei a garota na sua camisola se inclinar na grande e falar consigo mesma.
Sem importncia... mas quando eu lutei pra voltar  conscincia, Julieta apareceu na minha mente.
Jacob ainda estava adormecido; ele havia caido no cho e a respirao dele era profunda e uniforme. A casa estava mais escura agora do que estava antes, estava escuro
do lado de fora da janela.
Eu estava rgida, mas aquecda e quase seca. A parte de dentro da minha garganta ardia toda vez que eu respirava.
Eu ia ter que levantar - pelo menos pra pegar uma coisa pra beber.
Mas o meu corpo s queria ficar aqui deitada, pra nunca mais levantar.
Ao invs de me mover, eu pensei um pouco mais em Julieta.
Eu iamginei o que ela teria feito se Romeu tivesse abandonado ela, no porque ele foi banido, mas porque ele havia perdido o interesse.
E se Rosalie tivesse feito ele se apaixonar de novo, e ele mudasse de idia? E se, ao invs de casar com Julieta, ele tivesse desaparecido?
Eu pensei em como Julieta teria se sentido.
Ela no voltaria para a sua vida antiga, no mesmo. Ela no teria nem dado a volta por cima, disso eu tinha certeza. Mesmo se ela vivesse at estar velha e cinza,
todas as vezes que ela fechasse os olhos, seria os olhos de Romeu que ela veria por trs das suas plpebras. Ela teria aceitado isso, eventualmente.
Eu me perguntei se ela teria se casado com Paris, no final, s para agradar seus pais, pra manter a paz.
No, provavelmente no, eu decid. Mas tambm, a histria no falava muito sobre Paris. Ele era s uma figura de canto - um segurador de vela, uma ameaa, uma ltima
opo para for-la a casar.
E se houvesse mais pra Paris?
E se Paris fosse amigo de Julieta? O melhor amigo dela? E se ele fosse o nico a quem ela pudesse confidenciar as coisas devastadoras sobre Romeu? A nica pessoa
que poderia realmente entend-la e faz-la se sentir meio humana de novo? E se ele fosse paciente e gentil? E se ele tomasse conta dela?
E se Julieta soubesse que no poderia sobreviver sem ele? E se ele realmente amasse ela, e quisesse que ela fosse feliz?
E... se ela amasse Paris? No como Romeu. Nada assim,  claro. Mas o suficiente pra que ela quisesse que ele fosse feliz tambm?
A respirao lenta, profunda de Jacob era o nico som na sala - como uma cano de ninar cantarolada para uma criana, como o barulho de uma cadeira de balano,
como o tique taque de um velho relgio quando voc no tem nenhum outro lugar pra onde voc precisa ir... era o som do conforto.
Se Romeu realmente tivesse ido embora, pra nunca mais voltar, iria realmente importar se ela tivesse aceitado ou no a proposta de Paris? Talvez ela tivesse que
se virar com as sobras da sua vida que foram deixadas pra trs. Talvez isso fosse o mais prximo da felicidade que ela pudesse chegar.
Eu suspirei, e depois gem quando o suspiro arranhou minha garganta.
Eu estava lendo essa histria demais. Romeu no ia mudar de idia.
Era por isso que as pessoas ainda lembravam o nome dele, sempre entrelaado com o dela: Romeu e Julieta.  por isso que era uma boa histria. "Julieta  passada
pra trs por Romeu e fica com Paris" nuca teria dado certo.
Eu fechei os meus olhos e me deixei levar de novo, deixando minha mente vagar dessa estpida pea na qual eu no queria pensar. Ao invs disso, eu pensei na realidade
- sobre pular do penhasco e o erro estpido que isso havia sido. E no apenas o penhasco, mas tambm as motos e aquela coisa toda de ser irresponsvel. E se alguma
coisa tivesse acontecido comigo? O que teria sido de Charlie?
O ataque do corao de Charlie havia de repente colocado as coisas numa nova perspectiva pra mim. Uma perspectiva que eu no queria ver - porque se eu admitisse
a verdade nisso - isso significaria que havia mudado o meu jeito. Ser que eu poderia viver assim?
Talvez. No seria fcil; de fato, seria uma vertente miservel ter que desistir das minhas alucinaes.
Mas eu tinha que fazer isso. E talvez eu pudesse. Se eu tivesse Jacob.
Eu no podia tomar esse deciso agora. Ia doer demais. Eu pensaria em outra coisa.
Imagens da minha tarde como dubl de filmes continuaram passando na minha cabea enquanto eu tentava pensar em alguma coisa agradvel...
a sensao do ar enquanto eu caia, a escurido da gua, a fora das correntes... o rosto de Edward... eu fiquei presa a por um longo tempo. As mos quentes de Jacob,
tentando trazer a vida de volta pra mim... a chuva torrencial que caia das nuvens roxas... o estranho fogo nas ondas...
Havia alguma coisa de familiar naquele flash de cor no topo da gua.
 claro que no podia realmente ser fogo -
Meus pensamentos foram interrompidos pelo barulho de um carro andando na lama da estrada l fora. Eu ouv o carro parar do lado de fora, e as portas comeando a
se abrir e se fechando.
A voz de Billy era fcil de identificar, mas ele a mantinha descaracteristicamente baixa, ento ela era apenas um murmrio grave.
A porta se abriu, e um pouco de luz entrou. Eu pisquei, momentaneamente cega. Jake comeou a acordar, suspirando e pulando pra ficar de p.
"Desculpa", Billy rosnou. "Ns acordamos vocs?"
Meus olhos lentamente se focaram no rosto dele, e ento, quando eu consegu ler a expresso dele, eles se encheram de lgrimas.
"Oh, no, Billy!", eu gem.
Ele balanou a cabea lentamente, a expresso dele estava dura de dor. Jake correu para o seu pai e pegou uma das suas mos. A dor fez o rosto dele ficar repentinamente
infantil - parecia estranho no topo do corpo de um homem.
Sam estava bem atrs de Billy, empurrando a cadeira dele pela porta.
A compostura que era normal nele, agora estava ausente do seu rosto agoniado.
"Eu lamento muito", eu sussurrei.
Billy acenou com a cabea. "Ser difcil pra todos".
"Onde est Charlie?"
"Seu pai ainda est no hospital com Sue. Tm muitos... arranjos a serem feitos".
Eu engol seco.
" melhor eu voltar pra l", Sam murmurou, e saiu apressadamente pela porta.
Billy tirou sua mo da de Jacob e levou sua cadeira pela cozinha em direo ao seu quarto.
Jake ficou olhando pra ele por alguns minutos, e deposi veio se sentar no cho a meu lado de novo. Ele colocou o rosto nas mos. Eu esfreguei o ombro dele, desejando
poder pensar em alguma coisa pra dizer.
Depois de um longo momento, Jake pegou minha mo e colocou em seu rosto.
"Como voc est se sentindo? Voc est bem? Eu provavelmente devia ter te levado pra um mdico ou alguma coisa assim", ele suspirou.
"No se preocupe comigo", eu grasnei.
Ele virou a cabea pra olhar pra mim. Os olhos dele estavam muito vermelhos. "Voc no parece muito bem".
"Eu tambm no me sinto muito bem, eu acho".
"Eu vou pegar a sua caminhonete e depois te levar pra casa - provavelmente  melhor voc estar em casa quando Charlie chegar".
Certo.
Eu fiquei indiferente deitada no sof enquanto esperei por ele. Billy estava em silncio no quarto. Eu me sent como uma intrusa, espiando pelas rachaduras de uma
tristeza que no era minha.
Jake no demorou muito. O ronco do motor da minha caminhonete quebrou o silncio antes do que eu esperava. Ele me ajudou a levantar do sof sem falar nada, mantendo
seus braos ao redor dos meus ombros quando o ar gelado me fez tremer.
Ele foi para o lado do motorista sem pedir, e depois me puxou para o lado dele pra manter o seu brao bem apertado ao meu redor. Eu inclinei minha cabea no peito
dele.
"Como  que voc vai voltar pra casa?", eu perguntei.
"Eu no vou pra casa. Ns ainda no pegamos a sugadora de sangue, lembra?"
Meu prximo arrepio no teve nada a ver com o frio.
Depois disso a viagem foi silenciosa. O ar gelado havia me despertado. Minha mente estava alerta, e estava trabalhando muito duro e muito rpido.
E se fosse? O que era a coisa certa a fazer?
Eu no conseguia imaginar minha vida sem Jacob agora - eu afastei a idia de sequer ter que pensar nisso. De alguma forma, ele havia se tornado essecial para a minha
sobrevincia.
Mas deixar as coisas do jeito como estavam... isso era cruel, como Mike havia acusado?
Eu me lembrei de ter desejado que Jacob fosse meu irmo. Eu me dei conta agora que o que eu queria era ter direitos sobre ele. Eu no me sentia muito fraternal quando
ele me abraava assim. S era bom - quente e confortvel e familiar. Seguro. Jake era um porto seguro.
Eu podia clamar ele. Eu tinha esse poder.
Eu teria que contar tudo a ele, eu sabia disso. Era a nica forma de ser justa. Eu teria que explicar direito, pra que assim ele soubesse que eu no estava me apegando,
pra que ele soubesse que ele era bom demais pra mim.
Ele j sabia que eu estava quebrada, essa parte no surpreenderia ele, mas ele teria que saber a extenso disso. Eu teria que admitir que estava louca - explicar
sobre as vozes que ouvia. Ele precisar ai saber de tudo antes de tomar a deciso.
Mas, mesmo que eu reconhecesse essa necessidade, eu sabia que ele me aceitaria apesar de tudo isso. Ele no ia nem parar pra pensar.
Eu teria que me comprometer com isso - comprometer tudo que havia restado de mim, cada um dos pedaos quebrados. Era anica forma de ser justa com ele. Eu faria
isso? Eu poderia?
Seria assim to errado fazer Jacob feliz? Mesmo que o amor que eu sentia por ele no fosse nem um eco fraco do que eu era capaz, mesmo que o meu coraes estivesse
distante, vagando e lamentando pelo meu Romeu fujo, seria assim to errado?
Jacob aprou a caminhonete na frente da minha casa escura e desligou o motor, ento tudo ficou repentinamente silencioso. Como em tantas outras vezes, ele parecia
estar em sintonia com os meus pensamentos agora.
Ele colocou seu brao ao meu redor, me apertando contra o seu peito, me colando nele. De novo, isso foi bom. Quase como se uma pessoa inteira de noovo.
Eu pensei que ele estaria pensando em Harry, mas depois ele falou, e o seu tom pedia perdo.
"Me desculpe. Eu sei que voc no se sente exatamente como eu me sinto, Bella. Eu juro que no me importo. Eu estou to feliz por voc estar bem que eu podia cantar
- e isso  uma coisa que ningum vai querer ouvir". Ele deu sua risada gutural no meu ouvido.
Minha respirao deu um pulo, secando as paredes da minha garganta.
Edward no ia querer, independente do quanto ele fosse indiferente, que eu fosse to feliz quanto fosse possvel sob essas circustncias? Ser que no havia um sentimento
de amizade suficiente da parte dele pra que ele desejasse isso pra mim? Eu acho que sim. Ele no ia me negar isso: que eu desse s um pouco do amor que ele no quis
para o meu amigo Jacob. Afinal, no era nem de longe o mesmo tipo de amor.
Jake pressionou a sua bochecha quente no topo da minha cabea.
Se eu virasse o meu rosto para o lado - se eu pressionasse meus lbios no ombro nu dele... eu sabia sem duvida nenhum o que viria a seguir. Seria muito fcil. No
teriam que haver explicaes essa noite.
Mas ser que eu podia fazer isso? Ser que eu podia trair meu corao ausente s pra salvar minha vida pattica?
As borboletas encheram meu estmago enquanto eu pensava em virar minha cabea.
E ento, to claramente quanto se eu estivesse em perigo imediato, a voz aveludade de Edward cochichou no meu ouvido.
"Seja feliz", ele me disse.
Eu congelei.
Jacob me sentiu enrrijecer e me largou automaticamente, se inclinando para a porta.
espere eu queria dizer. S um minuto. Mas eu ainda estava grudada no lugar, escutando o eco da voz de Edward na minha cabea.
O vento frio da tempestade envadiu a cabine da caminhonete.
"OH!", a respirao saiu de Jacob como se algum tivesse dado um soco em seu estmago. "Mas que merda!"
Ele bateu a porta e girou as chaves na ignio ao mesmo tempo. As mos dele estavam tremendo tanto que eu nem sei como foi que ele conseguiu.
"Qual  o problema?"
Ele acelerou o motor rpido demais; ele engasgou e falhou.
"Vampiro", ele cuspiu.
O sangue correu para a minha cabea e eu me senti tonta. "Como  que voc sabe?"
"Porque eu consigo cheirar. Droga!"
Os olhos de Jacob estavam selvagens, rastreando a rua escura. Ele mal parecia estar consciente dos tremores que balanavam todo o seu corpo. "Me transformar ou dar
o fora daqui?", ele murmurou pra s mesmo.
Ele olhou pra mim por um milsimo de segundo, olhando pros meus olhos arregalados de horror e e rosto branco, e ento rastreando a rua de novo. "Certo. Te levar
daqui".
O motor cortou com um ronco. Os pneus cantaram quando ele fez a volta com a caminhonete, se virando na direo da nossa nica sada.
Os faris passaram por cima das caladas, iluminaram a frente da floresta escura, e finalmente refletiram num carro parado na calada do outro lado da minha casa.
"Pare!", eu asfixiei.
Era um carro preto - um carro que eu conhecia. Eu podia ser uma coisa muito longe de uma apaixonada por carros, mas eu podia dizer tudo sobre aquele carro em particular.
Era uma Mercedes S55 AMG. Eu sabia quantos cavalos de fora tinha e a cor do seu interior. Eu sabia qual era a sensao do seu poderoso motor ronronando sob o cap.
Eu conhecia o rico cheiro dos bancos de couro e sabia o jeito como aqueles vidros extra escuros n~~ao deixavam nenhuma luz do lado de fora penetrar.
Era o carro que Carlisle.
"Pare!", eu gritei de novo, mais alto dessa vez, porque Jacob estava levando a caminhonete para o fim da rua.
"O que?!"
"No  Victria. Pare, pare! Eu quero voltar!"
Ele pisou no freio com tanta fora que eu tive que me segurar no painl.
"O que?", ele perguntou de novo, agastado. Ele me encarou com horror nos olhos.
" o carro de Carlisle! So os Cullen. Eu sei disso".
Ele observou o meu rosto por um instante, e um violento tremor balanou o seu corpo.
"Ei, acalme-se, Jake. Est tudo bem. Nada de perigo, v? Relaxe".
", calma", ele ofegou, colocando a cabea pra baixo e fechando os olhos. Enquanto ele se concentrava em no explodir num lobo, eu olhei pela janela de trs para
o carro preto.
 s o carro de Carlisle, eu disse pra mim mesma. No espere nada mais. Talvez Esme... Pare bem a, eu disse pra mim mesma. S Carlisle. Isso era muito. Mais do
que eu jamais esperei ter de novo.
"H um vampiro na sua coisa", Jacob disse por entre os dentes. "E voc quer voltar l?"
Eu olhei pra ele, tirando os meus olhos sem vontade da Mercedes - eu estava terrorizada que ela fosse desaparecer se eu desviasse os olhos.
" claro", eu disse, minha voz pasma de surpresa pela pergunta dele.
 claro que eu queria voltar pra l.
O rosto de Jacob endureceu enquanto eu olhava pra ele, se transformando na mscara cida que eu achei que havia desaparecido pra sempre. Pouco antes que ele colocasse
a mscara no lugar, eu captei o espasmo de traio de resplandeceu nos olhos dele. As mos dele ainda estavam tremendo. Ele parecia ser dez anos mais velho que eu.
Ele respirou fundo. "Voc tem certeza de que isso no  um truque?", ele perguntou numa voz lenta, pesada.
"No  um truque.  Carlisle. Me leve de volta!"
Um tremor escapou pelos seus ombros largos, mas os olhos dele estavam compenetrados e sem emoo. "No".
"Jake, est tudo bem -"
"No. Volte voc mesma, Bella", a voz dele foi um tapa - eu vacilei com o som quando ela bateu em mim. A mandbula dele estava se comprimindo e se soltando.
"Olha, Bella", ele disse com a mesma voz dura. "Eu no posso voltar.
Com acordo ou sem acordo, aquele l  o inimigo".
"No  assim -"
"Eu vou ter que contar pra Sam imediatamente. Isso muda as coisas. Ns no podemos ficar presos nos nosso territrio".
"Jake, isso no  uma guerra!"
Ele no ouviu. Ele engatou a caminhonete e pulou pra fora da porta, deixando ela ligada.
"Tchau, Bella", ele chamou por cima do ombro. "Eu realmente espero que voc no morra". Ele correu para a escurido, tremendo tanto que o corpo dele parecia um vulto.
O remorso me deixou colada no banco por um longo segundo. O que eu havia acabado de fazer com Jacob?
Mas o remorso no conseguiu me segurar por muito tempo.
Eu escorreguei para o outro banco e coloquei a caminhonete em marcha de novo. Minhas mos estavam tremendo tanto quanto as mos de Jake haviam estado, e isso tomou
um minuto da minha concentrao.
Depois eu virei cuidadosamente a caminhonete e a dirig em direo  minha casa.
Tudo ficou muito escuro quando eu desliguei os faris. Charlie saiu com tanta pressa que havia esquecido de ligar as luzes da varanda. Eu sent uma pontada de dvida,
olhando para a casa, afundada nas sombras. Ese isso fosse um truque?
Eu olhei de volta para o carro preto, quase invisvel na noite. No. Eu conhecia aquele carro.
Ainda assim, minhas mos estavam tremendo mais do que antes quando eu peguei a chave em cima da porta.
Quando eu peguei na maaneta da porta para abr-la, ela girou facilmente embaixo da minha mo. Eu deixei a porta se abrir. O corredor estava preto.
Eu queria chamar com uma saudao, mas minha garganta estava seca demais. Eu no parecia conseguir sugar o ar.
Eu dei um passo para a frente e apalpei para acender a luz.
Estava to preto - como a gua preta... Onde estava aquele interruptor?
Assim como a gua preta, com aquela chama brilhando impossivelmente em cima dela. Aquela chama no podia ser fogo, mas ento o que...?
Meus dedos traaram a parede, ainda procurando, ainda tremendo -
De repente, algo que Jacob me disse essa tarde ecoou na minha cabea, finalmente caindo a ficha...
Ela escapou pela gua, ele havia dito. Os sugadores de sangue tm a vontagem l. Foi por isso que eu vim correndo pra casa - eu estava com medo de que ela chegasse
primeiro nadando.
Minha mo congelou na sua procura, meu corpo inteiro congelou no lugar, enquanto eu me dava conta do porque eu reconhecia a estranha cor laranja na gua.
O cabelo de Victria, voando selvagemente com o vento, da cor do fogo...
Ela esteve l. Bem l no cais comigo e Jacob. Se Sam no estivesse l, se fssemos s ns dois...? Eu no conseguia respirar ou me mexer.
A luz se acendeu, apesar da minha mo congelada ainda no ter encontrado o interruptor.
Os meus piscaram com a luz repentina, e viram que havia algum l, esperando por mim.

17. Visitante.
Desnaturalmente rgida e branca, com grandes olhos pretos fixados em mim, a minha visitante me esperava perfeitamente imvel no centro da sala, linda alm da imaginao.
Meus joelhos tremeram por um segundo, e eu quase ca. Depois eu me joguei em cima dela.
"Alice, oh, Alice!", eu chorei, enquanto me chocava com ela.
Eu havia me esquecido quanto ela era dura; era como correr precipitadamente pra cima de uma parede de cimento.
"Bella?", havia uma estranha mistura de alvio e confuso na voz dela.
Eu prend meus braos ao redor dela, lutando pra inalar o mximo do cheiro da sua pele que fosse possvel. No era mais nada - nada floral ou condimentado, ctrico
ou almscar. Nenhum perfume no mundo poderia se comparar. Minha memria no fazia justia.
Eu no reparei quando os suspiros se transformaram em algo mais - eu s perceb que os suspiros haviam se transformado em soluos quando Alice me arrastou para o
sof da sala de estar e me colocou no colo. Era como estar curvada numa pedra fria, mas uma pedra que contornava confortavelmente o formato do meu corpo. Ela esfregou
as minhas costas num ritmo gentl, esperando que eu me controlasse.
"Me... desculpe", eu tagarelei. "Eu s estou... to feliz... de ver voc!"
"Tudo bem, Bella. Est tudo bem".
"Sim", eu uivei. A, pela primeira vez, parecia estar mesmo.
Alice suspirou. "Eu havia me esquecido de como voc era exuberante", ela disse, e o tom dela era de desaprovao.
Eu olhei pra ela por entre os meus olhos mareados. O pescoo de Alice estava apertado, se afastando de mim, os lbio dela estavam apertados firmemente. Os olhos
dela estavam, pretos como piche.
"Oh", eu arquejei, quando me dei conta do problema. Ela estava com sede. E eu era apetitosa. J fazia um tempo que eu no pensava nesse tipo de coisa. "Desculpa".
" minha prpria. J faz algum tempo que eu estou sem caar. Eu no devia me deixar ficar com tanta sede. Mas eu estava com pressa hoje". O olhar que ela direcionou
pra mim foi resplandecente.
"Falando nisso, ser que voc poderia me explicar como  que voc est viva?"
Isso me chamou a ateno e fez os soluos pararem. Eu me dei conta do que havia acontecido imediatamente, e porque Alice estava aqui.
Eu engol fazendo barulho. "Voc me viu cair".
"No", ela discordou, com os olhos se apertando. "Eu v voc pular".
Eu torc meus lbios e tentei encontrar uma explicao pra isso que no soasse maluca.
Alice balanou a cabea. "Eu disse pra ele que isso ia acontecer, mas ele no acreditou em mim. 'Bella prometeu'". A voz dela imitou to perfeitamente que eu congelei
chocada enquanto a dor arrasava o meu trax." 'E no fique olhando para o futuro dela, tambm'", ela continuou citando ele. " 'Ns j causamos estragos o suficiente'".
"S porque eu no procuro, isso no quer dizer que eu no vejo", ela continuou. "Eu no estava espionando voc, eu juro, Bella.  s que eu j estou ligada  voc...
quando eu te v pulando, eu nem pensei, eu simplesmente peguei um avio. Eu sabia que podia ser tarde demais, mas eu no podia ficar sem fazer nada. E depois eu
cheguei aqui, pensando se eu podia ajudar Charlie de alguma forma, e voc aparece". Ela balanou a cabea, dessa vez com confuso. A voz dela estava tensa. "Eu v
voc cair na gua e eu esperei e esperei pra que voc voltasse, mas voc no voltou. O que aconteceu? E como voc pode fazer isso com Charlie? Voc parou pra pensar
no que isso faria com ele? E com o meu irmo? Voc no faz idia do que Edward -"
Eu cortei ela nessa hora, assim que ela disse o nome dele. Eu deixaria ela continuar, mesmo depois que ela percebesse o mal entendido no qual ela havia se metido,
s pra ouvir o tom perfeito da voz dela. Mas era hora de interromper.
"Alice, eu no estava cometendo suicdio".
Ela me olhou duvidosamente. "Voc est dizendo que no pulou de um penhasco?"
"No, mas...", eu fiz uma careta. "Foi apenas com propsitos recreatrios".
A expresso dela endureceu.
"Eu havia visto alguns dos amigos de Jake mergulhando dos penhascos", eu insist. "Pareceu que era... divertido, e eu estava aborrecida..."
Ela esperou.
"Eu no pensei que a tempestade fosse afetar as correntes. Na verdade, eu nem pensei muito na gua".
Alice no acreditou. Eu podia ver que ela ainda pensava que eu estava tentando me matar. Eu decid mudar de direo. "Ento se voc me viu entrar, como  que voc
no viu Jacob?"
Ela deixou a cabea cair pro lado, distrada.
Eu continuei. " verdade que eu provavelmente teria me afogado se Jacob no tivesse pulado atrs de mim. Bem, t legal, no tem nenhum provavelmente a. Mas ele
pulou, e ele me tirou de l, e eu acho que ele me guiou de volta para a costa, apesar de eu estar meio por fora nessa parte. No pode ter se passado nem um minuto
de quando eu estava l em baixo at que ele me puxou. Como  possvel que voc no tenha visto isso?"
Ela fez uma carranca de perplexidade. "Algum tirou voc de l?"
\"Sim. Jacob me salvou".
Eu observei curiosamente enquanto uma enigmtica extenso de emoes passava pelo rosto dela. Alguma coisa estava incomodando ela - a sua viso imperfeita?
Mas eu no tinha certeza. Ento ela deliberadamente se inclinou e cheirou meu ombro.
Eu congelei.
"No seja ridcula", ela murmurou, me cheirando um pouco mais.
"O que voc t fazendo?"
Ela ignorou minha pergunta. "Quem era que estava l fora com voc agora mesmo? Pareceu que vocs estavam discutindo".
"Jacob Black. Ele ... meio que meu melhor amigo, eu acho. Pelo menos, ele era..." Eu pensei no rosto enraivecido, trado de Jacob, e me perguntei o que ele era
pra mim agora.
_Alice balanou a cabea, parecendo preocupada.
"O que foi?"
"Eu no sei", ela disse. "Eu no sei o que isso significa".
"Bem, pelo menos, eu no estou morta".
Ela rolou os olhos. "Ele foi um tonto de achar que voc poderia sobreviver sozinha. Eu nunca v algum to propenso  idiotices que ameaam a vida".
"Eu sobreviv", eu apontei.
Ela estava pensando em outra coisa.
"Ento, se as correntes eram demais pra voc, como  que esse Jacob conseguiu?"
"Jacob ... forte".
Ela ouviu a relutncia na minha voz, e as sobrancelhas dela se levantaram.
Eu mordisquei o meu lbio por um segundo. Isso era um segredo, ou no? E se fosse, com quem era aminha maior aliana? Jacob ou Alice?
Era difcil demais guardar segredos, eu decid. Jacob sabia de tudo, porque Alice tambm no?
"Veja, bem, ele ... meio que um lobisomem", eu adimit com pressa.
"Os Quileutes se transformam em lobisomens quando tm vampiros por perto. Eles conhecem Carlisle desde muito tempo atrs. Voc j estava com Carlisle naquela poca?"
Alice olhou pra mim por um momento, e depois se recuperou, piscando rapidamente. "Bem, eu acho que isso explica o cheiro", ela murmurou.
"Mas ser que isso explica o que eu no v?", ela fez uma careta, a sua testa de porcelana se enrrugando.
"O cheiro?", eu repet.
"O seu cheiro  horrvel", ela disse ausentemente, ainda fazendo careta. "Um lobisomem? Voc tem certeza disso?"
"Muita certeza", eu promet, estremecendo enquanto me lembrava de Paul e Jacob brigando na estrada. "Eu acho que voc no estava com Carlisle da outra vez que apareceram
lobisomens aqui em Forks?"
"No. Eu ainda no havia encontrado ele". Alice ainda estava perdida em pensamentos. De repente, seus olhos se arregalaram, e ela se virou pra mim com uma expresso
chocada. "O seu melhor amigo  um lobisomem".
Eu balancei a cabea timidamente.
"A quanto tempo isso est acontecendo?"
"No muito tempo", eu disse, minha voz ainda soando defensiva. "Ele s se tornou um lobisomem a algumas semanas".
Ela me encarou. "Um lobisomem jovem?? Pior ainda! Edward estava certo - voc  um im de perigo. No era pra voc se manter longe de problemas?"
"No h nada errado com lobisomens", eu rosnei, picada pelo tom crtico dela.
"At eles perderem a cabea", ela balanou a cabea asperamente de um lado para o outro.
"S voc mesmo, Bella. Qualquer outra pessoa ficaria tranquila quando os vampiros deixassem a cidade. Mas voc tinha que comear a se meter com os primeiros monstros
que encontrasse".
Eu no queria discutir com Alice - eu ainda estava tremendo de felicidade por ela estar realmente, verdadeiramente aqui, por poder tocar sua pele de mrmore e ouvir
sua voz - mas ela havia entendido tudo errado.
"No, Alice. Os vampiros no deixaram a cidade de verdade - pelo menos, no todos. Esse  o problema todo. Se no fossem pelos lobisomens, Victria j teriam me
pegado a essa hora. Bom, eu acho que, se no fosse por Jake e seus amigos Laurent j teriam me pegado antes dela, ento..."
"Victria?", ela chiou. "Laurent?"
Eu balancei a cabea, um pouco alarmada pela expresso nos olhos pretos dela. Eu apontei pro meu peito. "Im de perigo, lembra?"
Ela balanou a cabea de novo. "Me conte tudo - comece no incio".
Eu contei tudo desde o incio, pulando a parte das motos e das vozes, mas contando todo o resto pra ela at a desventura de hoje.
Alice no gostou da minha explicao sobre estar enfadada e pular de penhascos, ento eu me apressei pra contar sobre a estranha chama que eu havia visto na gua
e o que eu achava que isso significava. Os olhos dela se apertaram at ficarem como linhas nessa parte. Era estranho ver ela parecer to... perigosa - como uma vampira.
Eu engol seco e contei o resto da histria sobre Harry.
Ela ouviu a minha histria sem interromper. Ocasionalmente ela balanava a cabea, e as rugas na testa dela ficavam to profundas que pareciam permanentes na sua
pele de mrmore. Ela no falou, e finalmente, eu fiquei quieta, atingida de novo pelo pesar emprestado da morte de Harry. Eu pensei em Charlie; ele devia estar voltando
pra casa logo. Em que condies ele estaria?
"A nossa partida no fez bem nenhum, no foi?" Alice murmurou.
Eu r uma vez - era um som levemente histrico. "No entanto, no havia necessitade, no ? Na  como se vocs tivessem ido embora pra me beneficiar".
Alice olhou zangada para o cho por um momento. "Bem... eu acho que ag impulssivamente hoje. Eu provavelmente no devia ter me intrometido".
Eu podia sentir o sangue sendo drenado do meu rosto. Meu estmago foi derrubado. "Alice, no v", eu cochichei. Meus dedos prenderam o colarinho da blusa dela e
eu comecei a hiperventilar. "Por favor no me deixe".
Os olhos dela se abriram mais ainda. "Tudo bem", ela disse, anunciando cada palavra com uma lenta preciso. "Eu no vou a lugar algum essa noite. Respire fundo".
Eu tentei obedecer, apesar de no saber exatamente como localizar os meus pulmes.
Ela observou meu rosto enquanto eu me concentrava em respirar. Ela esperou at que eu estivesse mais calma pra comentar.
"Voc est horrvel, Bella".
"Eu quase me afoguei hoje", eu lembrei ela.
" mais profundo que isso. Voc est uma baguna".
Eu vacilei. "Olha, eu estou fazendo o que posso".
"O que voc quer dizer?"
"Isso no foi muito fcil. Eu estou trabalhando nisso".
Alice fez uma carranca. "Eu disse pra ele", ela disse pra s mesma.
"Alice", eu suspirei. "O que voc achou que fosse encontrar? Quer dizer, alm de mim morta? Voc esperava me encontrar dando piruetas e assobiando melodias? Voc
me conhece melhor do que isso".
"Eu conheo. Mas eu tinha esperanas".
"Ento eu acho que eu no sou a nica no mercado dos idiotas".
O telefone tocou.
"Deve ser Charlie", eu disse, ficando de p. Eu agarrei a mo de pedra de Alice e arrastei ela at a cozinha comigo. Eu no ia deixar ela sair da minha vista.
"Charlie?", eu atend o telefone.
"No, sou eu", Jacob disse.
"Jake!"
Alice estudou a minha expresso.
"S tendo certeza de que voc ainda est viva", Jacob disse cidamente.
"Eu estou bem. Eu te disse que no era -"
". Entend. Tchau"
Jacob desligou na minha cara.
Eu suspirei e deixei minha cabea cair pra trs, olhando para o teto. "Isso vai ser um problema".
Alice apertou minha mo. "Eles no esto felizes por eu estar aqui".
"No exatamente. Mas no  da conta deles, afinal".
Alice colocou o brao ao meu redor. "Ento o que faremos agora?", ela meditou. Ela pareceu falar consigo mesma por um momento. "Coisas a fazer. Ajeitar as coisas".
"Que coisas a fazer?"
O rosto dela estava cuidadoso de repente. "Eu no tenho certeza... eu preciso ver Carlisle".
Ela iria embora to rpido? Meus estmago revirou.
"Voc poderia ficar?", eu implorei. "Por favor? S por um pouco de tempo. Eu sent tanto a sua falta". Minha voz se quebrou.
"Se voc acha que  uma boa idia", os olhos dela no estavam felizes.
"Eu acho. Voc podia ficar aqui - Charlie ia adorar".
"Eu tenho uma casa, Bella"
Eu balancei a cabea, desapontada mas resignada. Ela hesitou, me estudando.
"Bem, eu preciso pegar uma mala de roupas, pelo menos".
Eu joguei meus braos ao redor dela. "Alice, voc  a melhor!"
"E eu acho que preciso caar. Imediatamente." ela acrescentou numa voz tensa.
"Oops". Eu dei um passo pra trs.
"Ser que voc pode ficar fora de problemas por uma hora?" ela perguntou cticamente. Ento, antes que eu pudesse responder, ela levantou um dedo e fechou os olhos.
O rosto dela ficou suave e vazio por alguns instantes.
E ento ela abriu os olhos e respondeu a sua prpria pergunta. "Sim, voc vai ficar bem. Essa noite, pelo menos", ela fez uma careta. Mesmo fazendo caras, ela parecia
um anjo.
"Voc vai voltar?" eu perguntei com uma voz pequena.
"Eu prometo - uma hora".
Eu olhei para o relgio em cima da mesa da cozinha. Ela sorriu e se inclinou rapidamente pra me dar um beijo na bochecha. Ento ela foi embora.
Eu respirei fundo. Alice ia voltar. De repente eu me sent muito melhor. Eu tambm tinha muitas coisas pra fazer pra me manter ocupada enquanto esperava.
Um banho era definitivamente a primeira coisa na agenda.
Eu cheirei meus ombros enquanto tirava a roupa, mas eu no consegu sentir o cheiro de nada alm da salmoura e das algas do oceano. Eu me perguntei o que Alice quis
dizer quando disse que eu estava cheirando mal.
Quando eu estava limpa, eu voltei para a cozinha.
Eu no vai nenhum sinal de que Charlie havia comido recentemente, e ele provavelmente estaria com fome quando voltasse. Eu sussurrava pra mim mesma enquanto me movia
pela cozinha.
Enquanto a caarola de quinta girava no microondas, eu forrei o sof com lenis e coloquei um travesseiro velho. Alice no precisaria dele, mas Charlie precisaria
v-lo. Eu fui cuidadosa pra no olhar para o relgio. No havia motivo pra comear a entrar em pnico; Alice havia prometido.
Eu me apressei pra terminar meu jantar, sem sentir o gosto dele - s sentindo a dor enquanto ele escorregava pela minha garganta arranhada.
Eu estava com mais sede; eu devo ter bebido meio galo de gua at a hora que eu terminei. Todo o sal no meu sistema havia me deixado desidratada.
Eu fui tentar assistir TV enquanto esperava.
Alice j estava l, sentada na cama improvisada. Os olhos dela eram lquidos como whisky. Ela sorriu e deu um tapinha no travesseiro.
"Obrigada".
"Voc chegou cedo", eu disse, estimulada.
Eu me sentei ao lado dela e inclinei minha cabea no seu ombro. Ela colocou seus braos frios ao meu redor e suspirou.
"Bella. O que ns vamos fazer com voc?"
"Eu no sei", eu admit. "Eu realmente estive tentando como pude".
"Eu acredito em voc"
Eu fiquei em silncio.
"Ele - ele...", eu respirei fundo. Era mais difcil dizer o nome dele em voz alto, mesmo sendo capaz de pensar nele agora. "Edward sabe que voc est aqui?", eu
no consegu deixar de perguntar.
Era a minha dor, afinal de contas. Eu ia lidar com ela depois que Alice fosse embora, eu promet a mim mesma, e me sent mal com o pensamento.
"No".
S havia uma forma disso ser verdade. "Ele no est com Carlisle e Esme?"
"Ele entra em contato de ms em ms".
"Oh", ele ainda deve estar aproveitando as distraes dele. Eu foquei minha curiosidade num tpico mais seguro. "Voc disse que voou pra c... De onde voc veio?"
"Eu estava em Denali. Visitando a famlia de Tnia".
"Jasper est aqui? Ele veio com voc?"
Ela balanou a cabea.
"Ele no aprovou minha interrupo. Ns prometemos..." Ela parou, e ento o tom dela mudou. "E voc acha que Charlie no vai se incomodar por eu estar aqui?", ela
perguntou, parecendo preocupada.
"Charlie acha voc maravilhosa, Alice".
Certo o suficiente, alguns segundos depois eu ouv a viatura estacionando na garagem. Eu me levantei num pulo e corr para a porta.
Charlie se arrastava lentamente pela calada, os olhos dele estavam no cho e os ombros dele estavam cados. Eu caminhei para a frente pra encontr-lo; ele no havia
me visto at que eu o abracei pela cintura. Ele me abraou de volta impetuosamente.
"Eu lamento por Harry, pai"
"Eu vou sentir muita falta dele", Charlie murmurou.
"Como est Sue?"
"Ela parece confusa, como se ela ainda no tivesse se dado conta. Sam est ficando com ela..." o volume da voz dele estava desaparecendo e reaparecendo. "Pobres
daquelas crianas. Leah s  um ano mais velha que voc, e Seth s tem catorze..." Ele balanou a cabea.
Ele continuou com o brao apertado ao meu redor enquanto voltamos a andar para a porta
"Umm, pai?" eu achei que seria melhor avis-lo. "Voc nunca vai adivinhar quem est aqui".
Ele olhou pra mim com o rosto vazio. A cabea dele virou, e ele espiou a Mercedes do outro lado da rua, a luz da varanda refletida na brilhante pintura preta.
Antes que ele pudesse reagir, Alice estava na porta.
"Oi, Charlie", ela disse numa voz subjulgada. "Eu lamento por ter vindo numa hora to ruim".
"Alice Cullen?", ele olhou para a pequena figura na frente dele como se duvidasse do que os seus olhos estavam dizendo. "Alice,  voc?"
"Sou eu", ela confirmou. "Eu estava na vizinhana".
"Carlisle est...?"
"No, eu estou sozinha".
Tanto eu quanto Alice sabamos que ele no estava querendo saber de Carlisle. O brao dele se apertou no meu ombro.
"Ela pode ficar aqui, no pode?", eu implorei. "Eu j pedi pra ela".
"Mas  claro", Charlie disse mecanicamente. "Ns adoraramos receb-la, Alice"
"Obrigada, Charlie. Eu sei que  uma hora horrvel".
"No, est tudo bem, mesmo. Eu vou estar muito ocupado fazendo o que puder pela famlia de Harry; vai ser bom pra Bella ter um pouco de companhia".
"Tem jantar na mesa, pai", eu disse pra ele.
"Obrigado, Bells". Ele me apertou mais uma vez antes de se arrastar para a cozinha.
Alice voltou para o sof, e eu segu ela. Dessa vez, foi ela que me colocou no seu ombro.
"Voc parece cansada".
"", eu concordei e levantei os ombros. "Experincias de quase morte fazem isso comigo... Ento, o que Carlisle acha de voc ter vindo pra c?"
"Ele no sabe. Ele e Esme estavam numa viagem de caa. Eu terei notcia dele dentro de alguns dias, quando ele voltar".
"Mas voc no vai contar pra ele... quando ele aparecer de novo?", eu perguntei. Ela sabia que eu no falava de Carlisle agora.
"No. Ela ia arrancar minha cabea fora", ela disse severamente.
Eu r uma vez, e depois suspirei.
Eu no queria dormir. Eu queria ficar acordada a noite toda conversando com Alice. E pra mim no fazia sentido estar cansada, tendo cochilado no sof de Jacob o
dia inteiro. Mas me afogar realmente tinha exigido muito de mim, e meus olhos no conseguiam ficar abertos. Eu descansei minha cabea no seu ombro de pedra, e me
deixei levar por um esquecimento que eu nunca havia esperado.
Eu acordei cedo, de um sono profundo e sem sonhos, me sentindo bem descansada, mas rgida.
Eu estava no sof, enfiada embaixo dos lenis que havia colocado pra Alice, e eu podia ouvir ela e Charlie conversando na cozinha. Parecia que Charlie estava cozinhando
o caf da manh pra ela.
"Foi muito ruim, Charlie?" Alice perguntou suavemente, e no incio eu pensei que eles estivessem falando sobre os Clearwater.
Charlie suspirou. "Muito ruim".
"Me fale sobre isso. Eu quero saber exatamente o que aconteceu depois que ns fomos embora".
Houve uma pausa enquanto uma porta do armrio era aberta e fechada e enquanto um boto do fogo era desligado. Eu esperei, temerosa.
"Eu nunca me sent mais intil", Charlie comeou lentamente.
"Eu no sabia o que fazer. Naquela primeira semana - eu pensei que teria que hospitalizar ela. Ela no comia e no bebia nada, ela no se movia. Dr. Gerandy estava
soltando palavras como 'catatnico', mas eu no deixei que ele visse ela. Eu estava com medo que isso assustasse ela".
"Mas ela superou isso?"
"Eu ped pra Rene vir peg-la pra lev-la para a Flrida. Eu s no queria ter que... se ela tivesse que ir para um hospital ou coisa assim. Eu esperava que estar
com a me fosse ajud-la. Mas quando comeamos a fazer as malas dela, ela se acordou com uma vingana. Eu nunca v a Bella pirar daquele jeito. Bella nunca teve
acessos de raiva, mas, rapaz, ela estava furiosa. Ela jogou as roupas dela pra todo lugar e gritava que ns no podamos for-la a ir embora - e depois ela finalmente
comeou a chorar. Eu pensei que esse fosse o fim de tudo. Eu no discut quando ela insistiu em ficar aqui... e no incio ela no parecia estar melhorando..."
Charlie parou. Era difcil estar escutando isso, sabendo quanta dor eu havia causado pra ele.
"Mas?", Alice incitou.
"Ela voltou pra escola e pro trabalho, ela comia e dormia e fazia o dever de casa. Ela respondia quando algum a fazia uma pergunta direta. Mas ela estava... vazia.
Os olhos dela estavam apagados. Havia um monte de coisas pequenas - ela no ouvia mais msica. Ela no lia; ela no estaria na sala se a TV estivesse ligada, no
que ela j assistisse muito antes. Eu finalmente entend - ela estava evitando tudu que a fizesse se lembrar... dele.
"Ns mal podamos conversar; eu estava sempre to preocupado em dizer alguma coisa que aborrecesse ela - as menores coisas faziam ela vacilar - e ela nunca era voluntria
pra nada. Ela s respondia uma coisa se eu perguntasse.
"Ela estava sozinha o tempo inteiro. Ela no retornava as ligaes dos amigos, depois de um tempo, eles pararam de ligar.
"Era sempre a noite dos mortos vivos por aqui. Eu ainda ouo ela gritando no sono..."
Eu quase podia ver ele tremendo.
Eu estremec, tambm, me lembrando. E ento eu suspirei. Eu no havia conseguido engan-lo, nem por um segundo.
"Eu lamento, Charlie", Alice disse, a voz mal humorada.
"No  sua culpa", o jeito que ele disse isso deixou bem claro que ele responsabilizava outra pessoa. "Voc sempre foi uma boa amiga pra ela".
"No entanto, ela parece melhor agora".
". Desde que ela comeou a andar com Jacob Black, eu tenho reparado uma grande melhora. Ela est com cor nas bochechas quando volta pra casa, um pouco de luz nos
olhos. Ela est mais feliz". Ele parou e a voz dele estava diferente quando ele voltou a falar.
"Ele  um ano mais novo que ela mais ou menos, masi eu acho que tem mais alguma coisa acontecendo, ou pelo menos est nesse caminho". Charlie disse isso num tom
que era quase agressivo. Era um aviso, no pra Alice, mas pra que ela passasse. "Jake  velho para a idade dele", ele continuou, ainda parecendo defensivo. "Ele
tem tomado conta do pai fisicamente do mesmo jeito que Bella cuida da me emocionalmente. Isso amadureceu ele. Ele  um garoto bonito tambm - puxou ao lado da me.
Ele  bom pra Bella, sabe". Charlie insistiu.
"Ento  bom que ela tenha ele", Alice concordou.
Charlie suspirou uma quantidade de ar, mudando rapido demais a sua opinio sobre o assumto. "Ok, talvez eu esteja apressando as coisas. Eu no sei... mesmo com Jacob,
de vez em quando, eu vejo alguma coisa nos olhos dela, e eu me pergunto se por acaso eu tem noo da verdadeira dor pela ela est passando. No  normal, Alice,
e isso... isso me assusta. No  nem um pouco normal. No  como se algum tivesse... deixado ela, mas como se algum tivesse morrido". A voz dele falhou.
Isso era como se algum tivesse morrido- como se eu tivesse morrido. Porque isso foi mais do que apenas perder o mais verdadeiro dos amores, como se isso no fosse
suficiente pra matar algum. Mas tambm isso era perder um futuro inteiro, uma famlia inteira - toda a vida que eu havia escolhido.
Charlie continuou no seu tom desesperanado. "Eu no sei se ela um dia vai superar isso - eu no sei se faz parte da natureza dela se curar de uma coisa assim. Ela
sempre foi uma coisinha to constante.
Ela no esquece as coisas, muda de idia".
"Ela  uma em um milho", Alice concordou com a voz seca.
"E Alice..." Charlie hesitou. "Agora, voc sabe a afeio que eu sinto por voc, e eu posso dizer que ela est feliz em te ver, mas... eu estou um pouco preocupado
com o que a sua visita vai fazer com ela".
"Eu tambm, Charlie, eu tambm. Eu no teria vindo se eu tivesse idia. Me desculpe".
"No se desculpe, querida. Quem sabe? Talvez seja bom pra ela".
"Eu espero que voc esteja certo".
Houve uma longa pausa enquanto garfos arranhavam os pratos e Charlie mastigava. Eu me perguntei onde Alice estava escondendo a comida.
"Alice, eu preciso te perguntar uma coisa", Charlie disse estranhamente.
Alice estava calma. "V em frente".
"Ele no vai voltar pra visitar tambm, vai?", eu podia ouvir a raiva suprimida na voz de Charlie.
Alice falou num tom macio, tranquilizador. "Ele nem sabe que eu estou aqui. Da ltima vez que eu falei com ele, ele estava na Amrica do Sul".
Eu enrigec quando ouv essa nova informao, e escutei com mais vontade.
"Pelo menos, isso  alguma coisa", Charlie bufou. "Bem , eu espero que ele esteja se divertindo".
Pela primeira vez, a voz de Alice parecia estar um pouco dura. "Eu no tiraria concluses precipitadas, Charlie". Eu sabia como os olhos dela brilhavam quando ela
usava esse tom.
Uma cadeira se afastou da mesa, se arrastando com muito barulho no cho da cozinha. Eu imaginei Charlie se levantando; no havia a menor possibilidade de Alice fazer
esse barulho todo.
A torneira correu, fazendo um splash no prato.
No parecia que eles iam dizer mais alguma coisa sobre Edward, ento eu decid que era hora de levantar.
Eu me virei, saltando sobre a mola pra faz-la ranger. Depois eu bocejei alto.
Estava tudo quieto na cozinha.
Eu me estiquei e gem.
"Alice?", eu perguntei inocentemente; a inflamao na minha garganta ajudou muito na brincadeira.
"Eu estou na cozinha, Bella", Alice chamou, no havia nenhuma pontada da voz dela que suspeitasse que eu estive escutando escondida. Mas ela era boa em esconder
coisas como essa.
Charlie teve que sair nessa hora - ele estava ajudando Sue Clearwater com os arranjos para o funeral. Teria sido um longo dia sem Alice. Ela nunca falou sobre ir
embora, e eu no perguntei. Eu sabia que isso era inevitvel, mas eu tirei isso da cabea.
Ao invs disso, ns falamos sobre a sua famlia - todos menos um.
Carlisle estava trabalhando s noites em Ithaca e ensinando parte do tempo em Cornell. Esme estava restaurando uma casa do sculo dezessete, um monumento histrico,
na floresta  norte da cidade.
Emmett e Rosalie foram para a Europa por alguns meses para mais uma lua de mel, mas agora eles j estavam de volta. Jasper estava em Cornell tambm, estudando filosofia
dessa vez. E Alice esteve fazendo algumas pesquisas pessoais, envolvendo informaes que eu acidentalmente havia revelado pra ela na primavera passada. Ela teve
sucesso em encontrar o asilo onde ela passou os ltimos anos da sua vida humana. A vida da qual ela no tinha nenhuma memria.
"Meu nome era Mary Alice Brandon", ela me disse baixinho. "Eu tinha uma irm mais nova chamada Cynthia. A filha dela - minha sobrinha - ainda vive em Biloxi".
"Voc descobriu porque te colocaram... naquele lugar?" O que havia levado seus pais a esse extremo? Mesmo se a filha deles tinha vises do futuro...
Ela s balanou a cabea, seus olhos cor de topzio pensativos. "Eu no conbsegui descobrir muito sobre eles. Eu l todos os jornais antigos no estoque. Minha famlia
no era mencionada com muita frequncia; eles no faziam parte do crculo de notcias que faziam os jornais. O noivado dos meus pais estava l, e o de Cynthia".
O nome saiu da boca dela sem muita certeza.
"Meu nascimento foi anunciado... e a minha morte. Eu encontrei meu tmulo. Eu tambm vasculhei as fichas de admisso dos velhos arquivos do asilo. A data de admisso
e a data na minha lpide so a mesma".
E no sabia o que dizer, e, depois de uma pequena pausa, Alice mudou para tpicos mais leves.
Os Cullen estavam reagrupados agora, com apenas uma excesso, e ele esto aproveitando as frias de Cornell em Denali com Tnia e a famlia dela. Eu escutei muito
ansiosamente at as notcias mais triviais. Ela nunca mencionou o nico no qual eu estava mais interessada, e eu fiquei agradecida por isso. J era suficiente ouvir
as histrias da famlia da qual um dia eu havia sonhado em fazer parte.
Charlie no voltou at depois que j estava escuro, e ele parecia estar mais cansado do que estava na noite passada. Ele ia para a reserva na primeira hora da manh
para o funeral de Harry, ento ele havia voltado mais cedo. Eu fiquei no sof com Alice de novo.
Charlie era quase um estranho quando desceu as escadas quando o sol apareceu, vestindo um terno velho que eu nunca havia visto ele usando antes. O terno estava aberto;
eu acho que estava apertado demais pra fechar os botes. A gravata dele era um pouco larga demais para o estilo atual. Ele foi na porta dos ps at a porta, tentando
no acordar a gente. Eu deixei ele ir, fingindo que estava dormindo, assim como Alice fazia na cadeira reclinvel.
Assim que ele havia sado pela porta, Alice se sentou. Por baixo da colcha, ela estava completamente vestida.
"Ento, o que vamos fazer hoje?", ela perguntou.
"Eu no sei - voc v alguma coisa interessante acontecendo?"
Ela sorriu e balanou a cabea. "Mas ainda  cedo".
Todo o tempo que eu estive passando em La Push signigficou que eu estava neglegnciando algumas coisas dentro de casa, e eu decid recuperar o tempo perdido.
Eu queria fazer alguma coisa, qualquer coisa que tornasse a vida mais fcil pra Charlie - talvez ele se sentisse melhor voltando para uma casa limpa, organizada.
Eu comecei pelo banheiro - ele era o que mostrava mais sinais de abandono.
Enquanto eu trabalhava, Alice se encostou no batente da porta e fez perguntas de cortesia sobre os meus, bem, nossos amigos da escola e o que eles andavam fazendo
desde que ela foi embora. O rosto dela continuou casual e sem emoo, mas eu sentia a desaprovao dela quando ela viu o quanto eu tinha pouco a dizer. Ou talvez
eu s estivesse com a consciencia pesada depois de ter bisbilhotado a conversa dela com Charlie ontem de manh.
Eu literalmente estava de cotovelos no cho, esfregando o cho da banheira, quando a campainha da porta tocou.
Eu olhei pra Alice imediatamente, e a expresso dela estava perplexa, quase preocupada, o que era estranho; Alice nunca era pega de surpresa.
"Espere!" eu gritei na direo geral da porta da frente, me lavantando e me apressando para a pia pra limpar meus braos.
"Bella", Alice disse com um trao de frustrao na voz. "Eu tenho uma boa ideia de quem pode ser, e eu acho que  melhor eu dar uma saidinha"
"Idia?", eu ecoei. Desde quando Alice precisava ter uma idia sobre alguma coisa?
"Se isso for um replay do meu notrio lapso de viso de ontem, ento  bem possvel que seja Jacob Black ou um dos seus... amigos".
Eu encarei ela, juntando as peas. "Voc no consegue ver lobisomens?"
Ela fez uma careta. "Assim parece". Ela estava obviamente aborrecida por esse fato - muito aborrecida.
A campainha tocou de novo - soando duas vezes rapidamente e impacientemente.
"Voc no tem que ir a lugar nenhum, Alice. Voc estava aqui primeiro".
Ela sorriu o seu pequeno sorriso prateado - ele possuia uma pontada obscura. "Confie em mim - no seria uma boa idia ter amim e Jacob Black juntos na mesma sala".
Ela beijou rapidamente a minha bochecha antes de desaparecer pela porta de Charlie - e pela sua janela sem dvida.
A campainha tocou de novo.

18. O Funeral
Eu voei pelas escadas abaixo e abri a porta.
Era Jacob,  claro. Mesmo cega, Alice no era lenta.
Ele estava parado  uns dois metros da porta, o nariz contorcido de desgosto, mas de outras formas o seu rosto estava suave - uma mscara. Ele no me inganou; eu
podia ver as mos dele tremendo fracamente.
A hostilidade rolava nele como ondas. Ela parecia trazer de volta aquela horrivel tarde quando ele havia preferido Sam a mim, e eu senti o meu queixo se erguer defensivamente
em resposta.
O Rabbit de Jacob estava parado perto da esquina com Jared atrs de uma das rodas e Embry no banco do passageiro. Eu entend o que isso queria dizer: eles estavam
com medo de deixar ele vir sozinho. Isso me deixou triste, e um pouco aborrecida. Os Cullen no eram daquele jeito.
"Oi", eu finalmente disse quando ele no falou.
Jake torceu os lbios, ainda permanecendo longe da porta. Os olhos dele estavam revistando a frente da casa.
Eu tranquei os dentes. "Ela no est aqui. Voc precisa de alguma coisa?"
Ele hesitou. "Voc est sozinha?"
"Sim", eu suspirei.
"Eu posso falar com voc por um minuto?"
" claro que voc pode, Jacob. Entre".
Jacob olhou por cima do ombro para os seus amigos no carro. Eu v Embry balanar a cabea s um pouquinho. Por alguma razo, isso me incomodou imensamente.
Meus dentes se apertaram de novo. "Covarde", eu murmurei por baixo do meu flego.
Os olhos de Jake voltaram pra mim, as suas sobrancelhas grossa, pretas se juntando num ngulo furioso em cima dos seus olhos fundos.
A mandbula dele se apertou e ele marchou - no h putro jeito de descrever o jeito que ele se moveu - pela calada e levantou os ombros pra passar por mim e entrar
na casa.
Eu prendi o olhar primeiro com Jared e depois com Embry - eu no gostava do jeito como eles me olhavam; ser que eles realmente achavam que eu ia deixar alguma coisa
machucar Jacob? - antes de fechar a porta pra eles.
Jacob estava na sala atrs de mim, olhando para a bagna de lenis na sala de estar.
"Festa do pijama?", ele perguntou, seu tom sarcstico.
"", eu respondi no mesmo tom de voz cido. Eu no gostava quando Jacob agia dessa forma. "O que voc tem com isso?"
Ele torceu o nariz de novo e cheirou alguma coisa desagradvel. "Onde est a sua 'amiga'?", eu podia ouvir o tom o tom de citao na voz dele.
"Ela foi dar uma corrida sem rumo. Olha, Jacob, o que voc quer?"
Alguma coisa na sala pareceu deixar ele mais nervoso - seus longos braos estavam tremendo. Ele no respondeu a minha pergunta. Ao invs disso ele foi at a cozinha,
seus olhos se mexiam por todo lugar sem descanso.
Eu segui ele. Ele andou pra cima e pra baixo pelo pequeno balco.
"Ei", eu disse me colocando no caminho dele. Ele parou de caminhar e olhou pra mim. "Qual  o seu problema?"
"Eu no gosto de ter que estar aqui".
Essa doeu. Eu estremec e os olhos dele se apertaram.
"Ento eu lamento que voc tivesse que vir", eu murmurei. "Porque voc no me diz o que voc precisa pra que a voc possa ir embora?"
"Eu s tenho que te perguntar algumas coisas. No vai demorar muito.
Ns temos que voltar para o funeral".
"Ok. Ento acabe logo com isso", eu provavelmente estava exagerando no antagonismo, mas eu no queria que ele visse o quanto isso estava doendo. Eu sabia que no
estava sendo justa. Afinal, eu havia escolhido a sugadora de sangue a ele na noite passada.
Eu havia machucado ele primeiro.
Ele respirou fundo, e de repente seus dedos tremendo estavam parados. O rosto dele se suavisou e se transformou numa mscara de serenidade.
"Um dos Cullen est ficando aqui com voc", ele declarou.
"Sim. Alice Cullen".
Ele balanou a cabea pensativo. "Por quanto tempo ela vai ficar?"
"At quando ela quiser ficar". A beligerncia ainda estava no meu tom. " um convite em aberto".
"Ser que voc acha que podia... por favor... explicar pra ela sobre aquela outra - Victria?"
Eu fiquei plida. "Eu contei pra ela".
Ele balanou a cabea. "Voc j deve saber que ns s podemos vigiar as nossas terras com um Cullen aqui. Voc s vai estar a salvo em La Push. Eu no posso mais
te proteger aqui".
"Ok", eu disse com uma voz pequena.
Nessa hora ele desviou o olhar, pra fora pelas janelas. Ele no continuou.
"Isso  tudo?"
Ele continuou com os olhos no vidro enquanto respondeu. "S mais uma coisa".
Eu esperei, mas ele no continuou. "Sim", eu finalmente incitei.
"O resto deles tambm vai voltar agora?", ele perguntou numa voz gelada, quieta. Isso me lembrou do jeito calmo de Sam. Jacob estava ficando mais parecido com Sam...
eu me perguntei porque isso me incomodava tanto.
Agora eu no falei. Ele olhou de volta pro meu rosto com olhos provadores.
"Bem?", ele perguntou. Ele lutou pra conciliar a tenso atrs da sua expresso serena.
"No", eu disse finalmente. Mal humorada. "Eles no vo voltar".
A expresso dele no mudou. "Tudo bem. Isso  tudo".
Eu olhei pra ele, minha irritao cintilando. "Bem, pode correr agora. Pode ir dizer pra Sam que os monstros assustadores no vo vir pegar vocs".
"Tudo bem", ele repetiu, ainda calmo.
Isso parecia ser tudo. Jacob caminhou rapidamente saindo da cozinha.
Eu esperei pra ouvir a porta da frente, mas eu no ouv nada. Eu podia ouvir o tique taque do relgio na parede, e fiquei mais uma vez impressionada de ver o quanto
ele havia ficado silincioso.
Que disastre. Como  que eu posso ter alienado ele to completamente num espao to curto de tempo?
Ser que ele ia me perdoar quando Alice fosse embora? E se ele no perdoasse?
Eu me joguei no balco e coloquei o rosto nas mos. Como  que eu tinha bagunado tudo desse jeito? Mas o que eu podia ter feito diferente? Mesmo olhando para a
situao, eu no vejo uma saida melhor, em nenhum dos caminhos da situao.
"Bella...?", Jacob perguntou com uma voz perturbada.
Eu tirei o meu rosto das mos pra ver Jacob hesitante na porta da cozinha; ele no havia ido embora como eu pensei.
Foi s quando eu v as gotas claras pingando nas minhas mos que eu v que eu perceb que estava chorando.
A expresso calma de Jacob havia desaparecido; o rosto dele estava ansioso e incerto. Ele caminhou silenciosamente de volta e ficou na minha frente, abaixando a
cabea pra que seus olhos ficassem na mesma altura dos meus.
"Eu fiz de novo, no fiz?"
"Fez o que?", eu perguntei, minha voz falhando.
"Quebrei minha promessa. Desculpe".
"Tudo bem", eu murmurei. "Fui eu quem comeou dessa vez".
O rosto dele se torceu. "Eu sabia como voc se sentia em relao a eles. Isso no devia ter me pego de surpresa desse jeito".
Eu podia ver a repulsa nos olhos dele. Eu queria explicar como Alice realmente era, pra defender ela do julgamento que ele fazia, mas alguma coisa me avisou que
essa no era a hora.
Ento eu s disse "Desculpa", de novo.
"No vamos nos preocupar com isso, t bom? Ela s est visitando, certo? Ela vai embora, e as coisas vo voltar ao normal."
"Ser que eu no posso ser amiga dos dois ao mesmo tempo?", eu perguntei, minha voz no escondia a dor que eu sentia.
Ele balanou a cabea lentamente. "No, eu no acho que pode".
Ele respirei e olhei para os ps grandes dele. "Mas voc vai esperar, certo? Voc ainda vai ser meu amigo, mesmo que eu ame Alice tambm?"
Eu no olhei pra cima, com medo de ver o que ele pensaria sobre essa ltima parte. Ele levou um minuto pra responder, ento eu provavelmente estava certa por no
olhar.
", eu sempre vou ser seu amigo", ele disse mal humorado. "No importa o que voc ame".
"Promete?"
"Prometo".
Eu senti os braos dele ao meu redor, e eu me inclinei para o peito dele, ainda inalando. "Isso  uma droga".
"", ento ele cheirou o meu cabelo e disse, "Eca".
"O que?" eu quis saber. Eu olhei pra cima pra ver que o nariz dele estava torcido de novo. "Porque que todo mundo fica fazendo isso? Eu no cheiro mal!"
Ele sorriu um pouquinho. "Cheira sim - voc cheira como eles. Eca. Muito doce - doentemente doce. E... gelada. Queima meu nariz".
"Mesmo?" Isso era estranho. Alice tinha um cheiro inacreditavelmente maravilhoso. Pra um humano, pelo menos. "Mas, porque Alice achou que eu estava cheirando mal
tambm?"
Isso levou o sorriso dele embora. "Huh. Talvez eu tambm no cheire muito bem pra ela. Huh".
"Bem, vocs dois cheiram bem pra mim", eu descansei a minha cabea nele de novo. Eu ia sentir terrivelmente a falta dele quando ele saisse pela porta. Eu era uma
pssima pessoa - por um lado, eu queria que Alice ficasse pra sempre. Eu ia morrer - metaforicamente - quando ela fosse embora. Mas como era que eu podia ficar sem
ver Jake por qualquer espao de tempo? Que baguna, eu pensei de novo.
"Eu vou sentir sua falta", Jacob cochichou, ecoando os meus pensamentos. "A cada minuto. Eu espero que ela v embora logo".
"Isso realmente no precisa ser desse jeito, Jake".
Ele suspirou. "Sim. Tem sim. Bella. Voc... ama ela. Ento  melhor eu no chegar nem perto dela. Eu no tenho certeza de que sou controlado o suficiente pra lidar
com isso. Sam ficaria louco se eu quebrasse o acordo, e-" a voz dele ficou sarcstica "- voc provavelmente no ia gostar muito de mim se eu matasse a sua amiga".
Eu me apartei dele quando ele disse isso, mas ele me apertou mais forte, se recusando a me deixar escapar. "No h necessidade de esconder a verdade. As coisas so
do jeito que so, Bells".
"Eu no gosto do jeito que elas so".
Jacob me soltou com um brao pra que ele pudesse usar a mo pra levantar o meu queixo pra me fazer olhar pra ele. ". Era mais fcil quando ns dois eramos humanos,
no era?"
Eu suspirei.
Ns olhamos um pra o outro por um longo momento. A mo dele queimava na minha pele. No meu rosto, eu sabia que no havia nada alm de uma tristeza saudosa - eu no
queria ter que dizer adeus agora, no importava por quo pouco tempo fosse. No incio o rosto dele refletia o meu, mas depois, quando nenhum de ns desviou o olhar,
a expresso dele mudou.
Ele me soltou, usando a outra mo pra alisar a minha bochecha com a pontas dos dedos, trilhando com eles at a minha mandbula. Eu podia sentir os dedos dele tremendo
- dessa vez no era com raiva.
Ele pressionou a palma na minha bochecha, pra que assim o meu rosto ficasse preso entre suas mos que pegavam fogo.
"Bella", ele sussurrou.
Eu estava congelada.
No! Eu ainda no havia tomado essa deciso. Eu no sabia se poderia fazer isso, e agora eu estava sem tempo pra pensar nisso. Mas eu seria uma boba se eu pensasse
que rejeit-lo no teria nenhuma consequncia.
Eu encarei ele de volta. Ele no era o meu Jacob, mas ele podia ser. O rosto dele era familiar e amado. De muitas maneiras verdadeiras, eu amava ele. Ele era meu
conforto, meu porto seguro.
Agora mesmo, eu podia escolher que ele pertenceria a mim.
Alice estava de volta por um momento, mas isso no mudava nada. O amor verdadeiro estava perdido pra sempre. O prncipe nunca mais ia voltar pra me beijar e me acordar
do meu sono encantado. Eu no era uma princesa, afinal. Ento qual era o protocolo dos contos de fadas contra outros beijos? Ele eram de uma espcie mundana que
no quebravam nenhum feitio?
Talvez isso fosse fcil - como segurar a mo dele ou sentir os braos dele ao meu redor. Talvez fosse uma sensao boa. Talvez eu no me sentisse como uma traidora.
Alm do mais, quem eu estava traindo, afinal? S eu mesma.
Mantendo os olhos dele nos meus, Jacob comeou a inclinar seu rosto na direo de meu. E eu estava absolutamente indecisa.
O toque estridente do telefone fez a gente pular, mas isso no quebrou a concentrao dele. Ele tirou a mo dele que estava em baixo do meu queixo e alcanou pra
pegar o aparelho, mas ele ainda segurava o meu rosto seguramente com uma das mos em minha bochecha. Os olhos escuros dele no libertaram os meus. Eu estava confusa
demais pra reagir, mesmo pra tomar vantagem da distrao.
"Residncia dos Swan", Jaco disse, sua voz rouca estava baixa e intensa.
Algum respondeu, e Jacob se alterou num instante. Ele se enrigeceu, e a mo dele caiu do meu rosto. Os olhos dele ficaram vazios, o rosto dele ficou branco, e eu
podia apostar qualquer coisa de que era Alice.
Eu me recuperei e estiquei minha mo pra pegar o telefone. Jacob me ignorou.
"Ele no est aqui", Jacob disse, e as palavras eram ameaadoras.
Houve uma resposta muito curta, pareceu ser um pedido de mais informao, porque ele respondeu sem vontade. "Ele est no funeral".
Ento Jacob desligou o telefone. "Sugador de sangue sujo", ele murmurou por baixo do flego. O rosto dele havia voltado para aquela mscara azeda de novo.
"Com quem foi que voc acabou de falar?", eu asfixiei, furiosa.
"Na minha casa, no meu telefone?"
"Calma! Ele desligou na minha cara!"
"Ele? Quem era?!"
Ele zombou do ttulo. "Dr. Carlisle Cullen".
"Porque voc no me deixou falar com ele?!"
"Ele no perguntou por voc", Jacob disse friamente. O rosto dele estava suave, sem expresso, mas mos dele estavam tremendo. "Ele perguntou onde Charlie estava
e eu disse. Eu no quebrei nenhuma regra de etiqueta".
"Me escute aqui, Jacob Black -"
Mas ele obviamente no estava me escutando, ele olhou rapidamente por cima do ombro, como se algum tivesse chamado o nome dele na outra sala. Os dele ficaram arregalados
e o corpo dele ficou rgido, e a ele comeou a tremer. Eu escutei tambm, automaticamente, mas eu no ouvia nada.
"Tchau, Bells", ele soltou, e se virou na direo da porta da frente.
Eu corr atrs dele. "O que foi?"
E a eu esbarrei nele, quando ele se virou nos calcanhares, xingando por baixo do flego. Ele girou de novo, me colocando de lado. Eu me prendi e ca no cho, minhas
pernas entrelaadas com as dele.
"Droga, ow!", eu protestei enquanto ele rapidamente desentrelaava as suas pernas das minhas.
Eu lutei pra me colocar de p enquanto ele se apressava para a porta da frente; de repente ele congelou de novo.
Alice ficou imvel no p das escadas.
"Bella", ela gaguejou.
Eu me atrapalhei ficando de p e corr para o lado dela. Os olhos dela estavam confusos e distantes, o rosto dela estava cansado e mais branco que osso. O pequeno
corpo dela tremia como se houve um redemoinho dentro dela.
"Alice, qual  o problema?", eu perguntei. Eu coloquei minhas mos no rosto dela, tentando acalm-la.
Os olhos dela se focaram nos meus abruptamente, arregalados de dor.
"Edward", ela sussurrou.
O meu corpo reagiu mais rpido do que a minha mente foi capaz de captar as implicaes das palavras dela.
No comeo eu no entendia porque a sala estava rodando ou de de onde o zumbido vazio dos meus ouvidos estava vindo.
Minha mente trabalhou, incapaz de tirar um sentido do rosto esbranquiado de Alice e o que Edward poderia ter a ver com isso, enquanto meu corpo j estava balanando,
procurando o alvio na inconsciencia antes mesmo que ela me encontrasse.
As escadas ficaram num ngulo estranho.
A voz furiosa de Jacob de repente estava no meu ouvido, soltando uma fileira de palavras profanas. Eu sent uma vaga desaprovao. Os novos amigos dele claramente
eram uma m influncia.
Eu estava no sof sem entender como havia chegado l, e Jacob ainda estava xingando.
Eu podia sentir que estava havendo um terremoto - o sof estava tremendo embaixo de mim.
"O que voc disse pra ela?", ele quis saber.
Alice ignorou ele. "Bella? Bella, sai dessa. Ns temos que nos apressar".
"Afaste-se", Jacob avisou.
"Acalme-se, Jacob Black", Alice ordenou. "Voc no quer fazer isso to perto dela".
"Eu no acho que vou ter nenhum problema pra encontrar meu alvo", ele respondeu, mas a voz dele parecia um pouco mais calma.
"Alice?", minha voz estava fraca. "O que aconteceu?", eu perguntei, mesmo sem querer ouvir a resposta.
"Eu no sei", ela gemeu de repente. "O que ele est pensando?!"
Eu trabalhei pra me colocar de p apesar da tontura. Eu me dei conta de que era no brao de Jacob que eu estava me agarrando pra ter apoio. Era ele quem estava tremendo,
no o sof.
Alice estava tirando um pequeno celular prateado da bolsa quando eu a relocalizei. Os dedos dela discaram os numeros to rapidamente que eram s um vulto.
"Rose, eu preciso falar com Carlisle agora", a voz dela chicoteava as palavras. "T, assim que ele estiver de volta. No, eu vou estar num avio. Olha, voc tiveram
alguma notcia de Edward?"
Alice pausou agora, escutando com uma expresso que ficava mais e mais pasma a cada segundo. A boca dela se abriu em um pequeno O de to horrorizada, e o telefone
tremia na mo dela.
"Porque?", ela asfixiou. "Porque voc faria isso, Rosalie?"
Qualquer que tenha sido a resposta, ela fez a mandbula dela trincar de raiva. Os olhos dela brilharam e se estreitaram.
"Bem, no entanto, voc est errada nas duas situaes, Rosalie, ento isso deve ser um problema, voc no acha?" ela perguntou acidamente. "Sim,  isso mesmo. Ela
est absolutamente bem - eu estava errada...  uma longa histria... Mas voc est errada nessa parte tambm, foi por isso que eu liguei... Sim, foi exatamente isso
o que eu v".
A voz de Alice estava muito dura e seus lbios estavam curvados em cima dos dentes. " um pouco tarde demais pra isso, Rose. Guarde o seu remorso pra algum que
acredite nele". Alice fechou o telefone com um rpido movimento dos dedos.
Os olhos dela estavam torturados quando ela olhou pro meu rosto.
"Alice", eu soltei rapidamente. Eu no podia deixar ela falar ainda. Eu precisava de mais alguns segundos antes que ela falasse e as palavras dela destrussem o
que havia restado da minha vida.
"Alice, mas Carlisle est de volta. Ele acabou de ligar antes de..."
Ela olhou pra mim com um olhar vazio. "A quanto tempo?" ela perguntou com uma voz confusa.
"Meio minuto antes de voc aparecer".
"O que foi que ele disse?" Ela realmente estava prestando ateno agora, esperando pela minha resposta.
"Eu no falei com ele", meus olhos voaram pra Jacob.
Alice virou o seu olhar penetrante pra ele. Ele tremeu, mas continuou sentado ao meu lado.
Ele sentou de um jeito estranho, quase como se fosse usar seu corpo como um escudo pra mim.
"Ele perguntou por Charlie, e eu disse que Charlie no estava aqui", Jacob murmurou resentido.
"Isso  tudo?", Alice quis saber, a voz dela era como gelo.
"Depois ele desligou na minha cara", Jacob mandou de volta. Um tremor desceu a espinha dele, me fazendo tremer junto.
"Voc disse pra ele que Charlie estava no funeral", eu lembrei ele.
Alice jogou a cabea dela de volta pra mim. "Quais foram as palavras exatas dele?"
"Ele disse 'Ele no est aqui' e Carlisle perguntou onde Charlie estava, Jacob disse 'No funeral'".
Alice gemeu e caiu e joelhos.
"Me conte Alice", eu sussurrei.
"Aquele no era Carlisle no telefone", ela disse desesperanosa.
"Voc est me chamando de mentiroso?" Jacob rosnou do meu lado.
Alice ignorou ele, focando em meu rosto desnorteado.
"Era Edward", as palavras eram s um soluo sussurrado. "Ele acha que voc est morta".
Minha mente comeou a trabalhar de novo. Essas no eram as palavras que eu estava esperando, e o alvio clareou minha cabea.
"Rosalie disse a ele que eu me matei, no disse?", eu perguntei, suspirando enquanto relaxava.
"Sim", Alice admitiu, seus olhos brilhavam duramente de novo.
"Em defesa dela, ela realmente pensava isso. Eles confiam demais nas minhas vises pra uma coisa que funciona to imperfeitamente. Mas pra fazer ela rastrear ele
desse jeito! Ser que ele no se dava conta... ou se importa...?" A voz dela desapareceu de horror.
"E quando Edward ligou pra c, ele pensou que Jacob estava se referindo ao meu funeral", eu me dei conta. Me machucou saber o quanto eu estive perto, a apenas alguns
centmetros da voz dele. As minhas unhas cravaram no brao de Jacob, mas ele nem se mexeu.
Alice olhou pra mim estranhamente. "Voc no est triste", ela sussurrou.
"Bem, esse no  um senso de timing muito bom, mas tudo vai se esclarecer. Da prxima vez que ele ligar, algum vai dizer pra ele... o que... realmente", minha voz
falhou.
O olhar dela estrangulou as palavras na minha garganta.
Porque ela estava to apavorada? Porque o rosto dela estava se torcendo com piedade e com horror? O que foi isso que ela havia acabado de dizer  Rosalie no telefone?
Alguma coisa relacionada ao que ela viu... e o remorso de Rosalie; Rosalie jamais sentiria remorso por alguma coisa que acontecesse comigo. Mas se ela machucasse
a sua famlia, o seu irmo...
"Bella," Alice cochichou. "Edward no vai ligar de novo. Ele acreditou nela."
"Eu. No. Entendo", minha boca formou cada palavra silenciosamente. Eu no conseguia soltar o ar pra realmente dizer as palavras e fazer ela me explicar.
"Ele vai para a Itlia".
Me levou a velocidade de um pulsar do meu corao pra entender.
Quando a voz de Edward voltou naminha cabea agora, ela no era a perfeita imitao das minhas iluses. Era s o tom fraco, vazio, das minhas memrias. Mas s as
palavras j foram suficientes pra atingir o meu peito e faz-lo se abrir de novo. Palavras de um tempo quando eu podia ter apostado tudo o que eu tinha e tudo que
podia pegar emprestado no fato de que ele me amava.
Bem, eu no ia viver sem voc, ele disse enquanto assistamos Romeu e Julieta juntos, aqui nessa mesma sala. Mas eu no tinha certeza de como fazer isso... eu sabia
que Emmett e Jasper jamais iriam me ajudar... ento eu pensei que talvez eu pudesse ir para a Itlia e fazer alguma coisa pra provocar os Volturi... Voc no deve
irrit-los. No a menos que voc queira morrer.
No a menos que voc queira morrer.
"NO!" Essa negao meio gritada foi to alta, depois das palavras sussurradas, que fez todo mundo pular. Eu sent o sangue correndo para o meu rosto enquanto me
dava conta do que ela havia visto.
"No! No, no, no! Ele no pode! Ele no pode fazer isso!"
"Ele se convenceu assim que o seu amigo o convenceu que era tarde demais pra te salvar".
"Mas ele... ele foi embora! Ele no me queria mais! Que diferena isso faz agora? Ele sabia que eu ia morrer alguma hora!"
"Eu no acho que ele estava planejando viver muito mais que voc", Alice disse baixinho.
"Como ele se atreve!", eu gritei. Agora eu estava de p, e Jacob se levantou sem muita certeza pra se colocar entre Alice e eu.
"Oh, saia do caminho, Jacob!" eu acotovelei o seu corpo tremendo com uma ansiosidade desesperada. "O que ns faremos?" eu implorei pra Alice. Tinha que haver alguma
coisa. "No podemos ligar pra ele? Ligar pra Carlisle?"
Ela estava balanando a cabea. "Essa foi a primeira coisa que eu tentei. Ele deixou o telefone numa lata de lixo no Rio - Algum atendeu..." ela cochichou.
"Voc disse antes que tnhamos que nos apressar. Apressar como? Vamos fazer isso, seja l o que for!"
"Bella eu - eu no acho que posso te pedir pra..." Ela parou indecisa.
"Me pea!", eu comandei.
Ela colocou a mo no meu ombro, me segurando no lugar, seus dedos se flexionavam espordicamente pra dar nfase s suas palavras. "Ns podemos j estar atrasadas.
Eu v ele indo para os Volturi... e pedindo pra morrer". Ns suas vacilamos, e meus olhos ficaram cegos de repente. Eu pisquei fervorosamente com as lgrimas.
"Tudo depende do que eles escolherem. Eu no posso ver isso at que eles tomem a deciso.
"Mas se eles disserem no, e eles podem fazer isso - Aro sente afeio por Carlisle, e no ia querer ofend-lo - Edward tem um plano reserva. Eles so muito protetores
de sua cidade. Se Edward fizer alguma coisa pra perturbar a paz, ele acha que isso vai fazer eles o pararem. E ele est certo. Eles vo."
Eu encarei ela com a mandbula apertada de frustrao. Eu ainda no tinha ouvido nada que explicasse porque ainda estvamos aqui.
"Ento se eles concordarem em acatar o seu pedido, ns chegaremos tarde. Se eles disserem no, e ele inventar um plano que os aborrea rpido o suficiente, chegaremos
tarde. Se ele comear a se deixar levar pelas suas tendncias mais teatrais... podemos ter tempo."
"Vamos logo!"
"Escute, Bella! Chegando em tempo ou no, estaremos no corao da cidade dos Volturi. Eu vou ser considerada cmplisse dele se ele conseguir o que quer. Voc ser
uma humana que no apenas sabe demais, como tambm cheira bem demais. H uma chance muito boa de eles eliminarem todos ns - apesar de no seu caso o castigo no
durar mais que a hora do jantar".
" isso que ainda t segurando a gente aqui?", eu perguntei sem acreditar. "Eu vou sozinha se voc estiver com medo". Eu mentalmente contabilizei o dinheiro que
ainda havia na minha conta, e me perguntei se Alice me emprestaria o resto.
"Eu s estou com medo que voc acabe morta".
Eu bufei de desgosto. "Eu quase me mato todos os dias! Me diga o que eu tenho que fazer!"
"Escreva um bilhete pra Charlie. Eu vou ligar para a compania de vo".
"Charlie", eu asfixiei.
No que a minha presena aqui estivesse protegendo ele, mas eu no podia deix-lo aqui pra encarar...
"Eu no vou deixar nada acontecer com Charlie", a voz baixa de Jacob estava mal humorada e com raiva. "Dane-se o acordo".
Eu olhei pra ele e ele fez escrnio com a minha expresso assustada.
"Se apresse, Bella!", Alice interrompeu urgentemente.
Eu corr para a cozinha, arrancando as gavetas dos armrios e jogando tudo que havia dentro delas no cho enquanto eu procurava uma caneta. Uma mo macia, marrom,
passou uma pra mim.
"Obrigada", eu murmurei, arrancando o bocal com os dentes. Ele silenciosamente me passou o bloco de papis no qual eu escrev o meu bilhete. Eu arranquei a capa
e a joguei por cima do meu ombro.
Pai, eu escrev. Eu estou com Alice. Edward est com problemas. Voc pode me colocar de castigo quando eu voltar pra casa. Eu sei que  uma m hora. Lamento muito.
Te amo demais. Bella.
"No v", Jacob cochichou. A raiva havia desaparecido agora que Alice estava fora de vista.
Eu no ia perder meu tempo discutindo isso com ele. "Por favor, por favor, por favor tome conta de Charlie", eu disse enquanto corria de volta para a porta da frente.
Alice estava esperando na porta com uma mala no ombro.
"Pegue a sua carteira - vamos precisar da sua identidade.Por favor me diga que voc tem um passaporte. Eu no tenho tempo pra falsificar um agora".
Eu balancia a cabea e corr l pra cima, meus joelhos fracos de gratido por minha me ter tido vontade de se casar com Phil numa praia no Mxico.
 claro, como todos os planos dela, esse no deu certo. Mas no antes que eu tivesse tempo de lidar com todos os preparativos prticos pra ela.
Eu invad meu quarto. Eu enfiei minha carteira velha, uma camiseta limpa, e uma calas na minha mochila, e depois joguei a minha escova de dentes no topo. Eu corri
l pra baixo. A sensao de deja vu j estava me batendo nesse ponto. Pelo menos, diferente da ltima vez - quando eu tive que fugir de Forks pra escapar de vampiros
e no pra encontr-los - eu no teria que me despedir de Charlie pessoalmente.
Jacob e Alice estavam presos em alguma espcie de confrontao na frente da porta aberta, to distantes um do outro que eu no podia presumir no incio que eles
estavam tendo uma conversa. Nenhum dos dois pareceu reparar na minha apario barulhenta.
"Voc pode se controlar na ocasio, mas esses sanguessugas pra quem voc est a levando -", Jacob estava a acusando furiosamente.
"Sim. Voc est certo. Cachorro". Alice estava rosnando tambm.
"Os Volturi so a verdadeira ecnssia da nossa espcie - eles so a razo pela qual os cabelos do seu brao se arrepiam quando voc me cheira. Eles so a substncia
dos seus pesadelos, o pavor por trs dos seus instintos. Eu no estou mal informada nesse aspecto".
"E voc leva ela at eles como se fosse uma garrafa de vinho para um festa!", ele gritou.
"Voc acha que seria melhor se eu deixasse ela aqui sozinha, com Victria perseguindo ela?"
"Ns podemos cuidar da ruiva".
"Ento porque  que ela ainda est caando?"
Jacob rosnou, e um estremecimento passou pelo seu trax.
"Parem com isso!", eu gritei para os dois, com uma impacincia selvagem.
"Discutam quando ns voltarmos, vamos!"
Alice se virou para o carro, desaparecendo na sua pressa. Eu corr atrs dela, parando automaticamente pra trancar a porta.
Jacob agarrou meu brao com a mo tremendo.
"Por favor, Bella. Eu estou implorando".
Os olhos escuros dele estavam brilhando com lgrimas. Um caroo preencheu minha garganta.
"Jake, eu preciso-".
"Mas voc no precisa. Voc realmente no precisa. Voc podia ficar aqui comigo. Voc podia ficar viva. Por Charlie. Por mim".
O motor da Mercedes de Carlisle ronronou; o ritmo do ronco se intensificou quando Alice acelerou impacientemente.
Eu balancei minha cabea, lgrimas saltando dos meus olhos com uma emoo devastadora. Eu puxei meu brao, e ele no lutou comigo.
"No morra, Bella", ele gaguejou. "No v. No".
E se eu nunca mais visse ele?
O pensamento me afastou das lgrimas silenciosas, um soluo escapou do meu peito. Eu joguei meus braos ao redor do seu trax e o abracei por um momento curto demais,
enterrando o meu rosto molhado de lgrimas no peito dele. Ele colocou sua mo grande na parte de trs do meu cabelo, como que pra me segurar l.
"Adeus, Jake". Eu tirei a mo dele do meu cabelo, e beijei a palma dele. Eu no consegui olhar para o rosto dele. "Me desculpe", eu cochichei.
Ento eu me virei e corri para o carro. A porta do lado do passageiro estava aberta e me esperando. Eu joguei minha mochila por cima do encosto de cabea e entrei,
batendo a porta atrs de mim.
"Tome conta de Charlie", eu me virei pra gritar pela janela, mas Jacob no estava em nenhum lugar  vista. Enquanto Alice acelerava e - com os pneus cantando como
se fossem gritos humanos - nos virava pra o lado da estrada, eu v um pedao de trapo perto de onde comeavam as rvores.
Um pedao de sapato.

19. dio
Ns chegamos pra o nosso vo com apenas segundos pra gastar, e ento a tortura comeou. O avio ficou inativo no porto enquanto as comissrias de bordo - muito
casualmente - andavam pra cima e pra baixo no corredor, apalpando as bolsas nos compartimentos pra ter certeza de que elas cabiam. Os pilotos se inclinavam pra fora
da cabine, conversando com elas enquanto elas passavam. Amo de Alice estava dura no meu ombro, me segurando no ascento enquanto eu saltava ansiosamente pra cima
e pra baixo.
"Isso  mais rpido que ir correndo", ela me lembrou em uma voz baixa.
Eu s balancei a cabea no ritmo dos meus pulos.
Enfim o avio se separava lentamente do porto aumentando a velocidade gradualmente com uma estabilidade que me torturava ainda mais. Eu esperava sentir alguma espcie
de alvio quando finalmente comeamos a decolar, mas o meu frenes de impacincia no cessou.
Alice levantou o telefone nas costas do ascento na frente dela assim que paramos de subir, dando as costas para a comissria de bordo que olhou pra ela com um olhar
de desaprovao. Alguma coisa na minha expresso impedia a comissria de vir protestar.
Eu tentei no prestar ateno no que Alice estava murmurando pra Jasper; eu no queria ouvir as palavras de novo, mas alguma coisa escapou.
"Eu no posso ter certeza, e fico vendo ele fazer coisas diferentes, ele fica mudando de idia... Uma matana pela cidade, atacando um guarda, levantando um carro
por cima da cabea na praa principal... um monte de coisas que poderiam expor eles - ele sabe que essa  a forma mais rpida de forar uma reao..."
"No, voc no pode", a voz de Alice baixou at que j estava quase inaudvel, apesar de eu estar sentada a apenas alguns centmetros dela. Contrariada, eu prestei
mais ateno. "Diga a Emmett que no... Bem, v atrs de Emmett e Rosalie e os traga de volta... Pense nisso, Jasper. Se ele vir qualquer um de ns, o que voc acha
que ele vai fazer?"
Ela balanou a cabea. "Exatamente. Eu acho que Bella  a nica chance - se houver uma chance... Eu farei tudo o que puder ser feito, mas prepare Carlisle; as chances
no so boas".
Ela sorriu ento, e havia um tom diferente na voz dela. "Eu pensei nisso... Sim, eu prometo" A voz dela se tornou implorativa. "No me siga. Eu prometo, Jasper.
De um jeito ou de outro, eu me viro... E eu te amo".
Ela desligou, e se inclinou no ascento dela com os olhos fechados. "Eu odeio mentir pra ele."
"Me diga tudo, Alice", eu implorei. "Eu no entendo. Porque voc disse a Jasper pra parar Emmett, porque eles no podem vir nos ajudar?"
"Duas razes", ela cochichou, ainda com os olhos fechados. "A primeira eu disse pra ele. Ns podemos tentar parar Edward sozinhas - se Emmett colocar as mos em
cima dele, ns podemos ser capazes de par-lo por tempo suficiente pra convenc-lo de que voc est viva. Mas no d pra enganar Edward. Se eles vir qualquer um
de ns se aproximando, ele simplesmente vai agir muito mais rpido.
Ele vai jogar um carro contra uma parede ou alguma coisa assim, e os Volturi vo agarram ele.
"E tem a segunda razo  claro, a razo que eu no consegui dizer pra Jasper. Porque se eles estiverem l e os Volturi matarem Edward, eles vo lutar com eles. Bella",
ela me encarou e abriu os olhos, suplicando. "Se houvesse alguma chance de ns vencermos... se houvesse uma forma de ns quatro podermos lutar pra salvar o meu irmo,
talvez isso fosse diferente. Mas ns no podemos, e, Bella, eu no posso perder Japer desse jeito".
Eu me dei conta do porque de os olhos dela estarem implorando pela minha compreenso. Ela estava protegendo Jasper,  nossas custas, e talvez as custas de Edward
tambm. Eu entend, e no pensei mal dela. Eu balancei a cabea.
"Contudo, ser que Edward no poderia ouvir seus pensamentos?", eu perguntei. "Ele no ia saber, assim que ouvisse seus pensamentos, que eu estou viva, que no havia
necessidade pra isso?"
No que isso fosse uma justificativa, de qualquer jeito. Eu ainda no acreditava que ele fosse capaz de reagir dessa forma. Isso no fazia nenhum sentido! Eu me
lambrava com dolorosa clareza das suas palavras naquele dia no sof, enquanto ns assistamos Romeu e Julieta se matarem. Eu no ia viver sem voc, ele havia dito,
como se isso fosse uma cocluso muito bvia. Mas as palavras que ele havia dito na floresta quando ele me deixou haviam cancelado essa coisa toda - foradamente.
"Se ele estivesse ouvindo", ela explicou. "Mas acredite ou no,  possvel mentir em pensamento. Se voc tivesse morrido, eu ainda tentaria impedir ele. E eu estaria
pensando 'Ela est viva, ela est viva' o mximo que eu pudesse. Ele sabe disso".
Eu tranquei os dentes com uma frustrao muda.
"Se houvesse uma forma de fazer isso sem voc, Bella, eu no estaria te colocando em risco dessa forma.  muito errado da minha parte".
"No seja estpida. Eu sou a ltima coisa com a qual voc deve se preocupar". Eu balancei a cabea impacientemente. "Me diga o que voc quis dizer quando disse que
odiava mentir pra Jasper".
Ela deu um sorriso tmido. "Eu promet a ele que ia me mandar antes que eles me matassem tambm. No  uma coisa que eu posso garantir - no por muito tempo". Ela
ergueu as sobrancelhas, como se estivesse desejando que eu levasse o perigo mais a srio.
"Quem so esses Volturi?", eu quis saber em um suspiro. "O que os torna to mais perigosos do que Emmett, Jasper, Rosalie e voc?", era difcil imaginar uma coisa
mais assustadora do que isso.
Ela respirou fundo, e ento abruptamente deu uma olhada obscura por cima do meu ombro. Eu me virei a tempo de ver um homem sentado na poltrona ao lado se virando
como se estivesse nos escutando. Ele aparentava ser um homem de negcios, em um terno escuro e uma gravata poderosa e um laptop nos joelhos. Enquanto eu o encarava
irritada, ele abriu o computador e muito notavelmente colocou fones de ouvido.
Eu me inclinei pra mais perto de Alice. Os lbios dela estavam no meu ouvido enquanto ela cochichava a histria.
"Eu estava surpresa por voc ter reconhecido o nome", ela disse. "Que voc tenha reconhecido to imediatamente o que ele significava - quando eu disse que ele estava
indo para a Itlia. Eu pensei que fosse ter que explicar. O quanto Edward te contou?"
"Ele s disse que eles era uma famlia antiga, poderosa - como a realeza. Que voc no devia chate-los a menos que voc quisesse... morrer". Eu sussurrei. Essa
ltima palavra foi difcil de botar pra fora.
"Voc precisa entender", ela disse, com a voz lenta, mais comedida agora. "Ns Cullen somos nicos em mais maneiras do que voc imagina. ... anormal tantos de ns
vivendo juntos e em paz. Isso  o mesmo para a famlia de Tnia vivendo no norte, e Carlisle especula que a nossa abstinncia facilita a nossa civilizao, de forma
que os nossos laos so mais de amor do que de sobrevivncia ou de convenincia. Mesmo o pequeno grupo de trs de James era extraordinariamente grande - e voc viu
como foi fcil pra Laurent abandon-los. A nossa espcie viaja sozinha, ou em pares, como se fosse uma regra geral. A famlia de Carlisle at onde eu sei  a maior
em existncia, com uma excesso. Os Volturi.
"Haviam trs deles originalmente, Aro, Caius, e Marcus".
"Eu v eles", eu murmurei. "Numa tela na sala de estudos de Carlisle".
Alice balanou a cabea. "Duas fmeas se juntaram a eles com o tempo, e eles cinco formavam a famlia. Eu no tenho certeza, mas eu acho que  a idade deles que
d a eles a habilidade de viverem juntos e em paz. Eles todos tm mais de trezentos anos. Ou talvez sejam os dons deles que os d tolerncia extra. Como Edward e
eu, Aro e Marcus so... talentosos".
Ela continuou antes que eu pudesse perguntar. "Ou talvez seja apenas o amor deles por poder que os mantm unidos. Realeza  uma descrio apta".
"Mas se s so cinco -"
"Cinco que formam a famlia", ela me corrigiu. "Isso no inclui os guardas".
Eu respirei fundo. "Isso parece... srio".
"Oh, e ", ela me assegurou. "Haviam nove membros da guarda que eram permanentes, da ltima vez que ouvimos falar. Os outros so mais... transitrios. Isso muda.
E muitos deles tem dons tambm - com dons formidveis, que fazem os meus parecerem um truque de circo. Os Volturi os escolhem pelas suas habilidades, fsicas ou
de outra espcie".
Minha boca se abriu, e depois se fechou de novo. Eu acho que no queria muito saber quanto as nossas chances eram ruins.
Ela balanou a cabea de novo, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. "Eles no se envolvem em muitos confrontos. Ningum  estpido o suficiente
pra se meter com eles. Eles ficam na cidade deles, e s saem quando o dever os chama".
"O dever?", eu imaginei.
"Edward no te disse o que eles fazem?"
"No", eu disse, sentindo o meu rosto branco como papel.
Alice olhou por cima da minha cabea de novo, para o homem de negcios, e colocou seus lbios gelados no meus ouvido de novo.
"H uma razo pela qual ele os chamou de realeza... as regras de governo. Atravs do milnio, eles assumiram a posio de forar as nossas regras - que na verdade,
traduzindo significa que eles punem os transgressores. Eles cumprem esse dever decisivamente".
Meus olhos se arregalaram com o choque. "Existem regras?" Eu perguntei numa voz que era alta demais.
"Shh!"
"Ser que algum no devia ter mencionado isso pra mim antes?" eu cochichei raivosamente. "Quer dizer, eu queria ser uma... ser uma de vocs! Ser que algum no
devia ter explicado as regras pra mim?"
Alice gargalhou uma vez com a minha reao. "No  to complicado, Bella. S h um caroo de restrio - e se voc pensar nisso, voc provavelmente vai descobrir
qual  sozinha".
Eu pensei nisso. "No. Eu no fao idia".
Ela balanou a cabea, desapontada. "Talvez seja bvio demais. Ns s temos que manter a nossa existncia em segredo".
"Oh", eu murmurei. Era bvio.
"Faz sentido, e a maioria de ns no precisa ser policiada", ela continuou.
"Mas, depois de alguns sculos, s vezes um de ns fica de saco cheio. Ou louco. Eu no sei. E a os Volturi se intrometem antes que comprometam eles, ou o resto
de ns..."
"Ento Edward..."
"Est pretendendo desconsiderar isso na cidade deles - a cidade que eles tm protegido secretamente por trezentos anos, desde o tempo dos etruscos. Eles protegem
tanto aquela cidade que no permitem que haja caa dentro de seus limites. Volterra  provavelmente a cidade mais segura do mundo - pelo menos de ataques de vampiros".
"Mas voc disse que eles no saem. Como  que eles saem?"
"Eles no saem. Eles trazem a comida deles de fora, de bem longe as vezes. Isso d aos guardas deles alguma coisa pra fazer quando eles no esto aniquilando aves.
Ou protegendo Volterra da exposio..."
"De situaes como essa, como Edward", eu terminei a frase dela. Era incrivelmente fcil dizer o nome dele agora. Eu no tinha a certeza de qual era a diferena.
Talvez fosse porque eu no estivesse planejando viver mais muito tempo sem ver ele. Ou sem v-lo absolutamente, se fosse tarde demais. Era reconfortante saber que
eu podia acabar facilmente com as coisas.
"Eu duvido que eles j tenham tido que lidar com uma situao como essa", ela murmurou, enojada. "Voc no encontra muitos vampiros suicidas por a".
O som que escapou da minha boca era muito baixo, mas Alice pareceu compreender que era um choro de dor. Ela passou o seu brao magro, forte ao redor do meus ombros.
"Ns faremos o que pudermos, Bella. Ainda no est acabado".
"Ainda no". Eu deixei ela me confortar, apesar de saber o quanto as chances eram pequenas. "E os Volturi vo nos pegar se estrarmos as coisas".
Alice enrigeceu. "Voc diz isso como se fosse uma coisa boa".
Eu levantei os ombros.
"Sai dessa, Bella, se no a gente desce em Nova York e eu te levo de volta pra Forks"
"O que?"
"Voc sabe o que. Se chegarmos tarde demais pra Edward, eu vou fazer o mximo que puder pra te levar de volta pra Charlie, e eu no quero ter problemas com voc.
Voc entendeu isso?"
"Claro, Alice".
Ela se afalstou um pouquinho pra que pudesse me olhar. "Nada de problemas".
"Palavras de escoteira", eu murmurei.
Ela revirou os olhos.
"Deixe eu me concentrar, agora. Eu estou tentando ver o que ele est planejando".
Ela deixou o brao ao meu redor, mas a cabea dela encostou no ascento e ela fechou os olhos. Ela pressionou a mo livre no lado do rosto, esfregando as pontas dos
dedos nas tmporas.
Eu observei ela fascinadamente por algum tempo.
Eventualmente, ela ficou extremamente imvel, o rosto dela parecia uma escultura de mrmore. Os minutos se passaram, e se eu no soubesse melhor, eu acharia que
ela havia pego no sono. Eu no me atrevi a interromp-la pra perguntar o que estava acontecendo.
Eu desejei que houvesse uma coisa segura pra eu pensar. Eu no podia me permitir a pensar nos horrores que estavam  frente, ou, mais horroroso ainda, na chance
de que pudessemos falhar - eu no podia pensar nisso se quisesse me impedir de gritar.
Eu tambm no podia antecipar nada. Talvez, se tivessemos muita, muita, muita sorte, ns seriamos de alguma forma capazes de salvar Edward. Mas eu no era to estpida
a ponto de pensar que salvar ele significava que eu ficaria com ele. Isso no era diferente, nenhum pouco mais especial do que era antes. No havia nenhum motivo
pra ele me querer agora. Ver ele e perd-lo de novo...
Eu lutei contra a dor. Esse era o preo que eu tinha que pagar para salvar a vida dele. E eu ia pagar.
Ele passaram um filme, e o meu vizinho colocou os fones. As vezes eu olhava as figuras se movendo na pequena tela, mas eu nem podia dizer se o filme era de romance
ou de terror.
Depois de uma eternidade, o avio comeou a descer na direo da cidade de Nova York. Alice permaneceu no seu transe. Eu me arrepiei, me aproximando para toc-la,
s pra colocar minha mo de volta. Isso aconteceu uma dzia de vezes antes que o avio tocasse o cho com um leve impacto.
"Alice", eu finalmente disse. "Alice, temos que ir".
Eu toquei o brao dela.
Seus olhos se abriram muito lentamente. Ela balanou a cabea lentamente de um lado pro outro por um momento.
"Algo novo?", eu perguntei numa voz baixa, consciente do homem que estava ouvindo do meu lado.
"No extamente", ela respirou numa voz que eu mal consegu entender.
"Ele est chegando perto. Ele est decidindo como vai pedir".
Ns tivemos que correr pra pegar o prximo vo, mas isso foi bom - melhor que ter que esperar.
Assim que o avio estava no ar, Alice fechou os olhos e deslizou para aquele mesmo estado de letargia de antes. Eu esperei to pacientemente quanto pude. Quando
j estava escuro de novo, eu abri a janela pra olhar pra o escuro l fora que no era nenhum pouco melhor do que quando a janela estava fechada.
Eu estava agradecida por ter tido tanto tempo pra praticar com os controles dos meus pensamentos. Ao invs de duelar com as horrveis possibilidades de que, no
importava o que Alice disesse, eu no ia sobreviver, eu me concentrei em problemas menores. Como, o que eu ia dizer pra Charlie quando eu voltasse. Isso era problemtico
o suficiente pra me ocupar algumas horas. E Jacob? Ele havia prometido esperar por mim, mas ser que essa promessa ainda estava de p? Ser que eu ia acabar sozinha
em minha casa em Forks, sem absolutamente ningum? Talvez eu no quisesse sobreviver, independente do que acontecesse.
Parecia que s haviam se passado alguns segundos quando Alice balanou num ombro - eu no me dei conta de que havia cado no sono.
"Bella", ela assobiou, a voz dela um pouco alta demais numa cabine escura cheia de humanos adormecidos.
Eu no estava desorientada - eu no estive dormindo por tempo suficiente pra isso.
"Qual o problema?"
Os olhos de Alice brilhavam na luz fraca de uma luz acesa na fileira atrs da nossa.
"No  errado", ela sorriu impetuosamente. "Eles esto deliberando, mas eles decidiram dizer no".
"Os Volturi?", eu eu murmurei, confusa.
" claro, Bella, me acompanhe. Eu consigo ver o que els vo dizer".
"Me diga".
Um atendente veio na ponta dos ps pelo corredor at ns. "Posso pegar um travesseiro para as senhoritas?", ele disse com um cochicho que era uma repreenso em comparao
com a nossa conversa alta.
"No, obrigada", Alice brilhou pra ele, com um sorriso chocantemente amvel. A expresso do atendente estava deslumbrada quando ele se virou e foi tropeando de
volta para o seu lugar.
"Me diga", eu respirei quase silenciosamente.
Ela sussurrou no meu ouvido. "Eles esto interessados nele - eles acham que o talento dele pode ser til. Eles vo oferec-lo um lugar com eles".
"O que ele vai dizer?"
"Isso eu ainda no sei dizer, mas eu aposto que vai ser mal educada" ela riu de novo. "Essas so as primeiras boas notcias - o primeiro intervalo. Eles esto intrigados;
eles realmente no querem destru-lo - 'desperdcio' essa  a palavra que Aro vai usar - e isso deve ser o suficiente pra for-lo a ser criativo. Quanto mais tempo
ele gastar me seus planos, melhor pra ns".
Isso no era o suficiente pra me deixar esperanosa, pra me fazer sentir o alvio que ela obviamente sentia. Ainda existem tantas formas de nois atrasarmos. E se
eu no conseguisse entrar na cidade dos Volturi, eu no seria capaz de impedir que Alice me arrastasse de volta pra casa.
"Alice?"
"O que?"
"Eu estou confusa. Como  que voc est vendo isso to claramente? E depois outras vezes, voc v coisas to distantes - coisas que no acontecem".
Os olhos dela se estreitaram. Eu me perguntei se ela havia adivinhado o que eu estava pensando.
" claro porque  prximo e imediato, e eu realmente estou me concentrando. As coisas mais distantes que acontecem por s prprias - essas so s suposies, meros
talvez. Alm do mais, eu enxergo a minha espcie muito mais claramente do que a sua. Edward  mais fcil porque eu estou to ligada a ele".
"Voc me v as vezes", eu lembrei ela.
Ela balanou a cabea. "No to claramente".
Eu suspirei.
"Eu realmente queria que voc estivesse certa sobre mim. No comeo, quando voc viu coisas sobre mim, mesmo antes de termos nos conhecido..."
"O que voc quer dizer?"
"Voc viu eu me tornar uma de vocs", eu mal murmurei as palavras.
Ela suspirou. "Era uma possibilidade naquela poca".
"Naquela poca", eu repet.
"Na verdade, Bella", ela hesitou, e depois pareceu fazer uma escolha. "Honestamente, eu acho que isso  mais que ridculo. Eu estou debatendo a idia de eu mesma
transformar voc".
Eu olhei pra ela, congelada pelo choque. Instantemente, minha mente registrou as palavras dela. Eu no podia me dar ao luxo de ter esperanas caso ela mudasse de
idia.
"Eu te assustei?", ela imaginou. "Eu pensei que era isso que voc queria".
"Eu quero!", eu asfixiei. "Oh, Alice, faa isso agora! Eu podia te ajudar tanto - e assim eu no ia te atrapalhar. Me morda!"
"Shh!", ela precaviu. O atendente estava olhando na nossa direo de novo. "Tente ser razovel", ela sussurrou. "Ns no temos tempo suficiente. Ns temos que chegar
em Volterra at amanh. Voc ficaria se contorcendo de dor por dias". Ela fez uma cara. "E eu no acho que os outros passageiros iam reagir bem".
Eu mord meu lbio. "Se voc no fizer isso agora, voc vai mudar de idia".
"No", ela fez uma carranca, a expresso infeliz. "Eu no acho que vou. Ele vai ficar furioso, mas o que  que ele vai poder fazer?"
Meu corao bateu mais rpido. "Absolutamente nada".
Ela sorriu baixinho, e depois suspirou. "Voc tem muita f em mim, Bella. Eu no tenho muita certeza de que posso. Eu provavelmente vou acabar te matando".
"Eu vou me arriscar".
"Voc  muito bizarra, mesmo pra uma humana".
"Obrigada".
"Oh bem, isso  puramente hipottico at esse ponto, afinal. Primeiro ns temos que sobreviver a amanh".
"Bem lembrado". Mas pelo menos eu podia ter esperana de alguma coisa se sobrevivssemos.
Se Alice cumprisse a sua promessa - e no acabasse me matando - ento Edward poderia correr atrs de suas distraes o quanto ele quisesse, e eu poderia seguir.
Eu no deixaria ele se distrair. Talvez, quando eu fosse linda e forte, ele nem quisesse distraes.
"Volte a dormir", ela me encorajou. "Eu te acordo quando houver algo novo".
"Certo", eu rosnei, certa de que dormir era uma causa perdida agora.
Alice puxou as pernas pra cima do ascento, agarrando elas com os braos e encostando a testa nos joelhos. Ela se balanava pra frente e pra trs enquanto se concentrava.
Eu descansei minha cabea no ascento, observando ela, e a prxima coisa que eu soube, ela estava fechando cortina para o leve brilho do sol l fora.
"O que est acontecendo?" eu murmurei.
"Eles disseram no pra ele", ela disse baixinho. Eu notei que todo o seu entusiasmo havia desaparecido.
Minha voz ficou estrangulada na minha garganta com o pnico. "O que ele vai fazer?"
"Era muito catico no incio. Eu s estava pegando umas partes, ele estava mudando de plano to rapidamente".
"Que tipo de planos?", eu pressionei.
"Houve uma hora ruim", ela sussurrou. "Ele decidiu que ia caar".
Ela olhou pra mim, vendo a compreenso nos meus olhos.
"Na cidade", ela explicou. "Ele chegou muito perto. Ele mudou de idia no ltimo minuto".
"Ele no ia querer desapontar Carlisle", eu murmurei. No no final.
"Provavelmente", ela concordou.
"Vai haver tempo suficiente?" Enquanto eu falava, houve uma mudana na presso da cabine. Eu podia sentia o avio se preparando pra aterissar.
"Eu estou esperando que sim - se ele continuar com a ltima deciso, pode ser".
"O que foi?"
"Ele vai se manter simples. Ele s vai caminhar no sol".
S caminhar no sol. Isso era tudo.
Isso seria o suficiente. A imagem de Edward na clareira - brilhando, cintilando como se a pele dele fosse feita de milhes de diamantes - estava gravada na minha
memria. Nenhum humano que visse aquilo iria esquecer. Os Volturi no iam permitir isso.
No se eles quisessem manter a cidade acima de qualquer suspeita.
Eu olhei para o leve brilho cinza que brilhava atravs das janelas abertas. "Chegaremos tarde demais", eu sussurrei, minha garganta se fechando de pnico.
Ela balanou a cabea. "Messe meomento, ele est se inclinando para o melodrama. Ele quer o maior pblico possvel, ento ele vai escolher a praa principal, embaixo
da torre do relgio. As paredes de l so altas. Ele vai esperar para que o sol esteja bem centrado".
"Ento temos at o meio dia?"
"Se tivermos sorte. Se ele permanecer com essa deciso".
O piloto apareceu no intercomunicador, anunciando, primeiro em Francs, depois em Ingls, a nossa aterissagem eminente. As luzes dos avisos dos cintos de segurana
tocaram e piscaram.
"Qual  a distncia entre Florena e Volterra?"
"Isso depende da velocidade que voc dirige... Bella?"
"Sim?"
Ela me olhou especulativamente. "O quanto voc se ope a roubar um carro?"
Um Porshe amarelo brilhante nos chamou a ateno  alguns passos de onde estvamos. A palavra TURBO estava pregada em letras prateadas na parte de trs. Todo mundo
alm de mim na calada cheia do aeroporto parou pra olhar.
"Corre, Bella!", Alice gritou impacientemente pela janela aberta do passageiro.
Eu corr para a porta e me joguei pra dentro, sentindo que eu podia muito bem estar usando uma meia cla preta na cabea.
"Nossa, Alice", eu reclamei. "Ser que voc poderia escolher um carro mais suspeito pra roubar?"
O interior era de couro preto, e as janelas eram de fum escuro. Eu me sent mais segura do lado de dentro, como se fosse noite.
Alice j estava se movendo, rpido demais, pelo engarrafamento no aeroporto - passando por espaos muito pequenos enquanto eu me procurava e apertava o meu cinto
de segurana.
"A pergunta importante", ela corrigiu. " se eu no podia ter roubado um carro mais rpido, e eu no acho que poderia. Eu tive sorte".
"Eu tenho certeza de que ele ser muito confortvel se houver algum obstculo na estrada".
Ela vibrou com uma risada. "Confie em mim, Bella. Se algum colocar algum obstculo na pista, ser depois que passarmos". Ela pisou no acelerador nessa hora, como
se fosse pra provar a teoria dela.
Eu provavelmente devia ter olhado pela janela pra ver as cidades de Florena e depois de Toscana passavam por ns com uma velocidade incrvel. Essa era a minha primeira
visita aqui, e talvez fosse a ltima tambm. Mas Alice na direo me assustava, apesar do fato de eu saber que podia confiar nela atrs do volante.
Eu eu estava muito torturada com a ansiedade pra realmente ver as colinas ou as cidades amuradas que pareciam com castelos  distncia.
"Voc v algo mais?"
"Tem alguma coisa acontecendo", Alice murmurou. "Algum tipo de festival. As ruas esto cheias de pessoas e bandeiras vermelhas. Que data  hoje?"
Eu no tinha inteiramente certeza. "Dezenove, talvez?"
"Bem, isso  irnico. Hoje  dia de So Marcos".
"Que significa?"
Ela gargalhou obscuramente. "A cidade faz uma celebrao todo ano. At onde a lenda conta, um Cristo missionrio, um Padre Marcus - Marcus de Voltun, na verdade
- expulsou os vampiros de Volterra a quinhentos anos atrs. A histria diz que ele virou mrtir na Romnia, ainda tentando expulsar a corja dos vampiros.  claro
que isso  tudo bobagem- ele nunca deixou a cidade. Mas  da que vm as supersties sobre cruzes e alho. O Padre Marcus usou eles e teve tanto sucesso. E os vampiros
no incomodam Volterra, ento eles devem funcionar", o sorriso dela sardnico. "Isso se tornou uma celebrao para a cidade, e ganhou o reconhecimento da fora policial
- afinal, Volterra  uma cidade extremamente segura.  a polcia quem leva o crdito".
Eu estava me dando conta do que ela quis dizer quando disse irnico. "Eles no vo ficar muito felizes se Edward estragar a coisa toda do Dia de So Marcus, vo?"
Ela balanou a cabea, sua expresso severa. "No. Eles vo agir rapidamente".
Eu desviei os olhos, lutando contra os meus dentes quando eles comearam a tentar arrebentar a pele do meu lbio inferior. Sangrar no era a melhor idia agora.
O sol estava aterrorizadamente alto, no plido cu azul.
"Ele ainda est no plano de meio dia?", eu chequei.
"Sim. Ele deciciu esperar. E eles esto esperando por ele".
"Me diga o que eu tenho que fazer".
Ela manteve os olhos na estrada - a agulha do medidor de velocidade j estava alcansando o mximo da capacidade.
"Voc no tem que fazer nada. Ele s tem que ver voc antes de andar para a luz. E ele tem que ver voc antes que ele me veja".
"Como  que vamos fazer isso?"
Um pequeno carro vermelho parecia estar andando pra trs quando Alice o ultrapassou.
"Eu vou te levar at o mais prximo possvel, e depois voc vai correr na direo que eu te apontar".
Eu balancei a cabea.
"Tente no tropear", ele adicionou. "Ns no temos tempo para uma concusso hoje".
Eu gem. Isso seria a minha cara - arruinar tudo, destruir o mundo, em um momento de trapalhadas.
O sol continuou a subir no cu enquanto Alice corria contra ele. Ele estava brilhando demais, e isso me fez entrar em pnico. Talvez no fim das contas ele no visse
necessidade em esperar at o meio dia.
"Ali", Alice disse abruptamente, apontando para o castelo no topo da colina mais prxima.
Eu olhei pra ele, sentindo a primeira pontada do meu novo tipo de medo. Todos os minutos desde ontem de manh - parecia ter se passado uma semana - quando Alice
falou o nome dele no p da escada, s houve um medo. E ainda assim, agora, enquanto eu olhava para aquelas paredes ansis e para as torres se equilibrando no topo
das colinas, eu sent outro, uma espcie mais egosta de alegria passou por mim.
Eu achei que a cidade era muito bonita. Isso me deixou aterrorizada.
"Volterra", Alice disse numa voz vazia, gelada.

20. Volterra
Ns comeamos a subir a entrada ngreme,e a estrada ficou congestionada. Quando ns chegamos mais alto, os carros estavam muito prximos uns dos outros ento Alice
no podia mais atravessar entre eles como uma insana. Ns paramos uma fila atrs de um pequeno Peugeot.
"Alice", eu gem. O relgio na torre parecia estar correndo mais rpido.
" o nico jeito de entrar", ela tentou me acalmar. Mas a voz dela estava muito tensa pra confortar.
Os carros continuaram a andar pra frente, uma carro lentamente de cada vez. O sol brilhou com fora, parecendo que j estava no centro do cu.
Os carros entraram um a um na cidade. Enquanto nos aproximvamos, eu podia ver os carros sendo estacionados de um dos lados da estrada e pessoas saindo pra fazer
seu caminho a p. Primeiro eu achei que isso fosse s impaciencia - coisa que eu podia entender facilmente. Mas depois ns entramos numa rua, e eu podia ver o estacionamento
cheio, do lado de fora da cidade, as multides de pessoas entrando pelos portes. Ningum estava tendo permisso pra entrar de carro.
"Alice", eu sussurrei urgentemente.
"Eu sei", ela disse. O rosto dela parecia esculpido no gelo.
No que eu estivesse olhando, e ns estavamos rastejando lentamente o suficiente pra que eu visse, mas eu podia dizer que estava ventando muito.
As pessoas se aglomerando na direo do porto agarravam seus chapus e tiravam os cabelos da frente do rosto. Suas roupas estavam grudando em seus corpos. Eu tambm
perceb que a cor vermelha estava em todo lugar. Camisas vermelhas, chapus vermelhos, bandeiras vermelhas balanando como laos ao lado da ponte, balanando com
o vento - enquanto eu estava observando, uma brilhante echarpe escarlate que uma mulher havia amarrado na cabea foi levada numa rajada repentina. Ela balanou no
ar em cima da mulher, se movendo como se estivesse viva.
A mulher tentou alcansar, pulando no ar, mas ela continuou subindo mais alto, uma rastro de sangue nas paredes sombrias, ansis.
"Bella", Alice falou rapidamente numa voz feroz, lenta.
"Eu no consigo ver aqui o que o guarda vai decidir - se isso no funcionar, voc vai ter que ir sozinha. Voc vai ter que correr. Continue perguntando pelo Palazzo
dei Priori, e correndo na direo que eles te apontarem. No se perca".
"Palazzo dei Priori, Palazzo dei Priori", eu repeti o nome de novo e de novo, tentando decorar.
"Ou 'a torre do relgio' se eles falarem Ingls. Eu vou dar a volta e tentar encontrar um lugar vazio atrs da cidade onde eu posso pular os muros".
Eu balancei a cabea. "Palazzo dei Priori".
Edward vai estar embaixo da torre do relgio, ao norte da praa. La ha uma ruela estreita na direita, e ele estar nas sombras l. Voc tem que atrair a atena
dele antes que ele saia para o sol".
Eu balancei a cabea furiosamente.
Alice estava perto do fim da fila. Um homem num uniforme azul marinho estava direcionando a fluncia do trnsito, afastando os carros do estacionamento vazio. Eles
faziam uma curva em U e tentavam encontrar uma vaga perto da estrada. E ento era a vez de Alice.
O homem uniformizado acenou preguiosamente, sem prestar ateno. Alice acelerou, cercando ele e indo na direo do porto. Ele gritou alguma coisa pra ns, mas
continuou no lugar, acenando freneticamente pra evitar que o prximo carro seguisse o mal exemplo.
O homem no porto usava um uniforme combinando. Enquanto nos aproximamos dele, as multides de turistas passavam, enchendo as caladas, olhando curiosamente para
o Porshe chamativo, brilhante.
O guarda pisou no meio da estrada. Alice fez um ngulo com o carro antes de par-lo completamente. O sol batia na minha janela, e ela estava numa sombra. Ela rapidamente
alcanou a parte de trs do banco e tirou alguma coisa de dentro da bolsa dela.
O guarda se aproximou do carro com uma expresso irritada, e deu umas batidinhas raivosas na janela dela.
Ela abriu a janela at a metade, e eu observei ele olhar duas vezes quando viu o rosto atrs do vidro.
"Eu lamento, apenas nibus de excurses so permitidos na cidade hoje, senhorita", Ele disse em Ingls, com um sotaque pesado. Ele parecia pedir desculpas, agora,
como se desejasse ter boas notcias pra dar pra uma mulher arrebatadoramente linda.
" uma excurso", Alice disse, dando uma sorriso sedutor. Ela colocou a mo pra fora da janela, na luz do sol. Eu congelei, at que eu perceb que ela estava usando
uma luva curtida, na altura do cotovelo.
Ele pegou a mo dela, que ainda estava levantada pela batidinha na janela, e a colocou dentro do carro. Ela colocou alguma coisa na palma dele, e dobrou os dedos
dele em cima disso.
O rosto dele estava confuso quando ele tirou a mo e olhou para o grosso rolo de dinheiro que ele agora segurava. A ltima nota era uma de mil dlares.
"Isso  uma piada?", ele murmurou.
O sorriso de Alice foi deslumbrante. "S se voc achar engraado".
Ele olhou pra ela, com os olhos arregalados. Eu olhei nervosamente para o relgio se mexendo. Se Edward continuasse com o seu plano, ns s tnhamos mais cinco minutos.
"Eu estou com um tantinho assim de pressa", ela assobiou, ainda sorrindo.
O guarda piscou duas vezes, e depois enfiou o dinheiro no seu casaco. Ele deu um passo pra longe da janela e acenou pra ns. Nenhuma das pessoas passando por ns
pareceu perceber a grande mudana. Alice dirigiu para a cidade, e ns duas suspiramos aliviadas.
A rua era muito estreita, coberta com pedras da mesma cor enquanto as paredes de uma cor canela que estava desaparecendo escureciam a rua com o seu tom de cor.
Paredes vermelhas decoravam as paredes, a apenas uns centmetros uma da outra, balanando com o vento e assobiava pela estreita passagem.
Tudo estava lotado, e o trnsito dos pedestres atrapalhou o nosso progresso.
"S um pouco mais  frente", Alice me encorajou; eu estava agarrando a maaneta da porta, preparada pra me jogar na rua assim que ela falasse a palavra.
Ela dirigiu fazendo rpidos avanos e dando paradas repentinas, e as pessoas na multido mostrvam o punho pra ns e diziam palavras raivosas que eu estava feliz
por no conseguir entender.
Ela fez uma curva num pequeno espao que no podia estar reservado para os carros; as pessoas chocadas tinham que se espremer nas entradas das casas enquanto passavamos
por elas. Ns encontramos outra estrada no final. Os prdios eram mais altos aqui; eles se estendiam para a frente ento nenhum sol tocava o cho - as bandeiras
balanando nas paredes dos dois lados quase se encontravam. A multido estava maior aqui do que nos outros lugares. Alice parou o carro. Eu j tinha aberto a porta
antes que estivssemos completamente parados.
Ela apontou para onde a rua se alargava no caminho de uma abertura brilhante. "Al - nos estamos no lado sudoeste da praa. Corra diretamente at o outro lado, para
a direita da torre do relgio. Eu vou encontrar um caminho dando a volta -"
A respirao dela se prendeu de repente, e quando ela falou de novo, a voz dela era um assibio. "Eles esto em todo lugar?"
Eu congelei no lugar, mas ela me empurrou do carro. "Esquea eles. Voc tem dois minutos. Vai, Bella, vai!", ela gritou, saindo do carro enquanto falava.
Eu no parei pra ver Alice se misturar s sombras. Eu no parei pra fechar a porta atrs de mim. Eu empurrei uma mulher pesada pra fora do meu caminho e continuei
correndo para a frente, a cabea abaixada, prestando pouca ateno em outra coisa que no fosse o caminho de pedras embaixo dos meus ps.
Saindo da rua escura, eu fiquei cega pela claridade do sol batendo na praa principal. O vento fez barulho passando por mim, jogando meus cabelos nos meus olhos
e me cegando mais ainda. No era de se surpreender que eu no tivesse visto a parede de gente at que eu esbarrei nela.
No haviam nenhum caminho, nenhuma fenda entre os corpos pressionados juntos. Eu empurrei eles furiosamente, luatndo com as mos que apareceram de volta.
Eu ouv exclamaes de raiva e at mesmo de dor enquanto eu batalhava pra abrir meu caminho, mas nenhuma delas em uma linguagem que eu compreendesse.
O rosto deles era um vulto de raiva e surpresa, cercados pelo vermelho sempre presente. Uma mulher loura olhou zangada pra mim, e a echarpe vermelha amarrada no
pescoo dela parecia uma ferida grotesca. Uma criana, levantada no ombro de um homem pra ver por cima da multido, sorriu pra mim, os dentes dele escondidos embaixo
de uma dentadura de plstico com presas de vampiro.
A multido passava ao meu redor, me virando na direo errada. Eu estava feliz pelo relgio ser to visvel, ou eu nunca teria sido capaz de seguir o meu curso corretamente.
Os dois ponteiros do relgio estavam apontados pra cima para o sol impiedoso, e, apesar de eu me jogar violentamente contra a multido, eu sabia que era tarde demais.
Eu no estava nem no meio do caminho. Eu era uma humana estpida e lenta, e todos ns amos morrer por causa disso.
Eu esperava que Alice conseguisse. Eu esperava que ela me visse das sombras escuras e soubesse que eu havia falhado, assim ela podia voltar pra casa pra Jasper.
Eu escutei, por cima das exclamaes de raiva, tentando ouvir o som da descoberta: os cochichos, talvez os gritos, quando Edward se mostrasse para algum.
Mas ouve um espao entre a multido - eu podia ver um espao vazio  frente. Eu empurrei urgentemente em dirao a ele, sem me dar conta at que eu machuquei minhas
canelas nos tijolos, de que era uma grande fonte quadrada, que ficava no centro da praa.
Eu estava preticamente chorando de alvio enquanto mergulhava minha perna por cima da parede e corria pela gua que ficava na altura do joelho. Ela respingava inteira
em mim no meu caminho pela fonte. Mesmo no sol, o vento era glacial, e o molhado na verdade faziam o frio doer. Mas a fonte era muito larga; ela me ajudou a passar
pelo centro da praa e um pouco mais adiante em meros segundos.
Eu no parei quando alcancei a outra ponta - eu usei a parede baixa pra me impulsar, me jogando em cima da multido.
Agora eles se moviam prontamente pra me dar passagem, evitando a gua gelada que pingava das minhas roupas enquanto eu corria. Eu olhei para o relgio de novo.
Um barulho profundo, estrondoso invadiu a praa nesse momento. Ele fez as pedras tremerem embaixo dos meus ps. As crianas choravam cobrindo os ouvidos. E eu comecei
a gritar enquanto corria.
"Edward!", eu gritei, sabendo que era intil. A multido falava alto demais, e minha voz estava sem flego de exausto. Mas eu no podia parar de gritar.
O relgio bateu de novo. Eu corr por uma criana nos braos da me - o cabelo dele era quase branco deslumbrante luz do sol. Um crculo homens altos, todos usando
blazers vermelhos, chamaram dando avisos quando eu esbarrei com eles. O relgio bateu de novo.
No outro lado dos homens de blazer, havia uma folga na multido, um espao entre os passantes que andavam  toa ao meu redor. Meus olhos procuravam na estreita passagam
escura  direita do grande edifcio quadrado embaixo da torre. Eu no conseguia ver o nvel da rua - ainda haviam muitas pessoas no caminho. O relgio bateu de novo.
Agora era difcil de ver. Sem a multido pra parar o vento, ele batia no meu rosto e fazia meus olhos arderem. Eu no tinha certeza de que essa era a razo por baixo
das minhas lgrimas, ou se eu estava chorando de derrota quando o relgio bateu novamente.
Uma pequena famlia de quatro era a que estava mais prxima da entrada da ruela. Duas garotas usavam vestidos escarlates, com laos combinando presos atrs da cabea.
O pai no era alto. Parecia que eu podia ver alguma coisa brilhando nas sombras, bem acima do ombro dele. Eu corr na direo deles, tentando ver atravs das lgrimas.
O relgio bateu, e a garota menos colocou as mos nos ouvidos.
A garota maior, que ficava na altura da cintura da me, agarrou a perna da me e olhou para a escurido atrs deles.
Enquanto eu observava, ela cutucou o cotovelo da me e apontou para a escurido atrs deles.
O relgio bateu e eu estava muito perto agora.
Eu estava perto o suficiente pra ouvir a voz aguda dela. O pai dela olhou pra mim supreso quando eu corr na direo deles, gritando o nome de Edward de novo e de
novo.
A garota mais velha deu uma risadinha e disse alguma coisa para a me, fazendo gestos impacientes de novo na direo das sombras.
Eu me desviei do pai - ele tirou o beb do meu caminho - e corr na dirao da brecha luminosa atrs deles enquanto o relgio batia de novo.
"Edward, no!", mas minha voz estava perdida por causa do barulho das badaladas.
Eu podia v-lo agora. E eu podia ver que ele no podia me ver.
Realmente era ele, nada de alucinaes dessa vez. E eu me dei conta de que as minhas alucinaes eram mais falhas do que eu imaginava; elas nunca o fariam justia.
Edward estava parado, imvel como uma esttua, s a alguns passos do fim da ruela. Seus olhos estavam fechados, os crculos embaixo deles eram de um roxo escuro,
os braos estavam relaxados ao lado dele, suas palmas viradas pra frente.
A expresso dele era muito tranquila, como se ele estivesse sonhando com coisas agradveis. A pele do seu peito de mrmore estava nua - havia uma fina camada de
tecido branco sobre os seus ps. A luz refletindo da calada da praa refletia fracamente na pele dele.
Eu nunca havia visto nada mais lindo - mesmo estando correndo, sem flego e gritando, eu podia apreciar isso. E os ltimos meses no significaram nada. E eu no
me importava se ele no me queria. Eu nunca iria querer nada alm dele, no importava quanto tempo eu vivesse.
O relgio bateu, e ele deu um longo passo em direo  luz.
"No!", eu gritei. "Edward, olhe pra mim!"
Ele no estava ouvindo. Ele estava sorrindo muito levemente. Ele ergueu o p pra dar o prximo passo que o colocaria diretamente na direo do sol.
Eu me choquei com ele com tanta violncia que a fora teria me jogado no cho se os braos dele no tivessem me pego e me segurado.
O impacto me deixou sem flego e fez minha cabea pular pra trs.
Seu olhos se abriram lentamente enquanto o relgio badalava de novo.
Ele olhou pra mim com uma surpresa silenciosa.
"Incrvel", ele disse, sua voz primorosa estava maravilhada, um pouco divertida. "Carlisle estava certo".
"Edward", eu tentei asfixiar, mas minha voz no fazia som. "Voc tem que voltar para as sombras. Voc precisa se mover!"
Ele parecia contente. A mo dele alisava suavamente a minha bochecha. Ele no parecia reparar que eu estava tentado for-lo pra trs. Pelo progresso que eu estava
fazendo era melhor estar empurrando uma parede. O relgio badalou de novo, mas ele no se mexeu.
Era muito estranho, at onde eu sabia ns dois estvamos em perigo mortal. Mesmo assim, naquele instante, eu me sentia bem. Completa. Eu podia sentir meu corao
disparado no meu peito, o sangue pulsando quente e rpido nas minhas veias de novo. Meus pulmes estavam cheios com o doce cheiro que vinha da pele dele. Era como
se nunca houvesse existido um buraco no meu peito. Ele estava perfeito - no curado, mas era como se ele nunca tivesse estado l pra comear.
"No d pra acreditar no quanto foi rpido. Eu no sent nada - eles foram muito bons", ele meditou, fechando os olhos de novo e pressionando os lbios no meu cabelo.
A voz dele era como mel e veludo. "Morte, que sugou o mel da tua respirao, no teve nenhum poder contra a tua beleza", ele murmurou, e eu reconhec a fala dita
por Romeu na tumba.
O relgio deu sua ltima badalada "Voc cheira exatamente igual", ele continuou. "Ento talvez isso seja o inferno. Eu no me importo. Eu fico com ele".
"Eu no estou morta", eu interromp. "E nem voc! Por favor, Edward, ns temos que nos mover. Eles no podem estar muito longe".
Eu lutei nos braos dele, eles ergueu as sobrancelhas confuso.
"Como  isso?", ele perguntou educadamente.
"Ns no estamos mortos, ainda no! Mas ns temos que sair da luz antes que os Volturi -"
A compreenso foi penetrando o rosto dele enquanto eu falava. Antes que eu pudesse terminar de falar, ele de repente me arrastou da margem das sombras, me girando
sem esforo at que as minhas costas estivessem espremidas na parede de tijolos, e as costas dele estavam viradas pra mim enquanto ele encarava a ruela. Os bralos
dele se abriram, me protegendo, na minha frente.
Eu olhei por baixo dos braos dele pra ver duas figuras escuras que se destacavam na escurido.
"Saudaes, cavalheiros", a voz de Edward estava calma e prazeirosa, na superfcie. "Eu no acho que estarei necessitando dos seus servios hoje. Eu agradeceria
muito, no entanto, se vocs enviassem meus agradecimentos aos seus mestres".
"Vamos levar essa conversa para um local mais apropriado?" uma voz suave sussurrou ameaadoramente.
"Eu no acredito que isso v ser necessrio", a voz de Edward estava mais dura agora. "Eu conheo as suas instrues, Felix. Eu no quebrei nenhuma das regras".
"Feliz estava meramente tentando apontar a proximidade do sol", a outra sombra disse com um tom suavizante.
Eles dois estavam ocultos em mantos cinzentos que alcanavam o cho e balanavam com o vento. "Deixe-nos procurar um esconderijo melhor".
"Eu estarei bem atrs de vocs", Edward disse secamente. "Bella, porque voc no volta para a praa e aproveita o festival?"
"No, traga a garota", a primeira sombra disse, de alguma forma injetando um olhar malicioso ao seu sussurro.
"Eu acho que no" A falsa civilidade havia desaparecido. A voz de Edward era plana e fria. O peso dele se mudou um infinitsimo, e eu perceb que ele estava se preparando
pra lutar.
"No", eu s murmurei a palavra.
"Felix", a segunda sombra, mais razovel precaviu. "Aqui no". Ele se virou pra Edward. "Aro simplesmente gostaria de falar com voc novamente, pra saber se voc
decidiu se juntar  nossa fora afinal".
"Certamente", Edward concordou. "Mas a garota fica livre".
"Eu temo que isso no seja possvel", a educada sombra disse pesarosamente. "Ns temos regras a obedecer".
"Ento eu temo que serei incapaz de aceitar o convite de Aro, Demetri".
"Isso est bem", Felix ronronou. Meus olhos estavam se ajustando  figura profunda, e eu conseguia ver que Felix era muito grande, alto e tinha os ombros largos.
O tamanho dele me lembrou de Emmett.
"Aro ficar decepcionado", Demetri suspirou.
"Eu tenho certeza de que ele sobreviver ao desapontamento" Edward replicou.
Felix e Demetri se aproximaram em direo  ponta da ruela, se separando levemente pra que se aproximassem de Edward eplos dois lados. Eles tinham a inteno de
for-lo a entrar mais na ruela, pra evitar uma cena. Nenhuma luz refletida entrou em contato com a pele deles; eles estavam a salvo dentro de suas mantas.
Edward no se moveu um centmetro. Ele estava usando seu corpo pra me proteger.
Abruptamente, a cabea de Edward se virou, na direo da escurido da ruela ventosa, e Demetri e Felix fizeram o mesmo, em resposta a um movimento muito sbito para
os meus sentidos.
"Vamos nos comportar, sim?", uma voz alegre sugeriu. "Tm damas presentes".
Alice caminhou lentamente para o lado de Edward, sua posio casual.
No havia nenhum sinal de tenso escondida. Ela parecia to pequena, to frgil. Os pequenos braos dela se movimentavam como os de uma criana.
Mesmo assim, tanto Demetri quanto Felix ficaram rgidos, suas mantas balanando lentamente quando uma rajada de vento passou pela ruela. O rosto de Felix se azedou.
Aparentemente, eles no gostavam de nmeros iguais.
"Ns no estamos sozinhos", ela lembrou eles.
Demetri olhou por cima do ombro. A alguns metros dentro da praa, a pequena famlia, com as garotas com os vestidos vermelhos, estavam olhando pra ns. A me estava
falando urgentemente com o marido, os olhos dela em ns cinco. Ela desviou o olhar quando Demetri olhou pra ela. O homem caminhou alguns centmetros pra dentro da
praa e cutucou o ombro de um dos homens com o blazer vermelho.
Demetri balanou a cabea. "Por favor, Edward, sejamos razoveis", ele disse.
"Vamos", Edward concordou. "E ns vamos embora silenciosamente agora, sem que nenhum seja o mais esperto".
Demetri suspirou de frustrao. "Pelo menos vamos discutir isso mais reservadamente".
Seis homens de vermelhos se juntaram  familia agora enquanto eles nos observavam curiosamente. Eu estava muito consciente da postura protetora de Edward na minha
frente - certa de que era isso que estava causando o alarme deles. Eu queria gritar pra que eles corressem.
Os dentes de Edward se chocaram audivelmente. "No".
Felix sorriu.
"Basta".
A voz era alta, cheia de pretenso, e veio de trs de ns.
Eu olhei por baixo do outro brao de Edward, pra ver uma pequena figura andando na nossa direo. Pelo jeito que as formas se balanavam, eu podia dizer que era
outro deles. Quem mais?
No comeo, eu pensei que fosse um garotinho. O recm chegado era to pequeno como Alice, com um cabelo fino, de um morrom plido cortado curto. O corpo embaixo da
manta - que era mais escura, quase preta - era magro e andrgeno. Mas o rosto era bonito demais pro ser de um garoto. O rosto de olhos grandes, lbios cheios faria
um anjo de Botticelli parecer um grgula. Mesmo por baixo das ris vermelhas.
O tamanho dela era to insignificante se comparado  reao que ela causou que eu fiquei confusa. Felix e Demetri relaxaram imediatamente, saindo de suas posturas
defensvas pra se misturas novamente s sombras das paredes muito altas.
Edward tambm baixou os braos e relaxou da sua posio - mas em desistncia.
"Jane", ele suspirou em reconhecimento e resignao.
Alice cruzou os braos na frente do peito, sua expresso impassiva.
"Sigam-me", Jane falou de novo, a voz infantil dela era montona.
Ela deu as costas pra ns e se enfiou silenciosamente nas sombras.
Felix fez um gesto pra ns irmos na frente, sorrindo.
Alice seguiu a pequena Jane imediatamente. Edward passou os braos na minha cintura e me puxou pra seguirmos ela.
A ruela fazia levemente um ngulo pra baixo enquanto se estreitava. Eu olhei pra ele com perguntas frenticas nos meus olhos, mas ele s balanou a cabea. Apesar
de eu no conseguir ouvir os outros atrs de ns, eu tinha certeza de que eles estavam l.
"Bem, Alice", Edwad disse conversionalmente enquanto caminhvamos.
"Eu creio que no devo ficar surpreso por te ver aqui".
"Foi meu erro", Alice respondeu no mesmo tom. "Era meu trabalho concertar as coisas".
"O que aconteceu?", a voz dele era educada, como se ele mal estivesse interessado. Eu imaginei que isso se devia aos ouvidos escutando atrs de ns.
" uma longa histria". Os olhos de Alice olharam pra mim e depois se desviaram. "Em resumo, ela pulou do precipcio, mas ela no estava tentando se matar. Bella
anda praticando esportes radicais ultimamente".
Eu corei e virei minha cabea diretamente pra frente, olhando para a sombra escura que eu nem conseguia mais enxergar. Eu podia imaginar o que ele estava ouvindo
nos pensamentos de Alice agora. Quase afogamentos, perseguies de vampiros, amigos lobisomens...
"Hm", Edward disse curtamente, e o tom casual da voz dele havia desaparecido.
Havia uma curva larga na ruela, ainda numa descida, ento eu no havia visto o fim da rua quadrado se aproximando at que ns nos aproximamos da paredes plana, sem
janelas. A pequena chamada Jane no estava em nenhum lugar que eu pudesse ver.
Alice no hesitou, nem parou de andar enquanto se aproximava da parede de tijolos. Ento com uma graciosidade fcil, ela escorregou por um buraco aberto na rua.
Ele parecia com um ralo, aberto no ponto mais baixo da calada. Eu no tinha reparado at Alice desaparecer, mas a grade estava meio levantada. O buraco era pequeno,
e escuro.
Eu empaquei.
"Est tudo bem, Bella", Edward disse numa voz baixa. "Alice vai te segurar".
Eu olhei para o buraco duvidosamente. Eu imaginei que ele teria ido primeiro, se Demetri e Felix no estivessem esperando, sorrindo silenciosamente, atrs de ns.
Eu me abaixei, colocando as pernas pra dentro do buraco apertado.
"Alice?", eu sussurrei, com a voz tremendo.
"Eu estou bem aqui, Bella", ela me assegurou. Avoz dela veio de muito longe l embaixo pra me encontrar.
Edward agarrou meus pulsos - as mos dele pareciam pedras no inverno - ele me baixou na escurido.
"Pronta?", ele perguntou.
"Solte ela", Alice disse.
Eu fechei meus olhos pra no ver a escurido, apertando eles aterrorizada, segurando minha boca pra no gritar. Edward me deixou cair.
Foi silencioso e curto. O ar passou por mim s por meio segundo, e ento, com um excesso de raiva quando eu exalei, os braos de Alice me agarraram.
Eu ia ficar com marcas; os braos dela eram muito duros. Ela me colocou de p.
Estava escurecido, mas no escuro l embaixo. Aluz que vinha do buraco providenciava um brilho fraco, se refletindo no cho molhado nos meus ps. A luz desapareceu
por um segundo, e depois Edward era um leve brilho, um brilho branco ao meu lado. Ele colocou os braos ao meu redor, me segurando bem perto do lado dele, e comeou
a me guiar rapidamente para a frente. Eu entrelacei meus dois braos ao redor da cintura fria dele, e me atrapalhava e tropeava no meu caminho pela superfcie de
pedras que no era uniforme.
O barulho estridente da grade do buraco se fechando atrs de ns soou com um som metlico.
A luz fraca das ruas se perdeu rapidamente na escurido. O som de passos pesados ecoou no espao preto; eles pareciam muito largos, mas eu no podia ter certeza.
No houve outro som alm das batidas frenticas do meu corao e dos meus ps nas pedras molhadas - com excesso de um, quando um suspiro impaciente soou ao meu
lado.
Edward me abraava apertado. Ela passou sua mo livre na frente do seu corpo pra segurar meu rosto tambm, o seu suave polegar estava traando o cortorno dos meus
lbios. De vez em quando eu sentia o rosto dele pressionado no meu cabelo. Eu me dei conta de que essa seria a ltima reunio que teriamos, e me agarrei a ele com
mais fora.
Por enquanto, eu me sent como se ele me quisesse, e isso era o sufuciente pra aplacar o horror do tnel subterrneo e dos vampiros que perambulavam atrs de ns.
Isso provavelmente no passava de culpa - a mesma culpa que o compeliu a vir at aqui pra morrer quando ele achou que era culpa dele que eu tivesse me matado.
Mas eu sent os lbios dele se pressionando silenciosamente na minha testa, e eu no me importei com qual era a motivao. Pelomenos eu podia estar com ele de novo
antes de morrer. Isso era melhor que uma vida longa.
Eu queria poder pergunt-lo exatamente o que ia acontecer agora. Eu queria desesperadamente saber como ns amos morrer - como se isso fizesse diferena, como se
saber fosse uma vantagem. Mas eu no podia falar, nem um cochicho, cercados do jeito que estvamos.
Os outros podiam ouvir tudo - cada respirao de eu dava, as batidas do meu corao.
O caminho embaixo dos nossos ps continuou a ir pra baixo, nos levando pra mais fundo no cho, e me deixando claustrofbica. S a mo de Edward, alisando meu rosto,
estava me impedindo de gritar bem alto.
Eu no sabia dizer de onde a luz estava vindo, mas de repente tudo ficou cinza escuro ao invs de preto. Ns estvamos num tnel baixo, arqueado. Longos rastros
de uma umidade cor de bano desciam pelas paredes cinza, como se elas estivessem sangrando tinta.
Eu estava tremendo, e pensei que fosse de medo. No foi at meus dentes comearem a bater que eu perceb que estava com frio. Minhas roupas ainda estavam molhadas,
e a temperatura embaixo da cidade era invernal. Assim como a pele de Edward.
Ele percebeu isso ao mesmo tempo que eu, e se soltou de mim, segurando apenas minha mo.
"N-n-no", eu trem, jogando meus braos ao redor dele. Eu no me importava se eu congelasse. Quem sabia quanto tempo ainda teramos?
As mos geladas dele esfregaram o meu brao, tentando me manter aquecida com a frico.
Ns nos apressamos pelo tnel, ou pareceu que ns estvamos apressados s pra mim.
Meu preogresso lento irritou algum - eu acho que Felix - e eu ouvia ele suspirar profundamente de vez em quando.
No fim do tnel havia uma grade - as barras de ferro eram enferrujadas, mas to grossas quanto os meus braos. Uma pequena porta feita de barras mais finas, entrelaadas,
estava aberta.
Edward se abaixou pra passar e se apressou numa sala de pedra maior, mais iluminada. As grades se fecharam com um cling, seguido pelo barulho da maaneta sendo trancada.
Eu estava com medo demais pra olhar atrs de mim.
Do outro lado da sala havia uma porta pesada, de madeira. Ela era muito grossa - eu podia deizer porque, ela tambm, estava aberta.
Ns passamos pela porta, e eu olhei ao redor pela minha surpresa, relaxando automaticamente.
Ao meu lado, Edward ficou tenso, a mandbula dele se apertou.

21. Veredito
Ns estvamos num corredor claro, pouco notvel.
As paredes eram de um branco apagado, o cho era de carpete industrial cinza. Lmpadas fluorescentes retangulares estavam espaadas uniformemente por todo o teto.
Estava mais quente aqui, e por isso eu fiquei grata.
Esse corredor parecia muito benigno depois da escurido grotesca das paredes do esgoto.
Edward no parecia concordar com a minha opinio.
Ele olhava obscuramente para o fim do longo corredor, na direo da figura pequena, com ombros pretos l no fim, esperando no elevador.
Ele me puxou com ele, e Alice andou no meu outro lado. Aporta pesada se fechou atrs de ns, e ento houve o barulho de um ferrolho deslizando.
Jane esperou no elevador, uma mo segurando a porta aberta pra ns. A expresso dela estava aptica.
Dentro do elevador, os trs vampiros que pertenciam aos Volturi ficaram mais relaxados. Eles jogaram suas mantas pra trs, deixando o capuz cair sobre seus ombros.
Tanto Felix quanto Demetri tinham uma pele de um leve tom oliva - parecia estranho em combinao com a sua extrema palidez.
O cabelo preto de Felix era cortado curto, mas o de Demetri tocava os seus ombros. As iris dos dois eram vermelhas nas beiras, e iam escurecendo at que ficavam
completamente pretas na pupila. Embaixo de suas capas suas roupas eram modernas, plidas, e indescritveis.
Eu me acovardei num canto, me apertando contra Edward. A mo dele ainda esfregava o meu brao. Ele nunca tirava os olhos de Jane.
O passeio no elevador foi curto; ns entramos numa rea elegante que parecia uma recepo. As paredes eram cobertas de madeira, o cho era atapatado com uma cobertura
grossa, verde. No haviam janelas, mas sim grandes quadros, de uma luz brilhante que retratavam a regio Toscana e que estavam pendurados em toda parte como se fossem
uma substituio.
Sofs de couro plido estavam arrumados em grupos aconchegantes, e as mesas brilhantes sustentavam vasos de cristal cheios de bouqus com cores vibrantes. O cheiro
flores me lembraram do funeral em Forks.
No meio da sala havia um balco alto, de mogno polido. Eu me engasguei de pasmo com a mulher que ficava atrs dele.
Ela era alta, com uma pele escura e olhos verdes. Ela teria sido muito bonita em qualquer outra companhia - mas no aqui. Porque ela era exatamente to humana quanto
eu. Eu no conseguia compreender o que uma humana estava fazendo aqui, totalmente tranquila, cercada de vampiros.
Ela sorriu educadamente nos recebendo. "Boa tarde, Jane", ela disse.
No havia surpresa no rosto dela quando ela viu a companhia de Jane.
Nem Edward, com o seu peito nu brilhando fracamente na luzes brancas, e nem mesmo eu, descabelada e comparativamente horrvel.
Jane acenou com a cabea. "Gianna". Ela continuou andando na direo de uma porta duppla que ficava na parte de atrs da sala, e ns acompanhamos.
Enquanto Flix passava pela mesa, ele piscou pra Gianna, ela deu uma risadinha.
No outro lado das portas de madeira haviam uma outra espcie de recepo. O garoto plido com um terno cinza perolado podia ser o gmeo de Jane. O cabelo dele era
mais escuro, e os lbios dele no eram to cheios, mas ele era igualmente adorvel. Ele veio nos receber. Ele sorriu, se aproximando dela. "Jane".
"Alec", ela respondeu, abraando o garoto. Eles beijaram um ao outro nas duas bochechas. Depois ele olhou pra ns.
"Eles te mandam buscar um e voc volta com dois... e meio", ele notou, olhando pra mim. "Bom trabalho".
Ela sorriu - o som radiante de deleite como a gargalhada de um beb.
"Bem vindo de volta, Edward", Alec o saudou. "Voc parece de melhor humor".
"Marginalmente", Edward concordou com uma voz plana. Eu olhei para o rosto de Edward, e me perguntei como seria possvel ele estar com um humor pior antes.
Alec gargalhou, e me examinou quando eu me colei ao lado de Edward.
"E essa  a causa de todos os seus problemas?", ele perguntou, cticamente.
Edward s sorriu, sua expresso depreciativa. Depois ele congelou.
"Dibs", Felix chamou casualmente atrs de ns.
Edward se virou, um lento rosnado se constrindo no fundo do seu peito. Felix sorriu - a mo dele estava erguida, com a palma pra cima; ele curvou o dedo duas vezes,
convidando Edward a ir em frente.
Alice tocou o brao de Edward. "Pacicia", ela avisou pra ele.
Eles trocaram um longo olhar, e eu desejei poder ouvir o que ela estava dizendo pra ele. Eu imaginei que fosse alguma coisa relacionada a no enfrentar Felix, porque
Edward repirou fundo e se virou de volta pra Alec.
"Aro ficar agradado em te ver novamente", Alec disse, como se nada tivesse acontecido.
"No vamos deix-lo esperando", Jane sugeriu.
Edward acenou com a cabea uma vez.
Alec e Jane, de mos dadas, guiaram o caminho para outro grande corredor ornamentado - ser que isso ia acabar?
Eles ignoraram as portas no final do corredor - portas inteiramente cobertas de ouro - parando no meio do corredor e deslizando um painl para expor uma porta normal
de madeira. No estava trancada. Alec a segurou aberta pra Jane.
Eu queria gemer quando Edward me puxou para o outro lado da porta. Era o mesmo quadrado ansio de pedras, como a ruela, e como os esgotos. Ficou escuro e frio de
novo.
A antecmare de pedra no era muito grande. Ela se abriu rapidamente pra uma sala mais clara, cavernosa, perfeitamente redonda como uma enorme torre de castelo...
que provavelmente era exatamente o que ela era.
Dois andares acima, longas janelas jogavam finos retngulos de luz do sol no cho de pedra abaixo. No haviam luzes artificiais. Os unicos mveis na sala eram enormes
cadeiras de madeira, como tronos, que ficavam em espaos desiguais, esguichadas pelas paredes arredondadas. Bem no meio do crculo, em um pequeno declive, havia
outro buraco. Eu me perguntei se eles usavam aquilo como sada, como o outro buraco na rua.
A sala no estava vazia. Vrias pessoas estavam reunidas numa conversa que parecia relaxada. O murmrio de vozes baixas, suaves, eram um gentil zumbido no ar.
Enquanto eu observava, um par de mulheres plidas com vestidos de vero param num ponto de luz, e, como se fossem prismas, a pele delas mandaram reflexes de arco-ris
nas paredes.
Todos os rostos notveis se viraram na nossa direo quando o nosso grupo entrou na sala. A maioria dos imortis estavam vestidos com calas e camisas acima de qualquer
suspeita - coisas que no se destacariam nas ruas l em baixo.
Mas o homem que falou primeiro usava um longo robe. Ele era de um preto cor de piche, e se arrastava no cho. Por um momento, eu pensei que o seu cabelo longo, muito
preto, fosse o capuz da sua manta.
"Jane, minha querida, voc retornou!", ele falou, evidantemente deliciado. A voz dele era s um suspiro suave.
Ela caminhou em frente, e o movimento fluia com uma graa to surreal que eu fiquei admirando, com a boca aberta. Mesmo Alice, que sempre se movimentava como se
estivesse danando, no podia se comparar.
Eu fiquei ainda mais aturdida quando ele andou em frente e eu consegu ver o rosto dele. No era como os rostos sobrenaturalmente bonitos que o cercavam (j que
ele no se aproximou de ns sozinho; o grupo inteiro se convergeu ao redor dele, alguns seguindo, outros andando na frente dele de maneira alerta como se fossem
guarda costas) . Eu no conseguia decidir se o rosto dele era bonito ou no. Eu acho que as feies dele eram perfeitas. Mas ele era to diferente dos vampiros ao
seu redor quanto eles eram diferentes de mim. A pele dele era translucidamente branca, como pele de cebola, e parecia igualmente delicada - era um contraste chocante
com o cabelo que cercava seu rosto. Eu me sent estranha, com uma horrvel urgncia de tocar a bochecha dele, pra ver se era mais macia que a de Edward ou Alice,
ou se era porosa, como giz. Os olhos dele eram vermelhos, assim como os das pessoas oa seu redor, mas a cor era nebulosa, leitosa; eu me perguntei se a viso dele
era afetada pela nebusosidade.
Ele deslizou pra Jane, pegou o rosto dela em suas mos de papiro, e a beijou levemente diretamente nos lbios, e depois deu um passou pra trs.
"Sim, Mestre", Jane sorriu; a expresso fez ela parecer uma criana angelical. "Eu o trouxe de volta vivo, assim como voc desejou".
"Ah, Jane", ele sorriu tambm. "Voc  um conforto to grande pra mim".
Ele virou seus olhos nebulosos na nossa direo, e o sorriso dele brilhou - se tornou esttico.
"E Alice e Bella, tambm!", ele se alegrou, batendo suas mos magras uma na outra.
"Essa  uma feliz surpresa! Maravilhosa!"
Eu fiquei incarando chocada quando ele chamou nossos nomes informalmente, como se ns fssemos velhos amigos passando pra uma visita inesperada.
Ele se virou para o nosso acompanhante grosseiro. "Felix, seja bonzinho e diga aos meus irmos que ns temos companhia. Eu tenho certeza de que eles no vo querer
perder isso"
"Sim, Mestre", Felix balanou a cabea e desapareceu pelo caminho por onde havamos vindo.
"Voc v, Edward?", o estranho vampiro se virou e sorriu para Edward como se fosse um av afetuoso dando uma bronca. "O que eu te disse? Voc no est feliz que
eu no te dei o que voc queria ontem?"
"Sim, Aro, eu estou", ele concordou, apertando seu brao na minha cintura.
"Eu adoro um final feliz". Aro suspirou. "Eles so to raros. Mas eu quero a histria toda. Como isso aconteceu? Alice?", ele virou o olhar para Alice com olhos
curiosos, mistificados. "Seu irmo parecia pensar que voc era infalvel, mas aparentemente houve algum erro".
"Oh, eu estou longe de ser infalvel", ela deu um sorriso deslumbrante. Ela pareceu perfeitamente tranquila, exceto por suas mos estarem curvadas em bolas em seus
pequenos punhos. "Como voc pde ver hoje, eu causo problemas com a mesma frequncia que os concerto".
"Voc  muito modesta", Aro chiou. "Eu v algumas de suas incrveis faanhas, e eu devo admitir que nunca observei nada como o seu talento. Maravilhoso!"
Alice deu uma olhada pra Edward. Aro no perdeu isso.
"Me desculpe, ns no fomos apropriadamente apresentados, fomos?  s que eu sinto que j te conheo, e eu tenho a tendncia de me apressar. O seu irmo nos apresentou
ontem, de uma forma peculiar. Veja, eu e o seu irmo dividimos um talento, s que eu sou limitado de uma forma que ele no ", Aro balanou a cabea; o tom dele
estava invejoso.
"E tambm exponensialmente mais poderoso" Edward adicionou secamente. Ele olhou pra Alice enquanto ele rapidamente se explicava. "Aro precisa de contato fsico pra
ouvir os pensamentos, mas ele consegue ouvir muito mais do que eu. Voc sabe que eu s posso ouvir o que se passa na sua cabea no momento. Aro ouve cada pensamento
que a sua mente j teve".
Alice levantou as delicadas sobrancelhas, e Edward inclinou a cabea pra ela.
Aro no perdeu isso tambm.
"Mas ser capaz de ouvir  distncia..." Aro suspirou, fazendo um gesto na direo dos dois, e a troca que havia acabado se passar. "Isso seria to conveniente".
Aro olhou por cima dos ombros. Todas as outras cabeas se viraram na mesma direo, incluindo Jane, Alec e Demetri, que estavam silenciosamente ao nosso lado.
Eu fui a mais lenta pra me virar. Felix estava de volta, e atrs dele flutuaram outros dois homens com robes pretos. Os dois homens pareciam muito com Aro, um deles
at tinha o mesmo cabelo preto. O outro tinha um cabelo cor de neve - o mesmo tom de cor da pele dele - que encostava nos ombros dele. Os rostos deles trs tinha
a mesma pele, fina como papel.
O trio da pintura de Carlisle estava completo, exatamente o mesmo de trezentos anos atrs quando o quadro foi pintado.
"Marcus, Caius, olhem!", Aro sussurrou. "Bella est viva afinal, e Alice est aqui com ela! Isso no  maravilhoso?"
Nenhum dos dois parecia escolher maravilhoso como a primeira palavra que vinha na mente deles. O homem de cabelos escuros parecia extremamente entediado, como se
ele j estivesse de saco cheio do entusiasmo de Aro. O olhar do outro estava cido por baixo do cabelo cor de neve.
A falta de interesse no mudou o divertimento de Aro.
"Vamos ouvir a histria", Aro quase cantou na sua voz plumosa.
O vampiro ansio com o cabelo branco se afastou, deslizando na direo de um dos tronos de madeira. O outro parou ao lado de Aro, a alcanou sua mo, a no comeo
eu pensei que ele fosse segurar a mo de Aro. Mas ele s tocou a palma de Aro brevemente e depois colocou a sua mo de lado. Aro ergueu uma sobrancelha preta.
Eu me perguntei como a sua pele de papel no se rompeu com o esforo.
Edward rosnou muito baixinho, e Alice olhou pra ele, curiosa.
"Obrigado, Marcus", Aro disse. "Isso  muito interessante".
Eu me dei conta, um segundo atrasada, de que Marcus estava deixando Aro ver seus pensamentos.
Marcus no parecia interessado. Ele deslizou pra longe de Aro para se juntar a aquele que s podia ser Caius, sentado contra a parede.
Dois vampiros atendentes seguiram silenciosamente atrs dele - guarda costas, como eu havia pensado antes.
Eu podia ver que as duas mulheres com vestido de vero foram ficar ao lado de Caius da mesma maneira. A idia de vampiros precisando de guarda costas era extremamente
ridcula pra mim, mas talvez os vampiros ansies fossem to frgeis quanto a pele deles sugeria.
Aro estava balanando a cabea. "Incrivel", ele disse. "Absolutamente incrivel".
A expresso de Alice estava frustrada. Edward se virou pra ela e explicou de novo numa voz rpida e baixa. "Marcus v relacionamentos. Ele est surpreso pela intensidade
do nosso".
Aro sorriu. "To conveniente", ele repetiu pra s mesmo. E ento ele falou pra ns. " um pouco difcil surpreender Marcus, eu lhes asseguro".
Eu olhei para o rosto morto de Marcus, e acreditei nisso.
" to difcil de entender, mesmo agora", Aro meditou, olhando para o brao de Edward agarrado em mim. Pra mim era difcil acompanhar a catica linha de pensamento
de Aro. Eu lutava pra acompanhar. "Como  que voc consegue ficar assim to perto dela?"
"No  sem esforo", Edward respondeu calmamente.
"Mas mesmo assim - la tua cantante! Que desperdcio!"
Edward gargalhou uma vez sem humor. "Eu considero isso mais como um preo".
Aro estava ctico. "Um preo muito alto".
"O preo da oportunidade".
Aro sorriu. "Se eu no tivesse cheirado ela atravs das suas memrias, eu nunca teria acreditado que o chamado do sangue de algum pudesse ser to forte. Eu mesmo
nunca sent nada assim. A maioria de ns trocaria qualquer coisa por tal dom, e ainda assim voc..."
"Desperdia", Edward finalizou, a voz dele estava sarcstica agora.
Aro sorriu de novo. "Ah, como eu sinto falta de meu amigo Carlisle! Voc me lembra dele - s que ele no era to raivoso".
"Carlisle me excede em muitos outros sentidos tambm".
"Eu certamente nunca esperei ver Carlisle perdendo o auto-controle entre todas as coisas, mas voc consegue super-lo".
"Dificilmente". Edward parecia impaciente. Como se ele estivesse cansado das preliminares. Isso me deixou com mais medo; eu no conseguia deixar de imaginar o que
ele achava que viria a seguir.
"Eu estou gratificado com o sucesso dele", Aro meditou. "As suas memrias dele so um verdadeiro presente pra mim, apesar de elas terem me deixado extenuosamente
aturdido. Eu estou surpreso de como isso... me agrada, o seu sucesso com os mtodos incomuns que ele escolheu. Eu esperava que ele fosse desistir, enfraquecer com
o tempo. Eu ridicularizei seus planos de encontrar outros que dividissem a sua viso particular. Mesmo assim, de alguma forma, eu estou feliz por estar errado".
Edward no respondeu.
"Mas a sua resistncia!", Aro suspirou. "Eu no sabia que tal fora era possvel. Ignorar a s mesmo  um chamado to urgente, no apenas uma vez mas de novo e de
novo - se eu mesmo no tivesse sentido isso, eu nunca teria acreditado".
Edward olhou de volta para a admirao de Aro sem nenhuma expresso. Eu conhecia o rosto dele bem o suficiente - o tempo no havia mudado isso - pra adivinhar que
tinha alguma coisa se passando por sua superfcie.
Eu lutei pra manter minha respirao uniforme.
"S de me lembrar o quanto ela  apelativa pra voc...", Aro gargalhou. "Eu j fico com sede".
Edward ficou tenso.
"No fique perturbado", Aro o assegurou. "Eu no represento perigo pra ela. Mas eu estou to curioso, sobre uma coisa em particular". Ele me olhou brilhando de interesse.
"Posso?", ele perguntou ansiosamente, levantando uma mo.
"Pergunte a ela", Edward sugeriu numa voz plana.
" claro, que rude da minha parte!", Aro exclamou. "Bella", ele se dirigia diretamente a mim agora. "Eu estou fascinado que voc  a nica exceo para o impressionante
talento de Edward -  muito interessante que uma coisa assim ocorra! E eu estava imaginando, j que os nossos talentos so similares de tantas formas, se voc seria
gentil de me deixar tentar - pra ver te voc  uma exceo pra mim, tambm?"
Meus olhos olharam pra Edward aterrorizados. Apesar da evidente educao de Aro, eu no acreditava que realmente tivesse uma escolha. Eu estava horrorizada com o
pensamento de deixar ele me tocar, e ainda assim perceveramente intrigada pela chance de sentir a sua estranha pele.
Edward acenou com a cabea me encorajando - fosse porque ele tinha certeza de que Aro no me machucaria, ou porque no havia outra escolha, eu no sabia dizer.
Eu me virei de volta pra Aro e ergui a minha mo lentamente na minha frente. Ele estava tremendo.
Ele deslizou pra mais perto, e eu acredito que ele pretendia fazer a expresso dele ser tranquilizadora. Mas as feies de papel dele eram estranhas demais, muito
aliengenas e assustadoras, pra tranquilizarem. O olhar no rosto dele era mais confiante do que as suas palavras haviam sido.
Aro se aproximou, como se fosse pra apertar minha mo, e pressionou a sua pele de aparncia insubstancial na minha.
Ela era dura, mas parecia ser frgil - parecia mais xisto do que granito - e era muito mais fria do que eu esperava.
Seus olhos fumacentos sorriam para os meus, e era impossvel desviar o olhar.
Eles eram hipnticos de uma maneira estranha, desagradvel.
O rosto de Aro se modificou enquanto eu observava. A confiana desapareceu, e primeiro se transformou em dvida, depois em incredulidade antes que se acalmasse numa
mscara amigvel.
"Muito interessante", ele disse enquanto soltava a minha mo e voltava pra trs.
Meus olhos passaram pra Edward, e, apesar do rosto dele estar composto, eu achei que ele parecia um pouco presumido.
Aro continuou a se afastar com uma expresso pensativa. Ele ficou quieto por um momento, seus olhos passando rapidamente por ns trs. Ento, abruptamente, ele balanou
a cabea.
"A primeira", ele disse pra s mesmo. "Eu me pergunto se ela  imune aos nossos outros talentos... Jane, querida?"
"No!", Edward rosnou com a palavra. Alice agarrou o brao dele com uma mo de restrino. Ele a sacudiu.
A pequena Jane sorriu alegremente para Aro. "Sim, Mestre?"
Edward estava realmente rosnando agora, o som rasgando e escapando de dentro dele, ele estava olhando pra Aro com olhos violentos.
A sala inteira havia ficado imvel, todo mundo olhando pasmo de descrena, como se ele estivesse cometendo algum tipo de falha social grave. Eu v Felix sorrir rsperanosamente
e dar um passo  frente. Aro olhou pra ele uma vez, e ele congelou no lugar, o seu sorriso se transformando numa expresso mal humorada.
Depois ele falou com Jane. "Eu estava imaginando, minha querida, se Bella  imune a voc".
Eu mal podia ouvir Aro por cima dos rosnados furiosos de Edward. Ele me soltou, se movendo pra ficar na minha frente.
Caius se moveu na minha direo, com suas acompanhantes, para observar.
Jane se virou na nossa direo com um sorriso angelical.
"No!", Alice gritou quando Edward se lanou em cima da menininha.
Antes que eu pudesse reagir, antes que algum pudesse se colocar entre eles, antes que os guarda costas de Aro pudessem ficar tensos, Edward estava no cho.
Ningum havia tocado nele, mas ele estava no cho se contorcendo com evidente agonia, enquanto eu observava horrorizada.
Jane estava sorrindo pra ele agora, e tudo fez sentido.
O que Alice disse sobre dons formidveis, o porque que todo mundo tratava Jane com tanto respeito, e porque Edward havia se jogado no caminho dela antes que ela
pudesse chegar at mim.
"Pare!", eu implorei, minha voz ecoando no silncio, eu pulei para a frente pra me colocar no caminho deles. Alice colocou os braos ao meu redor num aperto inquebrvel
e ignorou minha luta. Nenhum som escapou dos lbios de Edward enquanto ele se contorcia no cho de pedras. Eu pensei que a minha cabea ia explodir de dor por ficar
observando isso.
"Jane", Aro chamou ela numa voz tranquila. Ela olhou pra cima, ainda sorrindo de prazer, os olhos dela questionando. Assim que Jane desviou o olhar, Edward ficou
imvel.
Aro inclinou sua cabea na minha direo.
Jane virou o seu sorriso na minha direo.
Eu nem olhei de volta pra ela. Eu observei Edward da priso dos braos de Alice, ainda lutando sem sucesso.
"Ele est bem", Alice cochichou com uma voz dura. Enquanto ela falava, ele se sentou, e ento saltou levemente para os ps. Os olhos dele encontraram os meus, e
eles estavam golpeados de horror. Primeiro eu pensei que o horror era pelo que ele tinha acabado de sofrer. Mas ele olhou rapidamente pra Jane, e de volta pra mim
- e o rosto dele relaxou de alvio.
Eu olhei pra Jane tambm, e ela no estava mais sorrindo. Ela estava me encarando, a sua mandbula apertada com a intensidade da sua concentrao. Eu me encolh,
esperando pela dor.
Nada aconteceu.
Edward estava ao meu lado de novo. Ele tocou o brao de Alice, e ela me rendeu pra ele.
Aro comeou a rir. "Ha, ha, ha", ele gargalhou. "Isso  maravilhoso!".
Jane bufou de frustrao, se inclinando pra frente como se ela estivesse pronta pra atacar.
"No fique chateada, querida", Aro disse num tom reconfortante, colocando uma mo branca como talco no ombro dela. "Ela confunde todos ns".
O lbio superior de Jane se curvou por cima de todos os seus dentes enquanto ela continuava a me encarar.
"Ha, ha, ha", Aro gargalhou de novo. "Voc  muito corajoso, Edward, por ter suportado em silncio. Eu ped pra Jane fazer isso comigo uma vez - s por curiosidade".
Ele balanou a cabea com admirao.
Edward encarou, enojado.
"Ento o que fazemos com vocs?", Aro suspirou.
Edward e Alice enrigeceram. Essa era a parte pela qual eles estavam esperando. Eu comecei a tremer.
"Eu no acho que exista alguma chance de voc ter mudado de idia?", Aro perguntou a Edward esperanosamente. "O seu talento seria uma grande adio para a nossa
pequena companhia".
Edward hesitou. Do canto do meu olho, eu v Felix e Jane fazendo careta.
Edward pareceu pesar cada palavra antes de falar. "Eu... prefiro... no".
"Alice?", Aro perguntou, ainda esperanoso. "Ser que voc poderia estar interessada em se juntar a ns?"
"No, obrigada", Alice disse.
"E voc, bella?", Aro ergueu as sobrancelhas.
Edward assobiou, baixinho no meu ouvido. Eu olhei pra Aro como uma pgina em branco. Ele estava fazendo piada? Ou ser que ele realmente estava me perguntando se
eu queria ficar para o jantar?
Foi o Caiuo de cabelo branco quem quebrou o silncio.
"O que?", ele quis saber de Aro; a voz dele, apesar de no ser mais que um sussurro, era plana.
"Caius, voc certamente v o potencial", Aro o repreendeu afetivamente. "Eu no vejo um talento to promissor desde que encontramos Jane e Alec. Voc pode imaginar
as possibilidades se ela se transformar em uma de ns?"
Caius desviou o olhar com uma expresso custica. Os olhos de Jane brilharam de indignao pela comparao.
Edward fumaou ao meu lado. Eu podia ouvir o estrondo no peito dele, se transformando em um rosnado. Eu no podia deixar que o seu temperamento acabasse o machucando.
"No, obrigada", eu falei numa voz que no passava de um sussurro, minha voz quebrando de medo.
Aro suspirou. "Isso  uma pena. Tanto desperdcio".
Edward assobiou. "Se juntar ou morrer, no  isso? Eu j suspeitava quando ns fomos trazidos a essa sala. Tanto por suas leis".
O tom de voz dele me surpreendeu. Ele parecia irado, mas havia alguma coisa deliberada na sua fala - como se ele houvesse escolhido as palavras com grande cuidado.
" claro que no", Aro piscou, abismado. "Ns j estvamos reunidos aqui, Edward, esperando pelo retorno de Heidi. No por voc".
"Aro", Caius assobiou. "A lei clama por eles".
Edward olhou pra Caius. "Como  isso?", ele quis saber. Ele j devia saber o que Caius estava pensando, mas ele parecia determinado a faz-lo falar em voz alta.
Caius apontou um dedo esqueltico pra mim. "Ela sabe demais. Voc exps os nossos segredos". A voz dele era fina como papel, assim como a pele dele.
"Tem alguns humanos nessa sua piadinha aqui, tambm", Edward lembrou ele, eu pensei na recepcionista bonita l embaixo.
O rosto de Caius se transformou em outra expresso. Era pra ele estar sorrindo.
"Sim", ele concordou. "Mas quando eles j no forem mais teis para ns, eles vo servir pra nos sustentar. Esse no  o seu plano pra essa a. Se ela trair o nosso
segredo, voc estaria preparado pra destru-la? Eu acho que no", ele fez escrnio.
"Eu no iria -", eu comecei, ainda cochichando. Caius me silenciou com um olhar gelado.
"Voc tambm no tem a inteno de torn-la uma de ns", Caius continuou. "Portanto, ela  uma vulnerabilidade. Apesar disso ser verdade, por isso, s a vida dela
deve ser penalizada. Vocs podem ir embora se quiserem".
Edward mostrou os dentes.
"Foi isso que eu pensei", Caius disse, agradado com alguma coisa. Felix se inclinou para a frente, ansioso.
"A no ser..." Aro interrompeu. Ele no parecia contente com o rumo que a conversa havia tomado. "A no ser que voc tenha a inteno de d-la a imortalidade".
Edward torceu os lbios, hesitando por um momento antes de responder. "E se eu tiver?"
Aro sorriu, feliz de novo. "Ora, ento voc pode ir pra casa e dar as minhas lembranas ao meu amigo Carlisle". A expresso dele se tornou mais hesitante. "Mas eu
temo que voc tenha que ser sincero".
Aro ergueu a mo na frente dele.
Caius, que havia comeado e fazer caretas furiosas, relaxou.
Os lbios de Edward se pressionaram at se tornarem uma linha estreita. Ele me olhou nos olhos, e eu olhei de volta.
"Seja sincero", eu sussurrei. "Por favor".
Ele realmente achava essa uma idia to abominvel? Ser que ele preferiria morrer a me mudar? Eu me sentia como se tivesse sido chutada no estmago.
Edward olhou para a minha expresso torturada.
E ento Alice se separou de ns, e foi na direo de Aro. Ns nos viramos pra olh-la.
A mo dela estava erguida como a dele.
Ela no disse nada, e Aro mandou seus ansiosos guardas embora com um gesto quando eles se aproximaram pra bloquear a aproximao dela. Aro se encontrou com ela no
meio do caminho, e pegou a mo dela com um brilho ansioso, aquisitivo, nos olhos.
Ele inclinou sua cabea na direo de suas mos juntas, seus olhos se fechando enquanto ele se concentrava. Alice estava imvel, o rosto dela vazio. Eu ouv os dentes
de Edward se fechando.
Ningum se mexeu. Aro parecia estar congelado em cima da mo de Alice. Os segundos se passaram e eu fiquei mais e mais estressada, me perguntando quanto tempo se
passaria antes que houvesse se passado tempo demais. Antes que isso significasse que havia alguma coisa errada - mais do que j havia.
Outro momento de agonia se passou, e ento a voz de Aro quebrou o silncio.
"Ha, ha, ha", ele riu, a cabea dele ainda inclinada para a frente. Ele olhou pra cima lentamente, seus olhos estavam brilhando de excitao. "Isso foi fascinante!"
Alice sorriu secamente. "Eu fico feliz que voc tenha gostado".
"Ver as coisas que voc viu - especialmente aquelas que ainda no aconteceram!", ele balaou a cabea maravilhado.
"Mas que iro", ela o lembrou, com a voz calma.
"Sim, sim, isso j est bem determinado. Certamente no h nenhum problema".
Caius pareceu um pouco desapontado - um sentimento que ele parecia compartilhar com Felix e Jane.
"Aro", Caius reclamou.
"Querido Caius", Aro sorriu. "No tema. Pense nas possibilidades! Eles no se juntam a ns hoje, mas ns podemos sempre esperar pelo futuro. Imagine a alegria que
a pequena Alice traria para a nossa casa... Alm do mais, eu estou to terrvelmente curioso pra ver como Bella se sai!"
Aro pareceu convencido. Ele no se dava conta de como as vises de Alice podiam ser subjetivas. Ser que ele no via que ela podia estar convencida a me transformar
hoje, e mudar de idia amanh? Um milho de pequenas decises, dela e de tantos outros tambm - as de Edward - podiam alterar o caminho dela, e com isso, alterar
o futuro.
E ser que realmente fazia diferena o que Alice queria, ser que faria tanta diferena se eu me tornasse uma vampira, j que a idia era to repulsiva para Edward?
Se a morte era, pra ele, uma alternativa melhor do que me ter por perto pra sempre, uma chatice imortal?
Aterrorizada como eu estava, eu sent vontade de me afundar na depresso, de me afogar nela..
"Ento estamos livres pra ir agora?" Edward perguntou com uma voz unifome.
"Sim, sim", Aro disse, absolutamente agradado. "Mas por favor, visitem de novo. Isso foi absolutamente fascinante".
"E ns tambm visitaremos vocs", Caius prometeu, os olhos dele ficaram meio fechados de repente como se fossem plpebras pesadas de um lagarto. "Pra ter certeza
de que voc far o que promete. Se eu fosse voc, eu no demoraria muito. Ns no damos segunda chance".
A mandbula de Edward se apertou forte, mas ele acenou com a cabea uma vez.
Caius sorriu e deslizou para onde Marcus continuava sentado, sem se mexer e desinteressado.
Felix gemeu.
"Ah, Felix", Aro sorriu, divertido. "Heidi estar aqui a qualquer momento. Pacincia".
"Hmm". A voz de Edward tinha um som diferente. "Nesse caso,  melhor irmos logo do que deixar pra depois".
"Sim", Aro concordou. "Essa  uma boa idia. Acidentes podem acontecer. Por favor esperem aqui at anoitecer, se vocs no se importarem".
" claro", Edward concordou, enquanto eu me contorcia com a idia de esperar at o dia terminar pra poder escapar.
"E aqui", Aro adicionou, fazendo um gesto pra Felix com um dedo. Felix se aproximou imediatamente, e Aro tirou a manta cinza que o enorme vampiro usava, tirando-a
de seus ombros. Ele passou ela pra Edward. "Pegue isso. Voc parece um pouco suspeito".
Edward colocou a longa manta, deixando o capuz abaixado.
Aro suspirou. "Combina com voc".
Edward gargalhou, mas parou de repente, olhando por cima do ombro. "Obrigado, Aro. Ns esperaremos l embaixo".
"Adeus, jovens amigos", Aro disse, com os olhos brilhantes enquanto olhava na mesma direo.
"Vamos", Edward disse, urgente agora.
Demetri fez um gesto para que o segussemos, e depois ns guiou pelo caminho de onde viemos, a nica sada pelo que parecia.
Edward me puxou rapidamente ao lado dele. Alice estava perto pelo meu outro lado, o rosto dela estava duro.
"No fomos rpidos o suficiente", ela murmurou.
Eu olhei pra ela, assustada, mas ela s pareceu pesarosa. Foi a que eu ouv vozes tagarelando - vozes altas, speras - vindas da antecmara.
"Isso no  normal", a voz grossa de um homem estrondou.
" to medieval", um esguicho desagradvel, uma voz feminina se fez ouvir no fundo.
Uma grande multido estava passando pela porta, enchendo a cmara menor. Demetri fez um gesto para que dessemos espao. Ns nos pressionamos na parede fria pra deix-los
passar.
Um casal na frente, Americanos pelo jeito deles, olharam ao redor com olhos avaliadores.
"Bem vindos, visitantes! Bem vindos  Volterra!", eu podia ouvia a voz de Aro cantar de dentro da grande sala redonda.
O resto deles, talvez quarenta ou mais, entraram depois do casal. Alguns estudavam panfletos como turistas. Alguns deles at tiravam fotos. Outros pareciam confusos,
como se a histria que os guiou at al j no fizesse sentido.
Eu notei em uma mulher pequena, escura, em particular. Ela tinha um rosrio ao redor do pescoo, e ela segurava a cruz com fora em uma das mos. Ela caminhava mais
devagar do que os outros, tocando algum de vez em quando pra fazer perguntas em uma lngua desconhecida. Ningum parecia entend-la, e a voz dela comeou a parecer
mais cheia de pnico.
Edward puxou meu rosto para o peito dele, mas j era tarde demais. Eu j tinha entendido.
Assim que a menor brecha apareceu, Edward me puxou rapidamente para a porta. Eu podia sentir a expresso horrorizada no meu rosto, e as lgrimas comeando a se aglomerar
nos meus olhos.
O corredor ornamentado com ouro estava quieto, vazio exceto por uma linda mulher, parecida com uma esttua. Ela olhou curiosamente pra mim, em particular.
"Bem vinda ao lar, Heidi" Demetri a saudou atrs de ns.
Heidi sorriu ausentemente. Ela me lembrava de Rosalie, apesar delas duas no se parecerem em nada - era s que a beleza dela, tambm, era excepcional, inesquecvel.
Eu no parecia ser capaz de desviar a vista.
Ela estava vestida para enfatizar a sua beleza. Suas penas incrivelmente longas, escurecidas com meias, estavam expostas pela mais curta das mini-saias. O top dela
tinha mangas longas e colarinho alto, mas era extremamente justo, e feito de vinil vermelho. Seu longo cabelo cor de mogno era lustroso, e os olhos dela eram de
um estranho tom violeta - a cor devia ser resultado de lentes de contato azuis com os olhos vermelhos.
"Demetri", ela respondeu com uma voz sedosa, seus olhos passando rapidamente entre o meu rosto e a manta cinza de Edward.
"Boa pesca", Demetri a cumprimentou, e eu finalmente compreendi a roupa chamativa que ela usava... ela no era s a pescadora, mas era tambm a isca.
"Obrigada", ela mostrou um sorriso formidvel. "Voc no vem?"
"Em um minuto. Guarde alguns pra mim".
Heidi balanou a cabea e passou pela porta com uma ltima olhada curiosa pra mim.
Edward comeou a andar num ritmo que me fez correr pra acompanhar.
Ns ainda no haviamos conseguido alcanar a porta ornamentada no fim do corredor quando a gritaria comeou.

22. Vo
Demetri nos deixou na alegre recepo opulenta, onde a mulhaer chamada Gianna ainda estava no seu posto atrs do balco polido. Uma msica brilhante, inofensiva
saa dos auto falantes.
"No deixem at que esteja escuro", ele nos advertiu.
Edward balanou a cabea, e Demetri se apressou pra ir embora.
Gianna no pareceu nem um pouco surpresa com a mudana, apesar dela ter olhado para a manta emprestada de Edward com astuta especulao.
"Voc est bem?", Edward perguntou por baixo do flego, baixo demais para a mulher humana ouvir. A voz dele estava dura - se veludo puder ser duro - com ansiedade.
Ainda estressado pela nossa situao, eu imaginei.
" melhor voc sentar ela antes que ela caia", Alice disse. "Ela est cando aos pedaos".
Foi s a que eu me dei conta de que estava tremendo, tremendo muito, meu corpo inteiro estava vibrando at que os meus dentes comearam a bater e a sala comeou
a balanar e parecer um borro na frente dos meus olhos. Por um louco segundo, eu me perguntei se era assim que Jacob se sentia quando estava prestes a explodir
em um vampiro.
Eu ouv um som que no fazia sentido, um estranho contraponto, rasgante, diferente da msica que outrora estava to alegre. Distraida pelos tremores, eu no sabia
dizaer de onde ele estava vindo.
"Shh, Bella, shh", Edward disse enquanto me colocava no sof mais distante da curiosa humana no balco.
"Eu acho que ela est ficando histrica. Talvez voc devesse dar um tapa nela", Alice sugeriu.
Edward deu uma olhada frentica pra ela.
Foi a que eu entend. Oh. O barulho era eu. O som rasgante estava vindo do meu peito. Era isso que estava me fazendo tremer.
"Est tudo bem, voc est a salvo, est tudo bem", ele cantava de novo e de novo.
Ele me colocou no colo e passou a manta grossa por cima de mim, me protegendo da sua pele fria.
Eu sabia que era estupidez reagir assim. Quem sabia quanto tempo eu ainda teria nessa situao? Ele estava a salvo, e eu estava a salvo, e ele podia me deixar assim
que ns estivessemos livre.
Ter os meus olhos to cheios de lgrimas que eu no podia nem enxergar o rosto dele era um desperdcio - uma insanidade.
Mas, atrs dos meus olhos, minhas lgrimas no conseguiam lavar a imagem, eu ainda podia ver o rosto cheio de pnico da pequena mulher com o rosrio.
"Todas aquelas pessoas", eu solucei.
"Eu sei", ele cochichou.
" to horrvel".
"Sim,  sim. Eu queria que voc no tivesse que ter visto aquilo".
Eu descansei minha cabea no seu peito gelado, usando a manta grossa pra limpar meus olhos. Eu respirei fundo algumas vezes, pra me acalmar.
"H alguma coisa que eu possa pegar pra vocs?", uma voz perguntou educadamente. Era Gianna se inclinando por cima do ombro de Edward que era de preocupao e ainda
profissional e destacado ao mesmo tempo. Ela no parecia estar incomodada com o fato de que estava a poucos centmetros de um vampiro hostl. Ou ela era completamente
inconsciente, ou muito boa em seu trabalho.
"No", Edward respondeu friamente.
Ela balanou a cabea, sorriu pra mim, e depois desapareceu.
Eu esperei at que ela sasse da rea de escuta. "Ela sabe o que est acontecendo por aqui?" Eu quis saber, minha voz esta baixa e rouca. Eu estava me controlando,
minha respirao saindo uniformemente.
"Sim. Ela sabe de tudo", Edward me disse.
"Ela sabe que eles vo mat-la um dia?"
"Ela sabe que  uma possibilidade", ele disse.
Isso me surpreendeu.
O rosto de Edward era difcil de ler. "Ela est esperando que eles decidam ficar com ela".
Eu sent o sangue fugir do meu rosto. "Ela quer ser um deles?"
Ele acenou com a cabea uma vez, seus olhos afiados no meu rosto, observando minha reao.
Eu levantei os ombros. "Como  que ela pode querer isso?" Eu sussurrei, mais pra mim mesma do que realmente procurando por uma resposta. "Como  que ela pode ver
aquelas pessoas enchendo aquela sala odiosa e querer ser parte disso?"
Edward no respondeu. A expresso dele se torceu em resposta a alguma coisa que eu havia dito.
Eu olhei para o seu rosto perfeito demais, tentando entender a mudana, e de repente me caiu a ficha de que eu estava realmente aqui, nos braos de Edward, mesmo
que por pouco tempo, e ns no estvamos - nesse exato momento - prestes a sermos mortos.
"Oh, Edward", eu chorei, e j estava soluando de novo. Era uma reao estpida. As lgrimas eram grossas demais pra que eu pudesse ver o rosto dele de novo, e isso
era imperdovel. Eu s tinha at o pr do sol com certeza. Como um conto de fadas de novo, com fim da linha onde a magia acabava.
"Qual  o problema?", ele perguntou, ainda ansioso, esfregando as minhas costas com palmadinhas gents.
Eu passei meus braos ao redor do pescoo dele - qual era a pior coisa que ele podia fazer? S me afastar - e me abracei mais perto dele. " realmente doentio da
minha parte estar feliz agora?" Eu perguntei. Minha voz se quebrou duas vezes.
Ele no me afastou. Ele me agarrou apertado no seu peito duro e gelado, to apertado que era difcil respirar, mesmo com os meus pulmes seguramente intactos.
"Eu sei o que voc quer dizer", ele sussurrou. "Mas ns temos muitas razes pra estarmos felizes. Pra comear, estamos vivos".
"Sim", eu concordei. "Essa  uma boa".
"E juntos", ele respirou. O hlito dele era to doce que fez minha cabea girar.
Eu s balancei a cabea, certa de que ele no considerava essa considerao como eu.
"E, com alguma sorte, ainda estaremos vivos amanh".
"Espero que sim", eu disse com dificuldade.
"As chances so muito boas", Alice me assegurou. Ela esteve to quieta, que eu quase me esquec da presena dela. "Eu vou ver Jasper em menos de vinte e quatro horas",
ela adicionou com um tom satisfeito.
Alice sortuda. Ela podia confiar em seu futuro.
Eu no consegu manter meus olhos longe dos olhos de Edward por muito tempo. Eu olhei pra ele, querendo mais do que tudo que o futuro nunca acontecesse. Que esse
momento durasse pra sempre, ou, se no pudesse, que eu parasse de existir quando esse momento no existisse.
Edward olhou de volta pra mim, seus olhos escuros estavam suaves, e foi fcil fingir que ele se sentia do mesmo jeito. Ento foi isso que eu fiz. Eu fing, pra tornar
o momento mais doce.
As pontas dos dedos dele traaram os crculos embaixo dos meus olhos. "Voc parece to cansada".
"Voc parece com sede", eu cochichei de volta, estudando as manchas roxas embaixo das suas ris pretas.
Ele levantou os ombros. "No  nada".
"Voc tem certeza? Eu posso ir me sentar com Alice", eu oferec, sem vontade; eu preferia que ele me matasse agora do que me mover um centmetro de onde eu estava.
"No seja ridcula". Ele suspirou; seu hlito doce acariciou meu rosto. "Eu nunca tive mais controle dessa parte da minha natureza do que agora".
Eu tinha um milho de perguntas pra ele. Uma delas fez ccegas nos meus lbios agora, mas eu segurei a minha lngua. Eu no queria arruinar o momento, mesmo imperfeito
como era, aqui nessa sala que me deixava doente, embaixo dos olhos de uma aprendiz de monstro.
Aqui nos braos dele, era to fcil fantasiar que ele me queria. Eu no queria pensar nas motivaes dele agora - se ele estava agindo assim pra me manter calma
enquanto ainda estavamos correndo perigo, ou se ele s se sentia culpado por estarmos onde estvamos e aliviado qua no era responsvel pela minha morte. Talvez
o tempo separados fosse o suficiente pra que eu no o aborecesse no momento. Mas isso no importava. Eu estava muito mais feliz fingindo.
Eu fiquei quieta nos braos dele, re-memorizando o seu rosto, fingindo...
Ele olhava para o meu rosto como se estivesse fazendo o mesmo, enquanto ele e Alice discutiam como voltar pra casa. As vozes deles eram to rpidas e baixas que
eu sabia que Gianna no conseguia entender. Eu mesma perd a metade. No entanto, parecia que haviam mais roubos envolvidos. Eu me perguntei se o Porshe amarelo chamativo
j havia voltado para o seu dono.
"Que conversa foi aquelas sobre cantores?", Alice perguntou uma hora.
"La tua cantante", Edward disse. A voz dele fez as palavras parecerem msica.
"Sim, isso", Alice disse, e eu me concentrei por um momento. Eu havia me perguntado sobre isso tambm, naquela hora.
Eu sent Edward levantar os ombros os meu redor. "Eles tm um nome pra as pessoas que cheiram como a Bella cheira pra mim. Eles a chamam de minha cantora - porque
o sangue dela canta pra mim".
Alice sorriu.
Eu estava cansada o suficiente pra dormir, mas eu lutei contra a inconscincia. Eu no ia perder nem um segundo do tempo que tinha com ele. De vez em quando, enquanto
ele falava com Alice, ele se inclinava de repente e me beijava - seus lbios gelados e macios passavam no meus cabelo, na minha testa, a ponta do meu nariz.
E cada vez era como se um choque eletrico estivesse passando no meu corao h muito adormecido. Os sons das batidas dele pareciam encher a sala inteira.
Era o paraso - bem no meio do inferno.
Eu perd completamente a noo do tempo. Ento quando os braos de Edward se apertaram ao meu redor, e ele e Alice olharam para o fim da sala com olhos cautelosos,
eu entrei em pnico. Eu me apertei no peito de Edward enquanto Alec - seus olhos de uma cor rubi vvida agora, mas ainda impecvel com o seu terno cinza claro apesar
da refeio da tarde - passou pela porta dupla.
Eram boas notcias.
"Vocs esto livres pra ir agora", Alec nos disse, o tom dele era to clido que se poderia pensar que eramos todos amigos de longa data. "Ns os pedimos que no
se demorem na cidade".
Edward no inventou nenhuma resposta educada; a voz dele era fria como gelo. "Isso no ser um problema".
Alec sorriu, balanou a cabea, e desapareceu novamente.
"Sigam o corredor direito ao redor da esquina para chegarem no primeiro pavimento de elevadores", Gianna nos disse enquanto Edward me ajudava a ficar de p. "O sanguo
 dois andares abaixo, e  a sada para a rua. Adeus, agora", ela adicionou prazerozamente. Eu me perguntei se a competncia dela seria o suficiente pra salv-la.
Alice deu uma olhada obscura pra ela.
Eu estava aliviada por haver outra sada; eu no tinha certeza de que podia aguentar outro passeio pelos subterrneos.
Ns deixamos pelo saguo luxuoso. Eu fui a nica que olhou de volta para o castelo medieval que abrigava aquela faxada elaborada de lugar de negcios de onde eu
no conseguia ver a torre, motivo pelo qual eu fiquei agradecida.
A festa ainda estava com fora total nas ruas. As luzes das ruas ainda estavam se acendendo enquanto ns andavamos rapidamente pelas apertadas ruas lotadas.
O cu l em cima estava de uma cor cinza sombria que estava desaparecendo, mas os prdios na rua ficavam to prximos um do outro que pareciam estar mais escuro.
A festa tambm estava mais escura. A longa e esvoaante manta e Edward no se destacava muito do que devia ser mais uma noite normal em Volterra. Haviam outras mantas
de cetin preto agora, e os dentes de plstico com as presas que eu v na criana de preaa essa tarde pareciam ser muito populares com os adultos.
"Ridculo", Edward murmurou uma vez.
Eu no reparei quando Alice desapareceu do meu lado. Eu olhei pra ela pra fazer uma pergunta, e ela tinha sumido.
"Onde est Alice?", eu perguntei em pnico.
"Ela foi recuperar as suas bolsas de onde ela as escondeu hoje de manh"
Eu havia esquecido que tinha acesso a uma escova de dentes. Isso abrilhantou o meu humor consideravelmente.
"Ela est roubando um carro tambm, no est?", eu adivinhei.
Ele abriu um sorriso. "No at estarmos do lado de fora".
Pareceu demorar muito tempo at chegarmos na entrada. Edward podia ver que eu estava exausta; ele colocou seu brao ao redor da minha cintura e carregou a maior
parte do meu peso enquanto caminhvamos.
Eu trem quando ele me puxou pelo arco de pedras pretas. O enorme porto antigo acima era como a porta de uma gaiola, ameaando cair sobre ns, nos trancar do lado
de dentro.
Ele me guiou em direo a um carro escuro, esperando numa piscina de sombras  direita do porto que estava com o motor ligado.
Para a minha surpresa, ele escorregou no banco de trs comigo, ao invs de insistir em dirigir.
Alice estava apologtica. "Me desculpem". Ela fez um gesto vago em direo do painl. "No havia muita escolha".
"Est tudo bem, Alice". Ele sorriu. "Eles no podiam ser todos carros de emergncia Turbos".
Ela suspirou. "Eu posso ter que adquirir um daqueles legalmente. Foi fabuloso".
"Eu vou te dar um no natal", Edward prometeu.
Alice se virou brilhando pra ele, e isso me preocupou, j que ela j estava descendo a curvinha da colina  toda velocidade ao mesmo tempo.
"Amarelo", ela disse pra ele.
Edward me manteve apertada nos braos dele. Dentro da manta cinza, eu estava aquecida e confortvel. Mais que confortvel.
"Voc pode dormir agora, Bella", ele murmurou. "j acabou".
Eu sabia que ele estava se referindo ao perigo, ao pesadelo na cidade antiga, mas eu ainda tive que engolir seco antes de poder responder.
"Eu no quero dormir. Eu no estou cansada". S a segunda parte era mentira. Eu no ia fechar meus olhos. O carro s estava fracamente iluminado pelos controles
no painl, mas isso era o suficiente pra eu poder ver o rosto dele.
Ele pressionou seus lbios no cncavo embaixo da minha orelha. "Tente", ele encorajou.
Eu balancei minha cabea.
Ele suspirou. "Voc ainda  s uma teimosa".
Eu era teimosa; eu lutei com as minha plpebras pesadas, e ganhei.
A estrada escura foi a parte mais difcil; as luzes claras do aeroporto de Florena facilitaram as coisas, enquanto eu tive a chance de escovar os meus dentes e
de trocar de roupa e colocar uma limpa; Alice havia trazido roupas pra Edward tambm, e ele deixou a manta escura em uma pilha de lixo em um corredor.
A viagem at Roma foi to curta que a fadiga nem teve uma chance de tomar conta de mim. Eu sabia que a viagem de Roma para Atlanta seria um problema inteiramente
diferente, ento eu ped  comissria de bordo que me trouxesse uma Coca.
"Bella", Edward disse desaprovando. Ele sabia que tinha baixa tolerncia  cafeina.
Alice estava atrs de ns. Eu podia ouvir ela murmurando com Jasper no telefone.
"Eu no quero dormir", eu lembrei ele. Eu dei a ele uma desculpa na qual ele acreditou porque era verdade.
"Se eu fechar meus olhos agora, eu vou ver coisas que no quero ver. Eu vou ter pesadelos".
Ele no discutiu comigo depois disso.
Seria uma boa hora pra conversar, pra pegar as respostas que eu precisava - precisava mas no realmente queria; eu j estava me desesperando com o pensamento do
que teria que ouvir. Ns tnhamos um bom tempo pra no sermos interrompdos, e ele no escaparia de mim num avio - bem, pelo menos, no facilmente. Ningum nos
ouviria exceto Alice; estava tarde e a maioria dos passageiros estava apagando as luzes e pedindo por travesseiros em vozes murmuradas. Conversar me manteria longe
da exausto.
Mas, perseveramente, eu mord minha lngua pra conter o meu dilvio de perguntas. O meu bom senso provavelmente era provindo da exausto, mas eu esperei que adiando
a conversa, eu podia ter direito a passar mais algumas horas com ele mais tarde - fazer isso durar por mais uma noite, ao estilo Scheherazade.
Ento eu continuei bebendo o meu refrigerante, e resistindo  minha vontade de piscar. Edward parecia perfeitamente contente em me segurar em seus braos, os dedos
dele traando o meu rosto de novo e de novo. Eu toquei o seu rosto tambm.
Eu no conseguia evitar, apesar de eu estar com medo de que isso pudesse me machucar depois, quando eu estivesse sozinha de novo. Ele continuou a beijar o meu cabelo,
minha testa, meus pulsos... mas nunca meus lbios, e isso era bom. Afinal, de quantas outras formas um corao podia ser maltratado e ainda esperar continuar batendo?
Eu havia vivido muitas coisas que podiam ter acabado comigo nesses ltimos dias, mas isso no me fez sentir mais forte. Ao invs disso, eu me sentia horrivelmente
frgil, como se um palavra pudesse me fazer em pedaos.
Edward no falou. Talvez ele estivesse esperando que eu fosse dormir. Talvez ele no tivesse nada pra dizer.
Eu ganhei a briga contra as minhas plpebras pesadas. Eu estava acordada quando chegamos no Aeroporto em Atlanta, e eu tinha at comeado a ver o sol nascendo entre
as nuvens em Seattle antes de Edward fechar a janela. Eu estava orgulhosa de mim mesma. Eu no havia perdido nenhum minuto.
Nem Alice nem Edward ficaram surpresos com a recepo que estava nos esperando por ns no aeroporto Sea-Tac, mas eu fui pega de surpresa. Jasper foi o primeiro que
eu v, mas ele no me viu. Seus olhos foram s pra Alice. Ela foi rapidamente para o lado dele; eles no se abraaram como os outros casais se encontrando l. Eles
s olharam para o rosto um do outro, e mesmo assim, de alguma forma, o momento era to particular que eu ainda sent a necessidade de desviar o olhar.
Carlisle e Esme esperavam num canto quieto longe da fila dos detectores de metal, na sempre de uma grossa pilastra.
Esme veio em minha direo, me abraando impetuosamente, mas ainda estranhamente, porque Edward tambm estava com os braos ao meu redor.
"Muito obrigada", ela disse no meu ouvido.
Ento ela jogou os braos ao redor de Edward, e ela parecia que estaria chorando se isso fosse possvel.
"Voc nunca vai me fazer passar por isso de novo", ela quase rosnou.
Edward sorriu, arrependido. "Desculpa, me".
"Obrigado, Bella", Carlisle disse. "Ns ficamos te devendo".
"Dificilmente", eu murmurei. A falta de sono da noite era de repente dominante. Minha cabea parecia estar desconectada do meu corpo.
"Ela est morta em cima dos ps", Esme repreendeu Edward. "Vamos lev-la pra casa".
Sem ter muita certeza de que ir pra casa era o que eu queria nesse momento, eu tropecei, meio cega, pelo aeroporto, com Edward me arrastando de um lado e Esme do
outro. Eu no sabia se Alice e Jasper estavam atrs de ns, e eu estava exausta demais pra olhar.
Eu acho que j estava adormecida, apesar de ainda estar caminhando, quando ns chegamos no carro.
A surpresa de ver Emmett e Rosalie se encostando no sedan preto embaixo das luzes fracas da garagem me acordou um pouco. Edward enrigeceu.
"No", Esme sussurrou. "Ela se sente pssima".
"Ela devia", Edward disse, sem fazer nenhuma tentativa de manter a voz baixa.
"No  culpa dela", eu disse, minhas palavras saram grogues com a exausto.
"Deixe ela se desculpar", Esme implorou. "Ns vamos com Alice e Jasper".
Edward encarou a vampira loira absolutamente adorvel esperando por ns.
"Por favor, Edward", eu disse. Eu no queria andar com Rosalie mais do que ele parecia querer, mas eu j havia causado discordia suficiente na famlia dele.
Ele suspirou, e me guiou em direo ao carro.
Emmett e Rosalie foram para o banco da frente sem falar nada, enquanto Edward me colocava no de trs de novo. Eu sabia que no seria mais capaz de lutar contra as
minhas plpebras, e eu inclinei minha cabea no peito dele desistindo, deixando elas se fecharem. Eu sent o carro sendo ligado.
"Edward", Rosalie comeou.
"Eu sei", o tom brusco de Edward no era generoso.
"Bella?", Rosalie perguntou suavemente.
Minhas plpebras de abriram com o choque. Era a primeira vez que ela falava diretamente comigo.
"Sim, Rosalie?", eu perguntei, hesitante.
"Eu lamento muito mesmo, Bella. Eu me sinto horrvel com cada parte disso, e muito agradecida que voc tenha sido corajosa o suficiente pra ir salvar o meu irmo
depois do que eu fiz. Por favor me diga que vai me perdoar".
As palavras soaram estranhas, abafadas por causa da vergonha dela, mas elas pareceram sinceras.
" claro, Rosalie", eu murmurei, me agarrando a qualquer chance de fazer ela me odiar um pouco menos. "No  culpa sua de jeito nenhum. Fui eu quem pulou da droga
do precipcio.  claro que eu te perdo".
As palavras saram como se eu estivesse de boca cheia.
"Isso no conta at que ela esteja consciente, Rose", Emmett gargalhou.
"Eu estou consciente", eu disse; s que isso s soou como um suspiro pr fabricado.
"Deixem ela dormir", Edward insistiu, mas a voz dele estava um pouco mais clida.
Tudo ficou quieto nesse hora, exceto pelo barulho gentil do motor. Eu devo ter cado no sono, porque s pareceram ter se passado segundos quando a porta se abriu
e Edward estava me carregando do carro. Meus olhos no se abriam. Primeiro eu pensei que ainda estvamos no aeroporto.
E depois eu ouv Charlie.
"Bella", ele gritou de uma certa distncia.
"Charlie", eu murmurei tentando sair da letargia.
"Shh", Edward sussurrou. "Est tudo bem; voc est em casa e a salvo. S durma".
"Eu no posso acreditar que voc tem a cara de pau de aparecer aqui", Charlie gritou pra Edward, a voz dele muito mais prxima agora.
"Para com isso, pai", eu gemi. Ele no me ouviu.
"Qual  o problema com ela?", Charlie quis saber.
"Ela s est muito cansada, Charlie", Edward assegurou baixinho. "Por favor deixe ela descansar".
"No me diga o que fazer!", Charlie gritou. "D ela pra mim. Tire suas mos dela!"
Edward tentou me passar pra Charlie, mas eu me agarrei a ele com os dedos trincados, tenazes. Eu podia sentir meu pai puxando meu brao.
"Sai dessa, pai", eu disse com mais volume. Eu consegu abrir as minha plpebras o suficiente pra olhar pra Charlie nos os olhos turvos. "Fique bravo comigo".
Ns estvamos na frente da minha casa. A porta da frente estava aberta. A nuvem que pairava em cima das nossas cabeas estava grossa demais pra eu poder adivinhar
que horas eram.
"Voc pode apostar que eu vou ficar", Charlie prometeu. "V pra dentro".
"T. Me ponha no cho", eu suspirei.
Edward me colocou de p. Eu podia ver que estava de p, mas no conseguia sentir as minhas pernas. Eu andei em frente mesmo assim, at que a calada comeou a se
aproximar do meu rosto. Os braos de Edward me agarraram antes que eu atingisse o concreto.
"S me deixe lev-la at l em cima", Edward disse. "Depois eu vou embora".
"No", eu chorei entrando em pnico. Eu ainda no tinha conseguido as minhas respostas.
Ele tinha que ficar pelo menos mais um pouco, no tinha?
"Eu no vou estar longe", Edward prometeu, sussurrando no meu ouvido pra que Charlie no tivesse a esperana de ouvir.
Eu no ouv Charlie responder, mas Edward me levou at em casa. Meus olhos abertos s aguentaram at quando ele chegou na escada.
A ltima coisa que eu sent foram os dedos frios de Edward soltando meus dedos da camisa dele.

23. Verdade
Eu tinha a sensao de que tinha estado dormindo por muito tempo - meu corpo estava rgido, como se eu tambm no tivesse me mexido nenhuma vez. Minha mente estava
confusa e lenta; sonhos estranhos e coloridos - sonhos e pesadelos - rodavam vertiginosamente dentro da minha cabea. Eles eram to vvidos. O horrvel e o celestial,
tudo misturado numa combinao bizarra. Haviam uma impacincia aguda e medo,, tudo parte de um frustrante sonho onde voc no consegue se mexer rpido o suficiente...
E haviam muitos monstros, criaturas de olhos vermelhos que eram mais horrveis do que a sua gentl civilidade demonstrava. O sonho ainda estava forte - eu at podia
me lembrar dos nomes. Mas a parte mais forte, mais clara do sonho no era a parte de terror. Era o anjo que estava mais claro.
Foi difcil deix-lo ir e acordar. Esse sonho no queria ser jogado na vala dos meus sonhos que eu costumava esquecer. Eu lutei contra isso enquanto a minha mente
ficava mais alerta, me focando na realidade. Eu no conseguia me lembrar de qual era o dia da semana, mas eu tinha certeza de que Jacob ou a escola ou o trabalho
ou alguma outra coisa estava esperando por mim. Eu inalei profundamente, me perguntando como encararia outro dia.
Alguma coisa fria tocou a minha testa com a mais leve das presses.
Eu apertei os meus olhos mais ainda. Eu ainda estava sonhando, parecia, e ele parecia ser anormalmente real. Eu estava perto de acordar... a qualquer segundo agora,
e ele iria embora.
Mas eu me dei conta de que era real demais, real demais pra ser bom pra mim. Os braos de pedra que eu imaginei passando ao meu redor eram substanciais demais. Se
eu deixasse isso ir mais longe, eu ia me arrepender mais tarde. Com um suspiro resignado, eu abr as minhas plpebras pra dispersar a iluso.
"Oh!", eu asfixiei, e joguei meus pulsos em cima dos meus olhos.
Bem, claramente, eu tinha ido longe demais; deve ter sido um erro ter deixado a minha imaginao ir to longe.
Ok, ento "deixar" era a palavra errada.
Eu havia forado ela a sair de controle - eu havia praticamente perseguido as minhas alucinaes - e agora minha mente estava sem controle.
Eu levei menos de um segundo pra me dar conta de que, j eu realmente estava louca agora, eu podia muito bem aproveitar as minhas iluses enquanto elas eram agradveis.
Eu abr meus olhos de novo - e Edward ainda estava l, seu rosto perfeito estava a apenas alguns centmetros dos meus.
"Eu assustei voc?" Sua voz baixa estava ansiosa. Isso era muito bom, sendo uma iluso. O rosto, a voz, o cheiro, tudo - era muito melhor do que me afogar. Alinda
inveno da minha imaginao observou minhas expresses mudarem, alarmado. As ris dele estavam pretas como piche, com manchas que pareciam sombras embaixo dos olhos.
Isso me surpreendeu; as minhas iluses de Edward costumavam estar mais bem alimentadas.
Eu pisquei duas vezes, desesperadamente tentando me lembrar da ltima coisa que eu tinha certeza que era real. Alice era parte do meu sonho, e eu me perguntei se
ela realmente havia voltado, ou se isso era s sonambulismo. Eu pensei que ela havia voltado no dia em, que eu quase me afoguei...
"Oh, droga", eu esganicei. Minha garganta estava grossa pelo sono.
"Qual  o problema, Bella?"
Eu fiz uma carranca pra ele infeliz. O rosto dele estava ainda mais ansioso que antes.
"Eu t morta, no t?", eu gem. "Eu me afoguei. Droga, droga, droga! Isso vai matar o Charlie"
Edward fez uma carranca tambm. "Voc no est morta".
"Ento porque  que eu no t acordando?" Eu desafiei, erguendo minhas sobrancelhas.
"Voc est acordada, Bella".
Eu balancei minha cabea. "Claro, claro.  isso que voc quer que eu pense. E da vai ser pior quando eu me acordar. Se eu me acordar, o que eu no vou, porque eu
estou morta. Isso  horrvel. Pobre Charlie. E Rene e Jake..." eu no consegu falar de horror pelo que eu tinha feito.
"Eu consigo entender que voc esteja me confundindo com um pesadelo", o meio sorriso dele era severo. "Mas eu no consigo imaginar o que voc possa ter feito pra
ir para o inferno. Voc cometeu muitos assassinatos enquanto eu estava longe?"
Eu fiz uma careta. "Obviamente no. Se eu estivesse no inferno voc no estaria comigo".
Ele suspirou.
Minha cabea estava ficando mais clara. Meus olhos se distanciaram do rosto dele - sem vontade - por um segundo, para a janela escura, aberta, e depois de volta
pra ele. Eu comecei a me lembrar dos detalhes... eu sent um calor fraco, estranho na pele das minhas bochechas enquanto eu lentamente me dava conta de que Edward
realmente, verdadeiramente estava aqui comigo, e eu estava perdendo tempo sendo uma idiota.
"Aquilo tudo realmente aconteceu, ento?" Era quase impossvel pensar no meu sonhos como sendo verdade. Eu no censeguia fazer a minha cabea grudar nesse conceito.
"Isso depende", o sorriso de Edward ainda estava duro. "Se voc est se referindo a ns quase sendo massacrados na Itlia, ento, sim".
"Que estranho", eu meditei. "Eu realmente fui  Itlia. Voc sabia que o mais longe que eu j fui foi  Albuquerque?"
Ele revirou os olhos. "Talvez voc devesse voltar a dormir. Voc no est sendo coerente".
"Eu no estou mais cansada". Tudo estava vindo claramente agora. "Que horas so? Por quanto tempo eu estive dormindo?"
" pouco mais de uma da manh. Ento, por umas catorze horas".
Eu me espreguicei enquanto ele falava. Eu estava to rgida.
"Charlie?", eu perguntei.
Edward fez uma carranca. "Dormindo. Voc provavelmente devia saber que eu estou quebrando as regras agora. Bem, no tecnicamente, j que ele disse pra nunca mais
passar pela sua porta de novo, e eu vim pela janela... Mas, ainda assim, a inteno era clara".
"Charlie te baniu da casa?" Eu perguntei, com descrena que estava rapidamente se transformando em fria.
Seus olhos estavam tristes. "Voc esperava outra coisa?"
Meus olhos estavam raivosos. Eu ia ter umas palavrinhas com o meu pai - talvez essa fosse uma boa hora pra lembr-lo de que eu j tinha idade legal pra morar sozinha.
Isso no importava muito,  claro, exceto no princpio. Logo em breve no haveriam motivos para proibies. Eu levei minha mente para pensamentos no to dolorosos.
"Qual  a histria?", eu perguntei, genuinamente curiosa, mas tambm tentando desesperadamente manter a conversa casual, pra me manter firmemente sob controle, pra
que assim eu no o assustasse com o pedido frentico, que estava se construndo dentro de mim.
"O que voc quer dizer?"
"O que eu vou dizer pra Charlie? Qual  a minha desculpa pra ter desaparecido por... afinal, por quanto tempo eu estive fora?", eu tentei contar as horas na minha
cabea.
"S trs dias", os olhos dele se apertaram, mas ele sorriu mais naturalmente dessa vez. "Na verdade, eu estava esperando que voc tivesse uma boa explicao. Eu
no tenho nada".
Eu gem. "Fabuloso".
"Bem, talvez Alice invente alguma coisa", ele ofereceu, tentando me confortar.
E eu estava confortada. Quem se importava com o que eu teria que lidar depois?Cada segundo que ele estava aqui - to perto, seu rosto sem falhas brilhando com a
_luz fraca do meu relgio digital - era precioso e no podia ser desperdiado.
"Ento", eu comecei, escolhendo a pergunta menos importante - apesar de que ainda era vitalmente interessante - pra comear. Eu estava seguramente entregue em casa,
e ele podia decidir ir embora a qualquer momento. Eu tinha que manter ele falando. Alm do mais, esse paraso temporrio no era inteiramente completo sem o som
da voz dele. "O que voc esteve fazendo, at antes desses trs dias?"
O rosto dele se tornou hesitante por um instante. "Nada terrivelmente excitante".
" claro que no", eu murmurei.
"Porque voc est fazendo essa cara?"
"Bem...", eu torc os lbios, considerando. "Se voc fosse, afinal, s um sonho, esse  exatamente o tipo de coisa que voc diria. Minha imaginao deve estar bagunada".
Ele suspirou. "Se eu te contar, voc finalmente vai acreditar que no est tendo um pesadelo?"
"Pesadelo!", eu repet com escrnio. Ele esperou pela minha resposta. "Talvez", eu disse depois de um segundo de pensamento. "Se voc me contar".
"Eu estava... caando".
"Isso  o melhor que voc pode fazer?", eu critiquei. "Isso definitivamente no prova que eu estou acordada".
Ele hesitou, e depois falou lentamente, escolhendo as palavras com cuidado. "Eu no estava caando comida... Na verdade eu estava testando a minha sorte em... perseguir.
Mas eu no sou muito bom nisso".
"O que  que voc estava perseguindo?", eu perguntei, intrigada.
"Nada de consequencia". As palavras dele no combinavam com a sua expresso; ele parecia aborrecido, desconfortvel.
"Eu no entendo".
Ele hesitou; seu rosto, brilhando com uma estranha luz verde do relgio, estava dividido.
"Eu -", ele respirou fundo. "Eu te devo desculpas. No,  claro que eu te devo muito, muito mais do que isso. Mas voc precisa saber," - as palavras comearam a
fluir rapidamente, do jeito que eu lembrava que ele falava as vezes quando ficava agitado, e eu tive que realmente me concentrar pra entender todas elas - "que eu
no fazia idia. Eu no tinha idia da confuso que estava deixando pra trs. Eu pensei que fosse seguro pra voc aqui. To seguro. Eu no tinha idia de que Victria"
- os lbios dele se curvaram quando ele disse o nome - "ia voltar. Eu vou admitir, quando eu v ela daquela ltima vez, eu estava prestando muito mais ateno aos
pensamentos de James. Mas eu no v que ela seria capaz de responder dessa forma. Que ela tinha um lao to forte com ele. Eu acho que agora me dou conta do porque
- ela tinha tanta confiana nele, que o pensamento dele falhar nunca ocorreu a ela. Era a grande confiana que nublava os sentimentos dela por ele - isso evitou
que eu visse a profundidade deles, o vnculo que havia al."
"No que isso seja uma desculpa para o que eu te deixei enfrentar. Quando eu ouv o que voc disse a Alice - e o que ela mesma viu - quando eu me dei conta de que
voc teve que colocar a sua vida na mo daqueles lobisomens, imaturos, volteis, a nica coisa que podia ser pior do que a prpria Victria -" ele estremeceu e parou
o dilvio de palavras por um curto segundo. "Por favor saiba que eu no tinha nenhuma idia de tudo isso. Eu me sinto doente, com toda a minha essencia, mesmo agora,
quando eu posso ver e sentir voc segura nos meus braos. Eu sou a desculpa mais miservel por -"
"Pare", eu interromp ele. Ele olhou pra mim com olhos agoniados, e eu tentei encontrar as palavras certas - as palavras que iam livr-lo daquela olbrigao imaginada
que o causava tanta dor. As palavras eram muito difceis de dizer. Eu no sabia se podia diz-las sem me quebrar. Eu no queria ser uma fonte de culpa e angstia
para a vida dele. Ele devia ser feliz, no importava o que isso me custasse.
Eu realmente estava esperando colocar essa parte da conversa pra mais tarde. Isso ia fazer as coisas acabarem muito mais rpido.
Baseada em todos os meus meses de prtica por tentar ser normal com Charlie, eu mantive o meu rosto suave.
"Edward", eu disse. O nome dele queimou um pouco a minha garganta quando saiu.
Eu podia sentir um fantasma do buraco, esperando pra se abrir de novo assim que ele desaparecesse. Eu no via muito bem como era que eu ia suportar dessa vez.
"Isso tem que parar agora. Voc no pode pensar nas coisas desse jeito. Voc no pode deixar ... essa culpa... mandar na sua vida. Voc no pode se responsabilizar
pelas coisas que acontecem comigo. Nada disso  culpa sua, isso  s parte do que a vida  pra mim. Ento, se eu tropear na frente de um nibus ou o que quer que
acontea na prxima vez, voc tem que se dar conta de que no  o seu trabalho levar a culpa. Voc no pode simplesmente sair correndo para a Itlia porque se sente
mal por no ter me salvado. Mesmo se eu tivesse pulado daquele precipcio pra morrer, isso teria sido a minha escolha, e no sua culpa. Eu sei que ... a sua natureza
segurar a culpa por tudo, mas voc realmente no pode deixar as coisas chegarem a esses extremos! Isso  muito irresponsvel - pense em Esme e Carlisle e -"
Eu j estava quase perdendo o controle. Eu parei pra respirar fundo, esperando me acalmar. Eu tinha que deix-lo livre. Eu tinha que ter certeza de que isso nunca
mais aconteceria de novo.
"Isabella Marie Swan", ele sussurrou, com a expresso mais estranha cruzando o rosto dele. Ele quase parecia com raiva. "Voc acredita que eu ped que os Volturi
me matassem porque eu me sentia culpado?"
Eu podia sentir a incompreenso no meu rosto. "No foi isso?"
"Se eu me sentia culpado? Intensamente. Mais do que voc pode compreender".
"Ento... o que  que voc t dizendo? Eu no entendo".
"Bella, eu fui at os Volturi porque eu achava que voc estivesse morta", ele disse, com a voz macia, com os olhos penetrantes. "Mesmo se eu no tivesse nenhuma
responsabilidade pela sua morte" - ele tremeu quando disse a ltima palavra - "mesmo se no fosse minha culpa, eu teria ido para a Itlia. Obviamente, eu devia ter
sido mais cuidadoso - eu devia ter falado diretamente com Alice, ao invs de aceitar uma informao de segunda mo de Rosalie. Mas, realmente, o que  que eu podia
pensar quando o garoto disse que Charlie estava no funeral? Quais eram as chances?"
"As chances", ele murmurou depois, distrado. A voz dele estava to baixa que eu no tinha certeza de que havia ouvido direito. "As chances esto sempre contra ns.
Erro aps erro. Eu nunca vou criticar Romeu de novo".
"Mas eu ainda no entendo", eu disse. " disso que eu t falando. E da?"
"Perdo?"
"E da se eu estivesse morta?"
Ele me encarou duvidosamente por um longo momento depois de responder. "Voc no se lembra de nada do que eu te disse antes?"
"Eu me lembro de tudo que voc me disse" Incluindo as palavras que anularam todo o resto.
Ele passou os pontas dos dedos gelados no meu lbio inferior. "Bela, voc parece ter compreendido mal". Ele fechou os olhos, balanando a cabea pra frente e pra
trs com um meio sorriso no seu lindo rosto. No era um sorriso feliz. "Eu pensei que j havia explicado isso claramente antes. Bella, eu no posso existir num mundo
onde voc no exista".
"Eu estou..." minha cabea nadou enquanto eu procurava pela palavra apropriada.
"Confusa". Essa funcionava. Eu no conseguia entender o sentido do que ele estava falando.
Ele me olhou dentro dos olhos com um olhar sincero, intenso. "Eu sou um bom mentiroso, Bella, eu tenho que ser".
Eu congelei, meus msculos se travaram com o impacto. Afina linha no meu peito de abriu; a dor me tirou o flego.
Ele balanou meu ombro, tentando relaxar a minha postura rigida. "Me deixe terminar!
Eu sou um bom mentiroso, mas ainda assim, pra voc acreditar em mim to rapidamente", ele gemeu. "Aquilo foi... um tormento".
Eu esperei, ainda congelada.
"Quando ns estvamos na floresta, quando eu estava te dizendo adeus -"
Eu no me permit lembrar. Eu lutei pra permanecer apenas no presente momento.
"Voc no ia desistir", ele sussurrou. "Eu podia ver isso. Eu no queria fazer isso - eu sent que me mataria fazer isso - mas eu sabia que se eu no te convencesse
de que no te amava mais, voc ia levar muti mais tempo pra retomar a sua vida. Eu esperava que, se voc achasse que eu havia seguido em frente, voc faria o mesmo".
"Um despedida limpa", eu sussurrei por lbios que no se mexiam.
"Exatamente. Mas eu nunca imaginei que fosse to fcil fazer isso! Eu pensei que fosse ser quase impossvel - que voc ia saber que era mentira e eu teria que passar
horas tendo que te convencer e plantar a semente da dvida na sua cabea. Eu ment, e eu lamento - lamento porque te machuquei, lamento porque foi um esforo intil.
Lamento por no ter podido te proteger do que eu sou. Eu ment pra te salvar, e no funcionou. Eu lamento.
"Mas como  que voc pde acreditar em mim? Depois dos milhares de vezes que eu disse que te amava, como  que voc pde deixar uma palavra acabar com a sua f em
mim?"
Eu no respond. Eu estava chocada demais pra formular uma resposta racional.
"Eu podia ver nos seus olhos, que voc honestamente acreditou que eu no te queria mais. O conceito mais absurdo, mais ridculo - como se houvesse alguma forma de
eu existir sem precisar de voc!"
Eu ainda estava congelada. As palavras dele eram incompreensveis, porque elas eram impossveis.
Ele chacoalhou meu ombros de novo, no forte, mas o suficiente pra fazer meus dentes baterem.
"Bella", ele suspirou. "Srio, o que  que voc estava pensando!"
E ento eu comecei a chorar. As lgrimas subiram e ento comearam a descer miseravelmente pelas minha bochechas.
"Eu sabia", eu solucei. "Eu sabia que estava sonhando".
"Voc  impossvel", ele disse, e deu uma risada - uma risada dura, frustrada. "Como  que eu posso colocar isso de forma que voc acredite em mim? Voc no est
dormindo, e voc no est morta. Eu estou aqui, e eu te amo. Eu sempre amei voc, e eu sempre. Eu estava pensando em voc, vendo o seu rosto em minha mente, durante
cada segundo em que estive longe. Quando eu te disse que no te queria, aquele foi o tipo mais negro de blasfmia".
Eu balancei a minha cabea enquanto as lgrimas continuavam escapando do canto dos meus olhos.
"Voc no acredita em mim, acredita?", ele sussurrou, o seu rosto mais plido que o plido normal - eu podia ver isso mesmo na luz fraca. "Porque voc consegue acreditar
numa mentira, mas no na verdade?"
"Nunca fez sentido voc me amar", eu expliquei, minha voz escapando duas vezes.
"Eu sempre soube isso".
Os olhos dele se estreitaram, a mandbula se apertou.
"Eu vou provar que voc est acordada", ele prometeu.
Ele pegou o meu rosto seguramente entre suas mos de ferro, ignorando minha luta quando eu tentei desviar o meu rosto.
"Por favor no", eu sussurrei.
Ele parou, seus lbios estavam a meio centmetro dos meus.
"Porque no?", ele quis saber. O hlito dele bateu no meu rosto, fazendo minha cabea girar.
"Quando eu acordar" - ele abriu a boca pra protestar, ento eu revisei - "Ok, esquea essa - quando voc se for de novo, j vai ser duro suficiente sem isso tambm".
Ele se afastou um centmetro, pra olhar pro meu rosto.
"Ontem, quando eu te tocava, voc estava to... hesitante, cuidadosa, e ainda assim era a mesma. Isso  porque eu estou muito atrasado? Porque eu te machuquei demais?
Porque voc realmente seguiu com a sua vida, como eu planejava que voc fizesse? Isso seria... muito justo. Eu no vou contestar a sua deciso. Ento no tente desperdiar
seus sentimentos, por favor - s me diga se voc ainda pode me amar ou no, depois de tudo que eu te fiz. Pode?", ele sussurrou.
"Que tipo de pergunta idiota  essa?"
"S me responda. Por favor".
Eu olhei pra ele com o rosto obscuro por um momento. "O jeito como eu me sinto por voc nunca vai mudar.  claro que eu te amo - e no h nada que voc possa fazer
pra mudar isso!"
"Isso era tudo que eu precisava ouvir".
A boca dele j estava na minha, e eu no consegui lutar com ele. No porque ele era milhares de vezes mais forte que eu, mas porque a minha coragem se fez em poeira
quando os nossos lbios se encontraram. Esse beijo no era to cuidadoso quanto eu me lembrava, isso pra mim estava timo. Eu ia me acabar depois, mas tambm eu
ia pegar em troca tudo o que eu pudesse.
Ento eu o beijei de volta, meu corao batendo feito um louco, num ritmo desconjuntado enquanto a minha respirao ficava descontrolada e eu movia os meus dedos
cuidadosamente pelo rosto dele. Eu podia sentir o corpo de mrmore dele em cada linha do meu, e eu estava to feliz por ele no ter me escutado - no havia dor no
mundo que justificasse perder isso. As mos dele memorizavam o meu rosto, do mesmo jeito que as minhas mos faziam com o rosto dele, e, nos breves segundos que os
nossos lbios ficaram livres, ele sussurrou meu nome. Eu estava comeando a ficar tonta, ele se afastou, s pra colocar a orelha dele no meu corao.
Eu fiquei l, fascinada, esperando a minha asfixia para e se aquietar.
"Alis", ele disse num tom casual. "Eu no vou te deixar".
Eu no disse nada e ele pareceu ouvir o ceticismo da minha voz.
Ele levantou a cabea pra prender seus olhos aos meus. "Eu no vou a lugar nenhum. No sem voc", ele adicionou mais seriamente.
"Eu s te deixei em primeiro lugar porque eu queria que voc tivesse a chance em uma vida humana normal, feliz. Eu podia ver o que estava fazendo com voc - mantendo
voc constantemente na cara do perigo, tirando voc do mundo ao qual voc pertencia, arriscando voc a cada minuto que voc passava comigo. Ento eu tinha que tentar.
Eu tinha que fazer alguma coisa, e pareceu que ir embora era o nico jeito. Se eu no pensasse que voc estava melhor sozinha, eu nunca teria me obrigado a ir embora.
Eu sou egosta demais. S voc poderia ser mais importante do que o que eu queria... ou precisava. O que eu quero e preciso  estar com voc, e eu sei que jamais
serei forte o suficiente pra ir embora de novo. Eu tenho muitas desculpas pra ficar - graas aos cus por isso! Parece que voc no consegue ficar segura, no importa
quantos quilmetros eu ponha entre ns".
"No me prometa nada", eu sussurrei. Se eu me deixasse ter esperanas demais, e isso desse em nada... isso me mataria. O trabalho que todos aqueles vampiros sem
piedade no conseguiram fazer, elevar minhas esperanas ia terminar.
A raiva soltou um brilho metlico dos olhos dele. "Voc acha que eu estou mentindo pra voc agora?"
"No - no mentindo". Eu balancei minha cabea, tentando pensar nas coisas coerentemente. Examinar a hiptese de que ele me amava, enquanto continuva objetiva, clnica,
pra que assim eu no casse na armadilha de esperar nada. "Voc fala srio... agora. Mas e quanto a amanh, quando voc pensar em todas as razes pelas quais foi
embora em primeiro lugar? Ou no ms que vem, quando Jasper der a louca pra cima de mim?"
Ele enrijeceu.
Eu pensei de novo nos piores dis da minha vida quando ele me deixou, e tentei v-los pela perspectiva que ele me dava agora. Dessa perspectiva, imaginando que ele
nunca havia deixado de me amar, que ele havia me deixado por mim, seus silncios penetrantes e frios ganharam um significado diferente.
"No  como se esse no tivesse sido o seu motivo pra ir embora da primeira vez, no ?", eu adivinhei. "Voc vai acabar fazendo aquilo que voc acha certo".
"Eu no sou to forte quanto voc acredita que eu sou", ele disse. "Certo e errado j deixaram de significar tanto pra mim; eu j ia voltar do mesmo jeito. Antes
de Rosalie ter me dado as notcias, eu j estava cansado de viver a vida semana depois de semana, ou um dia de cada vez. Eu estava lutando pra ver as horas passarem.
Era s uma questo de tempo - e no muito tempo - antes de eu aparecer na sua janela e implorasse que voc me aceitasse de volta. Eu ficarei feliz de implorar agora,
se voc quiser isso".
Eu fiz uma careta. "Fale srio, por favor".
"Oh, eu estou", ele insistiu, me encarando agora. "Ser que d por favor pra voc tentar ouvir o que eu estou dizendo? Ser que voc pode me deixar tentar explicar
o quanto voc significa pra mim?"
Ele esperou, examinando o meu rosto enquanto falava pra ter certeza de que eu estava escutando.
"Antes de voc, Bella, minha vida era uma noite sem lua. Muito escura, mas haviam estrelas - pontos de luz e razo... E a voc apareceu no meu cu como um meteoro.
De repente, tudo estava pegando fogo; havia brilho, havia beleza. Quando voc no estava l, quando o meteoro caiu no horizonte, tudo ficou escuro. Nada havia mudado,
mas os meus olhos haviam ficado cegos com a luz. Eu no conseguia mais ver as estrelas. E no havia mais razo pra nada".
Eu queria acreditar nele. Mas essa era a minha vida sem ele que ele estava descrevendo, no o contrrio.
"Seu olhos iro se ajustar." Eu resmunguei.
"Esse  o problema - eles no podem"
"E a suas distraes?"
Ele riu sem um trao de humor "S mais uma parte da mentira, amor. No tinha nenhuma distrao vinda da... da agonia . Meu corao no bate a quase noventa anos,
mas isso era diferente. Era como se meu corao tivesse ido - como se eu fosse um buraco. Como se eu tivesse deixado tudo que havia dentro de mim aqui com voc."
"Isso  engraado." Eu murmurei.
Ele arqueou uma perfeita sobrancelha "Engraado?"
"Eu quis dizer estranho - eu pensei que isso fosse s eu. Muitos pedaos de mim ficaram perdidos, tambm. Eu no estive capaz de respirar realmente por tanto tempo."
Eu enchi meus pulmes, luxuriando na sensao. "E meu corao. Isso estava definitivamente perdido."
Ele fechou seus olhos e pousou sua orelha sobre meu corao de novo. Eu deixei minha face pressionar seus cabelos, sentindo a textura disso na minha pele, sentindo
o delicioso aroma dele.
"Perseguir no foi uma distrao ento?" Eu perguntei, curiosa, e tambm necessitando de me distrair. Eu estava em muito perigo pela esperana. Eu no seria capaz
de me parar por muito tempo. Meu corao palpitou, cantando em meu peito.
"No" Ele suspirou. "Isso nunca foi uma distrao. Isso foi uma obrigao."
"O que isso quer dizer?"
"Isso que dizer que, mesmo pensando que eu no esperava nenhum perigo de Victoria, eu no ia deixar ela ir embora com... Bem, como eu disse, eu era horrvel fazendo
isso. Eu tracei o caminho dela to longe quanto o Texas, mas ento eu segui uma falsa pista no Brasil - e ela realmente veio aqui." Ele resmungou. "Eu no estava
nem no mesmo continente! E todo esse tempo, pior do que meus piores medos -"
"Voc estava caando Victoria?" Eu meio que gritei assim que eu consegui encontra minha voz, ultrapassando oito oitavos.
Os roncos distantes de Charlie gaguejaram, e ento voltaram a um ritmo regular novamente.
"No bem," Edward respondeu, estudando minha indignao com um olhar confuso. "Mas eu vou fazer melhor dessa vez. Ela no vai ter bom ar entrando e saindo por muito
tempo."
"Isso est.... fora de questo" Eu balancei a cabea para esquecer. Insanidade. Mesmo que ele tivesse Emmett ou Jasper ajudando ele. Mesmo se ele tivesse Emmett
e Jasper ajudando ele. Isso era pior do que minhas outras idias: Jacob Black estando  pouco espao da figura viciante e felina de Victoria. Eu no podia suporta
imaginar Edward l, mesmo pensando que ele era muito mais durvel que meu melhor amigo meio-humano.
" muito tarde para ela. Eu devo ter deixado o outro tempo passar, mas no dessa vez, no depois - "
Eu interrompi ele novamente, tentando soar calma. "Voc no tinha acabado de prometer que voc no ia partir?" Eu perguntei, arrancando as palavras assim que eu
disse elas, no as deixando se plantarem em meu corao. "Isso no  extamente compatvel com uma extensiva perseguio,  isso?"
Ele amarrou a cara. Um rosnado comeou a se formar baixinho em seu peito.
"Eu vou manter minha promessa, Bella. Mas Victoria - o rosnado comeou a ficar mais carregado - vai morrer. Logo."
"No vamos ser precipitados." Eu disse, tentando esconder meu pnico. "Talvez ela no v voltar. A matilha de Jack provavelmente assustou ela. Realmente no h razes
para ir procurar ela. Alm do mais, eu tenho problemas maiores que Victoria"
Os olhos de Edward se estreitaram, mas ele confirmou com a cabea. " verdade. Os lobisomens so um problema."
Eu bufei. "Eu no estava falando de Jacob. Meus problemas so bem maiores do que um punhado de lobisomens adolescentes colocando eles mesmos em problemas."
Edward olhou como se ele estivesse prestes a dizer alguma coisa, e ento pensou melhor sobre isso.
"Srio?" Ele perguntou. "Ento qual seria seu maior problema? Que iria fazer o retorno de Victoria a voc parecer um inconseqente assunto em comparao?"
"Que tal sobre o segundo maior?" Eu sugeri.
"Tudo bem" Ele concordou, desconfiado.
Eu pausei. Eu no estava certa de que conseguiria dizer o nome. "Tem outros que esto vindo procurar por mim. Eu lembrei ele em um baixo sussurro.
Ele suspirou, mas a resposta no foi to forte quanto eu havia imaginado depois da resposta  Victoria.
"Os Volturi so s o segundomaior problema?"
"Voc no parece to chateado com isso." Eu notei.
"Bem, ns tempos um bom tempo para pensar sobre isso. Tempo significa algo muito diferente pra eles do que significa pra voc, ou at para mim. Eles contam anos
do jeito que contas dias. Eu no estaria supresso se voc tiver 30 quando cruzazr as mentes deles novamente."
O horror passou atravs de mim.
Trinta.
Ento sua promessa significou nada, no final. Se eu iria ficar com trinta um dia, ento ele no poderia estar planejando em ficar muito tempo. A enorme dor desse
conhecimento me vez perceber que eu j havia comeado a juntar esperanas, se me deixar fazer 5 x 0.
"Voc no precisa ter medo." Ele disse, preocupado assim que viu as lagrimas rolarem dos cantos de meus olhos novamente. "Eu no vou deixar eles te machucarem."
"Enquanto voc estiver aqui" No que eu me importasse com o que iria acontecer  mim depois que ele me deixasse.
Ele pegou minha face entre suas duas mo de pedra, segunrando isso firmemente, enquanto seus olhos escuros olhavam dentro dos meus com a fora gravitacional de um
buraco negro. "Eu nunca vou deixar voc novamente."
"Mas voc disse trinta"Eu sussurrei. As lagrimas fluam alm do possvel. "O que? Voc vai ficar mas me deixar ficar toda velha de qualquer maneira? Certo."
Seus olhos amaciaram, enquanto sua boca ficou dura. "Isso  exatamente o que eu vou fazer. Qual escolha tenho eu? Eu no posso ficar sem voc, mas eu no vou destruir
sua alma."
"Isso  realmente..." Eu tentei manter minha voz, mas essa pergunta era muito difcil. Eu lembrei de sua face quando Aro quase comeou a considerar me transformar
em imortal. O olhar doente l. Era essa fixao em me manter humana com minha alma, ou era incerteza de que ele no me agentaria por tanto tempo?
"Sim?" Ele perguntou, esperando por minha resposta.
Eu perguntei em um diferente tom. Quase de forma - mas no quieta - dura.
"E quando eu comear a ficar to velha e as pessoas comearam a achar que sou sua me? Sua av?" Minha voz estava plida com repulsa. Eu podia ver a face de vov
novamente, no sonho do espelho.
Sua face inteira estava suava agora. Ele secou as lagrimas das minhas bochechas com seus lbios. "Isso no significa nada pra mim." Ele respirou contra minha pele.
"Voc sempre ser a coisa mais linda em meu mundo.  claro -" Ele hesitou. Recuando ligeiramente. "Se voc me superar - se voc quiser algo mais - eu irei entender
isso, Bella. Eu prometo, eu no vou ficar no seu caminho se voc quiser me deixar."
Seus olhos eram nix liquido e ultra sinceros. Ele falou como se tivesse posto fins a esse estpido plano.
"Voc percebe que eu vou eventualmente morrer, certo?" Eu reivindiquei.
Ele pensou sobre essa parte, tambm. "Eu irei te seguir assim que puder."
"Isso  seriamente..." Eu procurei pela palavra certa. "Doente"
"Bella,  o nico jeito certo deixado - "
"Vamos s voltar por um instante." Eu disse, sentindo a raivar fazer isso muito mais claro, decisiva. "Voc se lembra dos Volturi, certo? Eu no posso permancer
humana para sempre. Mesmo que eles no pensem em mim at eu ter trinta" Eu sibilei a palavra "Voc realmente acha que eles vo esquecer?"
"No" ele respondeu devagar, balanando a cabea. "Eles no vo esquecer, mas..."
"Mas?"
Ele sorriu, enquanto eu olhava para ele desconfiada. Talvez eu no fosse a nica louca.
"Eu tenho alguns planos."
"E esses planos," Eu disse, minha voz ficando mais acida com cada palavra. "Esses planos giram todos em torno de mim permanecendo humana."
Minha atitude endureceu sua expresso. "Naturalmente" Seu tom era brusco, sua divina face arrogante.
Ns nos encaremos por um longo minuto.
Ento eu respirei fundo, balanando meus ombros, eu puxei seus braos para longe assim podendo me sentar.
"Voc quer que eu v embora?" Ele perguntou, e meu corao palpitou mostrando que essa idia feria ele, mesmo ele tentando no mostrar isso.
"No" Eu disse "Eu estou indo embora."
Ele me olhou suspeito assim que eu pulei pra fora da cama e tateei pelo quarto escuro, a procura de meus sapatos.
"Eu devo perguntar aonde voc est indo?" ele perguntou.
"Eu estou indo pra sua casa." Eu contei a ele, ainda me sentindo cega.
Ele se sentou e veio para o meu lado. "Aqui esto seus sapatos. Qual  seu plano para chegar l?"
"Minha caminhonete."
"Isso iria provavelmente acordar Charlie" ele ofereceu como um elemento de dissuaso.
Eu suspirei. "Eu sei. Mas honestamente, eu vou ficar de castigo por semanas por isso. Em quo mais problemas eu posso entrar?"
"Nenhum. Ele vai me culpar, no te."
"Se voc tem uma idia melhor, sou toda ouvidos."
"Fique aqui" Ele sugeriu, mas sua expresso no era esperanosa.
"Sem chances. Mas voc v na frente e faa voc mesmo em casa." Eu o encorajei, supressa com qual naturalidade minha brincadeira havia zoado, e andei em direo
a porta.
Ele estava l antes de mim, bloqueando minha passagem.
Eu amarrei a cara, e me virei para a janela. No era to longe do cho, e havia uma grande poro de grama embaixo.
"Okay" ele suspirou. "Eu te darei uma carona"
Eu dei os ombros "De qualquer jeito. Mas voc provavelmente deveria estar l, tambm."
"E porque isso?"
"Porque voc  extraordinariamente opinante, e eu estou certa que voc quer uma mudana para refrescar seus pontos de vista."
"Meu ponto de vista em qual assunto?" Ele perguntou atravs dos dentes.
"Isso no  mais sobre voc. Voc no  o centro do universo, voc sabe." Meu prprio universo pessoal era,  claro, outra histria. "Se voc for trazer os Volturi
atrs de ns por causa de algo estpido como me deixar human, ento sua famlia deveria ter voz ativa"
"Ter voz ativa em que?" Ele perguntou, cada palavra distinta.
"Minha mortalidade. Eu estou colocando isso em votao."

24. Votao
Ele no estava satisfeito, isso era fcil de ler no rosto dele. Mas, sem mais discusses, ele me pegou nos braos e saltou levemente pela minha janela, aterrisando
sem um sacudida sequer, como um gato.
Era um pouco mais baixo do que eu imaginei que era.
"Tudo bem ento", ele disse, sua voz transbordando desaprovao. "Sobe a".
Ele me ajudou a subir em suas costas, e comeou a correr.
Depois de todo esse tempo, j parecia rotina. Fcil. Evidentemente, isso era uma daquelas coisas que nunca se esquece, como andar de bicicleta.
Estava muito quieto e escuro enquanto ele corria pela floresta, sua respirao lenta e uniforme - escuro suficiente pra que as rvores passando por ns voando quase
eram invisveis, e s a rajada de vento no meu rosto realmente indicava a nossa velocidade. O vento estava mido; ele no queimava meus olhos do jeito que o vento
na grande praa fazia, e isso era reconfortante. E por ser noite, tambm, depois da terrivel claridade. Assim como na grossa colcha na qual eu brincava de me esconder
quando era criana, o escuro era familiar e protetor.
Eu me lembrei que correr pela floresta costumava me assustar, que eu costumava ter que fechar meus olhos. Agora isso parecia uma reao boba pra mim. Eu mantive
os meus olhos abertos, meu queixo descansando no ombro dele, minha bochecha no pescoo dele. A velocidade era divertida. Cem vezes melhor que a moto.
Eu virei meu rosto na direo dele e pressionei meus lbios na pedra fria que era o pescoo dele.
"Obrigado", ele disse, enquanto as vagas, sombras negras das rvores passavam por ns. "Isso significa que voc decidiu que est acordada?"
Eu sorri. O som era fcil, natural, sem esforo. Parecia certo. "Na verdade no. De qualquer forma,  mais que isso, eu no estou tentando acordar. Hoje no".
"Eu vou ganhar a sua confiana de volta de alguma forma", ele murmurou, mais pra s mesmo. "Nem que seja a ltima coisa que eu faa".
"Eu confio em voc", eu assegurei ele. " em mim que eu no confio".
"Explique isso, por favor"
Ele diminuiu at estar caminhando - eu s sabia a diferena porque o vento parou - e eu imaginei que no estvamos longe da casa. De fato, eu achei que estava ouvindo
o som do rio correndo em algum lugar prximo na escurido.
"Bem" - eu lutei pra encontrar a melhor forma de colocar isso em palavras. "Eu no confio em mim mesma pra ser... suficiente. Pra merecer voc. No h nada em mim
que possa segurar voc".
Ele parou e se inclinou pra trs pra me tirar de suas costas. Suas mos gents no me soltaram; depois que ele me colocou no cho de novo, ele me agarrou apertado
em seus braos, me segurando no peito.
"Seu lao  permanente e inquebrvel", ele sussurrou. "Nunca duvide disso".
Mas como eu podia no duvidar?
"Voc nunca me disse...", ele murmurou.
"O que?"
"Qual  o seu maior problema".
"Eu vou te dar uma dica". Eu suspirei, e me inclinei pra tocar a ponta do nariz dele com o meu dedo indicador.
Ele balanou a cabea. "Eu sou pior que os Volturi", ele disse severamente. "Eu acho que merec isso".
Eu rolei meus olhos. "Apior coisa que os Volturi podem fazer  me matar".
Ele esperou com os olhos tensos.
"Voc pode me deixar", eu expliquei. "Os Volturi, Victoria... eles no so nada comparados a isso".
Mesmo na escurido, eu pude ver a angstia contorcer o rosto dele - isso me lembrou a expresso dele embaixo do olhar torturante de Jane; eu me sent doente, e me
arrepend de ter falado a verdade.
"No", eu sussurrei, tocando o rosto dele. "No fique triste".
Ele puxou um dos cantos da boca pra cima meio sem vontade, mas a expresso no tocou os olhos dele. "Se houve pelo menos uma forma de te fazer ver que eu no posso
viver sem voc", ele cochichou. "Tempo, eu acho,  a nica forma de te convencer".
Eu gostei da idia de tempo. "Tudo bem", eu concordei.
O rosto dele ainda estava atormentado. Eu comecei a tentar distrair ele com coisas sem importncia.
"Ento - j que voc vai ficar. Ser que posso ter as minhas coisas de volta?"
Eu perguntei, fazendo o meu tom sair o mais leve que eu pude.
Minha tentativa funcionou, at certo ponto: ele riu. Mas os seus olhos retiveram a infelicidade. "As suas coisas nunca foram embora", ele disse. "Eu sabia que era
errado, j que eu promet te deixar em paz sem lembranas. Foi uma coisa estpida e infantil, mas eu queria ter alguma coisa minha com voc. O CD, as fotos, as passagens
- elas esto todas embaixo do seu piso".
"Mesmo?".
Ele balanou a cabea, parecendo um pouco mais alegre com o meu bvio prazer po esse fato trivial. Isso no foi suficiente pra curar completamente a dor no rosto
dele.
"Eu acho", eu disse lentamente, "Eu no tenho certeza, mas eu imagino... eu acho que sabia disso o tempo inteiro".
"O que voc sabia?"
Eu s queria tirar a agonia dos olhos dele, mas enquanto eu falava as palavras, elas pareceram mais verdadeiras do que eu esperava.
"Alguma parte de mim, meu subconsciente talvez, nunca deixou de acreditar que voc se importava com o fato de que eu vivia ou morria. Provavelmente era por isso
que eu estava ouvindo as vozes".
Houve um profundo silncio por um momento.
"Vozes?", ele perguntou planamente.
"Bem, s uma voz. A sua.  uma longa histria". O olhar cauteloso nos olhos dele me fez desejar no ter tocado no assunto. Ser que ele ia pensar que eu estava louca,
como todo mundo? Ser que todo mundo estava certo em relao a isso? Mas finalmente aquela expresso - aquela que fazia parecer que ele estava se queimando - desapareceu.
"Eu tenho tempo", a voz dele estava desnaturalmente uniforme.
" bem pattico".
Ele esperou.
Eu no tinha certeza de como explicar. "Voc se lembra do que Alice te disse sobre esportes radicais?"
Ele falou as palavras sem reflexes ou nfase. "Voc pulou de um penhasco pra se divertir".
"Er, certo. E antes disso com a moto -"
"Moto?", ele perguntou. Eu conhecia a voz dele o suficiente pra saber que havia alguma coisa brotando por baixo da calma.
"Eu acho que no disse a Alice sobre essa parte".
"No".
"Bem, sobre isso... Veja, eu descobr que... quando eu estava fazendo alguma coisa perigosa ou estpida... eu conseguia me lembrar de voc mais claramente", eu confessei,
me sentindo completamente maluca. "Eu conseguia me lembrar do som da sua voz quando estava com raiva. Eu podia ouv-la, como se voc estivesse bem ao meu lado. Na
maior parte do tempo eu tentava no pensar em voc, mas isso no me machucava tanto - era como se voc estivesse me protegendo de novo. Como se voc no quisesse
que eu me machucasse.
"E, bem, eu me pergunto se a razo pela qual eu podia te ouvir to claramente era porque, por baixo disso tudo, eu sempre soube que havia no havia parado de me
amar".
De novo, enquanto eu falava, as palavras trouxeram com elas um senso de convico. Ou de certeza. Algum espao profundo dentro de mim reconheceu a verdade.
As palavras dele saram meio estranguladas. "Voc... estava... arriscando a sua vida... pra ouvir -"
"Shh", eu interromp ele. "Espere um segundo. Eu acho que estou tendo uma epifnia aqui".
Eu pensei naquela primeira noite em Port Angeles quando eu tive a minha primeira iluso. Eu havia inventado duas opes. Eu no havia visto uma terceira opo.
Mas e se...
E se voc acreditasse sinceramente que uma coisa  verdade, mas estivesse mortalmente errado? E se voc estivesse to teimosamente certo de que tinha razo, que
voc nem podia considerar a verdade? Ser que a verdade seria silenciada, eu ela se faria enxergar?
Opo trs: Edward me amava. O lao que havia entre ns no era uma coisa que podia ser quebrado pela ausncia, distncia, ou tempo. E no importava o quanto ele
pudesse ser mais especial ou lindo ou brilhante ou perfeito que eu, ele estava to irreversvelmente alterado quando eu. Assim como eu sempre pertenceria a ele,
ele tambm seria sempre meu.
Era isso que eu estava tentando dizer pra mim mesma?
"Oh!"
"Bella?"
"Oh. Tudo bem. Eu entendo".
"Sua epifnia?", ele perguntou, sua voz desigual e tensa.
"Voc me ama", eu disse maravilhada.
O senso de convico e impermeabilidade passou por mim novamente.
Apesar dos olhos dele ainda estarem ansiosos, ele deu o sorriso torto que eu mais amava. "Sinceramente, eu amo".
Meu corao inflou como se fosse explodir entre as minhas costelas. Ele encheu meu peito e bloqueou minha garganta at que eu no pudesse falar.
Ele realmente me queria do jeito como eu queria ele - pra sempre. Era s medo pela minha alma, pelas coisas humanas que ele no queria tirar de mim, que o tornavam
to desesperado pra me manter mortal. Comparado ao medo de que ele no me quisesse, essa barreira - minha alma - parecia quase insignificante.
Ele pegou o meu rosto apertado entre as suas mos geladas e me beijou at que eu estivesse to tonta que a floresta estava girando. Ento ele encostou a sua testa
na minha, e eu no era a nica respirando com mais fora que o normal.
"Voc foi melhor nisso que eu, sabe?", ele me disse.
"Melhor em que?"
"Sobreviver. Voc, pelo menos, fez um esforo. Voc se acordava de manh, tentava ser normal pra Charlie, seguia um padro para a sua vida. Quando eu no estava
ativamente perseguindo, eu era... complemante intil. Eu no conseguia ficar perto da minha famlia - eu no conseguia ficar perto de ningum. Eu tenho vergonha
de admitir que eu mais ou menos me curvei em uma bola e deixei a infelicidade me levar embora". Ele sorriu, envergonhado. "Isso foi muito mais pattico do que ouvir
vozes. E,  claro, voc sabe disso, tambm".
Eu estava profundamente aliviada por ele parecer entender - confortada de que isso fazia sentido pra ele. De qualquer forma, ele no estava olhando pra mim como
se eu fosse uma louca. Ele estava olhando pra mim como... se me amasse.
"Eu s ouv uma voz", eu corrigi ele.
Ele riu e ento me puxou bem apertado para o seu lado direito e comeou a me guiar para a frente.
"Eu s estou brincando com isso", ele fez um gesto largo na escurido enquanto ns caminhvamos. Havia alguma coisa plida e imensa l - a casa, eu me dei conta.
"No importa nem um pouco o que eles disserem".
"Agora isso afeta eles tambm".
Ele levantou os ombros indiferentemente.
Ele me guiou pela porta da frente aberta pra dentro da casa escura e ligou as luzes.
A sala era exatamente como eu me lembrava - o piano e os sofs brancos e a escada plida, gigante. Nada de poeira, nada de lenis brancos.
Edward chamou os nomes com o mesmo volume que usaria numa conversa normal.
"Carlisle? Esme? Rosalie? Emmett? Jasper? Alice?", eles ouviriam.
Carlisle estava em p ao meu lado de repente, como se ele tivesse estado l o tempo inteiro. "Bem vinda de volta, Bella", ele sorriu. "O que podemos fazer por voc
essa manh? Eu imagino, pela hora, que essa no  uma visita puramente social".
Eu balancei a cabea. "Eu gostaria de falar com todos de uma s vez, se estiver tudo bem. Sobre uma coisa importante".
Eu no consegui evitar olhar para o rosto de Edward enquanto falava. A expresso dele estava crtica. Quando eu olhei de volta pra Carlisle, ele estava olhando pra
Edward tambm.
" claro", Carlisle disse. "Porque no falamos na outra sala?"
Carlisle guiou o caminho pela sala de estar clara, e pela curva para a sala de jantar, ligando as luzes enquanto passava. As paredes eram brancas, o teto era alto,
como na sala de estar. No centro da sala, embaixo do candelabro baixo, havia uma grande masa polida, oval cercada por oito cadeiras. Carlisle segurou uma cadeira
pra mim na ponta.
Eu nunca havia visto os Cullen usando a sala de jantar antes - era s um adereo. Eles no comiam na casa.
Assim que eu me virei pra sentar na cadeira, eu v que no estvamos mais sozinhos. Esme havia seguido Edward e o resto da familia enchia a sala atrs dela.
Carlisle se sentou  minha direita, e Edward  minha esquerda. Todos os outros se sentaram silenciosamente. Alice estava sorrindo pra mim, j a par de tudo. Emmett
e Jasper pareciam curiosos, e Rosalie sorria pra mim tentadoramente. Meu sorriso de resposta foi to tmido quanto o dela. Ia levar um tempo pra me acostumar com
isso.
Carlisle acenou a cabea na minha direo. "O palco  seu".
Eu engol seco. Os olhares deles me deixaram nervosa. Edward pegou a minha mo por debaixo da mesa. Eu olhei pra ele, mas ele estava olhando para os outros, seu
rosto estava feroz de repente.
"Bem", eu pausei. "Eu espero que Alice j tenha lhes contado tudo o que aconteceu em Volterra?"
"Tudo", Alice me assegurou.
Eu joguei um olhar significativo pra ela. "E na ida".
"Isso tambm", ela balanou a cabea.
"Bom", eu suspirei aliviada. "Ento estamos todos na mesma pgina".
Eles esperaram pacientemente enquanto eu tentava ordenar meus pensamentos.
"Ento, eu tenho um problema", eu comecei. "Alice prometeu aos Volturi que eu me tornaria uma de vocs. Eles vo mandar algum pra checar, e eu tenho certeza de
que isso  uma coisa ruim - uma coisa pra ser evitada.
"E ento, agora, isso envolve vocs todos. Eu lamento por isso". Eu olhei pra cada um dos seus rostos lindos, deixando o mais lindo por ltimo. Aboca de Edward estava
virada pra baixo em uma careta. "Mas se vocs no me quiserem, ento eu no vou me forar pra vocs, esteja Alice querendo ou no".
Esme abriu sua boca pra falar, mas eu ergui um dedo pra par-la.
"Por favor, me deixe terminar. Todos vocs sabem o que eu quero. E eu tenho certeza de que tambm sabem o que Edward quer. Eu acho que a nica maneira justa de decidir
 por uma votao. Se vocs decidirem que no me querem, ento... eu acho que vou para a Itlia sozinha. Eu no posso deixar que eles venham at aqui" Minha testa
se enrugou enquanto eu considerei isso.
Houve o fraco estrondo de um rosnado no peito de Edward. Eu o ignorei.
"Levando isso em conta, ento, que eu no vou coloc-los em perigo de nenhuma das formas, eu quero que vocs votem sim ou no no caso de eu me tornar uma vampira".
Eu dei um meio sorriso na ltima palavra, e fiz um gesto na direo de Carlisle pra que ele comeasse.
"S um minuto", Edward interrompeu.
Eu o encarei com os olhos apertados.
"Eu tenho algo a adicionar antes de votarmos".
Eu suspirei.
"Sobre o perigo ao qual Bella est se referindo", ele continuou. "Eu no acho que precisamos ser exageradamente ansiosos".
A expresso dele ficou mais animada. Ele colocou a mo livre em cima da mesa brilhante e se inclinou para a frente.
"Vejam", ele explicou, olhando ao redor da mesa enquanto falava, "havia mais de uma razo pra eu no ter apertado a mo de Aro l no final. H uma coisa na qual
eles no pensaram, e eu no queria precav-los disso". Ele sorriu.
"Que era?", Alice estimulou. Eu tinha certeza de que a minha expresso era to ctica como a dela.
"Os Volturi so super confiantes, e com uma boa razo. Quando eles decidem encontrar algum, isso no  realmente um problema. Lembra de Demetri?", Ele olhou pra
mim agora.
Eu levantei os ombros. Ele considerou isso um sim.
"Ele encontra pessoas - esse  o seu talento, por isso eles o mantm.
"Agora, durante todo o tempo em que eu estive com cada um deles, eu estava vasculhando no crebro deles por qualquer coisa que pudesse nos salvar, eu estava pegando
toda a informao que fosse possvel. Ento eu v como o talento de Demetri funciona. Ele  um perseguidor - um perseguidor mil vezes mais talentoso que James era.
A habilidade dele  levemente relacionada  minha, ou o que Aro faz.
Ele capta... o gosto? Eu no sei como descrever isso... o tenor... da mente de algum, e depois ele a segue. Isso funciona a distncias imensas.
"Mas depois do pequeno experimento de Aro, bem...", Edward levantou os ombros.
"Voc acha que ele no ser capaz de me encontrar", eu disse planamente.
Ele estava presumido. "Eu tenho certeza disso. Ele se baseia completamente nesse sentido. Quando ele no funcionar com voc, eles estaro todos cegos".
"E como isso resolve alguma coisa?"
"Obviamente, Alice ser capaz de dizer quando eles estiverem planejando uma visita, e eu vou te esconder", ele disse profundamente agradado. "Ser como procurar
uma agulha num palheiro".
Ele e Emmett trocaram um olhar e um sorriso.
Isso no fazia nenhum sentido. "Mas eles podem encontrar voc", eu o lembrei.
"E eu posso cuidar de mim mesmo".
Emmett riu e se inclinou por cima da mesa na direo do irmo, estendendo o pulso.
"Excelente plano, meu irmo", ele disse com entusiasmo.
Edward esticou o brao pra bater o pulso de Emmett no seu.
"No", Rosalie assobiou.
"Absolutamente no", eu concordei.
"Legal", a voz de Jasper estava apreciativa.
"Idiotas", Alice murmurou.
Esme encarou Edward.
Eu fiquei ereta na minha cadeira, me focando. Essa era a minha reunio.
"Tudo bem, ento. Edward ofereceu uma alternativa pra vocs considerarem", eu disse friamente. "Vamos votar".
Eu olhei na direo de Edward dessa vez; seria melhor tirar a opinio dele do caminho. "Voc quer que eu me junte  sua famlia?"
Os olhos dele estavam duros e pretos como asfalto. "No dessa maneira. Voc fica humana".
Eu balancei a cabea uma vez, mantendo o meu rosto profissional, e depois continuei.
"Alice?"
"Sim".
"Jasper?"
"Sim", ele disse, com a voz grave. Eu fiquei um pouco surpresa - eu no tinha nem um pouco de certeza do seu voto - mas eu suprimi minha reao e segui adiante.
"Rosalie?"
Ela hesitou, mordendo o seu lbio inferior cheio, perfeito. "No".
Eu mantive meu rosto vazio e virei minha cabea um pouco pra continuar, mas ela levantou as duas mos, com as palmas pra frente.
"Deixe-me explicar", ele implorou. "Eu no estou querendo dizer que tenho averses a ter voc como irm.  s que... essa no  a vida que eu teria escolhido pra
mim. Eu queria que houvesse algum pra ter votado no pra mim".
Eu balancei a cabea lentamente, e depois me virei pra Emmett.
"Que inferno, sim!", ele abriu um sorriso largo. "A gente pode arrumar um outro jeito de arrumar briga com esse Demetri".
Eu ainda estava fazendo uma careta por isso quando me virei pra Esme.
"Sim,  claro, Bella. Eu j penso em voc como parte da minha famlia".
"Obrigada, Esme", eu sussurrei enquanto me virava direo de Carlisle.
Eu fiquei nervosa de repente, desejando ter pedido pelo voto dele antes. Eu tinha certeza de que esse era o voto que importava mais, o voto que contava mais que
a maioria.
Carlisle no estava olhando pra mim.
"Edward", ele disse.
"No", Edward rosnou. A mandbula dele estava muito apertada, seus lbios curvados na frente dos seus dentes.
" o nico jeito disso fazer sentido", Carlisle insistiu. "Voc escolheu no vier sem ela, e isso no me deixa outra escolha".
Edward soltou a minha mo, saindo da mesa com presa. Ele marchou pra fora da sala, rosnando por baixo do flego.
"Eu acho que voc sabe o meu voto". Carlisle suspirou.
Eu ainda estava olhando pra Edward. "Obrigada", eu murmurei.
Um barulho alto de alguma coisa se quebrando ecoou da outra sala.
Eu enrijeci e falei rapidamente. "Isso era tudo o que eu precisava. Obrigada. Me me quererem. Eu me sinto exatamente da mesma forma por todos vocs tambm". Minha
voz estava embargada de emoo no final.
Esme estava do meu lado num flash, os seus braos frios ao meu redor.
"Querida Bella", ela respirou.
Eu a abracei de volta. Pelo canto do meu olho, eu notei Rosalie olhando pra baixo para a mesa, e eu me dei conta de que as minhas palavras podiam ser interpretadas
de duas formas.
"Bem, Alice", eu disse quando Esme me soltou. "Onde voc quer fazer isso?"
Alice me encarou, seus olhos estavam arregalados de terror.
"No! No! NO!" Edward rugiu, entrando na sala de novo. Ele estava na minha cara antes que eu pudesse piscar, se inclinando sobre mim, sua expresso contorcida
com raiva. "Voc est louca?" ele gritou. "Voc perdeu completamente a cabea?"
Eu me afastei, com as mos nos ouvidos.
"Umm, Bella", Alice se intrometeu com uma voz ansiosa. "Eu no acho que estou pronta pra isso. Eu vou precisar me preparar..."
"Voc prometeu", eu a lembrei, olhando por baixo do brao de Edward.
"Eu sei, mas... Srio, Bella! Eu no fao idia de como no matar voc".
"Voc pode fazer isso", eu encorajei. "Eu confio em voc".
Edward rosnou furioso.
Alice balanou a cabea rapidamente, parecendo em pnico.
"Carlisle?", eu me virei pra olhar pra ele.
Edward agarrou meu rosto com a mo, me forando a olhar pra ele. A outra mo dele estava levantada, com a palma levantada pra Carlisle.
Carlisle ignorou isso. "Eu posso fazer isso", ele respondeu minha pergunta. Eu desejei poder ver a expresso dele. "Voc no correr nenhum risco de que eu perca
o controle".
"Parece bom". Eu esperava que ele tivesse entendido; era difcil falar claramente enquanto Edward segurava a minha mandbula.
"Espere", Edward disse por entre os dentes. "No precisa ser agora".
"No h razo pra no ser agora", eu disse, as palavras saindo em desordem.
"Eu estou pensando em algumas".
" claro que est", eu disse acidamente. "Agora me solte".
Ele libertou meu brao e cruzou os braos no peito. "Em cerca de duas horas, Charlie vai estar aqui procurando por voc. Eu no duvidaria que ele chamasse a polcia".
"Os trs deles", eu fiz uma carranca.
Essa sempre era a parte mais difcil. Charlie, Rene. E agora Jacob tambm. As pessoas que eu perderia as pessoas que eu ia machucar. Eu queria que houvesse uma
forma de eu ser a nica a sofrer, mas eu sabia que isso seria impossvel.
Ao mesmo tempo, eu estava os magoando mais permanecendo humana. Colocando Charlie em perigo constante com a minha aproximao. Colocando Jake em mais perigo ainda
por trazer os inimigos dele s terras que ele deve proteger. E Rene - eu nunca podia me arriscar a visitar a minha me por medo de trazer problemas mortais comigo!
Eu era um im de perigo; eu j tinha aceitado isso sobre mim mesma.
Aceitando isso, eu sabia que teria de ser capaz de cuidar de mim mesma e proteger as pessoas que eu amava, mesmo que isso significasse que eu no poderia estar com
eles. Eu precisava ser forte.
"No interesse de permanecer acima de qualquer suspeita"Edward disse, ainda atravs dos dentes trincados, mas olhando pra Carlisle agora.
"Eu sugiro que ponhamos um fim a essa conversa, pelo menos at que Bella termine o segundo grau, e saia da casa de Charlie"
"Esse  um pedido razovel, Bella", Carlisle apontou.
Eu pensei na reao de Charlie quando acordasse essa manh, se - depois do que ele teve que agentar depois da perda de Harry, e depois eu tivesse que faz-lo passar
pelo meu desaparecimento inexplicvel - ele encontrasse minha cama vazia.
Charlie merecia mais que isso. Era s um pouco mais de tempo; a formatura no estava to longe...
Eu torci meus lbios. "Eu vou considerar isso".
Edward relaxou. A mandbula dele se desprendeu.
"Eu provavelmente devia te levar pra casa", ele disse, mais calmo agora, mas claramente com pressa de me tirar daqui. "S no caso de Charlie acordar mais cedo".
Eu olhei pra Carlisle. "Depois da formatura?"
"Voc tem minha palavra".
Eu respirei fundo, sorri, e me virei de volta pra Edward. "Tudo bem. Voc pode me levar pra casa".
Edward se apressou pra me tirar da casa antes que Carlisle pudesse me prometer mais alguma coisa. Ele me levou pelos fundos, pra que assim eu no pudesse ver o que
ele havia quebrado na sala de estar.
A viagem pra casa foi quieta. Eu estava me sentindo triunfante, e um pouco presumida. Rgida de medo, tambm,  claro, mas eu tentei no pensar nessa parte. No
me fazia nenhum bem pensar na dor - a fsica ou a emocional - ento eu no pensaria. No at que eu tivesse que pensar.
Quando ns chegamos  minha casa, Edward no parou. Ele correu parede acima e entrou pela minha janela em meio segundo. Ento ele tirou meus braos do seu pescoo
e me colocou na cama.
Eu pensei que fazia uma bela idia do que ela estava pensando, mas a sua expresso me surpreendeu. Ao invs de furiosa, a expresso dele estava calculista. Ele andou
silenciosamente pra frente e pra trs pelo meu quarto escuro enquanto eu o observava com crescente suspeita.
"O que quer que seja que voc estiver planejando, no vai funcionar", eu disse pra ele.
"Shh. Eu estou pensando".
"Ugh", eu gemi, me jogando na cama e colocando a colcha por cima da minha cabea.
No houve nenhum som, mas de repente ele estava l. Ele tirou a coberta de cima pra poder me ver. Ele estava deitado ao meu lado. A mo dele se aproximou pra alisar
a minha bochecha.
"Se voc no se importar, eu preferiria que voc no escondesse o seu rosto. Eu j vivi sem ele pelo mximo de tempo que eu consigo agentar. Agora... diga-me uma
coisa".
"O que?", eu perguntei sem vontade.
"Se voc pudesse pedir por qualquer coisa nesse mundo, qualquer coisa, o que seria?"
Eu sent o ceticsmo nos meus olhos. "Voc"
Ele balanou a cabea impaciente. "Alguma coisa que voc ainda no tenha".
Eu no tinha certeza de onde ele estava planejando me levar, ento eu pensei cuidadosamente antes de responder. Eu pensei em uma coisa que no s era verdade, como
tambm provavelmente impossvel.
"Eu ia querer... Que Carlisle no tivesse que fazer isso. Eu iria querer que voc me transformasse".
Eu observei a reao dele cautelosamente, esperando mais da fria que eu havia visto na casa dele. Eu fiquei surpresa que a expresso dele no mudou. Ele ainda estava
calculista, pensativo.
"O que voc estaria a fim de trocar por isso?"
Eu no conseguia acreditar em meus ouvidos. Eu olhei para o seu rosto composto e soltei a resposta antes que pudesse pensar nela.
"Qualquer coisa".
Ele sorriu fracamente, e depois torceu os lbios. "Cinco anos?"
Meu rosto se contorceu em uma expresso que era uma mistura de pesar e horror.
"Voc disse qualquer coisa", ele me lembrou.
"Sim, mas... voc vai usar o tempo pra encontrar uma maneira de se livrar disso. Eu tenho que bater enquanto o ferro est quente. Alm do mais,  perigoso demais
que eu permanea humana - pra mim, pelo menos. Ento, qualquer coisa menos isso".
Ele fez uma carranca. "Trs anos?"
"No!"
"Ser que isso vale alguma coisa pra voc?"
Eu pensei no quanto eu queria isso. Melhor manter uma testa de ferro, eu decidi, e no deixar ele saber o quanto eu queria isso.
Isso ia me dar mais tempo pra ter influencia. "Seis meses?"
Ele rolou os olhos. "No  bom o suficiente".
"Um ano, ento", eu disse. "Esse  o meu limite".
"Pelo menos me d dois".
"De jeito nenhum. De dezenove eu passo. Mas eu no vou chegar nem perto dos vinte. Se voc vai ficar na adolescncia pra sempre, ento eu tambm vou".
Ele pensou por um minuto. "Tudo bem. Esquea os limites de tempo. Se voc quer que eu faa isso - ento voc s vai ter que aceitar uma condio".
"Condio?", minha voz ficou vazia. "Que condio?"
Seus olhos estavam cuidadosos - ele falou lentamente. "Case comigo primeiro".
Eu olhei pra ele, esperando... "Tudo bem. Qual  o truque?"
Ele suspirou. "Voc est ferindo o meu ego, Bella. Eu acabei de te pedir em casamento, e voc acha que eu estou fazendo piada".
"Edward, por favor fale srio".
"Eu estou sendo cem por cento srio". Ele me encarou sem uma ponta de humor no rosto.
"Oh, vamos", eu disse, uma ponta de histeria na minha voz. "Eu s tenho dezoito".
"Bem, eu j tenho quase cento e dez. Est na hora de me ajeitar".
Eu desviei o olhar, para a janela escura, tentando controlar o meu pnico antes que ele me denunciasse.
"Olha, casamento no est exatamente no topo da minha lista de prioridades, sabe?
Isso foi meio que o beijo da morte pra Rene e Charlie".
"Interessante escolha de palavras".
"Voc sabe do que eu estou falando".
Ele inalou profundamente. "Por favor no me diga que voc tem medo de compromisso", a voz dele estava descrente, e eu entendi do que ele estava falando.
"No  exatamente isso", eu cerquei. "Eu... estou com medo de Rene. Ela realmente tem umas opinies interessantes sobre se casar antes dos trinta".
"Porque ela preferiria que voc se tornasse um dos eternos condenados do que te ver se casar". Ele sorriu obscuramente.
"Voc acha que est fazendo piada".
"Bella, se voc considerar o nvel de comprometimento entre uma unio matrimonial e a barganha de trocar a sua alma por uma eternidade como vampira..." ele balanou
a cabea.
"Se voc no  corajosa o suficiente pra se casar comigo, ento -"
"Bem", eu interrompi. "E se eu fizesse isso? E se eu te disse pra me levar pra Las Vegas agora? E seria uma vampira em trs dias?"
Ele sorriu, seus dentes estavam brilhando na escurido. "Claro", ele disse, pagando pra ver. "Eu vou pegar o meu carro".
"Droga", eu murmurei. "Eu te dou dezoito meses".
"Sem acordo", ele sorriu. "Eu gosto dessa condio".
"Tudo bem. Eu peo pra Carlisle fazer isso quando eu me formar".
"Se  realmente isso que voc quer", ele levantou os ombros, e o seu sorriso ficou absolutamente angelical.
"Voc  impossvel", eu rosnei. "Um monstro".
Ele gargalhou. " por isso que voc no vai se casar comigo?"
Ele se inclinou na minha direo; seus olhos escuros como a noite se derreteram e queimaram e danificaram a minha concentrao. "Por favor? Bella?", ele respirou.
Eu me esqueci de como respirar por um momento. Quando eu me recuperei, eu balancei a minha cabea rapidamente, tentando limpar a minha cabea subitamente nublada.
"Ser que isso teria funcionado melhor se eu tivesse tempo de arrumar um anel?"
"No! Nada de anis!", eu quase gritei.
"Agora voc conseguiu", ele cochichou.
"Oops".
"Charlie est se levantando;  melhor eu ir embora", Edward disse com resignao.
Meu corao parou de bater.
Ele estudou a minha expresso por um segundo. "Seria infantil da minha parte me esconder no seu armrio, ento?"
"No", eu sussurrei ansiosamente. "Fique. Por favor".
Edward sorriu e desapareceu.
Eu me sentei na escurido enquanto esperava Charlie vie me checar. Edward sabia exatamente o que ele estava fazendo, e eu era capaz de apostar que toda a surpresa
fazia parte da trama.  claro, eu ainda tinha a opo de Carlisle, mas agora que eu sabia que havia uma chance do prprio Edward me mudar, eu queria muito isso.
Ele era um trapaceiro.
Minha porta se abriu.
"Bom dia, pai".
"Oh, oi, Bella" Ele parecia envergonhado por ter sido pego no flagra. "Eu no sabia que voc estava acordada".
". Eu s estava esperando voc se levantar pra ir tomar um banho", eu comecei a me levantar.
"Espera", Charlie disse, ligando a luz. Eu pisquei por causa da claridade repentina, e cuidadosamente mantive os meus olhos longe do armrio. "Vamos conversar por
uns minutos primeiro".
Eu no consegui controlar a minha careta. Eu havia esquecido de pedir uma boa desculpa  Alice.
"Voc est com problemas".
", eu sei".
"Eu estava a ponto de enlouquecer nesses trs dias. Eu volto pra casa do funeral de Harry, e voc est desaparecida. Jacob me disse que voc havia fugido com Alice
Cullen, e que ele pensava que vocs estavam com problemas. Voc no me deixou um nmero, e no me ligou. Eu no sabia quando - ou se - voc ia voltar. Voc tem alguma
idia de como... como..." Ele no conseguiu terminar a frase. Ele sugou o ar profundamente e continuou. "Ser que voc pode me dar uma boa razo pra eu no te mandar
pra Jacksonville nesse segundo?"
Meus olhos se estreitaram. Ento iam ser ameaas, no ? Um jogo que dois podem jogar. Eu me sentei, colocando a colcha ao meu redor. "Porque eu no vou".
"Agora s um minuto, jovenzinha - "
"Olha, pai, eu aceito completamente a responsabilidade pelas minhas aes, e voc pode me castigar por quanto tempo voc quiser. Eu tambm farei todas as tarefas
e vou lavar as roupas e os pratos at que voc pense que eu aprendi a lio. E eu acho que voc est no seu direito se voc quiser me botar pra fora tambm - mas
isso no vai me fazer ir para a Flrida".
O rosto dele ficou vermelho brilhante. Ele respirou fundo algumas vezes antes de responder.
"Voc gostaria de explicar onde esteve ?"
Oh, droga. "Houve uma... emergncia".
As sobrancelhas dele se ergueram de expectativa pela minha brilhante explicao.
Eu enchi as minhas bochechas de ar e depois coloquei o ar pra fora fazendo barulho.
"Eu no sei o que te dizer, pai. Foi em grande parte um grande mal entendido. Ele disse, ela disse. Saiu do controle".
Ele esperou com uma expresso desconfiada.
"Veja, Alice contou a Rosalie que eu havia pulado do penhasco...", eu estava lutando freneticamente pra fazer isso funcionar, pra fazer isso ficar o mais perto da
verdade possvel para que assim a minha habilidade com mentiras no minasse a desculpa, mas antes que eu pudesse continuar a expresso de Charlie me lembrou de que
eu no havia contado a ele sobre o penhasco.
Super oops. Como se eu j no estivesse frita.
"Eu acho que no te contei sobre isso", eu botei pra fora. "No foi nada. S me divertindo, nadando com Jake. De qualquer forma, Rosalie contou pra Edward e ele
ficou chateado. Ela meio que acidentalmente fez parecer que eu estava tentando me matar ou alguma coisa assim. Ele no atendia ao telefone, ento Alice me arrastou
pra... , Los Angeles, pra explicar pessoalmente", eu levantei os ombros, esperando desesperadamente que ele no ficasse distrado o sufciente com o meu errinho
ao ponto de perder a explicao brilhante que eu havia dado.
O rosto de Charlie estava congelado. "Voc estava tentando se matar, Bella?"
"No,  claro que no. S me divertindo com Jake. Mergulho dos penhascos. Os garotos de La Push faz isso o tempo inteiro. Como eu disse, no foi nada".
O rosto de Charlie se esquentou - de congelado  quente de fria. "Qual  a de Edward Cullen, afinal?", ele latiu. "Todo esse tempo, ele te deixou na mo sem uma
palavra -"
Eu interromp ele. "Outro mal entendido".
Ele ficou vermelho de novo. "Ele est de volta ento?"
"Eu no tenho certeza de qual  o plano. Eu acho que eles todos voltaram".
Ele balanou a cabea, a veia da testa dele estava pulsando. "Eu quero que voc fique longe dele, Bella. Eu no confio nele. Ele  ruim pra voc. E no vou deixar
ele fazer aquilo com voc de novo".
"Tudo bem", eu disse curtamente.
Charlie se balanou nos calcanhares. "Oh". Ele andou por um segundo, exalando alto com a surpresa. "Eu pensei que voc fosse ser difcil".
"Eu vou", eu o encarei diretamente nos olhos. "Eu quis dizer 'Tudo bem, eu me mudo'".
Seus olhos se arregalaram; o rosto dele ficou ruivo. Minha resoluo ficou balanada enquanto eu comecei a me preocupar com a sade dele. Ele no era mais jovem
que Harry...
"Pai, eu no quero me mudar", eu disse em um tom mais suave. "Eu amo voc. Eu sei que voc est preocupado, mas voc vai precisar confiar em mim nisso. Voc vai
ter que facilitar pra Edward se quiser que eu fique. Voc quer que eu viva aqui ou no?"
"Isso no  justo, Bella. Voc sabe que eu quero que voc fique".
"Ento seja legal com Edward, porque ele vai estar onde eu estiver", eu disse com confiana. A confiana da minha epifnia ainda era forte.
"No embaixo do meu teto", Charlie trovejou.
Eu dei um suspiro profundo. "Olha, eu no vou dar mais nenhum ultimato essa noite - ou eu acho que  manh. S pense nisso por alguns dias, t legal? Mas tenha em
mente que eu e Edward somos uma espcie de pacote".
"Bella -"
"Pense nisso", eu insisti. "E enquanto voc est fazendo isso, ser que voc pode me dar um pouco de privacidade? Eu realmente preciso de um banho."
O rosto de Charlie mudou para um estranho tom de roxo, mas ele saiu, batendo a porta atrs dele. Eu ouvi ele pisando furiosamente nos degraus da escada.
Eu joguei minha colcha de lado, e Edward estava l, sentado na cadeira de balano como se estivesse sentado l durante a conversa inteira.
"Eu lamento por isso", eu sussurrei.
"Como se eu no merecesse coisa muito pior", ele murmurou. "No comece nada com Charlie por minha causa, por favor".
"No se preocupe com isso" eu respirei enquanto juntava as minhas coisas do banheiro e pegava uma muda de roupas limpas. "Eu vou fazer exatamente o que for necessrio,
e nada, alm disso. Ou ser que voc est querendo me dizer que eu no teria um lugar pra ir?" eu arregalei os olhos com falso alarme.
"Voc se mudaria pra uma casa cheia de vampiros?"
"Esse provavelmente  o lugar mais seguro pra algum como eu. Alm do mais..." eu sorr. "Se Charlie me expulsar, ento no h necessidade de esperar at a formatura,
no ?"
A mandbula dele se apertou. "To ansiosa pela condenao eterna", ele murmurou.
"Voc sabe que no acredita realmente nisso".
"Oh, no acredito?", ele fumaou.
"No. No acredita".
Ele me encarou e comeou a falar, mas eu cortei ele.
"Se voc realmente acreditasse que perdeu sua alma, ento quando eu te encontrei em Volterra, voc teria se dado conta imediatamente do que estava acontecendo, ao
invs de pensar que estvamos mortos juntos. Mas voc no soube - voc disse ' Incrvel. Carlisle estava certo.'", eu lembrei ele, triunfante. "Existe esperana
em voc, afinal".
Pela primeira vez, Edward ficou sem fala.
"Ento vamos os dois ter esperana, certo?", eu sugeri. "No que isso importe. Se voc ficar, eu no preciso do paraso".
Ele se levantou lentamente, e veio colocar as suas mos nos dois lados do meu rosto enquanto olhava nos meus olhos. "Pra sempre", ele prometeu, ainda vacilante.
"Isso  tudo o que eu estou pedindo", eu disse, e me estiquei nos meus dedos do p pra poder pressionar os meus lbios nos dele.
Eplogo - Acordo
Quase tudo estava de volta ao normal - ao bom, normal pr-zumbi - em menos tempo do que eu teria julgado possvel. O hospital recebeu Carlisle de volta com braos
ansiosos, sem nem se preocupar em escinder sua felicidade por Esme ter desgostado tanto da vida em Los Angeles. Graas ao teste de Clculo que eu perdi enquanto
estive no estrangeiro, Alice e Edward estavam em melhores condies de se formarem do que eu estava no momento. De repente, a faculdade era uma prioridade (a faculdade
ainda era o plano B, na chance mnima de que a proposta de Edward superasse a proposta de ps formatura de Carlisle). Muitos prazos haviam passado por mim, mas Edward
tinha uma nova pilha de pedidos de aceitao pra eu preencher todos os dias. Ele j havia freqentado Harvard, ento ele no se incomodava que, graas  minha procrastinao,
ns dois acabaramos na Faculdade Comunitria de Pennsula no ano que vem.
Charlie no estava feliz comigo, e nem falando com Edward. Mas pelo menos Edward tinha permisso - nos meus horrios que foram designados para as visitas - pra entrar
na casa de novo. S que eu no tinha permisso pra sair dela.
Escola e o trabalho eram as nicas excees, e o amarelo fatigante, chato das paredes das minhas salas de aula, haviam ficado estranhamente convidativos pra mim
ultimamente. Isso tinha muito a ver com a pessoa que se se sentava  mesa ao lado da minha.
Edward havia reassumido o seu mesmo horrio do incio do ano passado, o que o colocou na maioria das minhas aulas de novo. O meu comportamento foi to ruim no outono
passado, depois que os Cullen supostamente se mudaram pra Los Angeles, que a cadeira ao meu lado nunca foi reocupada. Mesmo Mike, que estava sempre ansioso pra tirar
alguma vantagem, manteve uma distncia segura.
Com Edward de volta ao seu lugar, era quase como se os ltimos oito meses tivessem sido um pesadelo perturbador.
Quase, mas no exatamente. Eu estava presa em casa, pra comear. E pra terminar, no outono passado,eu ainda no tinha virado a melhor amiga de Jacob Black.
Ento,  claro, eu no tinha sentido a falta dele.
Eu no estava em liberdade pra ir at La Push, e Jacob no estava vindop at mim. Ele nem atendia as minhas ligaes.
Eu fazia essa ligaes na maioria das vezes  noite, depois que Edward havia sido botado pra fora - exatamente s nove, por um Charlie severo e alegre - e antes
que Edward entrasse pela minha janela depois que Charlie estivesse dormindo. Eu escolhi essa hora para fazer as minhas ligaes infrutferas porque eu havia notado
que Edward fazia uma certa cara toda vez que eu mencionava o nome de Jacob. Meio desaprovador e cauteloso... talvez at com raiva. Eu me perguntei se ele sentia
o mesmo preconceito recproco pelos lobisomens, apesar dele no ser to vocal quanto Jacob havia sido sobre os "sugadores de sangue".
Ento, eu no mencionava muito Jacob.
Com Edward perto de mim, era difcil pensar em coisas infelizes - mesmo no meu ex melhor amigo, que provavelmente estava muito infeliz agora, por minha causa.
Quando eu pensava em Jake, eu sempre me sentia culpada por no pensar mais nele.
O conto de fadas estava de volta. O prncipe havia retornado, o feitio ruim foi quebrado. Eu no tinha certeza do que fazer com o personagem que sobrou, sem ser
resolvido. Onde estava o feliz pra sempre dele?
As semanas se passaram, e Jacob ainda no atendia os meus telefonemas. Isso comeou a se transformar numa preocupao constante. Como uma torneira pingando na minha
cabea que eu no podia desligar ou ignorar. Drip, drip, drip. Jacob, Jacob, Jacob.
Ento, apesar de eu no mencionar Jacob muito, as vezes, a minha ansiedade e a minha frustrao transbordavam.
"Isso  muito rude!", eu soltei num Sbado  tarde quando Edward foi me buscar no trabalho. Ficar brava com as coisas era mais fcil que me sentir culpada. "Absolutamente
insultante!"
Eu variava o meu padro, na esperana de ter respostas diferentes. Dessa vez eu liguei pra Jacob do trabalho, s pra ser atendida por um intil Billy. De novo.
"Billy disse que ele no queria falar comigo", eu fumacei, olhando a chuva cair pela janela do passageiro.
"Que ele estava l, e que no ia caminhar trs passos pra pegar o telefone! Geralmente Billy simplesmente disse que ele est ocupado ou dormindo ou alguma coisa
assim. Quer dizer, no  como se eu no soubesse que ele est mentindo pra mim, mas pelo menos era uma forma educada de lidar com isso. Eu acho que agora Billy me
odeia tambm. Isso no  justo!"
"No  voc, Bella", Edward disse baixinho. "Ningum odeia voc".
"D pra sentir", eu murmurei, cruzando meus braos no peito. Isso no era mais que um gesto de teimosia. Agora no havia mais buraco - eu mal podia me lembra de
como era me sentir vazia.
"Jacob sabe que estamos de volta, e eu tenho certeza de que ele j foi informado de que eu estou com voc", Edward disse. "Ele no vai chegar perto de mim. A inimizade
tem razes muito profundas".
"Isso  estpido. Ele sabe que voc no ... como os outros vampiros".
"Ainda existem boas razes pra manter uma distncia segura".
Eu olhei cegamente pelo pra-brisa, vendo apenas o rosto de Jacob, com aquela mcara azeda que eu odiava.
"Bella, ns somos o que ns somos", Edward disse baixo. "Eu posso me controlar, mas eu duvido que ele possa. Ele  muito jovem. Isso teria grandes probabilidades
de se transformar numa briga, e eu no sei se conseguiria para antes de m -" ele parou, e ento continuou rapidamente. "Antes de machuc-lo. Voc ficaria infeliz.
Eu no quero que isso acontea".
Eu me lembrei o que Jacob havia dito na cozinha, ouvindo as palavras numa perfeita lembrana da voz rouca dele. Eu no tenho certeza de que sou controlado o suficiente
pra lidar com isso... Voc provavelmente no ia gostar muito de mim se eu matasse a sua amiga. Mas ele foi capaz de lidar com isso, daquela vez...
"Edward Cullen", eu sussurrei. "Voc estava prestes a dizer 'matar ele? Estava?"
Ele desviou o olhar de mim, olhando para a chuva.
Na nossa frente, o sinal vermelho que eu no havia reparado ficou verde de novo ele ele seguiu em frente de novo, dirigindo muito lentamente. No era o seu normal
de dirigir.
"Eu tenteria... muito... no fazer isso", Edward disse finalmente.
Eu o encarei com a minha boca aberta, mas ele continuava olhando diretamente para a frente. Ns estvamos parados no sinal de pare da esquina.
Abruptamente, eu me lembrei do que aconteceu com Paris quando Romeu voltou. Os scipts eram bem simples: Eles lutam, Paris cai
Mas isso era ridculo. Impossvel.
"Bem", eu disse, e respirei fundo, balanando a minha cabea para dissipar as palavras da minha cabea. "Nada assim vai acontecer nunca, ento no h razo para
se preocupar com isso. E voc sabe que Charlie est olhando para o relgio nesse instante.  melhor voc me levar pra casa antes que eu me meta em mais problemas
por estar atrasada".
Eu virei o meu rosto pra ele, pra sorrir meio sem vontade.
Toda vez que eu olhava para o rosto dele, aquele rosto impossivelmente perfeito, meu corao batia muito forte e saudvel, muito l no meu peito. Dessa vez, o batimento
passou do seu prprio ritmo alucinado. Eu reconhecia aquela expresso no seu rosto de esttua.
"Voc j se meteu em mais problemas, Bella", ele sussurrou por lbios que no se moviam.
Eu escorreguei mais pra perto, agarrando o brao dele enquanto seguia o seu olhar pra ver o que ele estava vendo. Eu no sei o que eu estava esperando - talvez Victria
de p no meio da rua, com o seu cabelo vermelho voando ao vento, ou uma fila de mantas pretas... ou um bando de lobisomens raivosos. Mas eu no estava vendo absolutamente
nada.
"O que? O que ?"
Ele respirou fundo. "Charlie..."
"Meu pai?", eu arranhei.
Ele olhou pra mim nessa hora, e a expresso estava calma o suficiente pra acalmar um pouco do meu pnico.
"Charlie provavelmente no vai matar voc, mas ele est pensando nisso", ele me disse.
Ele comeou a dirigir em frente de novo, rua abaixo, mas ele passou da casa e estacionou perto de onde as rvores comeavam.
"O que foi que eu fiz?", eu asfixiei.
Edward olhou de volta para a casa de Charlie. Eu segui o seu olhar, e reparei pela primeira vez no que estava estacionado na garagem ao lado da viatura. Cintilante,
vermelha brilhante, impossvel de no ver. Minha moto, ostentando a s mesma na garagem.
Edward disse que Charlie estava pronto pra me matar, ento ele devia saber que - que ela era minha. S havia uma pessoa que podia estar por trs dessa traio.
"No!", eu asfixiei. "Porque? Porque Jacob faria isso comigo?", a dor dessa traio me lavou por dentro. Eu havia confiado em Jacob implicitamente - confiei a ele
os mnimos segredos que eu tinha. Era pra ele ser o meu porto seguro - a pessoa com a qual eu sempre podia contar.  claro que as coisas estavam acertadas no momento,
mas eu no achava que nenhuma das linhas desse fundamentos haviam sido mudadas. Eu no achava que isso fosse mutvel!
O que eu tinha feito pra merecer isso? Charlie ia ficar muito bravo - e pior que isso, ele ia ficar machucado e preocupado. Ser que ele j no tinha coisas suficientes
com as quais lidar? Eu nunca havia imaginado que Jake podia ser to mesquinho e to simplesmente mau. As lgrimas saltaram, astutas, nos meus olhos, mas elas no
eram lgrimas de tristeza. Eu havia sido trada. Eu estava repentinamente com tanta raiva que minha cabea latejava como se fosse explodir.
"Ele ainda est aqui?", eu assobiei.
"Sim. Ele est esperando por ns". Edward me disse, acenando com a cabea em direo  fina passagem que dividia a floresta escura em duas.
Eu pulei pra fora do carro, me lanando na direo das rvores com as mos j curvadas nos punhos preparadas para o primeiro soco.
Porque Edward tinha que ser to mais rpido que eu?
Ele me agarrou pela cintura antes que eu chegasse na passagem.
"Me deixe ir! Eu vou assassinar ele! Traidor!", eu gritei esse epiteto na direo das rvores.
"Charlie vai escutar voc", Edward me avisou. "E assim que ele te colocar pra dentro, ele pode at colocar tijolos nas portas".
Eu olhei de volta para a casa instintivamente, e parecia que a moto vermelha chamativa era tudo o que eu podia ver. Eu estava enxergando vermelho. Minha cabea latejou
de novo.
"S me d um round com Jacob, e depois eu me viro com Charlie", eu lutei futilmente pra me libertar.
"Jacob Black quer ver a mim.  por isso que ele ainda est aqui".
Isso me congelou - mandou a luta pra fora de mim. Minhas mos ficaram flcidas.
Eles lutam; Paris cai.
Eu estava furiosa, mas no to furiosa.
"Conversar?", eu perguntei.
"Mais ou menos".
"Quanto mais?", minha voz tremeu.
Edward alisou meu cabelo pra tir-lo do meu rosto. "No se preocupe, ele no est aqui pra brigar comigo. Ele est agindo como... porta voz do bando".
"Oh".
Edward olhou para a casa de novo, ento apertou o brao na minha cintura e me puxou em direo  floresta. "Ns temos que nos apressar. Charlie est ficando impaciente".
Ns no tivemos que ir muito longe; Jacob estava nos esperando s um pouco acima de onde a trilha comeava. Ele estava encostado num tronco de rvore cheia de musgos
enquanto esperava, seu rosto estava duro e amargo, exatamente do jeito que eu sabia que estaria. Ele olhou pra mim, e depois pra Edward. A boca de Jacob se transformou
num sorriso sem humor de desprezo, e ele se afastou da rvore. Ele ficou de p sobre os ps descalsos, se inclinando levemente para frente, suas mos tremendo estavam
cravadas nos punhos. Ele parecia ainda maior do que da ltima vez que eu o havia visto. De alguma forma, impossivelmente, ele ainda estava crescendo. Ele ia parecer
uma torre ao lado de Edward, se eles ficassem lado a lado.
Mas Edward parou assim que ns o vimos deixando um grande espao entre ns e Jacob. Edward virou seu corpo, se movendo de forma que eu fiquei atrs dele.
Eu me inclinei ao redor dele pra encarar Jacob - pra acus-lo com os meus olhos.
Eu pensei que ver a expresso ressentda, cnica dele, s me deixaria com ainda mais raiva.
Ao invs disso, ela me lembrou da ltima vez que eu havia visto ele, com lgrimas nos olhos. Minha fria enfraqueceu, falhou, quando eu olhei pra Jacob. J fazia
tanto tempo desde que eu havia o visto - eu odiava que essa reunio tivesse que ser assim.
"Bella", Jacob disse como uma saudao, acenando com a cabea uma vez mas sem desviar os olhos de Edward.
"Porque?", eu sussurrei, tentando esconder o som so caroo na minha garganta. "Como  que voc pode fazer isso comigo, Jacob?"
O desprezo sumiu, mas o rosto dele continuou duro e rgido. "Foi para o melhor".
"O que deveria significar? Voc quer que Charlie me estrangule? Ou voc queria que ele tivesse um ataque cardaco, como Harry? No importa o quanto voc esteja bravo
comigo, como  que voc pde fazer isso com ele?"
Jacob estremeceu, as sobrancelhas juntas, mas ele no respondeu.
"Ele no queria machucar ningum - ele s queria que voc ficasse de castigo, pra que voc no tivesse permisso de passar o tempo comigo", Edward disse, explicando
os pensamentos que Jacob no diria.
Os olhos de Jacob brilhavam de dio quando ele encarou Edward de novo.
"Aw, Jake!", eu gem. "Eu j estou de castigo! Porque voc acha que eu ainda no tinha ido  La Push pra chutar o seu traseiro por no atender minhas ligaes?"
Os olhos de Jacob voltaram pra mim, confusos pela primeira vez. "Foi por isso?" ele perguntou, e depois travou a mandbula, como se ele estivesse arrependido por
ter dito alguma coisa.
"Ele pensou que era eu que no estava deixando, e no Charlie", Edward explicou de novo.
"Pare com isso", Jacob disparou.
Edward no respondeu.
Jacob levantou os ombros uma vez, e depois travou os dentes com tanta fora quanto os punhos. "Bella no estava exagerando sobre as suas... habilidades", ele disse
atravs dos dentes.
"Ento voc j deve saber porque eu estou aqui".
"Sim", Edward concordou com uma voz suave. "Mas antes de voc comear, eu preciso dizer uma coisa".
Jacob esperou, travando e destravando as mos enquanto continuava tentando controlar os arrepios que desciam pelos seus braos.
"Obrigado", Edward disse, e a voz dele palpitava de sinceridade. "Eu nunca vou ser capaz de te dizer o quanto estou agradecido. Eu estou te devendo para o resto
da minha... existncia".
Jacob olhou pra ele branco, seus tremores pararam com a surpresa. Ele trocou um rpido olhar comigo, mas o meu rosto estava igualmente mistificado.
"Por manter Bella viva", Edward esclareceu a voz dele spera e fervente. "Quando eu... no o fiz".
"Edward -", eu comecei a dizer, mas ele levantou uma mo, seus olhos estavam em Jacob.
A compreenso lavou o rosto de Jacob antes que a mscara voltasse para o lugar.
"Eu no fiz isso para o seu benefcio".
"Eu sei. Mas isso no apaga a gratido que eu sinto. Eu achei que voc devia saber. Se houver qualquer coisa no meu poder que eu possa fazer por voc..."
Jacob ergueu uma sobrancelha preta.
Edward balanou a cabea. "Isso no  do meu poder".
"Do de quem, ento?", Jacob rosnou.
Edward olhou pra mim. "Dela. Eu aprendo rpido, Jacob Black, e eu no cometo o mesmo erro duas vezes. Eu vou ficar aqui at que ela ordene que eu v embora".
Eu fiquei momentaneamente imersa no seu olhar dourado. No foi difcil compreender o que eu havia perdido da conversa. A nica coisa que Jacob podia querer de Edward
era a sua ausncia.
"Nunca", eu sussurrei ainda presa no olhar de Edward.
Jacob fez um som de quem estava amordaado.
Eu me libertei sem vontade do olhar de Edward pra fazer uma carranca pra Jacob. "Havia algo mais que voc queria Jacob? Voc queria me meter em problemas - misso
cumprida. Charlie deve me mandar para a Escola Militar. Mas isso no vai me afastar de Edward. No h nada que possa fazer isso. O que mais voc quer?"
Jacob manteve os olhos em Edward.
"Eu s preciso lembrar os seus amigos sugadores de sangue de alguns pontos importantes do acordo com o qual eles concordaram. Essa conversa sobre o acordo  a nica
coisa me impedindo de rasgar a garganta dele nesse minuto".
"Ns no esquecemos", Edward disse ao mesmo tempo em que eu perguntava, "Que pontos importantes?"
Jacon ainda encarava Edward, mas ele me respondeu. "O acordo  bastante especfico. Se algum deles morder um humano, a trgua est acabada. Morder, no matar", ele
enfatizou. Finalmente, ele olhou pra mim. Seus olhos estavam frios.
S me levou um segundo pra compreender a distino, e isso deixou o meu rosto to frio quanto o dele.
"Isso no  da sua conta".
"No   o -" foi tudo o que ele conseguiu falar.
Eu no esperava que as minhas palavras precipitadas trouxessem uma resposta to forte. Apesar do aviso que tinha vindo pra dar, ele no devia saber. Ele deve ter
pensado que o aviso era s uma precauo. Ele no havia se dado conta - ou no queria acreditar - que eu j havia feito a minha escolha. Que eu realmente j tinha
a inteno de me tornar um membro da famlia Cullen.
Minha resposta fez Jacob chegar a quase ter convulses. Ele pressionou os pulsos com fora nas tmporas, fechando os olhos bem apertados e se curvando sobre s mesmo
enquanto tentava controlar os espasmos. O rosto dele ficou de um verde doentio por baixo da pele ruiva.
"Jake? Voc t bem?", eu perguntei ansiosamente.
Eu dei meio passo na direo dele, e ento Edward me agarrou e me puxou de novo pra trs do seu prprio corpo. "Cuidado! Ele no est sob controle", ele me avisou.
Mas Jacob j era algo de s mesmo novamente; s os braos dele estavam tremendo agora. Ele olhou pra Edward com puro dio. "Ugh. Eu nunca machucaria ela".
Nem Edward e nem eu perdemos a inflexo, ou a acusao que isso significava. Um assobio baixo escapou pelos lbios de Edward. Jacob curvou os punhos reflexivamente.
"BELLA!", o rugido de Charlie ecoou vindo da direo da casa.
"ENTRE EM CASA NESSE INSTANTE!"
Todos ns congelamos, escutando o silncio que se seguiu.
Eu fui a primeira a falar; minha voz tremia. "Droga".
A expresso furiosa de Jacob falhou. "Eu sinto muito por isso", ele murmurou. "Eu tinha que fazer o que podia - eu tinha que tentar".
"Obrigada" O tremor da minha voz arruinou o sarcasmo. Eu olhei para a trilha, meio que esperando que Charlie aparecesse marchando pelas avencas molhadas como um
touro enraivecido. Eu seria a bandeira vermelha na cena.
"S mais uma coisa", Edward disse pra mim, e depois olhou pra Jacob. "Ns no encontramos nenhuma pista de Victria do nosso lado da linha - e vocs?"
Ele j sabia da resposta assim que Jacob pensou nela, mas Jacob falou a resposta, do mesmo jeito. "A ltima vez foi quando Bella estava... fora. Ns deixamos ela
pensar que estava escapando - ns estavamos apertando o cerco, nos preparando pra embosc-la -"
Desceu gelo pela minha espinha.
"Mas depois ela desapareceu como um morcego do inferno. Pelo que podemos dizer, ela sentiu o cheiro da sua pequena fmea e fugiu. Ela no se aproximou da nossa terra
desde ento".
Edward balanou a cabea. "Quando ela voltar, ela no  mais problema de vocs. Ns -"
"Ela matou no nosso territrio", Jacob assobiou. "Ela  nossa!"
"No -", eu comecei a protestar contra as duas declaraes.
"BELLA! EU VEJO O CARRO DELE E EU SEI QUE VOC EST A! SE VOC NO ENTRAR EM CASA EM UM MINUTO...!" Charlie no se incomodou em terminar a sua ameaa.
"Vamos", Edward disse.
Eu olhei de volta para Jacob, dividida. Ser que eu o veria novamente?
"Desculpa", ele sussurrou to baixo que eu tive que ler os lbios dele pra entender.
"Adeus, Bells".
"Voc prometeu", eu o lembrei desesperadamente. "Ainda amigos, certo?"
Jacob balanou a cabea lentamente, e o caroo na minha garganta praticamente me estrangulou.
"Voc sabe o quanto eu dei duro pra manter essa promessa, mas... Eu no consigo ver como poderei continuar tentando. No agora..."
Ele lutou pra manter sua mscara dura no lugar, mas ela vacilou, e depois desapareceu. "Sinto sua falta", ele falou com os lbios. Uma das mos dele avanou em minha
direo, seus longos dedos esticados, como se ele desejasse que eles fossem longos o suficiente pra cruzar a distncia entre ns.
"Eu tambm", eu botei pra fora. Minha mo se inclinou na direo dele no espao largo.
Como se estivessemos conectados, o eco da dor dele se contorceu dentro de mim. A dor dele, a minha dor.
"Jake...", eu dei um passo na direo dele. Eu queria passar os meus braos na cintura dele e apagar a expresso de misria do rosto dele.
Edward me puxou de novo, seus braos restringiam ao invs de defender.
"Est tudo bem", eu promet pra ele, olhando pra ver seu rosto com confiana em meus olhos. Ele entenderia.
Seus olhos eram ilegveis, o rosto dele estava sem expresso. Frio. "No, no est".
"Solte ela", Jacob rosnou, furioso de novo. " o que ela quer!", ele deu dois longos passos  frente. Um brilho de antecipao brilhou nos olhos dele. O peito dele
parecia inchar enquanto se tremia.
Edward me puxou pra trs dele, se virando pra enfrentar Jacob.
"No! Edward -!"
"ISABELLA SWAN!"
"Vamos! Charlie est com raiva!", minha voz estava cheia de pnico, mas agora no era por causa de Charlie. "Rpido!"
Eu puxei ele e ele relaxou um pouco. Ele me empurrou pra trs lentamente, sempre mantendo os olhos em Jacon enquanto nos afastvamos.
Jacob nos encarou com um olhar negro de escrnio em seu rosto cido. A antecipao havia fugido do seu rosto, e ento, pouco antes da floresta estar entre ns, o
rosto dele de repente se contorceu de dor.
Eu sabia que esse olhar breve para o rosto dele ia me perseguir at que eu visse ele sorrir de novo.
E bem al eu jurei que o veria sorrir de novo, e em breve. Eu ia dar um jeito de manter o meu amigo.
Edward manteve seu brao apertado na minha cintura, me segurando perto. Essa foi a nica coisa que segurou as lgrimas dentro dos meus olhos.
Eu tinha srios problemas.
Meu melhor amigo me contava com os seus inimigos.
Victria ainda estava  solta, colocando todos a quem eu amava em perigo.
Se eu no me tornasse uma vampira em breve, os Volturi me matariam.
E agora, parecia que se eu fizesse isso, os lobisomens Quileute fariam eles mesmos o trabalho - alm de tentar matar a minha futura famlia. Eu no achava que ele
realmente tivessem alguma chance, mas ser que o meu melhor amigo podia ser morto na tentativa?
Problemas muito srios. Ento porque eles pareciam to insignificantes quando ns samos das rvores eu eu v a expresso no rosto roxo de Charlie?
Edward me apertou gentilmente. "Eu estou aqui".
Eu respirei profundamente.
Isso era verdade. Edward estava aqui, com os seus braos ao meu redor.
Eu podia enfrentar qualquer coisa contanto que isso fosse verdade.
Eu enquadrei meus ombros e caminhei em frente para encontrar com meu fado, com o meu destino solidamente ao meu lado.
